Hot Cold Blood - Klaroline.

18 Capítulo 18 - Não Sou Forte o Suficiente.


POV KLAUS

Eu queria arrastar Caroline para cá e tirá-la da miséria que é o sofrimento por recuperar sua humanidade. O que eu sei sobre isso? Quase nada, mas o suficiente que ela me fez passar quando estava em Mystic Falls infernizando seus amigos e sua vida,e que mesmo apesar de tudo, ela demonstrou sentimentos por mim que pensei que nem sequer existiam em ninguém, muito menos em mim porque eu me recusei a acreditar que isso aconteceu justamente comigo.

O fato mais cruel de todos é que eu teria que ficar e nunca mais pisar naquela maldita cidade. Eu precisava de algo que me fizesse não fixar na ideia de voltar e permanecer ao seu lado. Eu tenho um reino para tomar e uma filha que aprendi a dar valor para criar e talvez... talvez após todo esse conflito acabar, ela venha por espontânea vontade, ou realmente forçada, não tinha decidido ainda.

E foi o que ocorreu. Eu fiz uma guerra acontecer só para trazer a paz de volta. Eu agi como sempre e como a minha essência manda: sádico, egoísta, impiedoso. Forcei todos a trabalharem ao meu favor. Todos. Os humanos que fizeram um atentado contra mim e Rebekah falharam miseravelmente pelos motivos óbvios e foram todos mortos. Os vampiros e bruxas tomaram isso como lição e mantiveram o acordo como deve ser.

Rebekah e Elijah descobriram lobos no Bayou, inclusive um que possuía um antigo anel feito pela nossa mãe e agora discutimos sobre mais um interesse na mesa e contra a nossa vontade, Hayley ficou ao lado deles.

Recebemos dos vampiros a informação de um coven na fronteira e eu, Marcel e Thomas nos divertimos caçando as bruxas e matando algumas para chegar até lá. E ali estava, os últimos dois anciãos, usando vampiros como canalização de poder com um punhal usado por um antigo inimigo: Papa Thunde. Não foi difícil derrotá-lo já que não esperava que descobríssemos tão rápido seu paradeiro e eu soubesse seu ponto fraco. Me certifiquei de fazer seus filhos gêmeos perderem novamente a cabeça e ele idem, literalmente. Sobre a outra bruxa... Um pequeno acordo. Eu esperaria pela volta de Davina e ela viveria caso acontecesse. Com isso, Genevieve ensinaria à nossa pequena bruxa como controlar seus poderes e ganharia uma voz no conselho.

No quarto mês já tinha perdido as contas de quantas vezes peguei o telefone e pensei em ligar para Caroline, sem nunca fazê-lo. Eu usava essa batalha pelo controle para ocupar uma pequena parte do abismo que essa dolorosa decisão deixou em mim.

Eu não arranquei ou a arrastei de lá. Eu a respeitei como nunca fiz nem com minha própria família. Eu a deixei. Deixei pelo que julgava ser melhor. Por enquanto.

Davina estava de volta. E todo esforço valeu a pena. Agora não temos somente uma bruxa ao nosso favor. Temos todo o coven. E Genevieve, a líder da facção, se fez necessária em muitas ocasiões. Para celebração ela sugeriu uma festa para apresentar as bruxas da Colheita como forma de presentificação à elas. Apesar do desinteresse de Elijah e a relutância de Marcel e Rebekah, eu aceitei. A política da boa vizinhança no fim das contas teria um duplo benefício.

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−Nik. — Me virei para Rebekah e ela sorriu. – Como estou?

− Como uma Original deve estar. — E minha irmãzinha sorriu ainda mais.

Rebekah me fez dar a volta pelos fundos apenas para entrar comigo pelo corredor e devo assumir que o lugar estava da forma que Caroline gostaria. Perfeito.

Em tons de preto com luzes azuis e um clima mais sombrio, havia malabaristas por todo o local. As pessoas circulavam com suas vestes elegantes e máscaras tão quanto. Ao fundo, avistei Genevieve com as outras bruxas, incluindo Davina e fui cumprimentá-las.

POV CAROLINE.

