Homophobie
8 Kapitel Acht - Lieben? Liebt er mich?
Notas iniciais
Ah, se importariam de ler as notas finais? Tenho que avisar algumas coisas x_x
Boa leitura!
Alguns dias se passaram desde a festa e talvez eu devesse voltar a narrar os dias dos três amigos. O comportamento de Teito e Hakuren pedia atenção especial.
Mikage e Hakuren ficaram encantados quando notaram que Teito havia parado definitivamente com os cortes. Por dias, reviraram seu corpinho à procura de novos, mas só o que encontraram foi sua pele cada dia mais branca.
Teito estava melhor do que nunca, fisicamente falando. Tinha ganhado um pouco de peso, sua pele estava mais corada, não sentia mais dores ao andar ou incômodos ao vestir suas roupas. Havia, também, deixado um pouco o mau humor de lado, sorrindo bem mais e detestando menos o mundo ao seu redor. Ou melhor, seu mundo.
Estavam os três felizes com essa mudança. Mikage, por ver que ele finalmente estava se recuperando de sua depressão de quase três anos; Teito, por achar muito mais fácil viver saudavelmente, sorrindo e deixando os problemas um pouco de lado; E Hakuren, por gostar de ver seu Teitei assim, tão alegre.
Estavam num fatídico dia de aula, mais querendo morrer do que escutar o monólogo do professor de sociologia. Hakuren estava sentado bem próximo à Teito, já que inclinara seu corpo o máximo que podia para frente, em direção à carteira do amigo, para conseguir fazer eventuais comentários mais facilmente.
Estava, naquele momento, ao invés de na aula de seu professor, mais interessado nos cabelos pretos de Teito, que estavam crescendo bem rápido. Pelo menos, estavam bem maiores do que quando eles se conheceram. Mergulhou seus dedos naqueles fios macios, fazendo um carinho leve. Sorriu quando Teito se inclinou na direção de sua mão e virou um pouco para si.
- Está grande, Teitei, vai cortar? – perguntou, fazendo nós com os fios em seus dedos.
- Eu estava pensando em deixar crescer – disse, virando-se e também acariciando os cabelos longos e sedosos de Hakuren, começando pela franja e descendo, até seus dedos finos encontrarem seu rosto e lhe acariciar levemente com o polegar – Mas aí eu olho pros seus e desisto da ideia – declarou, afagando o rabo de cavalo pendurado em seu ombro.
- Ficaria bem legal mais longo – disse, sorrindo com o carinho que recebia – Mas eu gosto dele curto. Te deixa com carinha de criança.
- Não gosto disso, Haku – disse, fazendo um bico enquanto acarinhava a franja, perto de seu queixo.
- Fica uma graça, Teitei – segurou seu queixo, e então apertou sua bochecha de leve.
- Não a...
- Senhores Klein e Oak – chamou o professor – Se importariam de namorar após o término de minha aula, se não for pedir demais?
A sala inteira olhou para os dois, procurando confirmação nas palavras do professor. Mas os garotos se soltaram com tanta rapidez que mal viram alguma coisa. Hakuren enterrou a cabeça em seus braços e Teito apoiou a sua numa mão, tentando esconder o rosto dos olhares curiosos. Mikage nem precisou olhar para saber o que acontecia, só o que fez foi negar com a cabeça, rindo deles.
Os dois, assim que a aula acabou, continuaram conversando normalmente. Estavam envergonhados demais para falar qualquer coisa com aquele professor de olho especialmente neles. Quando ouviu Teito comentar com Hakuren que ele tinha mãos delicadas, Mikage pensou em rir e fazer algum tipo de brincadeira, mas conteve-se, pois sabia que a última coisa que eles precisavam agora, era de brincadeiras acerca de sua relação.
Que estava bastante íntima, por sinal.
Já fazia um tempo que Mikage notou que Teito não mais se inibia em dizer alguma coisa para Hakuren. Talvez por seu empurrãozinho no dia após a festa, quando disse que ele estava hesitando para falar, talvez porque ele notara que Hakuren não ligava mais para o fato de Teito gostar dele.
Agora, se Teito queria dizer que Hakuren estava lindo, deslumbrante, perfeito, ele simplesmente dizia. Hakuren assumia uma postura de brincadeira sempre, procurando fazer nada mais que se vangloriar. Mas na verdade, isso era para tentar camuflar o fato de que ele não podia simplesmente dizer algo parecido para Teito, nem falar para ele que aquilo era “coisa de viado”. Era sua única saída.
Mas isso era bom para os dois. Mikage tinha, na verdade, uma esperança de que eles pudessem ficar juntos, algo que nunca cogitara até pouco tempo, então estava se refreando ao brincar com eles, deixando-os a vontade para se elogiar e se gostar.
- Sinceramente, quando é que esse sinal vai tocar? – perguntou Teito, talvez um pouco alto demais, fazendo o professor lhe olhar feio. Sorriu amarelo, mas não precisou se preocupar porque exatamente após isso, lá estava o tão agradável barulho, indicando a pausa do dia.
Os três saíram, pois não quiseram esperar Lazette, que estava entretida demais fazendo comentários sobre alguma matéria da aula de história com o grupo de nerds que sentava perto dela.
Seguiram para o murinho de sempre, que ficava atrás das mesas ao ar livre da cantina. Como ficava numa parte elevada do terreno do colégio, conseguiam ver todo o pátio dali. Tudo bem que eles ocupavam um banco inteiro para poderem se apoiar para subir, colocar suas mochilas ou eventualmente fazer suas refeições – mas geralmente colocavam as bandejas no colo e comiam ali mesmo. Mas era sabido que ali era o canto deles.
- Ei, alguém pode me explicar o que foi aquilo com o Antonie e aquela garota do 2ªB?
- A Leila? – perguntou Mikage à Hakuren.
- Sei lá, não conheço ela.
- Tão dizendo que foi ela mesma.
- Na boa, tadinha – disse Teito.
- Até agora eu não entendi qual é a do Antonie – disse Hakuren, que observou que Teito se aproximara um pouco de si, tremendo de frio.
