Honey
26 Dojô
Notas iniciais
Allen bateu a porta do carro, já sentado no banco do passageiro, enquanto Kanda entrava no carro.
—Eu preciso te falar algo. — O mais velho ainda estava se ajeitando no banco quando ouviu a voz ansiosa falar.
Kanda bufou.
—Quando é que você não tem algo para falar? — Revidou, claramente Kanda e sua personalidade.
—Ah, mas você também é um grosso, né Bakanda! — Allen revirou os olhos enquanto ele ligava o carro.
—Tenho certeza que você não sabe disso, Moyashi. — Ele piscou um olho e o albino abriu a boca de incredulidade.
Às vezes, Allen tinha vontade de esganar Kanda.
—Ultimamente você vem maliciando muito, huh, Bakanda? — Revidou, determinado a não deixá-lo ganhar aquela discussão. Ele não esperava que Yuu deslizasse a mão direita para sua coxa e apertasse enquanto respondia.
—Você é o inteligente o suficiente para saber o motivo. — A voz dele soou uma oitava mais baixa e o Walker soube que perdeu aquela briga assim que corou. Yuu tinha um sorrisinho cretino quando o pequeno bufou e cruzou os braços, tentando mudar o rumo do assunto.
É claro que Allen não podia ser hipócrita e dizer que não sabia o motivo. Ultimamente, ele também vinha se sentindo um pouco incomodado quando o moreno estava perto demais, como acontecera hoje na enfermaria.
Não que ele não soubesse disfarçar mas...
Allen se ajeitou no banco, parecendo um pouco desconfortável, mas não retirou a mão de Kanda de onde ela parecia descansar naturalmente. Ele coçou a garganta antes de voltar a falar, claramente envergonhado, o que fez Kanda se sentir ainda mais vitorioso.
Babaca.
—O que eu estava dizendo é que nesse fim de semana é a apresentação de ballet. — Ele disse, a voz diminuindo ao longo da frase.
Kanda permaneceu um segundo calado, perdido em pensamentos. Allen não queria que ele fosse? Decidiu que o garoto terminasse, assim manteve a atenção na estrada, a qual estava um pouco escorregadia pela neve.
—Bakanda... eu adoraria que você fosse, mas eles só me deram um convite! — O albino logo disse ao perceber a expressão de Yuu.
—Você vai levar o seu pai? — A voz dele estava um pouco mais rouca e Allen se sentiu terrivelmente mal quando ele retirou a mão de sua coxa e segurou no volante com ambas mãos.
—Sim, eu vou... — Murmurou baixinho, amaldiçoando a pessoa que não pensou que os artistas da peça teriam mais de uma pessoa para convidar. O pior é que o teatro já estava com todos os assentos vendidos antes mesmo que a gestão desse o convite para os bailarinos. Allen não era o único da turma a lamentar. Alguns bailarinos tinham programado com a família e levaram aquele balde de água fria. — Eu achei isso muito injusto! Eles não avisaram q-
Sentindo a necessidade de se explicar, como se pudesse aliviar o peso no coração de deixá-lo de fora da apresentação, o pequeno começou a falar extremamente rápido até Kanda impedi-lo de tropeçar nas próprias palavras.
—Ei, Moyashi. — Ele elevou a voz acima do monólogo desesperado do Honey. — Está tudo bem, eu não estou bravo.
—Mas eu queria que você fosse! — Allen bufou e com uma olhada rápida, Yuu percebeu que ele tinha os olhos lacrimejados. O moreno revirou os olhos e levou a mão novamente à coxa dele.
Dessa vez, Allen segurou na mão do mais velho, colocando-a entre as suas.
—Tem alguma coisa que possamos fazer para mudar isso? — Perguntou calmamente. Allen olhou para ele, os olhos ainda aguados e o encarou por uns segundos. Às vezes era estranho se dar conta do quão calmo Kanda estava. Parecia que ele iria explodir como um balão a qualquer momento.
—Não... — Murmurou, odiando como os papéis se trocaram. Agora Yuu quem lhe acalmava.
—Então o seu pai vai ver a sua apresentação e depois nós saímos. — Kanda respondeu, olhando para ele mais uma vez apenas para ver o brilho choroso se dissipar e dar lugar à animação.
