Hopeless.

3 Decisões.


— Sinto muito pela sua perda, Penelope. – Sua tia lhe deu um abraço. – Estamos aqui se você precisar.

Pen lhe deu um sorriso torto e saiu do meio da multidão. Ela precisava de ar. Indo até os balanços que ficavam em frente a capela, ela colocou sua cabeça nas mãos e chorou.

— Estou sempre com você. – Charles a abraçou. – Acha que poderia vir morar comigo agora?

— Preciso de uma semana. – Pen lhe deu um olhar cheio de lágrimas. – Tenho que finalizar tudo e embalar as coisas deles.

— Eu vou esperar. – Ele beijou e a saiu. – Sempre vou.

Ela não iria contar a ele que iria fugir. Ele não era o seu homem perfeito. E nesse momento, tudo o que ela queria era fugir.

Hoje...

— Temos outro corpo. – Emily viu a expressão de Penelope ficar triste. – Talvez você deva ir ao hotel, pen. Você precisa descansar.

— Ok. – Ela pegou a bolsa e Luke. – Você vem, novato?

— Logo atrás. – Ele deu outro sorriso. – Ligue se algo for encontrado.

Ele abriu a porta do SUV logo depois de conferir se não havia bombas por perto ou no carro. Arriscar a vida de Penelope não era um dever, era uma missão. E ele estava adorando.

— Eu fui embora. – Pen quebrou o silêncio. – Apenas deixei todos para trás e fui para San Jose sem nenhum arrependimento.

— Não estou te julgando. – Ele estava calmo. – E eu entendo esse negócio de fugir. Eu mesmo já fiz isso. Sendo um agente infiltrado, tive que fugir muito.

— Eu tinha um namorado. – Pen revelou. – Ele se chamava Charles. Nós planejamos casamento e filhos. Mas eu fugi e nunca mais o vi.

— Soube algo dele? – Luke apertou o braço de Pen em uma curva. – Sabe se pode ser ele.

— Tudo o que sei é que Charles morreu em um acidente. – Penelope contou. – Corpos queimados demais para identificar.

Luke a deixou em seu próprio mundo. Ele não queria estressar Penelope. Ela parecia cansada do dia na delegacia.

— O elevador está quebrado. – O gerente avisou. – Temos escadas.

— Obrigado. – Garcia estava com sono. – Estou precisando dormir.

— Por que você não vai na frente? – Luke pediu. – Eu levo as malas assim que as recuperar no carro.

— Obrigado. – Penelope subiu as escadas, inconsciente do homem que a esperava. – Por que precisa ser tão alto?

— Talvez porque eu precise que seja. – Charles parou na frente dela. – Quanto tempo, Penelope.

— Charles... – Penelope se lembrou de onde estava. – Eu pensei que você estivesse morto.

— Os relatos sobre a minha morte foram muito exagerados. – Charles riu. – Eu precisava de uma saída legal.

— Você matou aquela gente toda queimada? – Penelope abriu os olhos. – Por que fez isso?

— O incidente com o fogo não foi minha culpa. – Charles a encurralou na parede. – Mas foi ótima para renascer.

— Por favor... – Penelope torcia para Luke chegar. – Me deixe ir em paz.

— Com todo prazer. – Ele a pegou, a virando para o espaço entre ela e a escada. – Tchau Penelope.

Ela se sentiu caindo e batendo com força no concreto da escada. Rolando quatro lances dela e batendo no espelho do saguão, ela gemeu quando sentiu que tinha parado.

Luke estava falando com o gerente e pedindo para ele mudar o quarto dele para um adjacente com Garcia quando ruído de alguém caindo foi ouvido. Quando Penelope surgiu no chão e passando pelo espelho, Luke esqueceu tudo e correu até ela.

— Penelope! – Luke estava frente dela. – Meu deus. Preciso de ajuda, rápido!

— Já chamei a ambulância. – O gerente olhou para Penelope no chão. – Ela está sangrando demais.

— O espelho cortou a artéria da perna. – Luke procurou um pulso. – Vamos, P. eu sei que você pode lutar.

Um gemido baixo, mas claramente dela foi ouvido. Luke começou a chorar, não sendo possível fazer nada no momento. Ele não podia mover Penelope com medo de mais sangue ser perdido.

Os paramédicos chegaram rápido e começaram a trabalhar em Penelope ainda no chão do hotel. A multidão se juntou para ver a cena.

