Homophobie

12 Kapitel Zwölf - Singen im Regen.


Notas iniciais
MAOE PARA TODOS que não abandonaram isso aqui ;_; Porque eu não abandonei 8D Renasci das cinzas com novo final pra vocês. Explico isso melhor lá embaixo.
Cap. betado pela Taokoyaki linda e dedicado a ela, a Moyashi (marida linda ;;) e, claro, aos lindos e lindas que leem e comentam, vocês são meu combustível ♥
Sem mais enrolação, boa leitura!

Agora tudo fazia sentido na cabeça de Hakuren. Não podia descrever o que sentiu ao ouvir o tom dolorido de Teito fazendo sua narração, embargando a voz com o choro que nem fazia questão de conter, tão entretido que estava.

Sua história não era nada parecida com o que imaginou. Em sua mente ingênua, Teito sempre morou num casarão perto da praia, com um pai meio amalucado que o amava e um ótimo amigo para mimá-lo. Cortava-se por preconceito, que nem chegava a ser depressão por ele nunca ter ido a um psiquiatra.

Mas agora, sabia que sem dúvidas aquilo era depressão.

De súbito, uma revelação lhe assolou. Se ele sofria de depressão, uma doença séria, que só tinha cura com remédio ou terapia, e Hakuren conseguira melhorar seu quadro – segundo o que o próprio Teito dissera – com alguns meses de convivência, mimando e amando-o, poderia ele com mais perseverança curá-lo?

Tentou não sorrir muito abertamente, pois não queria que Teito achasse que estava tirando sarro de sua situação – estava longe disso! Resolveu que, para conseguir ajudá-lo propriamente, precisava ter um bom resultado naquele mesmo dia.

– Eu não posso dizer que entendo, Tei – começou cuidadosamente, atento a cada reação e mudança de expressão –, porque nunca passei por algo assim, mas... Já faz anos, você precisa superar.

- Ah, Haku, eu sei – disse, com o pesar entalado em sua garganta – Mas é tão difícil esquecer, já tentei tantas vezes, mas sempre acaba voltando. Por mais que eu queira, minha mente me bloqueia.

- Bem, você está empurrando isso para o fundo do seu coração, não está? – perguntou e Teito o olhou, indagando-se aonde ele queria chegar, mas assentiu. – Talvez seja esse o seu erro, sabe.

- O que quer dizer?

- Você precisa superar, Tei, não esquecer – disse docilmente, afagando seus cabelos levemente. – Seu coração precisa saber que você não vai mais se lembrar disso, que superou. Me entende?

Teito assentiu, pensando naquilo. Fazia sentido, nunca havia pensado por aquele ângulo e imaginou se conseguiria tal feito.

- Olha só – disse Hakuren, ajeitando-se à sua frente – Não precisa ter medo de sofrer discriminação por nenhum de nós. Fea, Lala, Mika, todos nós te amamos e te apoiaremos em qualquer decisão, sabe disso.

- Uhum – concordou, com os olhos subitamente marejados ao notar que ele falava a verdade. Era boa e aconchegante a sensação de saber que tinha pessoas em sua vida que o amavam e que nunca sairiam de seu lado. Todos deveriam experimentar.

- E... Bem, como eu vou dizer? Teito, não pretendo sair do seu lado. Nunca – disse com firmeza, olhando-o nos olhos – Te abandonar é algo completamente incogitável. Então, pode tirar esse peso do seu coração também, pois pode apostar que eu nunca vou te deixar.

Teito sorriu timidamente, sem olhá-lo nos olhos. Toda a raiva que sentia antes de desabafar sobre seu passado foi completamente esquecida. Nem mesmo se lembrava por que estavam brigados. Tudo o que importava agora eram as palavras doces que poderia ouvir de Hakuren.

— E, se for para assumirmos algo, e só faremos isso se você quiser, pois não quero te forçar a nada – disse, referindo-se também ao estupro – Eu estarei do seu lado. Se for para alguém nos dizer qualquer coisa, nós encararemos de frente, sem correr, sem nos rebaixarmos. E juntos. Juntos até o final, ok?

— Eu tenho medo – declarou num fio de voz, querendo acabar com tudo ali, mas sem conseguir ignorar alguns sentimentos.

- Você me ama... né?

- Amo – murmurou, mas por não estar lhe olhando não viu a expressão feliz que Hakuren fez. E sempre faria, sempre que ouvisse algo assim dele.

- E isso é lindo – disse, segurando sua mão – Significa que você não vai ligar de passar por tudo isso comigo, não é?

- Eu sei que sempre estaremos juntos e que vamos passar por cima – disse, dessa vez lhe olhando – Mas só de pensar no que terei de passar de novo... Me dá tanto medo, Haku.

- Não precisa ter medo – abraçou-o, beijando o topo de sua cabeça e deixando-o em seus braços – Você não passará por nada de novo. Sua vida não é uma sucessão de flashbacks, Teito, você não reviverá um inferno só por ficar comigo. Dessa vez, são outras pessoas, outro relacionamento, outro tempo. Não tem como a mesma coisa acontecer.

- Os gêmeos...

- Não estão aqui – disse, interrompendo seja lá o que ele fosse dizer. Ouviu-o suspirar e, então, ficaram em silêncio, apenas ouvindo os batimentos cardíacos um do outro, sendo inconscientemente tranquilizados por aquilo.

- É estranho... – Teito quebrou o silêncio, exteriorizando outro de seus confusos sentimentos – Eu passei tanto tempo me obrigando a detestar isso que acho que agora... Acho que eu detesto mesmo. Detesto o que isso significa.

- Então, dê a isso outro significado.

- Por que você é tão contra a aceitar que isso não é normal? – perguntou, não para ferir, apenas uma pergunta boba, seguida por um risinho.

- Porque eu... – parou, pensando em como dizer aquilo. Teito lhe olhou curioso e Hakuren sorriu, corando todo o rosto – porque eu te amo.

- Você... me ama? – perguntou, soltando o abraço e o olhando atônito.

