Horizonte Eterno
3 Capítulo 3 - Luz da Extinção
Notas iniciais
Talin corre rápido segurando a mão de Lena enquanto o monstro colossal os persegue ferozmente. Cada passo da criatura faz o solo tremer e cria grandes crateras pelo caminho. O som do solo sendo esmagado pelo seu peso faria até o mais corajoso dos homens tremerem ao imaginar o estrago que um único ataque dessa monstruosidade pode fazer.
Sendo obrigado a ir numa direção oposta a de seus companheiros, o comandante nem mesmo olhou para trás para vê-los partir, ficando ciente de que seguiram seu comando apenas pela magia de rastreio que colocou neles. Ele os percebe como se fossem pequenos fragmentos de sua mana rumando a cidade em ruinas.
Todos os nove guerreiros correram e passaram juntos pelo portão. Em trio eles partem em diferentes direções. Lilith, Anderson e um outro homem quando entram dentro da cidade, seguem ao oeste indicando que aquela torre seria o objetivo deles, mas eles não avançam sem parar. Ao avistarem uma daquelas casas em ruínas vazia, adentram o local.
Todos ofegantes com a imagem daquela criatura enorme em suas mentes, se questionando como que o comandante iria se livrar daquela coisa. Um silêncio incômodo ficou entre eles, mas Anderson foi o primeiro a se livrar dessa sensação ao parar de refletir sobre, simplesmente caminhou até um canto da sala e se sentou um pouco mais despreocupado, respirando fundo.
— Droga, Anderson, você realmente vai ficar sentado nessa situação? Você viu aquela coisa? — Lilith repreende aflita, em sequência cruza os braços o encarando pelo canto de olho, estressada.
— E o que quer que eu faça? Que eu saia andando às cegas partindo todos os monstros pelo caminho? — a despreocupação se tornou indignação pela atitude da liberta. Bufou rebatendo o olhar dela.
O terceiro membro da equipe se sentou ao lado de Anderson, o que fez o brutamontes sorrir orgulhoso e Lilith fechar mais ainda a cara.
— Vocês estão muito relaxados. Não vou chorar se morrerem — ela revira os olhos.
— Tenha calma, Lilith. Eu entendo que esteja nervosa, mas Anderson tem razão. Temos que pensar em como chegar até a torre — com uma voz mais mansa, o homem expressou sua opinião — Aquele monstro… Astéron.
Théo é um Drakrothiano de aparência inofensiva. Cabelos pretos curtos penteados para o lado direito da cabeça. Olhos verdes e uma barba extremamente rala. Sua armadura tem um design ainda mais leve do que a de seus companheiros, um pequeno cajado de madeira em sua mão. Magro, sua estatura é de 1,73 m.
— Você conhece aquela criatura? — Anderson mostra interesse, inclinando o corpo na direção do companheiro.
— É comum ver sobre eles em alguns livros de histórias, mas apenas neles já que fazem mais de mil anos que não tem registros desse monstro em Stehvor — o jovem mago se encolhe acuado com a imagem daquela criatura em sua mente — São um pesadelo para qualquer fortaleza por conta do seu poder destrutivo.
— Você sabe de alguma fraqueza dele? — Lilith quem se mostra curiosa agora, vai que acabem cruzando com outro no caminho.
— São monstros irracionais que atacam tudo que vê pela frente, por isso são solitários — Theo se levanta e vai até a janela do cômodo, receoso do que poderia encontrar naquele local — Espero que não tenhamos de lidar com ele.
— Que covarde… — pensou Anderson virando a cabeça.
— Temos que decidir como avançar — Lilith foi até Theo, observando a cidade em ruínas junto dele á janela.
Agora dentro da cidade é possível perceber mais traços de sua ruína. Uma rua principal frente a eles para que a cavalaria pudesse passar e becos bem largos do outro lado da rua. É fácil imaginar barracas sendo erguidas para comércios nesses pontos. Por um momento, a mente de Theo trabalhou numa imagem daquele beco, um jovem comerciante vendendo frutas e acenando para a cavalaria na rua. Essa imagem ilusória do jovem comerciante sorridente dá lugar a um esqueleto balançando uma adaga velha no ar.
