Horizonte Eterno

4 Capítulo 4 - Emoções Remanescentes


Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês. :)

Enquanto Anderson, Lilith e Théo foram conquistar a torre ao lado direito da cidade e Talin e Lena lidavam com o grande monstro, um outro trio ficou responsável de realizar a conquista da torre ao leste. As três figuras desse trio já foram apresentadas, sendo Elise, Aether e Elmond. Assim como o trio anterior, eles se esconderam numa casa para se organizarem corretamente antes de embarcarem em sua missão. Essa casa era maior, mas também mais desgastada e frágil. A conversa entre eles já havia avançado bastante, assim como uma solução prática para chegar ao objetivo sem problemas.

— A mesma magia do comandante — Elise se encontra com um sorriso satisfeito no rosto — Se todos os grupos tivessem acesso a isso…

— Não vamos ficar pensando nesse ‘’se’’ — o elfo de cabelos castanhos falou com um sorriso franco no rosto — Vamos terminar nossa tarefa rapidamente e ir ao castelo. Quero poder ajudar a todos.

— Você é tão legal, Elmond — Aether sorridente, colocou um braço em torno dos ombros de seu semelhante — Então vamos!

O Elfo mago faz uso de um grimório de capa branca em suas mãos. Ele pronuncia o encantamento e as runas das páginas abertas brilham na cor branca. O livro emite uma aura dessa mesma cor que logo se expande até os três membros do grupo. Essa aura forma uma pequena redoma em volta deles, deixando-os lentamente transparente e os tornando indetectáveis por meios convencionais.

— Porque os outros dois não utilizam grimório como você? — Aether acha esse fato curioso, se perguntando se havia alguma diferença entre eles.

— Além de gravar magias, o grimório pode carregar um pouco de mana em suas páginas. Eu gosto dele por ajudar a prolongar a duração das minhas — o elfo de cabelos castanhos começa a explicar — Um cajado certamente aumentar a eficiência, mas as vezes é melhor você ter um estoque a mais, não é?

— Que útil, eu pensei que ele servia apenas para armazenar encantamentos — Elise se intromete na conversa, observando com mais atenção o artefato mágico do usuário de estruturas de mana.

— Eu posso continuar explicando as utilidades deste grimório — Elmond o ergue levemente, orgulhoso de seu poder — Mas isso enquanto vamos em frente. Enquanto estivermos dentro da camuflagem, nem mesmo nossa voz é perceptível.

Uma magia extremamente útil. Esse pensamento foi compartilhado por Elise e Aether que ao se encararem, percebem ter tido o mesmo pensamento, compartilhando assim também um sorriso que deixa Elmond sem entender.

Graças ao manto o caminho segue com tranquilidade, dando-lhes liberdade para observar com bastante atenção tudo que existe ao redor. Elise é quem mais fica entretida com as observações graças ao sentimento dessas estruturas serem tão semelhantes as de Drakroth. Sendo a mulher dos cabelos quase roxos da linhagem Altair, desde a infância foi ensinada a contemplar e amar o reino, então enxergar uma ‘’versão’’ destruída dele a trouxe um incômodo.

Aether também está incomodado, mas no seu caso é com os esqueletos que vez ou outra apareciam em seu campo de visão. A movimentação deles não condizia com uma ronda, era mais como se fossem… Pessoas. Limitadas a uma pequena área, mas pessoas.

— Está me dando agonia olhar esses caras — Aether vira o rosto — Parece que podemos destruí-los num instante.

— Não entrar em batalhas inúteis. Ordens do comandante — Elise relembrou o companheiro com certa autoridade.

— Não é isso — Aether parou de caminhar. Os outros dois param e o observam — Eu quero entender o que eles são.

A atitude estranha do arqueiro só não trás o absoluto silêncio entre eles graças ao vento que sopra suavemente arrastando alguns grãos de areia pelo solo. A tarefa era algo muito simples para eles dificultarem a toa, esse é o pensamento de Elise.

— Nosso objetivo é a torre, não devemos perder tempo investigando esses esqueletos — ela protestou — Você deve entender isso, Aether.

O olhar e o tom de voz implacável de Elise fazem Aether hesitar, foi como se o momento de minutos atrás nunca tivesse existido. Entretanto, por mais que ele compreendesse os motivos dela, algo em seu interior, um instinto que ferozmente grita pede para que ele não deixe de entender as existências que os cercam.

