Horizonte Eterno
16 A Flecha de Eslie
O vento instável, afetado pelo poder da morte de Claus corria pelo campo de batalha. Os cabelos de Elise e Lilith balançam por ele e dançam no ar, movidos pelo caos. Entretanto, a garantia é que esse seria o caos final em Luvelin, pois dali sairia o resultado absoluto do rei; vitória ou queda.
Claus levantou a espada.
Elise imediatamente associou que as duas vezes que um ataque de longo alcance aconteceu, foi quando o rei levantou a espada dessa forma. É um padrão ou um movimento essencial para os disparos de energia da morte.
— Ele vai atacar de longe! — Ela alertou.
E Claus novamente arranca do céu seu poder, direcionando a partir do grande corte uma grande ventania negra em direção ao trio. Elise escapou pela direita enquanto Talin e Lilith foram pela direção oposta.
— Isso vai acabar aqui! — o rei vocifera erguendo novamente a espada.
Respondendo a fúria do rei, o vento acelerou dificultando a mobilidade do trio. Claus focou o comandante e a liberta correndo pela sua esquerda. Ao descer sua espada para o próximo ataque testemunhou a dupla se separando.
Isso não iria adiantar contra ele!
O Rei Esqueleto muda a direção do corte na metade do trajeto, espalhando o ataque em uma horizontal que pega toda a área.
Talin crava dispensa no solo a sua frente, bloqueando o ataque que ainda assim o faz recuar alguns metros para trás, rasgando o solo com sua espada.
Já Lilith saltou sobre o lâmina de vento negro horizontal, sentindo a energia da morte passar a centímetros de suas pernas.
— Está se acovardando, Rei!? — a voz de Elise grita à direita.
A atenção de Claus é levada a ela a poucos metros de distância, e na extensão de sua fúria forçou sua espada a um corte bizarramente longo, girando o corpo na direção da Altair. A lâmina de vento parecia uma linha mal feita por um ataque que devia ter sido encerrado a muito tempo.
E a Altair sentiu isso.
Reconheceu o erro do rei e cobriu seu braço direito com chamas estáveis o suficiente para atravessar o ataque de Claus como se não fosse nada.
Os olhos determinados da Altair colidiram com a insanidade do rei novamente, desafiando sua existência.
O esqueleto recobrou sua postura reconhecendo rapidamente a posição de seus inimigos. Realizou um corte em volta do próprio corpo que não foi rápido o bastante, pois elas foram mais espertas com Lilith num avanço praticamente colado ao chão, acertando-lhe um golpe que estalou contra sua panturrilha, arrebentando-a em diversos fragmentos.
Elise dá um grande salto e contendo a dor pelos ferimentos recentes, realizou um chute no ar que acertou em cheio a cabeça de Claus, partindo parte da coroa fundida à sua cabeça. Quando a coroa toca o chão ela se despedaça como vidro, espalhando o eco de sua queda.
Num grito de fúria o rei solta uma de suas mãos da espada e agarra a cabeça da Altair no ar. Ele a apertou como fez anteriormente com Julia. Sua expressão carregada de ódio tenta roubar a sanidade de Elise, mas ela não ousaria desistir novamente frente a esse adversário.
Se hesitasse um segundo que fosse sua cabeça seria esmagada. Num grito de guerra a Altair mostrou novamente a força física que carrega ao levantar os braços contra aquele que a segura, tendo a força necessária para quebrá-lo o suficiente e soltar-se.
— Verme insistente! — irado, o esqueleto vocifera.
Elise vê os ferimentos dele se regenerarem quase que imediatamente. Ossos quebrados se reconstituindo… Ela range os dentes pensando em como mesmo agora a batalha parecia distante de seu fim.
Mas não havia motivos para hesitar ou se intimidar. Com Talin e Lilith na batalha, sem dúvidas poderia segurar Claus tempo o suficiente para que Aether retornasse com a flecha, o que arruinaria por completo a maior vantagem do rei.