Todo o caminho foi tomado por uma ansiedade sem tamanho e a cada passo que eu dava para frente até chegar à entrada, tinha vontade de correr de volta uns dez quilômetros. Meu coração batia a mil e nunca pensei que fosse agir como se essa fosse a minha primeira vez ou algo do tipo. “O que pensa que está fazendo, Caroline?” Minha mente gritava em questionamento para mim todo o tempo e o lado mais insano da minha consciência me dizia que tinha “nada demais, é apenas um baile bobo e você voltará hoje para casa de qualquer maneira”.

Enquanto Elena, Damon, Bonnie, Jeremy, Matt e Stefan discutiam algo sem importância como a sua própria segurança por ser a mansão dos Originais, eu segui meu caminho pelo tapete vermelho. De quem foi essa brilhante ideia? Darei um abraço nessa pessoa. Não, não se for Klaus. Talvez Rebekah...

O lugar estava incrível! Pelo visto alguém além de mim sabe como planejar uma boa festa. Passei admirada e com um sorriso bobo no rosto que se abriu ainda mais ao encontrar Klaus de braços dados com Rebekah ao lado de Davina e outras mulheres que parecem ser bruxas. Ele fez o mesmo e com aquele olhar, o olhar ao qual eu me repreendi milhões de vezes por sentir falta e agora principalmente por ter vindo. Klaus se encaminhou em minha direção e abriu um largo sorriso, que aumentou ainda mais o meu.

− Boa noite, amor. Você veio. — Disse em um perfeito sorriso no rosto. – Onde está sua máscara? — Disse suspendendo a sua em um tom brincalhão.

− Eu não uso, ao contrário de você. — Peguei uma taça de um tipo de álcool qualquer e bebi rapidamente.

Por que eu não conseguia agir como alguém decente perto dele? O costume em ser hostil ainda me dominava. E eu estava nervosa como uma garotinha.

— Está aqui. — Elena apareceu cumprimentando Klaus e entregou minha máscara tentando apaziguar a situação e ele deu uma risada descontraída e deliciosa.

Tão gostosa quanto ele nesse smoking. Imediatamente sacudi a cabeça tentando dissipar essa imagem da minha mente.

— Só estou aqui pela Barbie. — Damon disse e puxou Elena pelos braços. – Mentira. Foi porque Elena me obrigou. — E a levou para outro lugar.

Me afastei indo em direção as mesas e enchi um copo com o ponche que costumam deixar para os convidados se servirem, despertando um olhar curioso de Klaus, que me seguiu.

— Realmente pensei que não viesse.

— Por que eu não viria se eu fui obrigada por um desafio ridículo da nossa brincadeira de bêbadas semana passada? Eu nem tinha planejado uma festa monstruosa no Campus Withimore, sabe? Nem queria estar lá bebendo um álcool estranho em um tubinho colorido e com gosto de frutas.

− Pensei que fosse pelo o que aconteceu.

— Pelo o que aconteceu... — Falei sem entender e ele se aproximou do meu ouvido falando mais baixo do que um sussurro costuma ser, me causando arrepios pelo toque da sua barba na minha orelha.

— ...Em uma certa casa distante da civilização com uma certa pessoa sem humanidade fazendo certas coisas com certas pessoas despertando certas deliciosas sensações e se repreendendo intensamente por desejar isso novamente se encontrasse com essa pessoa certa no lugar certo. — Ele me olhou com um sorriso maldoso e me repreendi mentalmente por não perceber não ser da situação do meu pai ao qual ele falava. Era anterior à isso. Imediatamente meu rosto corou. – Então acredito que não gostaria de beber um álcool qualquer com gosto de frutas que te daria um coma alcóolico pior que o de Vegas e convenhamos amor... Você tem um gosto bem mais doce.

Acredito ter irritado Klaus suficiente para ele utilizar o mesmo peso das palavras que usei nele em mim.

− Caroline. — Davina apareceu salvando a minha sanidade e minha vida. − Acredito que devo agradecê-la.

− Não precisa. Apesar de ter nos conhecido em uma nada legal circunstância, fico feliz de você ter retornado.

− Também fico. — Davina riu. − Ah, precisa sim! Imagina ter que aturar Klaus nessas viagens! Isso é digno de alguém forte, com certeza.

− Muito, muito forte mesmo. Você nem imagina o quanto, bruxinha. — Klaus respondeu usando ironia na voz.