— Eu prometo que não vamos demorar — Aether insiste, determinado — Eu realmente entendo o senso de urgência, mas sinto que é algo que não posso deixar passar.

— Sentir? Você está querendo atrasar nossa missão por conta de um sentimento? — a Altair cruza os braços em discordância.

Elise sabe que discutir ou criar atrito no meio de uma missão pode significar sua ruína, mas ela não contava que Aether teria um motivo tão sem sentido para desviar-se do caminho. Ela volta a encarar o arqueiro.

— A gente faz isso depois de investigar a torre — ela sugere, mas o olhar de Aether permanece inalterado — Porque vo…

— Olhem — Elmond finalmente interrompe.

Desde o início o mago das estruturas de mana acompanhou o conflito desenrolar, e ele preferia seguir como Elise sugeriu. Focar direto na torre e depois investigar esses esqueletos, mas conhece Aether o suficiente para saber que o jovem arqueiro carrega uma teimosia quase irracional. Se ele der razão para a combatente, eles ficarão num cabo de guerra duradouro demais.

Enquanto debatiam, seu foco foi encontrar o primeiro esqueleto em volta e apontar para ele, indicando seu apoio estratégico à decisão de Aether de investigar esses esqueletos antes de prosseguirem até a torre. Em sua mente, Elise tem mais senso do que Aether e por isso seria mais fácil convencê-la.

— Vamos observar apenas ele e seguir até a torre — ele começa a caminhar, deixando os dois para trás — Não é melhor aproveitarmos essa chance?

— Elmond… — Elise abaixa a cabeça numa expressão reflexiva, desconfortável — Você concorda com isso?

Ao olhar para o rosto da combatente, Elmond percebe a frustração dela e isso entristece seu coração. O senso de responsabilidade que ela carrega deve a impulsionar a tentar resolver tudo o quanto antes. Parou seus passos e falou.

— Você é tão disciplinada, Elise — o elfo mago sorri, mas foi um sorriso quase infeliz — Elfos como Aether e eu não tivemos esse aprendizado. Você pode cobrir nossos erros, e eu prometo que seguiremos todas as suas próximas ordens. O que acha?

Essa resposta tão displicente deixou Elise chocada. Eles são completamente loucos. A Altair dá um longo suspiro, seguido por um sorriso derrotado no rosto. Por mais que tenha resistência a ideia, não poderia ditar a esses dois elfos como prosseguir, além disso sempre ouviu que essa raça tem sentidos e instintos melhores que os humanos, tão crentes nessa decisão, só restou-lhe aceitar e confiar que esses minutos de atraso viria a dar algum fruto posteriormente.

— Vocês são péssimas influências — e ela deu o primeiro passo em direção ao mago das estruturas de mana — Vocês vão comer na minha mão.

Aether ficou preocupado inicialmente com a possibilidade de Elise simplesmente cravar que não haveria desvio, essa preocupação se tornou admiração por como Elmond parecia já ter visto tanto da combatente em tão pouco tempo. A capacidade que ele tem de entender as pessoas é surreal, um talento que o arqueiro nunca se veria tendo. Com Elise seguindo adiante, Aether vai logo atrás com uma expressão satisfeita no rosto.

O trio avança pelo beco que o esqueleto passou a poucos segundos, um beco um pouco mais estreito do que os comuns da cidade. Observando a criatura adiante, eles percebem que ela para de caminhar, olha para a janela de uma casa por alguns segundos e posteriormente volta a seguir em frente, saindo de lá. Curiosos, assim que chegam na janela, olham através dela e percebem um esqueleto dentro da casa.

Esse esqueleto não tem um dos braços e se encontra sentado em uma mobília desgastada, frente a ele uma lamparina velha. Sua luz é tão fraca que pouco reflete o rosto do esqueleto que a observa atentamente. Mais ao fundo do cômodo, o grupo percebe um daqueles cachorros mutantes que confrontaram inicialmente, dormindo tranquilamente.

Elise sente um grande desconforto com a imagem, pois é desagradável ver criaturas supostamente malignas agindo como pessoas e esse desconforto foi compartilhado por Elmond e Aether.

