Notas iniciais
Yeyy!! Boa noite, criaturas lindas!! Bem, eu fui responder uns comentários, disse que o capítulo não ia demorar e acabei me esforçando para postar logo hoje mesmo ahahahaha Tudo bem que já estou atrasada com o capítulo, mas a questão é que eu tive um bloqueio imenso porque escrevi muito! Daí o capítulo ficou com muita informação e eu fiquei irritada porque não sabia qual era o problema. Com isso, acabei travando, peço desculpas!!! Eu tinha dito que esse seria o último capítulo porque eu queria terminar com exatos 30 capítulos! Infelizmente, não vou poder satisfazer a minha obsessão, já que precisei dividir o capítulo... Assim, esse capítulo aqui é o penúltimo oficialmente ahahaha Espero que gostem dele! Desde já, muito obrigada pela paciência, carinhos, pelos comentários lindos e pelos novos favoritos!! Obrigadaa e boa leitura!!! Capítulo dedicado à JahS, que fez outro poema maravilhoso para Honey!! Obrigada, meu anjo!!

Alguns anos atrás, um boato estranho percorreu as paredes brancas e imaculadas do Kugeka.

Ninguém realmente soube de onde aquela informação provinha ou se ela possuía algum fundo de verdade. Mas a questão é que boatos são exatamente isso: informações que viralizam apenas porque parecem ser interessantes, apenas porque quebram o padrão cotidiano das informações.

Aquele boato, que para os olhos de muitos não poderia passar de uma grande bobagem, tomou alguns dias como assunto principal porque era tão interessante quando o sistema rotativo de Honey's que Kanda Yuu começava a cultivar.

Naquela época, o jovem Herdeiro buscava algo incansavelmente e aquela eterna busca, sempre sucedida por mais rancor e raiva acumulados, era muito interessante para todos os outros alunos que, apesar de estarem juntos desde o primário, não se importavam em estender a mão para alguém.

A verdade é que, não importa o que, os problemas dos outros sempre viram histórias interessantes e quando essas histórias culminam em drama, tudo fique ainda mais curioso.

Por tal motivo, ninguém, com a exceção de dois rapazes, dava a mínima para Kanda e sua busca infrutífera, e apenas Alma e Lavi realmente tentavam fazer algo para não deixá-lo afundar.

Para os outros, a história daquele garoto sucumbindo aos próprios medos era muito interessante para ser sufocada com alguma ajuda, com alguma mudança. Nada poderia ser mais divertido que a trajetória do sempre orgulhoso Kanda Yuu cedendo a si mesmo.

Exceto, é claro, por aquele boato. E por outro que viria alguns anos a frente, um que envolvia um certo albino.

Naquele momento, no entanto, o boato que desbancou Kanda Yuu foi considerado muito absurdo para ser verdade e, por isso, ficou em alta por alguns dias.

A informação provavelmente teria vindo de alguém próximo à cúpula do colégio Ordem Negra e dizia que alguém com posses havia tentado entrar no Kugeka para assumir o posto de Honey.

Os burburinhos surpresos de todos os Mestres não escondiam a impossibilidade daquele fato. Não escondiam o quão ultrajados se sentiam com a possibilidade de alguém querer abrir mão do nome e da honra da própria família para se submeter ao cargo baixo de um Honey.

Afinal de contas, todos sabiam que um membro do Kugeka não poderia ser Honey, nem mesmo um membro de uma família inativa.

Todavia, quando menos esperavam, mais informações acerca daquela que parecia uma fofoca infundada surgiram.

A pessoa disposta a ser Honey tinha preferência por apenas um Mestre de todo o Kugeka. Pelo que diziam, tinha até mesmo oferecido dinheiro para que a regra do Sistema Honey fosse quebrada – a regra que impunha que apenas alguém sem ligações com corporações e da classe normal fosse Honey.

A história foi tão absurda ninguém imaginava alguém com título de Mestre querendo ser Honey— que, com algumas semanas, foi abafada. E, o que antes parecia ser apenas uma mentira viral, foi esquecida.

Até que, subitamente, um novo Mestre foi incluído no Sistema Honey do Kugeka. Um Mestre que vinha de uma família que há muito tempo não participava do sistema.

Alphonse Alphocryphos.

Um garoto que foi transferido de um colégio interno católico para a Ordem Negra. O mesmo que, absurdamente, ofereceu dinheiro para que pudesse ingressar como Honey exclusivo e insubstituível de Kanda Yuu.

—--AW&KY---

Após deixar Allen em casa, Kanda fez todo o trajeto de volta com ansiedade à flor da pele. O que seria muito estranho se já não estivesse se acostumando com os sentimentos inoportunos que qualquer coisa que envolvesse Allen causassem nele.

Nem mesmo quando Yuji ficou sabendo, através de fofocas, sobre o novo Honey, havia ficado tão hesitante. Ele, na verdade, apenas ignorou o quão animado o velho tinha ficado sabendo que o filho não mais estava sozinho, desconsiderando completamente o fato de Allen ser um garoto.

E quando Yuji soube dos olhos de Allen??

A questão é que ele não sabia muito sobre o pai do albino e ver Allen nervoso já era o bastante para Yuu entrar em estado de alerta, como se fosse um maldito cachorro protetor.

Que inferno.

Kanda, na verdade, vinha pensando muito no de olhos prateados e nas emoções dele. Assim, ainda que não se importasse com a opinião do pai do garoto, esperava que ela fosse boa, caso contrário, Allen provavelmente teria os olhos tristes da próxima vez que se vissem.

E, sinceramente, não era uma visão muito agradável. Na verdade, tinha repulsa de pensar que alguma vez já causara tristeza a ele.

Com suspiro irritado depois de enfrentar um trânsito infernal, entrou na mansão pensando em manter sua mente ocupada com os trabalhos da Lune incumbidos a ele, porém, assim que fechou a porta, a cozinheira apareceu com uma expressão confusa no rosto.

—Yuu, tem um garoto esperando por você. — Disse, encarando a porta como se esperasse que mais alguém viesse atrás.

—Usagi? — O moreno perguntou, pois certamente aquele era o único ser humano inconveniente que apareceria na sua casa sem ser convidado.

A senhora negou com a cabeça, o que fez o moreno ficar intrigado, e continuou:

—É um garoto da sua idade. Disse se chamar Alphonse.

De imediato, vincos de confusão afundaram na testa de Kanda, pensamentos com Allen sendo deixados de lado por um segundo.

—Alphonse? — A voz soou profunda e baixa, enquanto olhava por cima do ombros da mulher e guardava as chaves do carro no bolso.

—Sim, querido. Deixe-me tirar isso. — Ela pôs a mão no ombro do garoto e o ajudou a retirar o casaco que usava. Durante isso, os olhos dela brilharam em animação. — Onde está o mocinho que saiu com você? Achei que ele só iria pegar algumas coisas em casa.

—Ele precisou ficar. — Respondeu, ainda sério e saindo do casaco, o qual já estava sendo dobrado nas mãos da governanta.

—Hm... — Atraiu a atenção do moreno para si e logo sorriu sapeca. — E você gosta dele?

O tom de voz foi o suficiente para que ele a olhasse e se deparasse com a curiosidade no rosto daquela mulher que, por muito tempo, fez o papel de mãe para ele.

Tentando conter o embaraço, Kanda respondeu com um bufo e um revirar de olhos fingidos e foi em direção à sala de estar. Porém a senhora parecia não se importar, vindo atrás dele e o bombardeando com perguntas como "Quando ele virá almoçar aqui?", "Ele poderia ao menos ter tomado café! Quando ele volta?" e "Ele é o seu precioso Honey??".

