Horizonte Eterno
11 11 - Rugido de Medo
Cada passo daquele colosso em sua direção parecia uma eternidade, mas acabou vindo a calhar nessa situação. Todos seus sentidos apontam para o medo de enfrentar um desafio muito além do que ela poderia lidar, e isso a fez recordar de quando esteve frente à Temyra, que foi quem comentou como ela é pequena comparada aos problemas que a cercam. Foi simbólico ela sozinha frente a um adversário gigantesco.
Como Talin teve coragem de enfrentá-lo sozinho?
Astéron é, sem dúvidas, muito mais poderosa que ela, mas nunca se compararia a Temyra, e essa ainda assim foi morta por alguém ainda mais poderoso. É como se o mundo dissesse que o poder não é a única forma de sobreviver, pois sempre haveria alguém acima, fazendo jus ao mundo em que vivem, um horizonte infinito.
Se apenas o poder não basta, o que mais é necessário para sobreviver e enfrentar esses inimigos tão poderosos? O que Lilith poderia fazer para não perecer com seus sonhos e objetivos frente a tamanho adversário? Nesse momento tão desesperador, não foi a Deusa guardiã ou o comandante que brotou em sua mente, mas sim…
Johan Altair.
A enorme mão de Astéron carregada de garras, mergulhou na direção da liberta como um meteoro. O ar vibrou e instantes antes do impacto, o corpo de Lilith se atirou como uma flecha para longe. O solo onde estava explodiu em estilhaços de pedra e terra, a onda de choque sacudiu até as casas mais próximas. Quando rolou pelo chão e se virou para encará-lo, tudo o que restava no chão era um buraco fundo e deformado.
Johan Altair, o lendário general de Drakroth. Indiscutivelmente, o homem mais poderoso do reino. Aquele que conduziu Drakroth as suas maiores conquistas nos últimos anos antes da coalizão de monstros. Com a sua força, é considerado um monstro entre os humanos, mas apenas entre os humanos. Uma característica marcante de sua figura é o sorriso que raramente desaparece, mesmo nas mais insanas batalhas.
— Porque sorrir em batalha? Você não sente medo?
Uma pergunta sincera que a jovem acabou por fazer ao general a alguns anos atrás. Não é comum pessoas sorrirem no campo de batalha, na verdade é algo até mesmo… Medonho. Independente do que estivesse à frente, porque ele estava sempre tão confiante na vanguarda?
Aquele sorriso típico do general surgiu com a pergunta. Um sorriso estranhamente reconfortante, mas também enigmático. A liberta nunca conseguiu descobrir quais os verdadeiros sentimentos escondidos por trás dele, mas ainda se lembra da resposta que lhe foi entregue.
“É uma mentira sem palavras.”
“Hã?”
Os olhos de Astéron retornam lentamente em direção a ela, como se carregasse muito mais emoções além do ódio e da violência de antes. Ele ruge ajustando sua enorme estrutura para outro avanço veloz e predatório, causando um grande tremor que ecoa por diversos metros. A liberta olhou desesperada ao redor, saltando para cima da primeira casa em seu campo de visão.
O monstro conseguiu por pouco mudar sua trajetória para a primeira casa, e Lilith saltou novamente para uma segunda casa, testemunhando o monstro destruir a anterior como se não fosse nada, levantando muita poeira no processo.
“Intimido meus inimigos e encorajo meus companheiros, e mais importante. Encorajo a mim mesmo.”
Mesmo tendo participado de outras batalhas, Lilith nunca foi tão testada antes. Um verdadeiro turbilhão de sentimentos e pensamentos a preenche de tantas formas, que ela certamente precisará de algum tempo para absorver tudo corretamente.
Medo, excitação, luto, raiva e tantos outros sentimentos tão intensos que a sufocam.
Quantas vezes o homem que a salvou passou por isso? Ao usar uma mentira sem palavras em si mesmo, ele conseguiu vencer tudo? Não… Ele provavelmente deve ser uma pessoa extremamente frustrada, talvez, o maior general da história de Drakroth seja o maior mentiroso também.
Lilith nunca gostou de mentiras e Johan deve odiá-las também, então certamente odeia a si mesmo. Colocando todo o reino acima de si, se tornando um mártir Drakrothiano e acorrentando a si mesmo a algo que julgou como sendo mais importante que sua própria existência.
Ela o admira, mas ela não quer ser como ele.
Por essência, Lilith nunca poderia ser como Johan, pois para um liberto, se acorrentar a algo assim é semelhante a morte.
A poeira baixou lentamente revelando uma silhueta. Não era a de Astéron desta vez, mas da combatente vermelha. A luz do círculo mágico sobre a cidade refletiu em sua pele e em seus olhos profundos, agora menos humanos do que antes. Então, os lábios dela se curvaram. Um sorriso nervoso, quase selvagem, algo que fazia uma confusão com a linha tênue entre adrenalina e insanidade...
