Hot Cold Blood - Klaroline.

21 Capítulo 21 - New Orleans: Uma Nova Batalha.


CAROLINE

Satisfeitos e exaustos, nos deitamos em um canto perto da árvore ao qual nos proporcionou uma ótima e incrível conexão e caímos no sono.

Bom...Pelo menos Klaus o fazia. Ele se recusava em permanecer quieto e eu a deixá-lo sozinho se debatendo enquanto tinha certeza que pesadelos o atormentava. Então cansada, com fome e com olheiras enormes, me levantei antes de amanhecer e coloquei meu lado Stefan para trabalhar. Após cerca de uma hora encontrei algo que não fosse fruta ou qualquer outra planta, um alimento apropriado para nós.

Joguei o esquilo ao lado de Klaus que com o barulho ou o cheiro, não sei dizer, acordou e se sentou colocando a mão nas têmporas como se estivesse com uma enorme dor de cabeça. A minha vontade era de mata-lo, afinal, quem passou a noite inteira acordada e ainda caçou, foi eu.

— Não me leve a mal amor, mas não fui criado a base de coelhos e minha dieta é um pouco mais saudável que isso. — Sorriu de lado com um cinismo tão absurdo que minha vontade foi de soca-lo por ter me dado o trabalho de caçar e ele soltar uma piadinha a respeito.

— Para início de conversa, isso nem é um coelho. — Ele fez uma cara óbvia zombeteira e eu fiquei ainda mais puta. – Tudo bem, então morra de fome! — E saí de perto para não cumprir com a minha vontade.

O Sol finalmente começou a aparecer e iluminar a floresta e junto, o roto de Klaus. Mesmo eu estando muito irritada e definitivamente sem paciência confessei que o lugar era lindo e ele também, mesmo quando usava todo seu cinismo para me irritar tão profundamente que esmagar seu crânio numa árvore qualquer parecia uma boa ideia de diversão.

Ao longe pude ouvir o som do balanço insistente dos galhos e algo vinha em nossa direção.

— Klaus. — O chamei e imediatamente ele apareceu do meu lado. – Consegue ouvir isso?

— Sim. Fique aqui, verificarei o que é isso. — Ele começou a andar de modo normal em direção à coisa e eu fui atrás dele como uma pessoa que nunca obedece as suas ordens.

Por mais ridículo que pareça, e realmente é, me imaginei como uma policial que dá reforço para o parceiro de rondas noturnas, tirando o fato que está de dia e que não somos policiais, é claro.

Nos aproximamos cautelosamente quando a coisa saiu entre os arbustos, nos atacando de imediato. Klaus, com sua velocidade e agilidade agarrou-a pelo pescoço suspendendo-a no ar.

— O que pensa que está fazendo? — Hayley falou rouca enquanto tinha sua garganta esmagada pelas mãos de Klaus.

— Oh Meu Deus, Hayley! — Gritei eufórica. Nunca tinha ficado tão feliz na vida em ver essa songa.

Klaus continuou segurando em seu pescoço como se não acreditasse naquilo e preferi intervir como no dia que tive a notícia sobre a gravidez e ele reagira da mesma maneira. A diferença agora, é que ela era desejada.

— Já pode soltar, Klaus. É realmente ela. — Ele olhou para mim, encarou Hayley e a soltou.

— Não pode esperar ao menos ela nascer? — A lobinha falou rouca enquanto acariciava a barriga e tentava se recuperar.

— O que houve? Como conseguiu ficar tantos dias sem ser encontrada. — Ele a circulou farejando-a como um animal e até eu achei aquilo estranho. – Sem rastros, sem cheiro, sem nada.

— Como posso saber? Eu vim aqui encontrar com Jackson e o restante da matilha quando... — Hayley tonteou e Klaus a pegou antes que pudesse cair completamente.

Me aproximei e coloquei a mão em sua testa, depois bochechas e pescoço.

— Klaus. — Disse assustada e ele ficou preocupado pelo meu tom de voz. – Ela está ardendo em febre.

— Vamos leva-la de volta, Caroline. Rápido! — Ele a pegou no colo e saímos dali o mais rápido possível.

