Homophobie
13 Kapitel Dreizehn - Das neue Familienmitglied.
Notas iniciais
Voltamos a programação normal, desculpe o transtorno. Hahaha que bom que deu uma semana certinho!
Betado pela Moyashi fkal~sdkf
TENTEM NÃO ME MATAR!
Boa leitura!
Manhã cedo agora é bom de levantar.
Era nisso que Teito estava pensando naquela manhã, não importava muito que dia era aquele, pois nas férias isso realmente não é importante, mas nunca pensou que seu relógio biológico continuaria intacto depois de uma semana em casa. Mas acordar cedo agora lhe tinha um novo significado: passar mais tempo com Hakuren.
Desde que começaram a namorar, Hakuren sempre dava um jeito de dormir com Teito, sendo na casa dele ou na de Fea mesmo, tomando agora mais cuidado para não levantarem suspeitas, afinal, estavam namorando e isso era coisa séria, cuidavam daquele relacionamento como se fosse um filho. Passavam o dia juntos e mais um pouco, nunca os dois ficaram tão felizes.
Naquele dia em particular, passaram a noite vendo filme e fazendo outras coisas na casa de Teito, mas já de manhã cedo acordaram e não queriam mais voltar a dormir, indo tomar banho – juntos – e depois descendo para tomar café.
A verdade é que não se deram conta do quão cedo era até encontrarem Fea preparando seu café da manhã. Desde sempre, o pai de Teito tinha uma rígida rotina de acordar e dormir cedo, comer nas horas corretas e fazer suas coisas nos dias corretos também. Não foi à toa que ele estranhou os dois levantarem tão cedo nas férias, mas desconfiava do motivo, então apenas lhes desejou bom dia e colocou mais dois pratos à mesa.
Como sempre, o clima estava agradável, conversavam amenidades com tons despertos e levemente roucos. Até que Fea notou algo peculiar que os dois, apenas naquela manhã, haviam esquecido de esconder:
– Gostei do colar, meninos – disse. – Idênticos... – Teito olhou alarmado para Hakuren, que retribuiu, colocando por dentro da blusa. – E da runa do amor.
– Nós estamos namorando!
Um silêncio estranho caiu sobre os três após aquele berro desesperado de Teito, que fez Hakuren quase querer pular no pescoço dele, mas ambos estavam paralisados e prendendo a respiração para saber qual seria a reação do patriarca.
– Isto é meio óbvio, Tei – revirou os olhos, sorrindo para os dois quando soltaram a respiração e se entreolharam cúmplices. – Por que não me falaram?
Os dois sentiram o peso daquelas palavras, pois tinham um tom levemente magoado. Não é que não confiassem em Fea, é só que... Era tudo muito novo para eles. Teito morria de medo de não ser aceito; Hakuren, de um jeito ou de outro, também, pois nunca nem lhe passara pela cabeça namorar um cara, então teriam muita dificuldade para assumir.
– Não é que não confiamos em você, Kreuz, mas... – começou Hakuren. – É tão novo. Para nós dois. E ainda estamos tentando nos acostumar com isso, por isso o receio e tudo o mais.
Há algum tempo, Hakuren não era mais tão formal com Fea. Eles haviam se tornado... Não diria amigos, mas uma relação bem perto da familiar, afinal, se consideravam parte da mesma família sim. Talvez padrinho e afilhado. A verdade é que gostavam um do outro, de jogar conversa fora sobre qualquer coisa, às vezes sobre Teito. Ou sobre religião, quando Fea lhe ensinava os mistérios da bruxaria moderna e ancestral, muitas vezes Teito estava presente. Haviam se tornado bons companheiros – bons parentes.
– Não precisam disso aqui em casa, garotos – falou num tom reprovador. – Eu nunca julgaria vocês.
– Nós sabemos – disse Teito, sorrindo para seu pai. – Mas em nossa defesa, dizemos que não faz nem uma semana que estamos, de fato, namorando.
– Fico feliz por vocês, garotos, mesmo – disse, sorrindo-lhes paternalmente, como se estivesse olhando para dois filhos. – Esse relacionamento trouxe muitas coisas boas para o nosso lar, então também agradeço, acima de tudo.
Os dois lhe sorriram, sabendo exatamente do que ele estava falando, mentalmente também agradecendo por todas essas coisas boas lhes estarem acontecendo.
E o tempo passou, o namoro durou mais alguns dias, sempre indo de bem a melhor, então os dois, tomados por essa onda de alegria, resolveram que estava na hora da família de Hakuren também saber o que seu filho tanto fazia na casa de Teito. Resolveram que contariam num sábado, assim teriam o dia inteiro para conversar com sua família. Porém, na sexta à noite, que deveria ser um dia sem suspeitas alguma, Hakuren acabou dormindo na casa de Teito novamente. A noite foi boa.
Bem, em compensação, o Sr. Oak tomou conta do namoro dos dois. Isso é bom, não é? Fea reagiu bem.
Nem tanto.
– Eu vou me matar – disse num tom sério e decidido, que não condizia com seu estado.
– O quê?!