O colosso ergue sua mão com intenção de golpear a casa ao lado, mas Lilith faz uso de sua velocidade superior para pousar no solo cheio de rachaduras da cidade e passar entre as pernas do monstro, golpeando uma delas com suas garras.
Não foi profundo o bastante.
Ela não reduz sua velocidade, na verdade aproveita o impulso já gerado para criar uma distância maior entre ela e Astéron que tenta golpeá-la com sua enorme cauda, mas a liberta é tão rápida que o colosso consegue apenas abrir outra cratera no local.
Lilith não colocaria um sorriso no próprio rosto pensando em responsabilidades ou compromisso, mas com o pensamento de que estará lutando pelo intenso desejo de liberdade que cerca sua raça. Ainda que seja só uma desculpa e que haja falhas em sua forma de ver as coisas, se conseguir vencer e sobreviver hoje, poderá repensar e amanhã estará mais próximo de sua filosofia ideal.
O medo ainda estava nela, assim como a estranha euforia do combate. Ela era apenas um turbilhão de emoções enfrentando um adversário muito maior. Já ele não sabia e nem se importava com seus sentimentos.
Então, não importava. Agora, só havia uma coisa em sua mente.
Sobreviver.
A dor que se espalhou pelo seu corpo era tão grande que algumas pessoas iriam preferir ter morrido imediatamente. Todos os seus músculos carregam cortes profundos, por onde o sangue fervendo descia como magma de um vulcão. O pior é que seu corpo está tão cansado, tão ferido que o máximo que consegue fazer é soltar um gemido de dor.
Seus olhos se recusam a abrir, o aprisionando naquela dolorosa escuridão.
Era injusto que uma criatura tivesse tanto poder sem nenhum esforço, sendo simplesmente invencível atacando de frente sem se preocupar com nada, pois seus erros são perdoados pela resistência absoluta que carrega, e seu sucesso é garantido em um único bom acerto, apagando todas as vezes que falhou anteriormente.
Enquanto isso, Talin não podia errar em nenhum momento.
Seus lamentos e culpas não durariam para sempre, pois o momento que ele aguardou acabaria chegando. O peso e a dor em seu corpo lentamente começam a desaparecer enquanto sua força retorna, fortalecendo sua respiração e lhe concedendo novamente o direito de abrir os olhos.
A magia de cura de Théo o trouxe de volta.
Ele se senta no chão e olha para seu atual estado. Os trapos que restaram de suas ombreiras e peitoral são completamente inúteis agora, e coube a ele removê-los com um sentimento de gratidão, afinal, se não fosse essa armadura ele estaria morto. Ela cumpriu seu dever.
A camisa branca que estava por baixo da armadura, revelou diversos cortes também, mas ainda era possível de usar sem lhe incomodar. A parte inferior de sua armadura carrega diversas rachaduras, mas talvez ainda aguente um golpe ou dois. Todos os ossos quebrados e músculos foram curados.
— Excelente trabalho… Théo.
Foi inevitável para o curandeiro não se recordar de Anderson, afinal, não pode recuperar aquele companheiro, mas ter ajudado Talin agora o trouxe um pequeno sentimento de compensação pelo que não conseguiu fazer em relação a Anderson. O curandeiro assente com a cabeça.
— Lilith precisa do senhor.
Dispersa, a espada de Talin estava ao lado do curandeiro que a pegou e entregou ao comandante.
— Estamos no limite, senhor Talin. Se não derrotarmos Astéron agora, não teremos forças para resistir aos monstros menores ao final da batalha — o curandeiro se colocou de pé, olhando ao redor.
Talin se levantou e fez o mesmo, percebendo pequenas presenças ocultas nas sombras, esperando o final do combate. O comandante olhou fixamente para o mago do núcleo da existência, e então lhe fez a seguinte pergunta.
— Você é capaz de utilizar magia de morte?
O curandeiro normalmente hesitaria, mas ele tem reforçado tanto sua determinação nesse dia, que soou quase natural a forma direta que ele respondeu.
— Eu nunca evolui o núcleo, mas sou capaz de utilizar todas as magias básicas da vida e alma e morte.
Talin inicialmente pediu para que o curandeiro evitasse ficar próximo de Astéron e não foi só pela questão psicológica. Sendo tão fraco fisicamente, o curandeiro não conseguiria evitar nenhum ataque do colosso, mas o comandante certamente subestimou a determinação de Théo.
Inicialmente ele não parecia tão confiável, mas agora os olhos daquele curandeiro mostram mais determinação do que algumas horas atrás. O comandante levou a mão ao ombro do curandeiro, e então disse.
— Conto com você, Théo.
Théo segurou firme o próprio cajado, o apertando com intenção de se aproveitar daquela estranha motivação que estava sentindo. Ele não poderia deixar ela ir embora e estragar tudo.
