Hopeless.
1 Hopeless
Penelope sabia que um dia o destino cobraria um preço. Depois de mais de vinte anos, ela se deparou com um caso, mais um deles em São Francisco. Ela nunca quis voltar para casa.
A esquina onde seus pais morreram ainda lhe davam pesadelos a noite. Ela sabia que conflitos com seus irmãos seriam inevitáveis. Mas enfim, agora ela era uma agente federal.
Ela nunca mais falou com Carlos, Manny, Eddie e Rafe. Ela os esqueceu, sempre acreditando que eles a culpavam. Carlos, até onde ela sabia, não sabia a verdadeira razão para eles terem morrido.
Um dia, ela teria que enfrentar seus irmãos e contar algumas coisas.
E esse dia estava chegando. Abrindo o e-mail do Delegado Jones, da polícia de São Francisco, ela imprimiu direto, não querendo ver as vítimas femininas. Logo ela teria que ver, mas não antes da hora.
Pegando as pastas, ela foi até a sala de Emily. A chefe de setor, assim como seus amigos adorava Penelope e podia ler a técnica como um livro.
Mas havia um homem que queria muito mais que ler a garota. Luke virou para Penelope, à medida que ela caminhava pela sala. Ele não tinha volta. Seu coração pertencia a essa mulher. E deus o perdoe na hora que ele não fosse.
Quando ele entrou, seis meses atrás, seu coração foi definitivamente arrebatado por ela. Aquele elevador foi o ponto que sua vida passou de chata para alegre. E foi lá que ele se apaixonou por ela.
Reid jogou uma caneta em Luke, tentando tirar seu transe da deusa curvilínea.
— Então Alvez. – Ele chegou peto dele. – Algo em sua mente?
— Hã? – Ele limpou a garganta. – Não entendi.
— É tão óbvio. – Reid cantou. – Você anda caída pela nossa analista residente ou estou imaginando?
— Eu não tenho chances. – Luke pareceu perder o brilho apaixonado. – Ela só me chama de novato.
— Sim. – Spencer olhou para a amiga conversando com JJ perto da sala de Emily. – Mas acredite em mim. Ela tem mais dificuldade em lidar com mudanças.
— Mudanças? – Luke pareceu decepcionado. – Ou só comigo?
— Com todos. – Reid lembrou de Alex. – Quando Emily foi embora a primeira vez, tivemos uma agente nova. Ela parecia chateada.
— Ela me odeia. – Luke argumentou. – Mas o meu coração se apaixona por pessoas que não pode ter.
— Quer saber um segredo? – Reid sussurrou. – Penelope Garcia nunca pode odiar alguém.
— E isso é algo bom? – Luke teve suas esperanças renovadas. – Não é?
— Com certeza. – Reid sorriu. – Eu ainda acredito que vocês vão namorar algum dia.
Eles se olharam por alguns segundos e sorriram. Ambos achavam que isso era bom.
São Francisco, Califórnia...
— Por favor. – A mulher amarrada ao poste implorou. – Eu não conto para ninguém!
— Cale a boca. – O homem pegou o machado e foi na direção dela. – Ultimas palavras?
— Eu tenho uma filha! – Ela tentou outra vez. – Ela precisa de mim.
Ele não quis mais ouvir. Levantando o machado, ele cortou o pescoço da garota em uma única vez. O corpo ficou pendurado pela corrente no braço da garota e ele logo desfez deixando-o cair no chão.
Colocando uma foto da filha da mulher, ele esperou que seu único alvo viesse de volta para casa. Ela não iria ignorar mais ele. Não depois que ele fez tudo isso.
Colocando uma foto da mulher que ele sempre amou junto com a vítima mais recente, ele se sentou na poltrona, logo depois de desovar o corpo.
Se ele estivesse pronto, ela estaria aqui.
Washington. D.C
— Garcia. – Emily bateu na sala da amiga. – Me enviaram um caso novo.
— Eu não recebi nada novo. – Pen falou. – Mas por que enviar para você diretamente?
— Acho que eles não tinham seu email. – Ela precisou mentir. – Se for possível, você precisa estar junto nesse.
— Em campo? – Penelope achou estranho. – Eu posso fazer daqui.
