Hot Cold Blood - Klaroline.

17 Capítulo 17 - Desafios.


POV CAROLINE

Culpada e vazia. É assim que ainda me sinto. É assim que eu me fiz sentir.

Stefan, Elena, Bonnie, Damon e até Tyler apareceram. Mesmo ouvindo de todos que não ressentiram minhas atitudes, mesmo escutando que estariam aqui por mim depois de tudo, eu não sei como me sentir além disso e nem sei se deveria. Nada do que eles falaram ou fizeram foi absorvido. Mergulhei tão fundo em mim que me perdi e nem ao menos consigo dizer quando há a possibilidade de voltar.

Nunca pensei que pudesse me transtornar e me desestruturar de forma tão avassaladora. Lembrar dos acontecimentos me consome e me destrói por completo, por dentro e por fora. Não me alimento há dias, não vejo a luz há dias e na verdade dos dias, nem sei quantos se passaram desde que entrei na minha casa e fiquei nesse sofá, na mesma posição, da mesma forma, expulsando todos que tentavam se aproximar e repetindo os atos destrutivos da mesma maneira, de novo e de novo e de novo, outra vez.

Mesmo com minha mãe aqui, minha mente não dissipava a imagem dele indo embora e toda onda de dor voltava.

O que eu fiz?

— Filha. Já vou. Essa noite teremos uma reunião com os novos membros do Conselho. Klaus me ajudará com isso e depois tenho plantão na delegacia. Tem algumas bolsas de sangue na geladeira, deixei também o telefone da pizzaria aqui em cima, Stefan passará aqui e se precisar me liga que eu venho correndo. Entendeu? — Ela falou rápido pegando suas coisas e colocando-as na bolsa. Ignorei todas as informações, menos uma.

— Klaus... Pensei que ele tivesse deixado a cidade. Desde quando se tornaram melhores amigos? — Disse com um tom de voz irônico, mas tão baixo que pensei que nem um vampiro escutaria, mas ela sim. Acho que pelo fato de ser mãe ou algo do tipo.

— Não seja tão dura com ele. — Eu a olhei com estranhamento e se tivesse em meu estado natural começaria a falar em ordem cronológica todos os motivos que tenho para ser rude e ela deu uma risada que me deixou confusa. – Oh, minha querida, você não sabe, não é? — Ela passou a mão pelo meu rosto e sorriu.

Um frio percorreu a minha espinha e antes que eu pudesse questioná-la com algo, ela me deu um beijo na testa e saiu correndo.

Resolvi sair e caminhar pelo parquinho a esta hora deserto e escuro e sentei no meu lado favorito do balanço, observando a paisagem e o tempo passar. A madrugada se aproximou rápido demais e com ela todo o peso do tempo gelado e inquietante. Distante, vi a sombra de um homem de pé encarando o nada e decidi ir até lá. Curiosidade, meu sobrenome do meio. Alguns passos depois, o homem caiu e no meio da neblina eu pude ver uma menininha vestida de bailarina segurando algo em suas mãos enquanto ria.

I pirouette in the dark

(Eu dou piruetas no escuro)

I see the stars through me

(Eu vejo as estrelas através de mim)

Ao me aproximar mais, ela se virou para mim. Um sorriso maldoso se formou em seus lábios e uma fresta quase inexistente de luz me apresentou seu rosto com a boca suja de sangue e as presas afiadas. Eu dei alguns passos para traz tentando me afastar daquela cena onde via o corpo do meu pai estendido no chão.

— Viu o que nós fizemos? — Ela disse estendendo um coração nas suas mãos.

Tired mechanical heart

(Um coração mecânico cansado)

Beats until the song disappears

(Bate até que a canção desapareça)

Um medo surreal tomou conta de mim. O frio dominou a noite e a escuridão, tudo que ali existia.

Não, por favor, de novo não.

Somebody shine a light

(Alguém acenda uma luz)

I'm frozen by the fear in me

(Estou congelada pelo medo dentro de mim)

Eu corria do medo.

Medo de me tornar aquilo novamente.

