Honey

15 Biscoitos de baunilha


Notas iniciais
Olá, meu amores!! Esse final de semestre está me matando, mas aqui estou eu! Acho que agora sim eu posso dizer que o romance está em andamento!! Estou feliz, mas ao mesmo tempo preocupada. Me digam se estou indo muito rápido, ou de forma desconexa! Obrigada pelos novos comentários, favoritos e acompanhamentos e, adivinhem, ganhei uma nova recomendação!!! Gente, eu fiquei tão feliz!! Você não tem noção! Muito obrigada NamieKido, eu explodi de alegria! Perdi a conta de quantas vezes li e reli sua recomendação. Foi muito lindo mesmo, muito obrigada! Amo muito vocês leitores, vocês são minha alegria. Obrigada de coração! Lá embaixo eu darei algumas explicações e tudo mais, então vão ler! Ah, Namie, esse capítulo é para você, flor! Mil beijos!! Boa leitura à todos!!

Allen entrou na sala de aula poucos minutos antes do bater do sinal. Com visível bom humor, andou até sua carteira, onde Kanda estava deitado de bruços, com a cabeça enfiada entre os braços.

—Bom dia, Allen-kun! – Lena cumprimentou, sorrindo para o amigo. Lavi, que até então estava virado para trás conversando com Alma, também deu atenção ao albino.

—Hey, Honey-chan! – Acenou, um sorriso sacana delineando seus lábios. Lavi estava com aquela expressão estranha para o garoto desde que soube que Yuu havia levado-o até a Holanda, mais especificamente em um campo de tulipas.

Na verdade, foi uma surpresa para todos saber daquele passeio, ocorrido semanas atrás. Era de consentimento geral que o episódio servira para acalmar os ânimos e agora Allen poderia dizer que aqueles três Mestres eram seus amigos.

Claro que Kanda continuava fechado, Lavi com a personalidade safada e Alma parecia um guardião do moreno, no entanto em muitos momentos aquelas divisões eram esquecidas e até mesmo Yuu ficava mais amigável.

Por falar nele, as semanas que se passaram desde os Jogos Drops pareceram não lhe fazer bem, já que agora ele dormia muito mais em aula. Allen algumas vezes questionara o motivo, mas ele apenas estalava a língua e virara o rosto, dormindo com ele virado para a janela. Alma mantinha-se impassível quanto ao assunto, apenas dizendo que naquela época aquilo era normal, levando em conta as atividades comerciais da Lune.

Kanda tomava conta de algumas ações e filiais da empresa e muito provavelmente estava mergulhado em papéis e responsabilidades que Allen ainda não conseguia digerir direito.

—Oi Lena, Lavi, Alma. – Sorriu após colocar a bolsa no assento e encostar o quadril na carteira de ambos, ficando em pé no corredor.

—Bom dia, Allen! – Alma acenou, um sorriso grande e infantil no rosto. Além de divisor de águas, o fim dos Jogos Drop trouxe consigo um Karma mais brincalhão e sorridente. Vez ou outra o albino se perguntava se aquilo tinha a ver com o término da tensão Drop, mas não tinha coragem de perguntar por lhe parecer muito óbvio. – Você parece mais feliz hoje, fez as pazes com seu pai?

— Ele me fez panquecas hoje! – Os olhos prateados brilharam de emoção, enquanto Allen levava o punho fechado ao peito, num claro sinal de comemoração. Lena riu baixinho e Alma ergueu um “hi-five”, que logo foi correspondido pelo outro.

—Vitória!

As semanas passadas com a invisibilidade de Kanda, o sumiço de Tiky e o afastamento de Road serviram para consolidar a amizade que Allen começou a cultivar com Alma. Gostava da preocupação que o outro tinha com Kanda, mesmo que achasse meio injusto às vezes, porque, convenhamos, ele não era um anjo. Ainda assim, o companheirismo do Karma era bem visto aos olhos do albino, que escolheu fazê-lo um amigo.

—Achei que nunca mais ia comer das minhas preciosas panquecas... – Allen lamentou, lembrando da punição silenciosa que Mana aplicara em si por ter chegado em casa tarde no dia que saiu com Kanda.

—Ah, Allen-kun, eu sabia que isso não ia durar muito! – Lena tinha o rosto apoiado na palma da mão.

—Durou três semanas, Lena, três! – Ergueu os dedos com assombração. Na sua cabeça, aquela era um castigo rigoroso demais e todos concordavam em achar que Mana tivera um ataque super protetor.

—O pai do Allen-chan odeia o Yuu! – Lavi riu da situação, lembrando com detalhes da cara de enterro que o albino trazia no dia seguinte aos Jogos.

Mana havia surtado quando descobriu que seu filho fora para outro país sem nem lhe avisar e estava esperando a chegada do garoto na porta de casa.

Foi pego de surpresa quando um carro luxuoso parou na frente do sobrado de dois andares com janelinhas em formado de carinha feliz, mas sua raiva logo voltou quando viu quem saia do automóvel.

Kanda estava com um rosto límpido, sem um pingo de vergonha na cara. Desceu do carro com classe e abriu a porta do passageiro revelando a figura de seu Honey adormecido.

Imediatamente se iniciou uma discussão entre o Mestre e o pai, que estava histérico com a ideia de seu pequeno bebê sozinho com um adolescente irresponsável que achava que tinha alguma autoridade.