- Ninguém sabe qual é a dele – disse Mikage – Já ficou com um monte de menina, com um monte de menino também – Hakuren e Teito fizeram uma careta, mas ele fingiu não ver – E quando você conversa com ele, mano, na boa, só ouve brisa.
- E agora ele fez aquela declaração por rádio pra ela, que dó, sério.
- Ah, vai que ela goste dele – disse Mikage, dando de ombros.
- E ae! – exclamou Hakuren, rindo e olhando para Teito, que havia se aproximado aos poucos dele, até grudar em seu corpo.
- Tô com frio! – disse, agarrando seu braço e tremendo contra ele. Hakuren riu e apertou sua bochecha antes de lhe abraçar com um só braço, trazendo-o para si.
- Como eu ia dizendo... – disse Mikage, tendo que segurar sua língua para não dizer que precisava tirar uma foto daquele momento – Não há como sabermos se ela gostou ou não.
- Alguém a viu por aí hoje? – perguntou Hakuren, brincando com os dedos de Teito.
- Ela fez questão de não...
- E por que você quer saber, Sr Hakuren? – perguntou Teito, interrompendo Mikage novamente.
- Sei lá, a gente poderia perguntar diretamente.
- Você tá muito interessado nisso – murmurou Teito, dando um tapa nas mãos que brincavam com as suas.
- Teito, deixa de ser besta, todo mundo já notou que o Haku tá...
Começou Mikage, mas foi novamente interrompido por uma Lazette sorrindo, olhando para seus dois amigos.
- Awn, vocês formam um casal tão fofo! – disse, olhando para os dois e juntando as duas mãos perto do rosto, com uma expressão que claramente dizia que ela estava morrendo de diabetes.
- Não somos um casal! – disseram os dois juntos, se afastando.
- Ué, mas... Como vocês não negaram o professor, eu achei que...
- Então, desache!
- Acho que não existe essa palavra, Teito – disse Mikage, agora rindo da cara dos dois – Já expliquei a situação deles pra você, Lala.
- Achei que eles já tivessem se resolvido – sussurrou para ele. Os dois riram dos outros dois, que agora estavam curiosos para saber o que Mikage havia dito a ela. Mas não deixaram uma só palavra escapar.
- Estou com fome! – disse Mikage, querendo cortar de vez aquele assunto – Cê não tem cenoura aí de novo, não, Haku?
- Nem tenho, hein.
- Poxa.
- Mas tenho brócolis hoje, serve? – perguntou, piscando para Lazette, já que fizeram um pacto para fazer aqueles dois comerem mais legumes e verduras. Os dois riram quando Teito e Mikage soltaram uma exclamação de nojo – Olha, Teitei, o Mika eu não posso obrigar, mas pega aí meu brócolis, por favor, Lala, vou fazer o Teito comer.
- Mas o que! O que te leva a pensar que pode me obrigar a comer brócolis?!
- Porque eu tenho poder sobre você, ora essa – disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Acenou positivamente quando Lazette perguntou se era naquele bolso mesmo da mochila. Entregou a vasilha térmica para o amigo e riu da cara de Teito quando ele a abriu.
- Não vou comer isso, Haku.
- Você não tem querer, queridão – disse, pegando o brócolis com a mão mesmo – É com meu molho especial, experimenta? – dessa vez pediu, fazendo uma cara de cachorro pidão para ele. Teito o chamou de apelão e abriu a boca – Juro que minhas mãos estão limpas.
- Eu sei que estão – disse, referindo-se ao fato de que Hakuren tinha compulsão por limpeza, principalmente por suas mãos. Se fuçasse em sua bolsa, não seria difícil encontrar um tubinho de álcool gel.
- Tá bom? – perguntou, assim que Teito terminou de comer.
- É brócolis, nunca vai estar bom, Hakuren.
- Mas... Eu fiz meu molho especial – disse, fazendo um tom exagerado de magoado – Não gostou?
- Tá, está bom – disse, revirando os olhos – Me dá mais um.
Mikage e Lazette reviraram os olhos e começaram a comentar sobre o caso Antonie-que-se-declarou-pela-rádio-da-escola-para-a-garota-do-2ªB.
- Vocês se conhecem, né, Lala?
- Então...
- Hakuren, esse é o meu nariz – disse Teito para Hakuren, alheio a conversa dos outros dois, que não estavam ligando muito para ele.
- Ah, desculpe – disse, lhe dando dessa vez certo – Viu? Você come quando quer.
- Quando eu sou obrigado, você quis dizer, certo?
- Não obriguei ninguém – disse, levantando a mão livre, como se dissesse que não tinha culpa.
- Mas fazer olhar pidão é a mesma coisa, babaca.
- Bom saber que eu consigo as coisas com você desse jeito – piscou. Teito negou com a cabeça e ele passou a comer os brócolis junto a ele. Continuaram conversando, entrando e saindo da conversa de Mikage e Lazette quando bem lhe convinham.
- Ai, Haku – disse Teito, segurando o queixo fino do amigo e o virando para si – Parece que não sabe comer – limpou o canto de sua boca, fazendo um barulho estralado com a língua.
- Ah, tá sujo? – perguntou, mas ponderou sobre o que Teito estaria olhando, já que ainda não desviara o olhar de sua boca – O que foi?
- Você tem uns lábios bem beijáveis, hein, nunca tinha notado – comentou, afinal, havia se tornado divertido deixar Hakuren constrangido com tais comentários, por mais que ignorasse em seu âmago o que eles representavam.
- Teito, meu querido – disse Hakuren, soltando um sorriso sacana – mesmo que estivesse um pouco corado, principalmente pelo o olhar de Lazette – Não é “ter”, é “ser”.
- Ai, não acredito que ouvi isso – disse, fazendo uma careta – Nariz mais empinado que bunda de puta.
- Quem aqui tem os lábios beijáveis? – perguntou, fazendo uma espécie de concha atrás do ouvido com uma mão, como se não estivesse ouvindo direito – Quem?
- Você – murmurou, amaldiçoando sua boca grande.