Ele sabe o que Talin espera dele, e essa magia vai drenar quase toda sua mana. Se isso evitar que tanto Talin quanto Lilith fiquem incapacitados, certamente é algo que valerá a pena. Até porque com a quantidade de mana que ele tá agora, ele não poderia ficar curando outras pessoas com os mesmos ferimentos que o comandante estava há poucos minutos.
Ao ter se encontrado durante a batalha, sua mente recebeu uma carga extra de energia muito maior do que ela poderia sonhar, como se o lado selvagem de sua essência tivesse se unido à sua identidade. Lilith não poderia suprir suas emoções, mas podia as redirecionar como uma fonte de energia extra.
Com sua velocidade tão superior à do colosso, ela pôde perceber que essa batalha também estava sendo difícil para ele. Apesar de abençoado por um poder tão absurdo, Astéron tem seu raciocínio limitado e não encontrava soluções de anular essa diferença, apenas se enfurecendo mais e mais.
Em meio a essa fúria agarrou um grande pilar de concreto no chão e o balançou em horizontal, buscando liquidar a mobilidade de sua adversária que repete aquele maldito truque de correr em sua direção e passar por baixo de suas pernas. Astéron larga o pilar e balança sua poderosa cauda que novamente só encontra o solo que é destruído pelo seu poder. O sentimento de frustração se une ao seu rugido.
A expressão confiante e selvagem da liberta ganha mais forma com o sorriso que cresce em seus lábios. Em sequência, suas sobrancelhas se erguem em surpresa ao perceber o comandante entrando em seu campo de visão, escondido na sombra de um bloco de terra a alguns metros de distância de Astéron. Ele indicava o lado direito do monstro, sussurrando ‘’Ataque’’.
Com seus olhos tão afiados, a liberta pode fazer essa leitura labial, e apesar de não entender quais eram os planos do comandante, sabia que ele queria que o monstro tivesse a atenção roubada.
Ela parou sua corrida recebendo o olhar de Astéron que inicia seu próximo movimento. Lilith sente sua respiração pesada e seu coração batendo tão forte que a qualquer momento poderia saltar do peito. Isso indicava que apesar de seu corpo não estar em seu melhor, ela ainda tinha energia para lutar. Pisa forte no chão, deslocando-se em alta velocidade rumo a direita do monstro que tem dificuldades em acompanhá-la, vendo apenas um vulto vermelho. Ao se colocar à direita, ela grita de forma selvagem captando a atenção do colosso que se vira em sua direção.
O comandante com sua espada em mãos nem conjurou a magia de camuflagem, apenas disparou à toda velocidade cortando o vento à esquerda do monstro e apesar de não ser tão rápido quanto a companheira, conseguiu o impulso necessário para realizar um salto enorme até alcançar o ombro de Astéron.
Talin fica surpreso ao perceber que o colosso não o notou, estando completamente focado em Lilith. Determinado a não perder nenhum segundo, realiza um segundo salto passando sobre a cabeça de Astéron, descendo sobre o campo de visão dele, caindo de cabeça para baixo.
Frente ao rosto daquela aberração, Talin mostrou seu pior olhar como se buscasse intimidá-lo. Sem esperar qualquer reação, realizou um corte certeiro planejado desde o início, tão veloz que parecia ter ignorado a resistência do ar e do monstro que teve sua visão esquerda ceifada.
Chutou o rosto de Asteron, tendo o impulso para ir em direção a Lilith.
O monstro se descontrolou levando a mão boa até o rosto, grunhindo descontroladamente ao ter perdido uma parte tão importante de si mesmo. Tão absoluto durante toda sua existência, Astéron agora se mostra mais frágil do que nunca.
Em toda sua existência nunca foi tão ferido e desafiado. Acostumado a esmagar seus adversários, Astéron se encontra coberto de sensações e emoções desconhecidas que descarregam em seu ser incessantemente. Um turbilhão intenso que lhe causa uma péssima euforia que o obriga a sacudir sua enorme estrutura de forma descontrolada, procurando alívio para toda sua dor.
Gritos de dor e desespero do colosso.
— Ainda não acabou, Lilith.
— Vamos!
Astéron imerso em seu próprio sofrimento não notou seus inimigos até que eles golpearam sua perna em conjunto. Talin aproveitou o momento para fazer uma sequência de cortes ao lado direito. Lilith com suas garras, em um frenesi tentará romper toda aquela resistência pela esquerda, numa sequência incessante de cortes com suas poderosas garras.
Numa ação mais instintiva do que qualquer outra coisa, o colosso desceu seu braço ainda bom contra os inimigos que insistiam em lhe desafiar. Talin e Lilith saltam para longe e observam aquela poderosa garra abrir um buraco no solo, rochas lançadas pelo impacto alcançam seus corpos.
