Hopeless
23 Medos
Notas iniciais
Beijos
POV Scorpius
Meu corpo parecia tão pesado que eu chegava a pensar em não sentir ele. Eu queria vagar com minha mente por todos os lugares, sem precisar sair do lugar. Era estranho, completamente fora do normal, mas era a única coisa que minha mente se permitia pensar.
Eu estava enlouquecendo.
Tentei me lembrar de onde estava, mas nada veio a minha mente, tentei pensar nos meus amigos, mas não me lembrei quem eram eles. Tentei rever em pensamento minha família, mas ela estava distante e difusa. Tentei tantas coisas, mas naquele momento, eu não era ninguém.
Abri meus olhos enquanto suspira lentamente, o que eu estava fazendo ali mesmo? Tinha alguém comigo, alguém que me abraçava e me esquentava com seu próprio calor. Percebi alguns fios vermelhos intensos sobre meu peito. Era uma garota, mas quem era ela?
- Scorpius! Você acordou! – ela se levantou de um salto e então abriu um sorriso
- Estou confuso. – foi a primeira coisa que eu disse, ela era linda e naquele momento eu só queria olhar para ela
- Você dormiu por três dias. – ela falou com cuidado – No início todos dormimos, mas você não acordou, fiquei preocupada.
Ela me conhecia, isso era um fato. Havia chorado, outro fato. E eu não queria magoá-la, mas não sabia o por quê. E agora não sabia o que dizer.
- Está tudo bem? – ela estendeu a mão e tocou meu rosto, senti o cheiro emanando de sua pele e percebi que eu gostava daquilo
- O que aconteceu? – olhei a volta, sentando naquela grama fofa
- Uma neblina atingiu tudo e não conseguíamos enxergar nada. Aí acabamos dormindo. Quando acordei, Luke tentava te acordar, mas não conseguia. – ela deu de ombros
- Como sabe que dormi três dias? Se nem sabe quanto tempo você mesma dormiu? – eu franzi o cenho
Ela engoliu em seco.
- Tenho de me agarrar a isso, afinal, se dormi mais do que um dia, então amanhã já não será quarta-feira e nossos pais não aparecerão nos buscar. – ela baixou o olhar e uma lágrima escorreu pelo seu rosto
Não era o melhor momento para dizer que não me lembrava dela.
Mas se eu não me lembrava, então ela não era importante? E se não era importante porque meu coração se apertava ao vê-la chorar? Por que eu a queria por perto? Abraçá-la e não largá-la mais? Por que eu não queria dizer a ela que eu não fazia a mínima ideia de quem ela era? Eu não queria perdê-la. Mas por quê?
***
POV Alvo
Ficar trancado naquele apartamento era horrível, ainda mais sabendo que Alyss já estava a caminho do St. Mungus e que meus amigos continuavam presos naquela ilha.
De alguma forma, por saber que era minha viajem de aniversário, eu me sentia culpado e tudo o que eu mais queria era ver todos juntos novamente. Todos bem e em Hogwarts, por que agora aquela escola me fazia uma enorme falta.
- Al? – Lylian adentrou o quarto esse jogou ao meu lado na cama – Estão todos se preparando para procurar os outros. Não querem nos deixar ir.
- Eu sabia que não iriam querer. – dei de ombros – Mas pensei que não nos deixariam sozinhos.
- E não vão deixar. Papai ficará conosco. – ela voltou seu rosto para o meu
- Ele é o melhor bruxo dentre todos. Não pode ficar aqui, sem contar que não estar envolvido emocionalmente já vai ajudar bastante. – eu me levantei, bravo
- Al. Ninguém vai querer ficar. – ela segurou meu braço com delicadeza
- Eu sabia que reagiria assim. – meu pai entrou no quarto sorrindo como se sempre soubesse o que estava acontecendo
- Mas é a verdade. – eu me exasperei
- Isso é só aos seus olhos, Al. – ele sentou ao meu lado – Só sou o melhor bruxo, para vocês. Mas o Malfoy, seu tio Rony e até o Zabine são ótimos também, e seus filhos devem se orgulhar deles.
