Honey

13 Jogos Drop


Notas iniciais
Olá, amados. Como avisado, demorei. Tive lá meus problemas e como fui escrevendo o capítulo por partes, realmente espero que ele não esteja "picado". Fiquei super feliz com os comentários da minhas amadas leitoras que sempre comentam e me desculpem por ainda não responder! Juro que vou fazê-lo o mais rápido possível! A tecla de espaço do meu computador quebrou e estou tento que migrar de computador para escrever. Isso me causa um certo receio, vai que acabo perdendo o capítulo por falta de atenção! Eu não suportaria isso... Bom, tive que dividir esse capítulo, porque originalmente iriam dar umas doze mil palavras. Acabou que tive que tirar um parte e jogar ela lá mais para a frente. Achei que ficou bem melhor até. Estamos com mais de 3.300 visualizações! Isso é muito mais do que eu esperava! Obrigada a todos os leitores e os novos acompanhamentos! Espero que gostem do capítulo e, se possível, comentem! Beijos no coração! Boa leitura.

—Uff... – Allen pausou sua água quando ouviu a exclamação e levantou a cabeça. Conhecia o garoto que vinha, só não sabia seu nome. – Está muito calor! – Ah, bem, mas não havia nada mais eficaz que puxar assunto com um britânico ao falar do clima.

—Bastante. – Allen sorriu, olhando rapidamente para o céu. – Vamos ter sol hoje, depois de dias nublados. Só não sei se isso é ou não algo bom. – Explicou, arrumando os cabelos para trás.

Alphonse sorriu enquanto o garoto não lhe olhava.

—Você parece diferente, Honey-chan. Onde está o Kanda? – Ele se aproximou e Allen lembrou-se da figura exótica assim que ele abriu um leque e pôs-se a se abanar.

—Diferente? – Voltou-se para o local, dando um instintivo passo para trás quando notou a súbita aproximação.

—Sim. – Alphonse sorriu, os olhos verdes brilhando. – Parece mais forte... Decido, acho que é mais correto.

O albino piscou algumas vezes, como se considerasse a ideia. No fim, sorriu por educação. Aquele garoto foi o único realmente gentil consigo quando havia acabado de entrar no Kugeka e sentia simpatia por ele.

—Bem, obrigado. É necessário quando se está nesse sistema, certo? – Comentou, distraidamente enquanto arrumava a camisa de basquete que vestia. Kanda estava no banheiro trocando de roupa e arrumando o cabelo.

—Ah, com certeza. Eu mesmo acho esse sistema uma grande merda, sabe? – O moreno fez um gesto de desprezo e Allen achou aquilo interessante. Era a primeira vez que via algum Mestre realmente parecer repudiar o Sistema Honey.

—Sério? – Ficou curioso. Em quais pontos ele divergia de Kanda e dos outros?

—Claro. Você não acha que é horrível obrigar alguém a ficar perto de quem não gosta? De assumir obrigações as quais não concorda? – Ele tombou a cabeça. Allen tinha os olhos atentos.

—Não... – Respondeu retoricamente.

—Pois é. Acho que nós herdeiros não temos nada de diferente... E ainda assim muitos Mestres tratam seus Honeys de maneira repudiável. É egoísmo nosso. Na verdade, eu odeio isso, porque o Sistema é feito de Mestres para Mestres e ninguém se importa com o Honey. Tanto que o Honey é sempre o que sai prejudicado. – Ele continuou, suspirando pesado, como se realmente sentisse muito.

Allen ficou em silêncio por alguns minutos. Não era como se desconfiasse do garoto, na verdade achava até muito interessante o ponto de vista dele, mas de repente tudo lhe pareceu perfeito em demasia, como se fosse ensaiado.

Não que fosse algo impossível, mas o albino não conseguia traçar uma maneira de um Mestre saber exatamente o que um Honey pensava. A não ser que tivesse ouvido tudo pela boca de um Honey.

Ou talvez fosse neurose provindo do convívio com os Noahs e Cross.

—É verdade. – Disse, por fim. – Mas acho que não custa nada se esforçar, certo? Quer dizer, custa muito. – Riu – Só que tem o lado dos Mestres que a maioria não se importa.

Dessa vez, fora Alphonse que ficou sem fala. O sorriso que ostentava desde que chegara ainda permanecia lá, mas de uma forma distorcida. Na verdade, não era um sorriso de sorrir, ela um sorriso avaliativo, onde os olhos pareciam buscar respostas no Honey.

—Ah... – Allen soltou, franzindo as sobrancelhas sem graça. Talvez tivesse falado besteira. Riu nervosamente. – Mas essa é só a minha opinião então você não prec...

—Alphonse. – Foi completamente interrompido por Kanda, que aparecia na porta do banheiro com uma feição nada boa.

—Ah, olá, Kanda! – Oh, lá estava um novo sorriso. Allen identificou ali um brilho diferente do brilho digirido a si. Olhou para Kanda e sentiu-se desconfortável com o clima que se impunha ali.

—Moyashi, me espere na porta da quadra. – Foi só o que Kanda disse, e o albino ainda o encarou por alguns segundos antes de sumir pelo corredor do prédio e descer as escadas até a parte interna.

Nenhum dos dois Mestres se pronunciou até que estivessem sozinhos.

—Honey interessante. Não esperava tanto assim dele. – Alphonse foi o primeiro.