— Certamente. — Davina percebeu a tensão entre nós, mas apenas riu, provavelmente mais de mim do que dele, e se retirou.

Uma outra música começou a tocar e antes que Klaus pudesse falar ou fazer algo, agarrei Stefan que passou ao nosso lado antes que eu também fizesse ou falasse algo inapropriado.

− Com licença.

− Oi Klaus. Tchau Klaus. — Stefan disse enquanto eu o arrastava para a pista.

Cami foi em direção a Klaus e ele fez o mesmo, levando-a para dançar. Ela enlaçou seus braços no pescoço dele, depositando ali um beijo e eu senti uma imensa vontade de quebrar seu frágil e humano pescoço.

Nunca me senti tão arrependida em salvar alguém como fiz no dia da explosão do bar.

Stefan não gostava de dançar, muito menos sob pressão, mas se sentia à vontade o suficiente para fazer isso comigo.

− Acho que deveria aproveitar a noite. Pensei até que recusaria o meu pedido para dançar.

− Pedido, han? Sei... — Ele foi irônico e eu ri. – Eu até estava. — Olhei surpresa para ele, que retribuiu com um sorriso. − Está vendo aquela bela morena ali no canto?

− Muito bonita. E o que tem ela?

− Trocamos algumas ideias. Bonita, charmosa, interessante e... — ele vacilou com um pouco de humor e completou com certo pesar. − Loba. E sabemos que namorar lobos não dá muito certo para a nossa condição.

Ao me girar, parei de frente para um Klaus sorridente enquanto a humana falava coisas no pé do seu ouvido. A raiva subiu tanto que minha vontade, para não cometer um massacre estilo Klaus, era de sair correndo dali e pegar o primeiro voo de volta para Mystic Falls.

Stefan percebeu e intensificou o nosso contato. A dança seria incrivelmente sensual no sentido real da palavra se Stefan não fosse nada mais que um amigo e agisse como tal.

Todos já haviam se acostumado com isso, mas Klaus não. Ele me fitava com os olhos em chamas. E não por algo bom como acontecia com os nossos encontros e desavenças que sempre explodiam em um orgasmo e nossos nomes ditos com palavras desconexas. Eu o senti ferver quando largou Cami parada no meio do salão e sumiu.

POV KLAUS

Stefan é como meu irmão Elijah. Só que mais bonito, mais novo e menos chato. Quase um misto dele com Kol. O cavalheiro da armadura branca. O herói. O que faz as coisas certas pelos motivos mais certos ainda. O homem que Caroline certamente merecia.

Eu arrancaria sua cabeça e o penduraria pelo pescoço numa estaca no meio da praça se não fosse o fato de o baile acontecer como uma forma de comemoração das bruxas e para unir as facções, não separá-las. Então contive a minha fúria e encarei Caroline, que pareceu um pouco confusa e chamei a atenção de todos para um discurso na parte superior da casa.

− Senhoras e Senhores, as bruxas fazem parte da cultura dessa cidade há séculos e apesar de nossas desavenças, eu as deixarei exercer sua magia sem mais perseguições ou massacres como numa ditadura. Considerem um presente. — Apontei para Davina, Genevieve e o restante do seu coven. − Há mais de cem anos minha família e eu erguemos esse lugar e fizemos dele o nosso lar. — Caroline me olhava sem entender nada e Elijah principalmente. – Nunca anteriormente houve uma época onde o convívio passou do tolerável para o aceitável. E é isso que pretendemos fazer daqui para frente. Vampiros, lobos, bruxas e humanos unidos à um único objetivo: manter a ordem em prol do bem comum. — Desci as escadas e fui em direção à Caroline.

− Klaus... — Para quem gosta do centro das atenções Caroline parecia bem tímida quando segurei suas mãos e continuei a falar.

− Mas isso jamais seria possível se uma pessoa não tivesse aberto os meus olhos para enxergar as coisas além de mim, além dos meus desejos, só para criar um lugar onde minha família e a família de todos possam viver. Um brinde à Davina, às bruxas, àunião das facções e principalmente à minha Caroline, que sempre esteve ao meu lado para isso acontecer e mesmo ela não tendo necessariamente a intenção, me fez perceber que não vale a pena lutar quando não se tem pelo o que fazer. — Eu encarei seus olhos azuis assustados esperando uma reação estilo Caroline como dar uma resposta atravessada, me xingar, gritar, sair correndo ou me bater querendo dizer o quanto me odeia mesmo me desejando, mas ela permaneceu calada, atônita a tudo e com os olhos marejados.