– Está muito difícil, Lala, essa vida – disse, tropeçando nos próprios pés e subindo na velha ponte do rio.
– Onde você está, Mikage? – perguntou, segurando o telefone mais perto do ouvido.
– Estou prestes a me matar – disse, subindo na ponte. – Mas antes, saiba de uma coisa – soluçou e Lazette revirou os olhos, ficando cada vez com mais raiva de seu estado deplorável. – Eu te amo. Muito. Mais do que você pode sequer imaginar – ela teve alguma dificuldade para entender o que ele estava dizendo devido à embriaguez dele, mas pode ouvir claramente aquela frase: – Eu te amo. Você é a garota mais incrível que eu conheço.
– Mikage... – por algum tempo, não teve reação, mas voltou a si e lembrou que precisava botar juízo na cabeça dele antes de se deslumbrar. – Mika, se você me ama mesmo, quero que me diga isso olhando nos olhos. Me encontre na praia daqui a meia hora. Ouviu?
– Mas eu to com sono... – choramingou ao pé do telefone – Quero morrer pra poder dormir pra sempre – Lazette revirou os olhos e levantou da cama, repetindo a informação anterior. – Tá, fala baixo.
Desligou o telefone e suspirou fundo. Detestava apoiar Mikage a levar Teito para beber com ele, mas pelo menos assim ele se mantinha mais sóbrio pra cuidar do amigo. Porque sempre, sempre, que ele saía para beber sozinho, sobrava pra ela. Não que ela preferisse que ele ficasse à mercê da sorte por aí, mas Mikage precisava aprender a ser mais responsável.
Colocou um enorme casaco por cima do pijama, cachecol, luvas, touca e botas, ligou rapidamente o computador e rastreou onde Mikage estava – precisou ativar o GPS no celular daquele cretino. Saiu de casa fazendo o mínimo de barulho possível, afinal, todos ainda estavam dormindo, pois não eram nem cinco da manhã ainda.
Pegou sua bicicleta e saiu, querendo matar Mikage por estar tão frio e garoando. Em quinze minutos chegou à praia e logo viu quem poderia ser Mikage: jogado na areia, tremendo de frio e dormindo.
– Você não tem jeito mesmo... – comentou antes de acordá-lo. A única luz iluminando o local era a das estrelas e da lua, que estava quase sumindo do céu, mas estava enorme lá no alto. O acordou sacudindo e dando tapinhas em seu rosto. Ele olhou para ela e se envergonhou por ter sido encontrado naquele estado.
– Desculpa, Lala! – pediu, muito mais consciente que antes. Ela apenas negou com a cabeça e tirou um frasquinho de açúcar de dentro de um dos bolsos, obrigando-o a ingeri-lo inteiro. Ele não reclamou, mas cada vez mais foi ficando mais vermelho. Era uma sorte estar escuro e ela não poder ver direito. – Não vai mais acontec...
– Fica quieto, Mikage! – mandou, segurando-o pelos braços e o arrastando para o mar, jogando-o lá sem um pingo de dó. Riu quando ele tropeçou e caiu sentado, molhando-se inteiro.
– Lazette! – gritou, furioso, saindo marchando e pingando até os ossos. Antes que pudesse esbravejar mais com ela, sentiu algo do fundo de seu âmago chegando e acabou vomitando tudo o que havia bebido. Agora sim estava completamente sóbrio. Apenas com uma ressaca sem igual e provavelmente com um resfriado, mas sóbrio.
– Nem ouse chegar perto de mim assim! – gritou para ele, gargalhando de sua expressão dolorida. – Vá se lavar!
– Espero que um dragão marinho engula meu frágil corpo, você será a culpada!
– Claro que sim – revirou os olhos, divertindo-se com a visão dele de roupas no mar, fazendo caretas ao lavar a boca com aquela água salgada. Sabia que aquilo podia fazer mal, mas ele não era bobo de engolir.
Quando ele retornou, porém, não havia mais nada de engraçado. Eles se olharam e se abraçaram. Ele agradecido e ela, com dúvidas.
– Você se lembra do que me disse? – perguntou ainda abraçada a ele. Ele acenou positivamente. – E é verdade?
– Cada palavra. – respondeu olhando fundo em seus olhos azuis. Sem mais receios, os dois puderam finalmente se beijar. Tantos anos de espera por aquele momento, tantos sonhos e vontades, nunca realizados. Tudo foi superado naquele momento, quando um sentiu o calor do outro, o amor cultivado sendo abarcado por dois corações apaixonados.
– Eu te amo, Mika.
– Eu também te amo, Lazette.
Abraçaram-se, sentindo a respiração e o coração um do outro bater acelerado, ainda não acreditando que tinham tomado vergonha na cara para se declararem. Eram tão tímidos pra essas coisas! Pela primeira vez, Lazette ficou feliz por Mikage ter ligado bêbado para ela.
– Você tem gosto de mar, Mika.
– E você de pasta de dente – os dois riram e notaram que já estava amanhecendo. Sentaram na areia molhada e se abraçaram, ficando para observar o sol nascer. Tinham muito tempo para conversar ainda, então não se importaram de ficar em silêncio, apenas sentindo um ao outro.
