Honey

19 Quatro minutos


Notas iniciais
Boa noite, meus amores. Já começo esse capítulo em um tom envergonhado. Peço muitas desculpas pela demora e por esse hiatos de três meses. Vou tentar explicar bem rapidamente. Depois da minha doença, minha vida virou um trem desgovernado. Tive crises de ansiedade e tudo o que entrava na minha cabeça eram provas, provas e vestibular. Eu pensava em Honey constantemente, mas só me sentia inútil por não conseguir escrever. Quando eu tinha inspiração, não tinha tempo e quando tinha tempo, não tinha inspiração. Eu me culpei por não conseguir escrever e tive vergonha de entrar aqui. Tentei responder alguns comentários para ver se conseguia, mas eu me sentia ruim e triste com tudo isso. Eu estava bloqueada, e ainda estou. Daí quando acabou minha aulas, eu fiquei tão aliviada, mas ainda tinha o vestibular e eu precisava estudar. Estudei, fiz, acho que fui relativamente bem. Então eu sentei e fui escrever esse capítulo. Acabou que ele saiu bem rápido, no começo de dezembro, mas eu simplesmente travei na parte que você tanto esperavam. Travei. Então eu me dei conta que eu esqueci como amo essa fanfic, esqueci porque shippo Yullen. Nesse período de crise, eu li tantas fanfics de outro fandom que acabei me afastando desse. Quando fui tentar escrever nada saia bom e eu ainda não acho que ficou legal, sabe? Desanimei feio e me dei uma pausa de mais um mês. Agora, eu acabei mudando o roteiro todo de Honey e vou ter que rescrever como serão os próximos capítulos. Tinha dito para mim mesma que não ia postar antes de ter todos escritos, porque eu preciso terminar de escrever Honey até o fim do mês. Porém eu achei que seria injusto deixar você mais um mês sem notícias e aqui estou eu. Estou nervosa, estou triste, estou achando que está uma merda, mas isso foi o melhor de mim. Muito obrigada e até lá embaixo. Boa leitura!

Allen estava de volta ao banheiro, agora encolhido em um canto enquanto a água quente caia com força em suas costas. Todo o cômodo estava tomado pelo vapor do chuveiro e o albino não sabia se a dificuldade de respirar era devido à toda aquela fumaça ou ao seu coração não deixava.

Depois da ligação de Kanda, sua mente ameaçou pifar e correu para o banheiro para chorar de uma forma que poderia esconder de si mesmo, já que as lágrimas misturando-se com a água pareciam não ferir tanto o ego do menor.

Ele não sabia há quanto tempo estava ali, encolhido e desprotegido, enquanto sua consciência fazia uma retrospectiva desnecessária de como conheceu Kanda e como o tempo passou até aquele momento.

E mesmo que sua mente começasse a negar um possível relacionamento com o moreno por erros dele do passado, ao mesmo tempo passava imagens de como Yuu mudara.

A diferença do Kanda do bar para o Kanda que o reivindicava há minutos era gritante, ainda que ele mantivesse a postura dominante e grossa.

Esse contraste estava matando Allen aos pouquinhos. Apertando seu coração de tal forma que ele gostaria mesmo era de arrancá-lo do peito. Naquele momento tudo que sabia sobre o Mestre estava passando como um filme diante de seus olhos e por alguns segundos o albino achou que teria uma terrível enxaqueca mais tarde. A rapidez com que todas as recordações eram criadas e destruíam a imagem que teve dele desde o início era assombrosa.

Dizem que os primeiros quatro minutos em contato com uma pessoa são os determinantes para a criação de toda uma impressão sobre ela.

A impressão do Walker sobre o moreno não foi das melhores. Na verdade, para ser sincero, foi uma das piores. Desde o princípio, Kanda se mostrou um menino arrogante, egoísta; um membro da classe especial. Ele se enquadrava no preconceito sobre aquele grupo seleto de pessoas, ou seja, ele também ostentava olhares, conversas, risos forçados e tristes.

Para o pequeno, nos primeiros quatro minutos, Kanda só cheirava a álcool.

Era um membro da classe especial, um dos ricos mimados. E meses atrás Allen odiava-os, e faria de tudo para ficar o mais longe possível daquelas pessoas.

Porém os dias que se seguiram quebraram aquela certeza.

Agora que estava inserido naquela realidade, o albino via tudo como carência. Enxergava aqueles adolescentes de sua mesma faixa etária como pessoas sozinhas, que não tiveram ajuda para crescer, e o fizeram forçosamente. Mesmo muito inteligentes, não foram capazes de desenvolver o emocional, tornando-se, portanto, pessoas difíceis de se lidar.

Egoístas, prepotentes; achavam que as emoções vinham do físico e por isso mesmo Kanda tinha uma vontade absurda de beijar e tocar Allen, porque Yuu queria sentir, mas não sabia como conquistar. Porque viu em Allen a capacidade de ser bom, de ser uma pessoa adorável, como o albino sempre fora.

Ele queria chegar perto, queria aquilo para si, mesmo que em outra pessoa.

E aos pouquinhos, o olhar impassível, frio e negro dos primeiros quatro minutos foi sumindo. Já não era mais o mesmo. Yuu agora conseguia transmitir o que sentia pelo brilho no olhar. Já não tinha mais um coração de lã tecida com sangue.

A mente de Allen parecia querer lembrá-lo daquilo a cada segundo. Gritava que aquilo era um feito seu, porque ele havia forçado Kanda a ser um humano e não um herdeiro perfeito.

O moreno intimidante no início, que mostrava interesse em quem o desafiasse por prazer de humilhar, usar e afirmar-se como superior, já não existia. Toda a postura era entendida como uma tentativa de esquecer a sensação de abandono e impotência.

Ainda: sendo irritante, grosso, intragável, ele queria que alguém visse todos os seus pontos ruins e, ainda assim, ficasse. Para ele, isso seria um sentimento verdadeiro.

Allen sabia disso! Sabia! Sabia das outras Honeys e não queria pensar naquilo, não queria sentir dor pelo que Yuu passou sozinho... Não queria lembrar, não queria, pois agora estaria ao lado dele para o der e vier, não o abandonaria como não o fez quando quis o Drop!

Oh. Mais uma enxurrada de lágrimas vinha.

O maldito mestre tinha a habilidade de tirar o albino do sério, seja deixando-o estressado e com raiva, seja acordando borboletas em seu estômago. Tinha a habilidade de deixá-lo assustado e com medo, como da primeira vez que o viu no banheiro. Mas também conseguia deixá-lo deslumbrado com um campo de tulipas e conseguia quebrar seu coração porque, sim, Kanda fez Allen se apaixonar por si. Fez com que uma curiosidade ilógica o fizesse ficar e constatar que toda aquela postura era apenas uma armadura.

Foi aos poucos e silenciosamente, como um câncer que chega sem avisar e destrói tudo em seu caminho. Certezas, preconceitos, planos.

Talvez por isso fosse tão difícil lidar com aquela constatação que sua mente parecia estampar em sua testa. O Walker tinha aquela sensação estranha, pesada, amarga, dolorida marcando-lhe o peito, e era muito difícil considerar que estava realmente apaixonado.

No entanto, quando sua consciência e sua cabeça dura queria contentar, mais recordações.

Yuu também se mostrava alguém educado, quando queria; alguém que cumpria promessas, como quando propôs a Allen que assistiria à aula caso ele aceitasse seus beijos. Ainda, mostrou-se preocupado com o Honey quando este desmaiou na quadra.

E pensar que seu coração mole, o mesmo que aceitou a proposta de tentar ser um Honey de Alma, o colocaria em tamanha confusão.

Allen foi capaz de voltar atrás em sua palavra por aquele homem, não realizando o Drop. Obviamente, naquela época levou a situação como uma ajuda, algo que faria por qualquer um. Porém hoje estava tendo a certeza que não teria feito aquilo caso fosse alguém em quem desacreditava.