- Ah, não fica assim – disse, virando o rosto de Teito para si – Seus lábios também são bem beijáveis – Teito sorriu e antes que pudesse dizer alguma coisa, Hakuren acrescentou – Só que não.
- Vai fazer um pirocóptero que você ganha mais, Hakuren.
- Nossa, vocês dois estão chegando a um nível que... – começou Mikage, mas terminou só negando com a cabeça, agora voltando sua atenção total a Lazette e deixando os dois com seus xingamentos e vangloriadas.
Os quatro tentaram conversar normalmente, mas Teito e Hakuren se dispersavam muito rapidamente entre si, mas não era como se alguém estivesse realmente ligando. O intervalo passou, vieram as últimas aulas, que foram tão chatas quanto poderiam, já que duas delas foram do querido professor Ayanami.
Logo então, o segundo sinal do dia tocou e eles puderam novamente desfrutar de sua liberdade. Não era fácil ficar sete horas dentro daquela escola. Ponderaram sobre o que fazer até que Hakuren fez o favor de lembrar do trabalho de matemática que tinham para fazer.
- Olha aqui, sua loira recalcada – disse Teito, apontando o dedo para seu rosto – Nem ouse acabar com meu dia desse jeito de novo, ouviu?
- Mas a gente precisa fazer, é pra semana que vem!
- Então a gente faz amanhã, Haku, eu sinceramente não estou no pique – disse Mikage, bocejando. Os três estavam realmente mais cansados naquele dia, pois no dia anterior ficaram no computador até tarde jogando League of Legends um com o outro.
- Tá bom, mas amanhã sem falta – ordenou. Os dois nunca atrasaram um trabalho depois que Hakuren se tornou amigo deles, o que acontecia com frequência quando eram só os dois.
- A gente vai fazer o que agora, então?
- Eu não sei vocês, mas eu vou pra casa dormir – disse Mikage, se despedindo dos dois com todo o ânimo que não tinha e virando-se para a estação de metrô mais próxima.
Teito e Hakuren deram de ombros e seguiram para sua casa, pensando em fazer exatamente a mesma coisa quando chegassem.
- Ei, o que vai fazer nas férias, Haku?
- Não sei, minha família ainda não programou nada. Por quê?
— Você poderia ir viajar com a gente, o que acha? – perguntou com uma expressão de pura excitação pela ideia.
- Depende, pra onde vão?
- Ah – parou e pensou, não sabendo o que Fea estava planejando para esse ano – Não sei... Talvez para a Islândia, ele comentou algo assim dia desses, mas eu estava fazendo alguma coisa que esqueci... – comentou mais consigo mesmo, perguntando-se, na verdade, se não havia sonhado que o pai comentara sobre viagens.
- Tava no telefone comigo, eu lembro – disse Hakuren, rindo da cara indignada do amigo.
- Como você lembra? E você está usurpando a minha vida, sabia?
- Porque eu ouvi seu pai e só faço isso porque você deixa – piscou, bagunçando os cabelos de Teito.
- Aff, não quero você na minha viagem para a Islândia, então. Seu feioso.
- Mimimi.
- Não tenho a voz tão fina!
- Ah, tem sim.
A discussão só acabou quando chegaram na casa de Teito, a mais legal do bairro. Tinha um jardim com plantas coloridas na frente – resultado dos experimentos de Fea – e vários gnomos e anões de jardim (para proteger a casa, sabe), uma árvore enorme que estava sempre com bonequinhos de fadas ou bruxinhas pendurados, e um balanço. Nas janelas, pentagramas e outros símbolos neopagãos também estavam pendurados.
Hakuren, desde a primeira vez que visitou aquela casa, soube o significado de cada um daqueles símbolos, pois sua família por parte de mãe também era neopagã, mesmo que em sua casa fossem protestantes por causa de seu pai. As religiões não entravam em conflito, pois sua mãe tinha o altar dela num cômodo bem separado da casa, então seu pai não ligava.
Já Mikage, quando teve idade o suficiente para notar que aqueles não eram simples “brinquedos” que o tio Fea colocava na casa, teve uma pequena aula de bruxaria ao perguntar, pois incrivelmente cada objeto tinha um significado especial.
- Ah, você vai mês que vem, Haku? – perguntou, assim que entrou em casa. Fea olhou para os dois – estranharia se Hakuren não estivesse ali também – e soube logo do que se tratava o assunto.
- Está tudo pronto pro yule, meninos!
- É só mês que vem, pai, dá um tempo.
- É melhor prevenir, não é? – disse, empolgado – Todo mundo irá!
- Falou com o pessoal da sede? Quem vai?
- Todos confirmaram presença! – exclamou, empolgado – Não durará muito, Hakuren, antes das onze voltaremos.
- Tudo bem, eu n...
- Pai, como se o Hakuren ligasse pra horário – olhou pra ele e acrescentou – Como se ele fosse voltar pra casa, né.
- Quieto, Teito – apertou seu nariz e voltou novamente sua atenção a Fea – É meu primeiro ritual, estou um pouco nervoso, sabe.
- Relaxe! É tão tranquilo quanto uma sala de meditação – exagerou um pouco, não querendo que o amigo de seu filho desistisse da ideia – É como se...
- Tá, pai – cortou Teito – Eu explico pra ele lá em cima. Bora, Haku.
- O almoço já está pronto! – gritou para os dois que já estavam no meio da escada.
- Obrigado! – agradeceram e entraram no quarto de Teito – Por que cortou o seu pai, poxa?
- Ah, você não conhece a peça. Se ele começasse a falar como era o ritual ou como se sentia lá, não pararia até o anoitecer, no mínimo.
- Que exagero.
- É sério – disse, se jogando na cama e tirando os sapatos com os pés mesmo – Às vezes eu digo que meu pai trabalha de acordo com o pentagrama. Tipo, no começo de cada círculo ele está ótimo, inspiração nas alturas. Aí, vai chegando o fim de uma época e ele broxa e só se recupera quando tem outro ritual. E isso acontece só cinco vezes no ano, então ele fica muito empolgado antes de um ritual, entendeu?
