Honey

3 ...Mas sofra o futuro.


Notas iniciais
Feliz vida, beautiful peoples. Estou eu aqui tendo que fazer trabalhos, depois de um dia na farra, mas tudo bem. Reflexões para esse capítulo: Vamos ver uma coisa ruim acontecendo com o albino! Ele vai sofrer as consequências de deixar o brinco de lado. Claro que não vai chorar, e eu não pude dramatizar muito, mas tentem compreender o lado do Allen, Ok? Não é todo dia que chega um falando que é seu dono, então ele está bem confuso mesmo, com medo, enjoo,raiva e mais uma gama e beta de coisas. Senhor Yuu Kanda apareceu!! E as dez punições? Enfim, vão ler! Agora a fic finalmente vai esquentar! Mas tenham paciência, o nosso albino lindo tem que se acostumar com a situação ~~ Boa leitura ~~

–Allen..

Uma única voz madura soou no recinto escuro. O ar condicionado deixava o ambiente um pouco gelado, e o ser entre as cobertas se acomodava deliciosamente. Ah, férias era tão bom.

–Allen.. Filho.. – Insistiu.

Se estivesse acordado, Allen teria notado o homem encostado na porta e com a escova entre os dentes. Mas apenas resmungou, retornando para o maravilhoso mundo do nada.

–Hmm..

Pouca coisa podia ser vista do garoto. No momento era apenas um rolo de cobertas com alguns fios brancos a mostra. E pretendia ficar assim para sempre, aquela felicidade estranha.

–Você está atrasado para a aula. – A voz soava um pouco anormal, portanto não devia ser importante, e dessa vez não se dignou a responder. A coberta estava lhe ninando tão bem..

–Allen, você está me ouvindo? – Depois de alguns segundos a voz tornou a soar, irritando o garoto que já estava caiando novamente no sono. O pai insistia porque sabia do estado de letargia do menino ao acordar.

–Uhummm.. – Murmurou mais forte, um pedido para deixar-lhe em paz.

–Já passou da hora. – O homem respondeu simplista, desistindo, e voltou ao banheiro do lado do quarto do menino.

–Ahh.. – Gemeu incomodado entre o aconchego. Alguma coisa que o pai falava poderia ser importante. – Pode ser... Pão com mel.. e queijo.. compra lá.. – Silêncio. A débil consciência demorou um tempo para deduzir, que, talvez, o pai quisesse uma resposta concreta. – SEILÁ! PAI, ME DEIXA DORMIR!! – Gritou. Poxa, estava tão bom! E não dava pra forçar sua mente enquanto dormia. Podia ser qualquer coisa pro café, o pai sempre fazia coisas gostosas mesmo.

Depois de alguns segundos, Mana respondeu.

–Okay.. – A voz baixa e fechou a porta. Allen suspirou e voltou a rolar-se.

Nos minutos seguintes a culpa por ter elevado a voz com o pai corroeu o pequeno lentamente e os lençóis pareciam ter virados espinhos demoníacos que lhe machucavam. Ah, só podia ser brincadeira.

Ainda enrolou algum tempo, negando o Daimonium * que sua mente insistia, mas desistiu quando começou a sufocar com o tanto de travesseiros e viu que não mais conseguiria dormir. Bufou enquanto chutava os lençóis, encarando o teto por alguns segundos.

Ahh, ficar ali era tão bom! Férias era tão bom! Sem o sufoco das provas, da nota, poder dormir sem culpa!

Teria que se desculpar com o pai, claro, mas ainda suspirou aliviado, sentindo o ar entrar nos pulmões e a calmaria tomar seu corpo num arrepio gostoso. Eram esses momentos que queria levar pra vida toda, por isso tratava de gravar cada detalhe. O jeito como alguns fios de luz passavam pelo blackout e a maciez da cama. Até mesmo o cheiro de cama dormida ele pretendia decorar.

Achou que um música combinaria com o momento, esticou o braço até a cabeceira tateando pelo celular. Acendeu o visor e logo avistou uma mensagem. Era Lenalle.

“Pronto?”

Pronto pra quê? Foi o que pensou e logo tratou de repassar na cabeça se seria domingo e teria aula com Anita-san. Mas não, graças aos céus era segunda e podia simplesm..mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm.

No súbito o monólogo do pai veio-lhe a cabeça, como uma flecha certeira banhada em veneno que amoleceu todo seu corpo para, enfim, sacudir toda sua espinha e arrancar-lhe um grito.

–AAAAAAHHH! NÃO ACREDITO! AI MEU DEUS! – O garoto saltou da cama ainda com as pernas meio moles, largando os lençóis jogados no chão e quase derrubando a porta do quarto. O visor do celular avisava que eram 06:30. – ISSO NÃO PODE SER VERDADE! – Praguejou enquanto se lançava no banheiro, sem lembrar se trancou ou não a porta, e empurrava o corpo contra a água gelada.