A verdade, essa mesma que fazia Allen chorar, é que desde o começo sentiu-se fascinado por Kanda, e quis ir até o fundo com o Sistema Honey, quis conhecê-lo. Seu subconsciente queria ficar perto dele, observá-lo, domá-lo.

Oh Deus, aquilo era tão sujo…

O albino sentia uma necessidade absurda de tocar-se, de se aliviar. Todas aqueles fatos só lhe tornavam mais possessivo, mais necessitado.

Encolhido no chão, com uma semiereção e o céu desabando do lado de fora, ele percebeu que desde os quatro primeiros minutos já tinha aceitado aquele desafio.

Também esperava ansiosamente pelo bônus daquele jogo: o próprio Yuu. Com todos os seus humores oscilantes que causavam euforia e confusão no albino. Mas ele queria.

Yuu… Yuu… Yuu…

Quando pronunciar o primeiro nome dele se fez um desejo tão grande? Quando sua língua pareceu ser feita para chamá-lo?

Quem sabe todo o mal estar que o Walker sentiu quando foi realizar o Drop não foi um aviso… um alerta para não abandonar o homem que lhe daria satisfação de pronunciar seu nome. E o ciúmes que sentiu quando soube de tantas outras garotas que antecederam-no, ainda que encoberto por uma desculpa de boa educação? Essa possessão antecipou o que acontecia nesse momento, naquele banheiro cheio de vapor, que deixava o garoto tonto.

Então era isso. Tudo se clareava e trazia sua explicação.

Quando perguntou o que Kanda queria, sabia que seria destruído por completo. Só não sabia que também queria o mesmo. Sua resposta foi como um gatilho. E Yuu era a sua recompensa. Allen queria ser aquele que aguentou as punições, que ficou do lado de Kanda; aquele que Yuu foi buscar no ballet e chamou de “bonequinha”.

Sim, ele queria. Não era perfeito, não era santo. Querendo ou não, aquela era a natureza humana: ajudar e ganhar algo em troca.

Ele queria ter o orgulho de ser o único a quem o herdeiro tratava com diferença. Inconscientemente gostava de saber que ele era único para si, que mostrava seu pequeno sorriso apenas para si, mostrava suas birras com sanduíche de frango e lhe ensinava a fazer biscoitos de baunilha.

O moreno que ninguém conhecia e que muitos julgariam arrogante e insuportável era meigo e profundo só e apenas consigo.

Aquele sentimento era terrivelmente bom e egoísta.

Olhou para sua ereção, mordendo os lábios por alguns segundos. Realmente fazia um tempo desde seu último alívio, mas esse era completamente diferente.

Seria a primeira vez que estaria se masturbando ao pensar que, sim, Kanda poderia ser um cretino arrogante, mas ele lhe queria e, sim, como Lena tinha ressaltado muitas vezes, era um cretino muito gostoso. E seu.

Deus… Como admitir isso??

—Allen? Meu filho? — Dois toques soaram na porta e o albino soltou um ofego de susto, tentando se levantar desajeitadamente com um incômodo entre as pernas.

—O-oi… Oi, mãe! — Limpou a garganta e tentou falar mais firme e alto.

— Você está bem? Já tem um tempo que você está no banheiro... — Christ perguntou, encostando a cabeça na porta para ouvir seu filho saindo do box.

— E-eu já estou saindo, é só que tive que lavar o… o cabelo e aí... — O pequeno tentava se justificar, olhar seu rosto corado no espelho, tentar respirar naquele vapor e lidar com a ereção, tudo ao mesmo tempo. — M-mas eu já estou saindo, pode me esperar lá embaixo?

Tudo bem, filho, o jantar está na mesa e estamos te esperando, não demore. — A voz da mulher parecia totalmente recomposta, como se ela não tivesse dado uma crise antes.

Alguns segundos depois, o albino ouviu a porta do quarto se fechando e, por precaução, checou o quarto antes de sair.

Ainda tinha um volume considerável que precisava esconder, portanto correu até a mala, pegando uma boxer e um conjunto de moletom bem fofinhos e quentinhos para vestir. De primeira, não foi muito confortável ter que andar com uma ereção intocada, mas logo Allen estava na sala, cumprimentado a todos.

—Sente-se, meu amor! — Christina parecia eufórica e logo se levantou para servi-lo. O albino tentou recusar, mas Rich fez um gesto com a mão para deixar para lá, e depois lhe deu um sorriso.

Sem muito esforço, sua excitação foi embora ao notar o quão estranho era fazer parte daquela família feliz e tradicional.

Rodou o olhar pela sala de jantar e viu um vasinho de flores sobre a pequena mesa de quatro cadeiras na qual estavam sentados. Também viu fotografias nas paredes e até a luz meio amarelada parecia conspirar para o clima familiar. Lá fora a neve começava a cair misturada com um pouco de chuva líquida e o Walker imaginava que nos próximos dias Londres estaria debaixo de muitos centímetros de gelo.

Por incrível que pareça, aquele clima gelado era o que parecia mais simpatizar com Allen.

—Eu fiz carne com cenouras e batatas… — Ela entonava a voz toda orgulhosa e dava risadinhas. — Mas também fiz curry!

Entretanto, ao ver a felicidade de sua mãe, o pequeno sorriu e observou todos os seus movimentos atentamente.

—Eu que ensinei! — Richard levantou a mão e ambos riram.

— Não coloquei muito pimenta porque não sabia se você gostava… — A loira colocou o prato na frente do filho e sentou-se. Mais alguns sorrisos orgulhosos e o albino soube que não estava permitido a comer quando a mulher pegou na sua mão. — Vamos fazer uma oração antes para celebrar o Allen com a gente e nossa família toda reunida!

Aquelas palavras foram um soco para o Honey, que definitivamente não soube o que fazer a não ser olhar para o prato e ouvi-los puxar uma oração simples de agradecimento. Acabou por não acompanhar pois estava desorientado demais para isso.

—Amém. — Os adultos falaram e repetiu com um pouco de atraso.

Logo o vinho foi servido e finalmente pode provar a comida sob o olhar curioso da sua mãe. Opa. Rapidamente e sorrindo um pouco amarelo, levou uma certa quantidade do alimento à boca e demorou apenas alguns segundos para soltar.

—Está uma delícia, mãe! — Sorriu, e realmente estava. Christina retribuiu, e logo disse sem pensar muito.

—Aposto que Mana não faz melhor! — E riu novamente, pegando uma batata para cortar.

O Walker acabou mastigando mais devagar depois daquilo, talvez por ter sentido um incômodo no estômago, talvez por querer manter a boca cheia para evitar falar. Rich o olhou como quem também não tinha gostado do comentário e sorriu como um pedido para “releve, é coisa de grávida”.

—Amor, você disse ao Allen sobre o novo escorregador aqui de Londres?

O homem iniciou e Allen já estava começando a adorá-lo.

—Ahh, sim!!! — Ela recomeçou, voltando a ficar animada, enquanto falava sobre o novo escorregador. — É o mais alto do mundo, filho!! Vamos te levar lá amanhã, pode ser? A neve não deve estar tão ruim então temos que aproveitar!.

—Chama Orbit Tower, foi inaugurado recentemente. — Rich apontou.

—É um vermelho? — Perguntou, e recebeu uma confirmação. — Acho que já ouvi falar dele…

—Sim, você vai adorar! O Richard foi e adorou, certo amor? — Tocou no ombro do marido que logo concordou. — Também podemos te levar em outros lugares, lugares que você não lembra que visitou quando criança…

—É interessante lugares fechados, querida, porque o clima está muito instável…

A conversa continuou com eles falando de onde visitar e comentando sobre experiências que já tiveram e até de vizinhos. Já estava tarde e Allen apoiava a cabeça no queixo com um pouco de sono devido ao fuso horário e ao cansaço.