Todo o controle por mim exercido enquanto acordada, esvaia-se ao dormir e desde então minhas noites, assim como os dias, tornaram-se um martírio, meu inferno pessoal, feito sob medida para encaixar exatamente no tamanho da minha angústia.

Os meus sonhos eram a minha dose de tortura diária. Como uma droga e às vezes tão forte que não sabia quando isso se confundia com a realidade e se no dia seguinte eu aguentaria. Sem nunca acordar, sem nunca conseguir gritar, sem nunca chorar, apenas imergida, mas essa noite... Essa noite foi diferente.

Somebody make me feel alive

(Alguém faça com que eu me sinta viva)

And shatter me

(E me deixe em pedaços)

Eu gritei e chorei ainda sem despertar. Na minha mente, eu me perseguia com sangue no corpo e um coração ainda pulsante em mãos. Uma versão acusadora de mim ainda não vista. Corri para o mais longe possível, até me esbarrar com ele. E me senti protegida, me senti segura suficiente para abrir meus olhos. Eu estava suada, tonta e perdida sentada no sofá envolta em seus braços enquanto acariciava meus cabelos.

So cut me from the line

(Então corte-me desse destino)

Dizzy, spinning endlessly

(Tonta, girando sem parar)

Eu me segurei de todas as formas para não desligar de vez e todas as vezes que isso estava prestes a acontecer sem meu controle eu sentia me acalmar lentamente no sentir do movimento que seu peito fazia ao respirar, exatamente como agora, mas sem consciência e agora eu sei o que aconteceu. Quando nossos olhos se encontraram, entendi o que minha mãe disse.

Somebody make me feel alive

(Alguém faça com que eu me sinta viva)

And shatter me!

(E me deixe em pedaços!)

— Você esteve aqui por todas essas noites? — Perguntei ainda suada e trêmula.

— Sim. E essa foi de longe a pior que teve. Deve ser o tempo sem se alimentar. — Ele disse calmo. Serenidade era algo raro se tratando de Klaus.

A forma como nos encarávamos começou a me deixar desconfortável e me levantei bruscamente em direção as escadas. Ainda confusa e fraca, senti minhas pernas vacilarem e no momento seguinte o seu corpo contra o meu. Klaus mordeu seu pulso e colocou em minha boca, forçando-me a beber. Me esperneei e tentei me desvencilhar dele, mas na minha atual condição essa tarefa se tornou impossível. Torturantes minutos se passaram até que ele me soltou e me sentei no pé da escada, ainda suja com seu sangue.

— Idiota! Não tem mais nada para fazer longe daqui não, tipo em New Orleans? — Questionei ofegante e furiosa.

— Me mantive atualizado. Nada novo. Apenas uma nova busca pelas outras bruxas, novas alianças... mas creio que não tenha interesse nisso. — Respondeu com um sorrisinho debochado.

— E o seu reino? Sua filha? — Sugeri irônica e Klaus ajeitou a manga da sua camisa, tapando sua mordida no pulso e se afastou.

— Acredito que meus irmãos não sejam tão incompetentes nesse ponto, principalmente Elijah.

— Que é quase mais pai da sua filha que você. — Mal completei a frase e Klaus se aproximou tão rápido que levei um susto.

— Está tentando me fazer odiá-la? Porque está quase conseguindo, amor. — Ele me fitava nos olhos furioso. Me levantei e fui até o lado de fora tentar respirar um pouco. – Você ainda não me respondeu. — Ele apareceu na minha frente.

O vento gelado soprou mais forte e uma chuva fina começou cair, aumentando aos poucos sua intensidade.

— Medo. — Finalmente disse algo e não sei se eu estava no controle das minhas ações.

— Medo... — Klaus segurou meu rosto com sua mão e a outra estava na minha, como se preparasse para me agarrar caso eu tente correr pelo o que viria a seguir. Ele aproximou seu rosto do meu e a chuva se intensificou.