E foda-se choque térmico.

O pobre garoto não passou dez minutos no banho e correu apressado para o quarto. Devia ter molhado o chão todo, era o que Mana pensava enquanto ouvia os passos desesperados do segundo andar na madeira e ria baixinho.

O desespero de Allen era tanto que ignorou quando, vestindo a cueca, notou que sua coxa estava um pouco escorregadia. Talvez o sabão tivesse infiltrado em sua pele. Mas não importava. Vasculhou o guarda-roupa, bagunçando-o todo e ainda não achando o uniforme. Droga, como aquilo poderia sumir??

Correu só de cueca e pôs a cara para fora do quarto.

–PAI! CADÊ MEU UNIFORME??? – Os segundos que o homem demorou para responder irritaram o albino, assim como a voz incrivelmente mansa, alheia ao sofrimento do filho.

–Você que tem que saber. – Revirou os olhos, bufando e quando ia trancar-se de novo, a voz fez-lhe o favor de oferecer mais uma dose de disforia. – A Lenalee está esperando na sala.

Com isso, esqueceu da própria respiração e jogou todas as roupas no chão do quarto, procurando pela cor já conhecida. Assim, que a encontrou, pôs-se a vestir a calça, e acabou pulando de um só pé de um lado para o outro.

Que belo começo de aulas.

Era uma calça preta de um tecido meio grosso e uma camisa social branca que tinha uma dupla estrela do lado esquerdo. Eles também pediam gravata, só que não era obrigatório e Allen a odiava.

Vestiu a camisa, abotoando meio desleixado, e jogou o moletom cor de creme e gola V quentinho por cima. Podia até ser uma lembrança da cama que deixara, tristemente, para trás. Passou a mão nos cabelos, sem tempo de pentear, e apenas preocupando-se em não deixar o brinco à mostra.

Só voltou a respirar quando estava descendo as escadas de dois em dois degraus, e gritou antes que chegasse ao térreo.

–ME DESCULPA, LENNA! O CELULAR TAVA NO MODO NOITE.

Era verdade, o modo noite impedia que qualquer ruído atrapalhasse o albino de 23h até as 10h da manhã. Quando arrumou a mochila vazia nos ombros, olhou pro relógio vendo que, não, não daria tempo de comer.

Uma fisgada no peito nessa hora e a conhecida carinha triste do albino.

Lenna riu.

–Peguei seu café, Allen-kun. – E ergueu uma sacola abarrotada de coisas. Imediatamente, os olhos do albino lacrimejaram.

–ARIGATOU, LENNA!! VOCÊ É UM ANJO! – Pulou em cima da garota, quase escorregando na própria meia. Mana riu.

–Eu que fiz, viu? – E o filho virou-se para ele, com o sorriso mais brilhante que se pode dar numa segunda feira de volta às aulas e atrasado. O pai ainda remexia ovos fritos no fogão.

–Eu te amo, pai. – E pela primeira vez, a voz do albino soou adocicada e calma naquela manhã. Ele abraçou o pai por trás com ternura e depositou-lhe um beijo entre as escápulas que fez o mais velho sorrir.

Aquela era uma mania de Allen. Dizia “Eu te amo” sempre que podia, apenas para lembrar o pai de que seu amor estava ali. Intacto.

– Boa aula, filho. – Mana lançou-lhe um olhar quente e teria o abraçado se não estivesse ocupado e cheirando a ovo. Allen sabia que só por aquelas palavras seu dia iria ser inimaginavelmente bom.

Em segundos, Allen e Lenalee andavam apressadamente pelas ruas. O albino verificava se não havia esquecido as chaves da casa e do armário e a menina ria enquanto procurava uma música e admirava as pétalas que começavam a desabrochar. Realmente, setembro era um mês muito agradável. As flores, o cheiro e até o clima!

Poderiam ficar ali pra sempre e, se dependesse de ambos, nunca chegariam à escola.

Infelizmente a vida não era assim. Talvez ela não gostasse de rosas, afinal.

Chegaram e entraram no prédio segundos antes do primeiro sinal, precisando correr para pegarem o portão aberto. Cumprimentaram alguns conhecidos e foram ver a lista de distribuição do terceiro ano.

Para facilitar, se dividiram ao olharem as fichas e Allen vibrou quando contou pra Lenna que estavam na mesma sala. Era muita adrenalina para uma mera segunda feira!

