Homophobie
5 Kepitel Fünf - Keine Homophobie.
Notas iniciais
CAP NÃO BETADO porque eu sou retardada e esqueci de mandar pra minha beta Moyashi a tempo, desculpem ;~;
Tem gente detestando o Hakuren por ele estar sendo um idiota nessa fic. Bem, eu concordo, ele está sendo um idiota. Mas foi necessário fazê-lo desse jeito, vocês ainda vão detestá-lo muito, mas acontece bastante coisa nesse cap., vai que a opinião de vocês muda, né? :DD (QUEM XINGAR MEU BEBÊ TERÁ UMA MORTE CRUEL E TORTURANTE, just saying)
Boa leitura~
- Eu nunca vi coisa mais ridícula em toda a minha vida.
E essa era a opinião de Teito a respeito do trabalho de história de seu querido amigo Mikage. Era uma visão pessoal sobre alguma obra de arte da época que fora sorteada. Era até divertido, mas o de Mikage realmente ficara... Ridículo.
Mas ninguém tivera coragem de avisá-lo, exceto, é claro, por nosso querido Teitei Klein.
— Vou ter que refazer, então?
— Por favor, meus olhos estão à ponto de sangrarem.
Mikage olhou desolado para o desenho que passara a noite fazendo e, realmente, estava algo muito assustador. Hakuren sentiu pena da expressão do amigo, querendo brigar com Teito por tê-lo dito que estava feio. Porque sim, estava, mas não precisava dizer daquele jeito, oras!
— Olha, Mika... Não está assim tão ruim, não precisa refazer – disse e beliscou as costas de Teito, quase apertando só sua blusa.
— Hakuren – chamou – Olha pra isso. Puta que pariu, tá algo muito... Tá ridículo – acabou rindo de seu próprio desenho e Teito riu junto, mas não Hakuren. Ainda não acreditava que Teito havia dito aquilo daquele jeito.
— Você podia tentar ter mais social skills, sabia?
— Relaxa, loira – disse Mikage – Esse aí não tem jeito. Mesmo que ele seja um grosso, diz a verdade, né... Aí a gente perdoa.
— É, Hakuren, você que é um falso da Bavária.
— Não sou falso!
— Você disse que o desenho do Mika tava bom, cara.
— É que... Né...
— Ah, cala a boca vocês dois e me ajudem a fazer um novo – disse Mikage, que precisava entregar o desenho dali a duas aulas. Uma sorte era que entre elas havia o intervalo.
Tirando essa pequena desavença, o dia passou normalmente, os três conversaram bastante, como sempre, ajudaram Mikage no novo desenho e tiraram uma nota boa. Porém, na penúltima aula, antes que esquecesse, Hakuren cutucou Teito, lhe mostrando dois DVDs que levara.
— Esconde isso, babaca! – disse Teito, quando viu qual era o conteúdo dos DVDs – Como você traz isso pra escola?
— Queria te mostrar antes de chegarmos em casa – explicou – A gente vai assistir isso hoje e eu vou continuar com o processo de “heterização”, falou? Falou.
— Mas eu não concordei!
— Não é como se você tivesse escolha, queridão.
Mas no fim, é claro que Teito concordou. Estava até um pouco empolgado para ver seu primeiro vídeo pornográfico. Quer dizer, é claro que ele já assistira antes, mas não depois de ter aceitado, com muito pesar, sua opção. Então, quem sabe isso não acendesse a chama que lhe estava faltando?
Sorriu com a tentativa de Hakuren de lhe ajudar, mesmo com o que havia feito antes. Estava com medo que ele não quisesse mais ser seu amigo depois daquilo, mas pareceu que o peso do mundo saiu de suas costas quando ele o cumprimentou de forma empolgada naquela manhã, assim como nos outros dias. Estavam se falando normalmente.
Na saída, os três concordaram que o dia havia passado rapidamente por não terem a última aula por causa de uma mudança de horários. Decidiram ir a uma cafeteria nova para mostrar a Hakuren qual era o melhor mendl* da região.
- Vou acabar virando uma bolinha com vocês – disse, virando o pacote de mendl na boca. Era realmente o melhor que já provara. Isso porque onde morara literalmente encontrava aquilo em cada esquina no centro.
- Só lhe mostramos o lado bom da vida – disse Mikage, jogando um mendl quebrado em Teito, que deu um pequeno chilique sobre não desperdiçar.
Só tomaram mais um café e resolveram ir embora, já que o doce parecia inofensivo, mas pesava toneladas e enchia fácil. Foram primeiramente andando sem rumo pelas ruas, até que Teito se lembrou de que precisava ir para casa com Hakuren.
- É, fiquei de ajudá-lo com... Arte — explicou Hakuren.
- Arte?
- É, me amarro nessa matéria que o professor passou.
- Belle Époque? – perguntou, com um tom levemente incrédulo.
- Sim, minha mãe... Ela... Bem, gosta bastante do... Gior.
- Dior?
- O próprio!
- Ele foi depois dessa época, você sabe, não é?
- O que é a moda sem seus primórdios? – inventou qualquer coisa, porém foi salvo por um puxão de Teito, que o livrou de falar mais coisa.
- Até amanhã, Mika!
- Sei – disse, rindo dos dois, perguntando o que eles iriam fazer escondidos daquele jeito – Até amanhã.
- Ele não vai ficar chateado?
- Hakuren, entenda que o Mika é o cara mais desencanado do mundo – disse – Não é à toa que ele consegue falar com todo mundo.
- Mas me sinto roubando o melhor amigo dele.
- Ele tem a Lazette.
- O que quer dizer?
