Hopeless
24 Temida Realidade
Notas iniciais
Beijoos
POV Luke
Aquela noite foi a pior de nossas vidas. Passamos completamente em claro com medo de dormir e não acordar e ficarmos perdidos novamente. O fogo a nossa frente desaparecia gradualmente, conforme o sol nascia aos poucos e cobria a copa das árvores.
- Nós precisamos ir para a praia. – fora Rose quem murmurara
Ela estava sentada de frente para mim com a fogueira entre nós, descansava a cabeça no ombro de Scorpius que olhava fixamente a chama. Por algum motivo, eu não conseguia ver meu amigo ali. Alguma coisa havia acontecido.
- Você poderia ir na frente, Rose? Esperar por lá, enquanto Scorpius e eu vamos juntar tudo que sobrou aqui e apagar a fogueira? – perguntei calmamente, como se fosse a coisa mais normal do mundo
Ela sorriu fraquinho e virou o rosto para o loiro, este se deixou ser beijado de leve e a acompanhou com o olhar até que ela sumiu da clareira.
- Eu estava pensando sobre algumas coisas. – falei enquanto começava a arrumar as coisas – Esse caso que você tem com a Rose, acaba quando saírem daqui. Foi o combinado. Você se lembra, não?
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, observei suas mãos tremerem enquanto arrumava uma mala qualquer.
- Scorpius? – chamei novamente, ele me encarou de canto e confirmou com a cabeça
Pronto. Eu o pegara. E não acredito que fora tão fácil.
- Onde está meu amigo? – perguntei enquanto avançava a passos largos para ele
- Não sei do que está falando. – ele se afastou até bater contra o tronco de uma árvore
- Onde está o verdadeiro Scorpius? – segurei o colarinho de sua camisa com força, ele não me escaparia – Quem é você?
- Eu... – ele me olhou desesperado – Eu não sei.
- Você o quê? – larguei ele e o vi esfregar com força os dois olhos
- Eu não sei quem eu sou. – ele voltou a me encarar – Não me lembro. Não me lembro de nada.
- E por que não nos disse isso antes? – eu franzi o cenho, confuso
- Porque... – ele suspirou pesadamente – Quando acordei, era ela que estava aqui. E não posso magoá-la.
- Porque você a ama. – eu sorri de lado – Ah, Scorpius. O que eu vou fazer?
- Sei que é meu amigo, sei que estamos perdidos. Só não me lembro. – ele me encarou, confuso e desesperado – E sei que ela é especial. Não quero que conte para ela, só que me ajude a ser normal.
- Ninguém vai notar que tem algo errado. – eu mordi o lábio – Só eu te conheço por um olhar e talvez, seu pai. Mas ele vai fazer tudo que pedir.
Ele acenou agradecendo e suspirou, logo depois voltou a arrumar as coisas e me ajudou a carregar para a praia. Sentou ao lado de Rose e estendeu a mão segurando a dela.
E eu torcia para Rose nunca descobrir, ou aquele amor tão puro deles, estaria fadado ao fim.
***
POV Draco
A única coisa em que pensei aquele dia, era em abraçar meu filho e dizer a ele que eu jamais o abandonaria independente de suas decisões. Eu o criei um homem e deveria confiar nele e me orgulhar. Meu filho era quem eu gostaria de ter sido quando novo.
Mas quando o vi, mesmo ele caminhando em minha direção, eu senti que perdi meu filho, em algum lugar daquela ilha. E a dor que isso me causara era enorme.
- Scorpius. – eu o abracei e o senti se agarrar a mim
Algo acontecera, algo horrível acontecera. E eu não sabia o que fazer para ajudá-lo.
- Está tudo bem? – perguntei segurando-o longe de mim e olhando-o por completo
- Não. – ele sussurrou e em seguida olhou para Rose que abraçava o pai
- Vocês dois estão bem? – perguntei baixinho
Ele apenas me olhou e confirmou, mas por algum motivo, havia muita angústia em seu olhar.
- Vamos para casa e você me contará tudo. – eu o abracei e o puxei para o helicóptero
- Não há muito para contar. – ele sussurrou relaxando mais quando viu que a ruiva ficara para trás – Não consigo me lembrar da minha vida. – ele confessou por fim, baixo demais, mas suficiente para eu ouvir
- Mas sabe quem és. – eu sussurrei de volta, meu filho ainda estava ali, só que agora estava perdido
- Sim. Sei que são meus amigos, sei que é meu pai e sei que ela é muito mais do que uma amiga. Mas não consigo me lembrar. Não sei como agir.
- Vou examinar você e tentarei ajudar. – eu o vi sentar a minha frente e colocar os cintos de segurança – Não vou perder você de novo.
- Eu sei. – ele me olhou e sorriu, o olhar estava vazio – Não sei como, mas confio em você mais do que em qualquer pessoa.
***
POV Rose
Voltar para a Inglaterra, apesar de mais uma vez estarmos em um avião, foi a coisa mais fácil que fizemos. O que não foi fácil foi ver Luke, o Sr. Malfoy e Scorpius agindo estranhamente. Eu sabia que tinha algo errado, e sabia que todos tentavam me esconder, mas eu iria descobrir, afinal sou filha de Hermione Granger.
Só não esperava que com toda essa confusão que causamos ficássemos duas semanas separados e então fossemos mandados de volta a Hogwarts. Minha mãe quase enlouqueceu, queria que eu terminasse meus estudos em casa, mas meu pai a convenceu a me deixar ir.
Afinal eu voltara para casa e agora nunca mais pensaria em ir tão longe. Assim eu esperava.