E finalmente percebi que ela sente o mesmo que eu, mas sua moralidade excessiva não permitia admitir isso. E eu, eu pretendia despi-la disso, em todos os sentidos.

Todos brindaram e a música recomeçou. Ofereci meu braço à Caroline que um pouco relutante o pegou e ao invés de ir para a pista de dança como todos fizeram eu a levei para fora. De forma nenhuma eu a deixaria perto de Stefan ou qualquer outro novamente.

POV CAROLINE

Klaus pegou uma garrafa de champanhe, duas taças e passou comigo pelos fundos da casa, nos levando para a rua. Não entendi muito bem o que ele queria, mas começamos a caminhar de braços dados pela cidade e devido às nossas vestes todos olhavam para nós. Com esse vestido que parece de noiva e o smoking que o deixa ainda mais atraente, parecíamos um casal de verdade e pela primeira vez não me importei muito com esse pensamento.

Ele começou a me explicar algumas coisas da sua cidade e me mostrar várias lojas das quais eu gostaria e os melhores restaurantes do lugar dizendo que pretendia me levar a todos. Tinha um tom de orgulho na sua voz.

A conversa seguiu em um monólogo até chegarmos em um pequeno parque com árvores espalhadas e um jardim florido de frente para um lago. A noite estava espetacular. Uma lua linda no céu, muitas estrelas e para acabar de pintar o quadro da perfeição, Klaus estava lá.

Me sentei no banco e ele continuou em pé.

— E como vai a faculdade de medicina?

— Eu vou para o segundo período e já está complicando a minha vida. — Suspirei e ele riu alto.

Klaus abriu a garrafa, me entregou uma taça e depois se sentou ao meu lado, virando-se de frente para mim.

— Imagina quando começar os atendimentos. Só não vale trapacear para curar os pacientes. — Usou todo seu cinismo com aquele sorriso típico e deu um gole na bebida.

— Você está insinuando que usarei sangue de vampiro para curar as pessoas? — Falei um pouco mais alto e indignada. Ele me olhou com uma cara de “até parece que não” e eu dei de ombros. – Tá bom...Talvez. — Vacilei e ele começou a rir alto. – Sim, eu vou! Que saco, Klaus! Eu realmente farei isso. — Sacudi a cabeça em derrota e rimos juntos.

— Qual seria sua especialização?

— Não sei. Geriatria, talvez. — Ele encheu nossas taças novamente e me encarou brevemente. – O quê? Eu gosto de velhinhos.

— Com mais de mil anos principalmente.

— Eles são fofos, você não.

— Só quando quero.

— Como quando fez aquele discurso sobre a paz mundial, por exemplo. — Eu disse em um tom zombeteiro.

— Eu não sou um anjo Caroline. — Klaus retrucou.

— Mas também não é um monstro. — Eu disse dando o último gole no champanhe e quando olho para cima Klaus está me fitando um pouco sem reação e sem desviar o olhar por um segundo. – O que foi Sr. Híbrido Original do Mal? Te desarmei? — Falei rindo e eu mesma enchi nossas taças já que ele resolveu ficar paralisado.

— Era para eu fazer isso.

— Isso o...

Não deu tempo de completar, Klaus tomou minha boca com a sua e se recusou a afastar-se. Larguei a taça de qualquer jeito e segurei em sua nuca para estreitar nosso contato.

Seus lábios e sua língua com gosto de champanhe só faziam o beijo ficar ainda mais delicioso e eu comecei a me perder nessa situação.

POV KLAUS

Eu senti falta. Senti falta do toque aveludado e delicado dos lábios de Caroline mesmo com a urgência do contato.

Minhas mãos que antes estavam em seus cabelos desceram até sua cintura, dando alguns apertões e a puxando para mais perto de mim, fazendo Caroline gemer em meio ao beijo.