Aquilo era bom, fazer alguém feliz. Antigamente, Kanda diria que socar a cara de pessoas era a melhor coisa que podia lhe acontecer e ele estava certo, a julgar a vida medíocre que vivia. Porém, agora, ele dizia com certeza que ver aquele garoto feliz por sua causa era uma sensação indescritível.
Tão indescritível quanto a sensação de lar que os dedos dele enrolados nos seus lhe proporcionavam.
—--K&A---
—Esse trânsito está um caos! — Alma entrou na sala de estar da mansão seguido por Lavi e Lenalee, que estavam abraçados de lado.
Allen, que estava curvado arrumando as almofadas do sofá, se levantou e sorriu para os amigos.
—Entrem, sentem! — Convidou, mas certo ruivo já estava largado no sofá. O albino lhe lançou um olhar reprovador, o qual foi devolvido com um beijinho e um sorriso sacana da parte dele. — Eu acho que esse inverno está muito rigoroso esse ano. — Ele voltou-se para Alma, que sentava como um ser humano educado e não um animal.
Alma assentiu como se Allen tivesse dito algo sagrado.
—Onde está o Yuu, Allen-chan? — Lavi perguntou, mantendo os olhos fixos na tela do celular. Lenalee tinha a cabeça encostada no ombro dele, os olhos fechados como se tirasse uma soneca após uma noite sem dormir.
—Foi até a cozinha pegar a comida. Você está bem, Lena? — Manteve os olhos na amiga, que parecia tão bem hoje de manhã mas que agora se mostrava cansada.
—Ah, sim, Allen-kun. — Ela abriu os olhos sonolentos e bocejou. — Só dormi pouco essa noite.
—Algum problema? — Allen pareceu preocupado e o ruivo começou a fazer carinho no cabelo curto dela, o que fê-la voltar a fechar os olhos.
—Tive uma discussão com Nii-chan...
O Walker achou aquilo interessante a franziu as sobrancelhas.
—Isso não te deixou dormir?
—Não, ele passou a madrugada falando sobre eu e Lavi e bebês e me trancar numa torre alta onde ninguém vai me tocar. — Agora ela abriu os olhos e bufou. A boca de Allen foi ao chão no exato momento em que Kanda entrava na sala carregando cookies, bebidas e copos, todos segurados por seus longos dedos.
—Você contou para o Komui???? — Allen levou as mãos à cabeça, chocado e fascinado com a coragem de Lena.
—Eu não podia mais esconder dele, Allen-kun! — Ela disse. — Além do mais, já está na hora de Nii-san me deixar viver a minha vida.
A determinação dela deixou Allen estático. Não foi ontem o dia em que ele conheceu a garotinha Lenalee? Com cabelos grandes e uma doçura adorável?
Aparentemente não. Lenalee já era uma mulher adulta e estava tomando suas próprias decisões, enquanto ele não era nem capaz de confrontar a estranheza do pai, quem dirá assumir a coisa que tinha com Kanda.
Foi tirado dos próprios pensamentos quando ouviu Kanda pôr a comida na mesinha de centro e viu que Alma já estava rolando a tela da Netflix. Observou Lavi voltar a fazer carinho em Lenalee e Kanda se sentando no sofá.
Ele sentou-se ao lado do moreno e nem percebeu quando se aconchegou no peito dele de tão pensativo que estava. Ao longe, ouviu Alma falar alguma coisa e o peito de Yuu vibrar quando disse algo irônico. O Karma acertou uma almofada no mais velho, que a pegou no antes que ela acertasse Allen, e então uma pequena discussão se seguiu.
Lavi ria da situação, Alma praguejava dizendo que Kanda continuava um pé no saco e Yuu franzia a sobrancelha para ele, destilando palavrões mesmo sem tirar o braço que abraçava o Honey.
Completamente alheio, tudo que Allen pensava é que ele deveria ser corajoso como Lena e contar tudo ao seu pai na primeira oportunidade que aparecesse.
—--K&A---
Os créditos rolavam quando Allen abriu os olhos. Ele ainda estava aconchegado a Kanda e aparentemente dormiu antes da metade do filme.