—Achei que tivesse sido claro quando te mandei ficar longe dele. – Kanda estreitou o olhar.

O outro gargalhou.

—Mas eu não fiz nada! – Ergueu ambas mãos em rendição, o que só serviu para deixar o moreno ainda mais irritado.

Um pouco mais de silêncio enquanto Yuu ficava de frente com o de olhos verdes.

—Não brinque comigo. O nosso joguinho já acabou. – Ditou, a diferença de poucos centímetros não afetando o cinismo de Alphonse.

Afinal, era ele o eterno rival de Kanda no quesito Honeys. Perdia em todos os aspectos, principalmente nos esportes, porém era no Sistema Honey que tudo se acertava. Era com ele que as ex-Honeys do moreno o traiam.

O maior estalou a língua, dando as costas e andando até as escadas.

—Kanda. – A voz irritante soou, e ele não precisou olhar para saber que o desgraçado sorria. – Estaria você com a “Síndrome do Honey”? – Silêncio, e depois uma risada o quebrando. – Tão fácil assim? Ora, não sabia que você era tão carente assim.

O outro ainda se mantinha calado, e podia-se dizer que Alphonse se sentia um pouco desapontado, já que esperava dele um soco ou coisa pior. Sem ter o efeito esperado, seu sorriso morreu.

—É. – Concluiu. – Parece que essa é a sina desse Sistema. A nossa “maldição”. – Fez com os dedos, mesmo sabendo que não estava sendo observado. – Podemos fazer absolutamente tudo com nossos Honeys, sem regras. Mas caso nos apaixonemos, não podemos reivindicá-los sem permissão, certo? – Forçou uma risadinha de escárnio. Kanda apenas ouvia, e aquilo deixava o outro com ainda mais raiva. Onde estava o Kanda explosivo? Onde estava aquela raiva contida? Nada.

— Você está estranho, Kanda. Submisso. – Alfinetou. – Ainda assim, nunca te vi com tanta possessividade e interesse em um Honey. Parece um lobo ao redor de sua presa. Esperando a hora certa para atacar.

Sem deixar-se ser visto, Yuu sorriu. Ainda assim, aquele desgraçado o conhecia. Aquilo era verdade.

— Você não vai seguir os passos de seu pai, vai? Será que você est...

—Tsk. Cale a droga da boca, Alphonse. Essa é a última vez que eu o aviso para ficar longe dele. – Pôs-se a descer as escadas. Aquilo não era da conta dele.

—Ah, claro! – O outro elevou a voz para fazer-se ouvir. – Mas lembre-se que eu não vou atrás das suas Honeys. Elas que vêm até mim. Você tem essa confiança?

Kanda não estava mais lá.

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O sol estava a postos, iluminando a quadra. Não chegava a fazer um calor escaldante, devido ao outono, mas era o suficiente para arrancar suor dos que jogavam. Os Jogos Drops, como dizia a tradição, era uma forma de estimular a competição e, a grosso modo, a possessão dos Mestres. Não era a toa que o perdedor era obrigado a realizar o Drop em seu Honey e, pelo menos a maioria dos Mestres, não gostaria de fazê-lo.

Quando Allen, acompanhado de Kanda, chegou ao local, logo avistou Lena, Lavi e Alma em uma barraca extensa que abrigava todos os Mestres e seus Honeys. Como mandava, havia também uma mesa de quitutes e algumas bebidas exageradamente decoradas.

— Allen-chan!! Yuu!! — Lavi acenava e, mesmo sem olhar, Allen sabia que Kanda carregava uma carranca. Não sabia o motivo, mas o moreno odiava que o chamassem pelo nome.

Atravessaram a quadra, Allen tendo um mal pressentimento. Também sentia-se desnudo com o uniforme de basquete e secado por todos os olhares que lhe analisavam. Sem perceber, mantinha a cabeça um pouco baixa, retraída e achava admirável Kanda exalar tanta confiança. Ele caminhava ao seu lado com passos pesados, o rosto erguido e os cabelos presos no alto da cabeça. Trazia também munhequeiras no pulso e Allen se perguntou se era realmente necessário tê-las, uma vez que estava sem.

— Allen-kun, você está com uma cara... — Alma disse, aproximando-se e entrando uma toalha úmida para Kanda. Deu um sorriso leve depois de notar o pavor que o albino trazia no olhar. — Você está uma pilha, se acalme! — Tocou no ombro do Honey e Allen suspirou.

Dali onde estava, conseguia ver as duplas preparando-se e não deixava de pensar que muitos ali estavam juntos há muito tempo e com certeza não dariam a vitória tão facilmente. Bom, aquele também era um fato um tanto questionável, porque não sabia se perder já era bom ou ruim.

— Meu Deus... — Suspirou, enquanto Kanda passava por si e se sentava num banco com contornos barrocos dourados e almofadas vermelhas.

— Allen-kun, não se preocupe tanto! Apenas se divirta! — Lena fez uma rápida massagem nos ombros do amigo, que de nada adiantou.

— Para você é fácil, Lena! Você sabe jogar! — Devolveu, passando uma mão pelos cabelos. Teria que prendê-los.

— Não sei, não! Só sei passar a bola! — Ela disse como se fosse consolá-lo. Allen achou aquilo uma porcaria e iria abrir a boca para retrucar que nem aquilo se prestava a fazer, no entanto foi interrompido pelo anunciamento dos Jogos.

