Hope to find my way

2 Seeing the blood shed


Notas iniciais
Hey, a Pipa Ji e Sorry Sweet obgd por favoritarem. Hope You like.

Meses se passaram, e entrei de férias na escola, o que era para ser uma coisa boa se tivesse distraída fazendo qualquer coisa divertida com família e amigos. No meu caso iria passar as férias em depressão por ver sempre a mesma pessoa, ouvir os comentário que magoam, fazer as coisas mais estupidas só para dizer que German era o máximo, ele que mandava e explorava tudo e todos, fazia o que quiser, ele era o que encarava e não tinha discussão. Era obrigatório não encarrar ele, não responder, não reclamar , não protestar.

Nossos vizinhos não deram muito alarme, pois o marido quase nunca ficava em casa e quando voltava, se trancava em algum quarto.

O garoto tinha minha idade, e sempre que eu o via , estava com fones, de cabeça baixa , ou deitado no telhado .

Aos meus 15 anos, meus pais se separaram. Minha mãe entrou com um processo contra ele, e o mesmo teve que ir embora. German tinha o direito de me ver e ver meu irmão 1 hora por semana. Meu irmão ia, era ingênuo, já eu não ficava em casa trancada. Tinha certa tristeza da minha mãe, pois ela demorou muito para entender o quão ele nos fazia mal e não fazia simplesmente nada, só olhava com arrependimento.

Quando finalmente tomou alguma providencia , ninguém a apoiou. Meus avós acharam errado se separar enquanto ainda tinham filhos pequenos, enquanto meus avós por parte de pai , enxiam a cabeça deles para persuadir minha mãe a mudar de ideia. Minha mãe acabou deixando German ficar por alguns dias em casa, que se tornaram semanas, que se tornaram meses. Era como se nada tivesse mudado , como se nunca tivessem discutido, se separado.

Fiquei muito chateada com minha mãe por ela ser franca demais para tomar suas próprias iniciativas e muito intrigada por ela se render ao ponto de aguentar todo sofrimento para agradar aos outros e deixar suas opiniões de lado. Deixar sua felicidade de lado.

Eu sabia que se não fosse eu e meu irmão ela estaria longe daqui, estaria trabalhando em uma profissão que realmente gostasse, afinal ela trabalhava como professora, pois não tinha outro trabalho por aqui em se aplicava no que ela tinha se profissionalizado. Ela era professora de Química, ela dava aulas em quatro escolas diferentes, em diferentes cidades, em diferentes períodos. Por esse motivo ela nunca parava em casa.

Uma vez ela me disse que, quando eu tinha apenas 2 anos, a chamaram pra trabalhar em um laboratório em Portugal, para pesquisar materiais como fibras, para testar produtos novos em laboratório e analisar misturas mirabolantes. Esse era o tão esperado trabalho, todo seu esforço em quatro anos de estudos na faculdade, era para esse tipo de trabalho que ela se profissionalizou. Ficou tentada a se agarrar a esse trabalho, mas ela se contentou a fazer apenas algumas teses que não exigiam que ela fosse para outro país . Ela não aceitou por nossa causa e eu me culpo por tela prendido, por tela privado de uma chance que talvez nuca mais teria e realmente, nunca mais teve.

German me olhava com raiva descomunal ,eu quase o tinha privado de ter casa de graça, comida de graça, ficar o dia todo, todo dia sentado sem fazer nada, não trabalhar era uma das melhores coisa a se fazer quando se é um hospedeiro e vivi as custas de outra pessoa para satisfazer suas necessidades , com certeza pensava que eu tinha alguma influência na quase separação, que de algum modo apoiava isso, e realmente apoiava, eu era uma das únicas pessoas que conhecia as causas para isso acontecer ,que encarrava que isso era o melhor a se fazer . Mas a opinião de uma criança não conta.

Em um dia, depois de poucas semanas de falsidade, se fazendo de inocente, puxando o saco, conversando como uma pessoa normal começou, tudo de novo. Brigas esbravejavam dentro de casa. Essa especialmente era por minha culpa. Minha mãe em seu tempo livre ficava comigo, para não me sentir sozinha, esquecida, sem ninguém. Até chegávamos a nos divertir, ficava impressionada com seu sorriso, o que era difícil de ver, era quase com se pudesse ver tamanha falta de felicidade, que qualquer momento de distração , era o mais precioso e tentava faze-lo durar o máximo, pois logo desapareceria .