Olhos que queimam em vermelho, desprovido de qualquer vestimenta ou item além da adaga enferrujada. Uma existência tão miserável que parecia ter apodrecido em vida até não restar nada além de sua adaga e uma pilha de ossos desgastados.
Theo arregala os olhos e Lilith o puxa com tudo para baixo, se escondendo dos olhos do esqueleto antes que pudessem ser vistos. Lilith não passou pela imersão de seu companheiro e por isso percebeu o esqueleto muito antes . Respirou fundo e olhou para Anderson.
— Vamos usar as construções para nos esconder enquanto avançamos, não temos ideia melhor do que essa — Lilith alternou seu olhar entre os dois.
— Você vai na frente — Anderson se levanta — Você é mais rápida que eu… Vai ter mais capacidade de guiar. Eu protegerei a retaguarda para que ninguém chegue no Théo.
Com todos concordando, tiraram alguns minutos para se organizarem da forma mais eficiente possível. Théo desenhou um símbolo mágico no ar com a ponta do dedo, segurando-o com a mão, o colocou nas costas de Lilith, em sequência fez o mesmo com Anderson.
— Essa magia vai reduzir o peso da armadura de vocês — avisou o mago, sorrindo — Já adianto que não preciso. Minha armadura é mais leve, então posso economizar mana.
A magia de Théo pertence ao núcleo da existência, seguindo o caminho da vida e da alma. A capacidade de curar e aumentar as capacidades de seu alvo é o que representa o imenso poder desses magos, sendo os melhores suportes juntos aos usuários de magias de estruturas de mana.
— Eu já sabia desse efeito, e é útil… Bom, vamos lá — antes de seguir, Anderson vai até a janela oposta a de Lilith e Théo, encarando a superfície da cidade. Ele claramente está temeroso em relação a outro Astéron caindo sobre eles — Não podemos chamar tanta atenção…
— Eu já falei que Astéron é uma criatura solitária — Théo tentou confortar o companheiro — É muito improvável ter outro…
— Aposto que era improvável ter uma cidade infestada de monstros abaixo do reino mais poderoso da história do continente…
Esse comentário de Anderson fez Théo olhar indignado para ele.
— Covarde…
Apesar das palavras, o receio do mago fica evidente o suficiente para Lilith suspirar com a hesitação de seus companheiros. Utilizando uma porta contrária a janela de antes, ela foi a primeira a dar um passo para fora.
— Deixem de ser medrosos.
Conforme combinado, Lilith avança sendo o mais furtiva possível. A memória do que ocorreu a quase uma hora atrás a faz levar o olhar para o teto da caverna constantemente, pois apesar de suas palavras e atitudes, é quase instintivo esse gesto após o que houve alguns minutos atrás. Ela tinha medo como qualquer outra pessoa da expedição.
Durante o avanço eles percebem que os monstros predominantes no subterrâneo são os esqueletos, a maioria deles nem mesmo carregam armas para a batalha e parecem restringir sua movimentação a uma curta área. Além disso, nem todos os esqueletos da cidade estão ‘’vivos’’, esqueletos de diferentes criaturas estão espalhadas por todo o local.
Não hesitaram em mudar o caminho diversas vezes e ele acabou ficando mais intuitivo quando a torre entrou no campo de visão do trio. Ao virar um quarteirão, o trio se depara com uma das estátuas, até que conservada se comparada a outras que restaram apenas fragmentos. O olhar dos três fica mais afiado tentando compreender a mensagem passada por ela.
A estátua mostra duas figuras sobre uma plataforma. A primeira é um homem curvado, metade de seu rosto e da sua coroa estão quebrados. Sua capa esconde boa parte de sua estrutura e um olhar determinado predomina no olho restante. Atrás dele, uma figura mais encorpada com a mão estendida no centro das costas do homem.
— Um rei… De joelhos? — Anderson arqueou o olho esquerdo.
— O que é isso atrás dele? Outra pessoa? — Lilith perguntou curiosa.
Mas apesar do formato humanoide, aquela figura parecia muito maior que um humano comum, como se algum tipo de plaquetas estivessem diretamente ligadas aos seus músculos.