Pisando no chão, Elise sente que seu corpo contraria sua determinação. A perna enfraquecida a faz se curvar brevemente e o rei caído não perderia essa oportunidade. Brandiu sua espada, mas sentiu suas costas serem perfuradas por uma espada.
O olhar de ódio de Claus contrapõe o olhar gélido do seu agressor, Talin.
Ele aproveitou a vantagem numérica para se aproximar num ataque furtivo, realizando uma estocada tão poderosa que perfurou facilmente a marca nas costas do esqueleto, ponderou que ela pudesse ser uma fraqueza, mas…
A marca pulsou forte e o rei realizou outro giro atacando, forçando o comandante a recuar com longos saltos para trás, abrindo uma grande distância.
— Acertar essa marca estranha é inútil também… Não tem jeito, apenas a flecha de Eslie poderá acabar com isso — Talin concluiu.
Sem sua armadura, ele está evitando ao máximo ficar próximo de um adversário com tamanho poder ofensivo.
— Comandante! — Aether apareceu correndo atrás dele.
Claus sequer teve tempo de avançar contra o comandante, pois Lilith e Elise já o cercam novamente. Atacando em conjunto. O Elfo que finalmente chega na batalha, tensiona o olhar para o assassino de seu amigo.
— Esse desgraçado…
O coração do elfo carrega um sentimento que nunca irá se apagar.
— Você está com a flecha? — indiferente às emoções, Talin pergunta.
— Sim.
O olhar do comandante se tornou mais penetrante observando a luta que apesar de parecer vantajosa, não era tão simples assim. Elise claramente está perdendo potência em seus ataques e Lilith provavelmente nem percebeu o quanto exigiu de si mesma nesse dia. Um único movimento errado poderia surtir um efeito dominó contra toda a equipe.
— Ele sabe sobre a flecha?
Aether negou com a cabeça.
— Mas concluindo que a regeneração dele é a mesma da serpente, ele sabe que temos uma forma de lidar com sua imortalidade.
Ainda assim, Talin enxergou nisso a oportunidade de encerrar de uma vez por todas com essa batalha.
A fúria do rei denuncia o quão complicada estava a batalha. Caso fosse uma luta individual poderia facilmente vencer cada um deles, mas o fato é que o trabalho da equipe estava muito bom. E ele só estava sendo bom por conta da ameaça presente, que exige que elas tenham sua atenção no máximo o tempo inteiro, forçando-as dar cobertura uma à outra.
O esqueleto percebe que se evitar todos os ataques, não poderá utilizar seu maior trunfo. Ele range os dentes e aceita os golpes das garras da ruiva e dos punhos da violáceo. Aceitando suas costelas serem esmagadas, ele ganha o tempo necessário para erguer novamente a espada para o tormento de morte.
E o tormento desce sobre elas. Uma tempestade obscura capaz de dilacerar tudo em seu caminho.
— Se afasta! — Elise gritou.
Elas saltaram para trás e evitaram o ataque, mas num evento semelhante ao que houve durante a batalha contra Astéron, o ataque devastou o solo e levantou uma grande nuvem de poeira que espalhou-se por diversos metros, engolindo as duas combatentes.
— Isso é mal…! — Talin alerta, preocupado.
Dentro da cortina de fumaça, Lilith percebeu aquele par de olhos flamejantes se aproximando rapidamente. No momento que tentou ir para trás, seu corpo não respondeu e ela prendeu a respiração temendo pelo pior, colocando os braços frente ao corpo.
O esqueleto, prevendo que ela tentaria se proteger dessa forma, realizou um corte de baixo para cima, acertando-lhe a ponta da espada na barriga. O próximo segundo deveria ter findado a vida da ruiva, mas numa reação monstruosa, ela desceu as mãos contra a espada, a segurando.
A energia da morte da espada começou a destruir a pele da forma bestial da liberta, misturando o vermelho da pele ao do sangue. Ela gemeu de dor sentindo suas forças irem embora rapidamente, tendo a ponta da espada perfurando um pouco mais de seu corpo.
— Morra — ordenou Claus.