- Olha lá – apontou para o amigo, que literalmente estava correndo atrás da garota de cabelos rosa que saía da cafeteria onde estavam antes.
- Será que esses dois se acertam?
- Eu espero, cu doce com mais de 5 anos pra mim é rola.
- O que? – perguntou, realmente não entendendo o que amigo quisera dizer com aquilo.
- Você realmente não manja de gíria, né?
- Claro que manjo! Mas as da minha cidade, ora essa.
- Vocês usam gíria na Bavária? – riu debochado, empurrando o amigo.
- Qual é a rixa que o norte tem com o sul que até hoje eu não entendi?
- Meu amigo, assente-se que eu irei lhe explicar – disse, colocando um braço por cima de seu ombro, mas desistindo, pois era muito baixo para o loiro – Tudo é culpa do futebol.
- Só por causa do Bayern?
- É.
- Inacreditável.
- Como se vocês não detestassem a melhor torcida do mundo – Teito comentou soprado.
- O Borussia não tem a melhor torcida, são só um bando de fanático — rebateu Hakuren, sabendo que aquela seria uma longa conversa.
- Ah, e quem foi que citou o Borussia?
- Esse não é ponto! Veja o Stuttgart, por exemplo...
E foram o caminho inteiro discutindo sobre futebol, o clichê sul x norte, os dois fanáticos, mesmo que Hakuren não torcesse para um time, de fato. Mas tinha um senso de proteção para com certos times que não deixava Teito falar um “a” a mais sobre eles.
- Mas tudo se resume a eu te mandando tomar no cu, então vai tomar no cu, Hakuren – disse, assim que chegaram em casa. Tomou cuidado para que fosse baixo o suficiente para que Fea não ouvisse, mas não foi necessário se preocupar com isso, pois logo notou que seu pai não estava em lugar algum.
- Tem um bilhete aqui – disse Hakuren, lendo na geladeira que ele havia ido para a universidade. Os dois olharam para aquilo e sorriram cúmplices, subindo para o quarto de Teito. Era como se o destino quisesse facilitar o que estavam prestes a fazer.
- Ok, é só... Colocar? – perguntou, já pegando os DVDs de Hakuren e olhando novamente suas capas, corando um pouco com o que viu.
- Se quiser um lubrificante antes.
Teito demorou alguns segundos a entender, só de fato o fazendo quando Hakuren olhou sacana.
- Eu não ouvi isso – negou com a cabeça, indo colocar de uma vez o DVD. Ligou a tevê e sentou-se em seu sofá – Hakuren, você sabe que isso é completamente antiético, né?
- Se serve de consolo, é a primeira vez que vejo com alguém, ok? – disse, sentando-se na extremidade oposta do sofá, sabendo que ver filme pornô com outro cara não era algo legal – Mas eu preciso ver suas reações, é um interesse puramente acadêmico.
- Claro que é.
E então, começou. Não era uma produção muito boa e essa foi a primeira coisa que Teito comentou, fazendo Hakuren lhe olhar furioso quando era pra ele estar apreciando um clássico na pornografia. O filme tratava-se de uma bibliotecária que torna-se uma sexy stripper e é acompanhado todo seu desenvolvimento para o lado sexy.
Escolhera aquele filme, pois não era simplesmente uma sequencia de cenas de sexo desconectadas, havia uma história por trás de tudo. Isso lhe daria tempo para explicar algumas coisas para Teito e lhe falar o que fazer, como observar o corpo feminino. E assim foi feito no começo, enquanto ele ainda conseguia raciocinar direto.
Porque uma santinha virando uma garota sexy era algo bem desnorteante para a maioria dos meninos.
Inclusive para Hakuren.
O loiro estava suando frio, querendo se tocar, mas não achando ético fazer isso na frente de Teito. Mas sua ereção era visível sob a calça apertada. Estava se remexendo desconfortavelmente no sofá e foi isso que fez Teito olhá-lo de rabo de olho.
E lá estava o garoto de sua fantasia no dia anterior, se retorcendo de tesão enquanto tentava ao mesmo tempo esconder uma ereção considerável. Sem se aguentar, Hakuren colocou a mão por cima da calça e tentou se aliviar como pôde ali mesmo, sem despregar os olhos da televisão.
Teito voltou seu olhar para a tevê, mas realmente não via nada muito interessante em mulheres se retorcendo num poste, então novamente virou para seu querido amigo. Teito sentiu uma fumigação em seu baixo ventre assim que olhou para o lado e o encontrou vidrado na televisão, com os lábios entreabertos, enquanto se tocava por cima da calça.
Virou rapidamente para a tevê novamente, não querendo que Hakuren notasse que ficara mais interessado nele do que no filme, iria apanhar, com certeza. Viu que estava numa cena de sexo e procurou prestar atenção, olhando para as partes que possivelmente lhe dariam mais prazer, assim como Hakuren lhe dissera para fazer.
Bem, ele era homem. É claro que aquilo o excitou. Ficou radiante em ver o volume abaixo de sua cintura crescendo conforme a cena avançava – mas digamos que ele ainda não conseguia aceitar a produção do filme, o que o desconcentrava um pouco.
Virou para Hakuren, procurando ver se o amigo vira que se excitara até bastante com o filminho. Mas se arrependeu no exato momento em que sentiu uma pontada forte em seu baixo-ventre só de olhar para Hakuren naquele estado.
Podia ver seu peito subindo e descendo descompassado, a fina camada de suor em seu rosto fazendo alguns fios de cabelo grudarem em seu rosto. Ah, mas não podia deixar de olhar para lá. Suas mãos finas estavam acariciando seu membro de uma forma torturante para Teito, que quase podia sentir o prazer em si mesmo. Mas como queria aquela mão no...
