O dia começou negro para a equipe, as cadeiras da sala de espera do hospital, agora pareciam camas desconfortáveis.

Jones foi pegar café, tentando ainda entender como ela caiu daquela escada. Ele tinha um mau pressentimento sobre isso tudo.

Eddie parecia pronto para desmoronar. Ele ainda não ligou para Carlos, Manny ou Rafe. Não que faltasse oportunidade. Ele tinha tido vários, mas a perspectiva de uma reunião no hospital não era das mais convidativas.

Luke recebeu uma cama de hospital para dormir. Durante o tempo de espera, ele acabou tendo um desmaio e recebeu cuidados médicos. Ele podia ir quando precisasse, mas ele precisava tomar um pouco de tempo.

O resto do time apenas tentou focar em algo diferente. Ela estava em cirurgia há quase meia noite agora.

Um médico coberto de sangue, visivelmente cansado, finalmente veio até Emily. Ela se levantou, se sentindo mais cansada do que quando sentou. A noite finalmente cobrando seu preço.

— Penelope Garcia? – Ele precisava ter certeza que a agente estava aqui por ela. – Doutor Edward Riggs.

— Agente Emily Prentiss. – Ela viu Rossi se levantar. – Esse é o agente David Rossi. Estamos aqui pela Penelope.

— Não vou mentir que foi difícil. – Ele começou. – A perdemos duas vezes lá, mas ela é guerreira. Ela tinha múltiplas lacerações pelo corpo. A artéria foi cortada e ela perdeu muito sangue. Consertamos o pulso e o tornozelo, porém será preciso sessões de fisioterapia para ela voltar a andar.

— Ela está paralisada? – Emily reprimiu um grito. – Pobre Penelope.

— Não sabemos ainda. – O médico precisava consertar isso. – Ela não vai acordar por no mínimo uma semana. Ela tem uma concussão ruim e a induzimos em um coma completo antes de deixar ela acordar.

Emily tentou conter as lágrimas que saiam. Rossi a amparou, porém eles ainda tinham um assassino para pegar.

— Eu posso pedir um favor? – Rossi precisava ter esse favor. – Eu gostaria que o agente Alvez pudesse ficar com Penelope na UTI. Há um assassino à solta, ele está atrás dela e precisamos que ela fique protegida.

— Certo. – O médico ficou chocado. – Eu vou viabilizar seu pedido, agente Rossi. Mande-o daqui a duas horas. Ainda estamos arrumando tudo que ela precisa em um tempo presente.

Rossi agradeceu. Indo até o quarto de Luke, ele encontrou o agente olhando para os próprios pés no fim da cama.

— Perdeu o sono? – Rossi jogou uma garrafa de suco para Luke. – Ou está tão preocupado quanto qualquer um?

— Você não estaria? – Luke abriu a garrafa. – Laranja? Sério?

— Não reclame. – Rossi riu. – Era esse ou de kiwi com pera.

Eles sorriram. Era exatamente o tipo de piada que Penelope faria sobre sucos.

— Ela saiu da cirurgia. – Rossi viu o agente ficar rígido. – Ela vai ficar uma semana em coma, mas vai ficar bem.

— Por que eu sinto um “Mas” chegando? – Luke levantou uma sobrancelha.

— Eles não têm certeza se ela vai andar. – Rossi olhou para os próprios pés. – Pelo menos até que ela acorde.

— Há alguma esperança? – Luke esperava que sim. – Eles não têm certeza que ela não vai andar?

— Há uma possibilidade pequena. – Rossi confessou. – Ela terá que fazer fisioterapia e precisara de alguém com ela. O médico já concordou em deixar você ir com ela na UTI.

Luke não tinha certeza do que pensar. Penelope era um ser independente. Ela não ficaria em uma cadeira de rodas a vida toda. Mas sabia que se ela ficasse, ele daria uma cadeira personalizada.

Então a realidade o atingiu. Ele estava completamente apaixonado por ela. Ele nem esperou Rossi terminar para ir até ela. Ele sabia que ela estava em uma UTI no segundo andar e ele iria para lá.