Allen acordou assustado no meio daqueles sussurros altos e, desorientado, sentou-se no banco, observando por alguns segundos a discussão entre os dois homens. Sua lentidão pós-sono apenas lhe permitiu chamar pelo pai com a voz rouca em desuso.

No mesmo instante, as vozes se calaram e ambos olharam para o menino meio adormecido dentro do carro. Ele tinha as roupas amarrotadas e metade do rosto marcado pelo couro do estofado. As pupilas dilatadas e o cabelo bagunçado lhe davam um aspecto de criança pedinte que fez o coração do pai amolecer e Kanda ter vontade de levá-lo para a mansão e...

Mana, entretanto, ao lembrar que aquela mesma criança poderia ter sofrido um acidente, se machucado, morrido, sido abusada, roubada, vendida, sequestrada e tudo mais, arrancou-o do carro, sob protestos do mesmo, que ainda trouxe consigo algumas tulipas vermelhas.

Allen deixou-se ser puxado em trancos, ainda meio inconsciente. Perguntou em uma voz mais alta o que o pai estava fazendo, o por quê, e tentava firmar os pés nos degraus da frente, ouvindo Manda falar um bilhão de coisas.

No fim, ainda tentou se despedir de Kanda, que mantinha-se encostado no carro, assistindo toda a discussão com neutralidade e um meio sorriso. Allen até franziu as sobrancelhas, inflando as bochechas e se preparando para implicar com ele, mas logo foi carregado para dentro da casa.

Não soube por quantos minutos – ou segundos – ficou sentado no sofá, sob a iluminação da lâmpada da cozinha, que deixava mais da metade da sala sombria. Mana estava na sua frente, a expressão enfezada, dizendo o quanto estava decepcionado, o quanto esperava mais de seu filho. Falou sobre responsabilidade, sobre possíveis acidentes, começou a questionar toda a “liberdade” que Allen tinha, fazendo questão de lembrá-lo que ainda não tinha dezoito anos e havia passado o dia inteiro sem nem lembrar que tinha um pai.

A culpa recaiu tanto no albino que, em determinado momento, ele começou a chorar e foi apenas aí que o pai deixou de dar bronca e calou-se. Apesar de tudo, Allen chorando era capaz de desarmar qualquer um.

Um pedido de desculpas sôfrego soou, mais algumas palavras e ambos foram dormir. A insônia atingiu pai e filho e no dia seguinte, o garoto estava só o caco.

Repassando tudo em mente, sim, Lavi tinha razão. Após o incidente, Mana não aguentava ouvir o nome de Kanda que já começava a falar sobre o dinheiro não comprar tudo, sobre o quanto ele era mimado e que Allen não devia se meter com essas influências. Família honesta e trabalho também entravam no discurso.

—É... – Concordou com o comentário, fazendo Alma comentar sobre o quanto Yuu era um garoto mal. O trio aproveitou para rir e fazer piadas agora que o moreno dormia e só pararam quando o professor de Conceitos Administrativos entrou na sala.

Os alunos se dirigiram para seus respectivos lugares com lentidão e, já sentado, Allen reparava em quem vinha. Road subia os degraus e parecia cantarolar algo enquanto segurava um guarda-chuva na mão. Eles não se falavam direito desde que a ligação entre Allen e Tiky esfriou. O moreno, após saber que o menor havia continuado como Honey, mandou mensagens dizendo-se decepcionado e preocupado. Porém não houve mais contato após os Jogos, e Allen se preguntava se Road tinha dito algo.

Claro que ainda pensava em Mikk, às vezes sentia uma súbita vontade de ir até o Noah´s, mas dizia a si mesmo que era saudade de todo o clã e não de apenas um homem. Felizmente a maioria dos pensamentos que tinham início nos olhos dourados de sua paixão adolescente eram logo desviados para os longos cabelos negros e o dono de quem tinha que “cuidar”.

Acabou olhando para o lado ao sentir a brisa gelada que vinha da greta da janela e reparou que Kanda estava sem casaco. Bufou diante da irresponsabilidade do garoto e tirou seu sobretudo, colocando-o sobre os ombros do moreno.

Estava com uma blusa de manga comprida, portanto não sentia tanto frio.

O ato, que para o albino pareceu super normal, chamou atenção da sala inteira. Muitos Mestres ainda comentavam daquela nova dupla. Alguns falavam mal e a maioria se matinha incrédula, não conseguindo acreditar que aquele garoto estava como Honey de Kanda há meses.

Aparentemente a escola inteira também comentava, afinal a Turma Especial era um mito na Ordem Negra. Grande parte das garotas sonhava em chegar perto dos garotos daquele bloco, pois os boatos não mentiam sobre a aparência deles. E, bem, Kanda era um ser exótico e bonito. Não era a toa que trocava de Honey rapidamente, mas também era justificável os “Drop relâmpago” que davam fama ao moreno.

Nenhuma Honey ficava, nenhuma Honey aguentava uma aula sem chorar. Kanda humilhava, destratava, seduzia e pisava. Sexo? Muitas vezes ele tinha, era inclusive uma obrigação. Mas eram suas Honeys, certo? Se alguém não concordasse, não podia falar nada. Assim era o Sistema.