Sem meu celular e o de Klaus descarregado, o jeito foi ele leva-la enquanto eu tentava me comunicar com os outros.

KLAUS

Hayley estava queimando e não havia mais nada do qual eu pudesse fazer. A barriga dela já estava enorme e eu me perguntava quando a minha menina iria nascer. Seja lá o que for, eu teria que fazer uma escolha. Certamente Elijah ficaria na dúvida, Rebekah não hesitaria e Caroline... Bom, Caroline tentaria a qualquer custo manter a vida das duas, nem que tivesse que por algumas coisas em jogo.

E era o que mais admirava nela. Essa capacidade de sentir empatia tão facilmente. Algo que certamente a destruiu, mas que ela mantém teimosamente porque no final foi isso... Foi isso que a salvou. Foi isso que me salvou.

Caroline entrou como um furacão no quarto e tirou o pano molhado ao qual deixei sobre a cabeça de Hayley numa tentativa quase frustrada de abaixar a febre.

— Elijah está a caminho. Rebekah foi à Vodoo Shop pegar algumas ervas e o tal Jackson... Bom, não sei onde ele está, mas isso não importa. — Deu de ombros. – Pelo menos deu uma amenizada.

— Eu estou acordada, sabiam? E me sinto um pouco melhor, obrigada.

— Você se alimentou? Eu trouxe biscoitinhos de leite, vitamina e torradas com geleia de framboesa e espero que goste de framboesa porque só tem essa na dispensa. — Caroline falava sem parar e sem pausa.

Hayley riu. Mas não por achar engraçado, mas porque de alguma forma ela achou graça em algo.

— Eu nunca me alimentei tão bem na vida. Vivi de frutas e água fresca por o que? 3, 4 dias? — E continuou rindo. – Obrigada, Caroline. — Ela segurou firme a mão de Caroline que retribuiu com um sorriso sincero, algo raro entre as duas personalidades à minha frente.

— O que eu não entendo é como consegui me perder ali. Parecia que havia algo ao qual me matinha no lugar por mais que andasse para frente. No final, eu sempre acabava na mesma casinha abandonada perto do lago. — Ela sentou-se para comer e Caroline ajudou-a a sentar e posicionou a bandeja em seu colo.

— Como não conseguimos te ver? Nós fomos até lá, mas... — Caroline falou sem entender.

— Talvez fosse nas horas ao qual eu saía para me alimentar.

— Pode ser coincidência.

— Ou não. — Pronunciei.

Eu vivi tempo demais para saber que no mundo, no nosso particular mundo as coisas não acontecem por coincidência e nada do que possa realmente me atingir ou me abalar é por um acaso. Hayley jamais se perderia no Bayou e meus sentidos nunca me deixaram na mão. E se tem algo ao qual eu aprendi é não confiar.

DAVINA

Não que tenha feito um contrato, mas eu estive do outro lado por um tempo e negociei. Ou ficaria lá sem ser incomodada ou viveria o que chamam de inferno.

Enquanto caminhava sem rumo pelo limbo, entre uma memória e outra, as coisas tendem a te enlouquecer e você faz até um pacto com o mal se for necessário. E eu a chamei de mal necessário.

— Garota da Colheita. — Fui chamada por uma voz doce. Assustadoramente doce.

Não sabia dizer, mas aquela mulher me causava arrepios.

Logo descobri.

— Como Escolhida, você tem certas vantagens por aqui. Não posso te tocar, mas... — Ela fez um suspense e se aproximou de mim.

Ali era a terra dos mortos, ou dos não vivos e mesmo assim ela consegui tornar todo o ambiente em uma calamidade, algo próximo ao surreal. E tudo se tornou um deserto, assustador e frio, tão frio que eu não conseguia me manter.

— Não há o que temer, querida. Não a machucarei. — Ela lançou-me um olhar tão gélido quanto o tempo ali. – Bem... Ao menos por enquanto. — Um sorriso diabólico formou-se em seus lábios e finalmente entendi.

Aqueles olhos frios, a voz da morte, o corpo que dança com a escuridão.

Sem pensar, eu fugi. Para onde? Doce ironia...

— Você não pode fugir de mim, não. Jamais. Nunca!

[...]

