Hope to find my way
4 And if the world will turn against you, we will be you and me against the world
Notas iniciais
–Era em uma tarde ensolarada e parcialmente úmida, eu me encontrava na casa de minha avó pois meus pais tinham saído para se divertirem. Naquela época éramos uma família feliz. Ninguém discutia ou brigava. Nisso eu tinha 13 anos . Nesse dia, a tarde, minha mãe tinha ido me buscar e me levava para casa. Mas meu pai não foi junto. Perguntei a ela por onde ele andava e ela falou que ele disse que ia resolver alguns assuntos. Estava tudo na mais perfeita ordem até as 8 horas da noite, onde minha mãe começara a se preocupar com ele. Mais tarde ele chegou , disse que não era para minha mãe se preocupar pois nada de mal havia acontecido. Ela se contentou abraçando-o e dizendo o quão ficara preocupada com ele. Mas isso se repetia varias vezes por semana e sempre ele chagava tarde e minha mãe já desconfiava, mas não achava possível ele fazer algo assim. Até que um dia ela lavava uma calça dele e encontrou um bilhete de um pedágio, e ficou intrigada. Me colocou no carro e seguiu meu pai quando ele saiu de casa. Para sua surpresa ele ia em alta velocidade e parecia com pressa de chegar a seu objetivo. Quando finalmente chegamos, nos deparamos com uma bela casa em um belo bairro e nosso segundo carro estacionado na garagem. Olhamos pela janela e flagramos meu pai se pegando com uma qualquer. Minha mãe em choque nem esperou satisfações e voltou para nossa cidade, só esperando o momento certo. Um dia quando meu pai foi para o trabalho ela pegou o carro e voltou na casa daquela uma e encontrou a mãe dela e explicou a situação . As duas proibiram a entrada dele naquela casa. A senhora disse que fazia meses que ele ia ali , dai surgiu um ódio mortal. Minha mãe não acreditava que estava sendo corna e enganada a tanto tempo. Chegou em casa e meu paia já estava lá, e nem se deram o trabalho de me mandarem subir e começaram a discutir. Ela jogou na cara dele que já sabia de tudo e ele tentava arranjar alguma explicação. Quando não tinha mais volta a agrediu e disse que nunca a amou e ela era a única da cidade que não sabia que ele andava com várias. Isso foi o cumulo. – ele parou, respirou e continuou seu relato e eu não ousava interrompe-lo e agarrava mais seu braço tentando lhe trazer conforto. — Ela não aguentou todos a olhando e sabendo daquela calunia e ela sendo difamada daquele jeito. Tentou o divorcio mas meu pai não assinou por minha causa. Até que as brigas se tornaram mais importantes do que eu. Eles se se deram conta que para uma criança em desenvolvimento eles precisavam ensinar e dar , pelo menos , o mínimo de atenção. Tive que aprender da pior forma, e acredite eu errei demais por causa que não tinha uma pessoa para me dar apoio. Tentei fazer besteiras para ver se chamava atenção de algum dos dois e... nada. Até que desisti, estava me tornando independente bem antes do que se era esperado. Decidi fazer as coisas por conta própria pois sabia que ninguém ia fazer por mim. Meus pensamentos rebeldes ansiavam em largar tudo isso para trás e seguir um caminho totalmente oposto, mas... Eu não podia ir sozinho. — ele me olhou e também acariciou minha mão que segurava a dele. — Ninguém se quer ia ou não sentir minha falta e não tinha ninguém para se opor, mas eu não podia. Como um ser de 13 anos iria sair sem rumo por ai. Até que um dia estava no banheiro e deixei cair uma gilete que se espatifou, se separando da lâmina. A peguei e sem pensar duas vezes e passei pelo pulso, o que era para ser uma tentativa de se provar a dor e teme-la por que devia ser pior que a dor que eu sentia acabou se tornando algo reconfortante . E passei a fazê-lo com frequência. Até que depois do meu aniversário de14 anos minha mãe decidiu se mudar, pois não aguentava mais ser o alvo dos comentários das vizinhas, resumindo, ele estava mais preocupada com o que os outros pensam do que com o filho que precisava de apoio. Foi nesse dia de viagem que quase batemos o carro em uma carreta por causa das brigas. E nesse dia que cheguei aqui você deve ter notado que o carro constante mente parava. — eu ia protestar, mas ele foi mais rápido- É, eu te vi. E quando minha mãe saiu do carro se esquecendo de mim, e eu tive que segui-la, meu pai saiu, foi para o bar e encheu a cara. Logo depois de chagar em casa totalmente bêbado, arranjou uma faca e me perseguiu dizendo que a culpa era minha de ele ainda estar em casa e não poder sair e aproveitar. Tive que me esconder, e achei o telhado um bom esconderijo e onde eu fico distraído. Bom acho que depois disso você já deve ter uma noção do que acontece.
Eu simplesmente estava de boca aberta. Nem sabia o que dizer. Tinha que ao menos reconforta-lo mas as palavras não vinham. Engoli seco, não podia deixa-lo no vaco, então molhei os lábios e tentei dizer algo coerente .
– Sabe, depois que te conheci eu deixei de me cortar com frequência, parece um caso semelhante e eu... sinceramente fico feliz de ter te encontrado.
Ele me olhou com gratidão e sabia que ele sentia o mesmo. Ficamos em silêncio, ele refletindo e em tentando engolir a angustia. Eu , de alguma forma , também precisava desabafar , só não sabia como faze-lo. Não sabia se estava pronta para fazer isso, mas sentia que Leon era a pessoa certa. Mas não podia faz fazer isso, não agora. Tentei mudar de assunto.
– Sabe também tenho essa ideia de sair por ai sem rumo, sabe , espero algum dia não viver no cotidiano, ele me sufoca. E agora nem eu nem você estamos mais sozinhos.
–E se todos se virarem contra mim?
–Então, seremos eu e você contra todos.
Dito isso nos abraçamos e ambos nos sentíamos mais do que bem com nossa presença, nos sentíamos em paz .
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