[...] If I break the glass, then I'll have to fly

(Se eu quebrar o vidro, então eu vou ter que voar)

There's nobody to catch me if I take a dive

(Não há ninguém para me pegar se eu cair)

— Mas não só pelo o que aconteceu com você. Medo por não conseguir admitir que gosta da minha presença e gosta da minha preocupação enquanto finge seu desprezo. Que quer que eu fique mesmo eu “tendo outras coisas para fazer”, mas que na mesma medida, isso só será possível quando você estiver preparada para viver uma vida sem se culpar por fazer coisas necessárias em momentos necessários e desejar coisas proibidas com pessoas indesejáveis.

Eu não respondi, porque não sabia como fazê-lo. Ele deu um sorriso frio e me soltou. Meu coração batia a mil por minuto e corri para varanda antes que enfartasse ao encarar aquele olhar novamente.

I'm scared of changing, the days stay the same

(Estou com medo de mudar, os dias continuam os mesmos)

The world is spinning but only in rain

(O mundo está girando, mas só na chuva)

— Kla... — Eu me despediria ou o mandaria embora, mas antes de conseguir completar seu nome, ele foi até a varanda e me puxou para ainda mais perto de si.

Nossos corpos encharcados se chocaram e ele me levou assim até eu sentir a parede gelada em minhas costas e ser pressionada contra ela.

Shatter me!

(Me despedace!)

Somebody make me feel alive

(Alguém faça com que eu me sinta viva)

Eu não consegui descobrir que tipo de atitude Klaus teria. Stefan nos interrompeu e ele me soltou novamente.

— Como ela está?

— Arredia, como sempre. — Klaus disse se afastando mais.

— Teimosa e cabeça dura. — Stefan riu e se aproximou de mim. – Típico de Caroline Forbes. — Ele olhou para Klaus. – Pensei que ainda estivesse na reunião do Conselho com Liz.

— Depois de escolher os imbecis a serem comandados, foi fácil os compelir para obedecer todas as ordens da Xerife. Mas não se preocupem, eu vou embora. E a partir de agora, as suas noites estão livres de mim, Caroline e você caro Estripador, pode ficar o tempo que quiser com ela.

And shatter me!

(E me deixe em pedaços!)

Stefan segurou em minhas mãos e me percebeu trêmula.

— O que houve, Car.? — Perguntou preocupado.

— Nada. — Menti.

— Vamos. — Stefan me arrastou para dentro de casa comigo ainda fitando o nada e senti meu coração apertar.

— Por enquanto, por enquanto... — Sussurrei.

—___________

Tyler decidiu se afastar. Ele não lidou com o fato de ter brigado comigo e nem o que aconteceu, até o ponto de eu matá-lo. E o pior para ele ainda foi depois de tudo, isso acontecer porque descobriu que eu tive uma aventura com Klaus.

De tanto insistir e conversar comigo, minha mãe me convenceu a me focar em “algo produtivo e que não te faça enlouquecer”. Bom, ela estava correta na parte do produtivo, mas não no de não enlouquecer. Medicina é um curso nada fácil. Me concentrei em estudar e frequentei todas as aulas, me dedicando por completo aos estudos.

O primeiro mês foi definitivamente o mais difícil, mas com o apoio de Elena, cujo passou pela mesma situação e com a de perda de ambos os pais, consegui recursos para decidir seguir em frente.

Ela e Bonnie me ajudaram a reerguer-me quando eu achava que algo não valia a pena ou pensava em desistir de tudo e Stefan me ajudou a superar o fato de ter matado meu pai, já que ele também fez isso e me deu forças para continuar o meu caminho.

O mês seguinte foi melhor. Pouquíssimo melhor. Mas ainda assim significante. O apoio incondicional dos meus amigos e da minha mãe foi fundamental para mim.

Eu passava a semana inteira com as meninas e os Domingos inteiros com a minha mãe. Fortalecemos ainda mais a nossa relação depois de tudo. Mas todas as Sextas e Sábados eu ficava com Stefan. Nossas conversas mais sóbrias e sensatas na varanda ou na sua sala se desenvolveram em praças, parques, barzinhos e marcamos até em shows e baladas, mas ainda não me sentia preparada para isso.

