Homophobie
6 Kapitel Sechs - Ich mag dich.
Notas iniciais
Espero que gostem, gentem ♥
– Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahh!
E foi com a sutileza de um berro fino e estridente que Teito foi acordado naquela manhã. Olhou para os monstros em cima de sua cama ainda assustado, cobrindo-se com o cobertor, querendo entender o que estava acontecendo. Mas aos poucos seu cérebro foi começando a funcionar corretamente e percebeu o que estava acontecendo ali.
– Seus porra jorrada! – gritou, xingando ainda mais os dois amigos de coisas que nem me atrevo a escrever, que agora se retorciam de rir enquanto retiravam as máscaras – Mamar me olhando cês não querem, né?!
– É Halloween, Teitei. – explicou Hakuren, tentando achar ar em seus pulmões de tanto que ria.
– Minha pica! Halloween é só daqui a duas semanas, seus bando de boceta lambida!
– Mas as festas já começam nessa semana, seu toco de amarrar pônei. – disse Mikage, agora empurrando Teito para o lado para poder sentar do lado dele.
– E como somos muito populares, já temos alguns convites. – disse Hakuren, entregando para Teito três envelopes pretos com caveiras e teias de aranha.
– De quem são esses?
– Nossos.
– Sério? – perguntou, transbordando sarcasmo, rodando os olhos. – Quem foi que nos deu esses?
– Lazette – respondeu Mikage, com um ar sonhador em volta de si. – Ela não é um amor? Ah, que menina doce...
– Ela passou aqui mais cedo e nos entregou. – cortou Hakuren, explicando o que havia acontecido. – Disse que é, na verdade, um convite pra festa de aniversário dela, mas vai emendar tudo.
– Ela faz isso há anos... – comentou Teito, revirando os olhos.
– Ei, ela não tem culpa de nascer um dia antes do Halloween! – disse Mikage. – Dê graças a deus que ela te convidou, babaca.
– Peida na banana, Mikage!
– Salva-vidas de aquário!
– Ralado!
– Você dá mortal debaixo da cama!
– Deixa ele, Mikage. – disse Hakuren, suspirando e rodando os olhos. Mikage estava pronto para reclamar, perguntando por que ele tinha que parar, como uma criança birrenta, mas Teito interrompeu seus pensamentos.
– E por que ela passou aqui? – perguntou Teito. – Quer dizer, normalmente ela deixa lá no Mika.
– Ela ligou pra mim antes, aí eu disse que nós três estávamos aqui – explicou. – E como ela estava aqui perto, resolveu vir e deixar.
– E por que vocês não me acordaram, poxa?
– Foi rápido, Tei, ela nem entrou. – disse Hakuren. – E precisávamos sair pra comprar as máscaras pra te assustar.
– Cês tão ligado que deveriam levar uma surra de pau mole na cara, né? – revirou os olhos novamente, empurrando Mikage para o chão e jogando o cobertor em cima de Hakuren. Levantou-se e seguiu para seu banheiro, já estava com agonia de conversar com os dois sem fazer sua higiene pessoal matinal.
Passou-se um mês e meio desde a briga que Mikage e Hakuren tiveram por causa de Teito. Ela foi tão rapidamente esquecida quanto à amizade dos três cresceu nesse meio tempo. Não se separavam, saindo quase todos os dias após a aula ou só um indo na casa do outro pra jogar conversa fora.
E também, há três semanas estavam fazendo aquilo: Sextas-feiras de filmes. Toda sexta de noite iam para a casa de Teito – pois era a maior e mais próxima de todo mundo – e viravam a noite vendo algum filme, geralmente de terror. Às vezes ficavam para o final de semana todo, às vezes iam embora no sábado mesmo. Mas era sempre divertido quando faziam aquilo.
Você me desculpe pelo pequeno salto, mas não tinha muito que contar sobre as últimas semanas. Sem brigas ou discussões, sem festas, sem surtos por parte de Teito. Tudo tão absolutamente normal que era um tédio até levantar da cama.