Yuu nem respondeu, sabendo que, em alguns instantes, ela estaria no telefone conversando com a governanta da casa de seu pai e, não muito depois, Yuji já estaria sabendo. Em vez disso, começou a pensar no que trazia Alphonse Alphocryphos à sua casa e logo uma carranca tomou conta de seu corpo.

Ao entrar na sala, estresse já latente ecoava por sua cabeça. De lábios bem apertados, encontrou um corpo de ombros curvados esperando sentado no sofá. Ele tremia uma perna, mantinha a cabeça baixa e parecia sussurrar alguma coisa para si mesmo.

—Alphonse. — Chamou, pronto para resolver aquilo da forma mais rápida possível para que pudesse tê-lo fora de sua casa. No entanto, no mesmo segundo, olhos verdes meio perturbados voltaram-se para si e Yuu franziu as sobrancelhas à medida que se aproximava de forma cautelosa.

-Yuu! — Alphonse ergueu-se e deu dois passos meio cambaleantes quando viu o mais alto a alguns metros de distância. Porém não ficou com os olhos parados no corpo dele por muito tempo, logo rolando as orbes para buscar por alguma coisa atrás do moreno.

Kanda tombou um pouco a cabeça, estranhando o comportamento meio enérgico demais daquele que era o tão pomposo e controlado Alphonse.

—Ah, eu sabia! — Sem esperar alguma resposta, a voz dele soara meio esganiçada, enrouquecida, mas com um alívio e esperança ínfimos misturados com desespero e descontrole. Yuu achou aquilo estranho, mas antes que pudesse perguntar, o outro continuou. — Ele não está aqui, não é? Você só o trouxe para transar e o mandou embora, certo? Não pode ser que ele é um bom Honey, porque, pff, olha para ele! — Uma risada meio atormentada soou e foi quando Alphonse foi cobrir a boca para rir que Kanda notou como ele tremia.

Seus olhos e boca se franziram, o corpo parecendo reagir à um instinto ruim.

—Alphonse... — Sibilou, a voz rouca soando hesitante e ponderada, como se ele ainda estivesse analisando a situação a sua frente.

—É claro que sim! — Ele ignorou o chamado, começando a andar com satisfação, enquanto mantinha os olhos arregalados e gesticulava. — É claro que sim, Yuu! Eu fui tão bobo atoa! — E abriu um grande sorriso quando pareceu ter pensado algo por trás dos olhos ligeiramente desfocados.

Kanda já havia visto olhos desfocados daquele jeito e um arrepio gelado espetou sua coluna, os punhos fechando-se instintivamente.

Ele reconhecia aquele descontrole.

—Alphonse, vamos ao escritório. — Em resposta, ergueu uma mão, olhos afiados para qualquer movimento do mais baixo. — Vamos conversar com calma. — Tentou, assumindo uma postura prudente e observadora que Allen apenas acreditaria ao ver com os próprios olhos.

No momento, no entanto, Kanda tinha um problema com o qual lidar e não poderia ficar devaneando sobre cabelinhos brancos. Assim sendo, focou a atenção na voz estridente que se espalhou pela sala, ousando chamá-lo pelo primeiro nome.

—Sim, sim, claro, Yuu! — Ele sorriu grande, animado, arrumando a postura como se estivesse próximo a ser coroado. — Eu estou um pouco nervoso! — E riu uma risada tremulante enquanto seguia uma direção apontada pelo moreno, que o avaliava de perto.

Antes mesmo de sua têmpora começar a latejar e segurando o impulso de estalar a língua, Kanda soube que teria uma irritante e cansativa manhã.

—--KY&AW---

O escritório era um cômodo vazio.

Não por não possuir móveis, havia mesas, estantes e livros por lá, mas porque raramente era usado. Isso garantia um cheiro de lugar vazio, como um santuário.

Aquele cômodo era de Yuji e, apesar de ter ouvido do pai que poderia usá-lo, Kanda não se sentia confortável ali. Na maioria das vezes, usava o próprio quarto para resolver alguma coisa da Lune, por isso entrar naquele escritório gerou uma certa nostalgia nele.

Havia uma mesa de mogno escuro de frente para uma janela que tinha vista para o jardim japonês. Não havia nada em cima dela, exceto um organizador com três canetas, além do brilho de limpeza. Duas estantes escuras com livros técnicos estavam encostadas nas duas paredes laterais. A da esquerda, além dos livros, tinha uns porta-retratos e um bonequinho-samurai em pé, fazendo uma pose característica. Também havia uma flor de lótus falsa, armazenada com cuidado dentro de uma cúpula redonda de vidro.

Um olhar para aquelas lembranças e Kanda imaginou que sentiria aquele sufocamento no peito que tanto sentia, porém, surpreendentemente, apenas prendeu a respiração por alguns segundos, a mente pensando de forma clara sobre quanto tempo tinha evitado aquela sala e aquelas coisas.

Alphonse, por sua vez, ficou alheio ao olhar saudoso do moreno e adentrou o espaço admirado com o tapete sob seus pés, um tapeto grosso de verde musgo, com alguns detalhes em amarelo e vermelho.

A descarga de energia que fluía por seu corpo cansado parecia ser muito contraditória, mas ele estava gostando de se sentir animado. Estava gostando de sentir algo intenso de verdade, algo que fosse diferente daquela postura neutra e falsamente educada.

—Sente-se. — Kanda falou, os olhos ainda presos na estante. O de olhos verdes acordou do próprio devaneio e apressou-se para sentar em uma poltrona de costas para a estante, um sorriso rasgado no rosto e as mãos esfregando a palma suada contra as próprias coxas.

—Então... — Ansioso e com um ímpeto de falar que há muito não sentia, Alphonse começou. Estava se sentindo esperançoso e aliviado, como se a noite infernal que tinha passado às claras tivesse sido algo de sua imaginação.

—Por que está aqui, Alphonse? — Kanda, no entanto, o cortou, voltando o olhar, pela primeira vez desde que entrara na sala, para o convidado. Rapidamente, o olhar felino esquadrinhou o rosto do outro e aquela animação desesperada voltou a incomodá-lo.

Alphonse tinha olhos de quem tinha descoberto a verdade sobre o mundo e, da última vez que tinha visto um olhar daquele, sua mãe o tinha induzido a se esconder no armário escuro e abafado por tempo demais, na percepção de uma criança.

—Ah, mas isso é óbvio! — E riu de forma esganiçada, começando a gesticular com as mãos. — Desculpe, estou nervoso, não dormi a noite inteira, mas é que eu precisava de uma resposta, sabe? — Revirou os olhos, como se tivesse falado uma bobagem que ambos já sabiam sobre.

Kanda semicerrou os olhos ainda mais, movendo-se até ficar de frente para o garoto, os braços já cruzados.

—Do que você está falando? — Perguntou pausadamente, mordendo a própria língua antes de acrescentar um "bastardo" no final da sentença. Ele esperou por alguns segundos o outro pensar de forma lenta.

—Seu pai trabalha aqui quando está em casa? — Todavia, ao invés de responder, o de olhos verdes mudou o assunto subitamente, inclinando-se na poltrona de forma confortável e olhando o teto, as paredes e todo o resto, como se estivesse em casa.

Yuu abaixou o rosto cuidadosamente, olhando cauteloso para as reações extremas e desconexas do outro. Ele optou por outra abordagem.