Correram ambos com sorrisos esquisitos nos lábios, caindo na gargalhada quando já estava dentro da classe. E se algum deles fosse supersticioso, diria que aquela segunda era uma palinha da loucura que seria o ano. Todavia, bem, era melhor viver um dia de cada vez, sem preocupar-se com brincos esquecidos e gravatas não postas.

Allen recuperava o fôlego sentado numa cadeira colada à parede com janelas e virado de frente pra Lenna. Ria a cada meia palavra que a menina tentava proferir, a adrenalina que corria pelas veias ainda deixava o menino meio aéreo. Os alunos que iriam acompanhá-lo em mais um e o último ano estavam espalhados pelos cantos da sala, uns jogados nas carteiras e outros sentados na mesa. Se reparasse bem, veria alguns comentando sobre outros e uns meninos com olhares estranhos como se pensassem “Como aquela fulana criou tanto peito em um mês??”. E todos riam, cada qual por seu próprio motivo, sem nenhum desconforto.

Logo, passado uns bons minutos em que os mais ligados se perguntavam onde estaria o professor e a maioria agradecia pela demora, aparece um homem na porta da sala. Todos se licenciaram quando o mesmo deu um passo para dentro e procurava com olhos cansados algo numa prancheta. Quando achou, pigarreou, todos os olhos curiosos virados para si, e alguns meios sorrisos.

– Quem aqui é Allen Walker? – Era um cara loiro, vestia um jaleco com o símbolo da escola por cima da roupa casual e tinha o cabelo meio jogado para cima.

–Sou eu, por quê? – O próprio respondeu e ergueu a mão, ainda com os lábios torcidos e lembrando da cara boba do pai que, possivelmente, tinha esquecido de assinar algum documento da escola.

–Você pode vir comigo? Houve um problema na sua ficha. – E novamente, olhava para a ficha, como se conferisse, já virando-se. Allen pegou a bolsa ainda vazia (tinha esquecido de passar no armário) e deu um suspiro cansado para a amiga.

–Esse Mana.. – Deu-lhe um beijo na bochecha por simples vontade e lamentando se tivesse que trocar de sala. Lenalee ria baixinho e lhe lançava um olhar de compaixão.

O albino apressou o passo e seguiu o homem loiro até a diretoria, onde ele lhe deixou sentado enquanto se metia lá pra dentro. Allen pensava na bronca que daria no pai por fazer-lhe passar por aquilo e ainda perder a apresentação dos professores (Boatos diziam que todos do terceiro eram loucos) enquanto tamborilava os dedos na calça num ritmo qualquer. Dentro de alguns minutos, o homem saiu de lá, com uma cara não muito boa que fizera a feição do menino enrijecer um pouco.

–Sr. Walker, aqui consta que o senhor é Honey de um membro do Kugeka.. – Allen ergueu a sobrancelha e Reever, o nome bordado no jaleco, olhou pra outra pilha de papéis, meio apressado e amassando algumas. – Yuu, do senhor Kanda Yuu.

Instantaneamente, Allen arregalou os olhos, a mão buscando o brinco ignorado por todos os dias passados. O que fez depois de as lembranças assolarem sua mente não devia ser considerado uma respiração. Era como se seus pulmões tivessem tragado o ar com a única finalidade de lhe explodir por dentro..

–A-ahn..? – Bem, quando alguma coisa muito estranha acontece é normal se sentir enjoado,e o albino olhou pro chão para conferir se ele ainda estava lá. Era sufocante a sensação de estar sendo espremido pelas paredes e tendo suor arrancado pela luz muito amarela que iluminava uma parte do local. – H-honey? Eu não quero nada disso.. – Apertava o brinco, talvez esperando uma mágica o fizesse soltar. Lembrava bem dos olhos negros e não queria, em universo nenhum, ser alguma coisa dele, seja lá o que signifique ser um “Honey”.

–Ser um Honey? – O loiro questionou como se ouvisse uma piada, na verdade nem ele mesmo concordava com aquele sistema. – A questão não é ter a intenção. – Explicou, como se estivesse sensibilizado com a confusão do garoto. – Você foi escolhido. Se quiser recusar, assine esse termo de responsabilidade. – Entregou-lhe o papel e os olhos claros bateram direto na cláusula XVI, como uma atração repulsiva.

“Esteja firmado que, diante deste, o rompimento do contrato acarreta a expulsão definitiva do contratado da instituição educacional Academia Ordem Negra.”

Suas mãos tremeram. Que contrato? Quando tinha assinado algo assim? Pelo que bem lhe fora ensinado, Allen sempre lia tudo que recebia antes de assinar, afinal a última falha ocorrida obrigou-o a assumir a responsabilidade de uma conta que o senhor Cross Marian tinha causado em um dos bordéis da cidade.