Esfregando os olhos com uma mão em formato de punho, o albino olhou para cima, encontrando Yuu olhando-o com certa devoção.
—O quê? — Sua voz saiu um pouco rouca de desuso e ele franziu a testa. Kanda achou adorável.
—Estou encarando como você prendeu a circulação do meu braço, Moyashi. — Mas não era como se ele fosse amolecer.
Bem, só um pouquinho.
O pequeno se ergueu tentando prender um sorriso e fingiu estar bravo.
—Você é tão bruto, o que eu ainda faço perto de você? — Sussurrou, vendo que Lavi, Lena e Alma estavam dormindo.
—Eu disse que essa merda de filme era ruim. — Kanda reclamou, levantando e desligando a televisão. Allen levantou por instinto e viu quando o mais alto virou-se para si e respondeu também sussurrando. — Eu também me pergunto isso.
Ele bagunçou o cabelo de Allen e se dirigiu para fora da sala.
—Vamos fazer algo que não seja ouvir os roncos do usagi. — Murmurou, agora assumindo uma carranca mal humorada enquanto andava pelo corredor. Os olhos de Allen brilharam com a sugestão e em segundo ele andava saltitante até o lado de Kanda, olhando-o com excitação.
—Onde vamos? — Ele perguntou ao ultrapassarem a cozinha e seguirem para a porta dos fundos. O albino estivera ali algumas vezes nesses dois últimos meses. Na maioria, no entanto, ele não ultrapassava o jardim japonês.
—Vou te mostrar um lugar.
—O que é? — Portanto, era notável o quão animado ele estava com a promessa de conhecer mais da casa gigante de Kanda.
Yuu sorriu de canto, imaginando o quão decepcionado ele ficaria ao conhecer um dojô, ao invés de um campo de flores, ou um lago artificial, como sugeria os olhos animados dele. Ele tentaria fazer daquele lugar algo interessante, pelo menos.
—Bakanda, você é um estúpido por atiçar a minha curiosidade e não me responder! — Kanda viu o bico que ele lhe endereçava e quis beijá-lo naquele momento, somente por ser tão odiosamente fofo.
—Apenas olhe, Moyashi. — Mas ao invés, apenas acenou com a mão a pequena casa de madeira, que parecia extraída de alguma paisagem oriental. Ele viu o olhar prateado seguir a direção apontada e esperou pacientemente que os olhos se voltassem com decepção.
No entanto, Allen era sempre uma surpresinha.
—Um dojô! — Ele exclamou, dando passinhos mais rápido e chegando à entrada da casa primeiro que Kanda. — Você pratica artes marciais aqui? — O pequeno rodava em seus calcanhares, procurando alguma coisa entre as paredes de madeira e papel.
—Eu venho aqui quando preciso de um tempo sozinho. — O moreno disse, retirando os sapatos e prendendo o cabelo, antes solto, em um rabo de cavalo. Allen observou o movimento e decidiu fazer o mesmo, ficando descalço e com um pequeno rabo de cavalo.
—Você precisa de um tempo sozinho? — Perguntou, querendo saber se aquele era um momento de privacidade. Yuu apenas revirou os olhos e Allen tombou a cabeça em confusão.
—Se eu te chamei, é claro que não, Moyashi! — Foi o suficiente para o rosto dele se iluminar em um sorriso e ele dar mais pulinhos animados.
O mais velho dobrou a calça jeans que vestia até a canela e ajoelhou-se em uma reverência na entrada do imóvel. Allen fez o mesmo, ainda que um pouco desajeitado.
Entrar lá dentro, para o albino, foi um outro mundo. Ele jurava que estava no Japão medieval assim que pisou nos tatames e viu uma espada pendurada na parede em frente a ele.
A espada que Road tinha mencionado!
Agora, no entanto, ele só se sentia muito disposto a pegar nela, ao invés de com medo de Kanda lhe cortar a cabeça.
No centro, preso à uma corda no teto, havia um saco de areia de cor vermelha, e apenas isso. Tatames, uma espada, e um saco de pancadas. Ele ia perguntar a Yuu o que ele fazia ali – qual prática marcial — porém não conseguiu formar a frase quando ele retirou a camisa e seguiu para um cômodo junto àquela sala.