— Não podemos perder nosso alvo de vista — A mão de Elmond toca o ombro da combatente. Ela concorda.

Eles seguem adiante. Aether dá uma última olhada e aperta o olhar. Aquela imagem soou de forma triste em sua mente que trabalha intensamente em entender o que havia acontecido naquele lugar. E é sempre quando ele tem esses momentos de reflexão que o espectro selado no brinco em sua orelha dá as caras.

— O que são eles?

Como um reflexo de seus sentimentos, o brinco em sua orelha brilhou por um momento e uma voz ecoou em sua cabeça.

O que você acha que é?

Alguma espécie de necromancia — o arqueiro ponderou.

Você já viu como a necromancia funciona? — o silêncio do arqueiro serviu como resposta para a voz em sua mente — Necromancia não mantêm esse tipo de comportamento. Continue investigando.

Aether concorda e acelera o passo, voltando a ficar lado a lado com Elise e Elmond. O trajeto do esqueleto termina frente a uma grande fonte destruída. Nessa fonte havia um outro esqueleto sentado, aguardando-o. O trio para de caminhar para compreender a situação.

Apesar da fonte estar destruída e sem água, é possível imaginar como ela era em seus tempos de glória. Tendo mais de 30 metros de circunferência e uma estátua destruída em seu centro. Apesar de destruída, era perceptível que a estátua se tratava de três grandes cavaleiros equipados com grandes labris, machados de duas lâminas.

O vento soprou forte levantando um pouco do excesso de poeira espalhada pela cidade, e o esqueleto sentado na borda da fonte se levantou para receber o que havia acabado de chegar. Um segura a mão do outro observando os arredores em silêncio.

O trio enxergou sentimentos naqueles esqueletos, assim como enxergaram anteriormente naquele solitário com a lamparina. Um companheirismo profundo que persiste sem palavras trocadas. Algo tão forte que persiste até mesmo ao cenário decadente, e esse algo chegou até os três guerreiros que observam tudo de longe.

Não restam dúvidas para o trio de que os monstros nesta cidade agem como pessoas. Mas nenhuma pista chegou até eles do que está causando isso. Elmond coça sua nuca pensativo, ponderando se deixou algo passar no caminho até ali.

— Esse comportamento não condiz com nada do que me foi ensinado — Elise encara seus companheiros, nervosa — Eles realmente são só monstros?

Não havia como saber, afinal os elfos só tinham conhecimento do que a própria Altair sabe até então. Apreensiva, estreitou os olhos ametistas. É claro que eles não vão saber também. Deveria deixar esses sentimentos de lado ciente da necessidade de encontrar mais informações.

— Não vamos encontrar mais nada aqui, é melhor irmos para a torre agora — Elise fala e se vira rumo à torre que está no leste.

Aether encara uma última vez os esqueletos na fonte. Se ele achou que teria respostas ao investigar mais o comportamento peculiar desses monstros, acabou encontrando muito mais perguntas.

O fato de sentir humanidade em seus inimigos reduziu o desejo de luta do trio, mas ao outro lado da cidade, no exato oposto há aqueles que ainda estão mais longe de saber a verdade sobre a cidade.

Lilith observa atentamente seu companheiro se preparar para atrair a atenção do monstro. Não ficando para trás, ela revela mais sua identidade ao transmutar suas mãos em garras bestiais vermelhas. Quando Anderson se mostra, o minotauro se coloca em posição de batalha. Ela salta em seu ponto cego com suas garras abertas e realiza um corte extremamente rápido na altura da nuca do alvo.

Ela tem um sucesso absoluto ao atacar, mas surpreende-se percebendo que uma investida tão poderosa não foi tão profunda quanto esperava. O sangue preto saiu dos cortes superficiais no pescoço do minotauro confuso. Ela estreitou os olhos e não se deixou abalar, sem perder o momento mostrou técnica para segurar o ombro do monstro e ter o apoio necessário para realizar uma poderosa bicuda na cara dele.

A liberta acostumada a ver seus alvos voarem diversos metros após receber um golpe, observou o minotauro ser empurrado o suficiente apenas para cair da torre enquanto a encarava com o olhar moldado em ódio pelo canto de olho. Durante a queda a criatura percebe Anderson se aproximar com seu machado em mãos.