Sentimento bom aquele. Sentir que está ao lado de quem ama.
E ao lado de quem ama, estavam Teito e Hakuren. Estava amanhecendo naquele dia, quase três semanas depois de Lazette e Mikage finalmente se acertarem, os dois estavam abraçados e ainda num sono profundo. Fea estava na sala, escrevendo um artigo sobre a mudança da coloração de certas flores e tudo estava tão calmo que até mesmo os pássaros resolveram se recolher por uns instantes.
Até que naquele silêncio anormal, algumas batidas na porta foram ouvidas. Ainda era cedo, então Fea estranhou, mas foi receber seu visitante e, espantosamente, aquele era o Sr. Oak.
– Bom dia, Sr. Fea – ele cumprimentou respeitosamente.
– Bom dia, Sr. Oak – respondeu, sorrindo um pouco nervoso. – Entre! O que, ahn, deseja?
– Gostaria de falar com meu filho. É um assunto meio importante, não pude esperar até mais tarde, você entende?
– Claro – sorriu, perdendo a cor gradualmente. – Vou chamá-lo, só um instante. Aceita um café?
– Não, obrigado. E pode deixar que eu o chamo, em qual quarto ele está? – perguntou um tanto bruscamente.
– Não precisa se preocupar, Sr. Oak – tentou adiantar-se, mas o pai de Hakuren quebrou a pose diplomática e avançou casa adentro, abrindo cada porta que encontrava. Por fim, encontrou o que procurava, mas precisou de alguns segundos para absorver a informação de que seufilho estava dormindo de conchinha com outro homem. Quase murchou de vergonha, mas a raiva era maior. Aquilo era completamente inaceitável para um Oak.
Não tardou a adentrar o quarto e, pela primeira vez, achou utilidade naqueles cabelos longos de Hakuren, que sempre quis passar a tesoura, puxando-os e tirando-o a força daquela situação indigna.
– Você é uma vergonha, Hakuren! – berrou contra o filho, jogando-o porta afora. – Como ousa fazer isso com a própria família, seu moleque?!
Hakuren olhou assustado para o pai, assimilando na hora o que havia acontecido. Olhou para Teito, que estava tão ou mais chocado que ele. Agradeceu estar de roupas, mas não conseguia pensar em mais nada, apenas que sua vida estava acabada a partir daquele instante.
– Filho meu, um Oak, agarrado com outro hom...
– Deixa ele em paz! – gritou Teito quando ele chutou Hakuren sem dó alguma. – Você tá machucando ele, seu monstro!
– Não fale comigo, seu merdinha, você envenenou meu filho! – gritou contra Teito, que se encolheu mecanicamente.
– Não fale assim com meu filho! – gritou Fea. – Será que você não percebe que tudo que há entre eles é amor?!
– Amor?! Quer dizer que você compactua com isso, seu satanista?! – jogou Hakuren pelos cabelos para fora do quarto. – Vocês todos merecem queimar junto com seu mestre, seu adorador do diabo! Você e sua cria satânica! Mas fiquem longe do meu filho! Eu vou curá-lo com...
– Você não pode curar o que ele sente! Ele ama meu filho, ele é feliz aqui! – esbravejou, abraçando Teito pelos ombros, ignorando as acusações contra sua religião. As pessoas não costumam entender mesmo. – Você não se importa com a felicidade do próprio filho?!
– Hakuren está é sob algum feitiço que você lançou nele! – gritou. – E é melhor eu sair dessa casa amaldiçoada antes que você jogue em mim também!
– Como pode dizer tamanho absurdo?! – gritou, realmente incrédulo a respeito do que uma mente ignorante era capaz.
Mas enquanto os dois brigavam e gritavam, Hakuren não ousou levantar a cabeça um só instante e Teito estava ficando agoniado com aquilo. Por que ele não reagia? Por que não negava todas aquelas coisas e dizia que o amava? Por quê...?
– Diz alguma coisa! – berrou Teito num fio de voz desesperado e agoniado, olhando com olhos marejados para Hakuren, que mesmo assim não o olhou nem por um instante. Um silêncio atormentador pairou sobre aquela sala e logo os soluços de Teito puderam ser ouvidos.
– Hakuren deve estar recuperando o juízo – disse após uma risada cafajeste e repugnante. – Ele sabe o pecado que cometeu. Vamos pra casa, meu filho, você deve estar muito doente.
Sem concordar, sem negar ou remediar, Hakuren seguiu o pai sem olhar pra trás, deixando Fea e Teito incrédulos e com o coração na mão. O que... O que iriam fazer? Como iam resolver aquilo se nem mesmo Hakuren queria que resolvessem?
Teito enclausurou-se e, debaixo das cobertas, chorou tudo o que pôde. Estava sendo ingênuo ao pensar que poderia ser feliz para sempre. Algo sempre, sempre, dava errado em sua vida, felicidade não era algo que ele podia desfrutar por muito tempo. Mas o pior era saber que Hakuren estava de acordo com aquilo, era o medo de pensar que ele podia se deixar levar pelas palavras do pai e acreditar que tudo o que viveram fora uma farsa.