—Kanda? — Questionou, olhando ao redor e hesitando em dar um passo.
—Paciência, Moyashi. É uma das coisas que se exercita aqui. — A voz dele veio através da parede. Allen não pôde conter uma resposta.
—Então você precisa se exercitar mais! — Gritou de volta, com um sorriso vencedor nos lábios. Bem, isso até ele vir apenas de calça jeans e com um par de luvas de boxe penduradas no pescoço.
Allen vagou o olhar pelo corpo dele discretamente até vê-lo com um sorrisinho de canto. Ok, talvez não tão discreto. O albino corou.
—O-o que vamos fazer? — Viu o moreno se aproximar e segurar as luvas.
—Dê-me sua mão.
—Não antes de falar com meu pai... — Sussurrou numa tentativa de brincadeira, rindo baixinho, até que Kanda fixasse o olhar nele rapidamente.
—O quê? — A voz dele veio grossa.
—Huh? Ah, não, nada, e-eu estava só... — A voz do Walker foi morrendo quando ele percebeu que sua tentativa de aliviar o clima só o deixou mais denso. Resolveu apenas se matar internamente e estender as mãos com as palmas aberta.
Yuu ficou em silêncio enquanto encaixava as luvas vermelhas nas mãos pequenas do albino, secretamente adorando tocar o quão macias elas eram.
—O que vamos fazer? — Allen tornou a pergunta, com um pouco mais de confiança agora, enquanto batia palmas com as mãos cobertas.
O moreno se afastou dele e observou por um instante seu garoto descalço, vestido com calça jeans e uma blusa branca de manga curta, com luvas de boxe vermelhas.
—Eu vou ensiná-lo a socar alguma coisa. — Um sorriso cafajeste surgiu no rosto dele, enquanto ele segurava no saco de areia. O albino intercalou o olhar entre os dois.
—Mas por que? Você quer que eu bata em alguém? — A inocência dele tombou a cabeça para um lado e Yuu quase riu alto daquela criatura.
—Não... — Ele respondeu lentamente, indo para trás do albino e segurando na cintura dele. — Mas é sempre bom saber se defender. — Falou bem próximo ao ouvido do pequeno, que se sentiu tenso imediatamente. — Além de que boxe dissipa a tensão. — Acrescentou, enquanto empurrava o honey até a frente do alvo.
—T-tensão? — O Walker perguntou, a voz um pouco frágil devido ao arrepio que subiu por seu corpo. Kanda saiu de trás dele e voltou a ocupar o lugar atrás do saco de areia, segurando-o e mantendo-o no meio dos dois.
—Sim, de qualquer tipo. — Ele sorriu com dentes agora.
—Ok... — Ele suspirou, tentando se concentrar, e olhou para as próprias mãos. — O que eu faço com elas?
—Mãos ao lado da cabeça. Dobre a cintura de lado. Um pé mais a frente do que o outro para te dar equilíbrio. — Imitou a posição, o que fez os músculos se contraírem e denunciou como ele se mantinha em forma.
Allen tentou desesperadamente convencer sua cabeça de que não era bom imaginá-lo socando com força aquele alvo.
—E s-se eu quebrar o pulso?
—Não vai, a luva protege. Além de que você não precisa socar com muita força. Tente primeiro para eu ver o que você sabe fazer. — Yuu segurou o saco e olhou para Allen incentivando-o.
O primeiro soco foi tímido, o albino não fazendo ideia de como fazer aquilo. Os próximos seguiram com mais força até que Kanda soltou o alvo e deixou que Allen lidasse com a mobilidade. Ele foi para o lado do Honey e seus olhos brilharam de admiração com a concentração e o suor escorrendo através do pescoço dele.
Além estava ofegante e corado cinco minutos depois.
—Isso dói! — Choramingou, estendendo as mãos para o mais velho em um pedido mudo de que ele retirasse a luva. — Até as minhas mãos estão suadas!
O moreno não pareceu se importar quando colocou as luvas com agilidade.
—Você va-
O primeiro soco veio sem aviso e o Walker se encolheu quando o saco de areia balançou em um ângulo bem aberto.
—Wow... — Allen soltou um suspiro baixinho enquanto assistia ao mais velho deferir mais uma sessão de socos no equipamento. Suor escorria das costas dele enquanto o cabelo chicoteava as costas.