Diversas perguntas surgiram, mas nenhuma resposta parecia ser concreta. A mente de Théo se agita com a quantidade de informações estranhas, afinal, como tudo isso estaria ligado ao que está acontecendo em Drakroth? Uma cidade em ruínas com diversos monstros vagando por ela. Uma mana distorcida tão densa que até mesmo encontrar sua origem é difícil. Ele não conseguia decifrar a mensagem nas estátuas, mas uma teoria sobre essa cidade surgiu em sua mente.
— Será que esse lugar foi infestado por ataques de monstros como Drakroth? — Théo cogitou essa possibilidade. Seu esforço para chegar a isso fica evidente em seu rosto tenso — Uma espécie de maldição na própria terra que atrai as criaturas pode ter levado este lugar à ruína.
O trio ficou em silêncio com essa possibilidade. Lilith a considerou fortemente, mas Anderson em seu interior está descrente, ele não sabe o porque. Nunca foi de usar sua mente para resolver seus problemas, confiando mais em seu instinto. Levou uma mão a sua careca escura, a coçando.
— Não vamos tirar conclusões precipitadas. Não se estresse tanto com isso agora, Théo — Anderson tirou a mão da cabeça e a colocou no ombro do companheiro, atraindo a atenção dele para si. Sorriu — Primeiro vamos reunir informações, vocês bolam uma hipótese depois.
Théo encara o companheiro percebendo a intenção do combatente em reduzir suas preocupações. Feliz com o cuidado, ele assente com um sorriso aliviado no rosto.
— Você está certo, obrigado.
Lilith observa com um sorriso sutil no rosto, em sua mente veio a imagem de algumas vezes em que Anderson fez algo semelhante. Apesar da postura bruta e insensível em diversas ocasiões, ele sempre tenta tirar a preocupação de todos, ainda mais quando se trata de crianças. Ele tem essas estranhas camadas em sua pessoa e talvez por isso conseguiu a amizade de Lilith rapidamente.
Após uma última olhada na estátua, o trio voltou a ir na direção da torre que não se encontra tão distante. Após alguns minutos de caminhada finalmente chegaram ao destino final, infelizmente eles não eram os únicos.
Uma presença imponente e intimidadora. Chifres abertos como uma asa e pelos tão grandes ao redor da cabeça que lembram uma juba de leão preta. Olhos vermelhos e ardentes como grande parte das criaturas da cidade. Tem luvas e uma calça com alguns crânios amarrados na cintura. O corpo do minotauro é completamente exposto destacando uma pele rígida, músculos grandes e fortes. Carrega um grande Labris-machado de lâmina dupla- preto e cabo longo. Toda essa presença está em 2,50 m de altura.
Essa fera se encontra no topo da torre, vigilante sobre as possíveis entradas e pronta para aniquilar qualquer um que chegasse perto. Escondidos atrás de um muro, o trio observa a criatura com receio do quão poderosa ela poderia ser.
— Devemos só correr e entrar na torre? — perguntou Anderson.
É claro que isso não era uma boa ideia.
— Ai ele nos persegue e acaba com a gente encurralados — Lilith se sentia um gênio perto de algumas sugestões do companheiro.
— Então vamos ter que lutar — Anderson segura firme seu machado — Não vai ser fácil entrar na torre.
— Realmente… — Théo concordou, receoso.
— Só vamos saber seu poder real após a batalha — Lilith é a menor do trio, mas também a mais destemida.
Apesar da hesitação inicial, o grupo logo se organizou para avançar. O consenso foi de entrar na torre só depois de derrotar o minotauro. O grupo furtivamente se posiciona em seus locais estratégicos, Lilith se posicionou próxima a direita da torre, Anderson foi pela esquerda acompanhado pelo mago da vida e alma.
Ele correu entrando no campo de visão do minotauro que notando-o berrou indicando a ação hostil que viria a seguir. Anderson queria apenas chamar sua atenção para que Lilith tenha a oportunidade de iniciar a batalha com um ataque surpresa. A torre tem oito metros de altura que foi facilmente alcançada por um salto da ruiva que surge no ponto cego do inimigo.