Quando estava quase para gemer o nome do amigo, ali mesmo, Hakuren se virou e o encontrou lhe olhando. Achou uma simples coincidência, mas sorriu ao ver que ele estava tão ou mais excitado quanto ele. Conseguira, fizera um bom trabalho dessa vez.
- Então, é com pornô que surte efeito, hein. Liberou o macho – disse e esperou que Teito gracejasse, comentasse sobre como a atriz era bonita, sobre como estava se sentindo hétero ou qualquer coisa, menos...
- Não, é só que... Você fica mais atraente assim.
- O... que?
- Nunca tinha te visto duro, você fica mais atra... en... – foi parando de falar aos poucos ao notar que não era hora de ficar dizendo o que lhe viesse à mente.
- O que quer dizer com isso, Teito? – a essa altura, já tinha broxado completamente, seus desejos se tornaram pura necessidade – Eu te mostro um filme pornô e você fica me observando ficar duro, merda?!
- Desculpa, cara, sei lá o que me deu – levantou-se, levemente desesperado por ter dado outra mancada daquela. Droga, mil vezes droga! Até quando ele aguentaria o péssimo tato que Teito tinha? – Não vai mais acontecer, eu prometo! Coloca outra filme, eu presto atenção, aí...
- É melhor você assistir esses filmes sozinho – disse, levantando-se também e o olhando sem muita emoção – Posso usar seu banheiro?
- Claro...
Teito sentou-se no sofá e se martirizou antes de qualquer coisa. Por quê? Por que ele não conseguia? Por quê, dentro de tantos caras desencanados nesse mundo, aquela droga foi cair bem em cima dele? Por que ele?
Estava tão chateado consigo mesmo, tão aterrorizado com o fato de que talvez Hakuren não falasse mais com ele, que mal notou quando ele saiu do banheiro. Mas droga, por quê?! Por que foi só ele aparecer no cômodo novamente que o coração de Teito falhou uma batida?
Aquilo era medo, somente isso. Medo de perder sua amizade, não podia ser outra coisa. Afinal, gostava de Hakuren, o considerava um bom amigo, não podia estar vendo algo além disso. Se estava naquelas situações constrangedoras com ele, era só porque eles se tornaram próximos rápido demais.
Só isso.
Não é?
- O que vai fazer?
- Acho que é melhor eu ir embora – disse, já pegando sua mochila e rumando para o andar de baixo. Teito soltou um suspiro com um quê de desespero, mas o que poderia fazer? O que iria fazer?
- Hakuren, olha, desculpa, cara, eu sei que esse tipo de coisa não se faz, mas às vezes eu não controlo e...
- Não controla a própria língua também? – perguntou, mas se arrependeu no mesmo instante quando viu o olhar magoado de Teito. Não com ele, mas consigo mesmo. Sabia o quão difícil aquilo era para Teito, não era de forma alguma um motivo para ele ser estúpido.
Prometera que o ajudaria e cumpriria a promessa. Teria de ser paciente e aguentar algumas situações como aquela, mas iria conseguir, no final.
Teito abriu a porta e o esperou sair, de cabeça baixa. Hakuren, ainda arrependido, bagunçou os cabelos de Teito, que o olhou curioso.
- Até amanhã, Teitei.
-x-
— Trabalho logo na primeira aula? Mas que mancada – comentou Mikage, assim que o professor terminou de passar na lousa.
— Pelo menos é em dupla – comentou Hakuren, terminando de anotar o que era pra fazer.
- E quem vai fazer com quem? – perguntou Teito, que sempre fizera trabalhos com Mikage, mas não queria deixar Hakuren sozinho.
Porque apesar de tudo, ele não o deixara. Estava falando normalmente com ele, como se o dia anterior não tivesse acontecido.
- Eu resolvo isso – disse Mikage, piscando para os dois amigos – Professor – chamou e só perguntou quando teve certeza de que a atenção dele era completamente sua – Pode ser dupla de três?
Teito e Hakuren bateram as mãos na testa, pois imaginavam que Mikage ia usar um argumento que ninguém pensara antes e que convenceria o professor na hora. A sala inteira riu e o professor, obviamente, não deixou.
- Mas professor! – continuou – Pense em seus alunos! Hakuren não conhece ninguém além de mim e de Teito, com quem que ele vai fazer?
- Com o senhor ou com o senhor Klein, senhor Celestine.
- Mas e como o nosso histórico de 7 anos de trabalhos juntos fica, hein? Hein? – insistiu – O senhor vai ser ruim a esse ponto, professor? Eu jurava que o senhor era uma boa pessoa, sempre passou os melhores trabalhos, mas agora, último ano, 45 do segundo tempo, o senhor vai dar essa bola fora? Ah, não, não acredito que o senhor fará mesmo uma...
- Professor, ele não vai parar enquanto o senhor não deixar – disse Elza, uma amiga de Mikage que sentava mais lá na frente. Todos aquiesceram e, com a sala inteira o apoiando, o professor foi obrigado a ceder.
- Você tem que me ensinar a fazer isso! – disse Hakuren, incrédulo com a popularidade do amigo.
- O que eu posso fazer se sou pica das galáxias?
Antes de respondê-lo, dessa vez foi Teito quem jogou algo em Mikage. E com toda sua sutileza, foi um estojo: — Quieto – disse – Haku, a gente pode fazer na sua casa?
- Por mim – deu de ombros e Mikage concordou – Vocês podem almoçar lá, mas se quiserem trocar de roupa antes, sei lá...
- Então, umas quatro horas na sua casa?
- Pra mim tá ótimo, mas não fica muito em cima pra você, Mika?
- Ah, não, relaxa – disse, dando de ombros – Minha casa não é assim tão longe quanto aparenta. Quinze minutos de metrô.