O minotauro chuta a parede da torre, a usando para pegar um grande impulso e ir na direção do combatente que sentiu o perigo daquela investida. Contra tamanha força e impulso seria destroçado caso colidisse de frente com o monstro, por isso jogou-se no chão vendo aquela criatura poderosa rasgando o chão atrás dele com o golpe. Não ousou nem perder tempo engolindo em seco. Se levantou e golpeou em direção a criatura com seu machado que é defendido.

Anderson sempre se orgulhou de sua força física, mas bastou uma pisada a mais do minotauro para ele perceber que estão em níveis completamente diferentes. Forçado a recuar, optou por ficar na defensiva. Suor descia por sua testa e foi necessário muita força mental para manter uma expressão feroz no rosto, e não a de um covarde tremendo de medo.

Lilith reconheceu o quão perigoso seria ficar numa batalha individual contra aquela criatura, e por isso realizou outro grande salto da torre para ajudar Anderson na batalha, ficando assim os dois contra um alvo único e equilibrando um pouco mais o combate. Algo que surpreendeu imediatamente a dupla foi ver sua postura defensiva, a criatura tinha uma técnica muito avançada para lidar com dois alvos. Théo, por sua vez, começou a utilizar sua magia para reforçar os atributos físicos de seus aliados, tendo um grande receio em ver o quão difícil seria a batalha.

Afinal de contas, quantos outros monstros carregando tanto poder podem ter por lá? Engoliu em seco e afiou seus olhos, Théo sabia que se deixasse levar por esses pensamentos, se acovardaria e tomaria decisões que poderiam fazê-lo se arrepender pelo resto de sua vida.

A batalha a cada segundo se intensifica e o sangue começa a cair de ambos os lados. A tensão e o cansaço chegam primeiro em Anderson, ofegante, que por pouco não teve sua cabeça esmagada por um golpe do minotauro. Forçado a recuar alguns passos novamente, um clima tenso de uma batalha que poderia ser decidida em um só golpe por parte do monstro.

— Desgraçado… É como lutar com uma pedra…! — Anderson vociferou em fúria e tentou um golpe na cintura do minotauro. O golpe entrou, mas novamente só um corte superficial foi aberto.

O minotauro supria Lilith com seu machado, deixando de segurá-lo com as duas mãos apenas para golpear o rosto de Anderson com um soco. Essa ação acabou sendo uma abertura para a ruiva forçar o braço do minotauro para longe. Ela realizou um movimento de estocada em uma das feridas superficiais dele, sentiu a ferida se abrir mais e suas garras alcançarem o interior do monstro pela primeira vez.

O minotauro jogou-se para trás abrindo uma pequena distância entre eles, e então rugiu em fúria e ódio, deixando Lilith com receio. No entanto, ela engoliu seco recuperando a compostura, não poderia transmitir nenhuma hesitação.

— Dessa vez doeu, não foi? — ela sorri com desdém. Como se entendesse as provocações de Lilith, o minotauro se enfurece golpeando o ar algumas vezes em sinal de retaliação, logo depois, ele avança contra ela realizando sequências de ataques girando a lâmina do seu labris ao redor de si mesmo, a obrigando a redirecionar esses ataques como podia.

Saindo da proteção do muro, Théo suprimiu todo medo e hesitação, mostrando-se um mago extremamente confiável nesse momento. Apontou seu cajado para o minotauro e começou a canalizar uma magia. Ainda que dedicado às magias de vida e alma, as propriedades da morte ainda estão sob seu alcance.

— Exaustão…

Uma aura negra saiu de seu cajado e lentamente se aproximou do minotauro que perdeu sua atenção por um momento, parando de atacar. Apesar de querer voltar sua atenção para Théo, a liberta insistia em lhe atrapalhar com socos, chutes e cortes. Quando Anderson voltou a batalha, o minotauro mostra uma expressão atormentada, sendo colocado na defensiva ao sentir seu corpo pesado. Sua energia foi drenada e todo movimento parecia exigir o máximo de seu corpo.

Théo continuou focado no monstro, utilizando seu domínio sobre a morte, ele aplicou sua segunda magia.

— Ruptura… — outra aura escura projetada de seu cajado foi até o minotauro.