Eu conseguia sorrir mais, expressar minhas opiniões e conclusões aos professores e interagir melhor com outras pessoas. Voltei às atividades habituais e me engajei nas organizações festivas da universidade. Me foquei apenas no curso e recusei todos os pedidos para sair, menos os de Elena e Bonnie para eventuais passeios na cidade e Milk Shakes da vida e de Stefan, onde nossos encontros ficavam cada vez mais alcoólicos, ao ponto de dormir quase toda Sexta e Sábado no seu sofá e ele jogado no tapete.

Por várias vezes Elena nos acordou de formas inusitadas. Sexo matinal com Damon, pingando água no meu rosto, me arrastando pelos pés, berrando bom dia sem parar e eventualmente colocando Heavy Metal no último volume. Já perdi as contas de quantas vezes levantamos num pulo e eu corria atrás dela a xingando enquanto ela gritava pela casa toda e Damon ria da situação.

Com o passar do terceiro mês nossos cochilos, as vezes alcoólicos e as vezes de cansaço, evoluíram para dormir abraçados no sofá. Agradecia mentalmente todas as vezes que Elena nos acordava por eu ter a decência de não usar vestidos ao sair com ele. Primeiro que Stefan se tornou um amigo super protetor e um pouco ciumento. Segundo que a esta altura, pelos meus maus modos de dormir, ele já estaria no meu pescoço.

E esse mês, foi o mais tranqüilo e o mais agitado.

Tranquilo pelo fato de eu conseguir elaborar melhor a perda do meu pai e o quanto de culpa eu tenho nisso. Ainda há dor e ainda há angústia, mas agora eu consigo ouvir e fazer piadas com a situação e o que aconteceu comigo. “De Barbie para a noiva de Chuck”, Damon como sempre, péssimo piadista.

E agitado pelas provas do fim do semestre, a correria pelas notas e para organizar a melhor festa de encerramento semestral que essa universidade já viu. Eu me dividia entre estudar e organizar as coisas com as meninas.

Esse seria o meu primeiro final de semana inteiramente livre se Elena e Bonnie não tivessem vindo aqui e me ameaçado de morte para comemorarmos o fim do semestre e as boas notas em um lugarzinho novo que abriu.

Tomei um banho e já que não sairia com Stefan, coloquei um vestido preto simples com uma maquiagem básica. Não queria chamar atenção. Não que eu não goste, porque eu amo, mas a noite seria só de meninas.

Peguei minha bolsa, as chaves do carro e me dirigi para a porta de casa.

— Divirta-se filha! — Minha mãe gritou enquanto se arrumava para o plantão. – E cuidado com esses bares da vida!

— Sério isso?! — Respondi indignada por ela ter a audácia de me alertar sobre isso, mas ri pelo seu cuidado e preocupação comigo apesar de tudo.

O celular tocou no caminho para o carro e o atendi com pressa.

— Caroline! — Stefan gritou empolgado. – Tenho o programa perfeito para hoje e espero que agora aceite. Terá Coldplay em Fell’s Church, perto da sua faculdade e Megadeth a uma hora e meia daqui. O que acha?

— Mega o que? É de comer, isso? — Perguntei a Stefan e ele deu uma gargalhada.

— Muito engraçado, Car. — Ele foi irônico e eu ri. – Vamos?

— Ah Stef. Não dá. Eu disse que ficaria livre, mas marquei com as meninas no barzinho novo que abriu aqui, você soube?

— Não, mas é bom saber. Mais um lugar para frequentarmos e acabar com o estoque de bebidas.

— Stefan! — O repreendi divertida.

— De qualquer forma, chamarei Damon para ir comigo.

— OK. Só voltem os dois com a cabeça, por favor.

− Pode deixar. E divirtam-se. — Ele respondeu rindo e desligou.

Eu segui o meu caminho e encontrei com Elena e Bonnie no Country & Rock, que como sempre, reclamaram do meu atraso.

O bar até era legal, mas nada, para nós, substituiria o Grill e foi para lá que fomos depois de um tempo.