Eu a levantei sem interromper e caminhei lentamente até ela bater de costas numa árvore e aproximar nossos corpos, nossa respiração, tudo.

Eu rasgaria seu vestido sem dó e faria loucuras ali mesmo. Não sei como ela voltaria para casa, mas depois resolveria. Eu ansiava por mais e ela também. Quando interrompi nosso beijo para descê-lo em seu pescoço, Caroline me avisou sobre a chegada de dois casais ao parque. Me lamentei por não poder matá-los e continuar com nossa brincadeira.

— Preciso voltar ao hotel. — Disse ela ainda ofegante.

— Você pode ficar na minha casa, amor. No meu quarto de preferência. — Dei um sorriso maldoso e ela riu.

— Eu volto hoje e essa madrugada é o nosso voo.

Ela tirou a mão de dentro da minha camisa e eu continuei segurando em sua cintura, mas agora um pouco mais distante de quando nos beijávamos.

— Caroline, você está de férias. Não precisa voltar tão cedo.

— Daqui a uma semana. Ainda não encerrou o semestre e você... nós... eu... — Ela passou a mão no rosto como se quisesse se forçar a pensar. – Melhor não. Melhor não continuarmos mais com isso. — Segurou em meu rosto e pude ver seus olhos se encherem. ­– Eu sinto muito, Klaus. Isso foi um erro. Eu não pos...

Ela não completou. Foi embora antes disso acontecer.

Voltei para casa frustrado e assim que coloquei os pés para dentro acabei com a festa e mandei todos embora. Hayley já tinha subido com Elijah e Rebekah desapareceu desde o início com Matt. Tudo o que restou foi eu sozinho bebendo uma dose dupla de Bourbon e observando o que sobrou da festa... e de mim.

Fui para o banho tentar espairecer mas só piorou a situação. Com ódio e frustrado eu sairia para caçar e voltaria apenas na manhã do próximo dia não importando quantos corpos eu deixarei sem vida pelo caminho.

Escutei um barulho suspeito do lado de fora do quarto. Vesti apenas um moleton e uma camisa qualquer e fui averiguar. Com todos fora de casa qualquer coisa desse tipo se torna uma ameaça.

Andei pela casa e não o encontrei e quando subi senti aquele odor inconfundível da sua pele, do seu perfume. Me aproximei dela que observava do lado de fora meu quarto, provavelmente procurando por mim, que deu um pulo de susto ao me sentir atrás de si, virando-se rapidamente.

— Eu... — Ela parou para me observar. – Eu estava indo embora e...

— Não precisava se dar ao trabalho de vir aqui. — Eu disse ríspido.

— Eu esqueci do presente da sua filha e vim trazê-lo antes de ir. — Me entregou um embrulho que tenho certeza que foi feito por ela. Era todo dourado, tinha umas colagens coloridas e algumas coisas escritas com sua letra. – E nem pense em fazer desfeita, eu viajei até a Orlando essa semana e compeli a Cinderela só para ela me dar isso.

Desfiz o laço e abri a caixa. Tinha uma coroa dourada com pedras brancas, um pequeno vestido rosa, outro azul de princesa e um sapatinho que combinava com ambos. Olhei para Caroline e ela estava com um sorriso largo bobo no rosto.

— Eu sei que a coroa está um pouco grande mas envio outra do tamanho dela quando nascer. E dessa vez da Bela, porque ela precisará encarnar uma para lidar com você. — Ela riu alto da própria piada. – Rei Klaus e sua princesinha. — E eu sorri.

— Mas ainda falta uma rainha e ela poderia entregar o presente pessoalmente. — Caroline desviou o olhar.

—Tchau Klaus. — Deu um corte.

— Tchau Caroline.

Fechei a porta relutante e pude ouvir seu suspiro de desanimação. Cerca de um minuto depois escutei seus passos na escada e em segundos uma batida na porta. Se Elijah ou alguém vier me perturbar com o humor ao qual me encontro não será nada bem-vindo.

— Caroline? — Questionei e pensei em falar algo quando ela me interrompeu.

— Cale a boca, Klaus. Não estrague. Nós temos uma hora. — Ela disse como uma ordem e me puxou para perto de si.

