Hope to find my way
1 Falsehood is what it all boils down
Notas iniciais
Era um noite fria, havia um temporal lá fora, como de costume depois de dias escaldantes.
Adorava a chuva, passava horas e horas, apenas vendo ela soltar toda sua fúria. Era, somente uma criança, boba, inocente, que acreditava estar acolhida em um lar aconchegante. Simplesmente amava aquele lugar, no qual chamava de casa.
Tudo isso mudou naquela noite tempestuosa.
Eram 2:00 da manhã. Eu e meu irmão estávamos acordados escondidos, observando mamãe andar de um lado para o outro, até que o telefone toca, ela desesperada atende. Recebe uma noticia, comum, para todos os efeitos, pois parecia claramente mais calma e despreocupada. Sai de casa pensando que nós estávamos dormindo.
Meus pensamentos inocentes naquela época, não entendiam a situação. Olhava para meu irmão, que entendia ainda menos. Era de se esperar , ele era mais novo que eu, alias, eu tinha apenas sete anos.
Não esperando nada de grave acontecer, voltamos para nossas camas, sem alarme, pois a uma hora dessas já era para estarmos dormindo.
Quando já estava quase inerte em meus sonhos, um estrondo e uma tremenda gritaria me despertam. Corro para ver , porque causa gritos esbravejavam um lugar de tanto conforto.
Parando na porta do quarto, olhando de relance, vi que meu irmão também despertara diante a gritaria. Voltando minha atenção para o que realmente importava, parei e olhei incrédula, nunca vira meus pais brigando, ou talvez não quisesse ver. Por um momento refleti, dias que pairava um clima estranho na casa, olhos chorosos e desiludidos.
Mas nunca dei importância, pois me preocupava mais sonhando acordada do que encarar a dura realidade.
Querendo ou não,tirei a venda dos meus olhos, onde tudo ficava melhor, e me deparei com o que de fato acontecia. Minha vida toda, ou melhor , sete anos dela, fora uma completa desilusão.
Foi nesse momentode gritos, tapas e xingamentos, que o ódio tomou conta de mim. Com punhos cerrados tomei consciência do quão eu passara a odia-lo .A briga foi tão séria que chegou a ter empurrão , e um deles foi quase fatal. Minha mãe se encontrava desacordada, com a cabeça sangrando, depois de tela batido na quina do vitro.
Meu irmão se derramava em lágrimas,de desespero, correndo para os braços do seu “pai”. O culpado de tudo aquilo fora ele, desilusões , lágrimas derramadas e vários hematomas.
Eu chorava,mas não fiquei parada , ou fui correndo para abraços falsos. Corri para socorre-la. Nem chegava a olhar paraa pessoa que alguns minutos atrás eu achava o máximo.
Com sorte nada grave aconteceu com minha mãe, e pode acreditar, no momento em que ela abriu os olhos, aquele que causou tudo foi falsamente e descaradamente pedir desculpas.
Dizem que cai no mundo muito cedo, perdi minha infância e tomei as dores da única pessoa que fora verdadeira comigo. Era, pelo menos o que eu podia fazer por ela naquele momento, e não me arrependo disso.
Nos dias que se seguiram permaneci quieta, só observando . Tudo aquilo se repetia várias vezes por dia, não tão grave , mais mesmo assim, se repetiam . Isso era constante.
Aos meus 9 anos, foi ficando cada vez mais claro para ele, que eu o ignorava, não puxava mais o saco, não achava graça de suas piadas fúteis e medíocres para disfarçar.
Foi a partir dai que tudo virou um completo inferno. Apesar de eu ficar aliviada de não ter mais que aguentar , risadas e comentários falsos, e de ter me afastado dele sem nenhuma descrição, ele não deixou isso passar impune.
Comos piores olhares significativos , começou a implicar com qualquer coisa que eu fizesse. Tudo era motivo de tapas e xingamentos.
