Homophobie

7 Kapitel Sieben - Ich möchte dich nur Lächeln.


Notas iniciais
Aqui está, betado e bonitinho o chapie 7, espero que gostem ♥

Acordaram num pique que não tinham desde que as aulas começaram. Rindo e fazendo piadas, comendo o dobro do que seria normal num café da manhã, comentando sobre o tempo, que estava incrivelmente ótimo para festas; estava tudo pronto para dar certo.

Teito, como queria fazer suspense com sua fantasia, resolveu que esperaria os dois vestirem as deles, irem para a festa e depois iria. Então, é claro que ele fez milhões de comentários enquanto os dois se fantasiavam, dando palpite ou só falando merda como sempre.

– Ele tem que arranjar um macho, Mikage, por Deus! – disse Hakuren ao amigo enquanto eles colocavam a fantasia e Teito havia ido buscar água.

– Sabe que eu concordo plenamente? – perguntou, tentando transparecer sarcasmo suficiente para Hakuren entender o que ele queria dizer. Mas sua lerdeza não permitia.

– Vocês deviam se apressar, Lazette não vai esperar virgem pra sempre. – disse Teito, surgindo na porta do quarto de Mikage. – E você, Hakuren, queime no fogo de Mordor eternamente, seu hobbit de 1,75m.

Os dois terminaram de se arrumar e saíram logo de casa, mais querendo ficar longe de Teito, que estava incrivelmente mais insuportável. Mikage disse que ele sempre ficava daquele jeito quando estava ansioso para alguma coisa, mas mesmo assim Hakuren estava para pular em seu pescoço.

Teito ficou na casa de Mikage, depois de jurar que não colocaria fogo em nada, e os dois foram para a festa. Combinaram de encontrar Teito perto da entrada quando ele chegasse, mandando um SMS ou ligando.

Quando saíram na rua, sentiram-se um pouco idiotas por estarem com aquelas roupas. Mikage estava com o cabelo todo para trás, uma maquiagem que deixava seu rosto parecendo uma caveira, presas de vampiro e uma capa vermelha e preta por cima de uma regata e calça preta.

Já Hakuren realmente fora de hobbit. Ele sugeriu para Teito que trocassem as fantasias, que devolvesse a sua e comprasse outra, mas Teito, no final, o obrigou a ir daquele simpático personagem do Condado. Estava com uma roupa gasta, imitando camponês, uma capa marrom com uma touca grande, orelhas de elfo e os pelos dos pés resolveu colocar nas mãos, já que não iria descalço. Ficou meio contraditório, mas até que convenceu.

Já que estavam sozinhos no metrô – entre termos, uma vez que em todos os vagões tinham gente fantasiada, ou seja, a maioria conhecido –, Mikage resolveu puxar o assunto que tanto queria conversar com Hakuren.

– Mas e aí, Haku, como você se sente sabendo?

– Sabendo do que? – Mikage lhe olhou com uma expressão que claramente dizia “quer mesmo que eu fale isso aqui no meio de todo mundo?” e Hakuren entendeu. – Ah... Ah, sei lá, cara, é estranho ainda.

– Mas ele não se cortou.

– Ainda bem que não, me sentiria péssimo se ele fizesse isso. – comentou verdadeiramente. Os dois sabiam disso porque analisavam os braços e pernas de Teito todos os dias, à procura de novos cortes.

– Isso significa que ele está aceitando.

– E eu ajudei nisso, então? – perguntou, sorrindo para o amigo. – Isso é ótimo, não é, Mika?

– Você não tem noção de como estou feliz, Haku. – disse – E devo te agradecer também. Você vem cuidando muito bem dele.

– O que quer dizer? Só estou fazendo o que sempre faço, ora essa.

– Não, eu digo... Você não está mais deixando ele se sentir mal com o
que sente.

– Eu não seria seu amigo se fizesse isso, não é? – perguntou e ficou no ar o motivo dele falar aquilo naquela hora, pois os dois sabiam que Hakuren havia mudado sua atitude depois que Mikage brigara com ele.

– Fora que você está pior do que uma mãe, né.

– O que? Por quê?

– Superprotetor. – esclareceu, rindo da expressão confusa dele.

Hakuren nunca notaria, mas desde o dia em que pediu os cuidados de Teito para Mikage, se tornara pior do que um irmão mais velho “em cimão”. Para começar, ele não saía mais da casa de Teito, ele até contou para Mikage que seus pais estavam meio bravos por ele dormir lá tantas vezes na semana. Não deixava Teito ficar sem estudar, sem comer direito, sem dormir ou, é claro, se cortar. Ou às vezes fazia coisas inconscientemente, como deixá-lo no lado da calçada quando estavam andando na rua ou defender ele automaticamente assim que alguém elevava o tom.