Mas o que nenhum de nós contou foi que aquela ilha mexera com todos nós. Ela deixara algo em nosso interior que nunca mais seria apagado. E isso nos frustrava, isso nos fazia odiar o lugar onde estávamos.
Mas nenhum de nós contaria.
E o pior viria agora. Voltar a Hogwarts. E talvez, esquecer que todos nós éramos os melhores amigos que podiam existir.
- Rose. – Alvo me chamara mais uma vez, ele estava na porta do gabinete da diretora McGonagall
Segundo ela nós éramos os últimos a chegar, Lylian, Alvo e eu. E eu ficara parada ali, esperando para saber como seria passar por aquelas portas e ver a vida que eu preferia ter deixado para trás.
Olhei o moreno a minha frente e vi em seus olhos o mesmo medo que o meu, talvez ele tivesse mais direito ainda porque Alyss ainda não acordara, mas eu não conseguia sentir pena só dele agora, mas sim de todos nós.
- Você vai falar com o Taylor? – passei pela porta e acompanhei Lylian pelo corredor
Ela usava roupas minhas para disfarçar a gravidez.
- Tenho medo do que ele possa fazer. – ela sussurrou só para mim, mas Alvo estava perto demais
- Ele já bateu em você? – ele parou e a segurou pelo braço, Lylian não respondeu, mas não conseguia mais mentir para o irmão – Céus, Lylian! Por que nunca me contou?
- Eu não sei. – ela deu de ombros
- Eu vou acabar com ele! – vi os punhos do meu primo se fecharem
- Não. – Lylian o segurou – Espere um pouco, preciso resolver isso Al. Por favor, espere.
Al suspirou e acenou concordando, então passou um braço pelos ombros dela e a acompanhou até a sala de aula. Depois seguimos nós para a aula de Poções conjunta de Sonserina e Grifinória.
Scorpius e Luke já estavam lá, sentavam juntos no final da sala. O loiro se aprumou quando entramos, mas eu ainda não sabia o que ele me escondia e seu olhar estava indecifrável para mim. Foi por esse motivo que sentei na primeira carteira e puxei Al comigo. Pelo menos o meu primo me tratava normalmente agora.
- Você sabe o que está acontecendo, não sabe? – perguntei enquanto ouvia cada palavra do professor
Sempre gostei de estudar e tínhamos perdido muitas aulas, eu queria continuar prestando atenção, mas precisava saber sobre Scorpius.
- Ele perdeu a memória. – ele disse simplesmente, voltei-me para ele de olhos arregalados – Ninguém queria te contar, mas eu acho que você merecia saber.
***
POV Scorpius
Ela não olhara para mim. E isso doía. Mesmo eu não sabendo por que doía tanto, ou pensando que nunca havia sentido aquilo antes.
E eu sabia que o Potter iria contar, afinal, ele tinha razão. Ela merecia saber. Só que eu imaginei que quando soubesse brigaria comigo ou bateria em mim, e não que saísse correndo porta afora assim que aula acabasse.
- Eu iria atrás dela. – Luke falou baixinho enquanto guardava os materiais – Rose e você são perfeitos. Não a deixe ir embora.
Acenei para ele e segui pelo caminho que ela fizera. Não foi difícil encontrá-la, porque de alguma maneira eu sabia onde ela estaria. No corredor do quinto andar, perto de uma pintura de uma menina de vestido esquisito. Eu já a vira ali alguma vez, talvez muitas vezes.
Rose estava sentada no chão, abraçava-se com os braços e as lágrimas corriam pelo seu rosto. Sentei-me em sua frente de pernas cruzadas e fiquei esperando que me mandasse para o inferno, mas mais uma vez ela superou minhas expectativas.
- Por que não me contou? – ela perguntou simplesmente, sem abrir os olhos
- De alguma forma eu não queria magoar você. – eu dei de ombros
- Você não me conhece, Scorpius, ou conhecia e não me conhece mais. – ela abriu os olhos finalmente, fria e distante – Por que se importar?
Molhei os lábios várias vezes para responder, mas eu não sabia o que falar porque não havia explicação. Era simplesmente o que eu sentia. E pela longa conversa que tive com meu pai em casa, eu sabia o que tinha de dizer, por mais medo que eu tivesse.
- Eu me esqueci do Luke, do Alvo, do meu pai, de você. – eu fiquei olhando o chão entre nós – Esqueci-me da minha vida. Mas eu sabia que Luke era meu amigo e que meu pai era a pessoa mais incrível que eu conhecera. E sabia que você era especial.
Ela riu de forma sarcástica e se preparou para se levantar, mas eu a impedi.
- Todos vocês são importantes para mim e eu sei disso, eu sinto isso. Mas você é diferente, desde o início eu me encantei por você, tive medo de magoá-la e senti sua falta durante esse tempo longe. E eu percebi que te amo.
Ela pareceu assustada, senti o desespero dela, o medo de se machucar e a vontade de fugir, por isso segurei sua mão tentando passar confiança, querendo que ela ficasse.
- E não saber por que te amo, só torna tudo isso ainda mais real. – eu praticamente sussurrei essa última parte com medo que ela me deixasse ali sozinho, talvez para sempre
Ela respirou fundo algumas vezes, sem conseguir falar nada, finalmente relaxou um pouco e recuperou a voz.
- Então você perdeu a memória, mas continua me amando? – ela perguntou, mas não era sarcasmo agora, ela realmente queria que eu respondesse
- Sim. E estou morrendo de medo que me deixe agora. – apertei sua mão de leve
Vi seus olhos se encherem de lágrimas e então no segundo seguinte ela se inclinou a frente e me abraçou. E foi meus olhos que soltaram lágrimas dessa vez. Eu a amava e isso era um fato. Nunca iria mudar.
Fale com o autor