Allen realmente não soube quando prendeu a respiração.
Foi na primeira pausa que Yuu deu, logo após ele estalar o pescoço.
—Yuu. — A voz de Allen saiu sussurrada, mas determinada. O moreno olhou para ele e foi preciso apenas um minuto de reconhecimento e conversa silenciosa.
Em segundos as luvas estavam no chão e Allen respirou fundo antes de sentir o corpo grande do mais velho pressionado contra o seu. Ele não se importou quando passou os braços pelo pescoço de Kanda e sentiu o suor, muito menos quando soltou o cabelo dele para vê-lo grudar nas costas largas do moreno. Tudo que o albino precisava era ambas mãos grandes e fortes apertando sua cintura e parecendo ousar descer.
O mais alto beijava-o com dureza e euforia, como se estivesse sedento de si por muito tempo e finalmente tivesse um aval para saciar-se. Ele empurrou Allen contra uma das paredes do dojô e se separaram apenas para pegar ar. No instante seguinte, voltaram ao beijo e uma das mãos de Kanda desceu até a bunda do pequeno e a apertou entre os dedos. O albino gemeu sem separar as bocas e empurrou-se contra o corpo dele. Quase que imediatamente, ele foi capaz de sentir o volume pressionado contra o topo de sua coxa e puxou com força os fios negros.
Um gemido curto e profundo foi o que disparou a libido de Allen e ele sentiu-se endurecer. A temperatura subia rápido e quando eles pararam por um segundo, ambos com os lábios vermelhos e inchados, o de olhos prateados sussurrou.
—Não é errado fazer algo a-aqui? — Allen estava ao mesmo tempo corado e com uma expressão preocupada.
Kanda apenas sorriu de canto quando impulsionou o quadril para frente e roçou os pênis cobertos, ato que desfez a preocupação no rosto do albino e fê-lo enterrar as unhas nos ombros dele.
—Y-yuu... e s-se alguém... — Ofegou quando o mais velho subiu as mãos até seus cabelo e puxou o cabo de cavalo que tinha, obrigando-o a erguer o rosto. Assim, logo a língua de Kanda estava deslizando novamente para sua boca enquanto os dedos longos dele adentravam nos fios platinados para massagear o couro cabeludo.
A essa altura, Allen já estava corado e já estava com calor de mais para ficar de roupas. Mas ele não conseguiu calar a boca quando sentiu os dedos da mão livre de Kanda entrarem pelo cós da calça, então ele partiu o beijo de novo.
—K-kanda! N-nós estamos s-suados e-
—Você quer parar? — Os olhos dele brilhavam de luxúria e pareciam mais escuro que o habitual. Allen tremeu da cabeça aos pés. Um misto de ansiedade e medo o atingiu quando a frase saiu da boca dele e o albino se odiou por ser tão inexperiente.
Ele queria ser bom para Kanda, mas sinceramente? Não fazia ideia do que fazer! Ele queria muito fazer o que quer que Yuu quisesse! Por Deus, Allen era um garoto de 17 anos que desejava arriscar. O único problema era a falta de confiança em si mesmo. E se fosse horrível? E se eles não fossem compactíveis?
O albino gostaria muito de ser compatível com Kanda. Ser compatível com as costas suadas, largas e definidas dele. Com os cabelos negros caindo em cascatas. Com os lábios quentes e rubros que ele lhe oferecia, lábios que pareciam sugar sua alma fora. Ele queria as mãos pesadas amassando a própria pele e fazendo um nó no seu baixo ventre.
Sim, sim, ele adoraria ser compatível com o pênis dele, que dava sinal de vida a cada vez que o pequeno remexia o quadril.
Todavia, ele tinha vergonha demais para admitir isso. Por isso, apenas corou e mordeu o lábio inferior, olhando para qualquer lugar abaixo dos olhos dele enquanto negava com a cabeça.
Kanda achou aquilo estupidamente sexy. Ele de repente quis deixar Allen nu para vê-lo se envergonhar por isso e depois beijá-lo por inteiro para vê-lo se orgulhar do próprio corpo gostoso.