Essas rochas abrem feridas superficiais que são ignoradas pela dupla, imersa no êxtase da batalha.
— Desgraçado insistente… — Lilith vociferou com um novo corte em sua bochecha.
Seus olhos ferozes se arregalam ao perceber um pequeno homem correndo em direção a Astéron, prestes a gritar para que o curandeiro não se aproximasse, Talin passou ao seu lado como um trovão arrastando a ponta de sua espada no chão, criando um eco que captura a atenção do colosso que estava reagindo de forma mais lenta do que nunca.
— É agora ou nunca, Lilith!
O comandante a chamou e ela o seguiu de forma instintiva, com tamanha velocidade que o tempo de tudo ao redor pareceu desacelerar. A liberta não sabia o que exatamente era para fazer, mas sentiu-se à beira de um precipício, como se o fim de tudo estivesse a um passo de distância.
O comandante havia dito a Théo que abriria a brecha necessária para que ele conseguisse tocar o colosso. Reduzir a visão do monstro e o colocar num estado de hiperfoco sobre ele e Lilith foi uma aposta necessária para criar esse cenário. O curandeiro decidido não precisou pensar muito quando viu essa oportunidade surgir, provavelmente a única coisa que Astéron estava vendo e ouvindo eram os dois insetos venenosos que o atacam em conjunto.
Théo passou os últimos segundos canalizando a magia mais poderosa da morte, Astéron confiante apenas de sentidos básicos nunca teria notado esse acúmulo de poder. Seria assustador demais tal calamidade ter afinidade com a mana.
A energia negra da morte que normalmente cobria o cajado, agora cobre o braço direito do mago da existência como um enxame de insetos de névoa negra, lembrando moscas aglomeradas. Théo não tinha nem metade da velocidade de seus dois companheiros, mas isso não importava agora.
Seu coração parou quando viu a cauda instável de Astéron ir em sua direção. O Curandeiro se atirou no chão e sentiu o vento gerado pela cauda bater em seu corpo, mas o fato de seu coração ter voltado a bater, prova que aquela cauda apenas passou sobre ele.
No ápice do primeiro nível da magia da morte, está a habilidade de tirar a vida do alvo através de um toque. É claro que a efetividade disso contará diretamente no nível do poder do mago e do alvo, e Théo não teria a capacidade de eliminar Astéron, mas isso não muda o que viria a ocorrer.
Astéron no momento que se preparou para golpear Talin e Lilith, sentiu algo frio subir pela sua perna, e foi algo tão rápido que logo alcançou suas espinhas que congelaram. Mas o pior sentimento veio depois, quando esse mesmo frio pareceu se tornar um par de mãos gigantes que apertam seus órgãos brutalmente.
Uma baba nojenta escapa de sua boca, acompanhada por uma enorme quantidade de sangue. A consciência do monstro pesa enquanto seu único olho olha para o responsável por esse dano interno que acabou de receber. Ele ergue a mão para atacar, mas sua consciência apaga por um momento e quando retorna, seu rosto está mais próximo do chão do que nunca.
Astéron, o colosso da destruição estava caindo.
— Aaaaahhh…!
Seu olho arregalou com a imagem do comandante brandindo a espada horizontalmente em direção ao seu rosto, acertando-lhe o olho restante e o trazendo de uma vez por todas a escuridão eterna ao ter os dois olhos cortados.
Mas tomar apenas sua visão não seria o suficiente para Talin.
O comandante com toda força física e técnica, forçou a lâmina de sua espada ao limite ao persistir em um ataque que abre um corte conectando os dois olhos do monstro. O sangue daquela ferida espirrou em sua face e ele chegou ao chão junto da cabeça de Astéron.
Ainda que mergulhado na escuridão, Astéron emitiu um rugido que mais lembrou um grito de desespero. Levou a sua mão esquerda ao solo tentando ter forças para se levantar, mas antes mesmo que sua cabeça deixasse o chão, Lilith avançou com todo poder que carregava em suas garras brilhando em vermelho.
Era como se a luz da cidade tentasse embelezar aquelas garras de destruição ao refletir nelas. O ataque do comandante foi tão efetivo que quando a liberta acertou a abertura causada pela espada, suas garras penetraram a cabeça do monstro com tanta facilidade que seu braço inteiro invadiu o crânio do monstro, permitindo que seu ataque acertasse em cheio o cérebro.
Sangue violentamente escapou pelo último ferimento, sujando Lilith enquanto o braço do colosso tentava de todas as formas o colocar de pé, mas não importava o quanto ele tentasse, não enxergava. Ferimentos tão graves se espalharam pelo seu corpo que até mesmo se mover é uma missão impossível.
Sua boca se abre novamente querendo rugir, mas nada sai dela. O implacável monstro finalmente foi derrotado.
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