Todos viraram-se para receber Reever, este sentado em uma cadeira erguida ao lado da rede. Por causa da luminosidade da manhã, tinha também óculos escuros e a cadeira trazia uma sombrinha de praia, bem grande.

Ao ouvir o número de edição daquele jogo, Allen percebeu que o Sistema Honey era bem velho e acabou por se sentir um intruso ali no meio, difamando a cultura deles. Um frio imenso tomou seu estômago e sentiu que fosse vomitar.

— Que cara de merda, Moyashi. — Kanda resmungou, a voz rouca, grossa e arrastada vindo de trás do albino.

Allen virou-se e quis cumprimentá-lo com sobrancelhas franzidas, porém toda sua postura desfaleceu quando viu a autoconfiança entornando o corpo do moreno. Naquela situação, era uma cena bonita de se ver. Algo em que se apoiar.

O Honey mordeu levemente o lábio inferior e ao notar que duas duplas se movimentavam para a quadra, decidiu sentar-se.

— A nossa sorte é que nossos Honeys são recentes e acabamos ficando por último.

Kanda suspirou, como se tivesse muito animado e de repente se decepcionasse por jogar pouco. Allen, ao contrário, empertigou na cadeira, ignorando o apito que dava início à primeira partida.

— Como assim?

— Quer dizer que vamos jogar só uma vez. — Kanda cortou logo, os braços cruzados e a postura meio deitada no banco.

— É questão de justiça, Allen-kun. Os Mestres com Honeys mais duradouros jogam primeiro e têm direito a duas partidas. Vocês só jogam as últimas e uma única vez. Jogam contra os piores.

-E isso não é bom? — Allen quase abriu um sorriso aliviado, porém logo o desfez quando o moreno abriu a boca e falou sem desviar o olhar da quadra.

— O problema é que nessa única vez, não podemos perder. Se perdermos, é Drop.

Novamente o estômago do albino encheu-se de borboletas e ele apenas foi capaz de encostar-se ao banco e pôr os pés por cima, tirando o tênis para não sujar o estofado. Observando os movimentos dos jogadores, tentou pensar em alguma estratégia para usar, no entanto a única coisa que conseguia era aumentar sua ansiedade.

Além de não saber jogar basquete, Allen estava sobre outra ameaça. Como Alma havia lhe explicado, os Jogos Drop eram jogos sem regras. Ou seja, tirando a burocracia básica de contagem de pontos, as partidas eram repletas de jogadas sujas.

Desnecessário dizer o quanto Walker se revoltou com isso, certo? O problema era que a influência dos herdeiros era grande demais, e em determinado momento a competição apenas se tornou um meio de mostrar o quão ambiciosos podiam ser para manter aquilo que julgavam-se donos.

E, diante daquele Sistema que privilegiava apenas os Mestres, Allen passou a sentir-se mal. Talvez como um bebê desprotegido, sendo que a única coisa que lhe prendia ao assento era a confiança inabalável de Kanda.

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Como antes dito, nos Jogos Drops valiam tudo. Allen, ainda assim, estava abismado com a gama de truques que aquele povo arrumava. Viu de bugigangas bestas até tecnologias avançadas serem usadas contra os "inimigos" e se perguntava que tipo de dupla enfrentariam.

Lavi e Alma passaram todos os jogos rindo das jogadas, dos erros e das trapaceadas usadas no jogo. Lena roia as unhas e Kanda mantinha sua neutralidade.

Aquela neutralidade, aliás, com o passar dos jogos, passou a causar no albino um nervosismo tremendo. Várias sementinhas surgiam na sua cabeça, como o peso morto que poderia representar para o outro, as cestas que podia errar, e até mesmo a decepção e sujeira que poderia atribuir à família Kanda. Para piorar ainda mais, o jogo em quadra estava no fim do terceiro tempo e os próximos seriam eles. Yuu, em determinado momento, se levantou e o garoto fez o mesmo, ainda que atrapalhado. Segundos depois, o jogo havia terminado e o placar final fora um empate que não prejudicava nenhuma das duplas. Rapidamente alguns funcionários da escola começaram a varrer a quadra e Allen sentia que iria explodir em fogos de artifício.

— Somos os próximos? — Perguntou, mas de tão óbvia, a pergunta apenas serviu para tentar desfazer o nó da garganta.

Kanda suspirou, a tensão do menor era quase palpável.

— Você é destro ou canhoto? – Perguntou, Allen entortando a cabeça para aquela aleatoriedade.

— Destro... Por que? – Até a fala dele estava rápida e ansiosa.

Porém antes de uma resposta concreta, Kanda retirou a munhequeira do pulso esquerdo e tomou o direito do albino.

— Se ganharmos, você pode escolher algum lugar para irmos. – Disse, enquanto colocava o acessório no pulso do Honey. – Como recompensa . – Allen ficou abismado com a ação e, surpreendentemente, mais calmo. Quase sorriu, quando ele continuou. – Tudo que você precisa fazer é passar a bola para mim.

Novamente o pavor estampado nos olhos claros.

— Mas eu não sei! – Gritou baixo. Kanda, já irritado, franziu as sobrancelhas em sua típica postura. Ergueu os ombros e olhou como se fosse superior.