- Wow, então dizer que seu pai é de lua é até uma ofensa.
- É, bem isso. Se fosse de lua, seria muito mais fácil, pois todo mês ele teria picos de inspiração – suspirou – Mas vai aguentar essa criatura em plena TPM por meses, entre um ritual e outro.
- Bem, verei como é mês que vem.
- Ainda bem que você vai, Haku – sorriu-lhe e fechou os olhos, querendo dormir.
- Vai dormir?
- Acho que sim – disse, virando-se na cama e o encarando no sofá – Só to pegando coragem pra ir tomar banho.
- Posso ir primeiro? Não to aguentando mais essa blusa colada – puxou a blusa preta de mangas que estava usando por baixo, realmente muito colada.
- Vai lá. Mas me obriga a ir também depois.
- Tá. Só não dorme, vai assistir tevê, sei lá.
Aquilo se tornou algo normal. Hakuren chegava da escola e ia para casa de Teito almoçar, tomar banho, fazer suas lições – uma vez que boa parte de suas roupas e livros encontravam-se no guarda-roupas de Teito. Só ia para casa para dormir mesmo. Quando ia. No começo, achava que era abuso de hospitalidade, mas não conseguia resistir quando Teito e Fea insistiam para ele ficar e, de fato, abusar da hospitalidade deles.
Podiam dizer facilmente que eram uma família, os três.
Terminou seu banho, enrolou-se em sua toalha e saiu do banheiro. Aproximou-se de Teito, que parecia já estar num sono ótimo em sua cama, e assoprou seu rosto de leve, acariciando seus cabelos.
- Terminei, pode ir.
- Mais cinco minutos – pediu, manhoso. Hakuren se levantou e colocou as mãos na cintura desnuda. Teito o olhou e definitivamente não fechou mais os olhos.
- Ai, esses amigos gostosos... – comentou, levantando-se e sentando na cama.
- Esses amigos? Achei que fosse só eu.
- É modo de falar – disse, agora se pondo em pé, enquanto Hakuren se afastava de suas mãozinhas querendo lhe tocar – É só você – tocou no peito definido e mal pôde deslizar as mãos que Hakuren havia se afastado de novo.
- E é bom mesmo que seja só eu.
- Com ciúmes?
- Só cuidando do que é meu.
- E o que você acha que é seu? – perguntou, agora sorrindo por Hakuren ter chegado na parede e não ter para onde fugir, ainda não olhando em seus olhos, só para seu corpo. Só não entendeu quando foi virado, trocando de lugar com o loiro. E de costas para ele, sentiu-se arrepiar ao sussurro que ouviu.
- Você.
Só notou qual era a intenção do amigo quando a porta do banheiro foi aberta e ele jogado lá dentro. Fora atraído como uma menininha. Mas terminou sorrindo, Hakuren sabia bem como lhe provocar para fazer o que fosse. Foi obrigado a tomar seu banho rapidamente, sabendo que encontraria um Hakuren já vestido e provavelmente tomando o espaço na sua cama.
E foi exatamente o que aconteceu. Derrotado, foi dormir em seu sofá, mas roubou seu travesseiro do loiro. Dormiram a tarde inteira, prometendo nunca mais tentar ajudar Mikage em nenhuma quest de jogo – mesmo que soubessem que quebrariam aquela promessa.
Quando acordaram, já passava das nove. Resolveram descer para “almoçar”, já que se sentiram culpados por não terem comido antes, já que Fea preparara o almoço com tanto carinho. Terminou que Hakuren e Teito tiveram, sim, que ouvi-lo falando sobre o yule – como uma espécie de punição. Mas até que foi divertido, Hakuren ficou empolgado para ver como seria.
- Eles são Gardnerianos, mas eu nunca me interessei no aprendizado – explicou, assim que Fea lhe perguntou qual bruxaria a família de Hakuren seguia – Mas acho que agora é um bom momento para começar.
- Seu Fea desde sempre nos fazendo seguir tradições familiares – comentou Teito, com ironia.
- Não estou obrigando ninguém, estou?
- Não liga pra esse mortadela – disse Hakuren, fazendo um gesto com as mãos na direção de Teito – Então, acho que é isso mesmo o que farei.
Teito teve que aguentar os dois conversando sobre isso a noite inteira, só pararam quando ele apelou para o lado responsável de Hakuren, dizendo que precisavam fazer lição. Por sorte, eram só alguns trabalhos individuais atrasados e perguntas de matérias que eles tinham na ponta da língua.
- Vou falar pro Mika que respondi isso aqui com metal no último volume, quero só ver – comentou Teito consigo mesmo, mas Hakuren o questionou – Ele é péssimo nessa matéria.
- Você é um desalmado.
- Falando em desalmado, cê não tá com sono, não?
- A gente acabou de acordar, bobão.
- Faz umas quatro horas já, Haku – mostrou o relógio, que já marcava um horário bem avançado. Hakuren se desesperou, usando o celular do amigo mesmo para avisar os pais que dormiria lá. A resposta que recebeu foi “Sério?”. Deu de ombros e realmente foi dormir novamente.
- Mas na boa, agora troca, né – disse Teito, se recusando a dormir no sofá de novo – Preciso logo comprar um sofá-cama...
- Eu tenho um, quer trocar?
- Por que não falou antes, babaca? Cê dorme toda noite nesse sofá desconfortável sendo que tem um cama?
- Não é desconfortável, eu gosto dele – disse, pegando um cobertor e se cobrindo.
- Ah, bom saber, não dorme nunca mais na minha cama.
- Boa noite, Teitei – disse, lhe jogando um travesseiro, que foi jogado de volta.
- Boa noite, Haku.
-x-
- Time vermelho aqui, azul pra lá! – gritou o professor antes de soar um apito alto, fazendo todos entrarem em suas posições.
Estavam na aula de educação física jogando handebol, pois insistiram para o professor. Mikage, Teito e Hakuren ficaram, felizmente, no mesmo time, o que, num curto prazo, fez o time avançar bastante, já que eles tinham uma boa dinâmica.
