Hopeless
17 Tranquilidade.
Notas iniciais
POV Alvo
- Sabe, tem uma coisa que eu não entendo nessa história toda. – eu soltei de repente
Estávamos todos em volta da fogueira, comíamos os peixes e frutas que Scorpius e Rose conseguiram antes. Esta última estava com o pescoço enfaixado com as mesmas ataduras que usamos na perna de Lylian, mas havíamos lavado antes. Tínhamos de nos virar com o que estava ao nosso alcance.
- O quê? – Lylian sussurrou
Tudo estava muito silencioso ali. Nós não falávamos muito, não nos atrevíamos a perturbar o silêncio contido que podíamos sentir de tão intenso.
- Como você sabia atirar Scorpius? – perguntei diretamente para o loiro
Ele estava ao lado de Rose e pelo jeito aqueles dois não se largariam mais depois do que aconteceu. E eu até gostava disso, porque vendo o que Scorpius fez, eu sabia que ela estaria bem em qualquer lugar.
- É uma história complicada. – o loiro deu de ombros, mas todos percebemos que ele estava tenso
O silêncio se instaurou novamente, mas agora nós é que não queríamos falar. Queríamos respostas, que ele não estava disposto a nos dar.
- O pai dele tinha uma arma. – Luke que respondeu, ele passou um braço por cima dos ombros de Lylian e a puxou para mais perto – Quando éramos pequenos, antes de Hogwarts, descobrimos a arma no escritório dele. Começamos a brincar, porque não sabíamos o que era. Não fomos criados no meio de coisas trouxas. Ela estava carregada.
- Vocês dois são malucos. – Rose que falara, a voz dela ainda estava fraca, mas estava se recuperando bem
- Foi uma sorte não acertar nenhum de nós. – Luke suspirou e encarou o loiro sorrindo de lado – O pai do Scorpius ficou maluco quando ouviu o barulho. Ele correu para lá e abraçava o loiro e ralhava com ele ao mesmo tempo. Foi bem divertido.
- Mas não foi divertida a história que ele me contou. – Scorpius respirou fundo e decidiu falar por fim – Eu fiquei de castigo por dias, Luke não podia ir lá em casa e eu não podia brincar. Quando ele resolveu me tirar do castigo, ele sentou comigo e disse que antes de eu ir para Hogwarts, ele me contaria tudo.
A mão de Rose segurou a dele, era quase como se ela soubesse da história. Como se o apoiasse. E só então eu percebi, e acho que fui o último, que eles tinham algo desde antes, há muito tempo. Provavelmente Rose já sabia de tudo porque já tivera conversas assim com ele, só com ele.
- Ele me levou a um campo um dia antes de eu ir para Hogwarts pela primeira vez. Estava com a arma na mão. Foi lá que me ensinou a atirar. Ele disse que quando se casou com minha mãe, foi para salvar a honra da família. Ajudar meus avós. – ele suspirou pesadamente e todos percebemos que aquilo era difícil para ele – Eles não se amavam. Meu pai contou que ele nunca precisou mais de alguém do que naqueles momentos, mas que minha mãe não o amava e ele se sentia frustrado. Então ele comprou a arma e iria se matar, disse que queria da forma trouxa, queria mostrar que havia mudado, mas não havia mais jeito. Naquela noite minha mãe contou que estava grávida de mim.
- Wow. – eu me surpreendi – Eu não esperava nada parecido com isso.
- Mas seus pais se amam agora. – Alyss estava intrigada e continuou olhando para o loiri
- É claro que sim. – Scorpius finalmente sorriu, maroto – Eu acho que se amavam antes, só não tinham percebido. E é engraçado, porque eles dizem isso o tempo todo um para o outro agora, quando pensam que estão sozinhos.
O silêncio agora fora mais calmo, mais prazeroso. O sono estava tomando todo mundo, mas ninguém queria confessar.
- Eu fico de guarda. – prontifiquei-me
Eles sorriram e se afastaram um pouco aconchegando-se nos bancos que havíamos ido buscar no lugar anterior que estávamos. Alyss ficou ao meu lado, enganchada em meu braço.
***
POV Alyss
Eu sentia como se meu corpo flutuasse, sem peso algum, sem precisar respirar. Era algo estranho, mas perto de toda a tensão dos últimos dias eu me sentia muito bem. Eu só queria sair dali flutuar. Ir mais além.
- Alyss. – a voz me chamou de novo, a mesma que ouvi nos primeiros dias aqui na ilha
A voz da minha mãe. E como eu sabia que era dela?
- Venha. – e eu não a vi, mas sabia para onde ir e o pior é que eu queria
Sorri. Era tão bom saber onde ir e saber que ficaria bem. Será que era realmente verdade?
- Alyss. Alyss. – a voz mudara agora, estava mais estrangulada, mas ao mesmo tempo baixa
E era a voz dele. Daquele de quem gostei a vida inteira, de que sempre amei. Mas os pensamentos que vinham a minha mente só me faziam crer que ele me enganava.
- Ele nunca vai amar você. – a voz suave, que eu gostava dizia mais ao longe – Ele nunca vai deixar de ser o famoso Alvo Potter, nunca vai ficar com você de verdade. Terá outras. Você nunca terá amor. Venha comigo.
- Alyss. – Alvo me chamava ao longe também, eu estava dividida, parada entre dois pontos – Alyss, pelo amor de Merlin acorde!
