Honeymoon

3 A ilha Polilo


As malas já haviam sido despachadas, e as duas amigas estavam paradas feito dois postes a espera do bonitão que se atrasou. Mariko estava quase fazendo uma loucura: trocar as passagens por duas econômicas direto pra Europa ou algo do tipo. Ela ainda disse que poderiam passar as férias lá e se precisasse de dinheiro trabalhavam de garçonete num pub qualquer.

Ok! As ideias dela, quando estava nervosa, nem sempre eram as mais sensatas.

– Ah! Olha ele ali. – Era inconfundível aquele cabelo azul. Mariko descruzou os braços, irritada, mas aliviada porque ele apareceu. Ela era durona, mas não poderia negar que o amava e essa coisa toda. – Seu idiota, eu tava já indo embora pra Paris com a Kori e ia deixar você aí sozinho.

– Eu estava trabalhando. Queria que eu deixasse o cliente lá sozinho no escritório?

– Não quero saber. – A loira fez um bico emburrada, enquanto Grimmjow a abraçava, mesmo sendo empurrado pelas mãos dela. Até conseguir beijá-la.

– Vocês dois me matam ainda de tanto amor. – Kori riu, olhando no relógio. Ela tocou no ombro da amiga, que já havia se esquecido do atraso do noivo, e o agarrava pelo pescoço, puxando o cabelo. – Nosso avião já vai decolar. Vamos. – Kori puxou Mariko pela cintura, mas Grimmjow segurou as mãos dela. – Larga ela. Vamos perder o avião.

– Eu avisei, se vocês aprontarem... Seus corpos vão boiar no mar. – Grimmjow ameaçou novamente, apontando o dedo. Ele só foi ali mesmo porque Mariko obrigou a se despedir no aeroporto, já que haviam se despedido de manhã em casa.

– Não se preocupa, meu amor. Juízo nessa cabeça oca. – Mariko jogou um beijo com a mão para ele, piscando o olho e sumindo no meio dos outros passageiros, ao lado de Kori.

Ele ainda ficou um tempo ali parado, com as mãos no bolso. Era bom que elas não aprontassem mesmo. Mas... Ele falava de Mariko e Kori.

Grimmjow fechou a cara, só imaginando.

Ele voltou para o carro, onde seu chefe estava lhe esperando no banco do passageiro.

Byakuya estava de óculos escuro, e sem o paletó. Aquele dia parecia estar mais quente do que a previsão havia dito logo pela manhã antes de sair da sua casa.

Assim que entrou no carro, Grimmjow olhou para seu lado, e os olhos azuis mal apareciam de tão estreitos que estavam.

– Aquelas duas...

– Ainda preocupado? Não tem com o que se preocupar, eu falei mais cedo com o gerente do hotel, ele garantiu que não iremos perder a vaga.

– Eu não tô ligando pra isso. O problema são elas lá sozinhas.

– Elas não vão estar sozinhas Grimmjow, a ilha esta cheia nessa época do ano. – Byakuya se interrompeu, por que ele conseguiu enxergar a cor azul dos olhos de Grimmjow, mas a cara dele não era nada boa.

– Byakuya, você sabe o que é um maremoto? – Ele ligou o carro, deixando um táxi passar, antes de entrar no trânsito para voltarem ao trabalho. Byakuya assentiu com a cabeça, ele sabia sim o que era. Já ia até explicar que naquela época do ano não havia possibilidade para haver um maremoto, mas algo lhe dizia que não era exatamente isso que Grimmjow queria falar. – Pois é, aquelas duas vão criar um.

Eles foram direto para uma reunião, o que durou até o final da noite. Assim que pode, relaxaram no banco confortável de um bar próximo ao escritório. Grimmjow pediu uma cerveja, enquanto Byakuya tomava um conhaque.

A essa altura, Mariko e Kori já estavam nas Filipinas, sabe-se lá fazendo o quê. Byakuya percebeu que havia ainda uma nuvem negra sobre a cabeça do mais jovem e tentou, só tentou ver se poderia ajudar, afinal, no outro dia à noite estariam lá também.