–Vai assinar? – E quando a voz lhe chamou para a realidade, sentiu um arrepio desgostoso subir seu corpo e os olhos arderem em antecipação de alguma coisa.

–E-eu.. – Começou, as orbes trêmulas e tontas. Iria vomitar a qualquer momento. – Não posso... – Sussurrou, apertando com mais força o papel.

Como tudo tinha desmoronado daquele jeito?

Queria conseguir ler, mas as letras dançavam no papel, rindo de sua cara, quase todas assumindo chifrinhos na cabeça e os olhos negros que vira naquela noite.

Sentiu mais ainda quando o homem pareceu tão acostumado, quase transmitindo uma vergonha ou pena alheia, e deu de ombros.

– Então venha. – Tomou o papel da mão do albino, misturando-o com outros. – Está atrasado. – E pôs-se a andar por corredor que Allen não conseguia reconhecer. Seguiu-o por não ter outra opção, pelas pernas empurrarem-lhe para aquela direção.

Estava tão conflitante que não percebeu quando atravessaram o pátio da escola e só pode procurar a sala em que estava com Lenalee por mero instinto. Vasculhou umas diversas janelas e, assim que a encontrou, viu na face dela uma expressão tão confusa como a sua. Ela espalmou as mãos na janela e Allen leu em seus lábios o próprio nome, uma pergunta de “O que está acontecendo?”. O albino negou com a cabeça, sentindo a garganta secar e a pressão abaixar drasticamente. Sentia-se frio e quente ao mesmo tempo. Lenalee parecia querer descer até ele, mas deu de ombros como se falasse que nada adiantaria e lançou-lhe um sorriso torto que expressava o pavor que os olhos carregavam.

Preferiu virar a cara a encarar a quase dor da menina e viu-se numa parte que não era desconhecida. Era o ponto final da Classe Normal.

Achou-se de frente para um portão enorme, de ferro, cujo no centro tinha um K grafado com contornos belíssimos. O portal era automático, pois o carinha loiro apertou um botão e ele abriu. Sem nenhum rangido, no mais perfeito silêncio.

Lá estava o Bloco Especial, como um Jardim Proibido. Aquele que ninguém da turma normal poderia entrar.

E quando olhou bem, procurando ignorar a movimentação do próprio estômago, percebeu que só a área de lazer deles dava o campus normal todo. Mesmo na rapidez que atravessou o lugar pôde contar uns três campos, quadra de baseball, tênis, uma piscina e um jardim com mesinhas adoráveis. O céu também estava magnífico, tendo em vista o dia horroroso que estava se fazendo.

O olhar de Mana não fora suficiente?

Reever lhe conduzia com pressa para dentro de um prédio, o único, com passos pesados, e subiram alguns lances de escada que nem mesmo contou. Estava mais ocupado observando a pintura impecavelmente branca das paredes. Era assustador, podia até se camuflar nela. Seu coração batia forte ao ver a proximidade das salas de aula. Sim, havia um corredor com diversas portas.

Foi lendo. “Sala de Música”, “Sala de Informática”, “Sala para Estudos”, “Sala de Convivência”, “Sala de Artes”, “Sala de Fotografia”, “Sala de Judô”, e a mais gigante das portas, bem no final do corredor, encerrando-o. “Biblioteca”. Seus olhos salivaram.

Era outro universo.

Mas antes que chegassem à última porta, dobraram numa perpendicular a esta. Uma que estava escrito “Kugeka”.

Ele a abriu numa insensibilidade desagradável, nem lhe deu boa sorte nem nada, e empurrou-o pra dentro, ignorando o mini-ataque cardíaco que o albino deu.

Allen travou na mesma posição. Não conseguia encarar nada além do chão, pois sabia que todos os olhos da classe estavam pairados em si. Seu corpo todo tremia no ritmo do coração, enquanto rezava para qualquer e todos os Deuses lhe tirassem dali.

–Allen-chann!! Achei que não vinha hoje!! – Ah, ele conhecia aquela voz, mas ainda não se movia. Demorou um tempo pra notar a cabeleira ruiva à sua frente. A visão custando a focalizar. Ele lhe abraçou, jogando no lixo todo o ar que estava Allen lutou para conseguir.

Afinal, onde diabos estava??

–O-Oi.. – Cuspiu num fio de voz, não conseguia se lembrar do nome do garoto. Ele lhe parecia tão alegre e ele ali, parecia estar indo para a forca.

Pela primeira vez, varreu a sala com o olhar assustado. Encontrou pessoas bem estranhas. Um cara meio emo de cabelo duas cores, um gigante com fone de ouvido, uma mulher que catava os lápis jogados no chão, uma outra, loira com dois rabos de cavalo, tinha um que lembrava Hitler com um olhar raivoso, também viu Alma e..

