Hopeless
8 Saudades, Confissões e Desculpas por Lylian Potter
Notas iniciais
Ps: Música Dias e Noites.
Beijos
POV Lylian
Eu beirei a inconsciência por muito tempo, ouvia os passos a minha volta e alguns gritos agudos, podia sentir o cheiro das folhas, mas não sentia meu corpo. Parecia que eu o havia deixado em algum lugar enquanto minha alma vagava sem rumo. Era bom. Eu não sentia dor, não sentia nada.
Por alguns segundos eu sentia uma mão quente e macia sobre minha testa, depois um pano gelado e mais tarde um beijo na testa com enorme carinho. Não me lembrava quem estava ali comigo, mas eu me sentia segura. Mesmo sabendo que ali era o único lugar onde eu deveria sentir medo.
Quando finalmente dei por mim e me senti completamente acordada a dor se alastrou pela minha perna como se eu tivesse arrancado-a naquele momento. Mas eu era forte, eu aguentaria de qualquer maneira.
- Está acordada? – ouvir aquela voz forte falando comigo era como continuar sonhando
Abri meus olhos e me deparei com ele sentado em minha frente, segurava um coco em uma mão e no outro uma espécie de casca de árvore.
- O que é isso? – perguntei sentando-me e logo me encostando a árvore atrás de mim
- Rose disse que você precisa se manter hidratada. – ele deu de ombros e me entregou o coco
Já estava quebrado e eu pude tomar água proveniente de seu interior, eu estava sedenta e nem sabia, mas terminei em questão de um minuto mais ou menos.
- Tem mais disso? – perguntei sorrindo
- Estamos racionando, encontramos apenas um coqueiro e não queríamos entrar demais na mata esta noite. – ele sorriu e me entregou a casa de árvore, Havaí peixe frito ali – Scorpius e Rose foram para a cachoeira, diz que há um pedaço do rio mais abaixo que está secando, há bastante peixes ali morrendo e eles trouxeram alguns, Al acendeu uma fogueira com um isqueiro que tinha. Só não vai durar para sempre.
- Vocês assaram o peixe? – eu sorri – Eu queria ter visto isso.
Eu engoli em seco, a dor estava aumentando demais. Talvez fosse melhor dormir novamente.
- A dor está grande, não? – ele sorriu – Posso te ajudar se quiser.
- Ah é? – eu o encarei – Como?
- Bom, dizem que quanto mais endorfinas você liberar, menor é a dor. – Luke sorriu malicioso – E também o prazer diminui a dor.
- Pra... – eu respirei mais rapidamente, agora o beijo voltara a minha mente
- Fique calma, seu irmão está por perto! – ele riu da minha cara – Estique o braço!
Eu o fiz com receio, ele puxou a manga do moletom que eu usava e então tirou um canivete do bolso, em seguida fez um corte pequeno em meu braço. Foi muito rápido, eu nem pude impedir.
- Ei! Você é louco? – puxei meu braço de forma rápida – Você me machucou.
- É, mas se esqueceu da dor. – ele rolou os olhos
Eu acabei percebendo que era verdade e sorri, mas o silêncio já havia se instalado entre nós agora. Eu não conseguia perguntar o que eu realmente queria e eu tinha a impressão de que ele também queria falar sobre isso, só não sabia como começar.
- Rose está feliz. – eu olhei por cima do ombro dele
- Ela voltou assim desde que saiu com o Scorpius. – Luke abaixou a cabeça – Seu irmão gosta dela, não é?
- Eu nunca notei, por quê? – franzi o cenho para ele
- Acho que vamos ver dois amigos brigarem se ficarmos aqui muito tempo. – ele respirou fundo
- Espero que não, porque a Alyss é e sempre foi apaixonada pelo meu irmão. – eu mordi o lábio inferior – Luke?
- O que foi? – ele levantou a cabeça me encarando
- O que disse antes...quando...quando...