Não, Teito não estava mais se cortando, se é o que estão se perguntando. Tudo bem, ele não conseguiu largar o vício completamente porque de vez em quando se dava conta de alguns desejos que tinha e, quando não conseguia abandoná-los antes de precisar se aliviar, se cortava.
Era um problema sério, aquele. Podia parecer besteira para quem olhava de longe, um garoto problemático que se cortava. Era até clichê, não é? Mas não podia ser tratado com banalidade; aquele era um sintoma de depressão. Para quem conhece a depressão de perto, sabe que banal não é uma palavra que não pode nunca passar perto da situação.
Hakuren notara isso. No começo, não entendia muito bem por que Teito fazia aquilo por aquele motivo, achava “frescura”. Mas a convivência o fez notar que ele não conseguia parar, estava acostumado a se punir por sentimentos que não conseguia controlar, não fazia mais parte da sua zona de controle.
Notou que o amigo fazia aquilo em momentos extremos e que, como um vício normal, conseguia controlar se tentasse com garra. Conseguia ver que Teito ainda sentia desejos, mas que parara de se cortar por cada coisinha. Agora, podia notar, ele só o fazia quando a situação fugia um pouco de controle.
Hakuren era o mais indicado para dizer quando a situação fugia do controle. Sabia tudo que acontecia com o amigo, principalmente relacionado a esse assunto. E se notava alguma alteração, lá estava o braço de seu querido amigo mutilado no dia seguinte.
Sem dúvidas, uma vez que deve ser revelada foi quando, numa sexta-feira de filmes, Hakuren estava despreocupadamente tomando banho na suíte de Teito. Esquecera-se de pedir para o amigo uma toalha, então fora obrigado a pegar a dele. Tratou logo de colocar sua roupa íntima, então foi procurar algo decente na sua mochila para vestir.
Teito também se lembrou disso, então subiu para seu quarto com a toalha em mãos. Porém, assim que abriu a porta do quarto, deparou-se com um Hakuren seminu, abaixado procurando por algo em sua mochila. Foi instantâneo, assim que o viu naquele estado, os cabelos molhados e soltos, a cueca preta apertada, seu membro pulsou dolorosamente de excitação. A toalha caindo no chão foi o suficiente para fazer Hakuren se virar, notando sua presença.
– Ah, oi, Teitei, usei sua toalha, já que... – parou de falar quando o amigo se aproximou; uma distância curta, não mais que três passos, e pôde ver seu olhar desejoso sobre seu corpo, nas partes altas e as baixas.
Viu sua mão se estender e lhe tocar o peito, escorregando para seu abdome, sentindo seus músculos tensionados.
– Oi, Teito, que iss...
– Você é tão lindo, Haku. – sussurrou, cortando sem notar o amigo. Podia sentir seu cheiro mais acentuado por causa do banho, ah, como amava aquele cheiro. Cheiro de Hakuren.
Querendo lhe sentir mais completamente, elevou um braço até seu pescoço e o outro foi para sua cintura, abraçando-o quase sem tocá-lo, porém fazendo um carinho imperceptível. Inspirou profundamente aquele cheiro que tanto gostava; que tanto fazia o possível para ficar perto.
Hakuren estava corado até o último. Ficou tão perplexo com a atitude de Teito que não pôde mover um músculo. Aquelas mãozinhas pequenas lhe acariciando lhe davam arrepios involuntários, deixando-o sem ação. Mas despertou assim que o amigo chegou próximo o suficiente para que sua ereção roçasse... Bem, roçasse na sua, lhe causando uma onda de choque por todo o corpo.
– Teito, para com isso, cara. – disse, segurando-o pelos ombros e o afastando. Viu que a expressão do amigo era alarmada, como se tivesse acabado de acordar de algum sonho. Ou pesadelo.
– Des-desculpa! – pediu, se afastando ainda de frente pra ele, lhe olhando com lágrimas nos olhos.
– Tá tudo bem, não precisa ir emb... – ia dizendo, mas Teito saiu correndo dali, indo para sabe-se lá onde.