As taças estavam pela metade com vinho e Christ resolveu mudar de assunto drasticamente.

—Mas e os relacionamentos, filho? Como estão? — Sorriu de forma animada e curiosa, se inclinando para mais perto do garoto.

Sim, Allen não poderia ter ficado mais desconfortável e deu graças aos céus por já ter engolido o líquido que estava na sua boca.

—O-oi? — No entanto, falhou terrivelmente em disfarçar.

—Perguntei sobre garotas, amor… — Ela pegou na sua mão e começou a fazer carinho com o polegar.

—A-ah… — Foi só o que o garoto respondeu, ainda incrédulo com aquela situação. Automaticamente, procurou Richard com os olhos. Ele também parecia curioso com a resposta, mas o pedido de socorro nos olhos do enteado estava claro.

Logo uma pequena tosse por parte do homem foi ouvida e ele chamou atenção da mulher. Certamente devia erguer um altar para o moreno, em homenagem à todas as vezes que ele salvava sua pele.

—Acho que o Allen está cansado, Christ… Vamos deixá-lo descansar e amanhã ele nos conta mais, certo Allen? — Falou, sem tirar os olhos castanhos do garoto.

Christina pareceu murchar instantaneamente. Deixou a boca numa expressão desapontada e variou o olhar entre os dois homens da mesa, incapaz de perceber o quão agitado o filho estava.

—S-sim, eu respondo… — Tentou sorrir, mas a careta que fez foi resultado de sua falha.

—Ah, tudo bem então, você realmente deve estar cansado, né? — Novamente a oscilação de humor e a loira já levantava e levava os pratos para a pia. O garoto também levantou e ficou parado quando ela fez menção de se aproximar. — Dorme com Deus, meu bem… — Beijou-lhe a testa, as bochechas e o nariz. — Estou muito feliz de estar aqui… — E abraçou-o de novo, tomando cuidado com a barriga.

—Eu também, mãe… — O honey sussurrou, sem ter muita certeza. Agora seu estômago revirava e queria muito sair daquele ambiente sufocante que a sala de jantar tinha se tornado. — Boa noite, Christ, Richard. — Falou bem rápido, tentando manter a educação e virou-se em direção ao quarto.

A facilidade em encontrar o quarto nunca foi tão bem vista como fora naquela ocasião e em menos de dez segundos, o albino adentrava o quarto, trancando a porta com alívio.

Teve a necessidade de aspirar o ar com força para lembrar que, sim, seu pulmão funcionava.

Numa piscar de olhos, já fechava as cortinas, para não ter os relâmpagos refletindo no quarto. Deitou-se na cama, enrolando-se inteiro como uma tentativa de se sentir protegido. Acabou por aspirar o cheiro do cobertor, não encontrando o perfume que tanto esteve acostumado nos últimos meses.

Um pouco atordoado, pegou seus fones de ouvidos e colocou na playlist aleatória, começando por Coldplay. Ironicamente, o nome da música era In my place, e Allen sentia-se exatamente como a letra. Perdido no lugar em que supostamente deveria estar.

Acabou sentindo-se nostálgico com as melodias e quis tocar piano. Claro que era impossível, e aquilo fê-lo dar uma risadinha. Incrível como as primeiras horas já estavam se mostrando difíceis e seu pai ainda não tinha respondido sua mensagem. Alma, Lena e Lavi estavam falando sobre coisas aleatórias no grupo, coisas que o menino não tinha a mínima vontade de falar sobre.

E Kanda muito provavelmente estava dentro de um avião, em direção à Rússia e afastando-se dele mais ainda.

Bufou, sem ter ninguém para conversar e acabou fechando os olhos, deixando-se levar pela música.

Como seria a reação de sua mãe se ele contasse que estava gostando de um homem e não de garotas, como ela perguntou?

Como seria a reação de Mana ao saber que o “coisinha” fizera seu filho se apaixonar?

Eram tantas perguntas que a dor de cabeça prevista pelo pequeno realmente chegou e não soube exatamente que horas caiu no sono, porém soube bem quando acordou assustado com uma música mais agitada e, desnorteado, retirou os fones com pressa.

A chuva era completamente silenciosa e o Walker imaginou que agora fossem apenas flocos de neve a cair.

Ainda com os olhos pesados, tateou a cama até agarrar seu celular e quase queimou as vistas quando foi ver o horário. Eram pouco mais de uma da manhã e, mesmo sem ter calculado nada, pensou que, talvez, Kanda já teria aterrissado.

Ainda meio sonâmbulo e sem pensar muito, Allen discou e fechou os olhos, esperando uma resposta.

Uma risadinha substituiu o “alô” e o albino sorriu sem perceber. A voz dele soou rouca e profunda, fazendo o pequeno albino encolher-se mais ainda.

— Te dei um beijo e você já está assim? — Ele zombou, mas o sono não deixava o honey pensar muito.

—Na verdade, eu te beijei e você se declarou… — Disse com a voz meio arrastada e ouvia muita movimentação do outro lado. — Você já chegou? — Perguntou, manhosamente, enquanto esfregava-se contra o cobertor.

—Sim, você estava dormindo? — Kanda respondeu e alguém pareceu falar algo com ele na estranha língua russa. Allen esperou até ouvir um sinal de que o moreno estava prestando atenção.

—Uhum… — Resmungou.

—Por que me ligou então? — Yuu perguntou, claramente tentando tirar sarro novamente.

—É que eu queria saber se o avião tinha caído, aí eu poderia receber pensão. — Revirou os olhos mentalmente, mas ainda mantinha um meio sorriso nos finos lábios rosados.

—Você choraria se ele tivesse caído. — O moreno disse e pelo silêncio constatou aquilo como uma verdade.

Um pequeno silêncio se fez. Allen não sabia, mas Kanda estava sendo guiado pelo aeroporto de Moscou por seguranças de seu pai.

—O jantar foi uma porcaria. — Voltou a sussurrar. O Mestre fez um sinal com a garganta que o albino identificou como um “continue”. Talvez eles até já tivessem uma linguagem própria, afinal. — Minha mãe perguntou sobre garotas.

Yuu riu baixinho e Allen entendeu que ele não poderia falar muito, mas riu também.

—Eu deveria falar para ela que a garota tem longos cabelos negros, descendência japonesa e um pênis. — Coragens da madrugada…

Dessa vez ele respondeu.

—Isso é um “sim” para a ligação de mais cedo? — Perguntou com um tom superior de voz. O menor o odiou nesse instante e revirou os olhou em sua mente novamente.

—Entenda como quiser. — Resmungou e não ouve silêncio porque Kanda logo emendou com pressa.

—Aqui está nevando. — Avisou.

—E…? — Perguntou, sem entender essa fixação repentina dele pelo clima.

—Aí também está?

—Uhum… — Assentiu, mesmo que ele não pudesse ver. O sono estava tanto que o celular poderia escorregar por sua mão. Allen estava se segurando para não dormir.

—Você não sente que assim estamos mais próximos?

—--K&A---

Londres realmente amanheceu debaixo de neve. Talvez até mais do que imaginavam. Entretanto não choveu mais e Allen ouviu sua mãe dizer que era raridade a ocorrência de temporais como o do dia anterior.

Naquele momento, os três estavam passeando. Haviam estacionado o carro em alguma rua que o albino não lembrava e agora sentiam o frio de oito graus da cidade. Na realidade, não era tão ruim, contando que a França conseguia bater o recorde às vezes. Mesmo assim, o garoto vestia uma jaqueta forrada com pena de ganso, trazia botas impermeáveis até os joelhos, luvas e uma touca clara de lã com uma bolinha em cima.

O céu estava tomado por uma neblina densa e todas as lâmpadas naquele estilo século dezoito estavam ligadas. Não parecia que ainda era uma da tarde. As famosas cabines telefônicas vermelhas tinham as janelinhas rodeadas por neve, bem como as árvores desfolhadas.