- Quando te beijei? – ele sorriu de lado
- É, sobre o que disse na gruta, é verdade? – mordi meu lábio de forma ansiosa, não queria demonstrar, mas era impossível diante daquele olhar dele
- Não completamente. Não sei se vou amar você algum dia ou se isso será para sempre, mas eu sei que você ocupa muito meus pensamentos nos últimos meses. – ele segurou minha mão entre as dele – Mas por que quer saber?
- Porque foi a coisa mais linda que alguém já fez por mim. – eu sorri
- Você acordou! – Alyss pulou ao nosso lado sorrindo
Luke tirou a mão rapidamente e levantou voltando para perto da fogueira. Logo em seguida, Alvo e Rose também se aproximaram.
- Como está se sentindo? – Al perguntou baixinho
- Bem melhor. – eu sorri para ele – Obrigada a todos, principalmente à você, Rose.
- Sabe que eu faria qualquer coisa por você! – Rose sorriu e segurou minha mão – Está com muita dor?
- Não tanta. – eu sorri por dentro
- Acho que devemos enfaixar sua perna e assim poderá andar e tudo. – Alyss verificou o corte – Vai ficar bem e iremos para casa.
- Ou não. – Alvo olhou o chão – Desculpe Ly, não era para você estar aqui.
Ele iria levantar e sair dali, mas eu segurei sua mão. Há muito tempo Al e eu não conversávamos, não éramos mais irmãos. E agora eu não deixaria mais essa chance passar. Não mais.
- Eu quis vir. – ele me encarou – E não me arrependo. É a primeira vez em muito tempo que você fala comigo assim tão perto.
Eu não sei se foi o que falei ou o modo como falei, mas sei que no segundo seguinte ele estava me abraçando e eu correspondendo. E eu nunca me sentia tão bem.
- Quero dormir, você fica aqui comigo? – pedi baixinho
Ele sorriu e sentou ao meu lado me puxando para seu peito. E eu me agarrei a ela e me permiti fechar os olhos finalmente em paz.
- Quando sairmos daqui... – eu murmurei baixinho – Vamos continuar assim, não vamos? Juntos?
- Eu não sei. – ele abaixou os lábios quase até meu ouvido e murmurou baixinho – Eu estarei sempre por perto e esperarei até que queira vir até mim, mas tudo depende de você.
Eu me agarrei em sua jaqueta com força, eu não queria perdê-lo, não de novo. Nunca mais.
- Eu quero que continuemos tão perto quanto agora. – sussurrei – Não quero mais me afastar, descobri que não vale a pena perder um irmão por alguém que nem me importa.
- Mas você continua com ele. – Al acariciou meus cabelos
- Talvez não queira mais. – olhei para cima encontrando seu olhar – Eu acho que...mereço mais...
- É claro que merece. – ele sorriu – E eu sei quem quer você.
Agora ele sorria malicioso, mas seu olhar era extremamente carinhoso. Agia como um irmão e eu amava isso.
- Se eu fosse você eu deixava rolar. – ele beijou minha testa – Ele é diferente Lylian, é, eu não sei como posso estar dizendo isso, mas o acho perfeito para você! E eu gostaria que ficasse com ele.
- Mas ele é seu amigo. Você deveria ficar com ciúmes. – eu ri com gosto
- Eu sei. E tenho ciúmes. Mas se é para perder minha garotinha para alguém, que pelo menos seja para alguém que vai fazer dela a sua vida. – ele suspirou – Não gosto do Taylor. Nunca gostei.
- Eu também não, Al! – deixei uma lágrima escapar – Eu perdi você por besteira. Desculpa.
- Não precisa chorar, está tudo bem agora! – ele limpou a lágrima de meu rosto e me aconchegou – Agora durma, estarei aqui quando acordar.
E eu fechei meus olhos, não adormeci de imediato, primeiro fiquei apenas ouvindo sua voz leve e grave sussurrar as palavras naquela melodia antiga:
Que amor é esse tão grande assim
Amor de anjos que existe em mim
Se você sai, basta estar longe
Tudo é deserto, é triste sim
Que amor é esse que a gente sente
Não tem maior, não, é diferente
Dias e noites, mesma paixão
Só sei te amar, sou teu irmão
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