– Ainda preocupado? – Bateu os dedos na mesa de madeira, olhando para frente, sem enxergar nada interessante. O bar não estava lotado, mas também não muito vazio. Havia duas jovens sentadas num dos bancos mais altos do balcão do bar. Elas sempre viravam e olhavam para a mesa onde eles estavam, dando risadinhas de quem já havia bebido demais e queria diversão. E Byakuya olhou para elas, sem querer mesmo, apenas quando passeou os olhos acinzentados pelo local. E ficou bem desconcertado quando uma acenou.

– Não. – ele bebeu a cerveja, e percebeu que as duas mulheres não paravam de olhar. Mas Grimmjow nem deu trela para elas, que fizeram uma careta estranha quando foram ignoradas, cochichando depois.

Eles continuaram bebendo, até que o bar encheu mais. A música ficou mais alta, e começou a incomodar o moreno, que não estava acostumado com aquelas barulheiras. Muito menos com o assédio, visto que estava com Grimmjow, não conseguia ser educado o suficiente para dizer que não estava interessado em companhia. O outro já as mandava sair e procurarem outro idiota para pagar a conta delas no bar.

Bravinho.

– Grimmjow, quanto tempo exatamente você conhece sua noiva? – Byakuya perguntou porque estava curioso, e achou que depois de longos anos trabalhando juntos, e ainda sendo seu padrinho, poderia por algum juízo naquela cabeça. Ou tentar.

– Ah. Tem um tempo, mas quando eu a conhecia ela era bem mais nova. Depois, ficamos uns anos sem se ver. Até eu reencontrá-la numa festa.

– Sei. – Ao menos Byakuya achou que era honroso da parte dele esperar a jovem ficar mais velha, ou pelo menos foi isso que ele entendeu. Mesmo não sendo. E não era. – E está preparado para o casamento?

Grimmjow o olhou, surpreso, achando que o chefinho tava falando mais do que o normal. Curioso mesmo. Mas já que ele tocou no assunto.

– É, senão já teria matado ela. – Ele disse com um tom de bom humor, mas Byakuya não achou engraçado. Ele dificilmente achava algo engraçado.

– E a família dela?

– Mariko tem uma mãe que mora no Canadá. Mas, felizmente não gosta muito do Japão. – Que maldade, ele era feliz porque a sogra vivia longe. – E tem a Kori. Elas são amigas de infância. Então, onde uma vai a outra vai junto.

– Parece bom, assim não ficam sozinhas.

– Bom porque não é você que tem de cuidar das duas malucas quando aprontam. – Grimmjow pediu mais bebida, e mandou encher o copo de Byakuya também, mesmo ele não querendo.

– Você sabe algo sobre a Kori-san? – Foi uma pergunta boba, inocente. Que Byakuya não sabia porque fez, mas se interessou em saber mais sobre a madrinha de casamento.

– Porque? Tá interessado na ruiva problemática? – Grimmjow deu uma risada maliciosa.

– Problemática? Ela me pareceu uma mulher bem normal, trabalha bastante, gosta da amiga. E... – Tirando as brincaderinhas, e outras coisas. É, ele a achava uma mulher interessante sim.

– É. Deixa eu ver. Pelo que a Mariko andou falando, ela tá sem namorar tem uns três meses. E a culpa é minha. – Byakuya franziu o cenho, não entendendo nada, perguntando em seguida por que a culpa era dele. – Porque eu apresentei um amigo meu pra ela, e não deu certo. Segundo elas, a culpa é minha por ter apresentado. – E imagina como Mariko o perturbou para ele não se esquecer dessa história.

Agora Byakuya entendia o “problemática”. Talvez, Grimmjow estivesse exagerando. Mas deu um pouquinho de receio se caso aquelas histórias fossem verdade.

O voo teve uma escala até Hong Kong, e de lá, pegaram um pequeno avião para a ilha de Polilo. Por sorte, o clima estava ótimo para viagem, assim desembarcaram na ilha mais cedo que o esperado.

Assim que chegaram ao hotel, Kori e Mariko foram recepcionadas por umas dançarinas muito simpáticas que vestiam uma saia de pano branco amarrado na cintura, um bustiê verde e os cabelos negros e lisos soltos, com um arranjo de flores na cabeça. Dois homens morenos, bem bronzeados do sol, tocavam os instrumentos. E todos cantavam uma música nativa. Não é preciso nem dizer que elas se animaram bastante com aquilo e dançaram juntas.