Antes de Lilith, Théo e Anderson chegarem à torre, o comandante e a maga de terra ainda lidavam com a perseguição implacável do colosso. Persistente e implacável, Astéron ameaça a vida da dupla mais poderosa.
A perseguição implacável deixa um rastro de destruição para trás. Metros a frente, Talin persiste em sua fuga correndo enquanto Lena avança sobre um bloco de terra flutuante. Graças a essa vantagem a maga encontra muito espaço e brechas para utilizar sua magia de terra e tentar parar o avanço de Astéron, mas tudo que joga contra ele é simplesmente ignorado pela resistência absoluta do alvo.
— Estamos chegando, Lena — Talin avisa com suor escorrendo ao lado da testa — O desfiladeiro adiante... Crie um chão que suporte o nosso peso.
— Entendido! — os olhos de Lena brilham com a ideia.
Está a três anos lutando ao lado do comandante e por isso é capaz de compreender facilmente as instruções e ideias dele. Graças ao bloco flutuante ela consegue abrir mais distância de Astéron. Olhou atentamente adiante e estende seu cajado em direção ao desfiladeiro.
— Domínio de terceiro nível: Controle de campo! — com o encantamento, a aura verde de seu cajado avança até diversas rochas e blocos de terra na ponta do penhasco, ao contato da mana, eles saem para fora como garras atacando o espaço que separa o penhasco da parede da gruta.
As pedras e os blocos de terra violentamente cruzam o penhasco em uma cadeia violenta até colidir com a parede na extremidade do local, criando uma superfície a mais no penhasco que se conecta à parede. O som da colisão da nova superfície batendo na parede foi suprido por outro grito do monstro que ao vê-la, ganhou mais impulso sentindo seus alvos encurralados.
Ele aumentou a velocidade em um frenesis surpreendendo Talin ao descobrir que aquela aberração gigante pode ir ainda mais rápido, ele por outro lado estava dando o melhor de si desde o início. Sentia seu corpo ofegante pela fadiga, a cada passo a garra enorme de Astéron está mais próximo e ele entende que não vai chegar a tempo. Seu olhar normalmente fria se estreita em preocupação.
Lena ao perceber a situação do comandante, alertou.
— Um empurrãozinho, Talin!
Logo adiante um bloco de terra surge e o comandante entende o recado. Escapando de uma das braçadas do monstro ele pisa forte nesse bloco de terra. Com o impulso necessário, Lena dispara o bloco num timing perfeito que faz o comandante escapar de Astéron como um vulto de prata e celeste voando rente ao chão, escapando de outra braçada que vinha em sequência.
Ao tocar o solo cai dando algumas cambalhotas até chegar ao lado da maga de terra. Meio atordoado, seu olhar se volta para Astéron que persiste em sua perseguição. Como era de se esperar, ele apenas ataca sem ligar para o que há em volta. Assim que pisa no solo criado por Lena, seu corpo afunda na terra criada por Lena, rumando ao abismo do penhasco.
Mas o sentimento de vitória não veio, pois assim que arrebentou o solo a criatura utilizou de suas garras para se prender a parede do desfiladeiro. Seus braços monstruosos conseguem agarrar às paredes daquele local e em um instante ela poderia se colocar no topo outra vez. Lena hesitou nesse momento, assustada.
— Contenha-o máximo que puder — Talin mandou, aumentando seu tom de voz e disparando em uma corrida, saltando em seguida em direção ao colosso.
Ao ver o comandante saltar contra Astéron agarrado no desfiladeiro, Barret utiliza sua magia para atacar diversas rochas pontiagudas na criatura, mas a resistência monstruosa novamente está presente. Nisso, ela fez o bloco de terra perfurado pelas garras do gigante soltarem das paredes do penhasco. A criatura insiste se agarrando sempre em alguma outra estrutura e utilizando da força monstruosa de seus braços para escalar. Mas tão focada nisso, o que o monstro poderia fazer com o Talin pousando em sua testa?
De um momento para o outro o monstro tão amedrontador, ficou inquieto com a presença do comandante tão próxima enquanto ele não podia fazer nada. Em uma demonstração de poder cruel, Talin revela sua espada prateada-seu nome, dispersa- com um cristal celeste no centro do protetor do cabo. A lâmina prateada carrega em seu centro uma linha celeste que vai do cabo até a ponta da lâmina. Tão afiada que brilha e sem dúvidas, mais por sua qualidade do que pela força física ou técnica de Talin, ela perfurou facilmente a testa do colosso.