—Honey, — A voz do professor parou de dar atenção à leitura de teorias comerciais aparentemente do nada e todos seguiram o olhar dirigido ao albino. – Você não deveria estar fazendo o seu trabalho e manter seu Mestre acordado?

Allen arqueou ambas as sobrancelhas em surpresa, mas logo se recompôs.

—Bom, se ele está dormindo é porque precisa. Não vou acordá-lo. – Respondeu, não por implicância, mas por achar um absurdo ser responsabilizado pelo sono do Mestre. Se Kanda dormia, o problema era dele, certo?

—Pois eu espero que você arque com as consequências por essa sua atitude petulante. – O homem franziu o rosto.

—Eu vou, mas deixe-o dormir. – Na verdade, dizia a si mesmo que não ia ajudar coisa nenhuma. Kanda que se virasse, afinal ele era o irresponsável, mas para não prolongar o barulho e ter que aguentar um japonês enfezado o resto do dia, preferiu dar um basta na discussão.

Alguns murmúrios surgiram na sala e logo o professor ajeitou os óculos em um pigarro, decidido a voltar com a matéria. O Walker voltou a copiar, mas pausou ao sentir um cutuque nas costas. Não demorou muito para ouvir o sussurro próximo ao ouvido.

—Allen-chan, você vai me ensinar também se eu dormir? – A frase em si não tinha nada demais, mas o tom usado fez o menor se arrepiar.

—Vai se catar, Lavi! – Sussurrou de volta, passando a mão na nuca, onde seus pelinhos se arrepiaram.

Antes de mergulhar no entendimento da matéria olhou de esguelha para o lado, e Kanda ainda dormia calmamente, coberto pelo seu casaco, como uma criança que precisa de carinho.

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— Eu acho justo a gente sair para fazer alguma coisa! – Lavi argumentava, sentado na mesa. Lena arrumava suas coisas e Alma já vinha descendo a escada.

—Você só sabe sair, Lavi! Vê se aquieta um pouco! – O moreno ficava indignado com a animação do ruivo para sair em pleno inverno. A única coisa que queria naquele momento era ir para sua casa quentinha — mesmo que seus pais fossem igualmente ausentes, como eram os de todos os alunos da classe especial.

— O que?? Que absurdo!! Faz muitos dias que eu não saio! – Gesticulou com as mãos, porque a última vez que tinha saído fazia uns três dias. – E foi muito ruim! A Lena não quis ir comigo!! – Emburrou-se, enquanto a morena sorria amarelo.

—Lenalee. – Allen deu atenção à conversa, corrigindo o modo como o outro chamou sua amiga. – Lenalee é o nome dela. Lena é para os íntimos. – Franziu as sobrancelhas, olhando para a amiga que deu os ombros sem graça. Depois ia tomar conhecimento daquela situação.

—Mas nós somos íntimos, não somos, Lena?? – Lavi puxou a garota num abraço pelo ombro, deixando-a corada. Alma revirou os olhos, vendo que dali podia sair briga. Allen bufou alto e ia intervir, porém o moreno o fez antes, falando algo sobre cavalheirismo e educação. O Karma lançou um olhar para o albino, que se virou a fim de acordar Kanda e saírem logo da escola, pois só assim afastaria o ruivo da garota.

—Kanda, acorda. – Allen encostou no ombro do Mestre,balançando-o rapidamente. – Acorda, Bakanda. – Mais uma vez e logo se afastou, vendo-o se remexer e resmungar.

Aos poucos, o moreno foi erguendo a cabeça, desorientado. Os olhos orientais se despregaram e ele os coçou, fazendo o Honey esboçar um sorriso.

—A aula já acabou, Bakanda. Vai continuar a dormir como uma princesa? – Cruzou os braços, desafiando-o. No mesmo instante Kanda focou as orbes perdidas na figura a seu lado, fechando a cara instantaneamente. Aquele Moyashi estava ficando muito abusado.

—Calado, Honey Moyashi... – A voz rouca soou ameaçadora, mas só o que Allen fez foi rir da cara que o outro tinha ao levantar. Parte do rosto de Kanda estava vermelha devido à pressão que os braços exerceram contra a pele e a outra parte estava inchada, dando um aspecto desproporcional ao rosto tão perfeito do japonês.

— Mas que droga...? – Uma expressão confusa se fez quando ele retirou a jaqueta com cheiro de Moyashi de cima de si e Allen riu alto ao perceber o ninho em que tinha se transformado o cabelo do outro.

—Ahh, o Yuu acordou!! – Lavi gritou, animado, e Kanda estalou a língua com a bagunça, ficando ainda mais irritado quando o ruivo riu de si. – Que novo penteado legal, Yuu!! Hahaha!

—Cala a boca, Usagi, ou eu bater sua cabeça nessa mesa!! – Urrou, vendo que inclusive a garota ria de sua situação. – Arrume logo essa merda, Moyashi estúpido! — Bateu contra a mesa com não muita força, apenas irritação, para ver se o albino lhe dava atenção.

—Calma, calma, Kanda! Não se irrite! – Ele mantinha uma expressão risonha que causava uma sensação estranha no moreno. Era nesses momentos que tinha raiva da capacidade de Allen de ser superior a si algumas vezes.

O Walker ajoelhou uma perna no banco enquanto Yuu se virava para dar o cabelo a ele. Os fios negros e macios foram desamarrados e o albino pôs-se a desembaraçá-los com os dedos.