- É, bem, sim. – concordou encabulado com a surpresa de Teito. Para ele, era bem óbvio que o amava, então não soube bem como reagir. Nem Teito. Hakuren forçou-se a acrescentar – Você viu como eu era: homofóbico e idiota. Mas você mudou isso, Teito, sendo apenas... Você. Essa é a maior prova de que as pessoas podem mudar. De que você pode também.

Teito continuou sem reação, olhando-o como se fosse a primeira vez que o via. Os cabelos lhe pareceram mais brilhantes, a pele mais macia, os olhos mais expressivos... Tudo mudou naquele momento.

Sem conseguir ler a mente de seu amado e não saber que aquela falta de expressão não era algo, exatamente, ruim, Hakuren acrescentou: — E ter de ficar sem você me causa dor, Teitei, muita.

- Não queria te machucar, Haku – olhou-o com pesar, por mais que ainda estivesse absorvendo o choque.

- Não se preocupe comigo – disse, lhe afagando – Preocupe-se com nós dois.

Teito levantou-se e deu alguns passos pela sala bem arrumada de Mikage. Hakuren o viu passando as mãos pelos cabelos e se perguntou o que ele estaria pensando. Por fim, Teito virou-se, ainda com a mesma expressão.

- Isso muda... Tudo – declarou e Hakuren levantou-se, mas Teito desviou-se de seu abraço, subindo as escadas e indo para o quarto de Mikage. Sozinho na sala, Hakuren bagunçou os cabelos presos e não teve dúvidas de que Teito era a pessoa mais complicada que conhecia.

Teito deitou-se na cama de seu melhor amigo, agarrando um travesseiro e tentou entender o que sentia. Parecia confuso, mas a felicidade se sobrepunha. Por algum motivo, por ter sido abandonado por pessoas que gostava – Capella, sua mãe, Hyuuga, Ouka, Kuroyuri – imaginou que todos que se envolvesse fossem sumir também. Deixou de cogitar há anos a hipótese de ter um amor duradouro.

Quem dirá receber um eu te amo.

Não sabia o que sentir. Seus traumas lhe assolavam, mas dessa vez era diferente. Tinha um grande eu te amo bloqueando sua entrada no coração dele. Via Capella e Hyuuga agora como sombras, pessoas que nem chegaram a dizer tais palavras. Ouka e Kuroyuri, e também a velha escola, deles sentia nada mais que indiferença. Sua raiva ficou tão mesclada a tristeza que agora, agora que tinha amor, não fazia mais sentido ter essas coisas guardadas.

Sua mãe, ah, ele a amava. Ela apenas fez o que seu coração mandou. Queria vê-la feliz e se fosse com outra pessoa que não seu pai, não poderia julgá-la, certo? Não, não poderia...

...assim como não julgou seu próprio coração ao jogar do alto de um abismo um peso que carregou durante todos esses anos, a maior prova de que estava conseguindo superar seus medos.

Sobrava apenas o pior dos medos, o medo de amar. Mas naquele momento descobriu que não sentia medo de amar, mas de amar e não ser retribuído, por nunca ter recebido um eu te amo dessas proporções. Por sempre ter dito a Hakuren que o amava e ele nunca ter dito o mesmo.

Mas agora? Agora ouvira aquelas três palavrinhas que sempre ansiou ouvir em toda a sua vida, ditas por alguém que ele também amava e que podia ter a certeza de que ficariam bem juntos. Agora ele tinha o que sempre sonhou.

Ouviu algumas batidas na porta e sorriu, sabendo que Hakuren nunca o ia deixar sozinho por muito tempo. Viu-o se aproximar inseguro, não sabendo o que pensar da saída repentina. Sentou-se na cama e limpou as lágrimas que caíam sem que ele nem mesmo notasse.

- Por que tá chorando, bebê?

Teito sorriu ante aquele olhar preocupado sobre si, limpando o que sobrou das lágrimas.

- Por que você é tão bom pra mim, Haku? – perguntou, aninhando-se em seus braços, ouvindo Hakuren suspirar aliviado e sorrindo mais uma vez.

- Porque eu te amo, ora essa – respondeu, acariciando seus cabelos. Teito o olhou nos olhos e não conseguiu fazer menos que sorrir, aquecendo o coração de Hakuren, que esperou por tanto tempo ver aquele sorriso novamente.

- Não tenho motivos pra não acreditar em você, não é?

- Nem um sequer – disse, acariciando suas bochechas rosadas.

- Você... promete pra sempre ficar do meu lado?

- Prometo, para sempre. Me submeto a qualquer coisa por você.

- Vai pra sempre me amar?

- Sem dúvidas.

- Então... Eu... – não sabia como dizer, naquelas circunstâncias, que aceitaria passar o tempo que fosse ao lado dele, aguentando tudo e todos. Mas olhando naqueles olhos violeta, viu que não precisava dizer nada, ele já sabia.

Segurou tímida e tremulamente o rosto fino de Hakuren, sentindo o coração dos dois acelerar, aproximando-se até que, enfim, os lábios tocaram-se. De forma contida e insegura, mas finalmente puderam sentir um ao outro verdadeiramente.

- Era tudo medo, Haku – declarou, assim que se separaram, por mais que não aguentassem ficar muito separados – De... ser abandonado ou repudiado – desviou o olhar antes de acrescentar: Não pensei que alguém pudesse me amar.

- Mas eu amo – disse com firmeza, abraçando-o bem juntinho – E vou amar até o dia em que o sol parar de brilhar. Vamos encarar o mundo juntos.

- Ah, Haku – enlaçou seu pescoço, sentindo os olhos marejarem. Não era descritível a sensação que ele teve, de finalmente ouvir aquelas palavras, que almejou por tanto tempo, mesmo que inconscientemente. Estava tão feliz por ser Hakuren dizendo-as – Eu esperei tanto tempo por isso...

- Eu também – segurou o rosto pequeno e corado de seu amado e ali, o beijou de modo a suprir toda a necessidade que sentiu pelo tempo que ficaram sem se falar.

Ah, era tão bom beijá-lo, sentir aqueles lábios finos e hesitantes contra os seus. Esperou tanto, sofreu tanto só para sentir aquela pressão em seus lábios. Já Teito não sabia o que sentir. Estava tão feliz, tão realizado e leve que ainda não se acostumara completamente com aquele sentimento. Era tão novo, poder amar sem medo assim.