Eu realmente , já naquela época , sentia certa repulsa só de estar no mesmo lugar que ele. Cismei que o cheiro do cigarro impregnava minhas roupas e meu cabelo, que o cheiro da cerveja me causava ânsia.
Com o tempo ele passou a se agarrar a meu irmão, e fazia o coitado de “escravo”. Não exatamente de escravo, mais ser obrigado a aguentartoda aquela conversa, brincadeiras totalmente de mal gosto e idiotas, comentários estúpidos sobre como se deve agir , sendo que o próprio agia errado.
Eu e meu irmão nos dávamos muito bem, até ele começar a implicar com meu irmão ,pois não queria que ele chegasse perto de mim, não queria que eu levasse Frederico pelo caminho onde mostrava que tudo aquilo não passava de um farsa. Mas eu sabia que , Fred estava começando a perceber isso, e a pegar as mesmas manias que eu . Mas mesmo assim querendo ou não ficar muito tempo com ele estava fazendo efeito. Várias vezes , Fred agia como German, mas depois de ver que estava se tornando igual, reparava seus erros e tentava não faze-los mais.
Fred, assim como eu mais nem tanto, tinha o temperamento estourado. Não aguentava muita pressão, ao contrário de mim,sempre gritava e respondia para German, mais isso parecia não afeta-lo já que era o único, que ele achava que ainda estava ao seu lado. Pelo menos era o que ele pensava.
Aos meus 12 anos , como se fosse possível, tudo piorou. Nos mudamos, de Madri, para Buenos Aires , em uma casa não tão bonita com a antiga, mais com certeza melhor que aquela. Na casa que eu chamava de lar aconchegante, de um momento para outro passou a ser sufocante ficarlá dentro. Mas ainda sim, era o lugar onde pude, por pouco tempo, achar que as coisas e pessoas eram boas, e que eu podia ter o que quisesse afinal.
Nem me importei com os detalhes da nova casa,fui direto para meu quarto, no segundo andar. O ultimo quarto, no fim de um extenso corredor, longe o bastante para ter um pouco de paz. Ao lado, ficava o quarto de Fred,seguido de um banheiro, e fiquei aliviada de saber que o ultimo quarto se encontrava no andar de baixo.
Inspecionando meu quarto, encontrei um banheiro grande e uma varanda antecedida por uma porta de vidro.
Permanecendo no meu quarto , onde era o melhor lugar onde poderia ficar, rodeada por minha coleção de livros preferida “ A Maldição do Tigre”, que descobri por um acaso, e com certeza , sem nenhum arrependimento foi a melhor escolha da minha vida ter comprado essa serie, e com várias musicas incentivadoras , conseguia por pelo menos 8 horas por dia, reconstruir meu antigo mundo de imaginação e sonhos, onde , entretida na história e letras de canções, pudesse viver em um lugar onde tudo que se precisasse era de uma pessoa para te apoiar e ter o mesmo objetivo que você: se livrar de tudo e de todos e seguir um caminho, sem rumo, sem planejamento e sem pessoas para te dizerem o que é certo e o errado.
Meus conceitos são diferentes, para uma pessoa com minha idade, eu não fico pensando no que a maioria das garotas com idade e cabeça de hoje em diapensam. Eu penso no futuro, não em um futuro de estudos e estudos, passar mais da metade da minha vida estudando pra não chegar a nada, casar com qualquer traste por ai,arranjar um emprego em que eu passe todos os dias fazendo a mesma coisa, ver as mesmas pessoas, mesmas conversas, mesmos hábitos. O certo era sero que querem que eu seja, trabalhar ter um futuro promissor me dar bem na vida, arranjar um marido para não ficar encalhada, envelhecer trabalhando para algum dia alguém dizer, que você tinha que ter se esforçado mais.
Isso pra mim não é viver, é sobreviver. E para uma pessoa que esta cansada de um rotina, era a maior estupides .
Meu futuro, com toda certeza, era bem longe disso,não passava nem perto.