A briga foi porque ela não dava a devida atenção para ele e para meu irmão, com coisa que ele deixasse Fred ficar muito tempo com ela, também por causa de ela sempre me defender dos insultos dele, o mesmo não suportava que se intrometesse em um de seus conflitos comigo ou com qualquer um , dizia que tirava sua “ autoridade” . Se ao menos fosse um sermão normal por ter feito alguma coisa errada, mas não, era sempre por coisas fúteis e sem nexo. Eles brigavam, pois em sua concepção eu era uma inútil, que não servia para fazer nada, não saia do quarto, não ficava como todas as pessoas naquela casa, o que realmente ele queria dizer era que, eu não ficava ouvindo as baboseiras ditas por ele , não fiava impressionada com suas lições de moral, não fazia o que ele manda sem questionar, e isso era o que o enxia de raiva. Ninguém o encarrava como eu, sempre fui persistente e trombava de frente com meus problemas, não me acovardava, e isso era uma coisa que eu infelizmente tinha herdado dele. E o mesmo queria que esse gênio repulsivo estivesse em Fred, o que o fazia ficar ainda mais intrigado, pois Fred era como minha mãe, não aguentava muita pressão.

Fred sempre abaixava a cabeça e concordava, quando German o encarava ele desviava o olhar não querendo enfrenta-lo. Por um lado German gostava disso, de se sentir temido, por outro esperava enfrentamento, e ele tinha isso de uma menina, que era para ser fraca, mas a mesma tinha o gênio forte que ele queria , mas não ia se rebaixar e enfrentar uma pessoa que podia ter suas próprias opiniões. Eu enfrentava seu olhar e não me acovardava, isso era o cumulo para ele.

Enquanto eles brigavam, eu estava em meu quarto , com a porta trancada e apoiada na mesma, chorando, não de tristeza, mas sim de magoa. Uma vez me disseram que ter magoa de alguém é pior do que ter raiva pois, a raiva é momentânea e a magoa fica pra sempre.

Raiva é uma “defesa” natural contra a dor. Então, quando eu disser ” Eu te odeio “ na verdade, isso quer dizer “ Você me machuca “.

Fui ao meu banheiro e arranquei uma lâmina de uma gilete, pois a antiga estava enferrujada. Sentei no chão e fiz vários cortes fundos na extensão do braço. Sangrava muito, o chão do banheiro tinha uma poça. Tentei lavar o ferimento mais o sangue não estancava. Nunca tive uma coagulação boa, e de agora menos ainda. A alguns dias cismei que eu era gorda, desde então não como mais nada, e várias vezes passei mal. Mas ninguém sabia. German não se importava comigo e muito menos se eu comia, minha mãe nunca estava nos momentos de se comer, então pra ela estava tudo normal. Antes eu pesava 60k, agora estou pesando 45k, e ainda me acho gorda.

Com o ferimento gotejando sem parar peguei um pano e o amarrei, dando várias voltas em torno do meu pulso e branco para estancar. Talvez, com sorte, a pressão do pano ajude a controlar.

Me sentei na varanda de olhos fechados e pude ouvir a porta de casa se batendo e o som do carro com certeza, German tinha saído para não fazer besteira, de novo.

Alguns momentos depois, gritos estridentes quebraram o silêncio, outra briga conturbava a rua pouco movimentada, o que achei estranho pois German não havia voltado. Abrindo os olhos me deparei com os pais do garoto, meu vizinho, brigando. Enfim a mulher conseguira pegar o marido desprevenido.

Brigavam por que ele a traia, pude ouvir o nome da mulher e xingamentos sobre ela. Por um momento o marido se descontrolou com a situação e estapeou a mulher, que caiu e chorou, xingando-o.

Percebi que isso ia durar um bom tempo. Desviando a atenção da briga procurei saber onde se encontrava o garoto. Vasculhei com o olhar o gramado enfrente sua casa, o quintal, espiei pela janela de seu quarto e nada. Foi então que me lembrei de que ele ficava em um canto no telhado. Subi o olhar e lá estava ele, com... uma lâmina na mão apontada para seu pulso.

Tudo bem que eu também fazia aquilo, mas eu sempre procurava fazer meus cortes longe da veia principal do pulso. Tinha certo pavor e aflição de ver a veia vital se romper. E o garoto posicionou a lâmina bem em cima dela. Antes mesmo de eu poder raciocinar, ele aprofundou a lâmina abrindo um enorme corte, em menos de segundos o sangue começou verter e pingar pelo telhado, e ele continuou cortando com se aquele primeiro corte não fizesse efeito. Depois de umas cinco vezes passando a lâmina fundo, ele jogou a mesma para dentro do seu quarto com raiva e se estirou no telhado deixando o sangue escorrer.

Por um momento, agindo sem pensar pulei minha varanda com dois panos na mão, passei por um lugar bem estreito e pude chegar ao telhado da vizinha. Ando por ele apressadamente para chegar ao garoto e pelo medo de cair . Chegando perto dele o mesmo se assustou quando me viu ali parada com dois grandes trapos de pano na mão e outro enrolado no braço com uma mancha enorme de sangue tentando se esvair.

Sem deixa-lo ter alguma ação ou reação, sentei perto dele no telhado pegando seu braço com cuidado, o limpando e enrolando o pedaço de pano no mesmo, com várias voltas para que tivesse pressão.

Sinceramente eu não sei o que me deu para prestar tal ato de solidariedade, mas ele era um caso semelhante ao meu , eu me sentia obrigada a ampara-lo.

Notas finais
You like It? Comentem , favoritem e recomendem. Bye.