—Owwn que fofo!! – Lavi batia falsas palmas.

—Você está pedindo para ele te bater, Lavi. – Alma observou.

—Nah! O Yuu não faria isso, faria? – Riu quando viu Allen ter que manter a cabeça do Mestre parada para impedir o moreno de voar no pescoço do outro.

— Cala a boca, Lavi! – Olhou-o feio, num aviso de que não iria segurar a fera no próximo ataque.

—Ok, ok, Honey-chan. – Lavi ergueu as mãos em rendição. – Como pedido de desculpas vamos todos à casa do Yuu passar a tarde vendo filme!!

Alma bateu a mão na testa quando uma mochila voou até a figura do outro.

—Aii, Yuu!! Por que fez isso? – Choramingou.

—Para de me chamar pelo primeiro nome, seu merda! – O moreno se ergueu, já com o rabo de cavalo pronto, empurrando o albino para descer as escadas e saírem da sala vazia.

—Mas o Allen-chan te chama assim!! – Retrucou, fazendo ambos pararem de andar.

Uma pequena pausa se fez.

—Não chama.

—Não chamo.

—Não? – Ficou confuso. A relação deles ainda estava naquele patamar? – Ué.

—Você é louco, Lavi.

—Ignora essa peste.

Logo os cinco saiam do prédio, com Alma e Lena conversando sobre um filme que lançaria nos cinemas e Lavi importunando a dupla Yin Yang.

—Vamos, Yuu!!! Faz tempo que eu e o Alma não vamos na sua casa!!

—Já mandei calar a boca. Eu vou cortar a sua língua!

—Lavi, você pede pela morte...

—Olha, se você deixar eu juro que te chamo pelo sobrenome!

Outra pausa.

—Você sabe que ele não vai fazer isso, né? – Alma divagou.

—Não mesmo.

—Mass!!! Allen-chan!! – O ruivo apelou para o de cabelos claros.

—Eu não posso fazer nada, Lavi.

—É só você falar que quer assistir filme de terror com a gente!!

—Eu não gosto de filme de terror. – Respondeu e Lena riu do desespero do ruivo.

—Acho melhor desistir, Lavi. – O moreno mais novo achava graça da situação.

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—Eu quero saber como infernos isso aconteceu. – Kanda massageava as têmporas, enquanto observava o sofá de sua sala ser transformado em uma cama para aconchegar todos.

—Eu achei que iríamos estudar!! – O Walker reclamou, pois só tinha aceitado a ideia quando o ruivo colocou no discurso a necessidade de passar a matéria perdida para Yuu, caso Allen não quisesse reprovar, uma vez que o Honey obrigatoriamente tinha que cursar o mesmo ano que o Mestre.

—Você é ingênuo, Allen-kun. – Lena disse, e o albino a olhou com desespero.

—Eu escolho os filmes!! – Alma se jogou no sofá, extremamente animado com a ideia de estar de novo na casa de Kanda, como faziam quando eram crianças.

—Nãao, Alma!! Yuu, o Alma vai escolher aqueles filme da década de trinta!! – Lavi reclamava e a cada palavra que o mesmo dizia uma veia saltava da testa do moreno.

—O Kanda-kun vai explodir... – Lena sussurrou no ouvido do amigo.

—Vai mesmo! – Devolveu.

—Vai se catar, Lavi! Tem filmes antigos muito bons! Aquilo sim era terror de verdade! – Alma sincronizava a tevê, entrando em sua conta paga de filmes online.

—Claro! Um vampiro com máscara de borracha e sangue igual recheio de chiclete! – O ruivo voltou da cozinha, pulando o encosto do sofá e se jogando de qualquer jeito no móvel.

Allen e Kanda permaneceram parados, enquanto Lenalee se aproximava dos outros dois dando sua opinião sobre um filme qualquer.

—Eu vou chamar os seguranças para expulsar esses filhos da puta. – Kanda fez menção de se mover.

—Ah, Kanda, dá um tempo. – Allen segurou o braço dele e franziu as sobrancelhas em desaprovação. – São seus amigos, você deveria aproveitar esse tempo com eles!

—Não quero. – Puxou o braço e começou a se mover.

—Qual o problema, Kanda?? Deve fazer tempo que vocês não passam um tempo junto!

—Um tempo maravilhoso. – O moreno dirigia-se para o corredor

—É só você falar que quer que ele faz, Allen-chan!! – Lavi gritou do sofá, levando um tapa fraco de Lenalee. Allen bufou e ignorou, desistindo de perseguir o outro e deixando que ele fosse para onde quisesse.

—Ah, que se ferre também!! Eu vou fazer pipoca! – Anunciou, virando as costas e seguindo para a cozinha.

Irritado, começou a bater as portas dos armários, aparentemente esquecendo-se do preço dos mesmos, enquanto buscava pela pipoca. Perguntou-se onde estavam as de microondas, mas a julgar pelo antissocialismo do japonês, deduziu que não deveria ter ali. Esticou-se e pegou o milho, dando de cara com o Mestre encostado no batente da porta quando fechou o armário.

—Você vai fazer o quê?

-Pipoca, não ouviu? – Retrucou, listando na mente o que Mana usava para fazer aquilo. Como conseguiu lembrar de tudo, achou que não era difícil.