− Como está, Car.? — Matt perguntou ainda preocupado comigo.

−Levando. Apenas levando.

− Eu me senti assim pela Vick, mas sabe… Depois de um tempo eu comecei a achar que ela não gostaria de me ver mal e me lamentando a vida por isso. Claro que eu sofri um bom tempo, mas amenizou quando tive certeza que ela sempre desejou o melhor para mim e principalmente que eu fosse muito feliz. Tenho certeza que seu pai está muito orgulhoso de você. — Sorri com suas palavras.

Eu sempre acreditei ter passado por isso rápido demais, mas a verdade do tempo é que o tempo não cura tudo. Aliás, o tempo cura nada. Ele só desloca aquilo que é incurável do centro das atenções. E se você não se esforçar e fizer o movimento para a aliviar sua dor, tende a se perder nela o resto da sua vida, ao ponto de torná-la tão miserável que é melhor nem existir.

− E acho que deveria aproveitar a noite Car. Soube pelas meninas que você as ajudou a passar de semestre.

− Ajudou? — Elena disse se jogando em cima de mim. – Ela nos salvou, isso sim.

− A primeira é por conta da casa. — Matt nos serviu.

− Ai meu Deus. — Foi só o que eu disse antes de virar o copo.

Pensei em não passar da conta hoje, mas a tequila não deixou. Sem condições de dirigir até em casa, Matt nos colocou em um táxi.

− Ei! Aí não é o caminho da minha casa!

O táxi parou na frente da casa dos Salvatore e descemos do carro.

− Os meninos saíram hoje. Damon disse que podíamos usar a casa e Stefan concordou. Eles disseram isso para não irmos ao bar, mas acho que agora não faz diferença.

Após algumas taças de vinhos e conversa fora, Elena propôs uma brincadeira.

− Que tal jogarmos verdade ou desafio? — Ela disse sacudindo a garrafa de vinho vazia.

− Eu acho que estamos um pouco bêbadas para isso. — Tentei desconversar.

− Melhor ainda! — Bonnie gritou e Elena saiu correndo.

− Eu começo! — Elena entregou uma cerveja para cada e nos sentamos no chão.

Ela girou a garrafa, que parou com o fundo para ela e apontada para Bonnie. Elena esfregou as mãos em sinal de empolgação riu.

− Vamos lá. Verdade ou desafio?

− Verdade. — Bonnie respondeu sem pensar muito.

− Com qual professor da faculdade você faria uma “aulinha particular”?

− Com certeza o professor Shane! — Respondeu Bonnie empolgada e todas nós rimos. − Qual foi gente, ele é um gato! Agora é a minha vez.

A garrafa parou apontada para mim e sabia que não estava preparada para essa brincadeira, mas ainda assim, responder uma pergunta nada inocente e pesada das meninas era muito, muito melhor que encarar os desafios porque eles sempre foram levados a sério.

− Verdade ou desafio? — Elena me perguntou com um sorrisinho no rosto. Aí vem besteira.

− Verdade. — Falei com uma cara óbvia.

− Enzo. Como foi com ele? — Olhei assustada para ela que deu uma risada.

Dentro de todos os limites emocionais, eu já tinha superado isso tudo. Ainda me sinto uma idiota por ter dormido com ele, mas não me massacro mais por isso.

− Normal.

− Como assim normal?! — A indginação na voz de Bonnie foi tão engraçada que dei uma gargalhada.

− Normal, ué. Normal do tipo nada de especial ou interessante.

− Se você não der mais detalhes além desse seu mero “normal” eu te bato, Caroline! — Elena nos estendeu mais uma cerveja. − Entendeu?

− Ele era muito sexy, tinha um corpo delicioso, confesso, mas esperava mais.

Acredito que o fato de eu ter transado algumas vezes com Klaus aumentou para um milhão as minhas expectativas com outros homens.

− Por um homem que te faça perder os sentidos e não a humanidade. — Suspendi a garrafa em um brinde e elas riram, fazendo o mesmo.

E Klaus fazia isso. Ele fazia.