Todas essas coisas não passavam despercebidas por Mikage, que estava curioso para ver onde tudo aquilo ia dar. Sabia que Hakuren gostava muito de Teito, muito mesmo. O que não sabia, era se era um gostar de amizade, assim como ele gostava dos dois, ou um gostar apaixonado.

Torcia para que fosse a segunda opção.

Teito era outro que também não parecia perceber ou ligar para isso. Talvez por ele gostar, de fato, de Hakuren o fizesse ficar cego quanto a esse comportamento, só vendo a atenção que recebia do loiro. Mikage via que Teito gostava quando Hakuren cuidava dele, que se importava com ele. Isso só o deixava mais apaixonado, era o que Mikage achava.

– Não sou superprotetor! Eu às vezes acho que deveria cuidar mais do Teito, deixo ele muito à toa, tadinho. – disse, com uma expressão de arrependimento que deixou Mikage incrédulo. Como assim não cuidava dele?!

– Cê tá de zoação.

– Ué, não, por quê?

– Nada, Hakuren, bora descer. – sacudiu a cabeça negativamente, empurrando Hakuren para a estação que desceriam.

A partir dali, tentaram se concentrar em achar o lugar onde seria a festa. Lazette detestava dar festas sempre no mesmo lugar, então todo ano achava algum novo. Mas os dois acabaram seguindo um grupo de fantasiados que pareciam saber aonde iam e logo chegaram.

– Será que o Teito vai achar fácil o lugar?

– Ele se vira, relaxa, loira.

– Vou mandar um SMS. – disse, já digitando no celular como chegar ali mais facilmente, avisando também que já tinham chegado. Mikage revirou os olhos e deixou Hakuren terminar, pois não queria entrar sozinho.

Deram sorte que não havia fila, pois chegaram algumas horas depois de já ter começado. Apenas lhe pediram os convites e lá estavam eles, naquele bar enorme com decoração grotesca.

Mas, wow, que lugar. Surpreenderam-se com cada detalhezinho, até sentindo dó dos que trabalharam com Lazette para deixar o lugar daquele jeito.

Era um barzinho até conhecido, mas estava irreconhecível. Na entrada, era, de fato, um bar, com mesas, barmen, alguns sofás nos cantos que foram personalizados com tinta néon, que piscavam junto com as luzes da balada, formando palavras assustadoras de Halloween. Os doces servidos eram recriações criativas de figuras assustadoras como caveiras, fantasmas, o Jack, olhos, tudo muito divertido.

Mais para trás havia a pista de dança, que tocava essencialmente eletrônico e pop, com luzes descontroladas que agitavam ainda mais o lugar. Pelo teto pendiam fantasmas que pareciam se mexer, teias de aranha, abóboras transmitindo luzes fantasmagóricas. Estava o máximo!

Na outra pista, mais ainda para o fundo, os dois sabiam que tocava títulos mais alternativos, como rockabilly ou ska-punk, mas deixariam para se aventurar para aqueles lados mais tarde, quando Teito chegasse – claro que Hakuren que sugerira isso. A única coisa que sabiam, era que estava tudo mais assustador ali, com fumaça preta deixando tudo mais escuro e luzes de néon fazendo desenhos fantasmagóricos enquanto todos dançavam.

Os dois sentaram-se no bar mesmo e pediram dois drinks, só para começar a noite bem. Porém, mal terminaram suas taças e Hakuren recebeu uma mensagem de Teito, falando que ele já havia chegado. Quando pensou em levantar para recepcioná-lo, avistou uma figura baixa, meio tímida, andando parecendo que procurava alguém.

– Puta merda, Teito. – disse Mikage, batendo a mão na testa assim que viu sua fantasia.

– Então é ele mesmo? Estava relutando pra acreditar. – disse Hakuren, negando com a cabeça e indo ao encontro do amigo. Ao se aproximar, viu seu rostinho por debaixo da máscara e quase riu da cara dele.

Tão ingênuo...

– Oi, Teitei.

– Ah, nossa, nem te vi. – disse, se assustando com o amigo ao seu lado – E aí, gostou?

– Então... – analisou a fantasia do amigo mais uma vez, não acreditando nele. – É bem legal.

– Eu disse que era clichê.

– É, Teito... – disse Mikage, assim que eles chegaram no bar – Você realmente não tem noção, amigo.

– Ahn? Por quê?

– Cê tá de Lanterna Verde, cara?

– Qual é o problema?

– E aí, Haku, a gente conta pra ele? – perguntou Mikage, enfurecendo Teito pelo mistério, gritando que queria saber o tinha de mais na sua fantasia.

– Me deixa te pagar um drink, Teitei. – disse Hakuren, segurando-o pelos ombros e o deixando na frente do bar, fazendo um sinal para o barman. – Um Martini, por favor.

– Tá de zoeira, né?