Bem, essa foi uma das únicas vezes que Teito julgou a si mesmo tão culpado ao ponto de se cortar. O que era bom, de certa forma, se for ver que antes muito menos o fazia se mutilar. Foi uma correria para tirá-lo do quarto de Fea, que ainda tinha as lâminas das giletes. Não acharam nada fácil para poder destrancar as duas portas – do quarto e a do banheiro. Mas quando conseguiram, ainda não era tarde demais, ele não havia perdido tanto sangue. Mas lá estavam os cortes, dessa vez, desconexos, cortes de quem queria se punir logo, pois sabia que não tinha muito tempo.
O sermão foi inevitável. Mikage e Hakuren brigaram tanto com Teito naquela noite que Fea se sentiu culpado em não intervir. Mas, se ele não tinha pulso firme o suficiente para educar seu filho, que pelo menos os amigos o fizessem.
Mas aquela foi a última vez naquele meio tempo. Teito pareceu contido depois dali, era como se se policiasse a cada minuto para não dizer nada suspeito para Hakuren. Sim, sim, só para Hakuren ele se reprimia. Notou que não estava tendo surtos com outros caras porque o único que desejava estava sempre ao seu lado. Foi uma descoberta e tanto, mas não contou para ninguém.
Mas é claro que não era como se precisasse contar para Mikage notar. O amigo não falara nada também, o que aliviou Teito – pois é claro que sabia que Mikage também sabia. Já Hakuren... Muito ingênuo para perceber que aquilo tudo não era só porque ele era um cara qualquer, e sim porque ele era quem Teito queria. E Mikage achou que deveria ajudar.
– Ei, Haku... – chamou, enquanto olhavam uma arara de roupas. – O que acha do comportamento do Teito de uns dias pra cá?
Os dois tinham saído sozinhos naquela mesma tarde em que acordaram Teito com as máscaras. Como a festa seria no próximo final de semana e ainda não tinham fantasia, resolveram sair para comprar a deles, porém Teito disse que queria escolher a sua sozinho e faria uma surpresa no dia. Os dois não contestaram, afinal, não se pode ajudar uma bicha a escolher a fantasia, não é? Mas é claro que não comentaram nada disso e só concordaram em falar antes quais eram as suas fantasias para Teito para ele não escolher igual.
E lá estavam os dois, numa galeria Kaufhof, onde a sessão de Halloween já fora montada com muitas fantasias e decoração assustadora. Estavam tendo um pouco de dificuldade para escolher as deles, pois eram todas muito pequenas – eram feitas para crianças, obviamente – mas garimpando de algumas lojas diferentes estavam conseguindo montar algo legal.
– Como assim? – perguntou-o, mais interessado em ver se a capa que escolhera chegava pelo menos até seus joelhos.
– Sabe, dia desses ele te abraçou enquanto você trocava de roupa, no outro ficou dizendo que você era gato e... – disse. – Bem, não é querendo jogar a culpa nele, mas isso não é coisa que, por exemplo, eu faça.
– O quer dizer com isso, Mikage? – perguntou-o, dessa vez com a atenção toda no amigo.
– Você jura que não notou, Haku?
– Não notei o que?
– Que ele gosta de você.
Por alguns segundos, Hakuren apenas ficou encarando Mikage, processando o que ele havia dito. Foi como se as peças de um quebra-cabeça se ligassem a cada segundo em sua cabeça. Cada comportamento estranho, cada fala, cada olhar de Teito pareceu se juntar e formar aquela frase que Mikage acabara de lhe dizer.
– Impossível – disse, mesmo que soubesse que ele estava mais do que certo.
– Olha... Eu sei que deve ser estranho pra você, cara. – disse. – Mas tente pensar como o Teito. Ele é sincero, mais do que é considerável saudável. Ele é extremo e, se está sentindo alguma coisa, ele fala. Sempre foi assim. Se ele detesta alguém, a pessoa é a primeira a saber. Mas se ele gosta, também.
– Por isso que... Ele vem me dizendo todas essas coisas.