POV CAROLINE

Eu queria ir embora e ficar longe de tudo isso porque me assusta. Ter que lidar com o que eu sinto me assusta. Seria muito mais fácil se meus pensamentos não fossem ocupados com a angústia de ter que escolher.

I'm not strong enough to stay away

(Eu não sou forte o suficiente para ficar longe)

E sentir sua respiração assim tão próxima me deixou sem rumo.

Can't run from you

(Não posso fugir de você)

I just run back to you

(Eu simplesmente corro de volta para você)

Eu o beijei, mas não como das últimas vezes onde tudo correu de um estouro súbito de raiva e tesão. Foi calmo. Tão calmo que nós dois estranhamos, mas sem sair do ritmo.

Ele segurava firme em meus cabelos e dava leve puxões quando aprofundava nosso contato. Klaus me carregou devagar para seu quarto

Like a moth, I'm drawn into your flame,

(Como uma mariposa sou atraído para a tua chama,)

e me pressionou em um canto qualquer, usando sua boca em meu queixo, depois orelhas, pescoço... Senti sua ereção pulsante dentro do moleton e gemi seu nome involuntariamente.

Say my name, but it's not the same

(Diga meu nome, mas não é o mesmo)

Ele interrompeu e pensei em protestar, mas Klaus me fitou como se esperasse a mesma reação de mais cedo, mas eu me aproximei mais demonstrando que eu estava segura sobre o que queria naquele momento.

You look in my eyes, I'm stripped of my pride

(Você olha nos meus olhos, sou despido do meu orgulho)

Klaus me pegou pelas mãos, me levou até uma escrivaninha e me colocou sentada na beirada delicadamente, suspendendo meu vestido de modo que lhe desse uma visão total do meu corpo lançando aquele olhar desejoso. Ele ficou ainda mais excitado e eu também, mas não apressamos as coisas, ao contrário. Ele se aproximou lentamente espalhando beijos quentes pelo meu corpo, chegando em meus seios e os sugando e passando a língua devagar, um por vez, me deixando louca.

E eu não queria que ele parasse.

And my soul surrenders and you bring my heart to its knees

(E minha alma se rende e você traz o meu coração de joelhos)

Não queria que isso acabasse hoje e cada um voltasse para seu lado do ringue. Mas era necessário. Era preciso.

And it's killin' me when you're away, I wanna leave and I wanna stay

(E isso está me matando quando você está longe, eu quero ir e quero ficar)

Ele tomou minha boca novamente com um beijo sutil e quente e todo meu corpo reagiu a ele quando usou sua mão livre para despertar a sensação de ter seus dedos dançando em minha intimidade tão pronta.

Klaus se ajoelhou na minha frente e beijou meus pés, depois pernas, a parte interna da coxa e quando chegou na virilha eu soltei um gritinho que o fez satisfeito suficiente para me torturar próximo demais de onde eu mais ansiava.

Num movimento lento ele puxou minha calcinha para o lado e passou a língua devagar por toda a extensão da minha intimidade sem se aprofundar. Suspirei alto e arqueei meu corpo para trás esbarrando em uns potes com pincéis, outros com tintas e coisas que eu não sabia o nome.

— Caroline, você está tão molhada.

Eu pensei em respondê-lo, na verdade eu tentei, mas tudo que saiu da minha boca foi um gemido alto de quando ele afastou minhas pernas e usou sua língua e boca no meu clitóris.

Klaus repetia o gesto e eu me perguntava se era um ato ou tortura. E Deus! Ele fazer isso tão lenta e intensamente estava me matando e meu gemido saía mais como uma reclamação.

Não conseguia decidir se queria que ele parasse de vez ou continuasse até eu gozar.

Aquilo era tão prazeroso que chegava a doer.

I'm so confused, so hard to choose

(Estou tão confuso, tão difícil de escolher)

Between the pleasure and the pain.

(Entre o prazer e a dor)

— Ah meu Deus. Klaus! — Exclamei quando ele enterrou dois dedos em mim e continuou a me chupar tão gostoso que segurei em seus cabelos o empurrando em minha direção para senti-lo ainda mais.

— Tão gostosa. — Disse ao tirar os dedos se deliciar com sua língua na minha entrada tão melada e pronta para ele.

— Não pare, por favor. Klaus... — Ele voltou a aumentou a velocidade e meu corpo todo esquentou em um espasmo tão violento que me fez implorar por mais.