– Quem disse que você tem idade pra beber algo forte, garoto? – perguntou Hakuren, terminando de enfurecer Teito. Os dois enrolaram até sua bebida chegar – digamos que ela não durou muito – então resolveram contar logo, antes que o amigo descobrisse por outra pessoa.

– Teito, você ouviu os comentários do pessoal da escola na semana passada? – começou Mikage, sabendo que estava pisando em vidro.

– Sobre o que? – perguntou inocentemente. Hakuren apoiou os braços em seus ombros, apoiando também a cabeça nos próprios braços. Teito perdeu um pouco a noção quando sentiu o cheiro que tanto gostava lhe embriagar os sentidos, mas forçou-se a prestar atenção em Mikage.

– É que, bem... – disse, querendo coçar a cabeça, mas tinha gel demais para isso. – Rolaram uns boatos de que o Lanterna Verde é gay.

– O que?!

– E não eram tão boatos assim. – continuou. – Nos Novos 52 ele realmente é gay.

– Calma, Teitei. – disse Hakuren quando o amigo saiu debaixo de seus braços e encarou os dois indignado. – Talvez já tenham até esquecido disso, faz um tempo já.

– Você está vendo alguém com fantasia de Lanterna Verde além de mim, porra?! – gritou, chamando atenção dos que passavam, pois fora ainda mais alto do que a música. – Que saco, eu vou sair daqui.

– Tei, esper...! – ia dizendo Hakuren, achando que ele ia pra casa, mas o que o amigo fez foi se embrenhar na multidão, indo dançar. Mikage e Hakuren se entreolharam, sentindo-se culpados. – Ele tá pê da vida, né?

– Sem dúvidas. – suspirou, pedindo outro drink para os dois. – Quer dançar?

– Agora não, deixa subir mais.

– Ai, porque a timidez dele não o deixa dançar se não estiver bêbado. – disse Mikage, revirando os olhos. Hakuren lhe empurrou, mas não negou. Era a mais pura verdade. Gostava de dançar, realmente gostava, mas não em seu juízo perfeito.

Do outro lado da pista, encontrava-se Teito Klein. Havia perfurado aquela multidão com a fúria de uma manada de elefantes, não acreditando no que os dois tinham falado. Sabia que tinha outro bar depois da segunda pista e foi pra lá que seguiu. Chegando lá, não se importou com o que era, só pediu a bebida mais forte. O barman sorriu sacana para si e logo um copinho singelo fora posto a sua frente. Por sua experiência, sabia que não podia julgar
pelo tamanho, então imaginou que fosse tequila. Mas quase sentiu sua garganta sendo arrancada quando virou tudo de uma vez, constando que era cravo demais para ser a bebida espanhola. Tinha gosto de absinto e imaginou se não seria o próprio misturado com alguma outra bebida. O que sabia era que, quando voltou para a pista de dança, o shot já
tinha agido. Não sentiu vergonha em começar a dançar sozinho, só queria esquecer que estava com uma fantasia de Lanterna Verde ridícula, que gritava para quem quisesse ouvir que ele era gay.

O pior de tudo isso era que não tinha ninguém para culpar além de si mesmo, já que fora ele quem resolvera fazer mistério quanto ao que usaria. Mas mesmo assim, estava com raiva dos amigos por terem lhe contado, por terem jogado novamente na sua cara que era gay, mesmo que por puro ocasional do destino.Dançou por sabe-se lá quanto tempo sozinho, mas o tempo que ficou só foi o tempo de seus dois queridos amigos terem bebido o suficiente para quererem dançar também. Os dois concordaram em ir para a pista que Teito fora, mas não procurariam por ele; isso talvez o envergonhasse ainda mais.

– Não vai procurar a Lazette? – perguntou – ou gritou – Hakuren, olhando em volta para ver se achava Teito.

– Se eu achar ela nisso aqui, vou saber que o destino nos quer juntos!

– O que?!

– Se eu achar a Lazette! Aqui! Vou saber que o destino! Quer a gente junto! – gritou cada frase no ouvido do amigo, que só riu, sabendo que seria um parto responder. Ambos sabiam que aquilo era obra de Lazette, já que ninguém colocaria aquele tipo de música para tocar numa balada, porém, lá estava: ska-punk.

– Então, você é meu hoje!

– Me possua, lindo!

Os dois gargalharam já bem altos pela bebida, dançando freneticamente ao ritmo punk. Mikage enlaçou o pescoço de Hakuren, rebolando a sua frente, enquanto ainda gargalhava. Hakuren lhe abraçou a cintura, juntando ainda mais os dois, rebolando ao seu ritmo também. Dançaram daquele jeito, se divertindo, rindo e cantando as letras que
ecoavam, pois conheciam as músicas. Mikage virou-se, grudando em seu peitoral e, jogando um olhar de pura gozação para Hakuren; literalmente foi até o chão.