Somewhere in time

(Em algum lugar no tempo)

I will find you and haunt you again

(Eu te encontrarei e te assombrarei novamente)

Like the wind sweeps the Earth

(Como o vento varre a terra)

— Oh, doce criança... — Ela tocou em minhas têmporas e eu enfraqueci.

Suas mãos eram como um presságio. Me mostrando tudo. Anunciando o fim. Fazendo-me cair em um sono profundo de dor e agonia.

Somewhere in time

(Em algum lugar no tempo)

When no virtues are left to defend

(Quando não restar nenhuma virtude para defender)

You fall in deep

(Você cai profundamente)

[...]

E aqui estou eu, servindo às bruxas sem reclamar. Eu estava em um coven ao qual fui acolhida como filha, não como órfã. Trabalhando diretamente para ninguém menos que a bruxa mais poderosa que existiu com uma missão simples: destruir tudo o que que Klaus é. Eu, por ela e por todos, o destruiria e o deixaria em ruínas.

Eu vivi, estive lá e sofri na pele os horrores que os Mikaelson fizeram durante os séculos.

Família, vilas e cidades inteiras destruídas, drenadas até que não restasse uma gota de nada, de sangue, de esperança. Nada era poupado.

Em todas as visões, em todas as dilacerações e suga de vida ele estava lá. Klaus com suas presas e um sorriso no rosto sentia o teatro do horror e da morte dentro de si e se divertia com isso. Ele, mais do que seus irmãos, sentia cada vez mais e mais e mais prazer, chegando ao ponto de atacar sua própria família em atos absurdos de crueldade e privação.

Eu não trabalho com o mal, nunca trabalhei. Não foi para isso que sacrifiquei-me pelo meu dom. Não era minha intenção matar Klaus ou alguém, mas o faria pagar por tudo o que fez e puni-lo antecipadamente pelo o que pode fazer.

Quando não restasse algo para ele se agarrar, não restar-lhe nenhuma fé, ele seria um nada, ele seria o nada e imploraria por misericórdia, imploraria por uma vida mortal.

Nada faria Klaus sofrer mais que perder o que mais ama.

Para isso, armamos um plano funcional.

CAROLINE

— Como ela está? — Ouvi a voz de Elijah e virei-me para trás.

— Numa montanha russa térmica. — Disse e ele colocou as mãos na cabeça dela, circulando a cama e sentando-se do outro lado.

— Minha culpa. — Lamentou-se.

Por um momento senti pena dele. Elijah, o mais centrado, era o que agora parecia mais perdido.

— Como isso — Apontei para Hayley que agora descansava. – pode ser sua culpa?

Ele vacilou por um momento e se recusou a falar.

Nós não éramos tão próximos quanto gostaria, mas ele gostava de mim o suficiente para saber que poderia contar comigo para qualquer coisa. Posso ter alguns defeitos, mais um deles definitivamente não é falta de confiança.

— Katerina. — Disse com um pesar na voz ao olhar para Hayley que respirava pesadamente. – Ela...

— Deu o maldito ar da graça. — Falei e ele sorriu minimamente, concordando.

— O que ela quer?

— O problema não foi o que ela queria, Caroline e sim o que aconteceu. — Ele me olhou e a única coisa que consegui responder foi um sonoro “oh”. – Nos encontramos logo após ela me ligar. Disse que tinha algo importante para mim e... Bom, não era ao todo uma mentira. Ela tinha algo para mim. — Mais uma vez entendi e permaneci quieta durante um tempo.

— Não deveria se sentir culpado. Aconteceu. — Dei de ombros e Elijah começou a prestar atenção em mim. – Um amor de 500 anos não desaparece assim, do nada. Você, entre todos os Originais foi o único que conseguiu amar, o único que conseguiu sentir o que isso faz com você, como te muda, como te faz uma pessoa melhor, um homem melhor. — levantei-me e me pus ao seu lado. – Eu sinto muito que tenha acontecido dessa forma agora e sinto muito por ser com Katherine, aquela vadia desalmada, mas não dá para negar que ela se tornou o que é porque não pode tê-lo. — Elijah colocou as mãos sobre a minha em seus ombros e as apertou de leve amigavelmente. Olhei firme em seus olhos e continuei. – Não amar torna as pessoas vazias, cruéis e sem senso de vida. Você tem esse dom. Aproveite-o. Você pode culpar-se agora, mas depois perceberá que o erro seria se deixasse isso passar.