Onde já se viu Kanda buscando abordagens pacíficas?? Ele provavelmente estava andando com algumas más companhias.

—Tire o casaco. Tem aquecedor aqui. — Apontou para o chão da sala, onde havia um aquecedor em funcionamento. O moreno de olhos verdes acompanhou o seu dedo, como um cachorrinho pronto para fazer tudo que mandasse, os olhos brilhando quando processou a pergunta.

—Ah, sim, obrigado! Você é tão gentil! — Respondeu de imediato, começando a tirar a jaqueta de modo atrapalhado e sussurrando como era "um idiota por estar tão sem jeito".

Enquanto o observava ficar apenas com uma camisa, Kanda correu o olhar pelo cós da calça e pelos bolsos do casaco do garoto, constatando que ele não trazia nenhum tipo de arma consigo e, com isso, ficou um pouco mais relaxado.

—E não. Esse escritório não é usado. — Pontuou, ignorando o total delírio de como era gentil. Aquilo certamente seria algo que Allen diria para provocá-lo.

—Ele não está aqui, né? — Alphonse ergueu os olhos após embolar o casaco no colo e o segurar apertado em uma posição envergada. Os olhos dele tinham um reluzir esperançoso tão frágil e ao mesmo tempo tão perigoso que fez Kanda hesitar.

—Meu pai não mora mais aqui. — Respondeu, tentando ser o mais vago possível e não quebrar as expectativas daquele garoto. Em seu normal, jamais teria tanto cuidado com alguém – com exceção de Allen – mas aquela situação parecia exigir muito mais cautela.

E ainda assim, os olhos dele se apagaram de forma tão rápida que fez o estômago de Kanda revirar. De repente, o sorriso dissimulado já não estava mais lá e Yuu não gostava nada daquela expressão descontrolada que, cada vez mais, lhe remetia lembranças ruins.

—Estou falando daquele projeto de Honey, Kanda. — Disse, a voz saindo baixa e entediada, enquanto uma fúria contida se formava por trás das pupilas. Desprezo escorria pelas palavras e, se fosse outra situação, Kanda provavelmente teria retrucado, mas apenas rangeu os dentes e manteve-se calado.

—Seja claro, Alphonse. Onde você quer chegar falando do meu Honey? — Enfatizou, encostando-se na estante da direita e tendo visão para o garoto sentado e para as lembranças na estante oposta.

O intruso, que antes parecia seguro de alguma coisa, murchou imediatamente, os ombros caindo e os olhos se tornando piedosos.

—Por que você ainda o chama de Honey, Yuu? Não temos muito tempo! — Sussurrou, como se segredasse algo importante, juntando os pés ao se encolher o máximo possível.

—Você está fora de si, Alphonse. Não está fazendo sentido. — Arriscou, a expressão ainda mais desagradável.

—Sentido? — O garoto subitamente levantou o rosto, as mãos erguidas no mesmo lugar em que segurava a própria cabeça. Houve um momento em que ele ficou atordoado e olhava para o nada, até que franziu as sobrancelhas e voltou com o olhar determinado. — É você que não está fazendo sentido, Kanda!

Yuu arqueou uma sobrancelha para a obstinação estampada no rosto alheio.

—É você que está quebrando as regras e não fazendo sentido nenhum!! — Ele jogou os braços para cima como se estivesse com toda a razão, levantando-se e indo para trás da poltrona, onde poderia andar de um lado para o outro.

—Do que você está falando, Alphonse? — Kanda erguntou, já começando a ranger os dentes de impaciência diante da bagunça que estava a cabeça do outro.

—Do nosso jogo, ora! — Ele gritou, um sorriso inquieto de olhos agitados. Quando viu que Kanda estava com lábios pressionados, sem entender o que diabos acontecia ali, continuou, suspirando de forma fingida, como se fizesse graça. — Ah, claro que você não lembra, Yuu! Que cabeça a minha! — E riu sem motivo algum, se aproximando alguns passos enquanto começou a gesticular.

—Você não entende que tudo aquilo de brincar com as Honeys e depois chutar a bunda delas era só um passatempo? Era para ser rápido! Bem, claro que não precisava ser tão cruel como você era, mas era o seu jeito, então tudo bem! Até porque elas eram horríveis mesmo! — Riu novamente, o mais alto atordoado com o humor oscilante que lhe era apresentado. — Mas já deu, né?

Novamente, lá estavam os olhos esperançosos, procurando na expressão do mais velho a certeza que precisava para se manter intacto. Todavia, quando Kanda apenas o olhou calado, expressão neutra, ele foi murchando, respirando pesadamente e vasculhando o chão com os olhos, como se estivesse perdido.

—Você não... — Alphonse sussurrou quase para si mesmo, parando por um minuto com a expressão assustada e depois voltando a andar com desespero. — Você está estragando tudo!! Não era para você ficar com ele todo esse tempo! O ano já está acabando e você está estragando tudo!

Agora ele começava a andar de um lado para o outro, as mãos na cabeça enquanto uma enxurrada de palavras saía de sua boca, quase como um monólogo explicativo que tentava mostrar como a sua cabeça funcionava.

—Era para você ter me deixado roubá-lo e então brincar com ele e daí nós dois estaríamos livres! Você teria a sua distração e punição de sempre e então tudo acabaria, certo? Estava certo! Esse último ano era para ser assim! Eu até esperei um pouco, eu tentei roubá-lo, mas você parecia empenhado demais! Você deixou ele te manipular!

—Alphonse, você não está fazendo sent-

—É claro que estou! — Um grito, que silenciou Kanda na base da histeria.

Aquela sala, aquela situação era muito familiar. A oscilação de humor, o atordoamento era tudo tão familiar que chegava a ser amargo. Kanda imediatamente tomou a decisão de sair da sala e chamar alguém para controlar aquele surto, até porque não tinha paciência para alguém gritando loucuras como aquela.

—É claro que estou! Eu e você sabemos que estou porque sabemos quem é a única pessoa a ser destinada a seu Honey!

Porém qualquer movimento foi interrompido assim que a frase foi captada.

As palavras ecoaram como um ditado através da sala, acordando uma lembrança longe de um murmúrio baixo que uma vez, há três anos atrás, Kanda ouviu. Na época, ele não havia se importado, Alma havia revirado os olhos e apenas Lavi tinha dado atenção ao comentário, justamente objetivando tirar sarro daquilo.

—Você sabia, não sabia? Todo mundo sabia! A escola inteira! — Alphonse levou as mãos à cabeça, parecendo confuso também.

Há três anos, quando ainda estavam no primeiro ano do ensino médio, houve boatos de que um novato entraria no Sistema Honey. Ele, no entanto, virou motivo de piada, porque aparentemente queria ter entrado como Honey e não como Mestre.

Quando as notícias se espalharam pela escola, ninguém realmente achou que fosse verdade, mas acharam graça que alguém pudesse querer ser Honey. Honeys eram humilhados, vistos como inferiores, apenas como um objeto que poderia ser trocado. Nenhum herdeiro queria ser inferior ou servir a alguém.

Exceto...

—Yuu... — A voz de Alphonse soou fraca, como se algo invisível estivesse esganando-o. Ele estava parado no meio da sala quando perguntou. — Por que eu não posso ser o seu Honey?

—--KY&AW---

Depois da quarta tentativa, a chamada finalmente foi entendida, Allen já com os nervos à flor da pele.

Allen-chan?! — Lavi soou confuso do outro lado da linha e, se já não estivesse no próprio limite, aquele teria sido o empurrão para estourar.