Nada e nem ninguém o superaria.

Lembrar disso me arrepiou por completa e saber por Stefan que ele jamais voltaria me fez matar a garrafa inteira em praticamente dois goles. Um para cada frustração.

Mas eu tenho uma meta para cumprir e esta se chama formação.

Girei a garrafa e foi a minha vez de perguntar para Bonnie, que escolheu verdade.

− Qual o último cara que você pegou? — Mal completei a pergunta e Bonnie me fuzilou com o olhar.

Depois de meia hora ou mais, pelo efeito do álcool, eu percebi a merda que fiz.

− Je… Jeremy. — Ela respondeu escondendo seu rosto com as mãos e deixando os olhos de fora entre os dedos.

−Jeremy? — Elena tentou buscar na memória algum Jeremy na faculdade e depois ficou séria. – Jeremy meu irmão? — E olhou para Bonnie, que agora escondeu o rosto todo esperando uma represália antes de dizer “você me paga, vai ter volta” para mim. − Ele é apenas uma criança, sua pervertida! — Ela disse em um tom brincalhão.

− Ah não. Não é não. — Bonnie disse e todas nós rimos em descontração.

Bonnie me encarou todo o tempo que a garrafa se movimentava e para minha felicidade, Elena foi a escolhida da vez.

− Quero desafio! – Ela gritou e Bonnie deu um sorrisinho.

Péssima escolha, Elena, péssima. Pensei.

−Eu te desafio a ligar para o reitor e marcar um encontro com ele.

− O Sr. Sheerman? Ele é casado e vai querer saber quem é.

− Por isso mesmo. E use uma voz bem sexy. No viva-voz, por favor.

Eu não parava de rir ouvindo o Sr. Sheerman que já é tarado, ouvindo a voz de Elena e ficando louco com aquilo. Bonnie e eu tivemos que tapar a boca uma da outra para não gargalhar.

Elena desligou com um sorriso afirmando que trocaria de número depois daquilo e girou a garrafa, que apontou dela para mim.

— Verdade ou desafio, Car.?

— Verdade. — Definitivamente eu preferia verdade aos desafios que escolhemos.

— Você ainda ama o Tyler?

— Não. Não depois do que ele fez. Eu entendo o lado dele, mas não o amo mais.

Ficamos cabisbaixas e antes que todo mundo entrasse no modo “bêbado com depressão” Elena saiu e voltou com uma garrafa de champanhe.

— Ao fim do semestre, a nossa reunião, a Caroline pela sua força e ao nosso companheirismo sempre.

— À nossa amizade. — Bonnie suspendeu a taça.

— À nossa amizade. — Eu e Elena repetimos o gesto.

— Agora chega de pensar em coisa ruim. — Elena ligou o som e nos animamos.

Entre um gole e outro, na agitação dançamos tanto que nos empolgamos pulando em todos os lugares, com Bonnie filmando e entrando na diversão.

No final eu e Elena imploramos para que ela não mandasse para nenhum dos dois Salvatore o nosso vídeo ou eles sairiam do show para dar na nossa cara por pular em cima do sofá de sei lá quantos séculos e couro legítimo deles.

Depois de acalmarmos os ânimos e acabarmos com a garrafa, Elena a entregou para mim, me mandando girá-la para continuar a nossa brincadeira. Dessa vez eu dei azar.

— Então, Caroline. — Bonnie me encarou com um olhar de vingança. − Verdade ou desafio?

− Verdade, vai. — E fiz sinal de redenção.

− Qual foi... — Ela fez um suspense inquietante só para me deixar mais ansiosa. – o último cara que você transou e onde foi?

Eu paralisei. Fiquei um bom tempo tentando digerir a pergunta. Sério que eu teria que falar isso? Não daria para simplesmente pular essa parte e assistir um filme de comédia comendo brigadeiro ou dormir até o final de semana que vem?

− K... Kla... us. Klaus. Droga, Bonnie! Foi com Klaus.

As duas botaram a mão na boca em surpresa e eu me encolhi.