- Então, só vai ter meia hora pra se trocar.
- Nah, é o suficiente. Fora que talvez fique muito tarde depois disso, né.
Marcado o trabalho, o dia se arrastou chato e tedioso. Não estavam com pique para o tanto de lição que estavam recebendo, isso porque ainda era começo de semana – e de ano letivo! Outros dois trabalhos individuais foram passados naquele mesmo dia, fazendo os três quererem se afogar no mar ao invés de fazer outro trabalho na casa de Hakuren.
- Agora, o que me diz do pessoal do litoral ser mole, Hakuren? – perguntou Mikage no intervalo. Estavam sentados no mesmo muro de sempre, mais preocupados em não morrer de tédio por intoxicação alimentar – olhem, isso veio da mente com parafusos a menos de Teito, não me perguntem.
- Não enche, Mikage – disse Hakuren – Não to afim de lembrar que, saindo daqui, vou ter que dar meu fígado pra terminar tudo até o final da semana.
- Sei que como se sente – disse Teito – Mikage não sabe quando não é hora de falar de escola.
- Mas estamos na escola!
- Exatamente – os dois disseram juntos, sem muito ânimo.
A partir daí, as aulas até que passaram rapidamente. Mais três aulas, duas sendo dobradinhas de uma professora que todos adoravam, então foi tranquilo. Logo, saíram felizes pelos portões da escola.
- A gente te busca na estação, ok, Mika?
- Aqui na Cruz Vermelha mesmo?
- Acho melhor no Centro de Compras, fica mais perto da minha casa – disse Hakuren, que morava perto de Teito e da escola, entre essas duas estações, mas mais perto da segunda – Na saída da Rua do Sol.
- Ok, até lá!
Mikage olhou no relógio e correu até a estação do metrô, sabendo que o metrô que pegaria sairia dali a poucos minutos. Teito e Hakuren foram juntos para casa, a pé como não poderia deixar de ser. Teito foi o primeiro a se despedir e Hakuren foi para sua casa pedir para sua irmã fazer o rocambole que o amigo queria experimentar.
Deu uma geral em seu quarto, que não estava bagunçado, mas eles não eram obrigados a ver as cuecas que ele tivera preguiça de guardar. Também aproveitou para tomar um banho e colocar uma roupa mais casual e, quando deu o horário, foi para a estação buscar os dois.
Os encontrou conversando na saída que falara, sorriu e acenou para os amigos, que logo foram ao seu encontro.
- Está atrasado, loira – disse Teito.
- Em... cinco minutos?
- Eu tava quase criando raiz aqui – emendou Mikage, negando com a cabeça.
- Vão caçar o que fazer vocês.
- Nem me fale... – disse Teito e os três suspiraram juntos, rindo logo após. Seguiram conversando sobre qualquer coisa até chegar no apartamento do amigo. Os três foram recebidos pelo irmão mais novo de Hakuren, ou foi o que Teito e Mikage acharam.
- Gente, esse é meu irmão Shuri – disse Hakuren brevemente, contando uma mentirinha, pois Shuri era, na verdade, seu primo. Não queria ter de explicar agora por que seu primo morava com a sua família, era uma longa história – E aquela é a minha irmã Perlya.
- Prazer – disseram Mikage e Teito juntos, acenando para os dois.
- Esses são Teito e Mikage – apontou para cada um deles e dessa vez seus familiares acenaram – Já ta pronto lá? – perguntou Hakuren para sua irmã, que negou e se levantou, rumando para a cozinha.
Perlya estava cursando o terceiro ano da faculdade de Linguística e, como tivera alguns problemas com a sua vaga em Munique, teve que esperar para poder voltar a estudar na nova cidade. Estava procurando emprego, mas, por hora, ela fora designada para cuidar dos dois irmãos mais novos.
Mesmo que Shuri não fosse irmão dos dois, eles o consideravam como tal. Os pais de Hakuren o pegaram para criar muito novo, pois seu pai havia morrido em servidão ao exército e sua mãe começara a usar drogas. Não queriam que o menininho sofresse nenhum trauma, então o levaram para uma família de verdade, sem objeção nenhuma de sua mãe.
Tinha apenas três anos quando se separou de sua mãe. Pelo menos, agora era um garoto esperto e saudável, estava na sétima série, quase nunca perguntava pelos pais, o que preocupava Hakuren um pouco, pois sempre zelou pelo primo. Por sorte, os três se davam muito bem.
- Vamos lá pro quarto – chamou os dois e foi na frente, entrando na última porta à direita de um corredor com alguns retratos pendurados na parede que mostravam a família Oak completa, às vezes só um ou dois membros, mas eram predominantemente fotos familiares. Teito sorriu ante aquilo. Nunca saberia como é ter uma família daquele tamanho.
O quarto de Hakuren era pequeno, apenas uma cama, guarda-roupa e escrivaninha, mas era espaçoso, pois o loiro era organizado e sabia onde colocar suas coisas. Mikage logo foi brincar com as figuras de ação que ele tinha e Teito foi fuçar em seus CDs.
- Olha, eu não sei vocês, mas eu achei que a gente ia fazer trabalho, sabe.
- Aham – os dois disseram sem prestar o mínimo de atenção no amigo. Rodou os olhos e foi tirar suas coisas da mochila para poderem começar. Nem se lembrava sobre o que era.
- Tá, venham logo – puxou os dois pela gola, forçando-os a sentar na cama e prestar atenção em si. Explicou como fariam o trabalho com um ar irredutível em volta de si, os dois tomaram suas palavras como reza e fizeram exatamente o que o loiro ordenou.