– Exatamente. Ele te acha bonito e cheiroso, como ele já disse milhares de vezes. E ele diz porque não consegue ser falso. É uma qualidade, mas às vezes pode atrapalhar.
– Não, não atrapalha. – disse, saindo do transe de descobrir que seu melhor amigo gostava dele. – Quer dizer, o que eu mais prezo é sinceridade e isso ele tem de sobra. Mesmo que seja pra descobrir que ele go-gosta de mim. Honestidade acima de tudo.
– Feitos um para o outro. – comentou Mikage para si mesmo, mas com sorte Hakuren não ouviu. – Olha, cara, ele detesta gostar de homem, então primeiramente vai tentar negar com todas as forças, que é o que ele vem fazendo. Mas se ficar muito forte, vai chegar a hora que ele vai te dizer diretamente. E aí, você vai precisar ser sangue frio e não deixá-lo se sentir culpado por isso.
– Puts... – foi a única coisa que disse por um tempo, tentando imaginar a situação e o que faria. – Poxa vida, que amiguinho complicado eu fui arranjar, hein?
Mikage sorriu por ver que o amigo não estava bravo, somente constrangido. Mas o deixou pensar depois disso, sabia que não era fácil ouvir aquele tipo de coisa, principalmente para ele.
Ficaram ainda por algumas horas tentando pegar peças que serviam neles para montar uma fantasia, mas perderam bastante tempo quando descobriram que era mais engraçado assustar as criancinhas sozinhas do que, de fato, escolherem algo que preste.
Mas então, o celular de Mikage tocou, acabando com a diversão dos dois. Era Teito, perguntando se eles não queriam comer nada, depois de dar um pequeno chilique por Mikage ter atendido com um singelo “fala, bicha”. Concordaram de se encontrar em meia hora num restaurante japonês num bairro que os três adoravam, onde só tinha lojas, lugares e pessoas “underground”.
– Hey. – disse Teito, que esperava na saída da estação de metrô que os dois pegaram. Cumprimentaram-se rapidamente e estranharam ao ver Teito sem nenhuma sacola, mas perguntariam depois. – O que acham da gente comprar o presente da Lazette antes de comer? Aí já fica tudo pronto.
– Por mim.
– Ah, eu vou comprar o meu presente pra ela sozinho, falou?
– Aff, detesto esse povo apaixonado.
– Né – concordou Hakuren, revirando os olhos.
– Não estou apaixonado! Só... A considero uma boa amiga.
– Aham. – disseram os dois, arrastando Mikage para dentro da estação novamente. Uma sorte era que os três tinham tickets semanais porque gastariam uns 30 diários toda semana para o tanto que saíam. Foram para um bairro onde as lojas e grifes mais famosas estavam aglomeradas, concordando que Lazette gostaria de algo assim, já que estava sempre bem vestida.
– Vocês podem dar um sapato, toda mulher gosta de sapatos. – disse Mikage, olhando uma vitrine de uma grife famosa, mas empurrando os dois para longe assim que viu os preços. No fim, acharam uma loja com modelos menos tradicionais, preço acessível e com garotas bonitas dentro. Claro que o último item conta apenas Mikage e Hakuren, mas o que importa é que conseguiram achar alguns modelos que os agradassem.
– Esse é bonito. – disse Hakuren, apontando para um dos que Teito estava em dúvida.
– É, mas não sei se essa cor fica bem nela.
– Então aquele. – apontou Mikage para um que estava no chão. Teito fizera questão de escolher diversos pares e colocar todos à sua disposição bem visivelmente.
– Também pensei de início, mas ela tem coxas muito finas, vai ficar algo horrendo.
– Esse?
– Muito alto. Muito puta.
– Esse?
– Ela também não é freira, né, gente.
– Que saco, esse?
– Mikage, pelo amor né.
– Teito, na boa, para de ser viado. – disse Hakuren, sem pensar muito no que aquela frase implicava. Os dois o olharam e Teito corou até os fios de cabelo.