—Mais tarde vamos na Trafalgar Square ver as decorações de natal!! — Christ vinha animada e Richard negava com a cabeça.

—Você vai querer fazer tudo em um dia só??

Allen riu e continuou andando, deslumbrado com aquele lugar. Mais a frente, a London Eye despontava no horizonte, toda iluminada por pisca-piscas. Os prédios que ladeavam a rua também os ostentavam, e o parque que visitaram mais cedo tinha renas e casinha do papai noel.

O pequeno ouvia sua mãe listar uma série de atividades para os próximos dias, tais como visitar o Palácio de Buckingham – o qual Allen lembrava de já ter ido –, patinar no gelo no Somerset Hall, ir a um pub tomar cerveja inglesa, assistir à missa de Natal na Catedral de São Paulo e muitos museus, parques – mesmo debaixo de gelo.

Aliás, faltavam quatro dias para o Natal e seu aniversário.

—O que você acha de vermos o Nutcracker? — Sua mãe perguntou, animada para levar o filho para ver o tradicional ballet O Quebra-Nozes. — Aliás como está o seu ballet?

—Ah, está indo bem, estou sofrendo um pouco — Riu contido. — Mas no dia dos namorados vamos apresentar O Lago dos Cisnes.

E uma conversa em torno da carreira de sua mãe se iniciou até acharem um local para comer frango frito com hambúrgueres.

Passaram todo o dia andando até Christina ficar com os pés inchados e voltarem para casa. Os dias seguintes foram menos corridos, justamente por consideração à mulher, mas saíram para bares noturnos, foram patinar, viram Londres de cima. Tudo para Allen não conseguir botar defeito.

Londres era magnífica.

“Você tem que visitar Londres algum dia!” — Digitou no chat privado de Kanda, depois de já ter surtado com os amigos sobre o delicioso burrito que comeu.

“Por que?” — Ele respondeu após alguns minutos.

“É incrível, Bakanda! Tipo, tem tanta comida gostosa!!!"

E quando as coisas ficavam chatas ou o clima familiar sufocava Allen, ele se sentia aliviado pelos dias estarem passando tão rápido. Aquele era um ótimo feriado de Natal, sem dúvida, mas em certo momento, o garoto percebeu que queria ir para sua casa, queria abraçar seu pai, ver seus amigos e Kanda.

Ainda não sabia como classificar Yuu, mesmo que sentisse necessidade de fazê-lo. Acontece que, infelizmente, agora que estavam separados, descobriu estar acostumado com a presença dele ao ponto de sentir saudades. Fazia falta sentir seu cheiro, a presença dele perto de si.

Naquele momento, estavam saindo da missa de meia noite na Catedral de São Paulo e iriam para casa comemorar o aniversário de Allen. Christina lhe enchia de abraços, chorava e ria ao mesmo tempo. O albino recebeu ligações de seus amigos e passou quase uma hora com um Mana sentimental no celular. Era a primeira vez que passavam o Natal e seu aniversário separados.

Até agora, entretanto, Kanda não havia lhe mandado nada, e o menino já ficava impaciente com aquilo.

Entraram no carro e acabaram por enfrentar um congestionamento enorme devido ao fluxo de pessoas que saiam para comemorar a data festiva. Pessoas vestidas de vermelho, árvores decoradas na rua, homens de terno levando presentes para seus filhos. Era um clima bonito e aconchegante, virada do dia 24 para o dia 25.

O albino estava fazendo dezoito anos e Yuu não se dignou a ligar.

Enquanto ouvia sua mãe e Rich conversarem, observava a cidade através da janela e falava com seus amigos que lhe desejavam votos. Batia o pé em nervosismo e começava a pensar nos motivos plausíveis para certa pessoa não poder tirar um minuto para digitar simples palavras!

Bufou.

—Filho, tudo bem? Você parece com raiva… — Christina virou para trás e o Walker se repreendeu por ter deixado sua insatisfação tão visível. Acabou forçando um sorriso pouco convincente.

—É só que eu estava esperando uma mensagem…

–Ah! De alguma garota?! — Ela se animou e o albino quase se bateu. Era melhor ter ficado calado, ainda que fosse grosseria.

Sorriu amarelo e Richard novamente mudou de assunto. Começou a desconfiar sobre Rich talvez ter um palpite do por quê Allen sempre evitava falar de relacionamentos e fez uma nota mental de agradecê-lo depois. Porém antes que pudesse pensar em mais alguma coisa ou se sentir mal por ser tão evasivo, notou que estavam chegando em casa e na frente dela um carro totalmente preto estava estacionado.

–Aquele carro está na frente da garagem! — Rich reclamou e o aniversariante se empertigou no banco.

—Será que é algum convidado da vizinhança? — A loira perguntou e logo estavam parando próximo ao carro. Todos olharam para ver se havia alguém dentro do veículo, mas os vidros eram de um fumê que impossibilitava a visão do interior.

E aquilo não era tão estranho. Allen tinha a certeza que conhecia aquele estilo de carro.

—Será que tem alguém? — Sua mãe perguntou e Richard já ficava sem paciência. Antes, porém, de alguém falar mais alguma coisa, a porta se abriu e o albino sentiu sem coração bater mais forte.

De dentro do veículo, mais especificamente da porta do motorista, saia um homem alto, com um terno impecável, segurando uma caixa de presente em mãos.

Allen não pensou muito, pois sua intuição lhe dizia para ir até ele, e logo já saia do carro, ignorando o chamado de sua mãe.

Colocou as mãos dentro do casaco por puro nervosismo e logo estava frente a frente com aquele funcionário da Lune. Sim. Em seu terno, abaixo do nome, seguia o cargo de secretário da Lune.

—O senhor é Allen Walker? — O homem de curtos cabelos negros, barba mal feita e olhos verdes perguntou com um tom superior. O menor assentiu, o rosto corado pelo frio e pela vergonha. — O senhor Kanda Yuu pediu para entregar. — Estendeu o pacote. — Um feliz natal e feliz aniversário, senhor.

Desejou, enquanto as mãos pequenas e brancas pegavam o embrulho vermelho com um laço verde bem grande. Os olhos prateados brilharam e o funcionário reparou bem no quanto aqueles olhos lhe lembravam sua antiga patroa.

—O-obrigado… — Allen sussurrou baixinho e olhou para o interior do carro, curioso. Mas estava vazio, para sua decepção.

Kanda não estava ali.

Recebeu um aceno de cabeça e logo o moreno entrava no carro e dava partida, enquanto Richard entrava na garagem e Christina saia do carro.

—Isso é um presente, filho?? — Ela veio pisando com cuidado na grama coberta por gelo, mas não menos excitada. Seus braços agitavam em torno de seu corpo, mostrando sua animação pelo embrulho.

E pela primeira vez desde que ele chegou, a loira viu nos olhos do filho o brilho que queria que ele lhe desse.

O menino apenas sorriu gigantemente e correu para dentro da casa. Praticamente jogou-se no sofá ignorando as botas sujas de neve que molhariam a casa e começou a se desfazer do embrulho. Sem nenhum cuidado, descobriu uma caixa de papelão que continha plástico bolha e algodão até a borda e enfiou as mãos lá dentro.

Em segundos seus dedos tocaram algo gelado e Allen sentiu que poderia explodir. Encaixou o que quer que fosse nos dedos e foi puxando devagar.

Ali em sua mãos estava um globo de neve.

Sim, um globo de neve. Tipo aqueles clichês de filmes dos anos noventa que você sacode e enquanto a neve cai, faz um pedido. Um globo de neve redondo, com a base vermelha e um dos maiores símbolos de Moscou lá dentro: a catedral de São Basílio envolta por neve, que se você balançasse começavam a se mexer e a cair como uma chuva.