Onde ele estava?

–Oe, Allen-chan, tudo bem? – Encarou atordoado o ruivo, será que alguém ali podia lhe ajudar?

–Ahnn.. e-eu.. – Procurou de novo, lembrando do olhar que ele mandou do bar naquele dia. Dessa vez Alma já estava mais perto, a expressão misturando uma gama de sentimentos.

–Bom dia, Allen-kun. – Mas a voz estava calma, tão aconchegante que teve vontade de se jogar em seus braços. Apertou os punhos com força, enquanto abaixava a cabeça. Não fazia sentido. Ele percebeu e deu um mínimo sorriso. – Eu sinto muito.. – Levou a mão até a orelha direita do albino, tirou o cabelo e tocou no brinco. Allen estremeceu. Toda aquela tristeza que estava nos olhos dele..

–E-eu..o-onde.. – A boca tremia, e os olhos pareciam mais brilhosos que o normal.

–Ele geralmente costuma matar aula na quadra de basquete. É seu dever como Honey trazê-lo para sala. – Esse era Lavi (Ah, esse era o nome dele!) falando como se estivesse contando uma historinha para crianças. Allen olhou para Alma, a boca meio entreaberta, e notou que ele o avaliava para logo assentir.

–Sim.. – Deixou a mão escorregar e encostar-se ao corpo. – Vá e boa sorte. – Alma parecia querer instalar um porto seguro para ajudar o menino a se segurar na tempestade que tinha em seus olhos. Deu um sorriso consolador. – Você consegue.

Sem falar nada, Allen desceu as escadas correndo, num súbito choque de adrenalina. Ao chegar ao térreo forçou-se a relembrar a trajetória que fez com o loiro, mas realmente não era bom com senso de direção em lugares que não conhecia. Olhou de um lado para o outro, afoito, e escolheu um.

Algo dizia que tinha que ver aquele cara.

Correu até onde havia umas quadras e pensou que talvez fosse por ali. Parara um pouco para pegar ar e caminhou por entre elas, procurando-o. Olhava de um lado para o outro, praguejando o sol já tão quente. E lá estava. Tinha achado pelo barulho da bola no chão.

–-------------NA SALA -------------

– Você realmente acha que ele vai conseguir? – O ruivo mantinha a cabeça largada sobre a própria mesa dupla. Mas estava sozinho. Ambos os brincos estavam consigo.

–Duvido muito. – O moreno de cicatriz no nariz mantinha o rosto apoiado na mão e fitava através da janela.

–Ehh?? Mas eu realmente tinha me animado com isso!! O Yuu inovou com a escolha de Honey!

–Pode até ser.. Mas o Yuu só está brincando.. Como sempre.. – O olhar vago, a culpa, tudo sendo jogado pro céu claro da manhã. Estava amaldiçoando o que? Quem?

–Hmmmmm – O outro ronronou deitando em cima da mesa – O Yuu realmente é o pior!!

–E você é um santo né, Lavi? – Questionou inquisidor, encarando a única orbe esmeralda do amigo. – Aliás, cadê sua Honey? – O outro riu baixo.

–Ah, eu cansei.. Dispensei ela. – Alma revirou os olhos.

–Vocês dois se merecem.. – Voltou a encarar o imenso azul. – Daqui a pouco vai me aparecer com um garotinho como Honey também..

Uma gargalhada que chamou atenção da sala inteira. Alma se assustou. Lavi limpava o canto dos olhos.

–Não, obrigado! – Soltou mais alguns pigarros – Mas o Allen-chan até que é bem atraente! Eu não me importaria de pegar um igual a ele. – Sorriu grande pro moreno atrás de si.

Alma emburrou-se. Ambos calaram-se por um instante.

–Pegaria.. mas já tenho alguém em mente... – Agora Lavi que parecia aéreo. O amigo arregalou os olhos pro ruivo.

–Não me diga que..

–Shiuuu — Levou um dedo até a boca. As luvas iam até a metade das falanges. – É segredo! – O sorriso conquistador estava lá, o brilho no olhar que Alma não se lembrava de já ter visto. Teria dito algo se..

–Bom dia, turma!! – O professor entrava na sala. Um cara de cabelo louco, meio acinzentado. Parecia ter acordado e vindo trabalhar sem nem mesmo ter escovado os dentes.

Alma fechou a boca e olhava para a porta, ainda parecia ter esperanças. Lavi percebeu a inquietação do amigo atrás de si. Virou e o encarou de baixo, afinal cada mesa dupla ficava num degrau diferente e formavam duas fileiras com cinco delas em cada.