– Eu não...! – não era? Sem essa. – Como você...? – se atreve? Ele era seu amigo, ele podia – Por que você...? – estava dizendo aquilo? Só sendo muito viado pra ficar nessa dúvida, amigo. – Isso é tudo culpa...! – dele? E era mesmo. – Por culpa sua, eu...! – estava mais gay do que nunca? Quero ver você falar.
Teito estava numa situação cômica entre não saber se xingava o amigo ou dizia que estava apaixonado, logo, mais feminino. É claro que isso não tinha absolutamente nada a ver, mas Teito achava que uma coisa tinha relação com a outra.
– Você devia voltar a ser honesto com seus sentimentos, Teito. – comentou Mikage, rindo da situação toda. – Desde quando você hesita pra falar?
– Vão se foder, vocês dois! – gritou e metade da loja olhou para os três, o que não o constrangeu em nada. Por fim, deu uma olhada rápida em todos os sapatos que estava na sua frente e pegou o que achou mais aceitável, querendo matar Hakuren por não deixá-lo escolher com paciência.
– Só por isso, você vai pagar a maior parcela, seu pedaço de merda. – disse para o amigo, assim que chegaram no caixa. Hakuren apenas riu, vendo que o máximo que pagaria seria um euro a mais.
Saíram da loja e resolveram comer por algum japa ali mesmo, com preguiça demais para voltarem para o restaurante que iriam. Teito não olhou para a cara de Hakuren desde aquilo, até entrarem no restaurante e Mikage falar que tinha visto um conhecido. Não era mentira, afinal, por todo canto havia conhecido de Mikage, mas achou que veio bem a calhar, lançando um olhar significativo para Hakuren.
– Teito... – chamou, mas não houve respostas por parte do amigo. – Olha pra mim. – pediu, suspirando ao notar que teria que falar com ele olhando para qualquer lugar menos seus olhos. – Desculpa por ter te chamado de viado na loja, não vai mais acontecer.
Tiro e queda. Teito virou para si e lhe mostrou a língua, dizendo que estava tudo bem. Teito não era sentimental ao ponto de ficar brigado por eras, só bastava que lhe pedissem desculpas verdadeiramente que tudo ficava bem.
– Agora... Pode me explicar uma coisa? – perguntou e ele assentiu. – Por que o Mika disse que você devia voltar a ser sincero com seus sentimentos?
Teito congelou. A única coisa que lhe veio à mente foi “ele sabe”. Teito não era tonto como Hakuren. Aquela simples frase lhe dizia que Hakuren sabia e que estava procurando uma confirmação. Não viu escapatória naquela hora, sabendo que teria que contar a verdade, pois se falasse qualquer outra coisa sabendo que não era aquilo que ele queria saber, estaria, de certa forma, contando uma mentira. E se tinha algo que Teito Klein não sabia fazer, era contar mentiras.
– Tudo bem, eu te conto. – disse, respondendo a pergunta que ficara apenas subtendida no contexto geral. – Eu... – inspirou fundo, mas o que lhe deu forças para continuar foi o olhar já compreensivo de Hakuren. – Eu to apaixonado por você, Haku.
– Ah... – foi a única coisa que conseguiu dizer. Mesmo que já soubesse, mesmo que já tivesse tentado pensar no que falar quando essa hora chegasse, na prática era bem mais difícil.
– Mas relaxa, tá? – disse, voltando ao seu timbre monólogo de quando fazia algo constrangedor para Hakuren e precisava se consertar. – É só o início desse sentimento, quer dizer, talvez nem seja uma paixão, paixão. Quer dizer, eu nem gosto disso! Detesto o que to sentindo, só pra deixar claro. Então, assim, pode ficar tranquilo, não to pedindo que corresponda ou que diga algo bonito, só sinto que precisava te falar. Sei que você é hétero e tudo o mais, deve estar detestando essasituação, desculpa mesmo, cara, eu...
– Teito. – foi obrigado a interrompê-lo, assim como sempre tinha que fazer quando ele começava a falar e não parava mais.