Christina chegou perto e pegou o presente, elogiando o quão lindo era e Allen só queria chorar mesmo. Acabou derrubando a caixa no chão e um pequeno cartão postal caiu. Pegou-o em mãos e na verdade era uma fotografia. Uma mão segurava alguma comida de rua que não conhecia, mas pensou ser russa, em frente a Catedral de São Basílio, enquanto a neve caia.

Ele sabia de quem era aquela mão.

No verso havia um escrito.

“Aqui também tem comida. Nós devíamos visitar Moscou. Feliz Aniversário, Moyashi.”

—--K&A---

Depois das horas definindo cronogramas, novas ideias de coleções, abertura de novas sedes, todos aqueles homens terminaram o jantar.

A sala de jantar daquela mansão foi usada para a recepção de assessores e acionistas da Lune, que naquela noite estavam em um jantar de negócios. Sim, negócios exatamente no Natal.

Kanda estava sentado ao lado do pai, vestia um terno sob medida, que lhe deixava com ombros fortes e largos, exaltando o físico do herdeiro. Seus cabelos estavam presos em um coque bem feito e a franja presa para trás no topo da cabeça por um grampo. Apesar disso, as feições másculas e os olhos negros afiados não deixavam nenhuma aparência feminina. O único brinco do Sistema Honey denunciava que Kanda havia escolhido alguém, uma vez que estaria com ambos caso estivesse sozinho.

Seu pai havia lhe avisado mais cedo que gostaria de conversar sobre.

Todos se levantaram, após um brinde de champanhe, e um a um vinham cumprimentar pai e filho. O moreno mais novo já estava ficando irritado com aqueles homens que agiam como se não tivessem abandonado a família durante o natal para passar a madrugada em um jantar com outros acionistas.

Para o Mestre, era estranho pensar que, mesmo sem família, estava tentando ser rápido com tudo apenas para ligar para Allen antes deste estar dormindo. Apesar de que na Grã Bretanha já deviam passar das uma da manhã. Porém não havia como negar que aquele era mesmo seu desejo, afinal nos últimos dias seus pensamentos se resumiam ao pequeno honey. Desde coisas boas até coisa sujas.

Da última vez que ligou para o pequeno, ele não fazia ideia do quão sedutor sua voz soou e naquele dia Yuu teve que demorar um pouco mais no banheiro.

Alguém veio falar sobre algo que Kanda não ouviu, pois desligou sua mente após o homem ter a audácia de falar-lhe com petulância e apontar sua idade como definidora de capacidade. Aproveitou que o pai estava distraído rindo e conversando e saiu do gigante cômodo iluminado por lustres adornados em ouro.

Toda aquela reunião fora feita em uma mansão de um amigo de Yuji, com objetivo de acomodar quem estivesse de viagem, como o próprio e seu filho.

Ao andar com passos largos para fora do lugar, Kanda não se dignou a observá-lo. Estava com uma ligeira dor de cabeça e uma carranca se formava devido aos tilintares das colheres de prata.

Aquilo era irritante e insuportável.

Mas ainda assim, para qualquer um, aquela era uma moradia impecável. Grandes tapetes bordados a ouro se estendiam pelo lugar, e toda a arquitetura rococó denunciava que aquela era uma construção de data que fora devidamente reformada.

Kanda assentiu para alguns assessores que lhe acenaram com as taças de bebida, enquanto passava elegantemente com uma mão pousada sobre a barriga, deixando à vista os anéis grossos e prateados que usava.

Logo chegou às escadas em T e subiu rapidamente, a mão livre apoiada no corrimão perfeitamente encerado. Deu graças quando viu-se longe de todo aquele barulho inconveniente e seguiu pelo corredor, com gigantes janelas que mostravam a neve caindo, até o seu quarto.

Entrou, imediatamente afrouxando a gravata. Trancou a porta e começou a retirar seu palitó e ficando apenas de colete e calça. Logo seus cabelos estavam seno soltos e o moreno pegava seu celular.

Bufou. Ainda que já estivesse quase amanhecendo na Rússia, eram pouco mais das duas da manhã em Londres.

Duas horas para Allen. As duas primeiras horas de seus dezoito anos e Yuu ainda não tinha lhe mandado parabéns. Estalou a língua.

Estava ficando muito, muito sentimental!

—--K&A---

Seus próprios gemidos se misturaram com toques de telefone e naquele momento Allen teve certeza que estava sonhando.

Um sonho erótico com Kanda.

Claro!

Como pôde ser tão estúpido ao ponto de acreditar que Yuu entrando pela sua janela de madrugada e tomando seu corpo na casa de sua mãe era real?! Deus, Allen Walker!! Ele estava do outro lado do continente!!

Bufou alto, com raiva de si mesmo. Até dias atrás estava pouco se importando com ele, mas agora, só porque ele estava longe de satisfazer suas vontades, estava tendo até sonhos desse… nível.

O celular que o acordou de seu sonho muitíssimo agradável havia silenciado e o Walker apenas conseguia xingar mentalmente quem quer que fosse o estúpido a acordar alguém no meio da madrugada!!!

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Na verdade, aquilo era frustração sexual. Tinha certeza.

Porque, conhecendo a si próprio, teria se aliviado caso terminasse seu imaginar. E agora ele realmente queria voltar a dormir e tentar despausar o sonho, porque aquelas sensações, naquela intensidade, era tudo que Allen queria. Era a coisa mais perto de alívio que podia ter no momento.

Ou era o que imaginava.

Olhou para baixo, chutando o edredom e vendo sua ereção bem marcada pelo short apertado de seu pijama.

Oh, Deus, precisava tanto! Doía tão gostoso…

Desceu a mão lentamente pela própria barriga, apertando seu baixo ventre e grunhindo baixinho ao sentir seu membro repuxar. Mordeu os lábios, e desceu as mãos sem pensar muito, arqueando as costas quando sentiu seus dedos gelados tocarem sua glande já quente e úmida.

Gemeu baixinho, segurando com um pouco de força sua extensão e fazendo movimentos circulares com seu polegar, o que só resultou em mais pré-gozo lambuzando sua mão e sua boxer.

Estava escuro, Allen não conseguia ver nada e talvez assim fosse menos vergonhoso. Na verdade, tinha certeza. Aliás, era melhor ele ir para o banheiro e terminar aquilo de uma vez, guardando aquela situação para sempre para si, pois ninguém precisava saber que… Bem. Ninguém precisava saber disso.

Mas antes que pudesse fazer mais alguma coisa, novamente seu celular tocou, e o albino grunhiu porque queria acabar logo com aquilo e poder dormir. O pensamento de não atender passou por sua cabeça, mas no calor do momento, mais preocupado em foder sua própria mão, pegou o celular e atendeu, já pronto para dizer algo curto e desligar.

—Moyashi?

E Allen engasgou, porque se sua boca se abrisse, a última coisa que sairia dali seria “Alô”. Acabou grunhindo, enquanto sentia seu pênis reagir imediatamente à voz daquele homem.

—Não queria te acordar, mas acabei ficando em uma reunião até tarde e não consegui te ligar.

Céus!!

O albino fechou os olhos com o quão rouca estava a voz dele...rouca e profunda. Como sempre foi, mas que agora fazia um estrago na sua sanidade. Teve que morder os lábios com força para conter um gemido em reação àquele estímulo e aproveitou para aumentar a velocidade de sua mão quando viu que ficava cada vez mais molhado com aquela situação.

Afinal, qual a probabilidade de Kanda ligar quando estava justo se masturbando pensando nele?!

—Você recebeu a minha encomenda? Faça um esforço e fale comigo, Honey.

Por todos os santos, aquela segunda parte foi tão desnec… maravilhosa! Oh sim!

Engoliu em seco porque sabia que não poderia fugir daquela pergunta, ainda que permanecesse focado no quão pervertido soou “Honey”. Ou seria sua imaginação?

—Si-Sim… — E puxou o ar com força travando um gemido no fundo da garganta, ao ouvir um grunhido de satisfação por parte dele.

