Hospedeiro da Mente
2 Capítulo 2
Notas iniciais
-Híbrido;
-Lê a mente;
-Ele pode ser qualquer pessoa;
-Tem algum tipo de interessse na Dra. Kate;
-Onívoro: Se alimenta de plantas de várias coisas inclusive carne;
-Atravessa Paredes.
Será que a humanidade tem alguma chance?
Ela estava correndo desesperada por um corredor longo e frio. Algo a seguia desde o último corredor por onde passava. As luzes se acendiam quando ela chegava perto e logo depois se apagava quando ela passava direto, então mesmo que olhasse para trás — algo que não iria fazer, mesmo sendo a pessoa mais curiosa da terra — ela não poderia ver quem correu atrás dela.
-Socorro! -gritava já rouca, quantos socorros não gritou nessa corrida...
Ninguém a ouvia somente aquele que a seguia por entre os corredores frios. Kate virou mais uma esquina e bateu seu corpo de frente com alguém, foi tão forte que fez seu nariz sangrar, mas ela não se importou com o nariz na hora, e se agarrou aquele corpo pedindo ajuda para se livrar daquele perseguidor.
-Calma Kate! Calma... Mas o que dela em você? -disse um homem.
-Ele estava atrás de mim... Por favor, tire ele de perto de mim, não deixe ele me tocar de novo! -respondeu em lágrimas.
-Não tem ninguém atrás de você. -respondeu o homem afastando o corpo e olhando em seu rosto.
-Tem sim Lewis! Na noite passada ele estava em mela quarto a meia noite... Senti suas mãos em minhas pernas e ia subindo... Hoje aconteceu de novo.
-Você estava sonhando com certeza, a casa é enorme, as trancas das portas e janelas são fortes, e ainda por cima seu quarto é no segundo andar, como alguém poderia entrar e sair assim? Vamos, ela te levo para seu quarto...
-Você acha que estou louca, Lewis? -disse limpando seu nariz na manga da camisola.
-Você só é muito sonhadora... Só isso.
Kate não quis retrucar seu irmão, simplesmente se deixou ser levada ao quarto. Lewis pegou uma tolha úmida e limpou o nariz de Kate e colocou um algodão para parar de sangrar.
-Deixe o algodão aí por alguns minutos e fique com a cabeça virada para cima. Acho que anda passando muito tempo no seu laboratório, deveria descansar mais. -disse ele e saiu.
Kate ficou assustada como uma criança de oito anos, mas depois começou a achar o sonho meio idiota e acabou dormindo a noite toda.
**
Mais uma semana se passou e lá estava ela novamente se arrumando para sair de carro até o laboratório. Eram oito horas da noite e Kate estava ansiosa sem nenhum motivo aparente, fazia aquilo quase todo santo dia, ia ao laboratório da cidade de Valentine Hills e ficava olhando aquela criatura por horas e fazia pesquisas.
Passou pela sala e viu seu irmão Lewis com quem morava a pouco tempo vendo TV no sofá.
Lembrou-se muito bem de um dos seus amigos cientistas a alertando, seu nome é William, mas o chamam de Will.
-“Ah, Kate... Você está fascinada por essa criatura. Já lhe disse mil vezes que algum dia você estará no laboratório sozinha e quando ele acordar provavelmente será atacada.”
Mas as palavras do Will não a apavoravam e ela tinha quase certeza que esse híbrido ao acordar não lhe fará mal algum. Nesse pensamento após se arrumar pegou o carro e foi em direção ao seu destino.
A noite estava iluminada pela lua que fazia as sombras das árvores ficarem medonhas. Kate parou de olhar. Destrancou o portão, cumprimentou os dois vigilantes que ficam na guarita a noite toda. Ao chegar à porta para entrar no laboratório digitou a senha e colocou o dedão no identificador de digitais. Ao sinal verde entrou.
No corredor havia muitas salas e nesse laboratório eram divididas por ala A e ala B. A ala A era onde ficavam arquivos, pesquisas, resultado e exames, documentos e muitas papeladas e amostras. Sem contar que a maioria eram coisas digitalizadas, gravadas em CDs, Pen-drives, gravações antigas em filmes e disquetes.
Na ala B se encontrava experiências, testes, operações, colhimentos de DNA, incubação e outros. Mas havia uma porta no final do corredor onde está guardado a maior descoberta de todos os tempos e que ficará em segredo por um bom tempo até que Kate e a sua equipe desvendem tudo sobre ele. A mídia não pode saber ainda, aliás, ninguém poderia.
Digitou a senha e pôs o dedão nessa última porta no centro do corredor. Abriu e ela entrou. Estava tudo como de costume, as mesmas luzes e bips o mesmo ser estranho na água e ligado a tubos.
Sentou-se a mesa que ficava perto dele e olhou alguns relatórios.
Leu tanto e tanto que o tempo passou tão rápido sem ela notar e seus olhos se cansaram e Kate os fechou por segundos...
De repente um barulho estranho de água, olhou em volta e se assustou; o corpo não estava mais lá e a água do tanque se esvaziava. Começou a tremer apavorada e se pôs no canto da sala agachada. Kate olhou para tudo, para ver se o encontrava. Começou a acreditar nas palavras de Will e se ele estivesse lá falaria em alto e bom som “eu te avisei Kate”.
Seu coração estava descompassado, sua respiração picada. Viu a hora de dar um enfarte ou uma síncope a qualquer minuto. Tentou se acalmar, não conseguiu; seus olhos nem se quer queriam piscar.