– ...não sei o que aconteceu, acho que é porque não resisto aos seus traços finos e... Ah, não pense que isso é zoação, seus traços são encantadores! Ai... Não sei o que acontece, você é lindo, cara, então fica foda e mais foda ainda é que você não curte homem, quer dizer, ainda bem, senão teria uma chance de ficarmos juntos. Quer dizer, não que eu não queira que fiquemos juntos... Quer dizer, é claro que eu não quero! Isso é nojento! O que eu quero dizer...
– Teito, fica quieto, na boa. – parou de falar e Hakuren quase riu da expressão assustada do amigo. Não queria ouvir os relatos de um homofóbico apaixonado por um homem – mesmo que esse homem fosse ele –, mas ainda era engraçado. – Tá tudo bem, cara.
Teito corou ante ao sorriso inesperado de Hakuren. Imaginava tudo, menos que ele entendesse seu lado.
– Então, eu... Posso?
– Pode. – disse Hakuren, corado por ter dado permissão para um cara gostar dele.
– Hey, posso saber por que os dois homens da minha vida estão vermelhos feito um tomate? – perguntou Mikage, sentando-se novamente na mesa, fazendo um sinal para um garçom ir atendê-los logo após.
– Acabei de contar pro Haku que gosto dele.
– Imaginei que fosse isso. – comentou, olhando o cardápio. Teito fez o mesmo. – Tá numa boa, cara?
– To numa boa. – respondeu Hakuren, quase não saindo a resposta, de tão envergonhado que estava.
– Teito?
– Ah, é foda, né, mas não dá pra esconder essas paradas. – respondeu, fazendo Hakuren olhar para os dois e querer gritar que era dele que estavam falando.
– Vai comer?
– O que?! – exclamou Hakuren, não acreditando que Mikage realmente fizera aquela pergunta embaraçosa. Como ele tinha a cara de pau de perguntar algo assim, tão naturalmente?!
– Comida, retardado! – explicou Mikage, rindo da cara indignada de Hakuren. – Não pegou o cardápio até agora.
– Ah... – disse, ficando ainda mais corado do que antes, pois a cena de ele, de fato, comendo Teito pulou em sua mente, o constrangendo mais do que ele achou possível.
O garçom chegou e os dois fizeram seu pedido, enquanto Hakuren pensava no que comer, expulsando qualquer cena constrangedora de sua mente. Logo, seu jantar/almoço chegou e qualquer clima estranho foi esquecido de vez. Entre eles era assim, a amizade sempre era maior do que qualquer climão, nunca eles duravam por muito tempo.
Ficaram jogando conversa fora, como sempre faziam, até que o assunto da festa surgiu.
– Mas e aí, Teitei, qual vai ser a sua fantasia?
– Hi-mi-tsu. – respondeu a Hakuren, só porque haviam visto um anime em que um dos personagens dizia “segredo” daquela forma, o que fez os três rirem por dias quando Teito entendeu, bem, outra coisa, tornando aquilo uma espécie de piada interna.
– Babaca. – disse Mikage, relembrando-se do episódio e rindo com os dois. – Mas, sério, qual é?
– É segredo, não ouviu? Só vão ver no dia. E ainda não está pronto, de qualquer forma.
– Aff.
– Tem a ver com o que? – perguntou Hakuren.
– Ah, é meio clichê. – revelou. – Todo mundo conhece, mas por algum motivo, ninguém usa.
– Hm... Estou ansioso agora, droga.
– E a de vocês, qual é?
– A nossa é um compilado de todos os personagens desse mundo – disse Mikage, rindo com Hakuren. – Nenhuma serviu na gente, já que somos homens formados e grandes, não é, Haku?
– Pois é, é muito mais fácil quando se tem meio metro de altura.
– Quem é que você está chamando de tão pequeno que pode ser confundido com um gnomo de jardim?! – gritou Teito, chamando atenção de algumas pessoas, fazendo os dois rirem as tripas.
– Eu não disse isso. – elevou as mãos ao ar, como se dissesse que não tinha culpa.