Estavam adorando, Mikage e Hakuren gostavam bastante praticar esportes, Teito não gostava muito, mas gostava das aulas de educação física.
Estava indo tudo bem, até que numa jogada impensada de um dos jogadores do outro time, a bola fora certeira em Teito, que a rebateu com igual força, porém perdeu o equilíbrio e cairia se Hakuren não tivesse segurado-o no mesmo instante. Virou o corpo antes de Teito ir contra o chão e quem se machucou foi ele, batendo a cabeça.
- Hakuren! Cê tá bem, cara? – perguntou Teito, que caíra em cima dele.
- Ai – foi só o que disse, coçando a cabeça, mas pelo sorriso que deu, Teito suspirou por ele estar bem.
Hakuren sorrira por ter olhado nos olhos esmeralda de seu amigo e visto nada mais do que preocupação. Ah, aqueles olhos... Gostava tanto deles, de seu brilho, das emoções que conseguia ver tão claramente. Se perguntassem o que mais gostava em Teito, seus olhos expressivos e belos seria a resposta. Eles eram perfeitos.
Levou uma das mãos até sua franja longa, tirando-a da frente daqueles olhos que tanto gostava, aproveitando para fazer um carinho em seu rosto. Pela primeira vez, viu o quanto Teito era belo, ali, tão próximo de si. Seus olhos, os cabelos macios, o rosto fino, os traços delicados. Era tão andrógino.
Teito estava corado pelo olhar delicado que estava recebendo, mas o carinho em seu rosto o acalmava. Os dois sorriram e talvez, só talvez mesmo, com pouca probabilidade, teriam achado aquele momento perfeito para trocarem seu primeiro beijo.
Mas ambos tinham consciência de que toda a sala poderia estar observando-os, então logo trataram de se separar, deixando essas coisas para um futuro distante, muito distante. Tentaram ao máximo continuar jogando como se nada tivesse acontecido, o que foi relativamente fácil, uma vez que os jogadores restantes estavam mais preocupados com a bola do que com os dois.
Mas não Mikage.
- Mas vocês, hein – disse, empurrando os dois assim que chegaram ao vestiário – Quase se beijam ali.
- Não enche, Mikage – disseram os dois juntos, Teito se enfiando numa cabine qualquer sem nem ver se tinha alguém dentro. Hakuren, que sabia que não era muito bom Teito se trocar junto dos outros caras, pegou suas coisas em seu armário e jogou por cima da porta.
- Valeu – gritou, pegando sua toalha e roupas por cima da porta. Sabia que Mikage provavelmente ficaria insistindo nesse assunto, por isso rezou para Hakuren achar logo uma cabine vazia para tomar seu banho.
Mas Mikage não insistira, apenas foi tomar seu banho. Aquilo aliviou Hakuren, de certa forma. Fora vergonhoso. Um vexame, na verdade. Sabia que Teito pensava a mesma coisa, por isso, não trocaram uma palavra sobre o assunto.
Logo o dia escolar terminou, uma vez que educação física era sua última aula. Rumaram para a casa de Hakuren, que falara que se dormisse mais uma vez na casa de Teito naquela semana, seus pais lhe arrancariam a cabeça. Sorte que já era sexta-feira e ele não precisou se conter demais.
- Vai rolar rocambole? – perguntou Mikage, quando eles estavam já no elevador.
- Rocambole eu não garanto, mas Enida fez pudim ontem, talvez ainda tenha.
- Sinceramente, Haku, eu devia é ter me apaixonado pela sua irmã – disse Teito – Ela é incrível!
- Mas ela não sou eu, queridinho – disse Hakuren, sentindo, na verdade, uma pontada de ciúmes, que não reconheceu de início.
- E daí?
- Eu sou perfeito – piscou para seu amigo e Mikage revirou os olhos, tomando as chaves da mão de Hakuren e abrindo a porta por ele mesmo.
- Já disse milhões de vezes que perfeição é um ponto de vista.
- Exatamente, e do seu eu sou perfeito, certo?
- Sim. – disse, segurando seu queixo com uma mão – Só que não. – fez uma expressão como se dissesse que estava dando o troco pelo dia anterior.
Os dois entraram e encontraram Mikage e Shuri numa conversa animada e se perguntaram sobre o que seria. Os dois já sabiam que ele não era irmão de Hakuren, mas isso também não mudou muita coisa. Adoravam aquele moleque, principalmente Mikage. Largaram suas mochilas em qualquer lugar e se juntaram aos dois.
- Pedofilia é crime, Mikage, largue meu irmão.
- Não fode, Hakuren – disse, mostrando o dedo do meio para ele. Shuri soltou uma risadinha tímida e corou – Estamos conversando sobre jogos. Ele manja muito mais do que vocês dois juntos, sabia?
- Era de se esperar, não tem preocupação nenhuma nessa vida, esse moleque – Hakuren bagunçou seus cabelos e, na verdade, o mandou embora.
- Mas por que eu não posso ficar aqui? – perguntou manhoso e Mikage o emendou: “É, por quê?”.
- Mikage vai ficar conversando com você e vai deixar todas as contas pra gente fazer sozinho – disse e Mikage não pôde contestar, uma vez que a última vez fora exatamente a mesma coisa – Então, vai ajudar a Eni com... Sei lá, com o que ela estiver fazendo.
- Que injusto! – exclamou, antes de sair resmungando para o próximo cômodo.
Os três apenas riram e arrumaram suas coisas na mesa de centro da sala, fazendo uma disposição de todos os livros e listas que tinham para fazer. Assim que começaram, depois de repartir as partes que fariam, mesmo que fosse individual, já precisaram de ajuda dos livros de matemática que tinham.
- Essas contas são tão difíceis quanto inúteis! – exclamou Hakuren, que detestava matemática com todas as forças do seu ser.
- Se concentra, loira – disse Mikage, que fazia tudo com mais facilidade, uma vez que era ótimo em exatas. Teito também era melhor em humanas por causa de sua aptidão genética para escrita, mas não detestava matemática assim como Hakuren, só tinha um pouco de dificuldade.