O albino já tinha tentado ligar para Kanda uma centena de vezes, mas ou o celular estava no silencioso ou ele o estava ignorando. Depois tentou ligar para Alma, mas o celular só dava ocupado e então lembrou que Breeze iria ligar para ele e, caso Alma estivesse falando com ela, era uma coisa boa. Lavi foi o único que sobrou para ligar, pois Lena também não atendia o maldito do celular quando mais precisava!

E, adivinha?? Um acidente tinha parado uma das vias mais importantes de Paris e Allen nunca tinha praguejado tanto sua pouca sorte quando decidiu que ir de táxi seria mais rápido!

—Lavi, onde você está? — Perguntou, cada palavra soando como uma ameaça. Lavi, naquele momento, considerou que a convivência com Kanda era tóxica para Allen.

Ah, eu estou no parque com a Lena! — Apesar disso, respondeu com a usual voz animada e brincalhona.

Allen sinceramente sentiu o impulso de matar alguém que não fosse Kanda.

—Ah, sim... — Murmurou, levando uma mão para suavizar as rugas na testa, sentindo-se uma completa cópia de Yuu. — E eu posso saber porque ela não atende o maldito telefone? — Sibilou, olhos fechados e taxista dando uma olhada no estado de nervosismo do garoto.

—Acho que o celular dela descarregou...? — Respondeu, uma provável pergunta enquanto uma voz feminina soava ao fundo. — Lena, o Allen-chan está na linha.

"Usagi desgraçado! Pelo menos é útil!"

Um segundo depois a voz animada e suave de Lenalee soou pela linha.

Allen-kun!! Bom dia, como você está? — E Allen provavelmente teria dado mais importância para como o bom dia dela saíra sugestivo, com uma pitada quase imperceptível de malícia. Isso se não fosse a atual situação.

—Péssimo. Você pode colocar no viva-voz para que o Lavi escute também? — Perguntou, não dando espaço nenhum para nenhuma outra pergunta.

A-ah...s-sim, só um segundo, Allen-chan. — Alguns ruídos e a voz dela soou novamente, o barulho de crianças brincando e um Lavi falando um "Allen-chann" prolongado. —Pronto, estamos ouvindo!

Allen suspirou profundamente.

—Lavi, você tem alguma ideia de um motivo para Alphonse ir atrás do Kanda? — Perguntou, o mais calmo e paciente que poderia ficar.

A linha ficou apenas barulho de vento e gangorras por alguns segundos.

O quê? — Lavi soara verdadeiramente confuso e, naquele instante, Allen se sentiu mal porque nenhum deles estava a par do que estava acontecendo, nem mesmo ele, já que Breeze não explicou nada direito!

O albino deu um gemido doloroso.

—Breeze me ligou e disse que o Alphonse tinha ido resolver algum problema com o Kanda. Até aí tudo bem, se a garota não estivesse desesperada e tivesse dito que ele bateu nela! — A esse ponto, Lena soltou um "Oh meu Deus" horrorizado e o taxista passou a encará-lo ainda mais, curioso com a conversa. — Agora eu estou tentando chegar até a mansão, mas o trânsito está todo fechado e eu tive a brilhante ideia de pegar um táxi! Estou preso no meio do caminho! Pensei que você, Lavi, poderia ir até a mansão e ver a situação, porque pode não ser nada mas eu estou com uma sensação muito ruim de q-

Allen! Allen-chan, respira!— Lavi soou falando alto e Lena sussurrou algo para ele, enquanto Allen começava a se sentir desesperado ao ponto de cogitar ir correndo dali até a casa de Kanda. Ele poderia estar exagerando ao ligar para todo mundo e soltar aquele alarme, mas alguma coisa apertava seu peito, uma sensação de impotência sufocante. — Olha, não sei muita coisa sobre, mas algum tempo atrás Alphonse era meio obcecado com o Yuu.

Obcecado como? — Disparou de volta, os olhos se abrindo e ele varrendo o chão do carro com rapidez, como se isso fosse melhorar a percepção que tinha da situação.

Ah, assim... ele parecia admirar muito o Yuu, não no sentido sexual da coisa mas... — Lavi pareceu pensar para colocar as coisas em palavras mais claras. Allen se segurou para não bufar impaciente. — Acho que ele tinha o Yuu como uma inspiração e fazia de tudo para chamar a atenção dele. Algo como, eu não sei, ser um rival que aspira ser melhor amigo...?? Argh, olha, eu não sei, parece meio bizarro mas era o que me parecia. Você já disse ao Alma?

A cabeça de Allen rodava com aquela informação que fazia pouco sentido, então o que pôde fazer foi responder a pergunta.

—Tentei ligar mas acho que ele deve estar falando com Breeze porque ela estava mais desesperada que eu! — Disse, começando a tirar dinheiro do bolso para entregar ao motorista que o olhou confuso.

Allen-kun! — Lena tomou a voz. — Eu e Lavi estamos de um lado da cidade que é oposto à sua casa, então acho que conseguimos chegar na casa do Kanda-kun mais rápido. Nós vamos para lá, ok?

Allen demorou um pouco para responder porque estava sussurrando que ia o restante do caminho a pé. Ainda com o telefone no ouvido, abriu a porta do carro e saiu, dando uma rápida olhada no trânsito que fluía lentamente, uma via sendo liberada por vez.

—Tudo bem, eu vejo vocês lá. — Falou, andando rápido pelas ruas ligeiramente cheias.

Se acalme, Allen-kun, não sei nem se você está em condições para correr, né? — Dessa vez, ainda que a situação fosse uma merda, Allen não conseguiu segurar uma risada incrédula, o que fez a amiga rir baixinho. — Nos vemos lá, até!

—Até! — Respondeu e começou a descer as escadas para o metrô, o coração palpitando cada vez mais e a mente focada em uma única pessoa.

—--AW&YK---

O silêncio tomou conta do escritório.

—Você sabia, Yuu? — A expressão desesperada de Alphonse transformou-se em deleite quando notou o quão confuso estava o maior. A voz se arrastava para sair da boca, como se estivesse muito cansado ou muito empenhado em soar didático. Kanda não soube dizer qual a alternativa correta.

—Eu entrei naquele maldito colégio só para ser seu Honey! — Choque tomou conta da expressão do moreno, incapaz de processar aquela situação tão inusitada. — Eu queria ser o seu Honey! Honey de Kanda Yuu!! Sempre o melhor em tudo! Nos esportes, nos negócios para prodígios, nos estudos! O melhor!

Os olhos verdes dele brilhavam, como se estivesse falando de algum troféu e não de uma pessoa. Ele gesticulava para o nada, visualizando a dupla dinâmica que eles poderiam ter sido.

Provavelmente, Alphonse teria muito o que falar. O seu cérebro processava tanta informação em um nível tão exausto que nem ao menos conseguia formar discursos coerentes, mas ele tinha tanto a falar e estava simplesmente botando para fora aquela aspiração de anos.

—Você faz ideia do que seria ser o seu Honey? De ser o seu braço direito? De ser o seu amigo? — A voz ia aumentando de tom, até que ele parecia berrar para todos os cantos, Yuu ainda encostado estático contra uma das estantes, incapaz de interromper um discurso que mais parecia um desabafo – não um desabafo para si, mas um desabafo de Alphonse para Alphonse.

Ele precisava falar, porque não importa o que pensassem sobre ele, o quanto zombassem dele, ou o quão ignorado se sentia por Kanda.

Ainda assim... Alphonse sentia que tinha sido importante. Assim como Kanda se tornou um objetivo em sua vida, sabia que causava impacto na vida dele. Mesmo que, para esse impacto, fosse preciso usar Honeys para chamar atenção.