Pensou o que seria de sua vida sem ele, sem seus carinhos e beijos, sem seu amor. Não poderia viver um só segundo sem Hakuren, então era lacerante pensar que eles poderiam, dessa vez para sempre, serem separados e nunca mais voltarem a se ver. Seu coração se comprimia e ficava pesado ao pensar nas inúmeras coisas que poderiam acontecer a partir dali, principalmente se Hakuren estivesse de acordo.
Seu pai poderia tomar controle total de sua vida e nunca mais deixá-los se verem, sair da cidade com ele, poderia encher a cabeça de Hakuren com baboseiras usando o sagrado nome de Deus, ou poderia convencê-lo de que realmente fora de alguma forma enfeitiçado. Até faria bastante sentido: Hakuren sempre abominou homossexuais, assim como seu pai, e quando começou a frequentar aquela casa, apaixonou-se por um homem. Até Teito comprava essa se não fosse a peça chave da trama toda.
Fea entrou no quarto e abraçou seu filho, sentindo sua dor como ninguém. Sabia que ele estava se sentindo abandonado e tal sentimento ele conhecia bem.
– Vai ficar tudo bem, Tei.
– Como, pai? No final, Hakuren podia nem mesmo ter me amado e só queria...
– Não ouse dizer, Teito – disse sério, olhando fundo nos olhos do filho. – Eu conseguia sentir o amor dele, o de vocês, os olhos não mentem. Hakuren te ama, e muito. Ele só não queria piorar ainda mais as coisas.
– Eu vou... Eu vou para lá! – disse, saindo dos braços de seu pai e teria realmente ido se não fosse impedido. – Mas Hakuren precisa de mim!
– Eu sei que sim e concordo – disse. – Mas agora talvez não seja o melhor momento, você sabe disso. Espere pelo menos até amanhã.
– Até lá eles já vão estar longe! Já vão ter saído da cidade!
– Não pense o pior, filho, não vai lhe ajudar a agir racionalmente.
– E como, em nome da Deusa, eu posso agir racionalmente num momento como esse?
– Ligue para Mikage – sugeriu, deixando Teito confuso. – Ele está fora da confusão toda, pode ir amigavelmente até a casa de Hakuren e perguntar sobre o que aconteceu.
– Ótima ideia! – exclamou, pegando o celular e discando o número do amigo. Uma. Duas. Três, seis, sete vezes e nada dele atender. Pensou que era tudo uma conspiração feita especialmente contra ele. Não pode conter as lágrimas depois daquilo.
Seu coração estava deprimido e comprimindo-se, até o ponto em que não pode mais aguentar toda aquela pressão, todos aqueles sentimentos ruins de pensar em viver sem seu amor e realmente não aguentou. Caiu desmaiado alguns minutos depois, deixando para trás um Fea preocupado, desesperado e desamparado.
– Boa tarde, Sr. Oak! – desejou Mikage com empolgação fingida.
– O que quer, moleque?
– Só... Queria entregar um livro pro Hakuren, mas... – encolheu-se, fazendo-se de desentendido ante aquele nervosismo.
– Desculpe, filho, é que eu estou com uns problemas – massageou o cenho, pensando que aquele menino não poderia ter aparecido em momento pior. – Mas antes de entrar, preciso perguntar uma coisa.
– Qualquer coisa, Sr. Oak.
– Você conhece o tal do Teito Klein?
– Teito...? – fingiu ponderar por alguns instantes. – Um da sala do Hakuren? Eu até o conheço, mas não gosto muito dele, não. Quer dizer, ele tem um jeito estranho – sorriu encabulado com a acusação, mas parece que foi o suficiente para ganhar a completa confiança do homem truculento a sua frente.
– Então, tente conversar com Hakuren sobre o que está acontecendo, acho que vai ser bom pra ele ouvir sua opinião.
– Mas eu só vim entregar... – levantou o livro, mas o Sr. Oak abanou as mãos, mandando-o entrar.
– É o segundo quarto à direita.
– Obrigado, Sr. Oak.
Sorriu consigo mesmo, sabendo que havia feito um trabalho incrível conseguindo a confiança daquele homem, por mais que se sentisse sujo e contaminado por isso. Seguiu para o quarto do amigo e o encontrou deitado na cama, imóvel. Chorando.
Fea o ligou naquela manhã desesperado e sentiu um enorme peso na consciência ao verificar o celular e ver que tinha tantas ligações perdidas de Teito. Ouviu a história toda, explicou a Lazette, que queria muito ir com ele, mas acharam melhor não levantar suspeitas de que poderia conhecer Teito – já seria um golpe arriscado Mikage fingir que não o conhecia – e rumou para aquela casa com uma história qualquer ensaiada.
– Hei, Hakuren, vim entregar seu livro, cara – disse um pouco mais alto do que pretendia, apenas para o pai dele não criar suspeitas. Aproximou-se lentamente, então imaginou que ele estivesse dormindo quando não teve reações.