– Vão comer cocô.
– Mimimi. – disse Mikage, imitando o timbre infantil de Teito. Era engraçado, pois Teito era quase um homem e ainda não tinha a voz que deveria ter, ela nunca engrossara mais do que aquilo. Talvez ele nunca termine de passar pela puberdade, afinal, e continue com a cara de um garoto de 13 anos, assim como o pequeno Shuri Oak, como pensou Hakuren no mesmo instante em que resolveu comparar Teito com alguém.
– Mas enfim. – recomeçou. – Não temos muita coisa pra dar referência. Eu peguei uma capa meio Drácula, o Haku pegou uns pelos estranhos que...
– Não são pelos, Mikage, são pés de hobbit. – disse Hakuren, segurando um sushi pelo hashi e dando para Teito em sua boca.
– Eles vendem isso?! – exclamou Teito, enquanto se inclinava para receber o sushi. Mikage observou aquela cena com um sorriso de canto de boca. Sabia que os dois nem notaram o que fizeram, negando levemente enquanto voltava sua atenção à sua sopinha.
– Não, quer dizer, com criatividade dá pra ver. Mas eu vou tentar ir de hobbit, então precisaria dos pelos pros pés, né.
– Mas você é alto. – choramingou, querendo ele ter tido essa ideia. Mikage e Hakuren se entreolharam, querendo rir do amigo, mas se segurando.
– Sou mais baixo que o Mika, se serve de consolo.
– Mas... Mas... Eu sou mais baixo!
Assim, iniciaram uma batalha pra tentar mostrar pra Teito que é legal ser baixo só pra ele não ficar magoado por não ter escolhido a fantasia de hobbit, principalmente depois que ele disse que já tinha comprado a sua.
–x-
– Poxa vida, Lala. – começou Mikage. – Você podia ter nos dado o convite, tipo, um dia antes da festa.
– Por quê?
– Estamos ansiosos! – disse ele e os dois amigos concordaram.
Era quarta-feira, os quatro estavam conversando no intervalo. Teito e Hakuren sentados no murinho, Mikage e Lazette à frente dos dois. Ela passou a falar mais com os três nas últimas semanas, sempre que tinha a chance, ia conversar com eles. Eles a adoravam, não só Mikage. Ela era uma boa pessoa, afinal.
– Isso me anima, sabe. – disse ela, com sua voz fina de garota, os cabelos rosa claro caindo pelos ombros; a doçura que nenhum deles nunca conseguiria ter. – Afinal, é o meu aniversário.
– Vinte e quantos já, Lazettão? – perguntou Teito, fazendo Hakuren rir e Lazette lhe mostrar a língua. Mikage o deu um tapa na cabeça mais forte que o habitual.
– Dezoito, pirralho. – disse, pois todos sabiam que Teito era sempre o último a fazer aniversário. Dia 20 de dezembro era, definitivamente, uma data que ele odiava.
– Mikage já revelou o que lhe compramos, Lala? – perguntou Hakuren, só para irritar Mikage, que não queria falar que compraria um presente sozinho para ela.
– Compraram algo? Mas que amável, não precisavam!
– Ah, o Mika insistiu! – disse Teito. – Ficou horas escolhendo, sabe.
– Lembro vagamente de ter até havido uma pequena discussão porque ele não queria deixar a loja. – emendou Hakuren, distorcendo um pouco os fatos.
– Obrigada, Mika. – disse Lazette, segurando seu rosto e lhe beijando a ponta do nariz. Teito ficou rindo da cara que Mikage fez, então Hakuren chacoalhou levemente seu joelho, apontando com a cabeça para a cara que Lazette fizera, também completamente corada.
Teito olhou para ela e riu, assim como Hakuren.
– Vocês me dão licença um segundo? – perguntou Lazette, assim que viu dois amigos seus que queria falar há um tempo já. Eles estavam pregando um aviso no mural e era exatamente sobre aquilo que ela queria falar.
– O que será que ela foi fazer? – perguntou Mikage, acompanhando-a com o olhar.