Colocou-o em seu colo, abraçando-o fortemente sem interromper o beijo nunca, sentindo-o apertá-lo com as pernas. Se assustou quando Hakuren tirou a própria blusa e quis tirar a sua, mas foi só olhar para aqueles olhos que claramente diziam que estaria sempre ali para ele e que nunca o machucaria, que não teve mais dúvidas do que queria. Deixou-o fazer o que quisesse consigo naquela noite.

Não se assustou quando seus beijos desceram, arrepiando-o e fazendo-o sentir como nunca antes. Logo as roupas não foram mais necessárias, haviam parado em algum lugar qualquer no quarto de Mikage. Hakuren experimentava cada canto do corpo pequenino de Teito, querendo sentir e suprir o desejo que por tanto tempo sentiu. Logo seus beijos chegaram à região íntima de Teito e não esperou para fazê-lo contorcer-se de prazer, sem nunca desgrudar seus olhos dos dele.

Era tão bom saber que conseguia fazê-lo sentir-se daquele jeito.

Massageando suas coxas, seus dedos pararam em sua entrada, o que fez Teito retesar e seu olhar se tornar duro. Foi assim que Hakuren lembrou-se que a primeira vez de Teito com um homem fora um estupro, ele fora tratado como “mulher”, segundo ele, à força. E aquilo, Hakuren tinha certeza que ainda era um fantasma do passado que o aterrorizava de vez em quando.

Hakuren disse que se submeteria a qualquer coisa por ele, não disse? Aquela era uma delas. Levou os beijos novamente para seus lábios, entrelaçando uma de suas mãos nas suas. Com a outra, a segurou e a levou aos seus lábios, umedecendo aqueles dedos trêmulos, o que deixou Teito com uma expressão confusa. Ele só entendeu qual era a pretensão de Hakuren quando ele levou aqueles dedos molhados para sua própria entrada.

- Hakuren... Você não precisa – tirou os dedos de lá e lhe deu um selinho demorado. Hakuren apenas negou com a cabeça, sorrindo como se dissesse que estava tudo bem. Fez Teito penetrá-lo com os dedos e só soltou sua mão quando ele já estava fundo dentro de si. Doía e era incômodo, mas preferiu não demonstrar nada disso senão Teito desistiria.

- Vamos, Teitei, pode ir mais fundo – disse, com a voz levemente falha pela dor. Teito ainda tentou argumentar, mas foi Hakuren quem teve que se afundar em seu dedo, que teve que fazê-lo colocar outro e mais outro, e ainda precisou pedir para que ele se movimentasse.

Mas logo Teito esqueceu um pouco que não queria fazê-lo sentir dor quando sua expressão passou para prazer, assim que ele movimentou seus dedos. Parecia que lá no fundo havia algum ponto que o dava mais prazer, assim como tinha tanta vergonha de admitir que sentira anos atrás.

- Quer entrar?

- Tem certeza?

- Sim, venha – beijou-lhe calidamente enquanto Teito posicionava seu membro em sua entrada. Foi entrando aos poucos, com os olhos bem abertos para ver se ele sentia alguma dor, mesmo que não tivessem parado os beijos. Os movimentos cessaram por alguns instantes, até que Hakuren rebolou em cima de si, fazendo Teito soltar um gemido lânguido.

As emoções se intensificaram, assim como os movimentos. Hakuren subia e descia sobre Teito, sentindo-o completamente dentro de si. Sentiram-se completos naquela hora. Era daquele jeito que o queria, não teve mais dúvidas: Para sempre dentro de si. Física e emocionalmente estavam conectados.

Teito quase não acreditou no que estava lhe abrigando naquela hora. Olhou para o rosto suado e corado de Hakuren, os lábios entreabertos, gemendo baixinho, às vezes seu nome escapava. Os cabelos leves e soltos se movimentavam de acordo com eles, dando a ele um ar tão mais majestoso. Amava aquela pessoa mais do que a si mesmo.

Aquela visão lhe lembrou de meses atrás, quando teve sua primeira fantasia sexual com Hakuren. Era exatamente daquele jeito que imaginara. Não, era ainda melhor, era mais vivo e intenso. Ele estava mesmo ali, enfim, se entregando de corpo e alma, não era um truque de sua mente. E quando o via excitado, intimamente se perguntava se conseguiria, algum dia, vê-lo daquele jeito por ele. E naquela hora, todos esses sonhos se realizaram.

- Eu... Ah! – gritou Teito, não conseguiu avisá-lo e lá estava, se despejando dentro ele. Mas se surpreendeu quando viu que Hakuren também estava. Sorriram um para o outro, se beijando e sussurrando o quanto se amavam.

Fora sincronizado, como se tivessem ensaiado. Fora perfeito.

Hakuren caiu por cima de Teito, tomando cuidado para não machucá-lo e o aninhou em seus braços logo após.

Pergunto-lhe agora se imagina o que fizeram. Consegue pensar em algo? Refute as palavras, ignore os movimentos e extermine a indiferença, se o que pensou foi um olhar longo e profundo, que englobava tudo o que precisavam fazer naquela hora, parabenizo-te dizendo que conhece muito bem o presente casal.

-x-

- Mas eu não acredito nisso!

E foi com um grito incrédulo de Mikage que os dois acordaram naquela manhã, assustados e sem saberem o que fazer.

- Poxa, Mika, desculpa!

- Eu sei que foi antiético, cara – disse Hakuren – A gente limpa tudo, prometo!

- Quem é que tá falando de ética aqui, Hakuren? – revirou os olhos, jogando-se no meio dos melhores amigos – Então, quer dizer que vocês se ajeitaram?

- Sai daqui, Mikage! – disse Teito, arrumando o lençol que descobriu-lhe um pouco. Mikage foi mais para o final da cama, sentando-se de pernas cruzadas. Olhou para os dois rostos corados a sua frente, não conseguindo mais fazer gracinhas. Eles estavam, enfim, juntos. Tinha seus dois melhores amigos de novo.

Teito estava curado.