Continuaram fazendo, querendo matar quem inventara tantos triângulos e tantas fórmulas, Hakuren cada vez mais bagunçando os cabelos, tentando descobrir como fazia. Mikage estava ali para ajudar sempre que precisava, mas não pedia a ajuda do amigo sem antes procurar e revirar o livro em busca de respostas.
- Hakuren, calma – disse Mikage, agora rindo do estado do amigo, com o cabelo bagunçado e também solto – Nossa, mas eu acho que desde que nos conhecemos, essa é a primeira vez que te vejo de cabelo solto.
- Tenho agonia com o cabelo solto, mas não tenho coragem para cortá-lo – disse, agora alisando os fios finos, tentando arrumá-los – O metal sempre vai vencer essa disputa, entende. E também, quando eu era... O que?
- Você é perfeito – disse Teito, agora hipnotizado pela visão de seu amado com os cabelos soltos, longos, caindo pelos ombros, emoldurando sua face. Era totalmente novo e diferente, era quase como observar um anjo. Ele era perfeito.
- Que isso, cara, a gente viu Bleach esses dias e...
- Já disse que perfeição é um ponto de vista, é relativo – cortou, se aproximando – Em relação a outras pessoas, talvez você não seja. Mas para mim, você é a... sabe... Perfeição.
- Bem, foi como eu disse, então – sorriu meio nervoso por todas aquelas palavras, mas tentou adotar uma postura altiva como sempre.
- Não, é sério – disse, agora indo para o lado dele – Você... assim... está deslumbrante...! – admitiu, com um brilho de encanto estranho no olhar, que fez Hakuren se maravilhar, por mais corado que estivesse.
- O-obrigado... – não era sempre que agradecia os elogios de Teito, mas dessa vez ele o olhara com tanta fascinação que seria até mesmo insensível não o fazer.
Sentiu Teito tocar seus cabelos, como ele já fizera milhares de vezes, mas agora era diferente, ele estava alisando-os por completo, sentindo sua textura e tendo certeza absoluta que não existia nada mais incrível no mundo.
- Hey, dá pra se concentrar aqui, não? – perguntou Mikage, tirando Teito de perto de Hakuren e sentando-se entre os dois – Temos que terminar isso hoje, não quero fazer mais do que a lição de alemão no final de semana, pode ser?
Os dois suspiraram com o pique de Mikage para fazer lição de matemática e continuaram, pelo resto da tarde só fazendo contas. Mas para Teito e Hakuren, se tornou algo mais... Divertido. Para Teito, pois adorou ver seu querido com os cabelos soltos, ficando mais bonito do que nunca. E para Hakuren, bem, Hakuren corava toda vez que flagrava Teito o encarando, mas pelo menos tinha algo a mais para fazer além de contas. Era constrangedor, mas de certa forma, ele gostava.
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Era começo de tarde, Teito havia acabado de acordar, estava calmamente tomando seu café da manhã. Era silenciosa e solitária a sua situação, na verdade, pois era sábado e nenhum de seus amigos estava em sua casa. Mikage não pôde ficar pra sexta de filmes e Hakuren estava cansado das contas de matemática que ficaram fazendo o dia inteiro – pelo menos terminaram as listas – e preferiu ficar na sua casa naquele dia.
Mas estava tudo bem, pois Teito acordou com uma mensagem de Hakuren, que perguntava se eles podiam se encontrar pra assistir o filme daquela semana no sábado mesmo. Antes mesmo de abrir os olhos, Teito já havia respondido que eles podiam se encontrar na locadora depois do almoço.
Como já era bem tarde – e a hora do almoço havia passado há algum tempo – decidiu mandar um sms para Hakuren dizendo para se encontrarem. Então, depois de tomar seu café da “manhã”, tomou um banho rápido e foi para lá.
Quando chegou, Hakuren ainda não havia chegado, o que o deixou com muita raiva, pois odiava atrasos mais do que tudo. Mas como de praxe, cinco minutos depois Hakuren apareceu. Era engraçado, pois ele sempre chegava cinco minutos após o combinado. O recorde fora sete.
- Sentiu minha falta?
Teito sentiu como se seu coração tivesse virado um estilingue. Parou por alguns instantes e depois acelerou como nunca antes. Hakuren estava com os cabelos soltos, dessa vez arrumados, pois ele queria daquele jeito. Não estava com o uniforme do colégio, o que só melhorava sua visão. Teito indignou-se por dentro, pois como, como?!, ele conseguia ficar ainda mais belo? Sem dúvidas, seus cabelos caindo por seus ombros o deixavam incrivelmente mais atraente do que presos para trás.
Bem, Hakuren ficou meio corado com o olhar abobalhado de Teito, o que só o fez ficar ainda mais adorável, desviando o olhar. Mas ele ficou feliz por ver que Teito havia gostado, afinal, só deixou o cabelo daquele jeito porque viu que seu menino gostava.
- Mais do que eu gostaria de admitir – murmurou e o loiro não ouviu, o que o fez dizer outra coisa completamente diferente – Foi ótimo, pude fapar a noite inteira sem me preocupar.
Hakuren corou e negou a cabeça, entrando na locadora antes que Teito dissesse algo mais constrangedor. Teito ainda passou muito tempo admirando os cabelos agora soltos de Hakuren sem que ele visse, não conseguindo deixar de pensar no quão perfeito ele era. Sentiu um aperto no peito, ao pensar que eles nunca ficariam juntos. Tão perto, tão inalcançável...
Passaram a escolher os filmes, indo logo para a sessão de suspense, já que os da sessão de terror já haviam assistido todos – ou pelo menos os melhores. O resto era produção de quinta, que Teito se recusava a ver.
- Hey, vamos ver esse? – perguntou Hakuren, se interessando pela sinopse.
- Quem é o diretor?
- Stephen Hopkins, conhece?
- Conheço. Bora levar – deu de ombros e pegou o terceiro filme – Tá, então a gente leva esses quatro?
- Por mim a gente devolve ainda hoje – disse sorrindo – o que deixou Teito levemente corado – e foram pagar. Após toda a burocracia de usar cartões separados, pagaram com o do Teito, mas dividiram o valor, como sempre faziam com tudo, mesmo que só um fosse consumir.