—E você sabe fazer isso? – Arqueou as sobrancelhas, cruzando os braços.

—Claro, é muito fácil. Não existe uma pessoa decente que não saiba fazer isso. – Alfinetou, ponto o óleo e o milho na panela.

O moreno soltou um risinho debochado e saiu da cozinha, o que fez florescer na cabeça do albino várias ofensas àquela pessoa. Esperou a pipoca aquecer e tampou, seguindo para a sala.

Não sabia que filme eles tinham escolhido, mas só o toque inicial e a atmosfera sombria do lugar denunciavam seu gênero. O grande sofá tinha espaço para todos se aconchegarem, mas Allen apenas encostou no encosto, decidido a esperar seu alimento. Da cozinha, ouvia um som abafado de pipoca estourando e ao vagar o olhar para o pessoal, sorriu minimamente.

Por mais que tivesse vontade de esganar Kanda, e muitas vezes quisesse jogar Lavi no lixo, tinha que admitir que seus dias estavam divertidos. Depois de toda a confusão inicial, o japonês mostrou ser uma pessoa “convivível”, e os cinco viviam juntos.

—Sua pipoca já não está pronta, Allen-kun? – Lena ergueu a cabeça, pegando o amigo contemplando-os no flagra.

—Ah! – O albino saiu de seus devaneios. – Tem razão! – Animou-se com a pipoca, que havia parado de estourar, e correu para a cozinha.

Desligou o fogo, procurou um recipiente para colocar os grãos e abriu a tampa da panela, deparando-se com metade da pipoca não estourada e a outra metade queimada e presa no fundo.

Ficou chocado!Tinha feito tudo como seu pai fazia!! Não tinha como ter dado errado!

—Ficou bom, Moyashi? – Kanda apareceu novamente, provocando com o tom de voz por já saber que, pelo cheiro, a pipoca havia queimado.

Allen olhou para o moreno, estava sem chão. Sua pipoca! O rosto surpreso e incrédulo do mais novo, fez Yuu sentir-se superior e esboçar um sorriso maldoso.

—Acho que nem todo mundo consegue,né Moyashi. – Sibilou o apelido, vendo o Honey voltar o olhar para a panela novamente, assustado com o estado do milho.

—Mas eu... – Tentou retrucar, explicar que tinha feito tudo certo, mas soube que não importava o que fosse dizer, Kanda ia rir e fazer piada.

Afastou-se da panela, mordendo o lábio inferior e contendo a raiva no fundo da garganta. Era um inútil e não sabia nem fazer uma pipoca! Seu pai tinha razão! Não tinha um pingo de independência para sair do país, e nem para fazer uma pipoca!

—O que foi, Moyashi? – Perguntou, vendo o acanhamento e a decepção do Honey.

—Eu... – Allen ergueu rapidamente o olhar, virando o rosto para a pia. Apertou os punhos, queria cuspir xingamentos. – Vou embora. – Mas se limitou a anunciar sua saída.

Yuu perdeu o humor no mesmo instante, franzindo a testa e saindo da postura desleixada que havia assumido. Viu o albino jogar todo o conteúdo da panela no lixo, depositando-a suja na pia. Ele parecia bravo e o rosto estava todo vermelho.

—Vai embora porque não é capaz de fazer uma pipoca? – Perguntou, incrédulo com a ação.

—É.

—Que infantil. – Retrucou. O menino deixou o pano de prato em cima do balcão e lavou sua mão que estava suja de óleo. – Vou pedir para a cozinheira fazer.

—Eu não quero. – Respondeu.

—De que sabor você vai querer? – Ignorou o protesto.

—Já disse que não quero! – O Walker sentiu-se humilhado, seu orgulho inglês esmagado. Parece que só sabia mesmo fazer chá. – Até. – Despediu-se, pisando forte, e passou pelo corpo do moreno, que permaneceu calado.

Kanda, obviamente, não deixou que o mesmo desse mais de dois passos, mantendo-o na cozinha.

—Não vá.

—Eu não quero ficar. – Allen puxou o braço.

—Deixa de ser infantil! – Kanda olhou-o com raiva, fechando os dedos com possessividade.

—Me solta... – O Honey falou baixinho, não queria chamar atenção dos que estavam na sala. Usou a outra mão para tentar se soltar dos braços fortes.

—Vamos fazer biscoitos de baunilha. – O japonês começou a puxar o outro para dentro da cozinha.

—Eu não quero!

—Você não tem que querer. – Cuspiu as palavras, fazendo o menor se lembrar da autoridade que um dia Kanda teve. Mas, bem, estava com raiva e decidido a não mais se subjugar.

—Sai!! – Ordenou, mas num susto, Kanda imobilizou seus braços, colando-o contra o balcão, enquanto pegava o avental. – Kanda!! – Allen reclamou da brutalidade. Não queria fazer biscoitos! Aliás, ia fazer tudo errado e depois ele ia jogar na sua cara e...

—É uma receita da minha mãe. – Yuu falou, mantendo o corpo parado com seu próprio peso enquanto lutava contra os braços do albino para colocar o avental branco nele.

—Não me import—

Allen se calou quando sentiu os braços dele rodearem sua cintura para amarrar o avental em suas costas. Como estavam num meio abraço, seu pescoço recebeu o ar pesado que saia das narinas do moreno e toda sua raiva transformou-se em desapontamento. Deixou-se ser virado de um lado para o outro enquanto ele terminava os nós, segurando o bolo de lágrimas que queria escapar.