- Estou realmente feliz por vocês, caras – disse, abrindo um sorriso colossal, que fez Hakuren e Teito esquecerem-se que estavam numa situação constrangedora. Sorriram em retribuição e também não conseguiram negar quando Mika pediu um abraço, apertando os dois em seus braços.

- Valeu, Mika – disse Teito – Agora tá tudo bem.

-x-

Talvez o mais interessante de toda a situação dos moços Teito e Hakuren fosse sua sucessão de dias, uma vez que o ano letivo ainda não havia terminado. Os dois encontraram neles mesmos uma nova motivação para irem para escola.

O final de semana que sucedeu a decisão que os dois tomaram de ficar juntos talvez tenha sido o melhor dos dois. Se houvesse um nome para chiclete humano, esse seria “hakutei”, pois não, eles não se desgrudaram um só instante. Mikage os ajudou muito nessa parte também, cedendo a casa para que fizessem o que quisessem durante o final de semana, já que seus pais e irmãos estavam viajando – contando que tudo estivesse arrumado segunda-feira de manhã. Não remediaram em aceitar a proposta.

A primeira semana, entretanto, pode ser descrita como atípica. Não há outra palavra; fora atípica. Primeiramente porque naquela segunda-feira Teito não acordou em sua cama, com Hakuren ou Mikage dormindo no sofá, ou mesmo sozinho. Nem Hakuren acordou com sua irmã o chamando. Ambos acordaram no quarto de Mikage, não necessariamente vestidos, abraçados e incrivelmente... felizes.

Na escola, todos estranharam o fato de estarem novamente sentando juntos, ouviram murmúrios dizendo que eles não sabiam o que queriam e que deveriam ficar logo juntos. Mas no meio do dia, talvez depois do intervalo, tudo isso cessou, pois os colegas de classe notaram que, bem, eles estavam juntos.

- Eu ainda não estou acreditando em vocês dois – disse Lala, olhando com a clássica feição incrédula de mão no rosto e queixo caído.

- Mikage, nossa TV a cabo, não já te explicou, Lala? – perguntou Teito, fazendo Mikage jogar-lhe uma ervilha.

- Sim, claro que já, ora essa. Apenas... Não acredito nisso tudo – apontou para os dois, Teito sendo abraçado por Hakuren no típico muro em que ficavam no intervalo, com as mãos entrelaçadas – Eu estava tão preocupada!

Os dois se entreolharam e Teito se endireitou, por mais que ainda estivesse com os braços de Hakuren ao seu redor. Sabiam que o que tinham feito fora errado, preocupar todos a sua volta assim. Deviam desculpas a todos.

- Lala, Mikage – começou Hakuren – O que fizemos não foi certo. Nos trancar assim na nossa dor sem considerar a de vocês. Então... Pedimos que nos perdoem, honestamente estamos muito arrependidos.

- Além do quê, também devemos agradecer tudo o que fizeram pela gente durante esse tempo – emendou Teito – Com certeza não estaríamos juntos se não fossem por vocês dois pentelhando.

Mikage e Lazette reviraram os olhos e abraçaram os dois, formando um caloroso abraço em grupo, que os quatro precisavam desde que toda aquela crise foi resolvida.

- Não importa o que aconteceu mais, seus tontos – disse Mikage – O importante é que agora vocês estão juntos.

- Mas eu juro que corto os cabelos do Hakuren se algo assim acontecer novamente – disse Lazette, fazendo uma tesoura com os dedos quando se separaram. Hakuren segurou os fios loiros – agora novamente soltos – de um lado e Teito fez uma expressão de revolta.

- Isso é golpe baixo! – disse ele – É tudo recalque, Haku, não liga. Ninguém toca nos cabelos do meu homem, falou?

Os quatro se entreolharam e gargalharam, chamando atenção de boa parte dos que passavam. Uma frase tão boba, mas que agora significava uma mudança tão grande. Finalmente, foi o que pensaram, finalmente.

- Liberdade, caras! Liberdade! – gritou Mikage ao final da última aula, sendo seguido por um grito em uníssono de toda a sala e um risinho do professor. Pois é, férias de inverno haviam finalmente chegado naquela escola.

- Tá de pé aquela viagem pra Islândia, Tei? – perguntou Hakuren após fazer questão de jogar pra cima as provas e trabalhos do bimestre que os professores haviam entregado ao longo do dia.

- Ah, acho que não... – respondeu Teito e rasgou seus trabalhos, não sentindo um pingo de remorso – Mas podemos fazer o que quisermos! 18! Livres!

- Novato, esse daí – disse Mikage, bagunçando os cabelos negros de Teito – Vem, vamos logo embora daqui! Vem, Lala!

Foi ao seu encontro, abraçando-a e levantando-a do chão, para então beijá-la, fazendo a sala inteira bater palmas e gritar “finalmentes” e “tava na horas”, e também barulhos indefinidos, mas que fizeram Lazette corar e Mikage gargalhar de felicidade. Teito e Hakuren deram as mãos e foram ao encontro dos dois, abraçando-os.

- Agora vamos embora logo! – disse Teito, correndo corredor afora segurando a mão de Hakuren.

Os quatro resolveram ir pra praia, a pé mesmo, por mais que fosse um pouco longe, mas quando se está com amigos, distância alguma fica cansativa, não é mesmo? Chegaram e ainda tiveram tempo de andar um pouco antes de ver um incrível pôr do sol, que os fez cessar qualquer conversa apenas para observar o mar tornando-se um com o sol.

- Bem, eu e Lala iremos para minha casa, minha mãe disse que faria um jantar especial hoje – disse Mikage, preparando-se para ser zoado por Teito.

- É por causa da Lazette? – perguntou Hakuren.

- Bem, é... – respondeu encabulado, sorrindo para sua amada.

- Vocês são um nojo – disse Teito, que preferiu não falar nada para encabular Mikage, por mais que adorasse zoá-lo pela sua mãe ser tão “encimona”. Tinha outra coisa muito mais importante para se preocupar no momento...

- Falou o casal de bicha.

- Mikage! – repreendeu Lazette, olhando envergonhada para Teito e Hakuren.

- Se você soubesse o tanto de marmanjo que esse ai já pegou, também não se preocuparia, Lala – disse Teito, rindo da preocupação da amiga para o suposto preconceito de Mikage.