– Uhhl, desce, gata! – gritou, segurando em sua cintura e gargalhando das idiotices de seu amigo.

– Agora chega! Bora caçar um alvo! – gritou no ouvido do amigo, que entendeu na hora e concordou entusiasticamente. Ainda dançando, olharam em volta procurando por garotas bonitas. – Ali, tem duas ali!

– Lésbicas!

– Deviam estar achando a gente gay até agora!

– Verdade! Então vambora! – gritou também, sem paciência para frases mais elaboradas.

Foram até as duas meninas, porém, antes de chegar, viram uma coisa mais assustadora do que toda a decoração da festa. Teito estava dançando sem ligar muito para o mundo. Já havia pedido outro drink para o barman, um mais fraco dessa vez, e estava se soltando cada vez mais na pista de dança. Era o dono dela. Ou era o que achava.
Olhava em volta, vendo pessoas com fantasias assustadoras, outras bem legais, mas algumas lhe tiravam do sério. Como a de um menino de cabelos loiros e grandes, maiores até que os de Hakuren, porém soltos. Estava fantasiado de elfo, segundo o arco e a flecha e suas roupas.
Detestou aquele menino assim que o viu, não se limitando a lhe jogar olhares de ódio a cada poucos minutos. Bem, não era como se o garoto não tivesse notado todo aquele ódio
contido do garoto da fantasia do Lanterna Verde. E foi isso o que o levou a ir até Teito, vendo a fúria do baixinho aumentar a cada passo que ele dava. Chegou próximo dele e Teito não se pronunciou, então chegou mais próximo, realmente vendo que ele não falaria nada. Então, mais. E mais, e mais. Até que colou seu corpo no de Teito e o beijou com furor. E era por isso que Teito o detestara: pois no mesmo instante em que viu aquele garoto, quis beijá-lo até seus lábios ficarem inchados. Não resistia a cabelos longos e loiros, muito menos com orelhas de elfo. Então, lá estava ele, pouco se lixando para o que iriam achar, estava mais era aproveitando o beijo nada simples que estava trocando com seu amiguinho.

Claro que não ligava porque estava com mais bebida do que cérebro.

– É uma mina, né?! – gritou Mikage para Hakuren, que quis gritar dizendo que também tinha cabelo longo e nem por isso era menina, mas desistiu ao ver que o amigo não entenderia nem metade com aquela música.

– É um cara! – gritou, tão ou mais incrédulo que Mikage. Os dois se
olharam e gargalharam novamente, não acreditando no que estavam vendo. E se contorceram de rir mesmo, rindo ainda mais quando olhavam para a cena.

Bom, estavam rindo porque não estavam mais perto. Porque ali a situação estava mais era pedindo um motel. O garoto – que Teito nem imaginava o nome – passava sua mão por todo o seu corpo, apalpando, apertando, querendo rasgar sua fantasia ali mesmo.
Teito fazia o mesmo, mas se perdia às vezes nos cabelos longos, que lhe lembravam tanto Hakuren.

– Ta aí a prova que ele te ama! – gritou Mikage para Hakuren, que o olhou interrogando. Mikage puxou o rabo de cavalo baixo que o amigo estava usando e gargalhou da expressão envergonhada de Hakuren.

– Vá à merda!

– Quer ir mais perto? – gritou, querendo ver mais de perto se era mesmo Teito beijando outro homem. Hakuren negou com veemência, mas Mikage segurou sua mão do mesmo jeito, arrastando-o para mais perto.

Ao ver a cena, Mikage se contorcia de rir, sem que o casal nem mesmo notasse. As mãos do garoto apertando tanto a bunda de Teito que chegava a levantá-lo um pouco do chão, Teito devorando sua boca com toda a sede que Mikage sabia que ele havia sentido por todos os anos de negação. Já Hakuren olhava aquilo não achando assim tão engraçado. Ficou feliz,
na verdade, pelo amigo ter mandado seu preconceito para longe, pelo menos naquela noite. Sabia que ele deveria ter tomado muito mais do que um simples Martini para estar naquela situação, mas isso significava que em alguma parte de sua mente, ele não ligava para
essas coisas. Mas era seu Teitei ali, no final das contas. O que queria mesmo era separar aquela agarração e mandar Teito pra casa pra ficar de castigo. Era uma pouca vergonha com seu bebê, estava queimando de raiva assim como queimava de vergonha. Porque bem, não fora muitas vezes em sua vida que Hakuren Oak vira dois caras se pegando, e aquela primeira vez fora bem traumatizante. Mas acabou que sua visão foi tomada por uma cabeleira ruiva de uma bruxinha. Olhou para os lados e não viu Mikage, o que o fez se questionar por quanto tempo ficara encarando Teito e o outro menino – que notou, depois de algum tempo, que realmente se parecia muito consigo.