Dessa forma, Alphonse era importante. Ele precisava se sentir importante, necessário.

—Eu odiei saber que não podia me candidatar para ser o seu Honey naquela escola desgraçada! Odiei! — Rosnou, parecendo ser consumido pela raiva e pelo rancor em questão de segundos, como uma chama flamejante tomando conta de seu corpo.

— Mas antes estar perto de você que longe demais! Talvez eu não tivesse o título, mas estaria ali! Eu sabia que com o tempo você iria perceber que mais vale um amigo fiel que uma Honey que você apenas foderia e descartaria! — Parando de andar de um lado para o outro, os olhos nublados procuraram o mais velho. — Né, Yuu? Mais vale um amigo de verdade que um amante descartável... — Com a voz educadora, deu alguns passos até a figura estática de Yuu, obsessão transbordando dos olhos dele.

Alphonse claramente não gostava de Kanda como um homem.

Ele o via como um troféu, como a chance de mostrar que podia ser a sombra de alguém grande, mesmo que não lhe fosse dada a oportunidade de ser alguém.

Gostaria de ostentar ser o braço direito daquele que prometia crescer no mundo dos negócios e mostrar para sua família que poderia sim ser alguém. Para isso, ele não se importaria em acompanhar Kanda durante as noites e seria complacente caso ele quisesse alguma mulher ou qualquer outra coisa carnal.

Sim, ele seria o Honey ideal!

Diferente daqueles dois amigos que sempre criticavam o moreno, Alphonse o apoiaria em qualquer decisão, o acompanharia e o faria um grande homem de negócios. Não importava se usasse e descartasse pessoas, não importava se cada dia mais se afundasse em solidão e autopunição.

Em suma, Alphonse era tudo o que Allen jamais seria. E ele desejava aflorar toda a destruição que Allen revertia aos poucos.

Isso porque não importava o que Yuu sentia, o que importava era que o lugar de Kanda era no topo da cadeia. Ele era a única chance de Alphonse ser alguém.

Yuu franziu as sobrancelhas.

—Meu Honey não é descartável. Não insulte o Moyashi. — Pela primeira vez, a voz saiu alta e imponente, o tipo de voz que Alphonse, um coadjuvante, admirava e sonhava em ter.

Mas então, em questão de segundos, o olhar deleitoso do mais baixo foi tomado por uma raiva colérica.

—Pare de defendê-lo! Aquele garoto te destruiu! Ele estragou você! — Gritou, dentes rangendo e mãos ao ar. — Você tem tudo para ser o melhor, Yuu! Enxergue! Você é o herdeiro, tem uma família que te apoia, que não te diminui, que não te faz sentir como um inútil! É inteligente, é bom em tudo! — Sem fôlego, o garoto parou por um segundo, passando a mão no rosto como se precisasse se controlar, controlar a própria voz.

Kanda achou aquilo uma insanidade.

Alphonse continuou, dessa vez com a voz novamente mansa, assim como uma mãe falando com o filho.

—Você não está errado! — Sorriu, esperançoso de que aquilo era tudo que Kanda precisava: alguém a apoiá-lo. — Não precisa mudar nada em você! Você é perfeito! Eu tenho certeza que aquele garoto te fez pensar que você precisa de uma mudança ou qualquer outra baboseira, mas ele não sabe nada! Ele é um estúpido que não sabe ver o quanto você é bom demais para ele!

Dessa vez, Kanda arregalou os olhos, olhando admirado para o de olhos verdes.

Uma constatação cruel fez Yuu reconhecer aquela maneira de pensar.

Porque, bem, aquelas palavras eram tudo que Kanda queria ouvir um tempo atrás.

Kanda queria estar certo, queria ser reconhecido como aquele que fazia o que fazia porque podia e porque isso não o tornaria errado ou menos perfeito. Por muito tempo ele quis alguém que o apoiasse incondicionalmente e que o amasse.

Alphonse claramente não o amava, mas o admirava e o apoiava, sendo capaz de estar, indiretamente, sempre perto de si, sempre o rodeando com Honeys.

Perceber aquele fato fez Yuu compreender que, se tudo aquilo fosse dito alguns meses atrás, ele provavelmente acreditaria e seguiria fielmente aquelas palavras de reconforto. De alguma forma, palavras como aquelas camuflariam o vazio que uma vez sentira.

Todavia, Allen aconteceu.

E diferente do que Kanda queria, ele foi o oposto. Disse que estava errado, que precisava mudar, que precisava reaprender, que não era perfeito, que não podia fazer o que bem entendesse e que, principalmente, era humano. Allen foi a mudança necessária que Kanda odiou.

Diferente do que Alphonse insinuou, Allen não era apenas o amante. Era o amigo, o companheiro, o esperançoso que conhecia Kanda com apenas um olhar. Que sabia que ambos eram falhos e que nenhum deles era um troféu.

Na realidade, Allen que era bom demais para Kanda, e, apesar disso, ainda escolhera ficar. Ainda o tratou como igual, foi paciente e, acima de tudo, mostrou-lhe o amor.

—Você está errado. — Kanda disse, voz inalterada e rosto baixo enquanto contemplava o novo homem que começava a nascer dentro de si. Um que começava a valorizar o que realmente merecia ser valorizado. A buscar o que realmente o faria feliz.

—Não estou, Yuu! Não estou! — O tom de voz dele beirava ao desespero e tinha tanta coisa para falar, tantas verdades que queria que Yuu enxergasse!

Mas ele não conseguia raciocinar o suficiente, explicar o suficiente!

No final das contas, talvez tivesse um vislumbre de futuro diferente, mas que fazia sentido na própria cabeça.

Sim, para um filho indesejado, sucesso era a única forma de conseguir ser feliz consigo mesmo. Para o terceiro filho de uma família tradicional e católica, conseguir sucesso era a única forma de ser alguém.

Ele não seria o herdeiro da companhia da família — esse era o papel do primogênito. Ele também não poderia auxiliar na administração das sedes – esse era o papel do segundo filho, visto também como um estepe para caso o primeiro morra. Como o terceiro filho, com o agravante de ser o filho indesejado, o papel de Alphonse seria ser uma sombra, criado em rigorosos padrões católicos, apenas para servir aos pais.

Essa perspectiva de vida o fez imaginar um futuro materialista que o deixava incapaz de entender o que Kanda começava a entender. Não conseguia compreender o que Allen tinha significado para ele.

—Eu sabia! Eu sabia! — Gritou para si mesmo, ambas mãos tapando os olhos, dentes cerrados enquanto os movimentos ficavam cada vez mais mecânicos e trêmulos.

Aquela rejeição doía.

Quando você se depara com todos seguindo em frente, superando o mesmo problema em que você ainda está preso, dói.

Kanda costumava ser alguém brilhante que certamente entenderia o seu ponto de vista. Eles tinham tudo para ser melhores amigos!

Mas então, o vislumbre que Alphonse tinha era das costas daquele moreno tão mudado. Daquela pessoa que parecia estar sempre um passo à frente indo embora, amadurecendo, finalizando aquela fase da vida.

Doía quando todos que antes eram iguais a você tornam-se outras pessoas com atitudes que, no momento, você não entende, mas que, no futuro, entenderá.

Isso se chama crescimento. É uma mudança acompanhada por rompimento de laços, de ideologias, de formas de pensar.