- Quer dizer que Mikage também tem seu lado viadão?

- Hetero é acessório na minha sexualidade, meu amor – respondeu Mikage a Hakuren – Mas agora apenas uma coisa me importa – disse, beijando a bochecha de Lazette. Teito sorriu para os dois, feliz que tivessem finalmente se aceitado. Mais de dez anos para ficarem juntos, não era sem tempo!

Todos seguiram para o metrô mais próximo, sujando de areia por onde passavam. Mikage e Lala foram para o lado da cidade que moravam enquanto Teito e Hakuren voltaram para a direção da escola, já que era bem perto.

- Dorme lá em casa hoje, Haku? – perguntou Teito, por mais que já soubesse a resposta, quando estavam já na rua de casa.

- Ahn... Não vai dar, Tei. Enida pediu para eu... Ahn...

- Tudo bem, então! – tirou de cima de si com violência o braço que lhe acariciava os ombros, batendo os pés em direção a sua casa – Nos vemos mais tarde! – podia sentir os olhos molhados, mas recusou-se a derramar uma lágrima sequer. Já fazia alguns dias que era sempre essa a resposta de Hakuren: que não podia, que precisava fazer alguma coisa... Parecia que ele não queria mais aquela droga de relacionamento agora que estavam finalmente chegando a algum lugar.

Hakuren olhou Teito batendo os pés enquanto seguia para sua casa e riu de toda aquela irritação. Foi para a sua pensando se o jantar já estaria pronto, estava faminto!

Teito chegou, cumprimentou seu pai com um beijo no rosto e foi diretamente para seu quarto, ignorando a fome que sentia por não ter almoçado nem jantado. Tudo o que conseguia pensar era: Hakuren não mais lhe queria. Essa era a única explicação para o comportamento estranho que ele estava tendo nos últimos dias. Sempre que tinham um tempo livre, ele preferia ir para casa, inventava uma desculpa, nunca mais dormiu com ele e sempre desviava do assunto quando Teito lhe questionava a respeito.

Fazia pouco mais de duas semanas que estavam juntos. Era uma experiência nova para os dois, mas Teito tivera alguns anos para lidar com isso. Talvez Hakuren... Talvez ele não tenha gostado daquele tipo de relacionamento. Ele mesmo odiava tudo isso no passado, por que Teito imaginou que ele fosse aceitar tudo numa boa agora?

Tudo estava ficando ruim novamente. Quando achou que finalmente poderia sair daquela depressão, tudo começou pouco a pouco a ruir. Talvez ele realmente não merecesse a felicidade e sua sina era sempre ficar amargurado. Por quê? Por que ele? Por que essas coisas ruins o perseguiam?

Naquele dia, Teito teve medo de seu passado.

Não percebeu quando adormeceu, foi em algum momento entre a raiva e as lágrimas. Acordou com seu pai batendo na porta, com o telefone na mão.

- Alô? – perguntou com a voz sonolenta.

- Oi, Teitei.

- Hakuren?

- É claro que sim! Esperava outra ligação?

- Por que não ligou no meu celular?

- Eu liguei. Sete vezes. Quase morri de preocupação. Você não jantou, não é? Trate de comer alguma coisa, já conversei com Kreuz.

- Ah, me deixa em paz – respondeu, caindo no travesseiro – O que quer?

- Queria te dar boa noite já que não pude ir praí hoje...

- E a moça se importa?

- É claro que sim!

- Não é o que as suas atitudes me dizem – disse com um tom mais firme, virando-se para cima na cama.

- Não vamos começar esse assunto de novo, Teito. Eu ando ocupado, você sabe.

- Claro. Ocupado. Com o que? Com as meias que não estão passadas? – ironizou, sentindo uma dor no coração, bem no lugar onde o medo de sofrer estava.

- Não vou discutir com você. Já está tarde, preciso ir dormir. Você jante e amanhã conversamos.

- Você não manda em mim!

- Boa noite, Teito – disse ao revirar os olhos, mas não houve resposta do outro lado da linha. Respirou fundo e se controlou para não correr até a casa dele e abraçá-lo o mais forte que podia – Eu te amo, okay? Não se esqueça disso.

Querendo ou não, ouvir aquelas palavras de Hakuren sempre lhe aquecia o coração, fazia com que as coisas ruins fossem embora. Queria lhe responder, mas o orgulho era maior. Desligou o telefone.

No final, fez o que Hakuren pediu e foi jantar, contando para Fea tudo o que estava acontecendo, dizendo o quanto detestava Hakuren por isso, omitindo o fato de que estava com medo que ele lhe abandonasse, afinal, seu pai não sabia que estavam juntos. Como já era tarde, logo foi dormir novamente, não tendo dificuldades em adormecer profundamente. Como era bom poder dormir sem se preocupar com o amanhã.

Naquela noite, não sabia que tipo de sonhos estava tendo, apenas sabia que eram bons e que não queria acordar nunca mais. Uma voz suave lhe chamava, estava bem longe, mas a ouvia como se estivesse sendo sussurrada apenas para ele. Ela lhe conferia carinho e amor, queria tanto saber de onde vinha! Não queria acordar, agora não... Queria ouvir mais... Não...

- Não... Agora não...

- Vamos, Teitei, acorda – disse a voz, dessa vez mais real do que ele se lembrava – Já está tarde.

- Hmm...

Dessa vez, sentiu beijos serem distribuídos por seu rosto, lhe fazendo cócegas por serem muito leves. Não queria acordar, mas não viu outra opção. A primeira coisa que viu o fez sorrir involuntariamente antes de se lembrar que estava chateado: Hakuren Oak, a pessoa que detinha todo seu amor.

- O que tá fazendo aqui, Haku?

- Como eu andei muito ocupado, pensei em passarmos o dia juntos hoje – sorriu com amor para aquela carinha sonolenta que sempre lhe fazia querer apertar as bochechas.

- É sério? – perguntou enquanto abria um sorriso de orelha a orelha, antes de se lembrar que tinha um orgulho e não podia ficar tão feliz só por poder passar o dia com Hakuren. Tentou ficar indiferente, mas a verdade é que estava com o coração aquecido.

- Sim! Então levante logo, temos muita coisa pra fazer.