Começou a dançar com a garota ruiva animadamente, querendo esquecer a cena que vira. Mas em poucos minutos, estavam se agarrando quase como os outros dois. Querendo impedir que Teito visse aquilo, levou a menina para a outra pista e lá não largou dela até querer outra bebida. E depois dessa, ficou com outra garota, e depois outra. Só o que soube, depois de muito tempo sem ter noção de muita coisa, era que já estava amanhecendo e o pessoal começou a ir embora. Aprimeira coisa que pensou, foi em ligar para Teito, logo o fazendo e combinando de encontrar os dois amigos no bar da entrada.

– Caralho, to um caco. – disse Mikage, desmoronando na cadeira ao lado de Hakuren. Avistaram Teito chegando e, pelo visto, ele não estava em melhor estado. A máscara havia ido parar em qualquer lugar da festa, a roupa estava abarrotada, os cabelos bagunçados. Nada diferente de nenhum dos outros dois.

– To um caco. – disse a mesma coisa que Mikage sem saber, mas nenhum dos dois tinha pique para rir da situação. Teito abraçou Hakuren, que estava sentado num dos bancos, apoiando a cabeça em seu ombro e querendo dormir ali mesmo. Bêbado do jeito que estava, era bem capaz. E Hakuren, que fora o que bebera menos a noite inteira, logo se pronunciou.

– Vem, Teitei, vamos embora.

– Nhaaaa, me leva, Hakuuuu! – pediu manhoso, dessa vez abraçando Hakuren pela cintura e se colocando ainda mais entre suas pernas.

– Vem, Mikage. – chamou o amigo, que apoiara os braços no balcão e estava dormindo ali mesmo.

– Deiza o Miga aííí. – disse Teito, mordendo o pescoço de Hakuren. – Eu quezo fazer goisas perverxidas com vozê. – Hakuren só não corou mais, pois sabia que Teito estava bêbado e nunca falaria algo do tipo em seu juízo perfeito. Mas foi impossível não corar quando ele lhe roubou um selinho. Tentou manter o sangue frio e não ligar para seus lábios, que ficaram formigando.

– Tudo bem, vamos. – levantou-se e tirou Teito de cima de si, cutucando Mikage, que levantou num salto. Pegou os dois pelas mãos e os levou para fora do estabelecimento.

O caminho foi um sacrifício para Hakuren, que não estava nos seus melhores juízos, mas pelo menos sabia voltar para casa. Pensou em pegar um táxi, mas como não sabia se aquele lado da cidade era muito longe de sua casa, resolveu ir de metrô mesmo. Teve que impedir os dois de caírem na linha, segurar seus cabelos e capas quando quiseram vomitar, impedir que dormissem em pé... Um sacrifício, de fato. Mas pelo menos, depois da segunda baldeação, os dois só dormiram tranquilamente em seus ombros. Tudo bem, os três dormiram, tiveram que voltar todo o percurso quando o metrô chegou ao final da linha, mas não vem ao caso. Mas só foi assim que bateu na porta de Fea que se lembrou que os três tinham ido dormir na casa de Mikage e que era pra lá que deveriam voltar. Riu ao constatar que ir para a casa de Teito era tão mais comum do que ir para a sua própria. Fez o favor de mandar um SMS para seus pais e para os pais de Mikage avisando que estavam bem e que estavam no Teito. Fea, que acordava cedo todos os dias, já estava de pé com sua canequinha de café escrevendo quando os meninos chegaram. Era por volta das sete da manhã.

– Hakuren? Vocês não iam voltar para casa do Mikage? – perguntou Fea, vendo o estado dos outros dois e sabendo que seriam incomunicáveis.

– É, mas por algum motivo eu acabei trazendo a gente pra cá. – riu sem graça, coçando a nuca.

– Tudo bem, tomem um banho, durmam, café, o que quiserem, mas depois nós conversamos.

– É, pai... – disse Teito, seguindo para seu quarto. Mikage o seguiu como um cão e Hakuren se desculpou com o olhar, seguindo os outros dois.

Reavaliou a cena em sua mente e concluiu que não dava para saber que tinham bebido; estavam apenas cansados. Mas riu internamente; o cheio era tão forte que dava para sentir até fora de casa. Depois disso, não se lembra de mais nada.

–x-

– Saco de vida. – disse Teito, assim que se sentou à mesa para tomar café da manhã com os outros dois amigos.

– Qual foi?

– Absinto.

– Exagerou, hein. – disse Mikage, não querendo continuar aquela conversa.