Dei a volta novamente e tirei o pano da cabeça de Hayley. Me preparava para descer quando fui chamada.

— Caroline. – Ele se levantou e ficou à minha frente. – Você também.

— O que? Tenho o dom de amar? Eu sei, minha mãe é...

— De fazer ser amada. — Ele me interrompeu. – De fazer até os corações mais sombrios ser tomado por luz. — E sorriu abertamente.

Minha boca abriu em um perfeito “o” e meu corpo gelou. Se me pedissem para descrever a sensação que perceber isso causou em mim, não saberia fazê-lo.

— E seguindo seu próprio conselho... Aproveite. — Ainda em êxtase, assenti e desci para a cozinha.

Ouvi Rebekah chegar e perguntar por mim no andar de cima. Ela conversava algo com Elijah do qual não pude compreender por estar entretida em meus próprios pensamentos.

Saí de Mystic Falls decidida a fazer o que fosse preciso para tirar Damon, Elena, Jeremy, Bonnie e Matt do cativeiro idiota que Klaus os deixou, nem que eu tivesse que seduzi-lo para isso. Felizmente encontrei uma outra alternativa, uma não muito boa, inclusive. Eu conheceria Marcel através de Thomas para fazer isso, já que ele possuía o controle das bruxas. No meio do caminho, aconteceu o que todos chamariam de impossível.

Confesso agora que foi assustador ver Klaus esmagando Hayley para que ela não pudesse ter o filho. Ele estava determinado em ceifar a vida de duas pessoas por aparente capricho. E no meio daquele caos tudo que eu pude ver foi um Klaus com medo. Foi difícil perceber que alguém como ele, alguém que viveu mais de mil anos pudesse sentir tanto medo de algo novo, algo inesperado. Mas ali estava ele e ali estava eu, embarcando em uma aventura perigosa sem saber se teria volta por querer dar a oportunidade do Original mais sem coração amar alguém. O que não contava, entretanto, foi que ele pudesse, mesmo em todo caos, me fazer despertar isso também.

Onde eu estava com a cabeça quando decidi aceitar isso tudo? E onde eu estaria caso não tivesse? Provavelmente em algum canto com Tyler sendo amarga por não ter me dado a oportunidade de vivenciar, de experienciar tudo o que o híbrido pode fazer com sua influência, poder, dinheiro e corpo... principalmente corpo.

Sacudi minha cabeça para afastar as memórias tórridas das viagens e peguei água e gelo despejando-os em um pequeno balde e mergulhando um outro pano limpo ali. Isso ajudava a manter a temperatura de Hayley estável enquanto não encontramos uma solução mais viável para o problema dela. E seja lá o que for, eu estava preocupada. Não só pela bebê ou Hayley, mas também por Klaus.

Quando me virei para sair, Rebekah apareceu na cozinha.

— Espero que saiba fazer chá. — Ela me entregou uma sacola cheia de ervas e uma pasta.

— Qualquer um sabe fazer chá. — Ri e depois olhei para ela que permanecia calada. – Fala sério! Você não sabe? Oh Meu Deus, Rebekah! — E ri mais ainda, recebendo uma careta engraçada dela.

— Uma dama não precisa disso quando se pode compilar todos a fazerem suas vontades. — Disse rindo debochada.

— Espero que Matt não esteja tomando mais verbena. — Rimos. – Por falar nele, onde está? Pensei que estaria contigo. — Disse enquanto retirava as coisas da sacola e esquentava a água.

— Não. Ele se foi. — Concluiu cabisbaixa.

— Como assim se foi?

— Ninguém o matou, Caroline. — Ela revirou os olhos. – O quarterback preferiu voltar para a sua monótona, sem graça e humana vido do que ficar aqui comigo. — Bufou e pegou o pano do balde. – Se tem uma coisa que sinto dele é: inveja.