—Moyashi... – Sussurrou, separando os corpos. Ao ver os lábios trêmulos sentiu vontade de beijá-lo, mas não podia. Não agora. Seu baixo ventre formigou quando ele passou os dedos pelo pedaço de carne rosada que escondia os dentes brancos do Honey.

— Vamos fazer biscoitos de baunilha e eles vão ficar perfeitos. – Segurou o rosto alheio, olhando no fundo dos olhos prateados umedecidos com intensidade. Allen ficou estático. – Tá?

Um aceno de cabeça.

—Agora pega o trigo para mim. Segunda porta de cima. – Deu um rápido beijo na testa, que deixou o albino em tom escarlate, para depois virar-se e ir ligar o forno com satisfação.

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— Alô?

— Pai? – Allen respondeu o toque de celular. Estavam ele e Kanda na cozinha, prontos para retirar os biscoitos em menos de cinco minutos.

— Allen, não vou dormir em casa hoje. Pelo que parece seu tio teve uma recaída e os vizinhos estão ameaçando chamar a polícia.

— Recaída? O Cross?

—Ele deve ter esvaziado a dispensa de bebidas, aquele filho da puta. — Mana parecia um pouco, veja bem, um pouco irritado.

—Ah... – E Allen não evitou rir. – Eu avisei que o tio e a bebida eram carne e unha!

— Ora, Allen, agora não. Tenha um pouco de fé no seu tio.

— O senhor teve bastante fé e olha no que deu.

Mana bufou, querendo ou não Allen estava certo.

— Ok,ok. De qualquer forma vou ter que dormir lá, a julgar a situação. Não quero um processo nas minhas costas. – Resmungou, sabendo que se Cross fosse preso ou processado por algum dano, ele que teria que arcar com as despesas.

— Então eu queria ter certeza de que você está com a chave.

— Ah, sim... Mas se for assim, eu...

— Só um minuto, filho.— Ele parece ter afastado o celular da boca – Cross, cale a droga da boca! Quem diabos é Neah? Pare com essa merda! — O mais velho bufou e Allen arregalou os olhos. Primeiro porque Mana parecia bem irritado, segundo porque conhecia aquele nome.

— Neah? – Perguntou, retoricamente.

Ah, sim! Ele está se queixando com esse nome desde que cheguei aqui. Você por acaso conhece alguém chamado Neah, Allen?— O albino estagnou. Neah estava de volta?

— Bem, talvez...

— Ah, mas isso não importa. Só se certifique de que não vai voltar muito tarde.

— Ah, pai! – Allen chamou um pouco alto, talvez devido à rapidez do mais velho. – Já que o senhor não vai estar em casa, eu não poderia ficar aqui? – Olhou para Kanda, que o encarava curioso. Ergueu a mão em palma, como que se defendendo antes. – É que ainda faltam muitos exercícios e já que não vai ter ninguém em casa, eu... – Mentiu. Mais tarde sentiria-se ruim, mas naquele momento, só queria ver o resultado dos biscoitos e assistir o próximo filme da lista, pois estava adorando as piadas que Lavi e Alma faziam sobre as entidades do mal.

Nem sentia medo!

—Allen, você nunca teve problemas em ficar sozinho em casa. E não é novidade eu fazer turno de noite.

— Mas é que... – Travou. Realmente não tinha medo e nem sentia solidão. Na verdade, nem sabia por que pedira aquilo. Parando para pensar, dormir da casa de Kanda era absurdo!! E ele nem sabia, talvez não permitisse e...

— Eu acabei assistindo filmes de terror e... – E a pequena mentira ia se desfazendo...

Talvez queria mesmo era prolongar o tempo agradável que estava passando ali. Ficaram ambos em silêncios. Mana permanecia em silêncio e Allen inconscientemente mordia os lábios. Com certeza iria ganhar um bronca, principalmente porque o pai não gostava do Mestre.

—Pai, eu...

Eu vou esmagar aquele Neah e vou fazer pedacinho dele e...— O telefone pareceu ter sido roubado da mão do pai. – Ouviu, Neah?! Você acha que manda em mim?? Que pode me ignorar??? Eu vou te dar uma lição e v...

Allen fechou os olhos instintivamente com a gritaria que se deu. Mais coisas foram derrubadas, Mana berrava com o irmão, em determinado momento Cross parecia choramingar, outro gritava mais alto que o moreno. E no meio de toda aquela bagunça, Mana não se dignou a pensar em nada.

Tudo bem, Allen. Faça o que quiser. Mas tome cuidado. Preciso ir, até mais.

— Ah, Obrigado, pai! – O albino estava radiante, não notando os olhos negros fixos em si. – Se cuide, boa sorte! Seeya.

Desligou, sentindo-se ligeiramente satisfeito.

-Então você vai dormir aqui? — Oh. Ali estava um detalhe que não podia ser ignorado. O menor demorou certos segundos para se virar e encarar o dono da casa.

— A-Ahn... Então... É que o meu pai teve uns problemas e eu teria que ficar sozinho em casa, então... – Allen abaixava a cabeça sem perceber, fitando as mãos que seguravam o celular com força. Não podia dizer que queria ficar porque estava se divertindo, mas sabia que se fosse outra coisa ele iria...

