Hopeless
10 Não Estamos Sozinhos
Notas iniciais
Espero que gostem!
Beijokas
POV Rose
Muitas coisas haviam mudado.
A ilha era estranha, solitária e perdida no mundo. Não sabíamos o que fazer, pensar ou escolher. Então fomos levando por um tempo, enquanto ainda podíamos desfrutar do que conseguíamos sem nos afastar, mas aos poucos a tristeza foi tomando conta de cada um, de cada coração.
Não havia mais risos, brincadeiras ou abraços. Não havia mais beijos. Éramos como fantasmas estranhos até para nós mesmos. Mas não conseguiríamos viver assim por muito tempo. Não mais.
Dias haviam se passado e tudo o que fazíamos era ir até a cachoeira e talvez um pouco mais abaixo no rio para pegar peixes. Os cocos do único coqueiro que encontramos já haviam acabado e morreríamos de fome se não pescássemos o suficiente para todos.
- Eu quero ver o que tem lá dentro. – eu disse baixinho, pensei que ninguém havia me ouvido, mas todos se voltaram para mim – Eles não vão vir buscar a gente. Está na hora de tentar sobreviver.
Meus olhos encheram-se de lágrimas, mas ao final desta semana, sete dias após o avião cair, eu já não conseguia mais pensar que meus pais me encontrariam ali.
- Sabe, nós podemos viver melhor. – eu me levantei e engoli em seco, tinha de ter positividade ou não conseguiria convencer ninguém – Podemos fazer uma cabana, temos ferramentas para isso! E trazer os bancos do avião, eles podem servir de cama e explorar a ilha atrás de mais alimentos.
- Você está nervosa. – Scorpius se aproximou até parar na minha frente – Por isso está falando sem respirar.
- Eu só quero fazer alguma coisa... – suspirei, uma lágrima escorreu pelo meu rosto – Não quero morrer assim...
- Não vai. – ele apenas sussurrou e tocou meu rosto com os dedos limpando as lágrimas
- Rose tem razão. – Alvo respirou fundo – Vamos começar agora! Luke você consegue tirar os bancos? Lylian não consegue andar muito ainda e sei que ela prefere a sua companhia a minha.
- Ok, vou aproveitar para procurar mais algumas coisas no avião. – ele se levantou – Alyss e Lylian ficam comigo, vocês procurem comida, bambus e tudo que ajudar para fazer fogo e uma cabana para nós!
E eles finalmente tinham entendido, mas aquele vazio dentro de mim continuava. Agora doía como se eu nunca mais fosse voltar para casa. Como se nunca mais estivesse ao lado de quem amo.
Alvo foi até a pilha de coisas que tínhamos tirado do avião, eu respirei fundo enquanto esperava, mas senti alguém segurar minha cintura com leveza e me puxar para além das árvores onde não pudessem nos ver.
- E se nós tivermos que morar aqui? – o loiro perguntou de forma séria – E se isso for para sempre?
- Pelo menos todos estamos juntos, não? – eu dei de ombros fingindo não me importar
- Alvo gosta de você. – ele levou a mão à cabeça, em um gesto típico de nervosismo
- É claro que gosta! Ops, ele nunca disse isso a vocês não é? – fui irônica
- Exatamente! – Scorpius pareceu não entender – Como posso ficar com você sabendo que ele quer você também?
- Al não me quer. Nunca quis. – eu franzi o cenho – Do quê está falando?
- Luke me contou. Disse que Alvo gosta de você. – ele engoliu em seco – E eu me sinto o maior canalha do mundo por fazer isso com meu amigo. Mas não consigo parar.
- Escute Scorpius, Al realmente não gosta de mim dessa maneira! – eu dei um sorrisinho nervoso – Ele e eu somos amigos, primos, como irmãos! Nada demais!
- E se ele gostar de você? – o loiro se aproximou segurando minha cintura
- Eu deveria ficar com ele. – dei de ombros
Os olhos dele se apagaram um pouco, mas parece que ele não iria ficar bravo como eu esperava. Parece que ele havia desistido.
- Por que Rose? – ele se afastou de forma calma – Por que ele e não eu? Estivemos juntos por um ano e você terminou tudo sem ao menos me dar uma explicação! Eu não sei o que fiz...
- Vocês estão prontos? – Al apareceu ali na clareira, segurava uma mochila leve caso precisássemos de alguma coisa
- Estamos sim. – eu sorri para meu primo e enganchei em seu braço para prosseguirmos
Depois de alguns segundos foi que Scorpius nos seguiu.
***
POV Draco
Quando Scorpius saiu de casa para aquela viajem, nós havíamos brigado. Não pela viajem em si e nem pelo filho do Potter. Nós brigamos pela filha do Weasley. Eu encontrara uma foto dos dois nos jardins de Hogwarts, eles não estavam abraçados e nem nada, mas o olhar que ele lançava a ela era cheio de sentimentos.