O hotel era grande, havia a recepção, dois restaurantes, lojas e uma piscina enorme com uma ilha artificial no meio. Em volta, vários chalés com telhados de palha decorativas e coisas típicas da ilha. Mariko estava empolgada para ver onde era sua suíte, e o gerente as levou até o chalé especial, que ficava no outro lado do hotel. Aqueles eram maiores, tinham sala, cozinha, varanda direto para a praia e três quartos.

Kori passeou pela sala, ouvindo a amiga gritar para que fosse ver os quarto. Todos eram praticamente iguais. Uma cama de casal de ferro, com lençóis brancos bem postos, uma esteira no chão, fazia a vez do tapete. Sofá de palha feito por artesãos da ilha mesmo, uma mesa para café da manhã, com duas cadeiras e um guarda roupa antigo. O banheiro todo em tom de areia, e uma banheira não muito grande, mas parecia ótima para relaxar. Os outros dois quartos ficavam do outro lado do chalé, para dar mais intimidade aos hóspedes.

Elas saíram para a varanda, que dava para a praia. O mar azul era incrível.

– Muito mais bonito que no catálogo. – Kori sorriu, passando a mão nos cabelos de Mariko.

– Quer nadar? – A loira sorriu, e em pouco tempo elas trocaram de roupa. Logo iria anoitecer, mas ainda dava tempo para uma corrida na praia e cair na água.

Ambas não sabiam nadar, mas não impedia de pular na água igual crianças felizes de férias.

Mariko inventou de mergulhar, e se afastou um pouco de Kori, quando retornou, deu um grito.

– Tubarão! – Mas antes de ver a amiga morrer do coração na água, a loira tentou acalmá-la.

– Droga, Mariko! Não me assusta. – Kori jogou água nela, e ficou emburrada.

– Tadinha dela. Vem cá, não fica bravinha comigo. – Mariko seguiu Kori, que voltava para a areia. – Vem aqui.

– Não! – Ela fugiu, sendo perseguida, gritando e correndo na areia.

E elas tiveram infância sim.

A noite, o lugar conseguia ser ainda mais deslumbrante. Depois de tanto correrem na praia, e caírem exaustas porque estavam sem fôlego, elas planejaram o que fariam de noite e no outro dia de manha até a tarde, porque à noite não estariam mais sozinhas para aproveitar.

Eram nove horas quando Mariko chamou Kori. Elas voltaram para o chalé e cada uma foi para o seu quarto tomar um banho. Aquela noite elas iriam fazer mesmo a despedida de solteiro da loira. Só não sabiam ainda como e onde seria. Talvez um passeio pelo hotel e depois ver onde era mais animado para ficar.

– Tô pronta. – Kori apareceu na sala, com um vestido curto de renda branco, e sandálias de tira sem salto.

– Demorou mais que uma noiva no dia do casamento. – Mariko se levantou do sofá, pegando a bolsinha de mão. Ela usava um short jeans lavado e uma camisetinha folgada lilás. – Vamos logo, antes que meu noivo querido apareça do nada aqui e– o celular de Mariko tocou, ela abriu a bolsinha e olhou o visor. – Maldito. Não morre mais.

Kori ouviu a amiga conversar com o futuro esposo, daquele jeito carinhoso deles. No final, parecia que estava tudo bem, ou pelo menos parecia.

– O que foi?

– Eles mudaram o horário do voo, vão chegar aqui amanhã ao meio dia. – Mariko pareceu irritada, bateu o pé no chão, ajeitando os óculos sobre o nariz.

– Então vamos aproveitar logo, antes que eles cheguem. – Kori a pegou pela mão, e puxou para fora do chalé.

Os dois restaurantes do hotel estavam cheios de turistas. E um lugar cheio de turistas branquelos e desengonçados não era exatamente o que elas queriam pra se divertir. Por isso, Kori acabou encontrando uma jovenzinha muito simpática, aquela lá que as recepcionou dançando. A garota as levou para a vila mais próxima, e lá estava acontecendo uma festa de verdade.

A festa era ao ar livre mesmo. Uma fogueira bem grande iluminava o centro do lugar, além das tochas espalhadas. Uma mesa com frutas e comidas típicas, além de muita bebida.

Elas foram reconhecidas pelo rapaz que levou as malas das duas para o quarto, no hotel. O menino jamais as esqueceria, também pudera. Kori tirou várias fotos dele, além da gorjeta.