– Deu tudo errado, Mika – declarou numa voz baixa e sofrida quando Mikage sentou-se na beirada de sua cama. – Meu pai descobriu tudo e me tirou do Tei a força.
– Por que você não reagiu?
– Seria pior, Mika – virou-se para ele com olhos vermelhos e inchados. – Meu pai nunca vai entender o que aconteceu entre nós.
– Você sabe o que Teito pensou disso, não é?
– Claro que sei – suspirou, e reviraria os olhos se tivesse com humor.
– Vim aqui confirmar, mas achei neura daqueles dois – negou com a cabeça e viu Hakuren concordar com as sobrancelhas. – Mas o que pretende fazer sobre isso?
– Honestamente eu não sei, Mika – sentou-se na cama, cobrindo os olhos, tentando segurar as lágrimas. – Meu pai não vai mais me deixar ver ninguém, não faço nem ideia de como vou me aproximar do Tei. Disse que vai falar com algum padre pra me rezar e me “curar” – disse fazendo aspas. – Disse que filho dele não vai ser viado debaixo desse teto.
– Isso é ridículo – abraçou Hakuren. – Mas você não está pensando em... Desistir... Né?
– Eu amo o Teito, Mikage, nada vai me fazer desistir dele.
No exato momento em que disse aquela frase, Sr. Oak entrou no quarto e cuspiu no chão com puro desgosto. Mikage foi rápido e levantou-se, vestindo uma expressão parecida com a do homem a sua frente, então foi aí que Hakuren entendeu como seu pai o deixou entrar.
– Então não precisa mais falar comigo, seu viadinho – disse, desculpando-se com o olhar, mas Hakuren apenas abaixou a cabeça. – Desculpe, Sr. Oak, não posso fazer nada.
– Vejo que fez o que podia, meu filho – disse com a mão sobre o ombro de Mikage, que queimou com o toque, querendo desviar e pular no rosto preconceituoso daquele crápula. – Vá com Deus.
Mikage não fez questão de ficar muito mais tempo naquela casa, mas forçou-se a ouvir o que o pai de Hakuren queria com ele e foi revoltante: Ele realmente queria levar Hakuren a um padre.
Não tardou a ir para a casa de Teito e tranquilizá-lo com o que ouviu de Hakuren. Não precisou bater duas vezes e já foi recebido por Fea. Os dois rumaram para o quarto de Teito, que ainda estava desmaiado na cama, mas os dois sabiam que isso acontecia sempre que Teito passava por alguma situação que não sabia lidar, então seria até melhor eles o acordarem logo com aquela notícia “boa” do que deixá-lo na agonia do possível sonho que estava tendo.
Assim que o acordaram, Teito e Fea ouviram atentamente tudo o que ele tinha para dizer e Teito já quis agir naquele exato momento, com uma nova chama brilhando dentro dele. Pelo menos agora sabia que Hakuren só não agiu porque realmente não queria piorar a situação e o amava assim como ele. Mas foi impedido por Mikage de ir até lá, pois provavelmente os dois estariam na Igreja.
Lazette, que fora com Mikage, mas ficara no centro para não levantar suspeita, mandou-lhe uma mensagem e Mikage respondeu que ela podia ir para a casa de Teito. Chegou e o deu um abraço de mãe, que aqueceu o coração de Teito. Podia estar passando pela pior fase de sua nova vida, mas tinha seus melhores amigos ali, sempre com ele.
Os quatro passaram a tarde juntos, sem nunca saber se era a hora certa de ir até lá, então resolveram que o dia seguinte seria o adequado. Ficaram por lá mesmo, bolando um plano “diabólico”...
– Como diria o Sr. Oak – disse Teito, já com seu senso de humor de volta.
...Para salvar Hakuren, então jantaram num clima mais ameno, mas mesmo assim Teito não conseguia parar de pensar no inferno que seu namorado poderia estar passando e sentindo. Sua vontade era de ele mesmo escalar aquele maldito prédio, entrar pela janela e sair com ele jogando suas teias pela cidade, para bem longe dali.
Mas finalmente, depois de uma noite completamente em claro por parte de Teito, o dia seguinte chegou e ele e Mikage foram até o prédio de Hakuren. Tocaram o interfone e Mikage precisou se identificar, senão Teito não conseguiria subir. Mas logo estavam sendo recebidos e Teito já se preparou para invadir a casa e começar um discurso enorme, mas não foi preciso, pois foi abraçado forte e sentiu lágrimas em seu pescoço.
– Eni? – perguntou Teito cautelosamente, aproveitando para olhar ao redor da casa e constatar que o Sr. Oak não estava presente.
– Teito, por favor... Vá embora – pediu, olhando-o nos olhos. – Shuri e mamãe estão assustados, se papai te ver aqui não sei o que ele capaz de fazer.
– Enida, desculpe, mas eu não saio daqui sem falar com Hakuren – disse, aproveitando para entrar na casa.
– Os dois brigaram feio ontem – suspirou, sentando-se no sofá ao lado de Shuri, que estava quieto e encarava o nada. – Papai esperava que ele desistisse disso tudo quando voltaram da igreja, mas aí Hakuren passou a reagir e dizer que te amava e que essas coisas não o fariam desistir do que sente.