Quase beijou Hakuren quando ele colocou um comprimido e um copo d’água à sua frente, assim como à frente de Teito. Na verdade, precisava mesmo agradecer Hakuren. Além de levá-los para casa em segurança – nenhum dos dois estava sentindo dor nos fundos, pelo menos –, ele avisou seus pais e ainda acordou um pouco mais cedo que os dois para fazer um café da manhã digno. Bem, dizer café da manhã era bondade, uma vez que eram quase quatro horas da tarde.

– Valeu, cara. – disse Teito, tomando seu comprimido. Um olhou para a cara do outro e teve vontade de morrer ali mesmo. Tomaram seu café em silêncio, sentindo suas dores, amaldiçoando aquela festa.

Após algum tempo num silêncio mortal, que até Fea estranhou, já que os três costumavam ser bem barulhentos, terminaram seu café. Um olhou para a cara do outro e gargalhou como nunca antes – mesmo que tivessem se arrependido um pouco depois, por causa da dor de cabeça. Na sala, Fea suspirou aliviado.

– Vocês estão com a cara péssima. – disse Hakuren.

– Você devia se olhar no espelho, loira.

– Quieto, Mikage. Seu cabelo ainda tem gel.

– O seu tá parecendo fone de ouvido.

– Que, mano?

– Sabe, quando fica todo embaraçado.

Os dois riram e olharam para Teito, que não tinha dito nada até então. Ele estava olhando para Hakuren, com o queixo apoiado numa das mãos, sorrindo levemente.

– Que foi? – perguntou, tirando-o de seu transe imediatamente, fazendo-o olhar para qualquer lugar, menos seu rosto.

– Nada. – disse, corando.

– Ai, Teito... – disse Mikage. – Sinto falta de quando você não hesitava para falar nada.

– Eu não hesito!

– Então, fala pro Haku porque tava admirando sua beleza élfica. – disse, só para irritá-lo. Notou Teito corando um pouco mais pela parte do élfico, mas repetiu para si mesmo que não tinha como os dois saberem de Jan – esse era o nome do menino, descobriu depois.

– É que... Você tá fofo de ressaca, Haku – disse, ainda corado – Com o cabelo todo bagunçado assim, essa carinha...

Hakuren abaixou o olhar, corando também, mas por fim acabou soltando uma risadinha. Mikage quase empurrou a cabeça um do outro, querendo dizer “Agora, beijem!”, mas sabia que Hakuren só estava mesmo era envergonhado.

– Bora jogar? – perguntou Mikage, cortando aquele clima. Os dois concordaram e subiram para o quarto de Teito, mas não foram jogar. Mikage deitou em seu sofá e Hakuren e Teito ficaram em sua cama, os dois móveis formando um L no quarto.

– Tá, agora falem. – disse Mikage – O que acharam da festa?

– Diga você, Mika.

– Olha, Teito, meu querido e amado amigo. Eu vi a Lazette, ela estava linda, radiante, deslumbrante, caveirosa, uma deusa. – disse, fazendo os dois rirem. – Então foi ótimo.

– Cara, você é muito apaixonado, eu já disse, né?

– Tá, que seja, o que você achou?

– Pra mim, foi bem legal. – disse Hakuren – Eu que não quis fatiar meu rim em uma noite pra morrer de ressaca no dia seguinte, né, foi boa.

– Vai se foder, Hakuren! – disse Teito, colocando o pé no seu rosto, já que deitou na cama e Hakuren continuou sentado.

– Você não pode falar nada, Teito. – disse Mikage. – Só vi você dizendo umas coisas pro Hakuren no final que, poxa, eu fiquei pasmo.

– Caralhos voadores, o que eu disse?!

– Nada, relaxa. – disse Hakuren, fazendo Teito suspirar aliviado. – Só algo sobre querer fazer coisas pervertidas comigo.

– O que?!

– Pois é. E ainda me roubou um selinho.

– Essa eu não vi. – disse Mikage, querendo gargalhar ao imaginar a cena.

– Cês tão zoando com a minha cara, para, véi, na boa. – pediu, olhando de um para o outro e vendo que eles não negavam. Colocou o travesseiro no rosto e gritou o mais alto que pode um pedido de desculpas para Hakuren.

– Relaxa, Teitei. – disse ele, tirando seu travesseiro e lhe dando uma travesseirada. – Porque nada vai superar o novo amor que você encontrou, né. – disse cantarolando e Mikage gargalhou da cara assustada que Teito fez.

– Vocês viram?! – perguntou, mesmo que seu timbre fosse claramente uma afirmação.

– Não sabia que gostava tanto assim dos loiros, Teito. – disse Mikage, fazendo os dois amigos corarem. – Acho até que vou tirar o verde do meu cabelo.

– Mano, vão se foderem, tomar no cu, não acredito que vocês viram.

– Ei, Mikage... – chamou Hakuren. – Ele conjugou “foder”. – os dois gargalharam novamente, um batendo na mão do outro.