Seu desespero fora tão grande que eu abri meus olhos focalizando-o. Ele ainda estava sentado a beira da fogueira e eu acabara de dormir em seu ombro. Seus olhos estavam preocupados, eu podia notar, e, acima de tudo, eu podia sentir, que eu quase partira. De alguma forma isso quase acontecera.
- Está tudo bem? – ele me perguntou baixinho, suas mãos emoldurando meu rosto
Eu não consegui refrear as lágrimas daquela vez, eu simplesmente chorei, sem querer, sem pensar e o abracei. E ele não me decepcionou, só me abraçou de volta com força.
- Era ela. Era ela de novo. – eu solucei em seu peito – E eu iria segui-la Al, eu iria junto com ela.
- Do que está falando? – ele me afastou um pouco só para me encarar, olhar em meus olhos e eu me sentia segura quando ele fazia isso
- Eu a ouço Al, o tempo todo. Eu ouço minha mãe me chamando. – eu arfei – Por todo lado, a todo minuto. Eu só não queria assustar mais ninguém.
Ele não sabia o que falar, ficou apenas me encarando por um tempo, mas no íntimo eu sabia que ele não me achava louca. Ele jamais pensaria isso e eu pensava estar confortada.
- Nunca conheci sua mãe. – ele engoliu em seco e eu sabia que teria de responder isso algum dia, então meio que já estava pronta
- Não conhece porque ela morreu. – eu me afastei dele olhando as últimas chamas da fogueira
- Você ouve a voz de sua mãe morta? – ele pediu de supetão, eu o encarei de forma indignada – Ok, desculpa! Fui indelicado. Eu só...
- Eu ouço sim. Mas isso só aconteceu aqui na ilha. – eu me expliquei – Desde que cheguei.
- Bom, todos nos sentimos estranhos aqui. O que mais a voz diz para você? – ele segurou minha mão seu corpo bem próximo do meu
- Diz para eu me afastar de você. – eu não iria mentir, ele precisava saber a verdade e eu precisava ver sua reação
Não me surpreendi nem um pouco quando ele se afastou rápido e soltou minha mão. Seus olhos perscrutavam meu rosto.
- Por quê? – ele pediu simplesmente
- Eu não sei. Mas a voz não gosta de você. – eu dei de ombros
- É melhor dizer, é a voz da sua mãe e ela não gosta de mim. – ele suspirou
- Mas eu gosto. – sorri para ele – Eu não sei como Al, mas eu quase segui a voz em sonho e eu penso que se tivesse ido, eu não teria voltado mais.
- Não fale isso. É horrível. – ele tocou meu rosto com cautela
- Foi você que me fez voltar. – eu sorri fracamente
***
POV Lylian
Fazia mais de uma hora que eu estava na cachoeira, quando Luke finalmente apareceu. A manhã era fria, mas eu gostava da temperatura da água naquele momento. O moreno estremeceu ao entrar e seguir até mim.
- Sério, não sei como consegue levantar tão cedo, quando não temos nada para fazer. – Luke me segurou firme pela cintura
- Hoje é o primeiro dia calmo Luke, ou melhor, que se inicia calmo. Você percebeu? – eu passei meus braços pelo seu pescoço – Sem piratas, sem sequestro, sem armas, sem nada. Eu me sinto bem.
- Eu também me sinto bem, em paz. – ele sorriu, mas quando seus olhos se voltaram para mim ele estava malicioso já – Mas posso te deixar queimando, ruiva.
E eu não tive tempo de responder, porque seus lábios atingiram os meus em uma velocidade incrível. E ele não fizera para ser gentil, ele quis ser violento, quis magoar. Mas eu gostei. Porque no fim de cada toque eu conseguia sentir o carinho que ele dirigia a mim.
Suas mãos me apertavam com força, queimavam minha pele. Eu não conseguia sentir realmente onde ele estava, porque sua boca percorria meu pescoço, meu rosto, meus lábios e meu colo. Só percebi aonde íamos quando suas mãos atingiram meus seios. O sutiã que eu usava não foi empecilho para ele, porque logo eu estava sem.
Ele me impulsionou para cima e eu entrelacei minhas pernas em sua cintura, seus lábios desceram calmamente fazendo um rastro quente em minha pele até atingir meu seio e o colocá-lo na boca. Eu praticamente gritei quando isso aconteceu.
Luke riu e voltou a me beijar nos lábios, suas mãos ficaram mais calmas, passeando pelo meu corpo.
- Você quer isso? – ele perguntou, seus olhos transbordava carinho
Eu sorri colocando a mão em seu rosto, eu queria e muito. Mas eu tinha receio e ele sabia por quê.
- Não vou machucá-la. – ele sorriu e me deu um selinho demorado – Prometo fazer tudo com muita calma.
- Você me enlouquece. – eu ri jogando a cabeça para trás
Ele se abaixou e beijou meu pescoço, sua língua descendo junto com as gotas de água. Suas mãos subiram para meus seios e ele os apertou com leveza.
- Hey. Largue ele agora. – uma pedra atingiu a água ao nosso lado
Eu me afundei mais na água e Luke ficou a minha frente.
- Alvo está vindo para cá, é bom achar a parte de cima da roupa dela, Luke. – Rose estava sorrindo, Scorpius estava mais atrás de costas
Droga. E isso não foi por estar ferrada com meu irmão, mas sim porque eu o queria e agora não conseguiria olhá-lo sem esperar o final disso.
- Você ainda vai ser minha, pequena. Ah vai. – Luke me beijou com gosto e mergulhou procurando meu sutiã
Fale com o autor