— Não? – Perguntou e Allen arqueou as sobrancelhas. Como ele mudava de postura tão rápido?

— Claro que não. Por isso estou nervoso. – Cruzou os braços.

— Pois então aprenda. – Ele ditou e seguiu para a quadra. Ao mesmo tempo uma dupla também adentrava, pelo outro lado do campo, e o albino reconheceu imediatamente a figura de cabelos metade preto metade descolorido e a loira ao seu lado.

Apressou o passo e alcançou Kanda quando este já estava pela metade da quadra.

— Vamos jogar contra eles? – O moreno apenas assentiu, certa concentração se fazendo presente em sua postura. – Eles usam métodos sujos? – Estar nervoso fazia Allen falar em demasia e talvez, só talvez Kanda estivesse irritado com isso. Franziu as sobrancelhas. – O que? Eu preciso saber! – O menino de defendeu. Yuu suspirou pesado.

— Eles usando ou não, não importa. Se você não me trair no meio do jogo, eu consigo. — Falou, porém os olhos negros não estavam em si quando ele virou a cabeça, estavam num ponto mais longínquo, mais precisamente na barraca onde o restante do Sistema se encontrava.

O albino olhou na mesma direção e foi logo recebido pelo sorriso de Alphonse. Aliás , um sorriso bem prepotente que alguém, sem as mesmas experiências de Allen, jamais poderia distinguir. Quer dizer, os Noah e Cross sabiam treinar alguém.

Incapaz de retrucar, o Honey apenas olhou novamente o francês de descendência japonesa, tentando avaliar o que este pensava.

Seria algo com confiança? E por que ele usara justamente a palavra "traição"? E por que a voz de Kanda parecia trazer algo a mais? E por que...

Eram muitos porquês. Antes mesmo que pudesse chegar a uma resposta, ou pelo menos sintetizar todas as dúvidas, fora interrompido pelo apito do árbitro.

— Vamos logo com isso, se não vocês atrasam meu almoço. — Avisou, olhando tediosamente para a folha que tinha em mãos. Não era como se Reever fosse um cara ruim, ou antipático, ele só fazia seu trabalho e digamos que Allen sabia que alguns trabalhos eram complicados quando envolviam aqueles herdeiros.

— Vão jogar Kanda Yuu e seu Honey contra Krory e sua Honey. — Simples assim, sem falar os nomes dos Honeys. O albino até cogitou falar o próprio nome, mas antes que abrisse a boca pensou realmente se teria algum sentido fazê-lo, afinal a quantidade de Honeys que entravam e saíam daquele Sistema deveria ser absurda e ninguém se lembraria mesmo de um a mais. Claro, era justificável chamar apenas o nome do Mestre, mesmo que lhe desse um ar de inferioridade.

Pela primeira vez, ao se posicionar no centro da quadra, sentiu o peso terrivelmente angustiante daquela posição pelos olhos de outros Mestres. Claro, durante as duas semanas estava em suas mãos escolher se ficaria ou não na Ordem Negra e cabia apenas a si a decisão de aceitar aquele cargo. Porém agora sentia o compromisso presente nos olhos dos outros herdeiros, as perguntas presunçosas que eles faziam. Os mesmos que duvidavam que Allen ficaria duvidavam que aquela vitória seria da família Kanda. E muitos carregavam no olhar o deboche dirigido para um Mestre que não consegue manter seus Honeys.

O albino voltou seu olhar para o moreno, tentando ver se alguma parte dele externava seus sentimentos. Será que ele tinha consciência do que os outros pensavam? Será que ele sabia que todos duvidavam daquela dupla recém formada?

Não foi preciso mais que segundos. É claro que ele sabia, a própria postura de Kanda demonstrava isso. Ele queria ganhar e Allen se atrevia a pensar que o Mestre faria qualquer coisa para ganhar.

Menos jogo sujo. Kanda deixara claro que odiava, porque atrapalhava a essência do basquete.

— Serão quatro quartos de dez minutos. E ao fim dos quarenta, quem pontuar mais ganha. – O loiro explicou e Allen olhou mais uma vez para os herdeiros sentados na barraca.

Encarou por alguns segundos o moreno de olhos verdes, Alphonse. O jeito que ele disse que "não haveria problemas em perder", deixando implícito que Allen só estava ali pelo dinheiro, era refletidos nas orbes e fez o sangue do garoto ferver.

Vestido com a roupa de Kanda, carregando o nome de Honey dele, representando a família dele. Havia um orgulho ali e, sejamos sinceros, Allen era um tanto orgulhoso e não gostava de ser subestimado. Jogaria aquele jogo para valer, satisfazendo-se apenas quando tivesse a certeza que fizera tudo que podia.

Olhou para o sol. Estava razoavelmente alto e, mesmo que não estivesse muito calor, o albino sabia que encarar quarenta minutos debaixo daquela pressão era quase impossível.

— Kanda... – Chamou, sem olhar para o moreno. Será que ele se lembrava que albinos eram péssimos com sol e calor?

— Já disse que eu faço as cestas. – Rebateu logo e quando Allen foi olhá-lo indignado, ele não estava mais lá.

Em algum momento, o árbitro dera início ao jogo e colocara a bola em campo. No outro Kanda já se encontra pendurado no arco, sua primeira enterrada feita com sucesso.