Eu o suspendi e tirei sua camisa de forma desesperada fazendo-o rir da minha ansiedade. Ele queria tudo calmo enquanto minha intenção era rasgar toda sua roupa e senti-lo dentro de mim o mais rápido possível. Era uma necessidade. Tão errado e tão certo.

Ele segurou minhas mãos para me impedir de apressar as coisas e desceu seu moletom revelando sua enorme ereção e eu mordi de leve seus lábios quando ele se aproximou para me beijar.

— Viu? Eu disse que seu gosto é delicioso, assim como você toda, amor.

Todo meu corpo reagiu àquela provocação e Klaus me virou de costas para ele apoiada na escrivaninha e me empinou com as suas mãos no meu quadril. Ele roçou seu membro em minha intimidade e eu gemi baixinho.

— Fique Caroline. — Disse rouco e seu sotaque ficou ainda mais evidente. Meu nome estalado em lábios na minha orelha me deixaram ainda mais excitada.

Ele esfregou seu membro em minha entrada e depois colocou apenas a ponta.

— Fique Caroline.

— Klaus, eu n...

Retirou e me virou de frente para si.

— Fique. — Fez o mesmo distribuindo beijos molhados no meu pescoço enquanto se tocava em contato com minha intimidade. – Ou eu termino o trabalho sozinho e você só ficará olhando sem aproveitar... Nunca mais. — Sussurrou em minha orelha fazendo meu corpo se arrepiar todo.

Klaus estava me torturando sexualmente? Que jogo sujo e delicioso era esse? Maldito híbrido gostoso!

And I know it's wrong, and I know it's right

(E eu sei que é errado, e eu sei que é certo)

— Fique Caroline! — Klaus disse soando como uma ordem e eu gemi alto com a estocada firme que ele me deu para me forçar a aceitar.

Eu sacudia minha cabeça em negação e ele saía, se mantinha assim por tempo suficiente para me deixar frustrada e entrava sem dó.

Even if I try to win the fight,

(Mesmo se eu tentar vencer a luta,)

My heart would overrule my mind

(Meu coração iria ignorar a minha mente)

E eu não aguentaria por muito tempo.

— Por favor, Klaus. — Supliquei.

— Você vai ficar?

— Até amanhã. — Ele me puxou até nossos quadris se encostarem e se mexia lentamente dentro de mim. – Uma semana, uma semana. — Tentei argumentar.

— Uma semana? — Ele saiu todo me deixando em um completo vazio.

— Minhas férias toda, eu prometo. — Disse por fim e ele deu um sorriso sacana. – Me leve para a sua cama agora!

And I'm not strong enough to stay away

(E eu não sou forte o suficiente para ficar longe)

POV KLAUS

Não pensei duas vezes em obedecer a sua ordem e já que temos todo o tempo ao nosso favor, eu o usaria do meu jeito.

Enrolei Caroline em minha cintura e a fiz sentar no meu colo quando fomos para a cama. Eu a subia e descia e ela auxiliava com o movimento sem nunca acelerar, não que ela não quisesse, eu não deixava.

Ela gemia agarrada em meu pescoço enquanto eu segurava sua cintura forçando seu quadril conta o meu e abocanhava seus seios.

Senti seu corpo esquentar e sua intimidade se contrair quando aumentei a velocidade e intensidade das investidas. Caroline gemia contra meus lábios ao qual ela beijava com avidez e todo meu auto controle foi abaixo quando ela gemeu agudo meu nome anunciando um orgasmo e me derramei nela.

Ofegantes e suados, ficamos um bom tempo nessa posição enquanto as sensações percorriam nossos corpos. Caroline pôs a cabeça em meus ombros e eu a abracei pela cintura. Era como se quiséssemos ficar conectado assim para sempre. Ela me beijou carinhosamente e se levantou.

— Preciso avisar que não vou mais. — Disse pegando seu celular e discando um número. Eu o puxei da sua mão e a virei de frente para mim.

— Depois do banho. — Sorri maliciosamente e ela riu alto.

— Depende... Com sem tortura? — Alisou meu peito e olhou para baixo me deixando ativo novamente.

— Do jeito que preferir, amor.