Ela não pôde responder, toda sua atenção foi em tentar ganhar cada segundo precioso.
Aquela cortina de poeira não podia encobrir o brilho dos olhos infernais de Claus e nem o pulsar da marca em suas costas, e foi isso que levou Elise à encontrá-lo tentando empalar a silhueta de Lilith.
A Altair rompeu a toda velocidade contra Claus e saltou visando acertar outro chute, mas seus passos denunciaram sua aproximação, permitindo que o esqueleto puxasse sua espada e a colocasse entre eles. O eco do poderoso chute na espada espalhou-se como uma melodia dramática.
— Sua vez agora — Claus redireciona sua espada contra o chão, atirando a Altair contra ele.
O impacto de ser atirada contra o chão fez todo seu corpo doer, a fazendo questionar se conseguiria se levantar novamente. O foco em sua própria dor é dissipada apenas quando ela ouve o som dos joelhos da liberta tocarem o chão.
— Desgraçado…
Junto a frase da combatente, o vento violento levou também a cortina de fumaça.
De um lado estava Lilith com suas mãos ensanguentadas e uma ferida aberta na barriga. Para piorar, o fato de ter perdido sua forma bestial implicava que já não havia mais forças para lutar. De joelhos, seus olhos fechados revelam que sua consciência não mais resistia.
Do outro lado, Elise sente seus músculos doerem e a respiração pesada, seu corpo já estava tendo dificuldades em responder seus comandos, mas ela não queria parar ainda, pois ainda havia mais coisas que precisava fazer.
Por isso, apesar de suas pernas tremerem e suas feridas arderem, levantou-se sem saber se poderia continuar perante Claus.
Entre elas, intacto e protegido pela maldição de imortalidade, o rei reina soberano.
O esqueleto olha para Lilith. Ciente de que ela ainda não estava morta, atacou com sua espada,, mas três flechas cortam os ventos violentos, forçando-o a se proteger com sua espada. Ao olhar para o autor do ataque, seu olhar incendiário se mostra no auge do ódio.
— Novamente… Quando é que vão desistir…?
Suas palavras foram cuspidas. O fato dele, o rei, estar lutando sozinho contra os invasores enquanto seus súditos apenas assistem de longe, o causa uma agonia indescritível.
— Vocês… Todos continuam… — sua voz tremeu entre fúria e descrença. Lançou um para os monstros ao redor do castelo — Todos vocês realmente vão virar-se contra mim!?
O sentimento de estar completamente isolado o assolou, e suas falas foram carregadas de rancor, misturando-se a ventania incerta que cobre todo o local, e ainda assim, elas não foram capazes de abalar a decisão que foi tomada pelo seu povo. Dedicou a eternidade a eles, e agora, não o obedecem mais.
Enquanto as palavras de Claus se perdem no vento, Elise lançou um olhar para Aether e Talin, que estavam mais afastados. Quando conseguiu se focar, percebeu o elfo sério, com sua mão numa flecha oculta na aljava em suas costas. Engolindo seco, a combatente sentiu um frio na barriga já que o grande momento chegou.
Ela pensou se deveria iniciar o ataque, mas quando o comandante avançou e capturou a atenção do rei esqueleto, dedicou a firmar suas pernas e se preparar para a ofensiva.
O Rei balançou a espada na direção do comandante que bloqueou com Dispersa, gerando um sibilo tão poderoso que foi capaz de ‘’explodir’’ o vento em todas as direções, arrastando todos os pedregulhos para longe.
Fisicamente Claus se sobressai, mas o Aeron mostra toda sua tenacidade ao resistir, pisando com toda a força no chão e o desafiando.
Desprovido de qualquer armadura, foi a ação mais imprudente do comandante até então.
— Urrh… Aaaaaah…! — Talin range os dentes, fazendo uso de todas as forças restantes em cada músculo de seu corpo.
Ao sentir-se desafiado, o rei aumenta sua força.
— Aaaah… Vão todos… Morrer!
Durante a batalha de força, o cristal em Dispersa brilha, transferindo seu poder para a lâmina.