Quando Amelié foi a primeira a cortar aquele ciclo, Kanda foi aquele que ficou a contemplar as costas daquela pessoa que seguia adiante. Ele a odiou, mas então foi a sua vez de crescer e fazer o mesmo. E agora, Alphonse seria aquele que olharia as suas costas, e então passaria por todo o processo doloroso de amadurecer.

Porém, não é como se ele fosse entender aquilo tudo naquele momento. No momento, ele só se sentia traído, abandonado e tudo aquilo só acrescentou mais água àquele corpo transbordando.

—Eu sabia que ele tinha te estragado! — Alphonse rosnou para si mesmo, lágrimas começando a escorrer pelo rosto contorcido em mágoa e traição.

Kanda enxergava a si próprio ali e ficou paralisado com a visão do que era; com a visão daquilo que obrigou todos a lidar, principalmente uma pessoa em especial.

—Eu disse... eu disse para aquela estúpida ir até a peça e impedir vocês dois de se verem! Mas não! A otária deixou você trazer ele para casa! Vocês...ele te usou e te manipulou, não foi? — Alphonse gritou novamente, claramente fora do controle e fazendo Kanda estalar a língua.

Ele ia finalmente tomar controle da situação quando uma voz conhecida conhecia soou por trás da porta.

Yuu?? Ei, Yuu!! — Lavi socava a porta do escritório e tanto Kanda quando Alphonse olharam para a madeira.

Kanda arregalou os olhos ao escutar a voz do Usagi e estava prestes a abrir a boca e dar-lhe algum comando quando, mais uma vez, a voz de Alphonse cortou o ar, histérica e já rouca.

—Não entre!!!

Sinceramente? Kanda levou as mãos até o ouvido e o olhou com raiva pois, não importava o quão pacífico estava tentando ser, odiava que gritassem daquele jeito. Para piorar, após alguns segundos de silêncio, Usagi fez o favor de berrar de novo e aquela competição de gritos já estava irritando-o ao extremo.

—Yuu!!! Qual a situação??

—Ele está histéric-

—NÃO! Cala a boca!!! — Um barulho alto de livros grossos e pesados caindo no chão soou, Kanda focando o olhar na figura trêmula e envergada que mantinha a mão próximo ao espaço onde quatro livros estavam. — Cala a boca, cala a boca, cala a boc-

Alphonse tinha a respiração pesada, os punhos cerrados e parecia à beira de um colapso mental. A voz dele, desesperada e esganiçada, era a única que soava como um mantra na sala.

Do outro lado da porta, Lavi mudou a expressão para um olhar mais apreensivo e virou-se para Lenalee, que estava com as mãos próximas aos seios, ouvindo tudo com uma expressão preocupada.

—Lena-chan, preciso que você peça à cozinheira para ligar para a ambulância o mais rápido possível.

Lenalee entreabriu a boca para dizer algo, mas voltou a encarar a porta e optou por manter-se calada, assentindo rapidamente e indo em passos rápidos e cuidadosos até a sala.

Ela não esperava que teriam que tomar providências como aquelas, já que nunca tinha estado em uma situação com alguém surtado daquele jeito. Se perguntava por que Lavi simplesmente não entrava na sala e, junto de Kanda, imobilizassem o outro garoto, porém a perspectiva dele estar armado a fez ser mais prudente. Assim, tentou explicar o que acontecia para a cozinheira que, em um instante, pareceu aterrorizada com aquela possibilidade.

Sem nem ao menos fazer qualquer outra pergunta, a mulher correu até uma gaveta, retirando de lá um cartão e colando-se ao telefone.

Lena estava pronta para voltar até o namorado quando a porta irrompeu e um albino descabelado e sem fôlego surgiu. Allen era a perfeita imagem de quem tinha corrido bons quarteirões até chegar ali. Tinha os cabelos bagunçados, as bochechas coradas pela falta de fôlego e olhos atentos e arregalados.

Por linguagem labial, viu que ele pronunciou o seu nome bem baixinho, a garganta seca pelo ar frio e pelo esforço de correr até a mansão.

Um olhar bastou para que Allen não tivesse tempo de descansar sob os joelhos e ambos correram de volta para o corredor com o escritório, a cabeleira ruiva de Lavi sendo a única cor quente daquele lugar.

—Allen-chan! — Lavi, que tinha se encostado na parede oposta à porta, sussurrou quando viu o albino assustado seguir Lena a passos rápidos. O garoto olhou para o ruivo e depois olhou para a porta e soube imediatamente o que fazer, ainda que não fosse o certo.

O Bookman soube das intenções dele um segundo mais tarde, mas foi incapaz de parar o corpo pequeno que se jogou contra a porta, socando com toda a força que tinha.

Dentro da sala, Kanda estalou a língua, já extremamente irritado com toda aquela confusão desnecessária. Ele já tinha tomado a decisão de simplesmente virar as coisas e deixar aquela merda de situação para trás, já que sua cabeça já latejava com os gritos de ambos os lados.

Isso até ouvir a voz que veio abafada através da porta.

Kanda! — Allen bateu com os dois punhos na madeira maciça, desesperado para ouvir alguma coisa concreta e racional que não fosse choro de Breeze e todo mundo dizendo que não sabia o que estava acontecendo. -Yuu! O que está acontecendo?

Ao mesmo tempo que Kanda teve vontade de sorrir com a voz preocupada do garoto, também teve que se manter quieto pois, com um movimento rápido, Alphonse agarrou o pote de vidro com a lótus dentro e se virou em direção à porta.

A aparição daquele que tanto causou transtorno em sua vida pareceu ser a gota d'água para o de olhos verdes, que gritou, tomado por raiva e com o rosto vermelho — já que, provavelmente, ele nem se lembrava de respirar direito.

A expressão de Alphonse era uma mistura de pavor, raiva e medo.

Ele ainda tinha tanto a falar, tanto a demonstrar, mas aquele Honey continuava querendo tomar toda a atenção de Kanda, continuava a afastá-lo da realidade e do jogo que ele e Kanda compartilhavam, o laço que os unia.

Ele se enfiava em tudo! Atrapalhava tudo! Até mesmo jogou fora o chá que, naquele dia, tinha feito e tido para Breeze oferecer a Kanda.

Era isso, Alphonse não aguentava mais todas aquelas interrupções.

—Cale a boca, seu Honey patético! — Rugiu, Kanda franzindo as sobrancelhas e cerrando os punhos com aquela forma de falar. — Cale a boca e suma! Ele não quer você! Ele não precisa de você, ele tem a mim!! — Berrou, dando alguns passos em direção à porta como se quisesse ser ouvido bem.

Houve alguns segundos em silêncio, nos quais Kanda se perguntou se Allen tinha acreditado em uma bobagem daquelas. Ele quase revirou os olhos quando ouviu novas batidas e a voz ligeiramente fina do Moyashi soar de novo.

Kanda! Alma está a caminho! O que está acontecendo?O lado de fora parecia tão bagunçado quanto o interior do escritório. Junto à voz de Allen, mais três pessoas sussurravam, uma delas sendo Lavi dizendo para terem calma e ser precavido.

Mas calma era última coisa que alguém ali tinha e Yuu se perguntou como a sua casa tinha, de repente, se tornado um ponto de encontro.

Cale a boca, maldito!

Yuu, eu estou preocupado, o que-

Os dois soaram ao mesmo tempo e, diante do desespero na voz de seu garoto, Kanda precisou responder alto e firme, sobrepondo até a voz de Alphonse.

Moyashi, estou bem, não surte. — Até porque ele não precisava de mais um surtado ali.