— Não Pen. – Emily se ajoelhou a frente da amiga. – Precisamos de você lá. Você não vai a campo, porém é mais acessível assim.
Penelope não entendeu o motivo, porém não questionou.
— Vamos apresentar o caso em dez minutos. – Emily se levantou. – Veja se tem uma mala de viagem pronta.
— Sim. – Penelope assentiu. – Eu já vou para a sala.
Emily assentiu e saiu. Se apoiando na parede, ela respirou. Ela não podia contar porquê de ela ter recebido o e-mail. Uma foto de Penelope foi deixada com a vítima. Ela não podia contar sem aterrorizar a técnica. Não depois de ela ser alvo dos Dirty Dozen no ano passado.
— Emily. – Rossi viu a preocupação da amiga. – Tudo bem?
— Preciso contar algo para você. – Ela respondeu. – Reúna todos, menos Garcia no meu escritório antes do briefing do caso.
Rossi assentiu. Chamando todos os agentes, eles entraram quietos.
— Eu vou falar rápido e não quero interrupção agora. – Ela viu todos assentirem. – Nosso próximo caso é na Califórnia e temo que Penelope possa estar em perigo. – Ela levantou a mão quando Luke tentou interferir. – Vamos levar ela conosco, porém, em hipótese alguma vocês podem dizer a ela sobre o suspeito ter deixado uma foto dela na vítima recente.
Eles se olharam e concordaram. Eles obviamente tinham noção de que ela suprimira a informação da cópia de Penelope. Nenhum deles queria ver a técnica assustada antes da hora.
Eles saíram, cada um em seu próprio mundo, com suas cópias e Walker sabia que haviam coisas estranhas nisso, porém ele apenas não questionou agora. Ele conhecia Penelope o suficiente para saber que ela não era uma mentirosa e que haviam coisas que ela não queria dizer, mas ele iria conversar mais com ela.
— Nosso próximo caso é na Califórnia. – Emily clicou no controle. – São cinco vítimas até agora. Nenhuma ligação aparente. Todas mães solteiras, com filhas.
— Foram decapitadas? – Reid perguntou. – É um método cruel, considerando que provavelmente elas estavam vivas.
— Ele gosta de infligir dor. – Luke se viu concordando. – E gosta de deixar mensagens com as fotos das garotinhas nas mulheres.
— Talvez seja alguém que não pode ter filhos? – Tara perguntou. – É uma tentativa de sequestrar uma garota para fazer um filho com ela?
— Haviam sinais claros de estupro nelas. – Rossi argumentou. – Alicia Baker estava com uma semana de gravidez. E ela havia sido levada há dois meses.
— Era a vítima número um. – Reid explicou. – Ele tentou fazer um filho com ela e ela claramente engravidou dele, porém ainda assim ele a matou.
— Não temos certeza do que estamos enfrentando aqui. – Emily suspirou. – Você vem conosco Garcia. Ele mexeu com os notebooks das vítimas e você é ótima em recuperar qualquer dado. Busque sua mala.
Todos olharam para a técnica com expectativa enquanto ela saia. Virando para Emily eles viram que ela estava claramente com medo.
— Chegando na Califórnia vou pedir uma escolta para ela. – Ela prometeu. – Se importa Luke? Walker? Posso colocar vocês na escolta?
— Conte comigo. – Luke disse rapidamente. – Estarei com ela.
— Eu também. – Walker confirmou. – Eu adoraria fazer parte disso.
— Ótimo. — Emily estava aliviada. – Partimos em 30 minutos.
Pegando a mala, Penelope sentiu uma ansiedade além do normal. Ela iria voltar para casa outra vez. Ela não sentiu vontade de enviar um olá para seus irmãos.
O delegado Jones era o delegado que havia investigado a morte dos pais dela. E ela se sentiu triste por isso também.
Emily sendo extremamente preocupada com ela só aumentou a própria preocupação. A chefe de seção fazia isso sempre que alguém estava em perigo e parecia estar nesse mesmo caminho.
Largando as preocupações de lado, ela resolveu que iria colocar sua melhor cara e ir sorrindo. Essa não era hora de sentir pena de si mesma. Era hora de ir para casa.