–Acho que alguém não conseguiu, né, Alma-chan... – A voz meio entristecida, o sorriso forçado. Nem virou para trás para declarar.

–Uma pena... – De novo a janela. Os olhos desistindo, cansando. – Ele era o tipo do Yuu....

–~~~~~~~~~~~~~~~-

A primeira coisa que avistou foram os longos cabelos negros presos em um rabo de cavalo. Ele vestia um short largo preto junto de uma camisa típica de basquete. Bem folgada, também preta e com seu nome escrito nas costas.

"Kanda Yuu".

Até o presente momento Kanda nem havia reparado na coisa branca parada do lado da quadra. Seus movimentos eram perfeitos e sua altura também. Estava concentrado na bola em mãos e calculando o arremesso para logo em seguida lançá-la em direção à cesta.

Allen encarava cada movimento alheio, a garganta ainda mais seca e a sensação no estômago piorando. Estava muito quente na quadra, e o albino não era bom com calor. Depois da cesta perfeita, a bola quicou até si e ele a agarrou. Kanda agora encarava ofegante o menino, mas logo deu um sorriso sarcástico. O sol refletia seu suor. Allen apertou a bola em mãos e tentou lhe mandar um olhar duro.

– Ora, a princesa veio? Achei que fosse pedir transferência. – Passou a mão na testa, limpando uma parte do suor. O sorriso sempre presente – Aceitou ser meu Honey? – Ele começara a andar lentamente até o albino, encarando-o dos pés a cabeça.

– Você fala como se eu tivesse escolha. – A mágoa, raiva presente na pouca voz. A cabeça agora estava um pouco abaixada, a luz prejudicava a visão.

– E tem. – Respondeu sarcástico, os lábios voltando ao normal. – Me devolva a bola. – Kanda já estava próximo, dessa vez o olhar inexpressivo.

– Já chega de brincar, Kanda. A aula começou. – Allen rosnou, afastando a bola do moreno. Não estava tentando bancar o papel de Honey, que, aliás, nem sabia como era, mas estava lhe dando nos nervos a petulância da pessoa.

– E quem disse que eu vou assistir? – Kanda não se incomodou com a raiva do pequeno, só bateu a mão na bola, obrigando-o a soltá-la. Allen deu um grito mudo de surpresa, para rapidamente se recuperar com mais impaciência e confusão.

– Você tem que assistir. – Apertou os olhos, dando ênfase. – Anda logo. – Encarou-o em fúria, com os braços cruzados.

– Eh? – Que tipo de sorriso era aquele? – Eu não tenho que fazer nada. Seu trabalho como Honey é me convencer a fazer. – Sim, era um sorriso vitorioso.

Allen estava incrédulo. Passou a mão pelos cabelos, já estava suando debaixo daquele sol infernal. O clima estava uma loucura esses dias.

– OK, Kanda, estou vendo que não vai facilitar.. – Nem acreditava que estaria a ponto de fazer aquilo. Mas realmente precisava sair dali, sentia seu corpo bambo. – O que eu preciso fazer pra você ir pra sala? – Os olhos já pesavam um pouco, tanto que estavam mais fechados.

Silêncio. Ele lhe avaliava novamente. O albino passou as costas da mão na testa, sentia seu corpo mais quente. Já ia abrir a boca e ralhar com ele quando a voz grave soou.

– Vou te punir pela resposta que me deu naquele sábado. – Os olhos prateados se arregalaram, aquela história de 10 vezes mais vindo à cabeça.

– Que tip..- Mal teve tempo e sentiu as costas bateram contra a grade que rodeava a quadra. Fechou os olhos com o impacto do ferro quente, soltando um "Ai" arfado.

–Não me importa como os outros usam seus Honeys.. – Uma mão apertando seu queixo. – Pra mim, é só matar o tempo. – Sorriu malicioso. – Vingança número um.

Allen abriu os olhos assustado quando ele já forçava a língua contra sua boca. Segurou na camisa dele, não tinha como ele o imobilizar agora já que uma de suas mãos estava com a bola. O albino espalmou em seu peito e tentou empurrá-lo, mas o corpo do moreno era pesado demais para si. Também tentou virar o rosto, se debater, mas nada. A única saída...

Mordeu seu lábio inferior e ele se afastou rapidamente.

– Seu..! — Kanda tocou o local, estava sangrando. Um arrepio de medo subiu por sua espinha, e Allen olhou para o moreno raivoso.

– Ahn..E-eu.. – Realmente não tinha o que dizer, tinha mordido no desespero. – M-me d-desculpe..m-mas eu n-ao posso.. – Levou a mão até a boca, uma tentativa de se proteger. Silêncio. Ele tremia, o calor estava deixando-o zonzo.