Daí por diante o combate foi dominado pelo trio. Os ataques de Anderson e Lilith foram cada vez mais fundos. Além do monstro estar mais fraco fisicamente, a segunda magia minou sua resistência e todo ataque que ele passou a receber tornou seus ferimentos mais graves. A batalha teria seu fim com um poderoso ataque do machado de Anderson abrindo um corte imenso em seu peito e viria a ser lançado no chão violentamente, espalhando o sangue preto.

— Essa foi difícil… — Anderson golpeou o corpo da criatura no chão, espalhando seu sangue. O homem virou-se para Lilith e foi em sua direção.

— Se machucou muito?

— Nada perto de você — ela falou convencida e ele abriu um pequeno sorriso.

No chão residia o corpo do minotauro abatido, ao menos foi nisso que estavam crentes. Naquela situação precária, aquela dor ardente no peito levou a mente distorcida do minotauro pelas eras, o levando à uma sala do trono iluminada. Curvado em frente ao trono, um honrado cavaleiro com seu grande labris em suas costas. Ele estava no meio de outros dois, e no trono à frente, havia um rei.

A luz do sol passava através das janelas de vidro de tonalidade levemente esverdeada, fazendo o branco das paredes quase reluzir, enquanto os detalhes vermelhos, assim como o grande tapete da mesma cor se destacavam no ambiente. Naquele dia, a promessa de lealdade para com aquele rei, mas apenas, aquele.

— O legado de Luvelin deve ser preservado a qualquer custo. Até mesmo de nossas almas.

Assim como a memória, aquela dor ardente desapareceu após a mana corrupta do reino adentrar no corpo do monstro que abriu seus olhos mais uma vez, indicando que ainda não era o fim. Uma determinação sobrenatural, uma vontade ancestral em seu corpo não o permitia ser derrotado com tamanha facilidade, mesmo com uma abertura tão grave em seu corpo.

Ao ficarem lado a lado, a atenção dos dois foi para Théo que agora caminha em direção a eles, poderiam finalmente adentrar na torre, mas o coração do mago de vida e alma parou quando percebeu aquela silhueta escura se colocando de pé outra vez. Como… Como poderia estar de pé com aqueles ferimentos?

— CUIDADO! — o grito foi o suficiente para que a dupla se virasse na direção do minotauro novamente, mas foi tudo muito rápido.

Assim que a liberta e o drakrothiano olharam em direção ao minotauro, o machado que ele arremessou já estava praticamente em cima de Anderson que só pode ver o último giro do machado arremessado em sua direção, e nem se ele fosse dez vezes mais rápido teria a capacidade de evitar esse ataque.

O mundo aos seus olhos parou por um momento. Em uma fração de segundos ele se questionou porque não esmagou a cabeça daquele monstro? Espera, será que isso também faria diferença? Aquele último vislumbre do minotauro não parecia tão intimidador assim… Parecia ter sido o último esforço de um guerreiro caído em batalha. Que honra, hein? Ser o último esforço de um guerreiro determinado.

Théo e Lilith sentiram seus corpos congelarem ao presenciar Anderson acertado em cheio pelo machado de duas lâminas. Foi um ataque tão violento que no mesmo instante que acertou o centro de seu peito, o sangue espalhou-se numa explosão vermelha para fora, enquanto seu corpo é deitado no ar e arremessado por diversos metros de distância. Seu corpo apenas não rolou no chão por ser aparado pelo machado cravado em seu peito.

Por um momento o tempo parou na mente de Lilith e Théo. Seus olhos arregalados com o que acabara de acontecer e uma intensidade de sentimentos conflituosos que os fez seguir caminhos diferentes. Théo em desespero correu em direção de Anderson para ver o que poderia fazer por ele, e Lilith amarrada pela raiva avança como uma besta vermelha absorta em fúria, buscando liquidar de vez aquela existência que feriu seu amigo.

Um grito vindo de fúria e dor ecoou pela cidade.


Notas finais
Núcleo Arcano Magos com o núcleo Arcano têm controle excepcional sobre a mana, sendo capazes de moldá-la em formas diversas como objetivos, escudos, armas ou criaturas. Aqueles que desenvolvem grande perícia com essa magia, podem ter acesso a magias que influenciam o próprio espaço.