- Temos, é? – deitou na cama e cobriu a cabeça novamente – Queria ficar dormindo o dia inteiro.

- Se quiser, eu posso ir embora e outro d...

- Não, para, Haku, pô – disse, segurando o braço de Hakuren que já havia se levantado. Fazendo força além de suas habilidades, levantou-se e foi tomar banho enquanto Hakuren foi preparar seu café da manhã.

- Vocês estão de bem? – perguntou Fea ao observar Hakuren preparando café para Teito.

- Sim – sorriu para o sogro – Ele disse alguma coisa?

- Eu diria que ele fez um monólogo sobre o quão nervoso estava com você – disse, levantando uma das sobrancelhas – Está tudo bem mesmo, Hakuren?

- Eu garanto que não há motivos para se preocupar, Kreuz – disse Hakuren, sabendo que mil coisas poderiam estar passando na mente de um pai preocupado com seu filho – Logo tudo vai se resolver e eu explico o que aconteceu.

- Se você diz, eu confio – disse, tomando um gole de seu café já frio – Mas se você está aqui hoje, quer dizer que está tudo bem.

- E está – sorriu para Fea e colocou o último pãozinho na bandeja – Onde está a manteiga?

- Acabou ontem – disse num tom menos pesado, voltando atenção ao livro que estava produzindo – Mas tem ricota, acho que Teito não se importa.

- É, acho que não... – respondeu vagamente, pegando a ricota e colocando também na bandeja, então foi para o quarto de Teito, que estava procurando uma camiseta para colocar.

Ah, nunca se cansaria de observar aquela pele branca desnuda.

- Ei, Haku, a gente vai pra algum lugar? Não sei que... Ahn... – interrompeu-se ao sentir as mãos geladas de seu amante lhe percorrerem as costas até lhe abraçá-lo por completo, para então morder e beijar seu pescoço.

- Para de me provocar, Teitei – disse, segurando o queixo de Teito e virando-o para si, lhe dando selinhos demorados.

- Eu não fiz nada – disse e virou-se por completo nos braços de Hakuren – Você que é um pervertido.

Esqueceram-se de tudo naquele beijo, que tanto precisavam depois do tempo sem se ver. Há tempos já não eram mais discretos ou tímidos naquele tipo de contato, o máximo que faziam era certificar-se de que Fea não estava em casa nas vezes que avançavam um pouco mais – mas nem sempre conseguiam se controlar.

Hakuren espalmou as mãos na bunda de Teito, puxando-o para cima de sua ereção, fazendo-os tremer de prazer já que não podiam gemer tão alto quanto gostariam. Teito tirou a camiseta que ele usava e grudaram os torsos nus, intensificando as carícias.

- Não... Não – pediu Hakuren, separando os dois – Agora não.

- Ah, não fode. Quer dizer... – deixou as palavras pra lá e beijou novamente Hakuren, que teve que corresponder.

- Quero te levar num lugar antes – disse, segurando-o pelos ombros o mais longe possível de sua ereção.

- Tsc.

Teito não disse mais nada, empurrou Hakuren e foi terminar de se vestir. Por fora, mostrava-se irritado e qualquer pessoa que ousasse falar com ele, saberia que levaria um maravilhoso soco no nariz. Mas a verdade é que estava inseguro. Hakuren ficou evitando-o a semana inteira e agora que tinham um tempo juntos ele preferia cessar as carícias. A única situação que lhe vinha era a da noite anterior: Hakuren não estava gostando daquele tipo de relação. Além de sua companhia não mais o satisfazer, agora nem mesmo seu corpo o fazia. Queria chorar e ficar abraçado a Mikage ou a seu pai, mas se fez de forte para não mostrar que Hakuren o dividia.

Hakuren quis rir daquele comportamento tão absurdamente adorável. Conseguia ler Teito melhor que a um livro para crianças, apenas ele achava que escondia seus sentimentos. Provavelmente o idiota estava achando que nem seu corpo satisfazia Hakuren mais. E também alguma asneira sobre estar receoso com seu primeiro relacionamento homoafetivo.

Preferiu não ligar para isso, ainda não era hora. Esperou ele se arrumar pacientemente, sabia que era apenas provocação. Assim que Teito experimentou o sétimo casaco, eles tomaram café da manhã e puderam finalmente sair de casa. Hakuren roçava propositalmente as mãos, mas Teito sempre desviava, até que resolveu guardá-las nos bolsos e inevitavelmente fez um biquinho. Hakuren riu e lhe deu um beijo na bochecha.

- Para com essas viadagens e me diz logo onde estamos indo – disse ao notar que estavam na Rua do Rei, uma enorme avenida que cortava boa parte daquela zona da cidade. Odiava andar por ali justamente por isso: por ser muito grande, demorava séculos até chegar ao destino.

- Vamos para o Jardim Inglês – respondeu, resolvendo ir cessando aos poucos o mistério.

- Fazer o que no parque num dia como esse? Está congelando! – exclamou tremendo, mesmo por baixo dos casacos, como que para ilustrar a frase.

- É, seria melhor se fosse um dia ensolarado... – comentou vago, pensando se seu plano funcionaria bem com esse tempo. Apenas esperava que não chovesse. Se chovesse arruinaria absolutamente tudo.

- O que vamos fazer lá? Não trouxemos nada para piqueniques.

- Piqueniques? Você gosta dessas coisas? – perguntou realmente querendo saber, pois não imaginava Teito no meio de flores e comidinhas, mas até que funcionou como escapatória para mudar de assunto.

- Até que sim... Mikage, Lala e eu costumávamos fazer piqueniques aqui – respondeu um tanto distante, olhando para uma das entradas do enorme parque, se acalmando um pouco em relação a Hakuren e todo o mistério idiota que ele estava fazendo.

- E por que não fazem mais?

- Você nos deixou muito ocupados – piscou e depois deu de ombros – Poderíamos fazer qualquer dia. Eu gosto, sabe...

- Faremos ainda nessas férias. E quando estiver nevando. Piquenique na neve, vai ser divertido – abraçou Teito pelos ombros e ele não viu problemas em retribuir o gesto o segurando pela cintura. O parque sempre estava deserto naquela época do ano mesmo.