Ah, Kanda!O albino soou aliviado e estava para continuar quando Alphonse interrompeu novamente, colérico e chacoalhando os braços como se realmente fosse assistido por alguém além do moreno.

—Não fala com ele, seu estúpido! Você não tem permissão! — Gritou, mas Kanda franziu as sobrancelhas novamente.

—Não grite com o meu Honey, Alphocryphos. Aturei o seu surto até agora, mas não aturo que você levante a voz para ele. — O moreno ordenou, olhando de forma intimidante para o garoto de olhos verdes, o qual já tinha lágrimas escorrendo pelo rosto contorcido.

Alphonse encolheu os ombros ligeiramente, os olhos caindo quando disse com a voz quebrada.

—M-mas ele...Kanda! Ele...Ele não é bom o suficiente! — Lamentou, uma mão na própria cabeça e a outra apertando os dedos no vidro com a flor.

—Quem é você para saber o que é bom para mim? Allen é o que eu preciso.

Ao ouvir a convicção com que Kanda tinha dito isso, Allen colocou uma mão sobre o coração, a testa encostada na porta, enquanto fechava os olhos com força de tanta tensão.

O choque que tomou a todos pareceu funcionar com Alphonse, que naquele momento ficou calado. Lavi segurava Lena pelos ombros, a mantendo meio atrás dele e longe da porta. Ao lado do casal, uma senhora – a cozinheira – mantinha-se agarrada ao telefone, a expressão de alguém que já tinha visto uma briga daquelas proporções.

Naquele momento, Allen se sentiu sozinho, porque, de alguma forma, estava sem apoio e sendo mantido no escuro. O que ele precisava saber estava logo atrás daquela porta e ele não aguentava mais tanto estresse por aquele dia.

Sem pensar direito, o albino levou a mão até a maçaneta e abriu a porta, um barulho alto de madeira acordando todos para aquela ação.

"Por que ninguém tinha pensado em simplesmente abrir a maldita porta??"

Foi o tempo de ver a expressão estupefata e os olhos arregalados de Kanda, que estava erguendo um braço e tentando se aproximar da porta. Foi o tempo de ouvir Lavi gritar um "Cuidado!!" e de um grito fino de Lena.

Nesse pequeno intervalo de tempo, um objeto se estilhaçou contra a porta do escritório, vidro e pétalas falsas de lótus se espalhando pelo ar.

No susto, Allen recuou para trás, levantou os braços para proteger o rosto dos estilhaços. Ao fundo, ouviu um "Moyashi!" em bom tom, mas esse foi sufocado com o estrondo da madeira fechando com força devido ao puxão automático que o albino deu na porta enquanto caia para trás.

O baque no chão de madeira foi seco e ter caído sentado foi demais para Allen. Ele tinha dado tudo de si na apresentação na noite anterior, já estava com dores no quadril e ainda por cima tinha corrido até ali, isso sem contar o estresse, o pânico, o medo e a ansiedade que vinham corroendo-o desde o momento que acordou, o que, por incrível que pareça, não tinha sido há mais de 3 horas!

Tudo isso foi motivo suficiente para que, assim que recuperasse a respiração perdida com a queda, uma enxurrada de lágrimas vazasse por seus olhos e soltasse um gemido doloroso causado pela dor irradiando do quadril para o resto de seu corpo.

No exato momento em que Allen se encolhia como uma bola, Alma surgia correndo no corredor sendo seguido por uma cabeleira loira e mais quatro pessoas vestidas de branco, a última arrastando uma maca consigo.

O restante foi outra bagunça.

Lenalee se ajoelhou ao lado de Allen o olhando com preocupação extrema enquanto via o garoto tentando sufocar os próprios gemidos com a mãe. Breeze, que estava atrás de Alma, até tentou correr até ele, mas acabou sendo impedida pelos paramédicos quando berros vieram de dentro do escritório seguido de vários baques.

Paralisada, a loira ficou parada onde tinham dito para ela ficar. Tinha uma das mãos enfaixadas por tê-la machucado ao tentar se defender de Alphonse, o responsável pelo lábio partido e a maçã do rosto roxa. Ele tinha ficado muito irritado quando viu que Breeze, após terminar a peça de Allen, não foi atrás do garoto. Ficou mais irritado ainda quando viu Kanda e Allen andando até o carro, conversando com um companheirismo que lhe deu nojo.

Ele quis descarregar em alguém, culpar alguém por suas loucuras e Breeze tinha sido absurdamente forte apenas por ter conseguido pedir ajuda. Apesar de ter chorado a madrugada toda, ela foi capaz de ligar para Allen assim que acordou de manhã, depois de desmaiar de exaustão no próprio quarto.

Mais uma vez, Alma ficou ao seu lado e a segurou em um abraço contra o corpo quando ela tremeu com a voz de Alphonse alta e descontrolada.

A cozinheira, por sua vez, foi até um dos paramédicos, que se identificou como chefe daquela equipe, a qual foi designada pelo doutor Christian, o mesmo médico que, há anos atrás, atendeu Margot.

Quando os baques de livros sendo arremessados chegaram à porta, um dos paramédicos já tinha uma injeção na mão e já estavam a ponto de abrir a porta quando um moreno alto a abriu com força, uma mão na porta e a outra levantada na altura do rosto, a fim de se proteger dos livros.

Ele nem ao menos lançou um olhar para ninguém no corredor, pois o seu olhar fixou-se imediatamente no albino choroso no chão, o qual tinha Lena tentando acalmá-lo e Lavi tentando removê-lo do chão.

Quase como se sincronizados, Allen descobriu o rosto e Kanda olhou bem para o rosto vermelho e banhado de lágrimas, os olhos grandes e prateados transbordando e os lábios entreabertos a deixarem sair soluços contidos.

Lena e Lavi se afastaram e assim que Kanda saiu da frente da porta, alguns livros sendo arremessados contra suas costas, todos os paramédicos entraram e se fecharam com um Alphonse incontrolável.

Kanda, no entanto, não deu atenção nem mesmo à cozinheira, que o olhava cautelosa e preocupada, uma mão na boca e o telefone no ouvido. Ele apenas se agachou na frente do namorado, que nem sequer se movia, o corpo tremendo um pouco.

—Moyashi, o vidro te machucou? — Perguntou, analisando a pele dele cautelosamente, um ligeiro vinco na testa enquanto buscava por ferimentos.

Allen, no entanto, negou com a cabeça, continuando a chorar em silêncio, ligeiramente parecendo como uma criança que não sabia explicar o que sentia.

Lavi suspirou e coçou a cabeça, parecendo não saber o que fazer, enquanto Lena continuava a olhar o amigo com preocupação. Alma também estava de olhos nos dois, mas tinha que admitir que boa parte de sua atenção estava destinada à loira em seus braços.

—Acho que ele desviou, mas deve ter se machucado ao cair no chão. Ele não quer se levantar! — O ruivo falou, parecendo um pouco desesperado porque, na cabeça dele, aquela poderia ser uma situação muito grave, talvez até uma paraplegia!!

Porém, Yuu não pensou assim e, após mais um olhar para os olhos prateados, deu um sorriso de canto.

—Caiu, huh? — Ele estava claramente tirando sarro, o que resultou em Allen tentando enxugar o rosto e controlar o choro, enquanto inflava as bochechas.

—Cala a boca, Bakanda! Eu não quero ouvir nada sobre você! Nem a sua voz! — Allen reclamou, a voz embargada, mas ligeiramente fofa e acanhada. A sessão de insultos não foi interrompida nem quando Kanda estendeu os braços e o puxou para o seu colo, segurando-se pelas coxas e contra o seu tronco.