Mas antes de irem para casa, Teito insistiu para passarem numa sorveteira que tinha numa das esquinas antes de chegarem em sua casa.
- Mas tá frio, Teitei – disse Hakuren, mesmo após já terem entrado e babado nos sabores – Não vai fazer mal?
- Hakuren, você sabe o que é isso? Isso é sorvete e sorvete nunca faz mal. Agora me pague um logo.
Hakuren revirou os olhos e o mandou escolher um sabor – mas ele escolheu quatro. Era grande o suficiente para dividirem, então não pegaram mais um. Hakuren desistiu da ideia de repreendê-lo quando viu seu sorriso grande e feliz, como sempre acontecia quando ele via doce. Era tão bobo, mas deixava Hakuren feliz também.
Nos últimos dias, os dois engordaram um pouco.
- Vambora – disse Teito, mais prestando atenção na sua cobertura de chocolate que caía torturantemente sem que ele pudesse detê-la.
- Pra onde, criatura? – perguntou, achando que ficariam ali mesmo para comer.
- Sei lá, vamos praquela pracinha que tem no final da rua.
- Ahh... Tá longe – resmungou, mas mesmo assim continuou seguindo Teito.
- Olha, o sedentário gordo aqui sou eu, valeu?
- Tá pesando quanto? – perguntou, ignorando o fato de que o comentário anterior fora irônico.
- E por que você quer saber meu peso, seu recalcado?
- Para de ser fresco e me fala – disse, querendo comparar com o que ele pesava quando se conheceram. Por algum motivo, ele guardava essas informações de seus amigos, preocupação excessiva, eu diria.
- 41 – murmurou, colocando uma colher cheia de sorvete na boca, sem culpa alguma.
- Ótimo – disse, sorrindo – Engordou três quilos.
- Vai jogar na cara? Aff.
- Isso é bom, seu tonto – disse – Você era esquelético pra sua altura. Ainda está, na verdade...
- Agora vai jogar na cara a minha altura?!
- Para de drama, Teitei – disse, bagunçando seus cabelos. Teito queria fazer o mesmo, mas não se sentiu digno de tocar aqueles fios macios e perfeitos.
Por fim, chegaram à pracinha, que estava mais do que aconchegante com aquele clima de outono, com as árvores quase nuas, as folhas todas no chão, deixando tudo muito laranja, amarelo, vermelho, marrom... Teito amava aquela estação. Já Hakuren, preferia a primavera, seu oposto exato.
Sentaram-se num dos bancos e dividiram o sorvete. Pode parecer estranho se vocalizada essa cena, mas era um potinho abarrotado de sorvete, duas colheres, cada um de um lado. Era perfeitamente normal.
- Teito, olha! – exclamou, apontando para o alto, onde pequenos flocos de neve caíam preguiçosos, sem pressa de tocar aqueles rostos admirados pela neve precoce.
- Que estranho – disse, vendo um floco dissolver em sua mão.
- O que será que aconteceu lá em cima esse ano?
- Não sei, mas neve é legal – disse, agora observando tudo ao seu redor ficar mais branquinho lentamente.
- É, neve é legal – queria dizer que preferia as flores, mas não quis estragar o momento de Teito, que parecia estar feliz por estar nevando mais cedo. Algum tempo se passou e começou a esfriar um pouco mais do que suas roupas suportavam – Quer entrar?
- Só mais um pouco – disse, agora se aconchegando no corpo de Hakuren para se esquentar. O sorvete, há muito havia acabado e o potinho posto de lado. Hakuren sorriu com aquele gesto infantil e passou o braço a sua volta, trazendo-o para mais perto. Dessa vez foi a de Teito de rir e corar, abraçando-o e tremendo um pouco.
Naquela proximidade, impossível foi não sentir a fragrância que tanto amava, a de seu amado. Abraçou-o propriamente para poder senti-la, perdendo-se nos fios loiros perfumados.
- Adoro seu perfume, Haku – comentou, perdido naquele abraço.
- Mas eu não uso perfume – sussurrou contra seu ouvido e corou quando notou que Teito havia se arrepiado, não fora sua intenção.
- Então, parece que eu adoro você mesmo – disse e Hakuren, que até então não sabia bem o que fazer, o abraçou forte, cessando completamente o frio que estavam sentindo.
- Também adoro você, Teitei.
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A tarde dos dois passou... Estranha. Eram os mesmos, com as brincadeiras e xingamentos, mas se sentiam envergonhados por causa da cena na praça. Às vezes, um via o outro corado e sabia exatamente do que se tratava. Mas nenhuma palavra foi dita naquele dia.
Assistiram aos filmes que alugaram, como Hakuren disse, naquela tarde mesmo. De noite, já estavam terminando o último e, já no jantar que Fea prepara com muito esmero, não se lembravam mais de nenhum clima estranho anterior.
- Uma pena o Mika ir viajar né – disse Hakuren, deitado na cama de Teito enquanto o observava jogar vídeo game. Nunca admitiria em voz alta, mas gostava de ficar ali, deitado num lugar impregnado com o cheiro de Teito, pois isso o fazia lembrar o quanto adorava ficar ao seu lado. E também por isso fizera questão de esquecer a ideia de trazer seu sofá-cama, pois assim não teria mais desculpas para deitar em sua cama sempre que quisesse.
- É, seria legal já que ele não pôde ficar ontem também – comentou, com a atenção mais voltada para a televisão.
- É... – concordou, ponderando se era a hora certa para perguntar o que queria – Posso te perguntar uma coisa, Teitei?
- Manda – disse, soltando um palavrão bem audível depois. O que um jogo não fazia no meio de uma conversa civilizada, não é?
- Você ainda...? – não foi necessário concluir a frase, Teito pausara o jogo e o olhara.
- Não, Haku – disse, agora desligando o vídeo game. Fez um sinal com as mãos quando Hakuren falou que ele não precisava parar de jogar, mas foi ignorado – Naquele dia você me pediu para parar, então não achei certo continuar.