—Se segure, Moyashi. — Levou os lábios até o lóbulo que continha o brinco e chupou ali, prendendo o metal entre em dentes enquanto deslizava a mão pelas coxas. O pequeno deu um grito baixo quando sentiu as mãos dele se apertarem e colocarem-no em seu colo. Por instinto, o Walker enrolou as pernas na cintura alheia e gemeu quando sentiu a fricção do abdômen dele em seu pênis.
—Y-yuu... — Queria avisar que não tinha experiência nenhuma, avisar que provavelmente falharia e seria horrível e-
—Não pense tanto, Allen. — O moreno sussurrou, a voz mais profunda e rouca de um jeito que Allen jamais havia visto. O mais velho lambeu o pescoço suado do pequeno e deixou uma mordida forte ali. Dor desceu pela coluna do albino, fazendo-o se esfregar no colo de Kanda e sentir prazer por isso.
Dessa forma, entre beijos e esfregões sutis, Allen já estava vermelho até o pescoço quando Yuu adentrou em um banheiro. O garoto tentou olhar ao redor assim que foi posto no chão, mas depois de ouvir a fechadura ser trancada, ele sentiu-se ser abraçado por trás e logo a boca de Kanda estava mordiscando sua pele.
O mais novo nunca tinha ganhado chupões antes, mas ali estava seu pescoço sendo judiado enquanto as mãos cheias de anéis de Kanda trabalhavam em adentrar sua blusa e ir direto para os mamilos.
A exclamação de susto seguida de um choramingo por parte dele, fez o pau de Kanda latejar. Ter Allen em seus braços, completamente corado e suado, de olhos fechados e choramingando por mais era enlouquecedor. E um privilégio.
Yuu percebeu que seu menino desistiu de pensar assim que ele bufou contrariado e levou as mãos delicadas até o botão da calça jeans, tentando arrancá-la desesperadamente. Foi aí que Kanda deixou de chupar e marcar o pescoço para rir uma risada zombeteira no ouvido dele.
Allen tremeu quando as mãos dele seguraram a calça jeans com força e a desabotoaram. Em segundos, o albino estava de frente para ele, os lábios mordidos de excitação, o rosto corado e os olhos prateados brilhando em um misto de sentimentos.
Kanda sentiu que segurava a coisa mais preciosa do mundo enquanto descia seus lábios para beijar os dele agora de forma delicada, tentando passar-lhe confiança.
—Relaxe, eu estou no comando. — O moreno sussurrou, passando suas mãos quentes pela barriga lisa do honey e descendo uma delas até a boxer já úmida de pré-gozo que ele vestia.
O pequeno engasgou e choramingou quando a mão dele pressionou a glande sensível e Allen sentiu que poderia explodir de vergonha, satisfação, adrenalina e prazer. Era estranho ouvir seus próprios murmúrios ecoarem pelas paredes do banheiro, as quais pareciam tão próximas que davam ideia de privacidade.
Era apenas Allen e Kanda naquele momento.
—K-kan...hmm.. — Mordeu o lábio inferior quando um gemido fino explodiu em sua garganta e fê-lo se apertar no ombro do mais alto.
—Eu vou cuidar de você, Moyashi. — Mais uma frase sussurrada em seu ouvido e o estômago de Allen estava apertando. — Tire a calça e vá para o chuveiro.
A ordem dele ecoou pelo banheiro e Allen sentiu as pernas bambearem quando ele deu um empurrãozinho para Allen seguir em frente e ir até o box. Enquanto, Kanda retirou a calça jeans vendo o pequeno fazer o mesmo, mas de uma forma mais acanhada.
Agora ele estava com os cabelos brancos bagunçados, um olhar suplicante, vestido com uma camisa e a box preta que marcava a ereção molhada dele.
Yuu achou a visão digna de um banquete e lambeu os lábios, o que fez Allen morder os seus.
Estar com Kanda prestes a fazer sexo era íntimo, quente e, por Deus, Allen choramingou só de ver o comprimento dele. O moreno deu os passos que o separaram de um honey acanhado e sorriu para a ansiedade dele.
—Eu disse para o chuveiro. — Ordenou e deu um selinho rápido enquanto segurava na cintura dele e o empurrava para dentro do box.