A imagem dela, com tubos ligados a ela, IV’s em seu braço, um cano na traqueia enviava arrepios diretos para o coração. Ele nunca seria capaz de tirar isso da própria cabeça.

Porém ao entrar na sala, ele sentiu paz. Ele não tinha certeza se era uma coisa boa, mas a simples noção de que ela ainda estava aqui, mesmo em coma induzido era melhor que a dela estar em uma cama de metal fria no necrotério.

Ele queria esse homem. E ele queria dar o mesmo que ele deu a Garcia. Jogue-o da escada e nem se importe. Ele machucou Penelope, ele também deveria.

Quando a mão dele alcançou a dela, ele se sentiu completo. Macias, doces e pintadas de vermelho sangue nas unhas. Cabelo loiro espalhado pelo travesseiro. Seus olhos de avelãs fechados e os lábios vermelhos, mesmo com o tubo eram beijáveis.

Ele ficaria com ela. Meio que para proteção, meio que para seu próprio bem. Ver a mulher que seu coração tinha sido roubado no chão, em uma poça de sangue, com vidros espalhados o fez perceber que era hora de mudar tudo.

Pedindo um cobertor para ele e outro para Pen, mesmo que ela tivesse o do hospital, ele se ajeitou na poltrona. Pegando o celular, o cabo usb e o carregador, ele decidiu fazer algo mágico.

A lista que ela fez para ele relaxar depois de um caso estressante era perfeita. Tinha quase tudo de músicas que uma garota ouviria depois de um fim de relacionamento, porém quando ele as ouviu, ele ficou em paz.

Ele riu dessa lembrança. Ela aparentemente já tinha aprovado a seleção de músicas. Os fones brancos foram para o ouvido dela, tão calmamente ele conseguiu. Apertando o play da primeira música, ele podia ouvir as primeiras letras de Let me go da Avril Lavigne feat Chad Kroeger. Era uma música maravilhosa. Ele pegou a mão dela e adormeceu com seu cobertor.

Os primeiros raios de sol saíram em São Francisco, Eddie acordou sobressaltado. Ele se esqueceu que estava no hospital. Ele procurou Emily, Rossi ou qualquer um que estivesse à vista. Até mesmo Jones deve ter ido para casa.

— Desculpe. – Ele foi ao posto das enfermeiras. – Eu gostaria de saber sobre Penelope Garcia. Ela é minha irmã e veio para o hospital.

— O médico dela já saiu do turno, senhor. – A enfermeira informou. – Ela está no segundo andar. UTI 345.

— Obrigado. – Eddie se virou com medo.

Ela estava na UTI então as coisas estavam realmente ruins. Ele chegou a janela, havia um guarda na porta de Penelope.

— Bom dia Eddie. – Dennis cumprimentou. – Veio ver sua irmã?

— Precisava saber que ela está bem. – Eddie respondeu. – Ainda preciso saber o que ela tem.

— Você pode entrar, Eddie. – Dennis abriu a porta. – O agente Alvez vai ficar com ela.

— Ele a ama. – Eddie deu um sorriso. – Do jeito que ela merece.

Ele não entrou. Recuando para fora, ele os observou.

— Ela realmente ficou linda, Eddie. – Dennis deu um sorriso. – Com todo o respeito.

— Não é? – Eddie pegou o celular. – Vou mandar para o resto dos irmãos.

— Acha uma boa idéia? – Dennis se lembrava do que aconteceu. – Acha uma boa trazer Carlos para o hospital?

— Ele precisa crescer, Dennis. – Eddie disse. – Perdoar e esquecer.

— Boa sorte. – Dennis estava em posição de guarda. — Agente Prentiss.

— Bom dia. – Ela não parecia ter dormido. – Eddie. Vou atualizar você.

— Eu preciso de café se vamos fazer isso. – Ele não queria saber nada sem algo para se apoiar. – Se não se importar.

— Claro. – Emily o acompanhou. – Preciso de um também.

Ela precisava de café tanto quanto ele. Se fosse pelo próprio bem, talvez as coisas ficassem melhor. Mas ela sabia que não. Nada ficaria bem.