Era um trabalho simples, porém Hakuren queria dar os mínimos detalhes. E assim foi feito, fazendo os outros dois ficarem mais cansados do que achavam.
- Na boa, você é um saco, Hakuren – disse Teito.
- Quieto e faça.
- A gente pode pelo menos comer? – pediu Mikage, fingindo um medo em sua voz que não existia realmente.
Hakuren pareceu lembrar-se de alguma coisa e se levantou, saindo correndo porta a fora.
- Ótimo, agora ele vai nos trancar e nunca mais comeremos – disse Teito – Culpa sua.
- Olha, eu tinha que arriscar.
- Parem de me xingar e venham logo – ouviram Hakuren gritar de algum cômodo fora do quarto e riram os dois, seguindo sua voz – Almoço feito com todo o carinho por minha querida irmã – disse numa voz mansa – Comam. – dessa vez, ordenou.
Era um almoço simples, porém parecia apetitoso. As panelas estavam dispostas sobre a mesa e o pequeno Shuri Oak já estava terminando timidamente seu prato de comida. Teito e Mikage ouviram seus estômagos roncarem e não hesitaram mais quando Hakuren os chamou para servirem-se.
- Vai ter sobremesa? – perguntou Teito, assim que todos terminaram, com uma expressão que lembrava claramente uma criança feliz. Mikage não se demorou a lhe dar um tapa na cabeça, uma vez que não achou muito educado jogar alguma coisa nele.
- Para de ser inconveniente, Teito.
- Tudo bem – disse Perlya, rindo e indo em direção a geladeira – Hakuren me pediu para fazer pra vocês.
- Pelas barbas de Odin – disse Teito, boquiaberto pelo rocambole enfeitado que fora posto a sua frente, parecendo mais do que apetitoso. Os outros dois estavam do mesmo jeito, querendo logo cravar seus garfos no doce.
- Bom apetite! – disse Perlya, começando a servir os três.
- Vou chamar o Shuri – disse Hakuren, levantando-se e rumando para a sala, onde ele provavelmente estaria jogando vídeo-game. Influenciado pelo irmão mais velho, é claro.
- Hakuren disse que você estava louco pra experimentar, Teito – disse Perlya, fazendo Teito corar pela atenção da agradável moça estar toda sobre si. Achou incrível o tanto que ela se parecia com Hakuren, cabelos longos e loiros, corpo esguio, pele alva, porém com algumas pintas a mais por causa doença que tinha e Hakuren não, ela era albina.
- É que ele falou tão bem dos seus doces... – explicou-se, querendo logo experimentar, mas não achando educado enquanto Hakuren não voltasse. Por fim, os dois primos chegaram e puderam apreciar a maravilha culinária que era aquilo, realmente estava muito bom.
Achou legal da parte de Hakuren pedir para sua irmã fazer só porque ele tinha comentado, se sentiu importante, sorrindo ante ao pensamento.
- Tá calor aqui – comentou Hakuren, pegando um segundo pedaço do doce, enquanto seu primo terminava o seu primeiro e saía quase correndo dali. Riu com aquilo, Shuri era tão extrovertido quando estavam só.
- Né – comentou Teito e Mikage – Deve ser por causa do fogão – disse Mikage, levantando suas mangas.
- O aquecedor, na verdade. Ele fica ali atrás – explicou Hakuren, apontando para o eletrônico na parede exatamente atrás deles.
- Resolveu dar uma de diretora da escola e ligar o aquecedor no último em pleno outono, Hakuren? – perguntou Teito, não se importando mais em ser o mínimo polido, pois só estavam os três na copa, que ficava de frente para a cozinha.
- Não enche, Teito – fez um gesto para Mikage lhe dar um tapa na cabeça e assim foi feito, fazendo os três rirem. Inconscientemente, Teito levantou as mangas de sua tão usual blusa de frio, fazendo os gessos – que Fea ainda não o deixara tirar, mais por medo que ele voltasse a se cortar do que por infecção – ficarem à mostra.
- Teito, o que é isso?
Hakuren e Teito se entreolharam, caindo num silêncio absoluto após aquela inocente pergunta por parte de Mikage. Inocente em partes, pois sabia que se aquilo era por causa daquela mania irritante de Teito, não perderia tempo em brigar com ele, ali mesmo na frente de Hakuren, ele sabendo ou não da verdade.
- Eu... Engessei.
- Por quê? – perguntou, visivelmente controlando sua voz.
- Porque... Deu hemorragia.
- Porra, Teito! – explodiu, jogando os talheres no prato, fazendo um barulho que pareceu retinir por todo o ambiente por horas – Quando é que você vai ver que isso só tá fodendo com você?
- Mikage, olha...
- Hakuren, não tenta defender o que ele tá fazendo – disse, cortando o amigo.
- Na verdade, eu ia...
- Não – disse, virando-se com um olhar mortal para o amigo, que calou-se de vez e escutou quieto o sermão, assim como Teito, sentindo-se levemente culpado – Teito, entende uma coisa. Fazer essas coisas não vai mudar o que você é, se aceitando ou não, você é assim.
- Mas...
- Não, agora sinceramente. Você acha que isso realmente ameniza sua dor? Eu acompanhei todo esse processo e, desde que você começou com essa idiotice, só se culpa mais ainda por ser gay.
- Eu não sou...!
- Sim, você é sim! – gritou para o amigo, sem se importar com os outros moradores – E devia aceitar logo! Teito, você tem amigos, pessoas que gostam de você, que tem amam, você acha mesmo que alguém vai te olhar daquele jeito de novo, que vão te tratar diferente por causa disso? Não vão, ninguém vai!
- Eu sei disso! Mas você não sabe o que é estar nessa condição!