- Mas só parou por mim?
- Sim – disse prontamente, sentando em sua cama e Hakuren também se sentou.
- Acho que devia tentar fazer isso por si só, Tei.
- Olha, foi o que funcionou pra mim. Eu parei, to me sentindo melhor. Não importa como eu fiz.
- É... Acho que você tá certo, o importante é que você parou – disse, mas seu tom era um tanto angustiado.
- Que foi?
- É que... E seu não tiver mais aqui? Você vai continuar a fazer isso?
- Por quê? Por que tá dizendo isso? Por que você não estaria mais aqui?
- Calma – riu do pequeno chilique, com sua voz fina ainda mais fina – Não vou sair daqui. É só que a longo prazo, se não funcionar...
- A longo prazo você vai continuar comigo! Quem você pensa que é?! Não pode sair da minha vida assim!
- Não vou sair, Teitei, é só que é uma possbil...
- É nada! – gritou, levando as mãos ao alto em indignação – Você não vai me deixar! Você não! Não vou aguentar isso de novo! E eu não vou pedir pra você nunca fazer isso porque isso nunca vai ser um pedido! É uma ordem! Você é... Você... Não importa o que você é, só saiba que não pode nunca sair da minha vida, tá me ouvindo?
Hakuren riu, uma tentativa de amenizar o clima. Não, não tinha planos para deixá-lo, mas nunca se sabe quando seus pais terão que ir morar do outro lado do país, não é? Mas ficou a dúvida do porquê ele dissera de novo. Bagunçou os cabelos de Teito e disse que acataria sua ordem: nunca sairia da sua vida.
Teito se cobriu, ficando sentando e com as cobertas na cabeça.
- Teitei...?
- Mas mesmo com tudo isso, Haku – começou – eu ainda me odeio, sabe?
- Mas... Por quê? – perguntou, agora realmente confuso, pois achava que ele havia superado isso.
- Porque eu te amo, Hakuren.
Hakuren ficou pasmo. Como assim ele o amava? Amava, de amor mesmo? Amar de dizer “eu te amo”, como ele acabara de dizer?
- Tem... Tem certeza?
- É claro que eu tenho, seu tosco – disse, com um tom emburrado.
Hakuren não evitou um sorriso.
Foi natural, simplesmente aconteceu ao associar aquelas palavras. Então, ele o amava? Seu Teitei gostava tanto assim dele?
- Diz alguma coisa!
- Se não estivesse com esse cobertor, teria visto minha cara – disse, rindo pelo afobamento de Teito por tirar o cobertor de cima de si para vê-lo – Agora já era, já absorvi o choque.
- O choque?
- É, cara, foi um choque, falou?
- Ai, não fode, Hakuren – disse, se cobrindo novamente – Pelo menos você não me odeia.
- Por que eu odiaria a pessoa que me ama?
Teito deitou-se na cama e virou para a parede. Hakuren quase pôde ver a expressão emburrada que ele fez, e só riu. Mas decidiu deixar as brincadeiras pra outra hora quando ouviu o que ele tinha a dizer.
- É foda, eu... Sei lá, simplesmente não resisto a... a esse sentimento, entende? – perguntou, num tom angustiado – Não consigo conter essa natureza pecaminosa com você. Deve ser um saco, né?
A primeira coisa que Hakuren pensou foi que ele só podia estar brincando. Mas conhecendo Teito, ele diria, sim, esse tipo de asneira. Asneira. É, aquilo era pura asneira para Hakuren.
Asneira, pois ele não se sentia mal por Teito gostar dele, ele nunca se sentiria mal por ser amado. Podia até dizer que gostava daquilo, pois tinha certeza que não era uma amizade à toa. Gostava de Teito, muito mesmo, mas sempre que se dedicava demais às suas amizades, elas sufocavam e o abandonavam. Mas com Teito não tinha medo, sabia que ele não ia ligar caso Hakuren estivesse mesmo o sufocando.
E talvez o estivesse. E ele só sufocava por gostar demais.
- É, Teitei – disse, deitando-se ao seu lado e abraçando seu corpinho – Você só fala asneira.
- Mas... – disse, após virar-se para encará-lo.
- Shh, tá tarde, vamos dormir – pediu, lhe dando um beijo na testa e lhe abraçando novamente. Sentiu Teito relaxar após alguns instantes e finalmente dormiu em seus braços.
Não teve medo, nem ressentimentos. Tudo o que importava era que seu Teitei lhe amava.
Notas finais
Bem, o que eu queria avisar é que provavelmente semana que vem não terá postagem. Talvez nem na próxima. Acontece que eu li o final de Homophobie e vi que estava tudo muito amontoado, informação demais em pouco tempo, pouco capítulo. Então, eu vou reescrever os dois últimos capítulos, mais explicada e detalhadamente.
Para isso, gostaria da ajuda de vocês. O que querem ver essas três bichas fazendo? Se tiverem qualquer fetiche, me falem (mentira, não pretendo fazer mais que dois lemons u_u). Mas sei lá, caso queiram ver um dos três fazendo alguma coisa, me falem que eu farei o possível para encaixar! ♥
Digo isso porque, como vou reescrever os últimos caps, provavelmente renda mais um cap, MASS como eu tenho um TOC desgraçado com número ímpar, vou ter que fazer mais dois caps (pra ficar 14 u_u), então tô com medo de não ter história suficiente pra preencher mais dois capítulos :3 Então, me falem situações que gostariam de ver, só pra ter filler mesmo x3
Bem, espero não estar pedindo demais de vocês p(>3<)q Mas até que estou ansiosa pelas respostas haha
Agora, muito obrigada a todos que estão lendo e comentando, vocês são demais! ♥
Hakuren é do metal, viram isso? -qq Ah, e a neve realmente caiu cedo na Alemanha ano passado x3 Caiu no final de outubro, deixou tudo branquinho ♥ O legal é que no Natal mesmo não caiu absolutamente nada, sacanage çfal~sdjf
Até daqui a algumas semanas n_n Vou tentar ser rápida! Beijos~
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