Embora não quisesse rir, eu fiz. Não segurei ver Rebekah desse jeito por causa do Matt e ainda mais por ela saber que pode ir para lá ficar com ele a hora que quiser. Matt pode não aguentar essa vida sobrenatural de morte e desgraça, mas ele é perdidamente apaixonado pela Original que não sabe fazer chá e se ela pedisse, ele voltaria. O que impede as duas coisas é o orgulho de ambos. E eu conheço uma história mais ou menos assim.

Estava acabando de preparar o chá quando senti uma presença.

— Pensei que não voltaria tão cedo.

— Tive meus motivos para permanecer algum tempo longe, amor. — Ele circulou o balcão e ficou ao meu lado.

— E quais foram eles? — Falei afastando-o para pegar a caneca.

— Tirar algumas dúvidas. — Klaus olhou para mim como se esperasse alguma reação e continuou. – Sobre o que fazer caso Hayley não resista.

Larguei a caneca antes de conseguir despejar o chá e o fitei. Klaus parecia seguro de sua decisão e apensar de não achar correto não consultar quem realmente está passando pela situação, entendi seu lado. Como ele mesmo me disse em uma das raras vezes em que conversamos civilizadamente, Hayley foi só uma noite bêbado pela frustração de não me ter e que não se importava com ela, mas com a consequência disso sim. Ainda assim, não era uma decisão só para ele tomar, mesmo tendo em mente que Hayley provavelmente faria a mesma escolha.

— Sempre há outras opções, amor. Contatei algumas bruxas para nos auxiliar com isso. Qualquer coisa, temos uma segunda chance de fazer dar certo.

— Na primeira consulta, ela já estava de 5 meses e nenhuma barriga e olhe só agora, Klaus. — Ele sorriu tristemente.

Me aproximei dele e passei a mão em seus cabelos.

— Não parece que 3 meses passaram tão rápido. — Ele me encarou e compreendeu a situação.

— Por isso é muito arriscado.

— Eu sei.

KLAUS

Eu estava disposto a fazer o que fosse necessário para manter a minha filha bem, nem que para isso tivesse que sacrificar não só alguém como também o meu orgulho.

Embora não quisesse, meu último recurso foi ir até as bruxas e propor um novo trato. Elas liderariam o Conselho depois de nós e todos as outras facções serviriam de apoio às suas reivindicações. Não são todas as bruxas que confio, mas a Bennett da qual Hayley se consultou durante esses meses não está na cidade e Bonnie perdeu seu contato com a natureza bruxa, seus ancestrais ou seja lá o que for que a fez perder seus poderes. Então recorri a talvez as únicas que pudessem entrar nessa comigo, alguém ao qual o interesse por poder seja tão incessante quanto o meu.

Fui até o Cemitério Lafayette e selei um acordo do qual sabia que me arrependeria depois. Mas estava disposto a assumir os riscos.

Caroline subiu no momento que Davina apareceu no saguão com Genevieve e eu fui recebe-las não com muito humor, confesso. Eu estava irritado e apreensivo, algo próximo ao ponto do qual eu jogo sujo não me importando com as consequências. Precisava me manter firme e estável. E se não fosse pela presença de Caroline, talvez eu não conseguisse. O significado dessas palavras são nulos para mim.

— Não podemos fazer isso antes do anoitecer. — A líder do coven disse e eu só assenti.

Não queria me envolver. Queria fazer como venho feitos nesses séculos. Me trancando em um atelier rodeado por quadros brancos, pincéis, tintas, mulheres e sangue, bebendo whisky e pensando em uma maneira violenta de resolver as coisas por pura diversão. Queria que fosse simples a esse ponto. Mas isso era algo do qual eu não podia escapar.

Desde quando eu tenho humanidade? Quando eu a liguei? Não. Nunca o fiz. Ela simplesmente se apossou de mim sem um mandante, sem avisar e sem sinais. Não que eu a tenha por completo, porque continuo pensando em morte, violência e destruição, mas incluir minha família nisso estava agora definitivamente fora dos planos. E por minha família, embora contra minha natureza homicida de não me importar, encontra-se Caroline.

O céu ficava ainda mais negro com o passar das horas e não era só pela noite se aproximando. Não sei se por ironia, o tempo fechou e uma tempestade se aproximou mais rápido do que o vento podia soprar.