Andaram mais alguns metros, sempre rodeados por muitas árvores e animais silvestres, que mesmo com o tempo frio não deixavam aquele ar aconchegante de estar entre a natureza. Porém, quando foram se aproximando de uma das pontes que cruzava o rio, Hakuren tapou a visão de Teito, guiando-o por trás. Teito queria xingá-lo, mas começou a se divertir com a situação.

Sentiu que começaram a subir um pequeno morro. Como ele era inclinado o suficiente para precisaram de equilíbrio, Hakuren tapou a visão de Teito com o cachecol que usava e continuou guiando-o. Até que chegaram ao topo e ficaram frente a frente. Assim que Hakuren lhe tirou o cachecol dos olhos, bateu palma duas vezes e tudo pareceu se iluminar em volta deles. Foi aí que Teito olhou ao redor e viu que realmente tudo se iluminou.

Estavam no velho coreto que se erguia sob o morrinho. Por não ser tão fácil de se subir, muita gente apenas o observava de longe, pela trilha do parque. O próprio Teito nunca tivera vontade de ir até lá em cima. Mas não prestou atenção na vista que tinha, pois ficou admirado com a decoração incomum que o lugar ganhara. Estava cheio de rosas presas umas as outras nas pilastras e nos muros, mas o estranho era que eram rosas verde-água. Eram rosas só que verde-água! A primeira coisa que pensou foi nos cruzamentos genéticos que seu pai fazia na Universidade, mas resolveu deixar as dúvidas pra depois. Também tinham pisca-piscas nos muros, subindo pelas pilastras e formando desenhos no teto, era adorável.

Hakuren apertou um botão de um pequeno aparelho que Teito nem mesmo havia notado e uma música começou a embalar a situação, uma música conhecida dos dois, mas apenas a parte instrumental dela. A situação estava digna de conto de fadas.

Assim que Teito voltou sua atenção para Hakuren, ele tirou do bolso uma pequena caixinha de veludo.

- Você não vai se ajoelhar, né? – perguntou após seus olhos dobrarem de tamanho ante ao entendimento do que estava acontecendo.

- Nah – respondeu sorrindo. A verdade é que queria sim ajoelhar, mas a situação já estava piegas o suficiente. Não imaginou que tudo daria certo – Mas não posso evitar o resto.

- O que é? – perguntou. Colocou a mão em seu pescoço e olhou fundo em seus olhos, sorrindo tímido.

- Teito – começou, querendo parecer sério, mas a situação já estava cômica o suficiente para os dois, que soltaram risinhos antes mesmo da declaração toda começar – Você foi feito pra mim e eu pra você. A natureza te fez e assim que ela terminou, você era todas as coisas adoráveis em uma só. Os anjos devem ter te mandado...

- ...e eles te fizeram só pra mim.

Gargalharam da idiotice daquela situação que deveria ser romântica e clichê, mas simplesmente não conseguiam ser normais, aqueles dois.

- Cantando na Chuva, amor? Sério? – Hakuren lhe deu um selinho, ainda rindo da cena – Por quê?

- Porque foi o primeiro filme que assistimos depois de ficarmos juntos – respondeu, afagando os cabelos de Teito, próximo o suficiente para sentir sua respiração gelada – já que não temos uma música.

- Bem, acho que temos.

- Oh, não, nossa música é You Were Meant For Me, o quão piegas isso é?

- Bem, com certeza não mais do que um encontro num coreto iluminado por pisca-piscas e enfeitado com rosas verdes.

- Gostou?

- Está perfeito – não precisou de muito para alcançar seus lábios, estavam tão perto.

- Teito – cessou os sorrisos e o olhou com intensidade e amor. Sabia que depois daquele momento não teria mais volta, seria o passo mais importante pra vida deles – Quer namorar comigo?

Teito não respondeu de imediato e não foi proposital, apenas se perdeu naquele olhar que lhe conferia tanta devoção. Sabia do peso daquela pergunta, analisava Hakuren em busca de duvida, mas nem nos olhos de seu amado e nem em seu coração as encontrava, então não poderia dizer nada além de...

- Sim – num último olhar sorriram cúmplices e se abraçaram. Se beijaram pelo tempo que acharam necessário, nunca cansando de tal puro ato.

- Agora – disse, novamente trazendo a tona a caixinha de veludo azul – Isso é para você – entregou-a a Teito, que abriu com cuidado. Seus lábios formaram um “o” ao ver o que havia lá dentro, era a joia mais linda que já vira – Gostou?

- Se eu... Se eu gostei? – perguntou, ainda hipnotizado – É maravilhosa! Completamente incrível! Como conseguiu fazer uma coisa dessas?

- Procurei nos seus livros algo que pudesse representar nosso amor. Achei o símbolo perfeito, o que vo...

- Hakuren, você é o melhor namorado do universo! – grudou em seu pescoço, ainda observando os dois colares a sua frente.

Era uma runa celta que geralmente representava o amor, uma espécie de tridente invertido e um círculo em cima. Parecia ter sido entalhada a ouro, era simplesmente magnífico.

- Vem, me deixa colocar em você – pediu, virando Teito e colocando o colar, sorrindo por ele ter realmente gostado. Não entendia nada de runas, mas se ele a reconheceu automaticamente, talvez tivesse feito a escolha certa. Virou-se e segurou os cabelos para Teito poder colocar nele também.

Teito segurou os dois pingentes em sua mão, mesmo ainda em seus pescoços, ainda não acreditando que tudo aquilo era real. Hakuren era a pessoa mais incrível que conhecia – sabia mimá-lo direitinho.

- Por isso fiquei tão ausente nos últimos dias – declarou em tom de desculpa – Precisava conseguir as rosas, fazer o colar, dar um jeito nos pisca-piscas...

- Digamos que... Está perdoado para o resto de sua vida – respondeu, lhe dando um selinho – Mas falando nisso, como conseguiu rosas verdes?

- Eu pintei.

- Uma a uma?!

- Sim, mas tive ajuda – disse – O pessoal do corte e costura estava precisando de umas rosas coloridas, então me dispus a ajudá-los a pintar as verdes se eles me emprestassem-nas depois do desfile.