— Mas não era você que queria ir embora algumas horas atrás? Vai me dizer que agora o Moyashi está com medo? – Sorriu de canto.

... ele iria fazer piada.

Allen ficou vermelho, mas não sabia se de vergonha ou raiva. Muito provavelmente os dois. Aquela noite ainda seria longa.

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Depois de discutirem mais uma vez, terminarem a sessão cinema e entupirem-se de biscoitos, refrigerante e pizza, Lena, Lavi e Alma foram para casa e Allen foi levado até uma das suítes de hóspedes, onde desabou de cansaço após um banho rápido. Porém, agora, no meio da madrugada, após sentir sede, calor e revirar-se na cama, via-se sem sono.

Encarava o teto e, mesmo sendo bastante espaçoso, sentia-se sufocado no cômodo. Acabou por perceber um fato curioso que não havia considerado. Era a sua primeira vez dormindo fora de "casa", afinal Lena e Cross eram da família e, portanto, suas casas eram uma extensão de "casa".

Agora aquele quarto de hóspedes, por mais que lindamente decorado, não tinha ar de casa, muito pelo contrário, tinha ar de limpeza. Mas uma limpeza mórbida, desinfetante e aquele cheiro nada amigável começou a causar náuseas no albino. Era como se toda aquela reluzência e brancura o lembrasse um hospital, porém não era como se odiasse hospitais. Gostava até. O problema era que hospitais geralmente carregavam em seus tijolos uma ordem secreta para ir embora, seja morrendo ou sendo curado, e ter aquela sensação naquele momento era horrível.

Pela primeira vez, Allen sentia-se desconfortável e solitário. Muito solitário.

Em sua imaginação, sua existência estava presa num quarto isolado em uma gigante torre, esquecido. Ou quem sabe num quarto igualmente escondido nas profundezas da terra. Calabouço, uma prisão subterrânea, um laboratório de experiências, e as paredes iam ficando cada vez mais e mais pequenas, um pânico crescente tomando a mente do garoto e assustando seu coração, que batia mais rápido enquanto seus pulmões pareciam não absorver ar suficiente.

Rapidamente, pulou da cama, correndo até o banheiro e trancando-se ali. Acendeu a luz, assustando-se com sua aparência pálida e medrosa. Não era possível que estava com aquela besteira, certo? Nunca tivera crise de pânico na vida!

Lavou o rosto diversas vezes, seu corpo gelado e quente ao mesmo tempo. Tentou concentrar-se em respirar fundo, mas sentia certo peso em seu diafragma. Era horrível não poder sair do quarto e ir se aconchegar em Mana! Era horrível saber que não estava em sua casa, que não podia ir até a sala e assistir algum filme de animação para se acalmar, afinal aquela casa não lhe pertencia e não podia deixar de imaginar o quão assustador aqueles corredores deveriam estar parecendo um breu na madrugada. Pensou em ligar para seu pai e pedir para o mesmo o acalmar, mas rapidamente soube que se o fizesse, iria preocupar o mais velho por bobagem e, pior, passar uma imagem ainda mais ruim de Kanda.

Claro que o problema ali não era Kanda, até porque muito provavelmente ele estaria dormindo tranquilamente em seu gigantesco quarto, com o cheiro agradável de lótus tomando todo o lugar. Tinha certeza que o quarto do Mestre deveria estar super aconchegante e confortável, enquanto ele estava tendo uma crise de pânico, como se sentindo a escuridão segurar firme seu pescoço e o apertar até perder todo o ar. Como se tivesse sendo observado.

Estremeceu. Poxa, Allen! Pare de besteiras!! Não tinha ninguém o observando! Nenhuma criatura, demônio, espírito, boneca, muito menos algum tipo de sombra oculta nas paredes brancas-morte que sairia e lhe olharia no fundo da alma com suas pupilas verticais e olhos amarelos. Não havia sorriso macabro nenhum de cachorro infernal nenhum e... Allen realmente não soube quando saira do quarto e fora parar no corredor.

De medo, usava a lanterna do celular como iluminação e andava sobre os dedos. Sabia que era apenas seguir em frente e atravessar a escuridão do corredor que logo estaria no quarto de Kanda.

Mas e o receio de alguém aparecer ali? Alguma empregada ou mordomo surgindo sorrateiramente das sombras e afirmando que ali não era lugar dele. E se, durante sua caminhada tropeçasse em alguma coisa, ou algo segurasse seu pé? Não. Não. Aquilo era coisa de filme. E, aliás, por que aquela lanterna parecia tão fraca?? Não sabia para onde apontar o foco de luz.

Para o chão ou para frente?

Se optasse pela primeira, corria o risco de dar de cara com alguma porta ou corpo. Se apontasse para o corredor era ainda pior, já que as criaturas do chão estariam rastejando entre seus pés e a meia luz do telefone podia mostrar criaturas terríveis aos poucos, o que, convenhamos, era muito mais aterrorizante. Tudo bem.

Allen estava correndo. Sentia-se apavorado e perguntava aos céus quem em santa consciência morava numa mansão que poderia ser um perfeito cenário de filme de terror!! Apenas Deus sabia o quão aliviado Allen se sentiu quando abriu rapidamente a porta do quarto de Kanda e a fechou, deixando todos aqueles seres cruéis para fora. Agora sim podia dizer que estava parcialmente salvo. Só precisava se encolher sob as cobertas e esconder seus pés, estaria protegido e...