– Parece que ela está comentando sobre aquele cartaz. – disse Hakuren, estreitando os olhos para ler o que estava escrito – Grêmio? Ela é do Grêmio Estudantil?
– Bem, ela foi nos últimos dois anos.
– Ins... Insta... Instagram, cara? Que droga tá escrito embaixo?
– Inscrições, babaca. – disse Teito, sabendo que o amigo não enxergava quase nada de longe sem seus óculos. – Bota o óculos, Haku, bota, bota. – pegou os óculos de armação fina no pescoço do amigo e tentou colocá-los à força.
– Sai de mim, Teito – disse, tentando impedir o amigo. – Não gosto de ficar de óculos.
– Por quê? Gosta de não enxergar, tontão?
– Não, né. Fica estranho, sei lá.
– Mas você fica tão mais charmoso com eles. – disse, provavelmente sem notar, enquanto tentava colocá-los de novo. Hakuren e Mikage trocaram olhares, mas nenhum dos dois comentou nada – Pronto.
– To gato?
– Tá.
– Eu sei.
Os três riram, sem comentários adicionais sobre o assunto.
–x-
Bem, a semana passara como qualquer outra. Exceto, é claro, por todos estarem comentando sobre a tão esperada festa da Lazette, o que a fazia pular de alegria quase que literalmente. Toda a escola fora convidada, pois não era só uma festa de aniversário, era Halloween, e todos adoravam Halloween.
E então, a sexta-feira chegou, os meninos resolveram dormir na casa de Mikage ao invés de na de Teito, pois era mais próxima do local da festa, já que iriam direto. Levaram suas coisas, fantasias e presentes. Viraram a noite como qualquer outra sexta, já que a festa só começaria no sábado a noite.
– Cês tão ligados que a gente vai ter que dormir até beeeem tarde amanhã pra poder ter pique pra festa, né?
– Eu peço pra minha mãe não nos acordar – respondeu Mikage à Teito. – Falando em dormir, quero ver onde a gente vai dormir.
– Na sala, ué.
– É que só tem dois colchões.
– Alguém dorme no sofá. – disse Hakuren, dando de ombros. Os três resolveram arrumar tudo na sala antes de escolherem os filmes, levando colchões, travesseiros e cobertores para lá.
– Eu durmo no sofá, então. – propôs Mikage, já que era o anfitrião e anfitriões sempre faziam os sacrifícios para seus convidados.
– Não, eu durmo. – disse Teito, empurrando o amigo para o chão. – Eu agarro quando durmo.
Hakuren corou, pois entendeu que era por isso que ele não queria dormir no colchão com ele. Mas logo o assunto mudou, antes que eles percebessem que ele ficara envergonhado.
– Ah, eu sei, mas né...
– Se sua fantasia for legal, Tei.
– Ela é.
– Não vai falar o que é mesmo? – perguntou Hakuren.
– Cara, ela é clichê e simples, não sei como vocês não adivinharam.
– Seu silêncio fode tudo, Teito. – disse Mikage, colocando o filme.
– Cara, mas eu to tão ansioso pra essa festa que nem me importo mais com a fantasia. – disse Teito. – Todo mundo só fala disso, credo.
– Vai rolar tudo lá, já to até vendo. – disse Hakuren, chutando a bunda de Mikage que ficara virada para si enquanto ele colocava o filme.
– Tomar no cu, Hakuren.
– Na boa, essa festa promete. – disse Teito, alheio aos dois.
Ah, se promete.
Notas finais
Capítulos de transições, eles são sempre um pouco monótonos, queiram me desculpar.
Incrivelmente, não farei notas gigantescas hoje (é o sono -Q), mas queria agradecer todo mundo que tá lendo e comentando, vocês são demais mesmo! ♥
Ah! Sobre o título do capítulo, significa "eu adoro você", mas isso é porque eu não sei como se diz "estou ~apaixonado~ por você" em alemão, seria bem mais legal ;3; Mas enfim x3
Até semana que vem! ~
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