— Corte na artéria. – Um paramédico começou. – Possível tornozelo quebrado, pulso quebrado e uma concussão. Ela precisa de sangue e hospital agora.

— Eu posso ir com ela? – Luke estava em pânico agora. – Por favor.

— Apenas não fique no caminho. – O paramédico viu Luke assentir. – Senhorita. Pode nos dizer seu nome?

— Ela não reage, Mads. – O assistente falou. – Coloque o monitor cardíaco nela.

— No três. – Ele pediu ajuda a Luke. – 1,2,3. Vamos.

O celular de Emily vibrou, no mesmo instante que de toda a equipe. Algo estava acontecendo e não era bom.

— É de Luke. – Reid verbalizou. – Penelope caiu da escada e atravessou o vidro.

Ouve um suspiro coletivo e Jones se aproximou.

— Ela está bem? – Ele tinha lágrimas nos olhos. – Ela vai ficar bem?

— Estão levando ela para o hospital. – Emily respondeu. – E eu não sei se ela vai ficar bem.

Ouvindo a conversa, Eddie se aproximou. Ele não queria ver Penelope se machucar, porém se ela morresse, ele nunca poderia dizer o quanto ela significava para ele.

Todos pegaram seus pertences, bolsas e qualquer coisa e correram para as SUV’s em espera. Com as sirenes ligadas, eles ultrapassaram sinais e leis de transito.

Emily se sentiu doente. Uma foto de Penelope sendo atendida estava na internet e ela resolveu que assim que vissem a amiga, ela buscaria a pessoa responsável e a faria pagar com a vida.

Luke segurava a mão na de Penelope. Ele não queria acreditar no que estava acontecendo. A mulher que ele amava em perigo de vida, sangrando a sua frente. Ele queria se chutar e gritar por ter deixado ela sozinha.

— Ela está alinhada! – O paramédico tirou a mão de Luke de Penelope. – Preparar 200!

— Afastar! – O responsável por dar o choque gritou. – Sem reação!

Tudo o que Luke podia era fechar os olhos e chorar. Haveria tempo para quebrar depois se ela vivesse.

Agarrando a medalhinha que Pen deu a ele no natal, ele orou. Seu coração estava a sua frente, praticamente morta.

Não teria como ele tirar essa imagem tão cedo. Ele ouviu os bips voltarem. Ele não prestou atenção a nada mais durante cinco minutos.

— Precisamos correr agora. – Mads disse. – Ela venceu essa, mas não sei se poderemos trazer ela de volta na próxima.

Chegando na emergência, Penelope foi levada diretamente para a cirurgia. As roupas dele estavam cobertas pelo sangue dela. Era estranho ele estar congelado e sem reação.

Ele certamente deveria gritar para deixar que ele fosse até ela, porém ele sabia que cada segundo valia agora. Então ele apenas se sentou e esperou.

Rossi, JJ, Tara e Reid entraram pelo corredor e o viram completamente quebrado. As lágrimas eram necessárias no momento.

Walker e Emily ficaram no posto de enfermeiras. Eles precisavam conversar com os dois paramédicos que atenderam Penelope.

— Eu não sei o que dizer. – Mads estava destruído. – Ver alguém tão maravilhosa naquele estado, me fez chorar.

— Conte o que viu quando chegou. – Emily entendeu o que Mads passava. – Do momento que chegou até o check up dela.

— Havia muita gente em volta, tirando fotos. – Ele ficou zangado. – Como se fosse um espetáculo. O agente Alvez tentado estabilizar o corte na perna dela. Pela quantidade de sangue, eu posso afirmar que ela cortou a artéria dela.

— Ela atravessou o espelho? – Walker estava anotando? – Ou uma janela?

— Um espelho. – O assistente falou. – Eram espelhados e tinham pedaços de alumínio neles.

— Provavelmente do espelho logo antes da escada. – Mads relembrou. – A gravidade da concussão sugere que ela foi jogada de um degrau, batendo a cabeça e rolando por talvez quatro ou cinco lances de escadas.

Emily fechou os olhos. Ela precisava de um tempo depois disso.

— Acha que ela vai viver? – Walker fez a pergunta. – Dada a gravidade dos ferimentos?

— Eu espero que sim. – Mads respondeu. – Não me sinto bem quando um deles morre. Parece piegas, porém eu sei que durmo melhor a noite quando eles sobrevivem.

Os dois agentes agradeceram e foram se sentar com os amigos. Seria uma longa noite.