Lavi urrou do banco e Alma bateu na mesa como um louco. Fora tão rápido que Walker se sentiu tonto e, por trás de toda aquela determinação, deu-se conta de um fato no mínimo importante: o jogo havia começado e ele não fazia ideia de como se jogava basquete.

Sem saber o que fazer, deu alguns passos para trás, como que para disfarçar sua ignorância e fingir que tinha um plano. O que lhe deixava um pouco tranquilo era que, por incrível que pareça, Krory parecia na mesma situação que a sua, parado no meio da quadra sem saber o que fazer.

Na verdade, ele parecia até mais confuso e Allen teve vontade de rir.

O jogo que era para ser entre duas duplas era somente entre duas pessoas, Kanda e a loira, e a julgar pela raiva estampada no rosto dela ao não conseguir tomar a bola, ganhariam fácil.

Bom, pelo menos era o que pensava.

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Era o terceiro quarto de tempo e, sinceramente, Allen se sentia um inútil. Kanda fazia praticamente tudo sozinho e ainda assim seu inconsciente teimava em querer sair daquela fornalha em brasas. Tanto que suava bastante, mesmo não fazendo nada além de passar a bola. Tentava acompanhar a mesma com o olhar, mas vez ou outra sua visão teimava em escurecer. Quer dizer, não era uma reação desconhecida, então Allen não dava muita atenção, não quando a diferença de placar diminuía cada vez mais.

De uma hora para outra, o outro Mestre, Krory, entrara com tudo no jogo. Não soube o que a garota falou para ele durante o intervalo, mas surtiu efeito. Ele começou a brigar pela bola, como se não quisesse perder a Honey e mesmo se aquela ação significasse ameaça de derrota, Allen achava bonito.

Bom, mas não era hora de achar algo admirável. O sol ficava cada vez mais quente com a proximidade do meio dia e Kanda parecia puto por não poder movimentar-se sozinho, afinal ele não era um gênio do basquete.

Allen enxugou o rosto com a blusa, estava ofegando só com a corrida básica que fazia. Ele tinha noção de que precisava fazer algo para deter o placar, o problema é que não sabia que "algo" era esse. Por mais que Kanda tivesse ensinado-o a jogar a bola até a cesta de fora do garrafão, ele não tinha a mínima confiança de fazê-lo. Tinha que pensar em algo rápido, caso contrário...

O apito soou, finalizando o terceiro quarto. Kanda lhe encarou, o semblante sério e cansado. Estavam empatados e o jogo pareceu voltar ao início.

— Porra, Yuu!! – Lavi gritou, erguendo-se do banco quando ambos entraram na tenda. Teriam intervalo de cinco minutos, afinal ninguém queria prolongar aquilo.

— Obrigado, Lena. – Allen agradeceu quando a morena lhe entregou duas toalhas, passando uma para o moreno.

— Vocês precisam dominar esse set. – Alma se pronunciou, parecia tão tenso quanto Yuu. Allen pensou se seria algo relacionado às outras Honeys e se sentiu culpado por não fazer nada.

— Me desculpem. – Pronunciou, a cabeça baixa encarando a munhequeira no pulso direito. Ela tinha um K muito bem delineado em fio preto com bordas douradas. – Eu não sei jogar basquete, nunca joguei para valer. – A sensação de deixar tudo nas costas de Kanda era horrível, sentia-se um estorvo.

De início todos ficaram calados. Lena parecia preocupada, Alma tenso e Kanda se concentrava em beber da garrafa de água. Era claro que todos buscavam uma solução, o problema era chegar a uma.

— Não se preocupe, Allen-chan!! – Lavi se pronunciou, erguendo-se do banco em pose vitoriosa. – O Yuu vai conseguir, não vai? – Ele sorriu de um jeito estranho para o amigo e Allen quis decifrar os significados dele. O moreno lançou um olhar mortal para o ruivo. – Afinal é dever de um Mestre proteger seu Honey.

Ah, aquilo era uma clara provocação. Lavi eta louco, por acaso?? Ok, Lavi não tinha juízo, aquilo não era surpresa, no entanto o que assustava Allen era que até Alma esboçava um meio sorriso nos lábios, como se aquele desafio fosse ajudar alguma coisa.

O silêncio tomou o lugar em seguida. O cérebro do albino tentava maquinar o mais rápido possível naquelas condições de calor extremo, porém não havia saída! Não queria depender de Kanda, mas o quê poderia fazer?? Tudo o que sabia era dançar, tocar piano, jogar cartas, mas esport...

Travou. Não era possível, era? Olhou rapidamente para o rosto do Mestre oponente. Era idiota! Sim, uma ideia idiota! Reparou que o árbitro subia em seu lugar e percebeu que não havia tempo. Raciocinou todos os prós e contras em um milésimo de segundo e mordeu o lábio em nervosismo. Claro que ninguém notou.

— Allen-kun? – Lena perguntou quando o amigo se levantou bruscamente e começou a vasculhar a bolsa. Os três prestaram atenção no que o albino procurava em todos os bolsos da mochila.

— Me desculpe, Kanda. – Repetiu e Alma retesou na cadeira. Kanda tombou um pouco a cabeça, os olhos franzidos. "Sinto muito" era o que as ex-Honeys falavam ao desistir de jogar e começarem a facilitar para a dupla oponente ganhar. Era um modo de fazer Drop "não intencionalmente". A “traição”.