Astéron ficou estático e Lena não removeu outro bloco de terra ao perceber. Um silêncio estranho se deu ao local e a mana de Talin transmitida pela lâmina, alcançou o cérebro do monstro. Outrora, um olhar tão ameaçador, agora se encontra receoso e com dificuldades de se movimentar.
— Você é meu.
A fala do comandante atiça um instinto a mais de sobrevivência do monstro que tenta revidar. É claro que ele não entendia Talin, mas sentiu um perigo real daquele humano. Queria se defender, mas independente de sua força absurda, é como se seu corpo carregasse um peso enorme além do seu já natural. Um clarão entra em sua mente, sendo daí o nome dado a magia que o Aeron desenvolveu.
— Magia da mente de nível 5: Clarão — ao final dessa pronuncia, a mana que lentamente invade a mente de Astéron avança de uma só vez, atravessando seu crânio como uma luz celeste, mas o surpreendente é ver que não há nenhum ferimento no gigante além da perfuração na testa causada pela espada.
O monstro grunhiu enquanto o medo ganhou força em sua expressão, esse sentimento lentamente foi se apagando, assim como suas memórias, suas vontades, desejos e instintos. Sua mente se tornou uma folha em branco, incapaz de entender o que ele é e seus objetivos.
Sem entender o que estava fazendo ou o que acontecia ao redor, ele lentamente começou a soltar a parede do desfiladeiro. Talin chutou a testa do monstro para voltar à superfície. Em seu trajeto para cima, observa com um olhar frio o monstro gigantesco que agora se tornou apenas uma casca vazia, perdendo-se lentamente na escuridão.
Quem testemunhou isso incrédula e assustada foi Lena que logo se colocou ao seu lado.
— O que aconteceu? — pergunto em um misto de curiosidade e medo — O que você fez?
— Utilizando a magia de comunicação da mente eu tirei todas as informações do cérebro dele. Memórias, vontades, desejos. Tudo isso desapareceu com seu instinto e propósito — uma explicação fácil de entender.
Mas que não condiz com a complexidade dessa questão. Lena sendo uma maga exemplar sabe sobre magias de ilusões através dos sentidos do núcleo da mente, mas apagar a mente… A existência de alguém. Um sentimento conflitante surgiu em seu interior.
— Está com pena dele? — o comandante a olhou por cima dos ombros. Seus olhos estão sérios.
— Não… — ela abaixou o olhar, receosa — Apenas preocupada com você. O que o levou a criar uma magia assim?
— Tem muitos monstros difíceis de se lidar numa batalha direta, como foi esse colosso — os olhos verdes voltam ao penhasco — Uma magia assim pode facilitar muita coisa.
O desconforto no interior da maga persiste, mas ela compreende a lógica de Talin.
— É uma magia apenas para monstros? — ela fixou os olhos em Talin.
— Sim — e novamente os olhos verdes se voltam para ela. Ciente da grande preocupação da companheira, Talin leva uma mão ao seu ombro — Não se preocupe. Não precisamos de algo assim para lidar com pessoas. Elas não vão resistir a um corte de espada.
Sua voz soou confiante o bastante para trazer mais conforto ao coração da Barret. Com um sorriso no rosto ela assentiu. Sendo sincera, ela não estava tão segura assim, mas se manteria ao lado do comandante para garantir que ele não fizesse alguma loucura.
Ela abaixou o olhar enquanto uma memória com Johan lhe vem à mente. Ele contou a ela sobre um período em que a mente do comandante foi tomada pela influência de uma feiticeira. Essa o tornou muito mais frio e o fez ceifar vidas demais, inclusive a do rei de Alidomani, Issák.
Nunca falou sobre isso com o comandante, ele não abria espaços como se estivesse se protegendo de um enorme trauma, e a maga elemental de terra respeitava a escolha dele. Não poderia forçar alguém a falar sobre algo que trouxe tanta dor a si mesmo.
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