− Ah. E sobre a segunda pergunta, foi comigo de cara numa parede fria, ele encostado numa mesa de sinuca, os dois dentro da piscina, depois no sofá, na beira da escada e finalmente numa cama. — Decidi confessar logo tudo. Eu odiava esconder as coisas delas e estava apenas esperando o momento certo para falar sobre isso, apesar de achar que esse não é o ideal. – E isso foi só da última vez.

− Pensei que diria Stefan. — Bonnie disse ainda meio atordoada.

OK. Agora eu estava tão chocada quanto elas.

− Da onde tiraram isso? — As duas olharam com uma cara óbvia. – Ah sim, nós saímos juntos e dormimos no sofá algumas vezes, mas nada além disso. E Stefan?! Não! Não mesmo! De forma nenhuma!

− Caroline Forbes, sua safada! — Gritou Elena.

− Quando é que nos contaria? – Questionou Bonnie.

− Digamos que eu estava com receio de sofrer apedrejamento em praça pública por isso.

− Nem antes e muito menos agora que ele prometeu nos deixar em paz para sempre.

− Nem me lembre disso. — Suspirei.

− Você gosta dele. Eu não acredito nisso! — Elena usou um tom divertido.

− E como foi isso, Caroline Mikaelson Forbes? — Bonnie zombou e eu joguei uma almofada nela.

− Belo sobrenome. — Fiz o mesmo com Elena.

− Bonnie Bennett Gilbert. — Retribuí a brincadeira e todas rimos. – Esse negócio de como foi já é outra pergunta e não vale. — Falei enquanto girava a garrafa novamente e a brisa soprou a favor das meninas e contra mim. – O que é isso? Conspiração do Universo para me matar de vergonha? — A campainha tocou e me levantei para atendê-la. – Isso é máfia de vocês, certeza! E eu escolho desafio, Elena! Só para acabar com essa palhaçada. — Disse rindo e me encaminhando para a porta.

— Rebekah?! — Perguntei surpresa. Realmente não esperava vê-la aqui.

— Olá Caroline. — Ela olhou para dentro e deu um “oi” com as mãos para as meninas. – Antes que pergunte, Nik pediu para te entregar isso pessoalmente para que não haja desculpas de não recebimento. — Ela estendeu a mão e me entregou um envelope lacrado com cera vermelha e carimbada com um “M”.

Eu abri minha boca ainda sem entender e ela riu.

— Thomas viria, mas meu irmão soube do seu lance com ele e preferiu me mandar. Claro que foi porque me ofereci. E se me dá licença, tenho uma visitinha para fazer no Grill.

Eu faria mais alguma pergunta que não consigo lembrar quando abro o envelope e me deparo com:

~ Baile de Máscaras Mikaelson ~

Caroline,

Dentro de todas as nossas diferenças, espero que aceite a ser meu par no baile da facção das bruxas em celebração à volta de Davina.

Não há mais ninguém a qual eu gostaria de estar ao lado para apresentar a todos como minha companheira.

Tenho certeza que a nossa querida bruxa adorará conhecê-la.

O seu quarto na mansão ainda lhe aguarda, assim como os outros a quem mais você quiser trazer. Os seus amigos serão todos bem-vindos.

K.”

Não consegui raciocinar depois disso. Elena teve que gritar meu nome umas vinte vezes para eu finalmente atendê-la.

— O que foi Car.?

— Se Klaus pensa que na semana que vem vamos na festinha dele ao invés de nos acabarmos na da Whitmore, está completamente enganado. — Bufei olhando para trás e as duas estavam rindo, quase gargalhando, na verdade.

— O que foi? Vocês acham que depois de todo o trabalho que tivemos para organizar essa balada, não vamos nos divertir nela? Será a minha primeira festa de meses! — Falei sem pausa.

— Caroline. — Bonnie me chamou e eu continuei reclamando. – Caroline! – ela o fez novamente e eu olhei séria para as duas.

— O que? — Perguntei um pouco irritada.

— Eu te desafio a aceitar o convite. — Elena deu o xeque mate.