– Eu tava bêbado, ok? Tinha bebido 58 milhões de litro de absinto, misturado com mais 58 trilhões de litros de outras bebidas que aquele barman idiota me deu. Eu nem lembro de nada direito, ok?!

– Dizem que a gente faz bêbado o que não tem coragem de fazer sóbrio. – cantarolou Mikage e Hakuren gargalhou novamente. Os dois ficaram rindo, se contorcendo, chorando de rir. E talvez, esse tenha sido o erro deles.

Teito saiu correndo, rumando para seu banheiro e, por muito pouco mesmo, não conseguiu se trancar. Os dois pararam de rir no mesmo instante, assumindo semblantes sérios. Não sabiam que aquilo o magoaria e, se ele pensou em se cortar novamente, era porque não era uma simples brincadeira para Teito, por mais que ele estivesse bêbado. Se debateu, querendo sair dos braços dos dois amigos, mas não adiantou. Eles o jogaram na cama e Hakuren sentou em seu colo.

– Só sai daí quando tiver com juízo de novo! – gritou, realmente bravo por ele ainda pensar naquelas coisas. Justo quando achou que ele estava superando.

– Hakuren, sai de cima!

– Não!

– Você não tá ajudando! – gritou e Hakuren, finalmente, notou o que estava fazendo. Teito estava com as mãos em sua cintura, mas as descera um pouco, apertando cada pedacinho levemente, fazendo Hakuren inevitavelmente rebolar.

Saltou de seu colo assim que notou que o amigo estava começando a ficar duro, se amaldiçoando pela falta de tato. Quando virou-se, Teito havia se encolhido e apoiado os braços no joelho, chorando baixinho. Olhou para Mikage, que também estava com um olhar triste.

– Eu te odeio, Hakuren. – disse baixinho, mas foi alto o suficiente para o loiro ouvir e sentir uma pontada em seu coração. – Odeio sentir o que eu sinto, odeio te desejar e querer te sentir, odeio quando meu coração acelera quando você tá perto de mim, odeio toda essa situação. Eu me odeio.

Quis chorar com seu amigo também, mas sabia que precisava ser forte naquele momento. Precisava pedir pela última vez que ele parasse com aquilo. Ele não desistiria, tinha feito uma promessa de que o ajudaria e não a quebraria.

– Mikage, pode nos dar licença um instante? – perguntou e o amigo assentiu, sentindo algo de diferente no tom do amigo. Sabia que ele ia tentar fazer Teito parar com aquilo novamente, mas era diferente.

Assim que se viu sozinho, sentou ao lado de Teito na cama e acariciou
seus cabelos levemente.

– Olha pra mim, Teitei. – pediu levemente, o que fez Teito olhá-lo com lágrimas ainda caindo.

Hakuren sentiu algo em seu coração quebrar ao ver aquela cena, pois sabia que era por culpa sua. Limpou suas lágrimas, uma a uma, olhando para o que fazia.

– Tá na hora de eu te mostrar as minhas. – disse, assim que terminou.

Teito o olhou confuso e, então, Hakuren mostrou seus braços. Poderiam ser facilmente confundidas com manchas na pele, cortes superficiais, veias, qualquer coisa, mas assim que Teito as olhou diretamente, sabendo o que elas significavam, olhou atônito para Hakuren.

– Você já...?

– Já. – confirmou. – Olha, Teitei, eu já me cortei muito no passado. Quando era mais novo, brigava demais com meu pai, por qualquer motivo. Ele também pesava muito na minha. Principalmente depois que eu voltei do internato. Ele me detestava, é o que eu acho.

Teito arregalou os olhos ao descobrir aquilo. Sabia que o Senhor Oak era um cara rígido, mas sempre achou que ele e Hakuren se davam bem.

– E era essa a solução que eu encontrava. – disse. – Por isso, eu posso dizer com toda a certeza que eu te entendo, sim. Eu entendo por que você faz isso.

– Mas você só... Parou?

– Não, Tei, eu amadureci. – disse. – Eu notei há muito tempo que fazer isso não me ajudava em nada, que não melhorava o meu problema. Na verdade, isso só fazia o problema crescer ainda mais, porque em qualquer lugar que eu ia, acabava lembrando que tinha um pai que detestava me esperando em casa. – disse. – E foi por isso que eu notei que os cortes não ajudavam, só pioravam.

– Mas, Haku... Eu não sei se tenho forças pra...

– Pra encarar, Teito? – perguntou. – Saiba que eu vou estar do seu lado, vou te ajudar a vencer isso. Porque quando eu parei de me cortar, achei diversas outras soluções pros meus problemas, pois abri meus olhos pra elas. Não me limitava só em uma coisa. Foi natural. Tenho certeza que a mesma coisa vai acontecer com você se parar.