Nos últimos raios de Sol, Davina subiu e obedeceu às ordens de Genevieve, que a aguardava em um quarto reservado para elas.

Elijah estava com Hayley enfraquecida no colo e com um olhar de culpa que eu sabia que tinha feito algo do qual não deveria com alguém que não podia. Além de conhecer meu irmão mais do que ele mesmo, o monstro encubado, tão sádico e cruel quanto eu sem nunca admitir, esse olhar é o mesmo que Caroline emite toda vez que dorme comigo e acorda desejando mais, mesmo que se force a não aceitar isso.

Culpa e satisfação.

Ele a depositou com cuidado na cama e Hayley me encarou, como se em confissão, esperasse pelo pior.

Caroline estava assustada e apreensiva. Ela não conseguiu ficar por muito tempo quando cortaram a minha mão e a de Hayley e derramaram nosso sangue em um recipiente, dizendo algumas palavras da qual não conseguimos compreender.

“Eu não consigo”. Foram as últimas palavras ditas por ela antes de descer as escadas.

Eu conseguia ouvir cada passo lento dela, degrau após degrau. Caroline estava relutante em ir embora assim como eu, e talvez… talvez ela não tenha ido de vez por mim.

Pensar dessa forma era absurdo, mas prefiro essa falsa realidade a cair na real de que o que temos é temporário e acabará assim que Caroline decidir que levar uma vida ordinária humana é melhor que ficar e aceitar sua real natureza.

Rebekah andava de um lado para o outro no quarto e Elijah permanecia estático com o seu dom em mentir para si mesmo de que ficará tudo bem. Eu deveria aprender e fazer o mesmo, mas não consigo.

Desci e dei de cara com Caroline fitando a rua por uma das janelas.

— Eu… — Ela sibilou abaixando a cabeça e eu a segurei pelo queixo, suspendendo-o.

Caroline não estava chorando, mas seu semblante era como se isso estivesse prestes a acontecer. Ela segurou minha mão que tocava seu rosto e se manteve assim. Eu a puxei para perto de mim e ela recostou a cabeça em meu peito, suspirando profundamente.

— Você é forte Caroline, e embora eu odeie admitir, até mais do que eu. Não falo de força física e de poder porque nisso eu ou o melhor, ou pior. — Sorri e ela soltou uma risada abafada pelo nosso contato. – Mas de algo que eu não consigo alcançar. — Caroline suspendeu o rosto e me encarou. – Humanidade.

— Klaus… — Ela tentou responder algo do qual não tenho certeza do que seria e a beijei antes que pudesse fazer.

Eu podia sentir o gosto salgado em seus lábios das lágrimas que desceram do seu rosto. Podia sentir o quanto ela queria acreditar que tudo daria certo. E podia sentir o quanto ela desejava que eu fosse diferente... e exatamente igual.

— Klaus. — Alguém apareceu estragando talvez o último momento que teria com Caroline antes dela perceber que eu não mudaria mesmo após o nascimento da minha filha.

— O que foi dessa vez? — Olhei para trás furioso.

Marcel parecia aflito em excesso e ele nem ao menos sabia de toda a situação. Imaginei que fosse algo com a facção dos vampiros quando vejo que era muito maior.

— Klaus, me escute. Tem um exército vindo. Não falo de alguns vampiros armados como os meus no dia que atacamos vocês dois. Falo de algo pior.

— E como sabe disso? — Caminhei em sua direção.

— Josh namora um lobo. Ele o avisou que era para fugir da cidade porque algo grande estava para acontecer. Eles não querem se envolver, então apenas me contaram e saíram sem maiores explicações. — Deu de ombros.

— Thomas. — Caroline falou e se aproximou de nós. – Aquele dia no restaurante ele me disse a mesma coisa. Que era para eu fugir com ele antes que… — Não deixei que ela completasse.

CAROLINE

— E como não me contou isso antes? — Klaus estava irritado. Irritado o suficiente para gritar comigo de maneira assustadora.

Eu, mesmo que viva o mesmo número de ano que os Originais, nunca entenderei esse humor bipolar de Klaus.

— Não pensei que fosse importante! — Falei alto. – Além disso, eu tinha coisas muito melhores para fazer, tipo ficar com você, do que dar ouvidos a um vampiro louco qualquer. — Falei ainda alterada.