— Você disse que eu não podia trapacear... – Allen tirou da bolsa um maço de cartas e Alma ergueu as sobrancelhas enquanto Lavi caia na risada. – Mas é o único jeito que eu tenho de lutar.

Lena sorriu. Ela não fazia ideia do que o amigo faria, mas sabia que ele tinha um bom mestre nas cartas. Allen sorriu também e podia até ver certa surpresa no rosto de Yuu... Quem sabe um meio sorriso... Porém uma visão embaçada demais não era confiável.

Seu sorriso morreu quando o apito de Reever tocou e Kanda se levantou.

— Vamos, Moyashi. – Ele jogou a toalha na mesa e apertou o rabo de cavalo. Parecia compenetrado a não perder e dessa vez Allen sentia-se orgulhoso por tentar ajudar.

— Sim. – Pôs as cartas dentro da munhequeira e tomou um rápido gole de água.

— Allen-kun! – Lena segurou seu braço rapidamente. – Vá e ganhe! – Abraçou o amigo apertado e aproveitou para sussurrar no ouvido algo que ela, como melhor amiga, sabia. – Faça rápido, você está acabado.

Allen não precisou assentir. Sabia muito bem do que ela estava falando.

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O último tempo, apesar de decisivo, não chamava muita atenção. A maioria das outras duplas conversavam e comiam petiscos sem se importar com o que acontecia em quadra.

Podia-se dizer que os únicos realmente interessados no desfecho daquele jogo eram Lena, Lavi e Alma.

E claro, os oponentes.

Eliade, a Honey de Krory, rangia os dentes de irritação. Parecia ser o tipo que odiava perder. Soltava berros constantemente para seu Mestre, coisa que fazia Allen perguntar-se como era a relação Mestre-Honey de cada um ali.

Já Allen... Bem, uma parte de si estava realmente preocupada com o jogo, a outra não se importava com o desfecho desde que pudesse se afogar em uma banheira de gelo e depois dormir em um lugar desprovido de luz.

Quando Lena lhe disse que não aguentaria muito, o albino sabia que suas condições de saúde não o permitiriam demorar tanto na quadra, porém sua previsão estava errada.

Em menos tempo que o esperado, sua cabeça doía o dobro, pulsando e forçando os olhos a pesarem.

Parado no meio da quadra, ele tentava recompensar o cansaço dando piscadas cada vez mais prolongadas, uma falha tentativa de bloquear a luz excessiva.

Sabia que tinha que se apressar, tinha que acabar logo com aquilo e...

— Krory! Me passa a bola! – A voz fina e irritada da loira chamou a atenção do albino e Allen viu-se de frente para o outro Mestre.

Num milésimo de segundo, o relógio parou. E a voz interior de Allen disse que não haveria melhor momento.

Foi instantâneo.

— Olá, Krory. – Limpou o suor da testa, tentando um falso sorriso. O garoto não respondeu, mas não aparentava rudeza. Apenas uma concentração necessária para a vitória.

E... Bem, era justamente aquela concentração que quebraria.

— Está muito calor, não está? – Disse, honrando o costume britânico de sempre falar sobre o clima. Os berros de Eliade soavam mais altos. Krory quicou a bola, tentando achar um meio de passar pela marcação de Kanda. E seu erro foi tentar ignorar o Honey alheio.

— Ora, Krory-san... Preste atenção em mim, por favor. – Sim. Naquele momento todos focaram nos cabelos platinados na quadra.

— O que... — Alma começou, sem saber de onde vinha aquela mudança de postura.

Lavi ficou calado de tanta animação. Mesmo tento capacidade de "chutar" lances, visualizar a probabilidade do que iria acontecer em seguida, não fazia ideia do que o Walker faria.

Já Lena, como melhor amiga, sabia que usar apelidos em nomes não era feitio do Allen Walker.

Mas sim do outro "Allen Walker". Aquele "Allen Walker" que fazia parte da Ark, que especulava sobre ações...

Road também soube o que estava acontecendo. Aquele era o "Allen Walker" do Tiky e do Conde.

— Preste atenção em mim, por favor. — O albino repetiu e com um estalo de dedos conseguiu toda a fixação de Krory. Eliade havia parado de gritar. Kanda observava a mudança de olhar do seu Honey, as pálpebras mais baixas, quase uma segunda personalidade.

— Acho interessante propormos um jogo. — Sorriu. Um sorriso largo, diferente do usual. – Então escolha uma carta.

Ninguém soube quando nem como. O certo era que as cartas fluíam no ar de uma mão para outra de Allen, formando uma parábola.

Corriam da esquerda para a direita. Tamanha era a rapidez que pareciam um único corpo. Krory estava boquiaberto, fixado na movimentação e agilidade das cartas, hipnotizado pelos olhos prateados do Honey. Suas orbes corriam de um lado para outro, podendo ser comparados a pêndulos, e a bola já jazia no chão.

— Escolha uma carta.

De novo e em um segundo Kanda corria para a cesta sem barreira nenhuma e fazia ininterruptos pontos.

Com Eliade catatônica, o moreno podia movimentar-se como bem quisesse e o placar aumentava monstruosamente.

Quem estava assistindo não conseguia acreditar. Allen Walker havia simplesmente parado Krory e o mantinha dentro de um "truque de mágica". De fora, o albino assemelhava-se à um palhaço.