- Que condição?, me explica. Porque a única condição que eu vejo você estando é na de babaca que agride a si mesmo com auto preconceito. Isso deixou de ser triste pra ser idiotice.
- Mas é a única forma de eu me sentir bem – disse, num tom suplicante, deixando algumas poucas lágrimas caírem.
- Você nunca vai se sentir bem se continuar com isso, você sabe.
- Mas Mikage...
- O que, Teito? – perguntou num tom cortante e foi aí que Hakuren decidiu que devia intervir. Por dois motivos. Um era que já estava morrendo de dó de seu amigo ali, quase à beira dos soluços enquanto Mikage não parava de gritar; o outro era que... Não estava acreditando no que ouvia.
- Mikage, vem aqui.
- Não, Hakuren, ele preci...
- Mikage, venha! – mandou novamente, dessa vez num tom forte e sério, que fez os dois o olharem. Em silêncio Mikage deixou a cozinha e seguiram para o quarto de Hakuren – O que é que você está fazendo, pelo amor de Deus?
- Ahn, botando juízo na cabeça do meu melhor amigo?
- Você tá falando pra ele aceitar que é viado!
- Sério, gênio? – ironizou – E não é isso que eu deveria fazer, considerando minha importância na vida dele? Na verdade, era isso que você deveria fazer também, já que pelo visto descobriu.
- Como assim era isso que eu deveria fazer? – perguntou – Você quer que ele assuma para o mundo que gosta de homem?!
- Não, não quero que ele assuma sua condição – disse – Quero que ele aceite-a, saco, só isso! Não é óbvio?!
- Aceitar? Aceitar algo que ele detesta?! Por que ele faria isso? Por que ele faria se ele pode mudar e voltar a gostar de garot...
- O que?! – exclamou, incrédulo – É isso que você quer pra ele? É isso que você vem dizendo pra ele todo esse tempo, seu filho da puta?!
- Você queria que eu fizesse o que?! Se ele pode mudar, não vou deixar ele ser um viadinh...
Mas ele se calou antes que pudesse terminar aquela frase que enfureceria tanto Mikage. Foi calado por um soco na cara, bem dado, bem em cheio em seu lábio inferior. Caiu deitado em sua cama, por um momento não entendendo absolutamente nada do que havia acontecido. Mas assim que associou sua situação, levantou-se com um ódio mortal no olhar, querendo acabar com a raça de Mikage.
Mas qualquer ódio que poderia estar sentindo, tornou-se uma simples excitação quando olhou para os olhos quase fumegantes do amigo. Ali, notou que o que deveria fazer era não irritá-lo ainda mais.
- Como você pode dizer que são amigos, Hakuren? – perguntou, transbordando desprezo – Você nem mesmo o aceita como ele é e ainda quer ter o direito de chamá-lo de amigo?
- O que queria que eu fizesse? – sussurrou, sem aguentar encará-lo, finalmente entendendo onde ele queria chegar e notando que veio fazendo uma grande burrada até ali.
- Que o ajudasse a aceitar quem ele é, seu homofobicozinho de merda – disse – Você não vai se infectar se ficar perto dele, não vai pegar gayzisse. Ele vai continuar sendo o mesmo Teito e você o mesmo Hakuren machão – chutou de leve a perna do amigo, só para fazê-lo prestar atenção – Não. Ele iria mudar sim. Ele pararia de se cortar, pararia de se martirizar só por ir à praia. Ele seria mais feliz, se você quer mesmo saber.
- ...Me desculpe – pediu baixinho, sem olhá-lo nos olhos.
- Não é pra mim que você tem que pedir desculpas – disse – Mas já que pediu, não, eu não desculpo. Só vou te desculpar quando você aprender a ser uma pessoa decente, quando seu preconceito idiota não atrapalhar as amizades que você tem.
Não veio resposta de Hakuren, o que fez Mikage estalar a língua e juntar suas coisas que estavam jogadas no quarto. Juntou também as de Teito e, assim que colocou tudo dentro de sua mochila, se aproximou de Hakuren novamente.
- E não ouse se aproximar do Teito novamente, ouviu? – perguntou num timbre baixo, que fez Hakuren olhá-lo indignado – É isso mesmo. Teito é meu irmão e, como tal, não vou deixar nenhum homofóbico idiota chegar perto dele, se isso o fizer sofrer ainda mais.
- Você não pode...
- Ah, eu posso sim. Não teste a minha paciência, Oak – disse, trincando os dentes – Se quiser continuar amigo dele, ou mude a sua atitude machista ou aprende a bater de verdade, porque eu só não posso protegê-lo de si mesmo, mas não meço esforços com nenhum babaca.
Levantou-se, seguindo para a porta, sem deixar tempo de Hakuren falar mais nada.
- Nem com você.
Saiu porta afora, indo buscar Teito na cozinha, que parara de chorar, para o profundo alívio de seu coração. Entregou sua mochila e o levou embora pelo braço, sem se preocupar em lhe dar uma explicação.
- Você vai pra lá que eu vou pra estação – apontou para o lado oposto ao que iria, assim que saíram do apartamento do loiro – E você não ouse voltar para aquele apartamento.
- O que aconteceu, Mika? Eu ouvi vocês dois gritarem – perguntou, com uma voz assustada, temendo a expressão do amigo. Conseguia, ainda, vê-lo tremer levemente, o que só acontecia quando ele se metia em briga. E isso só acontecia quando ele queria defender Teito.
- Tá tudo bem, Teitei – disse, passando as mãos trêmulas pelos cabelos, olhando para os lados.
- O Haku... Tá bem?