- Mas papai... – eu tentei argumentar, mas ele me encarou de forma superior, fazendo com que eu me calasse
- Tem de entender, não quero deixá-los sozinhos nem por um segundo e sei que eles se sairão bem sem mim. – ele apoiou a mão em meu braço – E também sei que está preocupado com seus amigos, mas vocês se saíram bem até agora, tenho certeza que eles estarão perfeitos quando os encontrarmos.
- Eu também confio neles. – eu olhei o chão – Tem notícias da Alyss?
- Você gosta daquela menina? – ele me perguntou, sério
- Sim. Muito. – confessei sem medo nenhum, ele merecia saber porque eu não ficaria muito tempo longe da Alyss
- O passado dela é complicado. – ele deu de ombros – E entenda que não estou querendo dizer para que se afaste, mas sim que você terá de enfrentar muitas coisas ainda por ela. Medos que ela própria tem e você terá de tirá-los. Então não se envolva se for para desistir. Isso só a machucaria mais do que já foi machucada antes.
- Eu sei. – eu suspirei pesadamente – Mas eu gosto dele. De verdade.
- Estou orgulhoso de você. – ele sorriu – Você cresceu muito Al, nesse tempo que ficou perdido. Agora realmente está virando o adulto que deve ser.
Eu sorri e o abracei.
- E quanto a você, Lylian. – ele se voltou para minha irmã que não conseguiu encará-lo – Sempre soube que era forte e decidida e me orgulho de tê-la criado assim. Mas sabe que foi irresponsável.
Ela apenas baixou a cabeça, seus olhos brilharam de lágrimas.
- Mas minha neta sempre será bem vinda e eu a amarei como amo você e seus irmãos. Com a minha vida. – ele segurou a mão dela entre as suas – Vou ajudá-la no que precisar e acatarei suas decisões, mas não pode me impedir que as conteste e que faça você ver o outro lado da história.
- Eu sei, pai. – ela ergueu o rosto para ele – Eu amo você.
- Eu te amo mais. – ele sorriu e a abraçou também
E finalmente estávamos todos nos entendendo. Então por que eu sentia que ainda não havia acabado?
***
POV Luke
Estar sozinho aqueles dias na ilha me ajudou a pensar. Pensar nela e na menina que ela carregava.
Lylian era destrambelhada, louca e muito birrenta. Ela precisaria de ajuda para cuidar daquele anjinho que iria nascer, ela precisaria que alguém a erguesse quando caísse, porque ela iria cair. Ela não era tão forte como todos pensavam. E talvez só eu a visse assim.
E aquele garoto do qual ela engravidara, não merecia nem saber que iria ser pai. Ele não merecia nada, ainda mais pelas numerosas vezes que o vi traindo ela. Lylian merecia muito mais. E esse mais, com toda a certeza, não era eu.
Mas eu gostava dela. E isso era muito se tratando de um Zabine. Meu pai demorou anos para confessar seu amor pela minha mãe. Até mesmo depois de casados, vi ele fazer isso poucas vezes. Mas ele a amava e eu vi ele demonstrar isso para ela.
Talvez Lylian também pudesse viver sob esses termos. Sem eu estar me declarando ou fazendo demonstrações de afeto, apenas estando ali, ao seu lado. Porque esse era o meu jeito e ela deveria me amar assim.
Mas e se não amasse? E se não me quisesse como eu a queria?
Eu poderia amar sua filha como minha, eu amaria vê-la me chamar de pai, de correr para mim. Eu a amaria de qualquer forma e nunca diria que não era minha. E amaria a mãe dela com a minha vida, para sempre. Bastava Lylian me deixar viver ao seu lado, participar de sua vida.
E eu não sabia nada disso, porque não havíamos conversado sobre. Mas de alguma maneira, eu sentia que faltava um pedaço em mim, pedaço este que era preenchido quando ela estava por perto.
E foi então que decidi me declarar apaixonado porque isso nada mais era do que saudade. Saudade de alguém que eu amava e gostaria de passar a vida ao seu lado. Só não sabia como dizer isso a ela. Como demonstrar que eu era a escolha certa.
E o pior de tudo isso era sentir aquele medo idiota de que ela escolhesse o outro, de que voltasse para seus braços e me esquecesse. Que dissesse que eu não fora importante.
Nunca me senti assim antes, mas agora, ali, sozinho na praia eu senti medos que jamais pensei existir. Medo de não tê-la novamente. E me vi querendo que nunca saíssemos daquela ilha.
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