Meu filho apaixonado por uma Weasley?
Naquele momento era totalmente inaceitável. Mas agora eu faria o casamento dos dois se pudesse ter meu filho de volta.
Todos estávamos reunidos na sala da mansão Malfoy para discutirmos onde mais procurar por nossos filhos, mas parece que o silêncio atingira a todos e pesara em nossos corações. Não sabíamos o que fazer. Esse era o fato. E esse era nosso problema.
- Quero meu filho de volta. – eu me levantei da poltrona e sem encarar ninguém continuei andando e falando – Acho que todos queremos.
- Faz uma semana, nem sabemos se estão bem! – Blaise suspirou de forma cansada
- É claro que estão, são nossos filhos! Sobrevivemos a uma guerra lembra-se? – eu sorri de canto – Eles sabem se virar! Só precisamos achá-los e trazê-los de volta!
- Procuramos em todos os lugares mapeáveis e não encontramos. Devem estar em um local mágico! – o Potter se voltou para Hermione como se ela pudesse responder alguma coisa
- Impossível. – a morena suspirou – Não podemos localizar locais imapeáveis. A magia que contém neles é exatamente para isso, para ninguém achar.
- Ninguém trouxa achar! – Astória sorriu – Somos bruxos temos como ver e chegar lá.
- Então teríamos de ser nós a procurá-los e não alguma guarda costeira ou algo do gênero? – Gina saiu da janela e se aproximou de todos nós
- Acho que se esqueceram de algo. – Luna finalmente abrira a boca para falar alguma coisa
Por experiência própria eu sabia que ela era meio avoada, mas sempre pensava mais profundamente que nós e suas respostas eram sempre melhores. Era isso que Blaise vira nela.
- Luke sabe aparatar. – ela encarou o marido – Você mesmo ensinou isso a ele, Blaise, e por algum motivo ele não voltou.
- Scorpius também sabe e não voltou. – eu baguncei meus cabelos com uma mão de forma nervosa
- Eu acho que onde estão, eles não podem usar magia. – Luna abaixou a cabeça – Isso para não pensar algo pior.
E finalmente tudo o que parecia verdade caíra sobre nós. Se não haviam voltado ainda é porque não podiam, ou melhor não conseguiam. Mas eu me negava a pensar que meu filho estava morto.
- Então iremos quando? – eu ergui a cabeça de forma imponente, ninguém tiraria essa ideia de mim
***
POV Luke
Lylian andava mancando e por isso eu a deixara no início da praia, assim não correria o risco de se molhar completamente e acabar ficando doente. Alyss estava comigo. A maioria dos bancos estava completamente molhada e não poderíamos usar, mas havia alguns que conseguiríamos pelo menos utilizar as almofadas.
Alyss revistou o avião de forma completa enquanto eu levava os bancos para a praia, mas foi só quando faríamos a última viajem até a praia é que notamos que Lylian não estava mais ali.
- Ly? – chamei um pouco mais alto do que falávamos
- Para onde ela foi? – Alyss parou ao meu lado, seu braço rolando no meu, estava com medo
- Eu não sei. – sussurrei
- Aqui. – ouvimos a voz da ruiva vindo de uma subida um pouco adiante na praia
Ali era onde havíamos enterrado o piloto, nunca mais fomos lá. Parecia um local sagrado demais e ao mesmo tempo nos deixava com medo.
- O que faz aqui? – aproximei-me dela por trás e passei minha mão pela sua cintura
- Não estamos sozinhos. – ela olhava o chão a frente, sua voz embargada
O túmulo improvisado estava vazio. Fora escavado até o corpo que não jazia mais ali. E em volta, na terra fofa, havia pegadas de pés humanos descalços e alguns com sapatos. Eles adentravam a floresta e se perdiam do outro lado da ilha.
- Mas estávamos tão perto. – Alyss nos encarou – Teríamos ouvido.
- Mas não ouvimos. – eu olhei a volta – Talvez ainda estejam por aqui.
- Não! – Lylian segurou meu braço com força – Há sangue no chão e eu não tenho uma boa impressão quanto a isso!
- Tudo bem, não vamos procurar. – eu a apertei contra mim
- Precisa achar meu irmão, eles precisam voltar. – ela se virou de frente para mim
- Não vou deixar vocês duas sozinhas. Nem pensar. – toquei seu rosto, mas ela se desvencilhou de mim – Ok! Se até o anoitecer não voltarem, eu farei alguma coisa.
- Promete? – ela pediu, seus olhos cheios de lágrimas
- Prometo. – lhe dei um selinho e a puxei novamente para onde havíamos acampado
Por algum motivo eu sabia que algo estranho acontecia ali e tudo o que eu esperava era que eles não se metessem em encrenca porque não tínhamos muito para onde fugir.
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