Teito não evitou um sorriso interno, mas sabia que a situação estava complicada. Enida não sabia do relacionamento deles, então descobrir desse jeito provavelmente foi bem chato, mas... Bem, Shuri sabia, então talvez ele tivesse contado a ela, por isso ela estava levando mais naturalmente.
– Você precisa me deixar vê-lo, Eni – pediu, sentando-se ao seu lado. – Seu pai está em casa?
– Sim, ele está dormindo agora – disse. – Mas não sei se posso fazer isso e arriscar piorar as coisas pro lado do meu irmão.
– Eu vou levá-lo embora, Enida – disse sério. Shuri e Enida olharam para ele, como que pra confirmar o que ele estava dizendo e então se entreolharam. Enida levantou-se e abriu espaço para o corredor que levava ao quarto de Hakuren.
– Então leve-o, Teito, mas faça-o feliz, por tudo que é mais sagrado – pediu, e Teito pôde ver o desespero de uma pessoa que não aguentava mais ver seu irmão sofrer tão injustamente.
– Pode apostar – sorriu, lhe deu um beijo na testa, bagunçando os cabelos de Shuri, e foi para o quarto de Hakuren.
Entrou cuidadosamente, temendo como seria recebido, mas assim que viu Hakuren precisou correr até ele e abraçá-lo o mais forte que podia, sendo retribuído do mesmo jeito. Beijaram-se primeiro com selinhos necessitados, então aprofundadamente, com saudade e amor desesperado.
– O que está fazendo aqui, Tei?
– Vim te buscar, Hakuren – disse abraçado a ele. Hakuren o olhou e cessou o abraço, sentando-se na cama, com Teito logo ao seu lado.
– O que quer dizer com isso, Teito?
– Eu sei... Sei que estou pedindo muito, Haku – disse, sem olhá-lo. – Sei que é egoísmo pedir pra você abandonar sua família, seus irmãos, suas coisas, mas... Não é só porque eu te amo e te quero perto de mim, mas é também porque não quero que você sofra nas mãos desse... desse seu pai. Não sei nem da metade das coisas que vocês passam, mas posso imaginar. E eu não te quero sofrendo, Haku.
– Eu sei que não, meu amor – segurou seu rosto, sorrindo-lhe. – Mas essa é uma mudança muito radical. Vai atrapalhar seu pai, eu não tenho como ajudar nas despesas e... Nós estamos juntos há tão pouco tempo.
Teito abaixou o olhar e entendeu o que estava acontecendo ali, fazendo força para não deixar uma única lágrima cair.
– Eu entendo se não quiser... – disse com a voz falha. – Papai disse que não haveria problema algum, é o que ele e eu queremos, sabe... Mas se você... Não quiser... – disse pausadamente para ter como conter as lágrimas, que já caíam tímidas, mas Hakuren não pôde vê-las – ...não há nada que possamos fazer.
Hakuren afagou seus cabelos, olhando-o com ternura, sentindo seu corpo inteiro tremer e pôde imaginar que ele estaria chorando.
– Você me tiraria daqui, Teito? – perguntou e Teito levantou os olhos agora verde-claros pelo tanto que chorou. – Me deixaria viver com você, me tornar a sua família?
– Sim, mas é claro.
– Mesmo com as nossas... três semanas de namoro?
– Sem dúvidas, Hakuren! – exclamou. – Não é o tempo que conta, mas o que sentimos, o nosso amor – corou por dizer uma frase tão romântica, mas sorriu quando Hakuren também sorriu.
– Pois saiba que acho o mesmo – disse e o abraçou forte. – Essa foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça, ainda quando estávamos na sua casa, na verdade. Eu só não sabia se era isso que queria também... – disse abaixando o olhar. Teito revirou os olhos e pôde ver que não era o único inseguro daquela relação.
– Eu sempre vou te querer ao meu lado, o mais próximo possível – disse com um sorriso enorme, lhe abraçando. – Então você vem? Vem morar comigo?
– Mas é claro.
Enquanto os dois se resolviam, Mikage ficou a par do que havia acontecido durante aquele tempo em que Hakuren ficou a mercê de seu pai. Enida lhe contou as atrocidades que seu pai havia dito a seu irmão, deixando Mikage com ainda mais raiva, querendo invadir o quarto em que ele dormia e “quebrá-lo na porrada”, como ele mesmo havia pensado, mas não teve coragem de evocar tais pensamentos.
– Haku não havia dito uma única palavra antes de irem para igreja, mas talvez essa tenha sido a gota d’água – contou. – Eles já chegaram discutindo, aos berros, papai dizendo que eles mudariam de cidade e que Hakuren nunca mais viveria perto de um homem de novo. E mais um monte de coisas horríveis que nem quero relembrar.
– Ele disse que Deus ia castigar o Haku – contou Shuri, inocentemente. – Ele não vai, né? Quer dizer, Haku não tá fazendo nada de errado... Ou tá?
– Não, Shuri, não está – disse Mikage. – Ele só está amando e não há mal algum nisso.