Klaus respirou fundo e subiu em velocidade. Marcel não entendeu a reação até eu explicar tudo a ele enquanto caminhávamos para o meio do pátio.

Sentamos em uma das cadeiras e quando levantei para subir novamente, um vampiro entrou desesperado procurando por Marcel.

— Marc… — Dois passos a frente o vampiro desfaleceu com uma flecha de madeira cravada no peito.

Olhei para cima e vi um movimento no telhado. Antes de eu conseguir alcançar o segundo degrau da escada mesmo em velocidade vampira, uma flecha me atingiu na perna direita. Caí de joelhos e olhei para trás, vendo Marcel ser atingido por mais três ou quatro, não estava contando.

Além da madeira machucar mais que o natural, estava embebecida em verbena, o que me fez soltar alguns palavrões com um grito de dor quando outra me acertou no braço e antes de chegar ao topo, senti queimar minhas costas.

Ridícula maneira de morrer.

Travei o ar, arranquei as fechas do meu corpo e senti alguém segurar-me pelos cabelos e me arrastar por todo o pátio. Antes que ele pudesse cravar uma estaca no meu peito, Klaus quebrou seu pescoço e sua respiração cessou por completo, ele estava realmente morto. Lobos.

E antes de conseguir esboçar qualquer reação, mais deles apareceram no telhado, no pátio e em lugares que nem sequer eu conhecia naquela casa e começaram a nos cercar. Aquilo não podia ser real. Era muitos. E estavam só começando.

— Caroline, suba. — Não o obedeci e ele me olhou irritado. – Matarei todos eles enquanto vierem.

— Eles não pararão de vir, Klaus. Nunca.

Não sei dizer exatamente o que acontecia. O clima estava escuro, pesado e tenso. Os lobos cercaram a casa, mas nada faziam contra nós. Estariam eles esperando o nascimento? Como souberam?

A lei da vida é quando as coisas estão ruins elas tendem a piorar e nesse caso, o declínio foi absurdo.

Veias altas, olhos negros e dentes afiados. Não eram só os lobos que tinham interesses à mesa.

— Vampiros? — Klaus falou baixo. Quase como um questionamento para si.

Se ele não estava entendendo o que acontecia, imagine eu.

O tempo parecia passar devagar, qualquer momento tudo desandaria. O olhar de Klaus estava tão obscuro como o seu sorriso. Ele estava preparado para o que viesse e o que fosse acontecer. Olhar para ele daquela forma conseguiu me fazer arrepiar. Ele não se importaria em matar e massacrar a todos não importando o que custasse. Não que eu achasse isso ruim, mas o melhor era evitar danos colaterais, afinal, temos um parto de risco pelo caminho.

Não havia movimento algum. As respirações desaceleradas. Todos estavam paralisados em seus próprios pensamentos, cujo poderiam culminar em desastre a qualquer momento.

Eu subi porque achei melhor não presenciar o que estaria por vir e porque Davina poderia fazer algo.

Rebekah estava apreensiva e Elijah se recusava em sair de perto de Hayley, mas precisávamos agir.

Davina me acompanhou até um outro quarto e a deixei se concentrando em um feitiço de proteção. Elijah seguiu para o pátio com Klaus, Rebekah ficou responsável por cuidar e olhar o corpo de Marcel e eu me pus a observar. Se teve uma coisa que aprendi todo esse tempo com Klaus e os Mikaelson é que você não entra numa guerra quando quer, mas só sai dela quando acaba.

E estávamos todos preparados para uma.

Davina começou o feitiço no momento em que ouvi alguns passos e rosnados no andar debaixo e tudo o que eu teria que fazer era protege-la.

KLAUS

Eles começaram a descer. Um por um, mas nenhum deles ousou invadir a minha casa, meu lar.

Não posso dizer que não esperei por isso. Eu tenho total consciência que despertei respeito pelo medo, pela lei e pela dor. A verdade, entretanto, é que não me importo. E se eu tiver que mutilar, destroçar e massacrar todos eles eu o faria com prazer. O banho de sangue necessário para proteger o meu reino, meu império e sua futura herdeira.