—Você gostou?Droga! Kanda queria conversar nas horas mais impropícias!!

Ou seria bem propícia? Allen estava irracional.

—É...É lindo, Kanda… Obrigado… — Remexeu-se na cama, cravando os calcanhares no colchão, para subir o corpo. Mas o ruído dos farfalhar foi alto demais para um garoto que supostamente deveria estar dormindo.

—Que barulho foi esse? — O moreno perguntou e Allen se amaldiçoou. Ele não poderia apenas desligar?? Ou talvez ajudá-lo...

—Ahn...e-eu… — O celular estava quase escorregando de sua mão e o albino estava com pressa e com olhos ardendo porque só queria gozar e não podia! Era frustante! Bufou baixinho, empurrando as lágrimas garganta abaixo.

—Tem alguém com você, Allen?Perguntou com uma voz séria e baixa.

A primeira reação do menor foi querer gemer pelo seu nome ter saído com tamanha facilidade dos lábios finos de Kanda. A segunda foi se desesperar porque não! Óbvio que não estaria com ninguém! Que besteira!

—Não! Não, não… Eu só… — Puxou o ar, fechando os olhos e se forçando a falar normalmente. Muito tempo sem se aliviar e agora parecia sentir tudo dobrado. — Estou um pouco agitado.

—É tarde da noite, Moyashi. Não é hora para você estar agitado. — Desde quando ele era tão cuidadoso?? — Você está se sentindo mal?

Por Deus! Isso era de propósito, tinha absoluta certeza! Até a respiração dele estava audível através da linha e aquilo poderia ser considerada uma mais nova forma de tortura.

—E-estou bem, como foi o jantar?? — Emendou rapidamente, tentando fugir daquela conversar e encerrá-la o mais rápido possível. Querer ouvir a voz dele era uma coisa, mas deixar que ele soubesse o que estava fazendo era muita humilhação.

—O mesmo de sempre. Champanhe, homens presunçosos e tédio. Não esperava mais de um jantar na noite de Natal. — Ele continuou falando, a voz baixa, lenta, confiando aquelas palavras ao Honey. Seria lindo se não fosse a situação.

O pequeno aproveitou para se acalmar, acariciando-se levemente e usando o polegar para espalhar o pré-gozo pela sua extensão. Seu braço doía um pouco, mas não era algo que merecia atenção.

Perdido em seus próprios movimentos, a respiração mais profunda e os lábios já inchados de serem mordidos, o albino apenas concordava com o que ele dizia, em uhum´s esporádicos em um tom uma oitava abaixo do que sua voz naturalmente era.

—Se você não fosse você, eu diria que agora você está assistindo vídeos pornôs. – Ele soltou de repente, retirando-o de seu deleite para conseguir uma resposta em um tom nada convincente.

—Ahn...Eu só estou com um pouco de insônia. — Allen tentou, dando uma risadinha murcha e claramente falsa. Kanda estreitou os olhos do outro lado, conhecendo bem o seu Honey para cair nessa.

—Tudo bem. — Mas decidiu jogar, para o desespero do mais novo, que nem ao menos prestou atenção no tom desconfiado. — Eu vou desligar para você tentar dormir, certo?

—Ah,s-sim! Sim! Seria ótimo! — E a voz soou tão mais animada que fora uma tentativa estúpida de mentira. Yuu parou de rodar o quarto e sentou em sua cama.

A calma que tinha obtido ouvindo a voz do pequeno fora toda embora e imagens de traição fervilhavam em sua mente. Entretanto, naquele momento, ele não queria gritar, não queria socar algo e nem xingar a Deus e o mundo, como geralmente fazia. O moreno só passou a mão no cabelo, as veias do braço dilatadas de tanto nervosismo. Pior, de decepção.

—Moyashi. — Sua voz soou séria e autoritária, mas Allen ainda estava envolto na nuvem de excitação e não notou que algo claramente estava errado.

—O que foi?! — Ao contrário, soou impaciente e isso só piorou o fervor e o ciúme, misturado com a decepção, que tomava o corpo do Herdeiro.

— Você realmente acha que eu acreditei nessa desculpa esfarrapada? — Ele praticamente rugiu, enquanto puxava os fios longos e negros. Sua cabeça girava, o sangue se concentrando todo ali, enquanto o coração ameaçava parar quando errava algumas batidas.

Ele confiou, ele tentou, tentou verdadeiramente. Mas no final, estava certo. Não existia amor, não deveria existir essa confiança. Tudo que sempre fez foi esperar por nada e agora sofria mais uma decepção, essa talvez pior do que todas as outras juntas.

—O- o quê? — O Walker abriu os olhos e parou tudo que fazia num choque. Sua mão se apertou ao redor do telefone e o coração acelerou de forma assustadora em sua caixa toráxica. De repente o ar ameaçou abandoná-lo quando ouviu a voz furiosa do outro.

—Eu sou mais velho e mais experiente. — Yuu sibilou. — Sei que nenhum garoto de 18 anos passaria a madrugada com uma simples insônia. Não nesse tom de voz de vadia como você está.

Ouch. Aquilo havia perfurado o peito magro do mais novo e Allen imediatamente levou a mão até seu coração, acabando por sujar seu peito com o próprio sêmen.

—K-Kanda, e-eu só… — Allen, ofendido e sem entender, sentou-se na cama sobre joelhos, a ereção sendo ignorada e os lábios sendo mordido de nervosismo. O clima virou de uma maneira tão absurda que o chão parecia ser puxado lentamente sob seus pés.

—Não gagueje para mim. — O moreno ameaçou, e o albino fechou os olhos com força porque, querendo ou não, seu corpo reagiu àquilo. A mão pequena estava fechada em punho sobre sua coxa e ele se recusava a fazer qualquer coisa antes de resolver aquele mal entendido. — Eu sou seu Mestre, ainda – Ele sussurrou a última parte e excitação misturada de dor tomou o corpo do Walker. — Você me deve uma explicação.

Era sua deixa. Sim, uma necessidade gigantesca de se explicar tomou sua língua e antes que ele pudesse sequer pensar, já abria a boca, os lábios molhados e rosados buscando palavras.

—E-eu nã, vo-você entendeu errado, eu só… Não tem ning- Interrompido.

–Já disse para não gaguejar, Allen. — Ele ordenou duro e um arrepio subiu a coluna do Honey, que apenas se viu sussurrando completamente vulnerável.

—Eu… estava me masturbando… — Tão, tão baixo e com tanta vergonha que diria que Kanda não tinha ouvido. Exceto, claro, pelo som surpreso que ecoou pela linha.

Agora sim. Allen estava sujo de sêmen, suado e corado, morrendo de vergonha de ter falado algo tão pessoal assim. Seus olhos enchiam de lágrimas apenas pelo tom rude dele, ainda que permanecesse com o membro latejando e intocável.

– O quê? — O mais velho perguntou, passando a mão no rosto e sentindo seu corpo reagir pelo tom de voz inocente e desprotegido. Allen nunca tinha se mostrado tão vulnerável, e se ele não estivesse com ninguém…

– Não… não tem ninguém comigo, eu só tive… tive um sonho… — A voz fina, suave e ligeiramente manhosa soou pela linha e, porra.

Oh, sim. Kanda era o pior Mestre de todos. Seu garoto precisava de si e tudo o que fez foi gritar com ele.

—Oh, droga, Allen… — Sussurrou arrastado do outro lado, enquanto desabotoava a calça e abria o zíper, a fim de deixar o próprio membro, que dava sinais de vida, livre.

—E-eu não queria… M-me desculpe. — O pequeno já nem sabia o que dizia, apenas sentia e falava tudo, enquanto arrepios tomavam seu corpo e ele voltava a se deitar e apoiava os calcanhares na cama, as pernas tremendo.

Sua mão permanecia fechava na barriga, e inconscientemente ele esperava uma ordem para satisfazer-se.