O menino as serviu com uma comida chamada Adobo. Era carne de galinha com um tempero de alho bem forte. E para beber, ele pegou dois cocos cortados ao meio, mas antes delas beberem, falou para ir com calma. A bebida era bem forte, Kori sentiu até um arrepio, só com o cheiro.

O Lambanog é um destilado, descrito como uma vodka do coco. E depois de umas três doses cada, Kori e Mariko entenderam porque o garoto mandou que elas fossem com calma.

A música era bem animada, as pessoas da vila ainda mais. Todos dançavam. Tinha um palco onde a banda estava tocando a música com as dançarinas e um homem baixo e fortinho, cantava com uma voz grossa, a música na língua natal.

Agora só restava dançar. E foi o que fizeram, tentando imitar os passos das jovens que mexiam o quadril e os braços. Parecia difícil no começo, mas depois de várias doses de lambanog, qualquer dança era fácil.

Para uma despedida de solteiro, aquela festa veio a calhar. E desde o começo, Mariko não estava pensando em fazer alguma besteira e por um chifre naquela cabeça azul. Ela só queria azucriná-lo, mesmo. Já que a festa era aniversário de um grupinho de meninas que moravam ali mesmo.

O sol quente já iluminava o chalé, e consequentemente esquentando o dia. As cortinas brancas nas janelas entreabertas voavam conforme a brisa do mar batia.

Kori espreguiçou-se na cama, esticando todo o corpo, até bater os dedos na grade de ferro da cama que dormia. Ela demorou um pouco para abrir os olhos, e quando o fez ficou mais um tempinho para se acostumar com aquela claridade toda.

Se levantou, sentando no colchão fofinho. Era tão confortável, dava vontade de passar o dia todo deitada ali, ou pulando, como fizeram logo depois de voltarem da festa na vila, que durou até o sol nascer. Para voltar ao hotel, elas tiveram a ajuda da jovem dançarina, que chamou os irmãos mais velhos para carregá-las até o hotel. Sorte não é? Eles as levaram, e Kori insistiu que tava bem e não precisava de ajuda, mas quase caiu no chão quando um dos rapazes a soltou. Ok! Ela desistiu, e aproveitou o ombro forte e amigo do jovem tão simpático. Mariko estava bem alegre, rindo à toa.

Já no chalé, logo depois que ficaram sozinhas, elas ainda procuraram na geladeira da cozinha, o champanhe de cortesia dado ao hotel.

Elas foram para o quarto, e beberam toda a champanhe, pulando na cama fofinha. Quando já não aguentavam mais manter os olhos abertos, elas caíram ali mesmo e dormiram.

A ruiva olhou para seu lado esquerdo, e viu Mariko deitada de costas, com a cabeça quase saindo da cama. Kori riu, esfregando os olhos, e alongando mais o corpo pra assim criar coragem e se levantar.

Ela queria um banho, e ia aproveitar a banheira do outro quarto. Cobriu Mariko com o lençol e tirou as sandálias que ela ainda usava. Antes de Kori ir para o quarto onde sua mala estava, ela ligou para a recepção e pediu algo para o café da manhã. Era quase meio dia.

Brigou uns quinze minutos com a banheira porque não sabia muito bem usar todas aquelas válvulas, mas no fim deu certo. Mergulhou o corpo n água, com os cabelos soltos, e relaxou. Era ótimo.

A ruiva até perdeu a hora ali, e acabou cochilando um pouquinho, só acordou com o barulho da porta. Será que era o serviço de quarto? Mas, eles iriam bater antes, não? Ou ligar.

Kori saiu da banheira, e se enrolou na toalha pendurada num cabideiro de metal preso à parede, perto da porta. Ela saiu de lá pingando. Passou pelo quarto, até chegar na sala, na ponta dos pés. Viu alguém ir direto para a cozinha. Só não pode ver exatamente quem era, mas pelo porte, só poderia ser um homem.

Segurando a toalha com uma das mãos, Kori pegou uma estatueta de enfeite da mesinha atrás do sofá, e foi para a cozinha. Ela já estava erguendo a mão para acertar na pessoa, quando reconheceu aqueles cabelos negros.

– Kuchiki-san, que susto. – Kori baixou a mão com a estatueta, e colocou sobre a bancada. Byakuya ficou incerto com o que ela iria fazer caso não o reconhecesse.