— Moyashi?

Allen se arrepiou inteiramente com a voz rouca e sonolenta, não evitando se sentir constrangido após aquele episódio besta. Na verdade, era bem horrível, mas não deixava de ser besta. Aliás, sentia suas pernas bambas e ao olhar para as mesmas percebeu a indecência de sua vestimenta. Era um pijama, sim. Quer dizer, estava sendo usado como um pijama.

Como tudo ocorrera bem rápido, Kanda apenas lhe entregou uma camiseta velha e shorts quaisquer. Por causa da estatura, meio óbvio que estava tudo grande demais e por sentir seu corpo "solto" no meio da vestimenta, era como se estivesse descoberto.

— O que houve? – Ele voltou a perguntar, agora se sentando na cama e perguntando-se por que o Honey não respondia. Kanda tinha os cabelos soltos e estava sem camisa, mas nem quando Allen se virou, percebeu o estado do moreno. Na verdade, a única coisa que o albino pensava era no constrangimento que deixava seu rosto corado e o coração acelerado. Sabia que tinha duas opções: poupava seu orgulho, voltando para o quarto de hóspedes e morrendo sufocado ou renunciava ao constrangimento, correndo até a cama e se escondendo em meio às cobertas. Bom, desnecessário dizer qual lado — o racional ou o emocional — venceu.

Kanda ergueu as sobrancelhas para o fantasma que atravessava seu quarto correndo. De tão leve, a corridinha de Allen era rápida e silenciosa, dando a impressão de que a criatura flutuava.

Alguma parte de si, ao ver aquela coisa terrivelmente branca (censurou-se por ter dado roupas claras para ele) subindo em sua cama e entrando debaixo das cobertas, disse-lhe para correr. Afinal, se fosse Allen por que ele não havia falado nada?

Encarou o volume extra em sua cama, a rapidez que o mesmo subia e descia. Felizmente, Kanda era cético o suficiente para saber que besteiras do tipo não existiam e sacana o bastante para saber que Allen estava tremendo de medo. Sorriu.

— Então o Moyashi está assustado, hein... – Riu soprado, vendo o Honey se remexer. Não foi preciso mais que segundos.

— Cala a boca.

Kanda riu mais alto, não tendo noção do quanto aquela risada debochada tranquilizava o albino. Em seguida,voltou a deitar-se, arrumando os fios para trás, a fim de não amassá-los.

— Cuidado para o lobo mal não comer seu pé.

— Cala a boca! — Allen resmungou mais alto, Kanda achando inocente a voz envergonhada dele. – Eu odeio você.

Mas, contrariando a si mesmo, Allen se aproximou como uma lagarta do corpo do mais velho, atraído pelo calor e cheiro que emanavam dele. Como uma criança, esfregou o rosto no peito de Kanda, surpreendendo-o com o quão gelada estava sua pele.

— Que besteira, Moyashi. Nada disso existe. – Falou, e o Honey até pensou que ele fosse tirar mais sarro, sentindo-se momentaneamente triste.

Porém a única coisa que o moreno fez foi passar o braço por cima do corpo encolhido e abraçá-lo com a coberta e tudo. Forçou a si mesmo a ficar acordado até a respiração e os batimentos cardíacos do mais jovem se regularizassem e a troca de calor com seu peito esquentasse a pele dele. Só depois de ter certeza que ele provavelmente estaria sonhando com unicórnios cheirosos de tutu é que permitiu-se entregar novamente ao sono. E diferente do que imaginava, não retornou para o pesadelo que tinha minutos antes, passando o resto da noite com absolutamente nada em mente e tudo nos braços.

Notas finais
Olá de novo! Muitas coisas aconteceram nesse meio tempo, mas eu juro que o tempinho que eu tinha, pegava no word para escrever. Ultimamente eu venho tendo muitas dores de cabeça, o que não é nem um pouco normal, porque eu raramente me sinto mal. Mas eu acho que é o clima, então até agora está tudo bem. Acrescentei algumas coisa no roteiro de Honey para os próximos capítulos e espero que eu consiga desenvolver a coisa com mais agilidade a partir de agora, mas, claro, tomando cuidado para não ficar "vazio". Por isso conto com a ajuda de vocês!! A opinião e a crítica construtivas são recebidas com bolo *corações* Bom, o aniversário do Yuu passou e eu não postei a One. Acontece que eu estava com ela pronta alguns dias antes do dia 06, mas tinha uma parte que ainda não estava feita... O lemon. Pois é, eu estou totalmente se vontade para fazer o lemon que acho necessário para a fanfic!! O engraçado é que quando eu menos preciso, penso nos lemons. Acho que deve ser a pressão dos testes, espero que logo eu possa escrevê-lo e postar! Segunda agora sai o novo arco de DGM! Tô só a loucura!! Os traços estão perfeitos, gente!! Amo muito! Ainda não respondi os comentários do capítulo passado, mas vou fazê-lo até o fim da noite. Agora eu realmente preciso dormir, porque, adivinhem, dor de cabeça. Então é isso. Amo vocês, espero que gostem do capítulo e aguardo a opinião de vocês! Mil beijos e até o próximo!!