– Você é um idiota. — Cortou o silêncio. O Honey olhou confuso. — Você não tem que querer nada, eu sou o Mestre, você obedece. — Lá estava o olhar gélido de novo. — Vingança número dois. — A mão vinha em sua direção. Allen pressionou as costas contra a grade, como se eu fosse capaz de atravessá-la, e segurou na mesma com força.

– N-não.. — Tudo estava contra si. O calor, o cara a sua frente. Estava ficando sem forças e o ar já lhe faltava. Virou o rosto de lado, e fechou os olhos com força.

Aí teve uma brilhante ideia!

Voltou-se para ele determinado e notou a surpresa em suas orbes escuras. Mas não ligava. Agarrou a mão do moreno e deferiu o primeiro tapa.

– Vingança número dois! — Outro tapa. — Número três! — Mais um. Fechou os olhos, a mão dele era pesada, mas Allen continuou. Em sua cabeça melhor tapas que beijos. — Número quatro! — Sim, estava quase acabando! Sim, poderiam ir para a sala!

Entretanto nada veio. Não foi forte o bastante e Kanda impediu a própria mão de ir contra o rosto do albino, ainda perplexo com a atitude do menor.

– Moyashi idiota. — O menor arregalou os olhos surpreso. — Não me diga como punir-lhe. – Declarou, soltando a mão e deixando um Allen sem reação. – Segure a bola de basquete até a vingança acabar. – Ditou, se aproximando mais e deslizando a mão pela bochecha vermelha. – Se conseguir, eu volto pra sala com você. – Kanda empurrou a bola contra seu peito. No impulso, Allen abaixou a cabeça e colou a testa contra ela.

– OK! Tente sua vingança agora! — Oh, como queria parecer forte. Suas pernas tremiam e sentia que iria desabar a qualquer momento.

Ouviu um risinho.

– Tsk, como você é ingênuo.. – O que se passava na cabeça daquele cara? – Número cinco: Ponha a bola nas costas – Ordenou e o albino levantou o rosto na mesma hora. Que tipo de comando era aquele?

– M-mas eu tenho que segurá-la! – Estava confuso. O que ele queria com aquilo?

– Dê seu jeito. – O olhar que ele mandava era afiado, a voz rouca causava arrepios.

De medo, claro.

Queria socar aquele cara, arrancar a própria orelha fora e fugir do país. Que humilhação!

Mas não pôde impedir. Mesmo sem estar imobilizado, Allen não podia fazer nada. Caso contrário os tapas e o primeiro beijo de nada valeriam.

–Seis: Olhe para mim. – E quase que imediatamente, o albino ergueu os olhos, antes focados no chão da quadra, e achou os negros. Estava assustado.

–Sete: Ponha a língua pra fora. – Um sorrisinho dançando nos lábios dele.

–O- o que? – Suas mãos tremiam, não podia acreditar no que estava se passando. Procurava nos olhos dele quando coisa que quebrasse a seriedade que transmitia.

–Obedeça. – Ditou, as mãos indo agarrar a grade nas laterais do corpo de Allen.

–N-não. – E abaixou a cabeça de novo. Não tinha como cumprir uma ordem dessa. Ele riu sarcástico. Aliás, aquele risinhos estava incomodando imensamente Allen, que só ainda não tinha socado-o porque estava confuso demais.

–Então você não liga se eu não for pra sala? É o seu trabalho cuidar de mim. – Declarou. – Você não liga para sua expulsão? – O rosto dele aproximou-se do garoto, este mordia os lábios, sem opção. – Heh.. – A mão de Kanda foi até a bochecha alheia e a acariciou, Allen recusando a carícia. – Se não consegue decidir, vou partir para a número oito.

Kanda invadiu a boca do menor sem o mínimo cuidado. Allen fechou os olhos com força. Sentia-os arderem. Gemeu em desagrado, queria empurrá-lo, mas a bola em suas mãos o impedia.

Enquanto a língua quente explorava cada pedaço, Allen se perguntava por que ele beijava tão forte e sentia o ar faltar. Franziu as sobrancelhas, um filete de saliva escorrendo pelo canto da boca. Ele não precisava respirar? Suas pernas não aguentaram e escorregou para o chão, forçando-o a parar.

Sentou-se sobre elas, arfando, o rosto queimando. Imaginou que estava vermelho. Notou que a bola estava lá, atrás de si e colada à grade e ficou feliz por isso.

– Não tente fugir. É pior. — Viu sua figura imensa e meio desfocada se agachar na sua frente. E sentiu-se tão inutilmente pequeno! Também queria dizer que não estava fugindo, que era apenas o calor, pois era humilhante ele encarar assim. Afinal, o que ali não era humilhante?