–Não se desculpe, Honey. Eu que deveria me desculpar por ser um péssimo Mestre, desconfiar de você e ainda não estar aí para te aliviar. — Continuou, ajustando a voz para poder desculpar-se através de atos com o seu menino. — Mas eu vou ajudar você com isso, babe…

O albino apenas grunhiu, sua mente ficando em branco, a mão abrindo e querendo descer mais. Entretanto ele apertou a própria pele, gemendo com o formigamento que ficou em seu quadril. Seu lábio inferior estava preso entre os dentes e, Deus, realmente precisava se tocar.

–Deite para mim, hm? — Ele ordenou, mas logo emendou. — Ou você já está deitado, como o bom garoto que é?

—S-sim… — Allen miou, os instintos assumindo seu corpo rapidamente e retirando qualquer filtro de sua boca.

—Ótimo, babe, ótimo. — Kanda suspirou enquanto passava a mão sobre sua extensão, que reagia com a voz de seu Honey. — Você agora vai pegar no seu pau e vai fazer um carinho nele bem gostoso, porque é isso que eu faria se estivesse aí, yeah?

Se era possível a voz do moreno ficar mais grossa, Allen não sabia, mas jurava que havia ficado.

Logo não custou para obedecer, ofegando quando sua mão, que já havia voltado para a temperatura ambiente, tocou seu pênis inchado.

—Você está fazendo direitinho, hm? Bem devagar? — Perguntou, mas Allen mantinha os lábios tão apertados que não respondeu. Kanda grunhiu e engrossou a voz. — Responda.

Foi o suficiente para um choramingo sair dos lábios quase sangrentos de Allen. Uma agonia tomava o corpo do menor, fazendo esfregar-se contra o colchão enquanto esperava ansioso pela próxima ordem. Não queria responder! Só queria… Só queria gemer alto e gozar! Só!

–E-Estou! — Aumentou um pouco a voz, tentando deixar a impaciência presente para que ele pudesse tomar providências.

Yuu riu nasalmente. Um riso pervertido que fez Allen respirar fundo e aumentar os movimentos de sua mão. Apertou a cabeça de seu membro delicadamente e mais pré-gozo molhou seu dedos, os deixando completamente deslizantes.

Era tão sujo e gostoso…

-Sabe… — A voz do mais velho chamou. — Por um momento eu pensei que você estivesse me traindo, babe… Eu fiquei enlouquecido, sabia? — O Walker prendeu o gemido na garganta, seu interior se contraindo em resposta. — Diz para mim que você está sozinho, hm? Eu sou seu Mestre, você me deve isso.

—N-não!...Não tem... ninguém… — Choramingou baixinho, arrastado, enquanto se contraía por inteiro. Imaginar Kanda possesso com um possível alguém ali era alucinante.

O moreno deu uma risadinha, que forçou o albino a abrir a boca em um O e soltar o ar da forma mais silenciosa possível.

—Eu queria você aqui comigo, Allen… — Ele carregou a voz no nome do seu garoto, a arrastando o máximo que pode. Sorriu com o que iria falar em seguida. — Porque só a sua voz já me faz ficar duro… Você ficaria lindo com sua boquinha ao redor do meu pau.

Um gemido alto escapou da garganta do pequeno, apertando mais seu membro inconscientemente.

-Y-Yuu!! — Ele até tentou se recompor e repreender a falta de… Bem, mas só o risinho que Kanda deu foi o suficiente para decompor o pequeno em geleia, as pernas trêmulas e sua entrada contraída.

Allen tentou ofegar o mais baixo possível, com medo de acordar alguém na casa.

—Por que você está sendo silencioso? — Kanda interrompeu e a frase veio com um tom safado. Era bem óbvio, mas o garoto não respondeu a provocação e Yuu sorriu do outro lado da linha. — Não seja um garoto malvado me privando de ouvir sua voz, Honey.

O menor grunhiu, quase concordando, mas alguma coisa o fez ser sensato. Estava na casa de sua mãe, a porta provavelmente não estava trancada e sua mão estava completamente tomada de pré-gozo, que ainda molhava sua entrada.

—Mas não importa, quando estivermos no meu quarto você pode gritar o quanto quiser… — Yuu pareceu falar para si mesmo e logo continuou… — Vamos agilizar, sim?

Allen balançou a cabeça desesperado, sussurrando sem fôlego vários sim´s. O mestre continuou e por um segundo o Walker quase riu porque aquilo parecia “ O Mestre mandou”, numa conotação bem mais safada e… gostosa, é claro.

—Coloque o celular no alto-falante, Moyashi… Você vai precisar das duas mãos para o que vamos fazer. — O moreno sussurrou e ouviu seu Honey suspirar. Como ele foi capaz de tentá-lo desse jeito quando estão tão longe? Kanda já tinha seu membro vivo e suplicante em sua mão.

O que ele não faria para ver o rostinho lindo de seu garoto implorando para ser fodido?

—M-mas...m-minha mãe… — Gaguejou, mesmo que já tivesse afastado um pouco o telefone.

—Shii, fica caladinho. É só você não fazer tanto barulho que eu ajudo você. — Obviamente, Yuu queria sim que ele fizesse barulho, mas iniciar aquela discussão apenas atrasaria o que ele estava ansioso para ouvir.

E Allen obedeceu.

—Pront-to… — Soluçou, usando as duas mãos para se masturbar com força.

—Não volte a se masturbar ainda. — Ele ditou, assumindo uma voz autoritária e automaticamente o mais novo parou seus movimentos, choramingando desgostoso.

Naquele momento, obedecê-lo era uma necessidade, bem como tê-lo dentro de si.

—Ma-mas… — Até tentou porém Kanda o interrompeu.

—Agora pegue o primeiro hidratante que você ver. E eu sei que você passa hidratante de morango. — Sim, ele tinha que se segurar para não tomar aquele corpo para si toda vez que sentia o cheiro daquele creme. Se segurando para não agarrar com força a cintura levemente acentuada e roçar seus quadris até que pudesse ouvir a voz melodiosa soar no seu ouvido.

Ali, apenas metade se seu desejo estava sendo realizado e o mais velho não via a hora de realizá-lo por completo.

O albino apenas esticou o braço e pegou o vidro de hidratante indicado em cima do criado-mudo. Seu membro pulsava e era uma droga fazer aquilo sozinho. Yuu sussurrava coisas sujas, mas Allen se sentia vazio porque ainda sentia seu corpo frio, suas coxas livres, seus lábios secos.

Ele queria Kanda em cima de si, apertando-o, beijando-o e molhando seu peito com saliva enquanto podia agarrar os seus cabelos e gemer bem al...

—Tu-tudo bem… — Pausou seus pensamentos e avisou, esperando que ele falasse. Era possível ouvir a respiração descompassada do moreno e um ou dois suspiros.

—Sim… — Ele parecia inebriado e o pequeno se pegou desejando ver como ele se tocava, como ele… era. — Passe em seus dedos agora… — E Allen começou a obedecer. — Eu sei que você já está todo molhado, mas isso vai tornar mais gostoso, Honey.

Allen mordeu os lábios enquanto molhava seus dedos e depois fez silêncio. Estava com vergonha de pedir pelo próximo passo.

—Agora se deite. — O mais velho pareceu entender e apenas ordenou, a voz mais séria como se estivesse concentrado. — Quero que você segure seu pênis com uma mão, e o levante. Se masturbe no ritmo que quiser, bem gostoso, mas não goze. Entendido? Você está proibido de gozar.

—En-entendido… — Sussurrou num fio de voz, já com os dedos ondulando seu pau. Apertava os dedos do pé no lençol, com antecipação para o que vinha. E, sim, ele sabia o que aconteceria.

—Agora você vai descer a outra mão pela sua barriga… Acaricie o seu quadril para mim, eu adoraria marcá-lo agora… — Suas ordens eram obedecidas. — Quero que você aperte suas bolas, hm?… Geme para mim, Allen...