– Isso mesmo, amar nunca vai ser algo ruim, ok? – disse Enida. – Papai só disse aquilo porque tem medo.
– Medo de que?
– De que... Algo possa acontecer com a nossa família.
– Como assim?
– Bem, Teito e Hakuren não poderão ter filhos, por exemplo.
– Mas eles podem adotar, não podem? Assim como vocês me adotaram – disse, e Enida e Mikage sorriram para ele, sabendo que, mesmo criado ali dentro, ele com certeza não herdou o preconceito do tio.
– Exato, com certeza eles vão adotar muitas crianças pra nossa família – disse Enida, abraçando-o pelos ombros. Ela olhou para Mikage e viu seu semblante ainda preocupado, por mais que sorrisse para Shuri. – Quer entrar lá, Mika?
– Sim – mal ela terminou de perguntar e ele já havia levantado. Esperou os dois e rumaram para o quarto de Hakuren, batendo na porta antes.
Quando entraram, viram os dois fazendo as malas, com uma já pronta em cima da cama. Hakuren olhaou para ela e pediue perdão com os olhos pelo o que estava fazendo, mas não disseram uma palavra. Shuri também não precisou de palavras para compreender o que estava acontecendo, mas sabia que era a melhor coisa a ser feita por seu irmão, então começou a ajudá-lo a guardar tudo e logo Enida juntou-se a eles, como se os dois dissessem que o apoiavam.
– Não precisa se preocupar com seus instrumentos e livros, ou o que faltar, Haku, depois deixamos na casa do Teito – disse Enida, após terminarem de guardar tudo o que coube naquelas enormes malas de viagem.
– Obrigada, Eni – disse Hakuren, encarando seus dois irmãos com os olhos marejados.
– Ei? Vamos sempre te apoiar, ok? Em tudo – disse Enida, abraçando-o forte e protetoramente. Logo Shuri uniu-se ao abraço também e os três não contiveram as lágrimas. Mikage e Teito observaram-nos sabendo que aquele era um momento que precisavam e não ousariam atrapalhá-los.
Porém, a mãe de Hakuren entrou no quarto, olhou para Mikage e Teito, os três filhos se abraçando e então para as malas em cima da cama e entendeu o que estava acontecendo. Mikage e Teito estavam com a respiração presa até o momento em que ela os abraçou maternalmente, surpreendendo a todos.
– Você fez a escolha certa, meu filho – foi tudo o que disse.
Cessaram o abraço e disseram palavras fraternais, que sabiam que marcariam uma nova fase da vida de todos. Um irmão, um filho, saiu de casa por causa de uma discussão, de um desentendimento. Tudo causado pelo preconceito do patriarca que todos sempre reprovaram. Finalmente, isso levou a uma consequência grave o suficiente para abalar um dos membros, logo, a família inteira. Não haveria volta depois daquela situação.
Todos saíram do quarto agora estranhamente vazio e encontraram na sala, sentado no sofá, o Sr. Oak esperando-os pacientemente. É claro que ouvira todas aquelas vozes dentro de sua casa, tinha um sono muito leve para continuar impassível. Hakuren olhou para sua família, ou seja, para todos que o acompanhavam e recebeu olhares confiantes.
– Pai, eu vou sair de casa – disse com a voz firme. – Vou morar com o cara que eu amo.
O Sr. Oak notou ali que perdeu o controle sobre o próprio filho. Não poderia intervir naquela decisão, pois ele já era maior de idade, então decidiu que o faria ter vergonha de dizer frases como aquela.
– Se você prefere ser um merda de um viadinho, Hakuren – disse levantando-se. – Então prefira também esquecer que sou seu pai.
Aquilo foi como uma facada não só no peito de Hakuren, mas no de todos. Como ele podia dizer uma coisa daquela? Como? Aquilo não deveria nem ser pensado, quanto mais dito a um filho na frente de toda a família? Hakuren sentiu dor e tristeza, mas foi aí que descobriu o pai que tinha.
Preferiria viver na ignorância.
– Não dei teto nem comida pra filho meu ficar se agarrando com macho às minhas costas e ainda ter a coragem de sair de casa – continuou. – Como ousa, Hakuren, ignorar tudo o que já fiz por você?
– Tudo o que fez, pai? Tudo o que fez foi me impedir de ser feliz ao lado de quem amo, foi colocar seu preconceito acima da sua família! – exclamou, avançando sobre ele. – Mas o pior foi ter a coragem de me dizer que não sou seu filho. Como você pode ser tão cruel?
– Quer dizer que agora eu sou o cruel aqui? Eu to com esse moleque – apontou para Teito, com desgosto. – desintegrando toda a família e eu sou o cruel? Reveja seus conceitos. Você é uma decepção, Hakuren. Uma vergonha. Um lixo.
Foi o suficiente para todos, mas o que tomou uma atitude foi Teito. Não poderia, não aguentaria nunca ouvir seu Hakuren ser ofendido dessa maneira e continuar impassível. Tirou-o da frente do pai e o encarou sem medo no olhar.