Olhou para Teito e só viu ingenuidade naquele instante. Sabia que era egoísmo dele privá-lo de sua amizade com Hakuren, sabia que o amigo gostava muito daquele cara, mesmo que o achasse um babaca. Mas entre as duas dores, ficava com aquela.
Abraçou Teito, vendo que ele estava assustado com os gritos, os gritos no quarto de Hakuren, a saída brusca e, pra piorar, Mikage nem mesmo estava conseguindo esconder sua raiva. Sussurrou em seu ouvido que tava tudo bem, pra ele não se preocupar. Aquilo sempre acalmava Teito, era sabido desde sempre.
- Vem, te levo pra casa – disse, passando os braços pelos ombros do baixinho e o levando em direção à sua casa.
Hakuren observou toda a cena da varanda de seu apartamento, querendo mesmo era descer e quebrar Mikage ali mesmo. Mas não conseguiu, pois sabia que ele estava mais do que certo em cada palavra. E se ele fez o que fez, foi para proteger o garotinho que agora encontrava-se procurando acalento em seus braços naquele instante.
Sentou-se furioso em seu sofá, assustando um pouco o pequeno Shuri. Conseguia enxergar, agora, o quão estúpido fora tentando fazer Teito mudar o que era. E nem mesmo os sinais que o próprio Teito dava, gritando para si que ele não conseguiria nunca ser hétero, o pararam.
Deixou seu preconceito ir além da amizade que tinham, não aceitou Teito como ele era e a primeira coisa que quis fazer foi mudá-lo. Não pensou que isso o fosse fazer sofrer ainda mais, que ele não pararia de se cortar por causa disso. Agora conseguia ver que ele nunca pararia se não se aceitasse como era.
E Teito? Bem, Teito foi mantido na ignorância pelos dois. Mandou sms cobrando explicações, mas só o que recebeu foi um silêncio zombeteiro. Foi dormir querendo matar os dois por na terem lhe explicado o que diabos acontecera naquele quarto.
-x-
- Não dê as costas pra mim!
- E por quê, hein, Oak? É constrangedor demais pra sua mente de macho?
Estavam na estação de metrô perto da escola, Hakuren decidiu que esperaria Mikage chegar ali antes de irem para escola, precisavam conversar mais civilizadamente. Sem socos, de preferência. Seu lábio ainda estava inchado.
- Olha, Mikage, eu realmente não quero brigar – disse, cautelosamente se aproximando – Será que a gente pode conversar?
- Claro – disse, bufando e seguindo na frente para a saída da estação que dava para uma praça com alguns bancos, deserta àquela hora.
- Eu... Eu admito que fui um idiota – foi a primeira coisa que disse quando sentaram-se e Mikage lhe perguntou o que queria – Adotei Teito como meu melhor amigo e a primeira coisa que fiz quando tive a chance, foi tentar mudá-lo. Não foi certo ajudá-lo, de certa forma, a se martirizar com meu preconceito. Sei que é do perdão dele que preciso, mas como é você o melhor amigo dele, não me sinto no direito de tirá-lo de seus cuidados para fazê-lo sofrer ainda mais. Então, eu peço perdão pelo o que eu... venho feito – pediu, olhando nos olhos claros do loiro a sua frente.
- Pelo menos você viu que tava errado – disse, agora até se sentindo um pouco mal por analisar a expressão culpada e arrependida do amigo.
- É... Foi imperdoável.
- E mesmo assim você pede perdão.
- Eu gosto do Teito, Mika – disse, suplicando por compreensão – Por favor, me deixa ser amigo dele.
Mikage sabia que não podia negar aquele pedido. Hakuren estava submisso e suplicando por uma permissão que nem mesmo cabia a ele. Soltou um sorriso, não mais ligando para o que Hakuren havia feito; sabia que não voltaria a acontecer.
- Ele é todo seu, cara – disse, lhe dando um soquinho no braço – Mas não tire meu Teito de mim para fazê-lo sofrer, ouviu bem?
- Ele nunca mais vai derramar uma gota de sangue, eu prometo tentar – Mikage sorriu ao notar o timbre forte e decidido do amigo.
Então, estava na hora de deixar Teito sair debaixo da sua aba.
-x-
- Tem certeza?
- Sim, eu quero ver o que acontece agora, depois das “Dicas de Hétero, com Hakuren Oak” – fez aspas no ar, revirando os olhos. Hakuren sentiu a consciência pesar, mas, para conseguir manter o disfarce que Mikage e ele bolaram, não podia comentar nada. Mas tinha plena consciência do olhar reprovador que Mikage lhe lançara.
Disseram para Teito que brigaram porque Mikage estava com ciúmes porque Hakuren havia engessado Teito, coisa que ele nunca deixara Mikage fazer antes. Claro, deixando de lado o fato de que Teito estava tendo uma hemorragia e, se não recebesse cuidados logo, poderia ficar seriamente adoentado, era uma boa desculpa.
- Ai, Mikage, como você é mongoloide – revirou os olhos – Ficava com ciúmes porque, sei lá, o Konatsu tá dando em cima da Lazette, mas do Hakuren? Faça-me um favor, né.
- Essa loira me deixou bem puto, ok – atuou como Hakuren não conseguiria, por isso ficou quieto – Mas ele já pediu desculpas de joelho, então tudo bem.
- Você fez isso?
Teito nem mesmo desconfiou. Mas se o fez, preferiu não perguntar. O dia acabou passando como qualquer outro. Exceto, é claro, pelo o excêntrico pedido de Teito para ir à praia quando saíram.
- Por mim, sem problemas – deu de ombros e Mikage concordou, querendo ver onde aquilo iria levar. Na verdade, queria ver o que Hakuren iria fazer se ele tivesse alguma crise, queria botá-lo à prova, já que não iria confiar nele assim, literalmente de um dia pro outro.