Um palhaço trapaceiro, sorrindo com a desorientação alheia.

Em três minutos, a diferença se fazia de 20 pontos, mesmo com Eliade se recuperando e tentando mudar o placar. Era covardia uma garota jogar contra um Mestre absolutamente perfeito em todos os esportes, mas no Sistema Honey os fins justificavam os meios e ninguém queria perder. Também havia "Allen", que, preso em seu próprio truque, não distinguia gentileza ou covardia, apenas mantinha Krory na ilusão das cartas o máximo possível, já que sabia que o efeito da mesma passaria em poucos minutos.

— O que ele está fazendo?? – Alma estava em pé, como se ficar sentado aumentasse a tensão que sentia. Não conseguia acreditar que Allen podia induzir a inconsciência daquela forma e também não podia negar o quão incrível aquilo era.

— Ele está ganhando... – Lena engoliu em seco. Podia admirar, mas não gostava daquele lado do amigo. Era uma personalidade que exigia muito e naquelas condições...

Parado, suando excessivamente e forçando seu cérebro o máximo possível, ambos Allens estavam encurtando seus tempos de duração. Logo logo ele cederia.

O placar estava a 71 — 47 quando Eliade e seus gritos desesperados atingiram "Allen" e o outro Allen voltou à tona.

Todas as cartas caíram no chão de uma vez, junto delas a postura séria e compenetrada do garoto. Krory se agitou ao perceber o placar e Kanda percebeu quando o Moyashi levou as mãos à cabeça, afinal, devido a certas experiências, sabia que Allen tinha lá seus limites quando se tratava de calor.

Faltavam dois minutos para o fim do jogo e o moreno tinha noção de que segurar o placar era essencial. Não era impossível que o jogo fosse virado, então não podia abaixar a guarda, muito menos segurar seu Honey, visivelmente debilitado.

O jogo estava em contagem regressiva e mesmo com algumas cestas do time adversário, faltando trinta segundos, a diferença de placar ainda era de treze pontos. E, sorte ou azar, lá estava a bola, rolando até os pés de Allen Walker.

Naquele momento, na cabeça do albino, não havia som, não havia cores, apenas um grande silêncio ensurdecedor acompanhado de pulsações fortes na cabeça. Sua noção de tempo e lugar estava completamente desorientada e qualquer um teria conseguido roubar aquela bola sem o mínimo de esforço. Só que naqueles segundos, já estava decidido quem teria seu Honey expulso e a dupla adversária só assistiu o lançamento torto daquela bola.

Allen até tentou, em sua última sacada, relembrar os dedos de Kanda arrumando sua postura, mas o simples pensamento causava uma fina e forte pressão em seu crânio e fazia um arrepio estranho tremular ainda mais suas pernas.

Jogou a bola.

Ninguém pensou que a bola iria entrar, como realmente não entrou. Foi com o segundo baque da mesma na quadra que o último jogo daquele dia se encerrava. Era o fim.

Eliade bufou e xingou de raiva. De quem poderia extorquir dinheiro e acessórios de luxo agora?

Lenalee pulou do banco batendo palmas e Alma abriu um gigante sorriso. Os demais Mestres estavam boquiabertos. Ninguém parecia acreditar que uma dupla recém formada ganharia, nem que Kanda faria tanta questão de não perder um Honey qualquer.

Allen, por sua vez, apenas permitiu-se relaxar quando Reever, de um lugar aparentemente distante, recitou a família Kanda como vitoriosa. Naquele momento respirou fundo, um ácido latejante descendo por sua coluna e amolecendo as pernas de uma única vez. Conseguia sentir o próprio corpo ceder diante de seu peso, porém não podia fazer nada para impedir a iminente queda, afinal suas ligações nervosas pareciam ter sido cortadas e nenhum comando dado pelo sistema nervoso chegava aos músculos.

—Não caia tão vergonhosamente. – A conhecida voz soou, e o albino sentiu o peito dele colando em suas costas suadas. Tentou olhar para cima, no entanto a luminosidade o forçou a voltar o olhar para o chão. Sorriu um sorrisinho doloroso, aceitando a sustentação oferecida por Kanda. – Ganhamos. Você pode escolher algum lugar. – Ele disse, olhando para o lado, como se para disfarçar o quão acabado seu Honey estava.

—Posso escolher ir para minha casa...? – Allen ofegou dolorosamente, ambas mãos apertando a cabeça com força. Parecia que a pressão interna craniana ultrapassaria a pressão atmosférica e implodiria o cérebro. Kanda encostou a palma da mão direita na cintura do garoto, não necessariamente tocando, mas fazendo ali uma barreira que o impedia de escorrega para o lado.

Ele tremia exageradamente.

—Não seja mole, Moyashi. – Yuu passou o braço livre por debaixo das axilas do Honey, estendendo a mão em palma, como se pedisse em comprimento de vitória.

O instinto do Walker mandaria-o fazer alguma piada se não estivesse tão debilitado. Porém, naquele momento, a dor tomava a consciência albina e Allen tinha vontade de chorar de agonia.

—Me tira daqui, por favor... – Sussurrou, suplicante. E até tentou segurar na mão do outro, mas ele logo a tirou de vista.