– Acabamos de chegar. – Até então o Kuchiki só havia olhado para o rosto da ruiva, e claro percebido os cabelos molhados dela. Logo depois os olhos caíram sobre a toalha branca enrolada no corpo. Ele se virou, desconcertado com a cena, mas Kori não parecia muito envergonhada.

– Eu acabei esquecendo que viriam mais cedo. Venha, vou te mostrar seu quarto. – Kori o chamou com a mão, e o moreno não sabia se ia ver o quarto. – Se não se importa, eu fiquei com o que tem a janela para o mar. Eu adoro o mar.

– Não tem problema. – Ele acabou cedendo, e caminhou atrás dela, que gesticulava com a mão animada, contando tudo o que já vira na ilha. – Que barulho foi esse?

Byakuya parou no meio da sala, ouvindo um som metálico estranho. Kori fez uma cara pensativa, mexendo a cabeça um pouco.

– Ah! Eu até sei o que é. Grimmjow veio com você não foi? Então, devem tá matando a saudade lá no quarto. – Ela apontou para o outro lado da sala, onde ficava o quarto dos noivos. Provavelmente aquela cama de metal não iria suportar por muito tempo.

– Tem certeza que não estão se matando? – Byakuya estreitou os olhos, com a risada da ruiva.

– Deixa eles se matarem. Vamos, lá não dá pra ouvir nada.

Kori abriu a porta do quarto e entrou, sentando-se na cama, sobre uma de suas pernas. Ela ficou ali, observando Byakuya colocar a única mala na ponta da cama. Ele abriu e fechou. Ia arrumar as roupas no guarda-roupa, porque não gostava de deixá-las amassadas na mala. Mas também não estava tão confortável com a ruiva olhando-o.

– Eu gostaria de tomar um banho, e me trocar. Estou com calor. – Byakuya passou a mão no cabelo preto, esperando Kori se levantar. Afinal, ela deveria também terminar de ser arrumar.

– Eu vou então terminar o meu banho também. – sorriu, saindo do quarto e fechando a porta atrás de si.

Byakuya ainda ficou um tempo parado ali de frente para a cama, olhando a mala que trouxera. Ficaria até domingo, e voltaria para casa, porque na segunda-feira tinha alguns compromissos, já que Grimmjow estava de férias a partir de hoje.

Quando terminou o banho, vestiu uma calça mesmo, e uma camisa polo amarela, bem clarinha. Não dava para ele simplesmente vestir algo muito a vontade como bermuda e camisa regata, só por causa do calor.

Ele saiu do quarto, e havia um silêncio perturbador no lugar. Talvez isso fosse melhor do que ouvir certas coisas. Byakuya procurou pela única pessoa que poderia estar acordada, e só a encontrou, quando foi para a varanda olhar a praia.

Kori estava lá, saindo da água. Ela o viu, e acenou.

– Vem nadar. – Gritou, mas como viu que Byakuya nem se moveu do lugar, ela correu até ele. – Tira essa roupa quente, vamos mergulhar.

– Eu não gosto muito de praia. – Aquela era uma novidade e tanto. Porque, como é que ele havia passado a lua de mel ali? Kori ficou tentada a perguntar isso, mas não o fez. Apenas apertou as mãos nos fios de cabelo, tirando o excesso de água.

– Mas pode me acompanhar numa bebida? – Ela sorriu. – Vou trocar de roupa e podemos ir lá no bar perto da piscina. Tem uma bebida ótima nessa ilha. Talvez vá gostar.

Depois que tirou o biquíni molhado e vestiu um short e top, ela voltou para encontrá-lo.

O bar estava um pouco cheio, mas conseguiram um lugar para sentar. Estava calor, mas ali era bem fresquinho porque tinha uma cobertura, e aqueles ventiladores com vapor de água, para refrescar o ambiente.

Kori pediu a mesma bebida que tomara na noite passada. Byakuya já conhecia a bebida, porque sua esposa, ou melhor, a ex, também experimentara. E aquilo causou pelo menos um dia todo de dor de cabeça, porque ela não era de beber. Ao contrário da ruiva.

– Que horas será mesmo o casamento? – Ele perguntou, tentando achar um assunto para quebrar aquele silêncio.