Os três seguiram alegremente para a praia, foram a pé e concordaram em comer alguma coisa lá mesmo. Assim que chegaram, se surpreenderam ao ver que o tempo estava muito melhor naquela parte da cidade, poucas nuvens cobriam o sol e Teito até mesmo tirou o casaco de couro que vestia.
- Olha só, mas quem diria – disse Mikage – Vai deixar suas lindas cicatrizes à mostra?
- Eu to engessado, bobão – fez uma careta e uma voz que claramente chamavam Mikage de babaca por ter feito aquele comentário. Mas os dois amigos apenas riram de sua infantilidade.
- Tá querendo me fazer ciúmes mostrando essas paradas, é?
- Mas o que! – disse, levemente indignado – Não se pode mais nem querer ser feliz, curtir um sol com os amigos! Vocês são péssimos, falou?
- Ei, o que eu tenho a ver com isso? – perguntou Hakuren, que mal prestava atenção na discussão dos dois, mais preocupado em observar o horizonte. Nunca se cansaria daquela visão.
- Hahaha, olha pra isso, o Haku ainda fica todo bobo com o mar – disse Mikage, bagunçando os cabelos longos do amigo. E quando fazia isso, ficava realmente bagunçado porque ele estava sempre preso, logo, não tinha como voltar à posição anterior sem que ele desprendesse e prendesse de novo.
- Para de ser traíra, Mikage – disse Hakuren, que já havia dito pros dois não fazerem aquilo. Prendeu seu cabelo com uma expressão que fez os dois rirem – Calem a boca, falou?
Os três só continuaram andando pela areia, procurando algum lugar para comerem, conversando sobre nada especial. Mikage resolveu tirar o casaco que usava também, mas estava com uma blusa de manga por baixo, diferente de Teito.
- Tá frio aí fora? – perguntou Hakuren e os dois deram de ombros, dizendo que estava uma temperatura agradável – Vou tirar também, então – começou a tirar seu casaco, mas parou por alguns segundos ao ouvir Teito comentar despretensiosamente...
- Só não vai tirar a blusa também, que nem naquele dia – disse – Do jeito que você é gato, é capaz de eu me apaixo... droga.
Parou de falar assim que notou para onde seu comentário – que acreditou realmente que seria cômico – estava indo, parando também de andar e fechando os olhos, sem forças para encarar os dois, que lhe olhavam incrédulos.
- Saco, droga, infernos! – exclamou, abrindo os olhos e dirigindo-se imediatamente a Hakuren – Haku, desculpa, cara, de novo. Eu sei que disse que não ia mais acontecer, mas... Argh! Eu não sei onde eu tava com a cabeça, droga de língua que não obedece. Pode ficar puto, eu deixo, porque eu...
Teito continuou tagarelando sem parar. Hakuren e Mikage trocaram olhares, um queria rir do quão bobo ele estava sendo e o outro cobrando uma atitude.
- Teito.
- ...tudo o que não cortei porque, depois dessa eu mereço, eu sou...
- Teito, escuta – disse, segurando-o pelos ombros – Não ouse se cortar de novo, ouviu?
- Mas eu...!
Ao invés do sermão que os dois esperavam, Hakuren sorriu e bagunçou seus cabelos, rindo logo após.
- Nós somos amigos, cara – disse, assim que parou de rir – Eu não ligo mais pra essas coisas, já até me acostumei — deu de ombros e riu da expressão confusa de Teito — Tá tudo bem.
Circundou os ombros de Teito e os dois saíram andando, Hakuren fez um sinal com a cabeça para Mikage os acompanhar e, ali, foi como se todos os problemas não existissem.
Teito sentiu como se aquilo fosse o que queria ouvir de Hakuren e sorriu para si mesmo. Hakuren também viu que era muito melhor continuar o dia como se não houvesse acontecido nada, melhor do que ir embora enfurecido ou deixar o amigo correr de si. Era melhor o ver sorrindo.
Mikage, que flagrara aqueles sorrisos, também sorriu. Viu que Hakuren podia, sim, cuidar de Teito, podia ser um bom amigo e que podia superar seu preconceito.
Ali, soube que Teito estava em boas mãos.
Notas finais
E a opinião sobre o Haku-chan, como está? x3 Ainda detestam ele? fsçldfk (podem detestar, sem xingá-lo u_u)
Quero dar as boas vindas a quem começou a ler a fic agora, espero ver vocês nos próximos capítulos! Sabem que eu sou muito sensível com review, então mandem pra não me deixarem chatiada e arrasada ;~; (e pra poupar a minha beta-marida Moyashi, porque é ela quem tem que aguentar minhas lágrimas pelo pessoal que favorita e não manda review ÇLKFKLÇSDJFKLSAD ))))): vdd)
Agora o blábláblá de sempre -q
*mendl é um doce alemão extremamente popular. É tipo amendoim com uma crosta de açúcar caramelizado (acho). Quem é daqui de SP (se tem em outros lugares eu não sei :3) já deve ter visto essas barraquinhas alemãs que vendem um doce que parece pipoca, que tem o cheiro MEGA forte e gostoso, é isso :D Porém, o nome não é esse. Quer dizer, é e não é [?]. Na Alemanha, o nome que escrito nas barraquinhas é esse, mas se procurado na internet não há UM resultado (doce fantaaaasma NN tipo candle cove Q). Então "mendl" deve ser um nome regional, o nome "oficial" deve ser outro - que eu definitivamente não sei, se alguém souber me avisa -QQ
BVB BORUSSIA BVB! -q
True story essa do Shuri, bro )):
Até semana que vem, gente~
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