Se ele queria lhe fazer pagar por tê-lo enfrentado, já tinha conseguido há tempos.

–Nove..

Novamente, a mão de Kanda agarrou seu queixo e forçou-o a entreabrir ainda mais os lábios. Nesse ponto Allen já não podia nem sentir a bola, tinha perdido a consciência de seus membros. Apenas pensava em não mover os dedos, sentindo a temperatura corporal acabar consigo.

–Ngh..!

Sentiu-o chupar sua língua e arrepiou-se completamente. Antes conseguia encarar o rosto sério dele, mesmo que com os olhos cerrados, mas a tarefa ficava cada vez mais complicada. Levou uma das mãos cuidadosamente até seu ombro e deu uma apertada no tecido. Era um aviso.

Apagou logo depois de fechar completamente os olhos.

–-OOooOOoo--

– Ainda tem esperanças, Alma-chan? — Lavi virou pra trás, sussurrando. Estavam na metade da segunda aula. A professora de literatura arrumava alguma coisa no Datashow e parecia raivosa com os cabos. Conversinhas surgiam na sala.

– Chega né, Lavi.. Parei de tê-las há tempos. — O ruivo deitou a cabeça na mesa do amigo, fez uma cara desgostosa.

– Aannn, o Yuu é tão mal!!

Alma entreabriu a boca para dizer algo e retomar a discussão de mais cedo, mas a manteve no mesmo estado quando a porta da sala abriu com força desnecessária. Pulou na cadeira quando Kanda entrou na sala sem o mínimo de educação.

–YUU!! – O ruivo gritou, enquanto Alma permanecia pasmo.

–Não me chame pelo primeiro nome, Baka Usagi — Ralhou. Tinha esquecido como ele era irritante.

Todos fitaram o moreno. Era como se um espírito estivesse entre eles.

–Bom te ver, Kanda Yuu – A loira disse, sem tirar os olhos do notebook. – Resolveu estudar? – Um sorrisinho sarcástico.

–Não enche. – Jogou-se na cadeira, o cheiro de Lótus impregnando a sala. Oh, ele havia tomado banho.

Alma estava com a boca em formato de O, encarando o amigo que sentava na frente de Lavi. O ruivo virou pra trás com um sorriso que podia muito bem rasgar-lhe as bochechas.

–Ele conseguiu! – Um sussurro tão alegre. Alma sorriu até mais intensamente que o ruivo, segurando uma gargalhada animada. Finalmente! Ergueu a palma aberta e ambos deram um “Hi five”.

Lavi virou pra frente, Kanda, incrivelmente concentrado, digitava no computador. Ele se debruçou sobre a mesa, sussurrando pro amigo.

–Cadê o Allen-chan? – Um tanto malicioso.

–Não te interessa. – Rude.

–Ain..- O ruivo ria – Mas o Alma quer saber~~ — Mentiu.

– Tsk. – Uma veia saltou na testa do moreno. Se não respondesse, a praga encheria seu saco a aula toda. – Aquele inútil desmaiou no meio da minha punição. – Nem se incomodou em olhar pro ruivo, seria melhor ignorá-lo.

–UHAA!! – Gritou baixo. – O que você fez com o coitado? – Mais malícia.

–Ei vocês dois! Parem de fofocar e leiam o livro!! – A mulher levantou o dedo apontando pra ambos e uma gota escorreu pela testa de Lavi. Já havia sofrido da fúria da loira, então era melhor dar uma pausa no interrogatório do samurai.

Sentou-se direito e abriu o arquivo que todos tinham recebido, o livro em pdf. Alma possuía um enorme sorriso e vez ou outra encarava o rabo de cavalo do moreno. Era bom tê-lo de volta.

Notas finais
Prontinho ~~ DAIMONIUM: É a maldita consciência ~~ Só eu que ri imaginando as letrinhas a lá Kanda Yuu? Pobre Allen-chan, se meteu em uma daquelas :/ Azar é uma merda mesmo. E esse brinco minha gente? Até agora tem isso de Honey para cá, Honey para lá e quem sabe o que é Honey? Nem o branquelinho sabe :( Eu tenho que perguntar algo ~~~ Vocês conseguiram sentir a sensualidade do moreno daí? :3 Tudo bem que eu não podia deixar explícito, afinal eu falei num ponto de vista do Allen-chan e agora não é hora de se apaixonar pelo morenão, mas bem que eu tentei fazer algo sexy sem querer ser com o Yuu naquela quadra ~~hihihihihihihi PRÓXIMO CAPÍTULO TEM UM ALMA DE OLHO NO ALBINO. O que será que vai dar? Preciso da opinião de vocês ~~ Kissus de Lemon.