—M-mas K-kand-
Não houve tempo de retrucar quando um jato de água quente caiu sobre a cabeça do de olhos prateados, que xingou um palavrão. Sua camisa agora estaria ensopada!
—S-seu idiot-ta! — Allen socou o peito nú dele e inflou as bochechas tentando sair da direção do jato.
—Não. — Empurrou o albino para a parede gelada e entrou no fluxo de água no exato momento em que o garoto gemia devido à diferença de temperatura de seu corpo quente com a parede gelada.
Depois do choque térmico, o Walker abriu os olhos para ver Yuu debaixo do chuveiro, cabelos e boxer molhada, acariciando a si mesmo enquanto o encarava.
Allen sentiu que podia morrer sob o olhar dele. O vapor subia e tomava conta do banheiro, enquanto eles se encaravam com uma tensão sexual densa entre si.
Foi quando Kanda se ajoelhou diante de si, que o albino perdeu o fôlego e sentiu o próprio coração descer para o estômago.
—Oh, meu Deus, Kanda! — Exclamou quando as mãos grandes dele seguraram suas pernas, forçando que elas se abrirem mais.
—Me deixe ver você, Moyashi. — Pediu rouco enquanto deixava um beijo no meio da barriga no albino.
A respiração de Allen estava descompassada e ele sentia seu sangue todo concentrado no próprio membro e em suas bochechas, que deviam estar extremamente vermelhas tamanho o choque de ter Yuu ajoelhado diante de si.
Os beijos do moreno foram descendo até o quadril e ele deixou um chupão ali perto, como se sinalizasse que era o único que podia estar naquele lugar. Allen tremeu com a ideia. Então os lábios desceram mais até que Kanda beijou seu membro por cima do tecido, o que fez com que as duas mãos pequenas fossem parar nos fios longos e negros.
—K-kanda..e-eu... eu p-prec-
—Shii, calado. — A voz dele era mansa quando ele roçou o nariz no baixo ventre do garoto e desceu a boxer de uma vez.
O membro de Allen caiu pesado em sua barriga e ele gemeu aliviado por estar livre. Imediatamente, levou uma das mãos para se tocar, mas Kanda segurou seu pulso e, mesmo ajoelhado, lhe lançou um olhar autoritário.
—Não se toque. — Allen gemeu contrariado, olhando por sob os cílios, os lábios trêmulos e as bochechas vermelhas. Yuu tomou os dois pulsos do garoto com uma mão e enrolou a camisa dele na altura do peito com a outra. — Segure sua camisa. Não quero que ela te cubra.
—E-eu pos-so t-tirar... — Allen poderia qualquer coisa naquele momento, contanto que Kanda o fizesse gozar logo.
—Não, você vai segurá-la. — Fez com que as mãos do pequeno estivessem bem apertadas e descontando toda a excitação na camisa antes de voltar o olhar para a glande avermelhada que escorria pré-gozo.
Kanda nunca tinha chupado um cara. Mas também nunca achou um pau bonito como o de Allen e nem nunca tinha gostado de alguém como gostava de Allen. E, bem, aquela era a primeira vez para os dois.
Talvez por não esperar que a sensação fosse tão maravilhosa, o albino gritou alto quando Kanda tomou a glande na boca, chupando-a e rodeando com a língua. Envergonhado com o som, ele deixou apenas uma mão segurando a blusa enquanto a outra ia tampar a própria boca.
Ele nunca, no entanto, cortou a ligação de olhar com Kanda quando o moreno empurrava o membro para dentro da boca e chupava-o, como se exigisse uma recompensa. Ainda por cima, ele massageava os testículos e brincava com eles como se lhe pertencessem.
Os sons dos gemidos finos e abafados pela água ecoavam pelo banheiro e quando os espasmos de prazer eram demais, o pequeno jogava a cabeça para trás, não se importando em batê-la contra a parede. Seu corpo inteiro estava molhado e em chamas, e por onde as mãos de Yuu passavam era como se estivesse em brasa. Ele apertava as coxas brancas e roliças com tanta força que o Walker sabia que ficaria a marca dos anéis nela.
As pernas de Allen estavam cedendo na terceira vez que Yuu o levou até a garganta e, quando o mais velho notou que logo ele viria, tirou-o da boca, lambendo os lábios enquanto se levantava e retirava a própria boxer.