—Eu estou cansado! — Reclamou, enlaçando os braços no pescoço do mais alto e descansando a cabeça no ombro dele, incapaz de mexer um músculo sequer da cintura para baixo. A visão que todos observavam admirados era de Kanda segurando Allen com facilidade como se fosse um bebê. — Não dormi nada, estou com sono, estressado, ansioso, com dor e, mais importante, estou com fome!

O comentário foi demais.

Lavi explodiu em uma risada gostosa, enquanto Lena ria baixinho e Alma e Breeze sorriam brandamente. A cozinheira levou uma mão ao coração, suspirando aliviada, enquanto Kanda mantinha uma expressão assustadoramente suave.

—Temos que alimentar o monstro. — Foi o seu único comentário, com uma voz calma e pacífica. Lavi, inclusive, arregalou os olhos, chocado com aquela nova feição.

—Não me chame de monstro! Monstro é você! Olha o que você fez comigo!! — Apontando para o próprio estado acabado, Allen começou a reclamar ao mesmo tempo em que o corredor se tornava silencioso e apenas a voz dele era ouvida. Todos caminhavam exaustos até a cozinha após aquela manhã frenética, ninguém se incomodando com o contraste que era um Kanda calmo carregando no colo um Allen aborrecido.

Quando todos estavam acomodados na cozinha, um paramédico entrou e explicou que Alphonse fora sedado e seria levado para o hospital. Nesse momento, todos tiveram um vislumbre do corpo desacordado passando na maca, as mãos machucadas com o vidro quebrado. Ele perguntou se alguém tinha o número da família e se tinha alguma outra informação sobre o garoto.

Breeze, com a voz baixa, se ofereceu para dar o telefone da família Alphocryphos e disse algo sobre Alphonse tomar remédios controlados para bipolaridade, ainda que não tivesse certeza se ele tinha tomado os comprimidos corretamente.

Depois disso o homem falou algo para a cozinheira para então voltar-se para os jovens.

—O rapaz se machucou? — Perguntou, uma postura completamente profissional mesmo que Allen estivesse quase desmaiado no colo de Kanda, o que gerava uma imagem bem peculiar.

—Ele precisa de um analgésico e um relaxante muscular. — Kanda respondeu, a voz monótona, enquanto o homem arqueava uma sobrancelha. — Para tensão acumulada. — Acrescentou, um sorriso sacana escondendo o verdadeiro motivo dos medicamentos.

Ignorando os olhares, Yuu forçou o albino a tomar os dois comprimidos que o paramédico ofereceu juntos com um pedaço de bolo e, sem mais nem menos, subiu para o segundo andar com ele, ignorando os choramingos do pequeno, que rogava por mais comida.

Enquanto os dois sumiam, o restante da turma permaneceu na mesa, onde o silêncio foi quebrado.

—Todos tem uma percepção diferente da realidade. — Alma foi o primeiro a falar, apontando um fato meio óbvio. — O Kanda tinha uma visão distorcida sobre amor e relacionamentos. Já o Alphonse provavelmente só queria ser importante e útil para alguém, mesmo que isso exigisse uma postura submissa. Para ele, ser submisso a alguém que admirava bastava. Talvez daí viesse o ódio e a inveja que ele tinha das Honey. Todas os Honeys, inclusive Allen, entraram no Sistema por interesses próprios. Já Alphonse... ele queria estar do lado de alguém que admirava, um motivo que, talvez, fosse mais respeitável.

Todos permaneceram calados, alguns focados em si mesmos, outros nas xícaras de chá. Às vezes Alma surgia com uma reflexão daquelas sem ninguém pedir e jogava todos em um buraco reflexivo.

Breeze se encolheu com a ideia do garoto ser "respeitável", o rosto ainda adormecido pelos analgésicos. Percebendo a reação da loira, Alma puxou a cadeira dela para mais próximo e segurou em sua mão carinhosamente, reafirmando segurança.

—De alguma forma, eles poderiam ser um par perfeito. — O ruivo disse, o que atraiu alguns olhares confusos.

—Que só os levaria ao fundo do poço. — Alma logo interrompeu, muito certo do que falava. — Alphonse apenas deixaria o Kanda se afundar ainda mais, porque jamais seria capaz de dar outra visão da vida para ele. Pior, ele provavelmente ficaria feliz em afundar junto.

—Ainda bem que o Allen-chan existe, então. — Lavi deu de ombros, pegando outro pedaço de bolo e cortando o assunto, já que ninguém parecia ter ânimo para discutir aquilo naquele momento.

Em outro cômodo da casa, Kanda tinha em mente que precisava agradecer a todos mais tarde, mas naquele momento apenas queria colocar Allen na cama e tomar um banho. Além de que, também achava que todos estavam esgotados e ninguém seria capaz de falar nada antes de um descanso decente.

Após deixar um garoto quase dopado bem aconchegado em sua cama, Yuu seguiu para o banheiro, onde tudo o que aconteceu passou como um filme em sua cabeça. Desde o raciocínio diferente de Alphonse até o rosto choroso de Allen.

Checando celular, o qual estava no silencioso, e após ignorar as inúmeras chamadas perdidas de Allen e mensagens de seus amigos, recebeu uma ligação de Yuji.

O homem ligava preocupado após, no meio de uma reunião, receber a notícia do incidente na mansão. Ele fez questão de se assegurar que o filho estava bem e fez perguntas sobre o que aconteceu. Kanda respondeu o máximo que podia com o resto de força de vontade para ser uma boa pessoa que tinha e, depois de também garantir a seu pai que o Moyashi estava bem, viu-se finalmente livre para deitar na cama e adormecer com o nariz enfiado no meio de vários cabelinhos brancos.

Ainda que mais tarde ambos acordassem famintos – Allen principalmente, naquele momento tudo o que precisavam era de uma boa tarde de sono, uma que marcava a ida do inverno.

Notas finais
Então... O que acharam?? Algumas pessoas tinham algumas teorias sobre o comportamento do Alphonse, mas, e aí? Acertaram?? Ahahaha espero que tenham ficado claras as intenções dele... Talvez espero que vocês repensem o ódio gratuito com a minha Breeze ahahahaha Alma é um amor ♥ E comentei sobre o Yuji e nem mostrei como ele realmente reage com o Allen, né? Não se preocupem, vai ter ceninha dos dois!! Várias referências à Margot nesse capítulo... Até mesmo a cozinheira já estava preparada para esse surto por causa de experiências passadas... Ah! Vocês notaram o bonequinho samurai do Kanda?? Estava guardado ahahahaha Espero que vocês tenham mantido em mente que esse capítulo se passa no mesmo dia que o capítulo passado, ou seja, o Allen teve a discussão com o Mana e logo depois caiu nessa bagunça! Tadinho do meu filho... Além do mais, ainda teve que aturar o Lavi não entendendo porque ele não conseguia levantar ahahaha Coitado do bebezinho, todo f.... Pss: Morta com esse Kanda todo suave e gentil enquanto o Allen está irritado e rabugento ahahaha Parece que o Kanda decidiu ser uma pessoa melhor nesse capítulo né? Agradecendo, cuidando do Moyashi, não perdendo a paciência...Estranho ahahahaha Enfim!! Espero que vocês tenham gostado, de coração! Obrigada por acompanharem até aqui e por serem leitores incríveis! Se você puder, me deixe saber a sua opinião também! Um grande beijo e até o próximo, que, definitivamente, vai ser o último capítulo!! Beijinhos e até mais!!!