Hopeless
9 Lembranças e Surpresas -- Por Alyss Blackmonn
Notas iniciais
Beijos
POV Alyss
O vento soprava frio e eu me abraçava com os braços para tentar parar de tremer. A areia que batia em minhas pernas a mostra por causa do short curto queimava enquanto meus olhos lacrimejavam. O sol nascia na água do mar ao longe, isso me dava uma leve localização de qual lado estávamos. Porém, a ilha continuava deserta.
- Você acorda cedo.
Eu estremeci ao som da sua voz, isso sempre acontecia quando ele me pegava desprevenida. Eu gostaria que o que eu sinto por ele não fosse tão real, talvez seria menos doloroso então.
- Não consigo dormir. – eu o vi sentar ao meu lado, muito próximo a mim – E você, por que está aqui?
- Acho que não precisa saber disso... – ele sorriu de forma constrangida e deu de ombros
- O que pode me afetar agora? – eu sorri – O que acontecer aqui, não sairá daqui, não é assim?
- Bom, quando eu era pequeno...eu...bem... – ele mordeu o lábio inferior e me encarou, parecia quase assustado – Promete que não vai rir?
- Alvo Potter, quantas vezes já riu de mim? – eu o cutuquei nas costelas, ele riu
- Ok. Eu fazia xixi na cama. – ele fechou os olhos e fez uma careta – Não ria. Mas eu não sabia como acontecia, era involuntário.
- Aham. – eu segurei o riso, mas sabia que ele falava a verdade
- É sério! – ele suspirou por fim, sorrindo – Isso se tornou um problema aos meus pais. Então, uma noite, meu pai dormiu comigo e ficou me acordando de hora em hora para saber se eu gostaria de ir ao banheiro. Mas eu nunca queria. Até que às seis da manhã eu quis. A partir daquele dia, meu pai sempre me acordava e então nunca mais aconteceu aquilo que me deixa constrangido!
- E ele continua te acordando? – eu não resisti
- Alyss! – ele ralhou comio, mas sorria – Não, eu me acostumei a acordar esse horário. Até tentaria dormir de novo, mas vi que não estava lá.
- Se preocupou comigo, foi? – eu voltei a olhar a frente
- Sim. – ele falou calmamente, eu me voltei de imediato para ele – Você é legal Alyss. Pode achar que não ou fingir que não é, mas você é legal.
Ele não me olhou, simplesmente continuou a encarar o nascer do sol no mar. Eu suspirei e me voltei para frente olhando aquele mar laranja e aquelas nuvens rosadas despontarem no céu. Era uma imagem linda, digna de um encontro romântico ou algo mais. Não era o nosso caso.
- A ilha está em completo silêncio. – eu murmurei
- E você esperava o quê? – ele franziu o cenho e voltou a olhar para mim
- Gritos. Nossos nomes ecoando por aí. – eu mordi meu lábio tentando segurar as lágrimas – Pensei que eles podiam ter nos encontrado já.
Ele nada disse, ficou em silêncio, mas quando caiu a primeira lágrima e ela correu pelo meu rosto, senti seu corpo colar ao meu e seu braço passar pelos meus ombros.
- Também quero que nos encontrem. Mas não acho provável que isso vá acontecer tão cedo. – ele beijou meus cabelos em um gesto de carinho – O que temos de pensar agora é em sobreviver e cuidar uns dos outros.
- Você é sempre tão sensato e correto. Acho você estranho. – eu ri, mas não deixei que ele se afastasse
- Eu nem sempre sou assim. – ele deu de ombros – Sabe, eu tenho medo Alyss. Medo de perder qualquer um de vocês!
- Acho que todos temos. – eu segurei sua mão sobre meu ombro, nossos dedos se entrelaçaram, mas nenhum de nós se atreveu a quebrar o silêncio que se seguiu
Nós dois ficamos ali, sem dizer mais nada um ao outro até que o sol nascesse completamente. Então ele se levantou tirando a areia da roupa e me estendeu a mão.
- O que vamos fazer agora? – perguntei, não estava com medo, mas estava perdida
- Você eu não sei, mas eu vou explorar essa ilha. – ele sorriu
- Al? – chamei-o baixinho
- O que foi? – ele se voltou para mim, minha respiração falhou
- E se tiver algo perigoso? – eu engoli em seco, mas desta vez não era medo
- Não vai haver nada perigoso. – ele sorriu
Eu respirei profundamente e fechei os olhos. Será que só eu me sentia estranha ali? Quando eu me preparava para seguir em frente, eu senti meus lábios serem prensados por algo quente e macio. A surpresa foi tão grande que não me atrevi a abrir os olhos. Mas eu sabia o que era aquilo. Era um beijo casto.
E tão rápido como veio, aqueles lábios se foram. Abri meus olhos devagar e o vi na minha frente como se não tivesse se mexido. Ele sorria.
- Por que está aí parada? – ele sorriu – Scorpius já acordou!
Então ele me puxou de volta para onde dormirmos na noite passada e eu fiquei confusa sem saber se sonhara com aquele toque ou se ele realmente me beijara.
- Onde estavam? – Scorpius nos encarou assim que entramos na clareira
- Vendo o nascer do sol. – Alvo deu de ombros
- Um encontro? Aqui? Você está falando sério? – o loiro fez uma careta
- Pare de ser idiota. – Alvo rolou os olhos – Alyss não estava aqui quando acordei, só fui procurá-la.
Scorpius assentiu e começou a trocar a camiseta por uma da mala. Então ele parou e me encarou.
- Nenhum sinal de nossos pais, não é? – ele pediu temeroso, mas com esperança
- Não. – eu suspirei
Fazia apenas um dia, mas para mim parecia mais uma eternidade. Abaixei-me ao lado da minha mala e comecei a achar uma roupa limpa. Foi quando ouvi aquela voz. Era baixinha e cristalina. E sabia meu nome. Alyss. Ela cantava por todo lado, chamando-me para algum canto que eu desconhecia.
Levantei-me, assustada. As roupas presas contra meu peito que sentia meu coração reverberar apressado.
- O que foi? – Al viu minha reação
- Vocês não ouviram isso? – perguntei olhando de um para outro, os outros continuavam dormindo
- Não ouvimos nada. – os olhos de Scorpius se encheram de esperança
- Estava me chamando. – eu respirei profundamente e dei alguns passos a frente em direção à floresta densa
- Alyss, não! – Al segurou meu braço, em seu rosto havia preocupação – Você não sabe o que tem lá.
- Mas seja o que for, sabe meu nome. – eu estava calma agora, e isso também me assustava – Parece a voz da minha mãe.
- Isso é só o seu psicológico. Deixou você assim porque está sozinha e com saudade de casa. – Scorpius se adiantou para mim também
- A última vez que ouvi a voz da minha mãe, fazia dois dias que eu havia nascido. – eu falei devagar, mas uma urgência crescente de ver o que se escondia naquelas árvores
- Você não pode se lembrar. É teoricamente impossível! – Scorpius se afastou dois passos
- Ok. – soltei meu braço da mão de Alvo de forma brusca – Não vou entrar. Mas nunca mais diga do que eu sou ou não capaz Scorpius Malfoy.
Eu saí com passos rápidos para a cachoeira, talvez um banho gelado me fizesse esquecer o que eu ouvira e o que eu queria descobrir e ver.
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