Iria , fugir de comentários incertos, e planejamentos não decididos por mim, e seguir meu próprio caminho, para qualquer lugar , sem rumo.
E quem sabe não encontre alguém , por essa estrada incerta , que esteja com a mesma linha de raciocínio, que não aguenta mais a rotina. Tiro esses pensamentos da cabeça, pois a maioria das pessoas tem um futuro “super brilhante “ pela frente, fazendo as mesmas coisa todos os dias.
Na realidade, não espero encontra ninguém , pois ninguém consegue me entender mais que eu mesma. Desilusão é tudo que eu tive em relação ao amor. Tudo que aprendi é que ele só usa , pisa em cima e joga fora, entra destrói e sai sem dizer adeus.
Por isso mergulho nos livros, porque pelo menos neles, tem homens decentes,que realmente estão dispostos a amar , e por poucos momentos, me iludo imaginando se algum existe realmente.
Aos meus 14 anos,eu era privada de qualquer coisa, mesmo que eu não quisesse as mesmas. Realmente nunca me importei em sair , nunca me importei com popularidade, nunca discuti se prefiro Justin e Selena juntos ou separados, na verdade eu dava moral para os meninos, que não se importavam com nada, riam uns das caras dos outros, sem a mínima importância , parecendo que qualquer letra dita, por qualquer um, vire motivo de piada.
Poderiam me chamar de antissocial mas, prefiro ser uma a ser falsa. Realmente não ligo para fofocas , que falem de mim pelas costas, mas ninguém vive aqui porque ninguém mais pode.
Então German me tirava o que eu tinha de mais valor, meus livros, minhas musicas,meus sonhos. Como se já não fosse o suficiente, me isolava, me xingava de inútil, me dizia coisas cruéis, que querendo ou não , ferem nosso ego.
Primeiramente você não liga para os comentários, mas, com o passar do tempo você começa a realmente acreditar que o que ele está te dizendo faz algum sentido, e começa a achar que as outras pessoas também pensam o mesmo.
Com muito tempo de solidão, sem qualquer coisa para me distrair , conversas passadas me assombravam. Sem ninguém para conversar, sendo que a única minha mãe que quase não parava em casa, entrei em depressão. Eu tremia sem motivo, minha cabeça fervia e girava, como se eu estivesse tonta, comecei a ter problemas de nervosismo que me prejudicaram de todos os modos e em todos os lugares.
Uma vez ouvi dizerem que jovens com muitos problemas, procuram desviar suas dores e pensamentos através dos cortes, em qualquer lugar, mais precisavam sentir uma dor tão grande capaz de encobrirdores emocionais, magoas, angustias, desilusões, sofrimento, e pensando por esse lado eu me entreguei a nostalgia e comecei com o vicio deplorável dos cortes.
Em uma dia especialmente frustrante e conturbado, depois de me cortar e me livrar parcialmente da angustia, eu me encontrava sentada, em minha varanda, olhando para longe , até onde minha vista alcançava . Por um momento de desfoco , desviei meu olhar para um carro distante que se aproximava lentamente, e algumas vezes até parava.
Intrigada, continuei a observá-lo. Quando o mesmo já estava apenas a alguns metros de mim, já conseguia ouvir gritarias. Estavam um homem, uma mulher , e em uma sombra, quase invisível pelo vidro escuro do carro, o semblante de um garoto. Em alguns minutos o carro parou a abruptamente, e conseguindo ver, agora, mais claramente, o casal discute feio e o garoto estava com fones de ouvido e a cabeça abaixada entre as mãos , como se não agüentasse mais aquilo. Afinal eu não era a única com problemas.
A mulher junto com o menino saíram do carro batendo forte a porta do mesmo,e entraram na casa ao lado da minha. Que ótimo, agora só o que faltava era ter mais noites de insônia, ouvindo a gritaria dos vizinhos se misturar coma que eu já tinha em casa.
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