Claus normalmente perceberia imediatamente esse brilho, mas os pensamentos de aniquilar seus adversários atrapalharam sua percepção.
Talin tentou ao máximo, mas a diferença física o fez perder na batalha de forças, o jogando para trás numa cambalhota, o rei tentou aproveitar para encurtar a distância em vantagem e esmagá-lo com sua espada.
Sua espada quase alcançou o comandante, mas Claus rangeu de fúria ao perceber tarde demais aquele óbvio brilho desconhecido em direção ao seu rosto.
— Clarão! — Talin gritou disparando contra Claus a mesma magia que apagou a existência de Astéron anteriormente. O rei foi obrigado a soltar sua espada, saltando o mais alto que conseguia — Aether!
O comandante gritou para o elfo, consequentemente fazendo com que o rei percebesse o elfo com a flecha de Eslie em seu arco.
— Como você…!
Os olhos vermelhos crescem em desespero.
A flecha cujo o poder é capaz de anular imortalidades geradas a partir de maldições. A maldita flecha que o rei entregou a Happo para que ele a escondesse… Claus não sentiu tristeza por tamanha traição, mas sim raiva. Ele fez tudo por eles, e agora…
— Ahhh… ! — a mandíbula do rei se abre incapaz de conter seu desgosto.
Com sua concentração no máximo, Aether realizou o disparo.
— Pegue, Elise! — ordenou o comandante.
A flecha rasgou o ar veloz como um raio, deixando um rastro esverdeado que serpenteava em sua trilha, como se carregasse as vontades de todos aqueles que ansiavam pelo fim de Claus.
A mente distorcida do rei entrou em colapso com tantas informações de uma vez. Quer dizer que durante todo esse tempo aquele verme escondeu aquela flecha? Como ele sabia sobre ela? Como alguém tão jovem resistiu a ansiedade de não tentar usá-la antes? Nada estava fazendo sentido! Nada!
Ainda que nada fizesse sentido, ele não desistiria! Se ele pudesse fazer a flecha refletir em seus ossos, ainda haveria uma chance. Colocou os braços frente ao corpo, aguardando o momento em que a flecha fosse chegar até ele. Sim, ele podia fazer isso! Mas então…
Ele errou?
O olhar do rei se perde no vazio quando a flecha passa a centímetros de seu rosto.
Pela primeira vez em muito tempo, um sorriso brotou em seu rosto. Um sorriso tão grotesco que faria a própria serpente se arrepiar. Realmente, nada fazia sentido!
Sim! Ele sentiu o deslocamento do ar roçar seus ossos. Por um instante, o mundo pareceu em silêncio. Ele venceu, certo!? Mas então... Por que os olhos daqueles dois ratos ainda estavam cheios de convicção?
— Hã…?
Tão rápido quanto surgiu, o sorriso sumiu.
Elise estava logo atrás do rei, e ele nunca poderia imaginar que não era o alvo inicial da flecha.
A combatente agarrou a flecha no ar, fazendo uso de toda sua força restante, girou no ar e a cravou contra a marca pulsante nas costas do rei esqueleto
A marca parou de pulsar imediatamente, mas seu brilho tentou persistir enquanto o rei sente o mundo parado. Vendo todos os soldados e cidadãos de Luvelin nos limites do castelo.
Quer dizer que acabou? Todo o sacrifício, todo o sofrimento para acabar… Dessa forma? Afinal de contas, pelo que mesmo valia a pena persistir? A honra… Fazer valer todo o sofrimento…? Ele ficou confuso.
Realmente valeria a pena continuar?
Ele finalmente conseguia pensar mais claramente agora, mas porque só agora. Ah… Sim. A marca. Ela está fraca. Foi ela… Talvez, mas… Ele só estaria transferindo a culpa.
A chama antes incessante em seus olhos se apagaram, assim como qualquer coisa que pudesse provar a forma que ele ditou a ruína daqueles que confiaram nele a milhares de anos atrás.