Foi então que o viu... Ele estava de frente para ela. Foi tão forte o choque que ela vomitou de tão nervosa, sua cabeça doía e seu estômago embrulhava. Viu a sala girando, girando... Ficando tudo borrado...
Ele então se agachou a sua frente e segurou a sua perna, ela focou em seu rosto, mas ainda não via claramente, então ele olhou para ela. Fitou os olhos roxos e grandes demais como olhos de gatos. Kate sentiu uma queimadura na perna. Sua calça jeans estava derretendo e a mão dele queimava ainda mais.
A dor era a última coisa que iria afetá-la naquele momento. A jovem cientista Começou a ter mais medo do que ele poderia fazer com o resto do corpo. Percebeu que duas vezes ele passara sua língua pontuda nos lábios como se estivesse com fome e ela fosse a refeição.
Ela estava paralisada e ele continuava a lhe olhar. De repente tirou a mão da perna da Kate e se levantou. Mas o que ela viu em seguida foi o mais absurdo... Ele mordeu seu próprio lábio inferior e bebeu do seu próprio sangue cor de vinho sugando até sair mais.
Sugava o corte com tanta força que as veias do seu pescoço se levantavam.
Olhou aquilo de boca aberta... Os olhos dele nela, uma presa fácil e ele tomando seu próprio sangue.
A sua tensão abaixou. Ficou mais calma. Percebeu olhando a vidraça alta do laboratório que começava a chover. Era bem fraca no início, mas depois virou uma tempestade com raios e trovões.
Assustou-se novamente quando viu que os trovões o incomodava. Ele tampava os orifícios dos dois lados da cabeça e ficava nervoso, urrando como um bicho.
Ela estava trancada ali. Provavelmente ele não a deixaria sair, se deixasse destruiria o laboratório junto com as pesquisas de anos. Não tinha muito o que fazer, teria de esperar que o dia amanhecesse que ele se cansasse, que houvesse algum jeito de sumir dali. Olhou ao redor, a única coisa que podia os separar naquele momento e deixá-la segura era outra porta dessa sala que levava a uma saleta onde ficavam instrumentos para pesquisas e exames de DNA. Havia tubos, vidros, seringas, máscaras, luvas, bisturis, maçaricos e outras coisas.
Levantou-se rapidamente enquanto ele urrava com o barulho dos trovões. Correu até a porta e a abriu desesperadamente com o cartão magnético a porta. Entrou na saleta e ficou no fundo da saleta que não era lá muito funda. Pediu aos céus que ele ficasse ali e não sentisse a sua falta quando os barulhos dos trovões cessassem.
A chuva diminuiu após alguns minutos o os trovões também. Olhou paralisada para a porta, ela tem um pequeno losango de vidro que possibilita a visão. Era óbvio que ele viria até a porta como assim fez e ficou olhando-a de lá.
Ela sentiu ao olhar em seus olhos algo estranho, eles eram atraentes, misteriosos e pareciam hipnotizar. Se essa criatura tivesse esse poder talvez ela já estivesse hipnotizada... Ou talvez esteja, pois não conseguia parar de olhar...
Mas o inevitável aconteceu, ele atravessou a porta. Seu corpo ficou um pouco transparente e ele passou por ela e andou até ela, mas desta vez toda calma se foi.
-Por favor! Não me machuque! –gritou.
Ele não disse nada e sua expressão era a mesma indecifrável e gélida. Kate tremia muito e seus olhos estavam cheios de lágrimas, ela pegou seu celular dentro do bolso do casaco e ligou para a guarita onde os guardas estavam.
-Marcel! P-por f-favor... Ajude-me aqui!
-Dra. Kate? O que foi?
Aquele monstro deu um tapa na mão de Kate e o celular caiu. Gritou socorro acreditado que Marcel viria rápido e ele veio. Escutou o bip da porta sendo liberada e ele entrou.
-Minha nossa! O que é isso! –disse quando os viu.
-Marcel, tome cuidado, mas tire ele daqui! Sei lá... Atire!
O híbrido se voltou para ele e quando Marcel tirou a arma para matá-lo e deu dois tiros, nenhum tiro o acertou. Kate ficou em choque.
A cena seguinte foi a pior que ela viu em toda a sua vida. Ele pegou o Marcel e o rasgou ao meio com as mãos de onde saíram garras afiadas. Sangue, gritos, pedaços de carne pra todo lado...
Ela nem conseguia gritar, sua garganta estava tão apertada que a única coisa que saiu foi vômito ao ver aquilo. Então em seguida ele olhou para ela, seus olhos brilharam e ela já não estava mais raciocinando bem.
O que ele quisesse fazer com ela poderia, pois ela não lutaria contra...
“Ela mereço mesmo a morte, pois a culpa do que aconteceu a Marcel é toda minha”. –pensou.
Então ele tocou com as garras sujas de sangue nos seus lábios. Notou que ele estava com um dos braços de Marcel na outra garra e o mostrou para ela. O híbrido mordeu um pedaço e sugou o sangue e ofereceu-a colocando perto da boca de Kate.
Kate tentou não respirar, o lugar todo cheirava a sangue e aquilo era nojento. Ela virou o rosto para o outro lado e não agüentou. Começou a chorar...
“Espero que o outro guarda ao sentir falta de Marcel não venha procurá-lo, não quero que tenha mais vítimas por culpa minha...” –pensou.
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