Luke foi em direção ao lar de Penelope, como ela adorava chamar. Era extremamente ela em cores e decorações e ele sabia que acharia algo para complementar.
— Ei. – Ela o viu na sua porta. – O que faz aqui, novato?
— Sou sua escolta na Califórnia. – Ele respondeu, sincero. – Emily anda preocupada com esse homem e ela vai dar escolta para as mulheres da equipe.
— Com quem JJ, Tara e Ela vão ficar? – Pen não comprou a história de imediato. – Então?
— Emily e Tara vão ser a escolta uma da outra. – Luke foi fundo nesse argumento. – E JJ vai com Rossi. E talvez Reid vá com Emily e Tara. Walker vai ser da sua escolta também, Pen.
— Ok. – Ela o olhou confusa. – E eu tenho escola extra, porque eu ando desarmada.
— Sim. – Ele sorriu. – Então não se preocupe por eu tentar tirar sua pureza.
— Cale a boca, Luke. – Ela tentou mudar de assunto. – Vamos apenas chegar ao avião.
JJ e Rossi já estavam no jato com Emily e Tara. Ambos com medo de falar algo.
— Vamos apenas deixar Penelope no escuro sobre o cara perseguir ela? – Rossi verbalizou. – Sabe que essa é pior coisa que podemos fazer.
— Eu vou dizer. – Emily respirou fundo. – Só preciso de um tempo antes de isso acontecer.
— Ela vai descobrir. – Reid apenas disse ao entrar. – E não vai ficar feliz. Mesmo que fosse para própria proteção.
Eles sabiam que era verdade. Quando Garcia descobrisse, não seria uma hora feliz. Emily colocou as mãos na cabeça e suspirou.
— Vou contar a ela no jato. – Ela decidiu. – E eu quero que vocês coloquem fones de ouvido e finjam dormir. Menos você JJ. Vai ser de ajuda para controlar a ansiedade dela.
— Voltar para casa nessas circunstâncias é estressante. – JJ tirou um comprido. – Estar sendo caçada por deus sabe lá quem é pior.
— Mas vamos fazer funcionar. – Emily ouviu a SUV parar do lado de fora. – Agora por favor, mantenham segredo.
Penelope entrou, com Luke a suas costas, com uma mão protetora. Walker entrou logo em seguida e deu um olhar para Emily. Agora estava estranho.
— Mê de um minuto. – Prentiss se desculpou. – Qual o problema?
— Luke e sua boca grande. – Walker respondeu. – Disse que você ordenou proteção para as garotas nesse caso.
Ela deu de ombros e isso praticamente viria algo. Ela só esperava que o time entendesse.
— Vamos repassar a ordem de proteção. – Emily olhou direto para Penelope. – Rossi vai com JJ para a cena de crime. Spence, você vem comigo e Lewis para a outra cena de crime. Walker e Luke para a delegacia com Penelope. Ninguém pode ficar sozinho nesse.
Eles logo entenderam quando Luke suspirou aliviado. Ele deu uma desculpa esfarrapada e Penelope havia comprado.
Penelope olhou pela janela do jato, desejando ter ficado no FBI, em segurança. Ela não entendia tanta proteção.
— Uma palavra, Penelope? – Emily a conduziu para a parte de trás do jato. – Há algo que suprimimos para seu bem.
Penelope ficou tensa. Ela sabia esse tom. O mesmo que Hotch dava quando algo dava errado com um agente.
— O suspeito deixou uma foto sua na vítima mais recente. – Emily relutamente deu a foto para Penelope. – Estava escrito “Nós nos veremos de novo, Penelope. ”
Penelope fechou os olhos, engolindo em seco. Ela entendeu a proteção extra e tudo.
— Eu não espero que nos perdoe. – Emily colocou uma mão no ombro dela. – Só espero que entenda porque fizemos isso.
— Proteção. – Garcia suspirou. – Apenas proteção.
— Tente descansar, Pen. – JJ deu-lhe a pílula. – Vai ser uma longa viagem.
Ela tomou a pílula e fechou os olhos. Com medo do que estava vindo.
Haveria algo mais nisso tudo? Penelope adormeceu e esperou que não tivesse pesadelos com isso.
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