Ver qualquer espírito de luta do rei se apagar trouxe um alívio gigantesco ao coração de Aether, mas isso não apagou em nada a dor de ter perdido seu amigo no processo. Mesmo colocando um pouco mais de sentindo nessa perda, a dor em seu peito persiste igualmente.
O elfo recolheu o arco.
A tensão em cada um dos músculos do comandante persistiu até o último segundo. Mesmo quando a flecha chegou ao objetivo, ele só permitiu que a exaustão o fizesse fraquejar quando os olhos do rei se apagaram. O maior obstáculo entre eles e a causa da coalizão de monstros, caiu.
Talin exausto, finalmente cedeu levando um de seus joelhos ao chão.
Os esqueletos e os monstros guerreiros, todos encaravam aquilo com um sentimento desconcertante. O rei como uma pilha ossos indo rumo ao chão, e sobre ele, Elise parecia voar como uma bela ave.
Mesmo após se ferir diversas vezes e ter chegado a desistir, ela ergueu-se novamente como uma lendária fênix.
Diante de uma tempestade escura e congelante, o vento cortante pune cada parte de seu corpo. Um furacão negro, carregado com o medo mais conhecido por todos aqueles que vivem, a morte. A escuridão parecia ter forma física, tão pesada que nenhum músculo da pequena existência abaixo dela, movia-se. Sua respiração enfraqueceu a um nível que a tornou imperceptível.
Era terrível como essa escuridão não lhe permitia pensar com clareza, mesmo suas memórias estão afogadas na escuridão e suas emoções estão distantes, até mesmo o medo. Seria assim todas as mortes? Isso acabaria?
Ela não sabe quanto tempo ficou presa nesse limbo, mas percebeu o fim dele quando um brilho apareceu na escuridão, trazendo para si o aconchegante calor que emana naqueles que estão vivos.
A escuridão da morte foi lentamente iluminada, libertando seu corpo daquela prisão escura e fria. Quando todo o peso saiu de seu corpo, uma energia eletrizante foi até as pontas de seus dedos, movendo-os o suficiente para que ela soubesse que estava de volta.
Lena abriu os olhos, piscando algumas vezes até acostumar-se novamente com a iluminação e reconhecer o curandeiro ao seu lado. Aquele Drakrothiano baixinho que usou tanto sua magia, que sua pele empalideceu e suor pingava de seu rosto.
— Théo…? — sua voz soou tão fraca que foi como se quebrasse no ar.
— Senhorita Lena… Estou feliz que acordou — o curandeiro abre o melhor sorriso que pode, o que infelizmente não é muito — Foi por pouco.
Percebendo a reação fraca de Théo, Lena foi acertada por uma enxurrada de memórias do que aconteceu com ela antes de ser engolida pelo ataque do rei esqueleto. O susto a fez sentar-se, espalhando a dor das feridas que ainda não se fecharam completamente. Gemeu de dor encolhendo seu corpo, mas seus pensamentos não focaram em si mesma..
— O Elmond…! — a maga elemental olhou aflita ao redor.
E esse comentário desmanchou o sorriso que Théo se esforçou para colocar no rosto. O curandeiro abaixou a cabeça e esse simples gesto foi um banho de água fria para a maga que sentiu os olhos encherem de lágrimas, tal que só piorou ao perceber o corpo coberto atrás do curandeiro.
— Ele me salvou… De novo… — ela levou as mãos trêmulas aos olhos, repelindo o máximo possível das lágrimas que brotaram em sua face.
Se recordou do elfo colocando o corpo frente ao seu, recebendo a maior parte do dano para si. Ele sabia que não sobreviveriam àquele ataque, então fez tudo que podia para garantir ao menos a vida de Lena.
E antes disso, Elmond sacrificou o próprio braço para salvá-la da serpente. Lena devia ser aquela que protege a equipe, tendo tal responsabilidade por ser a segunda no comando e a maga mais poderosa, mas na prática acabou tendo que ser protegida.
Seu coração apertou e o som de soluços juntou-se às grossas lágrimas.
O alívio que sentiu por estar viva, é algo que ela não poderia compartilhar com Elmond.
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