Apenas grunhidos saíram de sua boca, a garganta se recusando a aceitar a segunda parte. Um calor extasiante tomava todo seu corpo, numa excitação febril e tudo que queria era que os olhos negros estivessem lhe observando e expulsando para fora de seu corpo o que ainda restava de inocência.

—Tudo bem, chega. — Não havia paciência em sua voz. Talvez uma pitada de frustração por não ser ele quem fazia aquilo. — Desça mais e encoste na sua entrada. Rodeie ela com o dedo e a massageie, Honey. Eu gostaria de colocar a língua também, mas isso não é assunto para agora… — Ele sussurrou e Allen engasgou enquanto o ouvia e fazia o que lhe era ordenado.

Sua vontade era de terminar logo e desabar na cama, mas Yuu parecia fazer questão de lhe torturar.

—K-Kanda… Rá-pido… — Pediu e, não, não ia implorar nada. Não agora, pelo menos.

Você pode fazer, Moyashi. Vá em frente, enfie os seus dedos… Se satisfaça, mas eu vou te dar coisa melhor quando chegar. — Prometeu, odiando tudo e todos por não poder presenciar a cena que se passava do outro lado do continente.

No final, o albino já estava socando a própria entrada com seus dedos sem nem perceber. O primeiro dígito foi relativamente fácil, pois deslizou facilmente. Os seguintes tiveram bônus de Yuu rugindo o quanto queria foder sua bunda.

—Como é, Allen, hm? — Perguntou impaciente, agitado. — É apertado? Quente? É gostoso, hm? -Ele queria aquilo! Sua mão jamais iria retirar a frustração de não ter aquele corpo pecaminoso para si no momento. — Responde!

—Siim! Sim! É… É q-quente… Sim, Deus...

Do outro lado da linha, o Mestre tinha o maxilar travado ouvindo seu Honey gemer baixinho, engasgar com a saliva, pedir à Deus, e chamar seu primeiro nome sem perceber.

O que a madrugada não fazia?

Rodou os anéis nos dedos, pensando no quão gostoso seria pegar aquelas coxas fartas e marcá-las até que os detalhes dos anéis ficassem na pele branquinha e macia de Allen.

—O-oh my… E-eu acabei de sair da...hm...i-igreja… — Ele sussurrou, já sem saber o que falava.

Kanda riu nasalado e o pequeno arqueou as costas de tesão por aquela voz.

—Que garoto sujo eu fui arranjar… — Sussurrou, enquanto agarrava a própria ereção e grunhia baixo. Allen sentia vontade de gritar com tudo aquilo. — Agora que estou bem longe de você, você me apronta uma dessas… — A rouquidão de sua voz estava matando o mais novo.

—K-Kanda...e-eu…

—O que você quer, Allen? — Falou o nome de propósito, a voz forte, autoritária. — Porque eu queria estar enfiando meu pau lentamente em você agora.

—A-ahh… — O albino arfou, tocando seus dedos mais fundo e tentando alcançar sua próstata. Sem sucesso. A própria posição não ajudava e aquilo era enlouquecedor!

Seu corpo tremia, e usava a mão livre para manusear seu pênis, que parecia maior do que pudesse imaginar que ele ficaria. Naquele momento, não lhe passava pela cabeça que poderia estar sujando o lençol da sua mãe de porra enquanto se excitava com a voz, e apenas a voz, de Kanda.

Imagina se fosse ele inteiro.

Oh, sim, ele imaginava...

—Você consegue imaginar isso, Moyashi? — Perguntou, mas só ouviu o menino choramingar do outro lado da linha e, por Deus, queria fodê-lo com toda sua força. Como queria. – Consegue?– Repetiu, com possessão na voz, exigindo uma resposta.

—S-Siim… — Arrastou a voz, enquanto movia seus dedos rapidamente dentro de si. Era a primeira vez que fazia isso, mas a necessidade de ser preenchido falava mais alto e não conseguia sentir vergonha de estocar sua entrada com seus próprios dedos.

Allen nem mesmo percebeu quando sua voz engatou e um arrepio desceu por sua coluna, concentrando-se em seu ventre e envolvendo o garoto numa nuvem de orgasmo.

Nenhum dos dois pareceu se importar com o gritinho ligeiramente agudo dado, muito menos com a hora ou com o lugar. E quando o albino tentava respirar de novo, o cansaço afundando seu corpo na cama, Kanda soou no quarto preenchido com a respiração descontrolada do menor.

—Você gozou, Moyashi? — O menino grunhiu e Yuu lambeu os lábios ao olhar sua mão suja de sêmen. — Eu não vejo a hora de pôr minhas mãos em você…

Admitiu baixinho aquele desejo pelo qual sua alma queimava já há algum tempo. Entretanto Allen apenas suspirou e a linha ficou vazia, não dando atenção para o que o outro dizia.

Demorou alguns longos segundos para o maior recuperar a respiração perdida. A garganta um pouco seca e ardida pelos sussurros e pelo uso da voz que suas Honeys gostavam. Já fazia um tempo que não fazia aquilo, que não assumia aquela personalidade, e que não sussurrava as palavras sujas que eram quase obrigatórias naquele mundo em que vivia. Palavras que fora obrigado a aprender a usar, mesmo que não fossem de seu feitio.

Era tão novo e… estranho... Allen aceitar aquilo...

Pausa.

Houve um momento em que o Mestre se assustou um pouco com seus pensamentos, um arrepio estranho percorrendo seu corpo.

Ele observou sua própria mão suja por alguns segundos, mexendo os dedos e sentindo a conhecida viscosidade do sêmen. O silêncio do garoto do outro lado da linha, como se tivesse imediatamente desmaiado, fez o moreno franzir as sobrancelhas.

Talvez ele apenas estivesse descansando, certo?

Ou não.

Fechou os olhos rapidamente quando uma pontada forte apertou sua cabeça, sentindo o corpo pesar de uma só vez, e crispando os lábios.

—Allen? — Perguntou, hesitante, e a falta de resposta fez seu coração falhar uma batida.

Um gosto amargo tomou sua boca.

—Você está acordado? — Insistiu, uma porcentagem pequena de desespero em sua voz.

Será que…

Subitamente, imagens dos sorrisos e das carrancas do albino tomaram sua mente e foi como um soco que a verdade veio a tona.

Aquele não era Allen. Não em seu estado consciente.

De imediato, fúria, culpa e remorso tomaram o corpo do mais velho. Havia sido um erro, uma coisa do momento onde Allen, em sua nuvem sonolenta, estava irracional e tomado por efeitos da puberdade!

Então toda a excitação e a satisfação foi sugada de seu corpo como intrusas que não deveria estar ali.

—Porra… — E uma dor de cabeça forte, o moreno acreditava, fez seus olhos arderem e alertas de problemas tumultuarem e ocuparem sua mente por inteiro.

Notas finais
Bom, é isso. Também gostaria de avisar que troquei de computador! E isso foi muito bom! Porém não estou usando o Word porque não deu para comprar, estou usando o LibreOffice e quando fui passar para cá, os espaços entre os parágrafos dobraram! Eu tentei arrumar um por um, mas não sei se deu certo! Alguém tem alguma sugestão de substituição do Word? Aliás, por favor sejam sinceros em seus comentários, critiquem e me ajudem com isso. Estou perdida, nem lembro o que quero mais para essa fanfic, não sei se essa masturbação ficou esquisita, ou se ficou rápida demais. É o que eu peço de vocês. Ainda não respondi a todos os comentários, mas vou fazê-lo porque eu amo vocês e amo comentários. Só preciso criar coragem, porque estou com medo e com vergonha. Por último, sei que muitos leitores me abandonaram, e muitos não irão comentar. Gostaria de pedir desculpas mais uma vez, não foi minha intenção. Com isso, boa noite e muito obrigada por chegarem até aqui. Um grande beijo!