Seu honey era uma delícia e ele não via a hora de levá-lo para cama e se enterrar com paixão dentro dele. Mas não naquele dia. Eles não passariam dali, já que Allen tinha que dançar dali a dois dias.
Pegando seu pau na mão e aliando-o com o do honey, o mais alto começou uma fricção conjunta, apertando os dedos sempre que queria que Allen choramingasse mais. Ele mesmo soltava alguns gemidos roucos e satisfeitos com o quão bom e molhado seu garoto era para si.
Determinado a levar o albino à loucura, ele começou a simular uma penetração com o quadril, enquanto a mão livre ia enlaçar fortemente a cintura de Allen para impedi-lo de cair e a boca ia atacar o pescoço dele. Sons dos gemidos e dos corpos se esfregando, junto com a água caindo no chão, era o que preenchia o banheiro.
—Allen, olha para mim. — Roçou o nariz no queixo trêmulo do garoto, que mordia os lábios com força tentando não gemer tão alto com os movimentos de quadril que recebia. Se segurava com força nos ombros alheios, afundando as unhas e arranhando-o. — Olhe. — O pequeno lutou contra a vontade de revirar os olhos e ignorou a sensação de vazio pesado em seu estômago para encarar os olhos exigentes de Kanda.
—Você está me ouvindo? — Yuu perguntou, empurrando-se com mais força contra ele enquanto deixava um beijo em sua bochecha. Não se lembrava de ter beijado alguém na bochecha alguma vez.
—Hmmm... S-sim... ah...E-eu...
Kanda riu com o desespero do menino e chupou o lóbulo da orelha dele novamente, brincando com o brinco até posicionar os lábios e dizer, enquanto segurava ambos membros com uma só mão e apertava as costas de Allen com a outra:
—Goza para mim, Allen. Me dê o que você tem. Agora.
Foi instantâneo. Ele mordeu ainda mais forte os lábios enquanto fechava os olhos com força e jogava a cabeça para trás. Kanda, no entanto, apertou o queixo dele, fazendo-o não estourar o próprio lábio e deixar um gemido alto, manhoso e prolongado sair de sua boquinha em formato de "o".
Foi impossível se segurar vendo-o se sentir tão bem e logo seu gozo estava sujando a barriga pálida do mais baixo. As pernas dele desabaram assim que a tensão se dissipou e ele ofegava tanto que Yuu teve medo de matá-lo sem ar. Abraçou o corpo pequeno e frágil do garoto e manteve-o em pé enquanto a água os limpava.
Estando sensível, o Walker ainda gemia um pouco com a proximidade dos corpos.
—Hmm...Y-Yuu... — Ele chamou, puxando sem força nenhuma os fios negros para ter atenção.
O chuveiro foi desligado.
—Sim?
—E-eu preciso r-respirar... M-muito quent-te...
Diferente do box esfumaçado, a cabeça de Kanda rapidamente clareou e logo ele suspendia os pés de Allen para tirá-lo do banheiro. Pôs o corpo do menino ao lado da pia enquanto destrancava a porta e saia do cômodo sem se importar em estar nú.
Segundos depois ele voltou com dois kimonos na mão. Allen se sentia ao mesmo tempo sufocado e satisfeito quando viu que Yuu abriu uma das vestimentas nos braços.
Sem pensar muito, o albino apenas retirou a blusa ensopada e se virou de costas, colocando um braço de cada vez no kimono branco. Em seguida, o mais velho o virou de frente e amarrou a fita na cintura, tudo isso com um olhar preocupado e concentrado.
—Vá. — Ele puxou Allen para fora e apontou para um tatame no chão, onde o de olhos prateados logo se deitou e fechou os olhos para respirar fundo e se recuperar do orgasmo. Ele sentiu quando a madeira rangeu com passos e abriu os olhos para ver Kanda sentado ao seu lado, já vestido com um kimono preto. Levou uma das mãos pequenas ao cabelo molhado dele e sorriu ternamente quando atraiu os olhos negros para si.
—Bakanda, me deixa pentear o seu cabelo... — Sussurrou e logo em seguida teve os lábios tomados novamente.
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