– Cinco e meia. – Kori pediu algumas coisas para comer, porque acabou não comendo nada do que o serviço de quarto levou. Isso porque Grimmjow confiscou a bandeja e se trancou no quarto com Mariko, jogando só uma maça na mão da ruiva. – Nós conhecemos umas pessoas legais ontem na festa. – Ela começou a falar, e Byakuya estava incerto se queria saber aquela história. Que bobo. – E acabamos combinando para fazer a festa de casamento na praia, os músicos vão lá tocar, tem as dançarinas. E eles não vão cobrar nada. Não é ótimo?

– Achei que fossem fazer a festa aqui no hotel.

– Mariko não gostou muito, porque tá cheio de turista. E os nativos são mais divertidos.

– Tem algum plano para hoje? – O moreno desviou os olhos, envergonhado por aquilo parece mais uma brecha para um encontro.

– Na verdade não, eu pensei em ficar aqui pelo hotel e ver se acontece alguma coisa.

– Talvez, somente se quiser, podemos conhecer mais a ilha. Eu já vim aqui antes, tem alguns lugares bem interessantes para conhecer.

– Claro, ia ser divertido.

Naquela tarde, eles caminharam pelo comércio da Vila da ilha de Polilo. Kori se encantou com os artesanatos, queria comprar tudo que via pela frente. Era tudo muito barato, devido à economia do local. Provavelmente iria ter de comprar uma mala pra carregar tantas coisas que ainda pretendia levar pra casa.

Eles conheceram alguns lugares históricos, e um museu também. Byakuya prometeu voltar com ela ali para tirarem fotos, já que a ruiva havia esquecido a máquina fotográfica na bolsa em cima da cama, no quarto.

Já era noite, quando eles resolveram voltar para o hotel, e voltaram para o chalé. Combinaram também de jantar num dos restaurantes do hotel mesmo.

– Kori? – Mariko entrou no quarto da amiga, quando ouviu a voz dela. – Aonde você foi?

– Oi. Tô aqui no banho. – respondeu, enquanto lavava os cabelos. – Fui conhecer a ilha. É tão linda.

– Ah! Fiquei preocupada, você não me avisou que ia sair com o Byakuya. – Mariko entrou no banheiro, e parou de frente ao espelho, tirando os óculos para limpá-los.

– Claro, eu ia entrar lá no quarto e atrapalhar vocês, só pra falar que ia conhecer a ilha.

– O que tem? – As duas riram, e quando Kori fechou o registro do chuveiro. Mariko lhe estendeu a toalha na frente da cortina de plástico colorido que dividia o lado da banheira e chuveiro com o resto do banheiro. – Vocês estão se dando bem?

Kori se enrolou na toalha, e saiu do box, pisando num tapetinho. Pegou outra toalha e secou o rosto. Demorou um pouquinho para responder, estava pensando ainda se estavam se dando bem.

– Acho que sim. Ele é um homem bem sério, mas muito inteligente. Só que eu não quero me envolver não, Mariko. A última vez já foi bem cansativo.

– Não tô falando pra você casar com ele. Só aproveitar a noite calorenta da ilha. – A loira picou, maliciosa. – Afinal de contas, hoje à noite não vou tá disponível pra você, querida. Vai ter que se conformar com o Kuchiki-san. – Mariko sacudiu a mão no ar, num tom zombeteiro.

– Você me usa e larga depois que não precisa mais, né? – Kori fez um bico, pegando o pente das mãos da amiga. – Vou jantar, você e o Grimmjow vão também?

– Eu não tô com fome. Aliás, eu tô enjoada. – Mariko resmungou, e lembrou-se porque foi ali. Queria saber se Kori tinha algum remédio para enjoo.

– Enjoada? – Ela se preocupou, porque Mariko não era de ficar com ressaca no outro dia, mesmo que bebesse três dias seguidos, não ia ter enjoo assim. Nem ficar resmungando. – Vai ver foi porque não comeu nada salgado. Só tinha doces e frutas naquela bandeja de café da manhã.

– Talvez. – Ela fez manha, indo para o quarto, e deitou na cama. Kori foi atrás, procurando o remédio na bolsa. – Só falta eu ficar menstruada agora.

– Ia ser engraçado. – Kori riu, e Mariko ainda tinha forças para tacar o travesseiro nela.

– Mas não faz sentido, porque não tá na época.

– Então você tá grávida.

– Tá maluca!