– Você acha? – perguntou e Hakuren assentiu. – Mas sua situação era diferente, era externa. A minha é psicológica. – disse, insistindo. Levantou, saindo dos braços de Hakuren e andou por seu quarto. Hakuren suspirou, levantando-se também.

– Teito, abra seus olhos! – exclamou. – Eu e o Mika já dissemos milhares de vezes que seu preconceito não faz sentido. É contra você mesmo! Se você não se aceitar, vai acabar sofrendo para o resto da vida.

– Mas eu não quero aceitar, Haku! Eu quero passar por cima disso!

– Como, Teito? – perguntou, escandalizado. – Você tá apaixonado por mim, como vai esquecer isso?

– Eu... Não sei! – disse, segurando os cabelos. – Mas já que estamos falando disso sem o Mika, me diga você o que sabe sobre preconceito, Hakuren. Me diz, porque eu realmente estou curioso pra saber a sua opinião nua e crua, porque eu lembro como você me olhava, eu lembro o desprezo que sentia por gente como eu.

– Gente como você, Teito? Você é normal! – exclamou. – Por que acha que
é tão problemático assim? Existem problemas maiores, sabia?!

– Esse não é o ponto! – gritou. – Eu já ouvi isso milhões de vezes! Mas agora me responde, Hakuren, diz pra mim, olhando nos meus olhos, que você não tem nojo quando eu digo que te quero, que eu sou exatamente igual pra você, gostando ou não. Diz!

Hakuren suspirou, andando até ele, o segurando pelos ombros e olhando profundamente em seus olhos esmeraldas: – Teito, eu não sinto nojo de você por gostar de mim, não quero que se afaste e muito menos que mude.

Teito riu com escárnio, mas Hakuren o abraçou antes que ele dissesse algo mais.

– Eu te abraçaria, Teito, se ainda tivesse um pingo de preconceito? – perguntou, apertando ainda mais aquele abraço, sentindo pela primeira vez como Teito era miúdo. – Você é meu melhor amigo, Teitei, eu gosto muito de você. – sentiu Teito amolecer sob seu abraço e, finalmente, retribuí-lo. – E não gosto quando você faz isso porque é como se sofresse o peso da sociedade, só que partindo de você e só de você. – disse. – Isso me faz sofrer, Teito.

– Desculpa... – pediu, perdendo-se em seu cheiro e abraçando-o ainda mais forte. Não queriam soltar aquele abraço, queriam, os dois, para sempre ficar só daquele jeito.

– Me faz sofrer porque você também sofre. E eu só quero te ver sorrindo. – disse, beijando o topo de sua cabeça. Afastou-se um pouco, olhando em seus olhos. – Você pararia de se cortar, Teitei? Se não por você, mas por mim?

Teito, naquele instante, sentiu algo mudar dentro de si. Agradeceu para quem quer que fosse por ter colocado Hakuren em sua vida, por ter colocado alguém que cuidasse de si e lhe amasse, mesmo que como um amigo.

Circundou dessa vez seu pescoço, chorando em seu ombro. Acenou positivamente com a cabeça e disse um embargado “eu paro.”.

E ele parou.

Notas finais
EAE MOÇADA, QQ CÊS ACHARO? ♥
Pra não rolar discordância, deixa eu explicar logo: O ~Alan Scott~ é o Lanterna gay, não o Hal Jordan (o Lanterna do filme). E ele não é gay no original, onde a história dele já foi toda contada e ele, inclusive, já até casou e teve filho. Aqui, ele é gay nos Novos 52, que é basicamente uma nova série da DC recontando as histórias dos personagens. O Scott aqui é gay E vive na Terra 2, ok? E, sobre o casamento e tudo o mais, nunca rolou porque reformularam ele mais novo, sendo ~sempre~ gay.
A título de curiosidade: Foi lançado que o Batman é gay também e, na verdade, o Teito ia usar a fantasia dele, tava em dúvida entre eles. Mas então paray e pensei e concluí que a notícia do Batman tava muito mal explicada e sem embasamento. Quer dizer, em que multiverso ele é gay? E qual dos Batmen, exatamente, é gay? Bruce Wayne? Tá, mas onde, em toda a história dele, se encaixa esse fato? Não faz sentido algum o Batman ser gay, na boa. Então, peguei a do Lanterna mesmo (depois de mandar pra Moyashi que eu mudei, desculpa marida fçlasdkf) porque era mais "oficial" e fazia mais sentido por recontarem a história inteira incluindo o fato de ele ser gay, não simplesmente "poof ele sempre foi gay, por mais que nunca tenha havido UMA brecha na história inteira".
Ok?
Quem resolver shippar MikaHaku agora apanha u_u
BEM, obrigada a todo mundo que tá lendo e comentando, seus liiiiindossss ♥333
Até semana que vem ~~♥333