Sua cabeça girou e a tontura veio tão forte que Allen foi tragado pela escuridão. O fato de estar no colo de Kanda não teve tempo de ser digerido e logo ambos saíam da quadra.

Lena até pensou em ir atrás, tão preocupada estava com seu amigo, porém Lavi a parou, argumentando que não havia necessidade. Kanda cuidaria daquilo. Um pouco a contra gosto, mas acreditando no outro garoto, ela deixou o corpo inconsciente do amigo ser levado para a enfermaria e ficou na quadra tempo o suficiente para ver todas as outras duplas deixarem o local.

Os murmúrios eram muitos. Inclusive um moreno de olhos verdes, em especial, saía praguejando do local. Mas o que mais a deixava orgulhosa era que, mesmo não sabendo de muita coisa, aquela não parecia apenas uma vitória qualquer.

Do jeito que falavam, Allen não tinha vencido apenas uma dupla, mas um passado inteiro de frustrações na vida de Kanda e, possivelmente, aberto uma gama de possibilidade para o herdeiro.

Seria interessante se, no meio daqueles diversos caminhos, houvesse um por onde poderia se achar a felicidade.

—-------Extra---------

Havia tomado banho e trocado de roupa enquanto a enfermeira prestava socorros ao feijão. Talvez nunca chegasse a entender realmente por que o corpo dele não se adaptava ao calor, e se perguntava se aquilo seria algum problema futuramente.

A questão ali, porém, era que haviam vencido e Kanda até arriscaria dizer que fora uma sensação muito boa.

—Leve-o para casa. Ele precisa descansar. – A enfermeira tirava um pano molhado da testa de Allen e Kanda até achou interessante ver o quanto ele parecia frágil daquele ponto de vista. – Ele precisa beber muita água e não se cobrir muito. É necessário que o corpo regularize a temperatura, portanto não o cubra ou algo do tipo. – Ela terminou, abrindo espaço para que o moreno pegasse o Honey.

A mulher havia trocado a roupa do albino e agora ele vestia uma camiseta e shorts brancos disponibilizados pela enfermaria. Pareciam de um tecido bem macio e fresco.

Kanda pegou o corpo desfalecido no colo, meio desconfortável com a leveza de Allen. A mulher ajeitou a bolsa do garoto, colocando o tênis dentro da mesma, uma vez que ele estava descalço. Ela entregou a bolsa para o Mestre, um pouco sem graça com a força que ele exalava e acabou por corar um pouco.

Olhando bem, Kanda achou que nunca a havia visto por ali.

Não se importando, deu de ombros, saindo corredor a fora.

—Cuide bem dele! – A loira ainda aconselhou, encostada no batente da porta da enfermaria. Respirou fundo. – Por que eles têm que ser tão lindos? Honeys sortudos... – Sussurrou para si mesmo, pegando o celular e tentando imaginar que tipo de relação aqueles dois tinham.

Já Yuu andou calmamente até a porta da Ordem Negra, onde seu motorista o estava esperando com um dos carros à sua disponibilidade. O homem abriu a porta traseira e deixou o caminho livre para sua entrada.

—Boa tarde, senhor Kanda. – O homem cumprimentou, e Kanda não se deu ao trabalho de responder. Aquele motorista estava ali como substituto e desde o seu primeiro dia, não gostou de saber que ele andava dando em cima das funcionárias da mansão.

Entrou no carro, acomodando Allen no seu colo e dando as coordenadas da casa do menor.

Sem intenção acabou cedendo à curiosidade de olhar mais de perto aquela pele tão alva e ligeiramente vermelha por conta da alta temperatura corporal do menino. Ele era magro demais, olhos grandes demais, cílios exagerados. O corpo era ligeiramente definido, talvez por praticar dança. Coxas roliças e mal cobertas pelo tecido do short.

Bem, e aí é que estava.

Uma veia estorou na sua testa e o olhar negro azulado severo fixou no retrovisor, pegando em flagrante o olhar o motorista.

—Preocupe-se com o seu trabalho. – Ditou rudemente, enquanto o motorista engasgava por ter sido pego em flagrante secando o corpo do Honey.

Aquilo fora o limite. Kanda fez o resto do trajeto irritado, a mão segurando o tecido do short, afim de cobrir o máximo possível a pele de Allen. Não se deu o trabalho de pensar no que falaria ao entregar o menino desfalecido para o pai. A única coisa que rondava sua cabeça era que estava na hora de usar sua carteira de motorista.

Notas finais
Bom, não acho que haja muita coisa para comentar. Para quem não entendeu a referência do início, é que os britânicos adoram falar sobre o clima. Na verdade, é mais uma questão de necessidade, já que o clima de Londres é sempre monitorado com a esperança de um diazinho de sol. Sobre o tamanho do capítulo, eu sou uma negação com capítulos pequenos, então só posso me desculpar. A Hoshino acaba com meu coração a cada mangá e tenho minhas dúvidas se ainda vou estar viva depois do término de DGM. Honey está fugindo da rota que eu projetei para ela desde o início. Não que isso seja algo ruim, na verdade eu estou gostando mais, apesar de ainda achar os personagens meio OC. É outra coisa que sou uma negação: personalidade. Acho que é tudo. Muito obrigada por chegarem até aqui, lembrando que críticas construtivas são sempre bem vindas! Beijos no coração e até o próximo!