Hope to find my way
8 Everything has changed
Notas iniciais
Nos separamos e ambos estávamos como verdadeiros tomates e com os olhos arregalados. Saímos e nos afastamos rapidamente e fomos desejar um feliz ano novo para todos, porém qualquer um ali notava os olhares entre mim e ele, e nossos rostos continuavam a nos entregar como se tivéssemos acabado de cometer um crime.
Saímos de casa e a rua se enchia com nossos vizinhos que foram cumprimentar o bairro. Perdi Leon de vista em meio da multidão mas logo depois me perdi de todo o pessoal. Sai andando sem rumo, eu necessitava de algum tempo para colocar a mente em ordem, como se eu já não tivesse todo o tempo do mundo. Quando percebi estava no meio da ponte que ligava as margens de um dos lagos do parque iluminado da cidade. Parei por ali e fiquei a observar as folhas secas sendo levadas pela corrente.
Aquele momento definitivamente não podia ter acontecido, pela primeira vez arrumo um amigo de verdade, que me entende e que daria tudo para ser um bom ombro amigo nas piores horas, e agora tudo pode mudar e eu não quero que mude. Eu sempre tive receio do amor, pois eu sei o que ele provoca, sei que nos apegamos e de uma hora para outra ele acaba repentinamente, tudo que eu tive foi a desilusão sobre ele e nunca acreditei ser real e duradouro, isso me angustiava pois sabia que não o encontraria, mas agora minhas resistências foram por água abaixo, mas não quero ter mais uma desilusão na memória.
Por outro lado, posso estar enganada pois o melhor amor é construído com base em uma forte amizade e isso não tenho duvida alguma que nós temos. Malditos livros que agora fazem minha cabeça pensar em mil possibilidades dessa loucura funcionar, mas tem outro lugar em mim que me faz querer tentar e isso que me destrói pois na maioria de nossas tentativas nos machucam inconseqüentemente.
Lembrando-me que já se passara de meia noite e eu me encontrava no meio de um parque, resolvi voltar e bater de frente com o que vier. Nessa altura todos estarão delirando com meu sumiço.
...
Chegando em casa sem muita cerimônia avistei Leon em uma cadeira ao lado da lareira e meus familiares em volta, conversando.
Suspirei e me sentei na poltrona ao lado de Leon, o mesmo virou sua cabeça devagar e receoso em minha direção, eu apenas sorri e fui retribuída sem hesitação. Ficamos por um tempo assim, nos encarando sorrindo. Havia alguma certeza dentro de mim que crescia cada vez mais, como se todo o sangue que estivesse em meu corpo se esvaísse por completo de dentro do meu corpo e voltasse com toda força para o centro do meu coração, que bombardeava descontroladamente.
Nossa amizade era forte, indestrutível, e ninguém negava. Mas o que estaria por vir poderia se tornar inquebrável, intocável, irrelevante de qualquer coisa, essa chama que existe entre nós nunca se extinguiria. Sozinhos somos alguma pessoa buscando a diferença, juntos somos
as pessoas que fazem a diferença, apenas por se opor e se preocupar em mudar.
Depois de preciosos momentos olhando dentro de algo incomparável a alguma coisa inestimável que eram os olhos verdes safiras de Leon, em um momento de desfoco, por causa da vergonha que me dominou por segundos, olhei para o sofá onde todos param repentinamente sua conversa para nos fitar. Constrangida, tentei parecer normal ao me pronunciar
– Bom vamos dormir, boa noite- disse com uma voz meiga inesperada e inexplicável, depois devo ter feito uma careta ao subir a escada pois Leon riu ao dizer boa noite a todos, que nos acompanharam com o olhar até o andar de cima.
Adentrei meu quarto e fui no banheiro por meu pijama que era constituído por uma calça legue cinza e uma blusa de renda com alcinha, e me preparar para dormir, se é que conseguiria.
Voltei para o quarto e Leon já estava entre as cobertas fitando as portas de vidro da varanda que batiam com o vento. Fui até lá e as fechei devidamente e puxei as cortinas vinho para cobrirem o frio que insistia em atravessar os vãos da porta.
Me virei pra entrar debaixo as cobertas, foi só então que percebi o quão gelado o chão estava e eu descalça. Fui pulando estranhamente até a cama, com Leon gargalhando da minha situação. Quando finalmente cheguei na cama, sentei justamente na ponta o que me fez cair com tudo em cima de Leon, o mesmo segurou minha cintura agora com ambos rindo e sorrindo sem parar. Até que a ficha cai, e eu me desconcerto. Olho para ele o encarando receosa, o mesmo sorri e encosta seus lábios nos meus, me arrepiando por completo, era doce e calmante, poderia me encontrar e me perder ali por horas em seus lábios, que pediam e refletiam com urgência, seu desespero para se contestar.
Não era formal, nem queria que fosse, era único e isso importava. Não me incomodava o fato de não ser oficializado, tinha em plena consciência que algo formal se resumia em prisão e desconforto, ser algo que nos prende.
E de alguma forma eu e Leon nascemos para sermos livres, afinal sempre lutamos para isso, e estamos quase conseguindo cumprir nossas metas.
Nos separamos nos encarando sorrindo abobados, nenhum dia sequer me imaginei nesse estado descabelada e sujeita a um coma eminente diante Leon, o meu reflexo, o garoto da casa ao lado, que se encontrava em um caso semelhante, que um dia tive o prazer de chamar aqueles olhos verdes de amigo, um amigo sincero.
Ele puxou as cobertas da minha cama para o colchão improvisado, o transformando em um verdadeiro ninho. Quem diria que o Leon eficaz faria uma barbaridade dessas. Me abraçou e assim dormimos.
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