- E desde quando você fala com o pessoal do corte e costura, sua bicha?

- Desde que precisei customizar umas coisas, na verdade – coçou a cabeça por cima da touca preta que usava. Teito revirou os olhos, Hakuren ligava demais pra roupa – Escolhi verde por causa dos seus olhos.

Teito, que não estava acostumado a receber declarações ou elogios tão de repente, corou visivelmente e não soube pra onde olhar, fazendo Hakuren gargalhar e lhe beijar. Logo depois, os dois tiraram algumas fotos pra marcar o momento e foram embora, parando numa casa de chá que tinha pelas redondezas. Como estava frio, foi a melhor escolha. Também se encheram de doces, pois Teito estava afim de brownies e só então resolveram ir pra casa.

Ao chegarem, Fea não estava. Teito checou o celular e viu uma mensagem que dizia que ele havia ido fazer compras e pra ele se virar com o almoço, e que depois limpasse a cozinha e o quarto. Ele e Hakuren se entreolharam e um atacou a boca do outro.

Hakuren o prensou contra a pia, beijando seu pescoço enquanto tirava suas blusas, mordendo cada parte visível que encontrava. Era inverno mesmo, ninguém veria se deixasse marcas. Teito também já havia tirado as blusas de Hakuren e, sentado na pia, tentava tirar com os pés suas calças, saindo-se bem sucedido. Assim que Hakuren tirou também as calças de Teito, grudou-o contra seu corpo, esfregando uma ereção na outra enquanto não soltava seus lábios.

Tirou-o de cima da pia e ajoelhou-se a sua frente, passando a lamber e sugar seu membro, apertando suas coxas e fazendo Teito inclinar o quadril para frente, embriagado e gemendo de prazer. Antes que pudesse gozar, puxou Hakuren para cima e voltou a beijá-lo enquanto masturbava os dois ao mesmo tempo com uma das mãos, a outra lhe arranhava e puxava os cabelos.

Não aguentava os beijos de Hakuren, então não bastou muito para se aliviar. Hakuren, que o estava masturbando ao momento, lambeu o líquido expelido com um sorriso sacana e passou na extensão do próprio membro, para depois passar também na entrada de Teito.

- Posso? – perguntou, pela primeira vez hesitante. Ao invés de responder, Teito virou-se e apoiou-se na pia, empinando o bumbum em direção a Hakuren – que, diga-se de passagem, quase gozou ali mesmo com aquela visão.

Foi encaixando devagar, com medo de machucá-lo, mas Teito não estava de acordo com esses planos, puxando-o em sua direção e arqueando a coluna quando ele entrou todo de uma vez. Hakuren fez menção de sair, mas Teito o puxou e segurou em seus cabelos, beijando-o e rebolando o quadril. Hakuren, que não era de ferro nem nada, não aguentou e começou a se movimentar, segurando em sua cintura para ter mais apoio e ir mais fundo.

Logo aquela posição não era suficiente e Hakuren o colocou de novo em cima da pia, mas Teito acabou apoiando-se nele, que o tirou de lá e o deitou na mesa mesmo, subindo e continuando de onde haviam parado.

Hakuren foi o primeiro a ceder, liberando-se dentro de Teito. Para ajudá-lo, começou a masturbá-lo mais rapidamente e logo ele estava se despejando em sua mão. Caiu deitado em cima dele, ambos ofegantes e suados.

- Precisamos limpar essa bagunça – disse Teito após algum tempo, olhando em volta e vendo todas aquelas coisas esparramadas pelo chão e a mesa suja de... Bem, suja.

- E antes de seu pai chegar – disse Hakuren, levantando-se e vestindo suas roupas. Acabaram fazendo uma pequena faxina na casa, lavando, organizando, passando pano no chão e essas coisas. Quando terminaram, não estavam com fome (lê-se: não queriam cozinhar e esperariam Kreuz retornar) e resolveram ir dormir.

Bem verdade que não foram dormir imediatamente. Após “brincarem” um pouco, foram tomar um banho juntos e só depois que realmente foram dormir, pois estavam mais do que exaustos. Mas exaustos ou não, com frio ou não, estavam juntos. E agora para sempre, ligadotambém pelo coração.

E, convenhamos, existe algo mais importante que isso?


Notas finais
O QUE ACHARO? ;;;;;;;;;;;;; Digam-me pfvr senão eu surto, desmonto e viro água.
Eu sei que é chato ficar lendo porque o autor demorou pra postar, mas acho que vocês merecem uma explicação. Não foi falta de tempo nem nada disso, foi pura e simplesmente falta de engajamento com o roteiro que eu havia feito. Eu achava que era falta de inspiração, tanto que até já falei, mas não. Eu estava seguindo um roteiro que eu não amava totalmente, que não me incentivava por si só, então lógico que demoraria pra sair.
Quando, graças a Deusa, notei isso, fiz o favor de modificar absolutamente /tuto/ que havia planejado inicialmente, apenas com a base igual. E, devo dizer, esse capítulo saiu em um dia. O 13 to escrevendo agorinha, estou no meio, ou seja, não vai demorar tanto! *pedradas*
MAS PORÉM TODAVIA ENTRETANTO NEVERTHELESS EMBORA ALTHOUGH o que me deu gás pra continuar mesmo foi (PRESTEM ATENÇÃO NISSO): Uma leitora me pediu.
Simples assim. Eu estava jogando conversa fora com a Takoyaki e ela comentou de Homophobie e me pediu pra terminar logo (não lembro como foi exatamente q) e isso me animou e colocou meus dedinhos pra trabalhar. No dia seguinte eu já criei outro roteiro, escrevi em tempo record (me assustou, na boa q) e já fui escrevendo o outro, mas não me contive e vim postar logo esse antes do próximo estar pronto. Mas acho que vocês merecem continuação logo, aff.
ENFIM, espero que não estejam (muito) putos comigo, o próximo vai sair mais rápido, prometo tentar!
Dica: Se procurarem por "englischer garten" no google, vão poder ver o lugar que Hakuren propôs Teito :3
Agora 1 beijo, fiquem com a graça do Senhor do Tempo (ehehehe).
Bis bald,
lovemachine~