– Uma vergonha? Um lixo? Acho que está na hora do senhor rever seus conceitos. Você está expulsando o próprio filho de casa. Está sim! – gritou antes que ele pudesse argumentar. – Está sim e sabe disso! Hakuren não está saindo de casa pra desintegrar a família, seu cretino, ele está saindo porque o senhor o está expulsando! Foi o senhor que disse que ele não é mais seu filho, que acabou de dizer barbaridades pra ele, e tudo o que ele fez foi amar, apenas isso! Então pense bem antes de falar que o meu namorado é uma vergonha, ouviu bem?
Foi para o lado de Hakuren, segurando sua mão com orgulho.
– O senhor, como pai, deveria apoiá-lo, aceitá-lo e amá-lo acima de qualquer coisa! – disse. – O senhor o está expulsando por pura falta de compreensão! Está desintegrando a própria família simplesmente por não conseguir amar acima dessa merda de preconceito! E ah, eu sei bem como é sentir o preconceito, sei como pode destruir uma pessoa completamente, e posso te dizer que apenas isso te faz querer se matar inúmeras vezes. Não duvide. Hakuren aqui me salvou, está ouvindo? Ele me salvou porque me amou, coisa que o senhor está precisando aprender como se faz. Me diz, o senhor realmente ama seu filho e sua família? – perguntou num tom levemente irônico. Foi a gota d’água para o Sr. Oak.
Mas antes que ele pudesse atacar Teito, uma reação típica de uma pessoa que não tinha mais argumentos, incrivelmente a Sra. Oak interviu sobre os dois.
– Não ouse levantar um dedo contra Teito, Yuujiro – disse com um tom petrificado. – Você sabe que ele está correto em cada palavra. Você está acabando com a nossa família desse jeito e mesmo assim não quer voltar atrás.
O Sr. Oak olhou para cada membro de sua família e recebeu os piores olhares de sua vida, momentaneamente arrependendo-se de tudo que havia dito. Mas então tornou-se o cara irredutível que nunca deixaria de ser e rumou para a porta de casa.
– Quando eu voltar, Hakuren, garanta que não estará mais aqui e que nunca mais... – olhou para a porta, pensando em deixar aquela frase ali mesmo, mas seu orgulho falava mais alto e nunca voltaria atrás na palavra. – Nunca mais pisará os pés nessa casa.
Todos olharam incrédulos a porta ser fechada. Hakuren segurou as lágrimas por sua irmã e sua mãe, que choravam baixinho. Ele ainda choraria muito por aquilo, podia conter mais um pouco. Disso ele sabia. O que não sabia era que dali a muitos e muitos anos, Yuujiro Oak voltaria com a palavra e pediria para o filho perdoá-lo. Mas essa era outra coisa que não sabia: se perdoaria ou não o próprio pai.
– Vamos, Teitei – sorriu para o namorado, mesmo que seus olhos estivessem marejados, segurando sua mão.
– Haku...
– Não se preocupe, Teito – disse a mãe de Hakuren. – Hakuren tem nosso apoio nessa decisão, não se sinta mal – sorriu para ele, afagando seu rosto. – Tenho certeza de que ele será muito feliz ao seu lado.
– Nós sempre vamos te amar, pirralho – disse Enida, abraçando-o forte.
– E eu sempre vou dar os créditos a você quando ensinar algum amigo a jogar um jogo, ok? – disse Shuri, também abraçando Hakuren após Enida.
– Valeu, moleque – bagunçou seus cabelos, lhe dando também um beijo na testa. Notou pela primeira vez como Shuri estava crescendo e lamentou não poder participar ativamente dos próximos passos do irmão mais novo.
Abraçou sua mãe por último, olhando fundo nos olhos dela: — Eu te amo, mamãe. Aqui ou lá, nunca vou deixar de respeitar seus gritos quando estiver brava comigo, okay?
– Pelo visto já perdeu esse respeito faz tempo, né, seu moleque? – abraçou fortemente seu filho e não impediu as lágrimas de caírem.
Teito foi para o lado de Mikage e os dois esperaram, complacentes, eles terminarem de se despedir, sendo também atingidos por aquele clima e desejando apenas felicidade para aquela família a partir de então.
– Vocês podem vir nos visitar a qualquer momento, tudo bem? – disse Teito quando estavam preparando-se para ir embora. – A casa sempre estará aberta para qualquer Oak – sorriu para eles, nunca deixando a diplomacia de lado.
– Obrigada, meu filho – disse a Sra. Oak.
– Até mais, Teito. E Mikage! – disse Shuri, piscando para ele enquanto fazia um joystick imaginário com as mãos, afinal, Mikage sempre jogava com ele.
– Até, baixinho.
Terminaram de se despedir e foram embora, ainda sendo interceptados pelo porteiro, que perguntou se Hakuren estava saindo de casa. Não viu mal em contá-lo, afinal, o porteiro sempre fora muito simpático e sempre lhe entregava as encomendas na porta.
Finalmente, chegaram à casa de Teito. E de Hakuren, afinal, agora aquela casa era de três moradores.
– Bem vindo ao lar, Hakuren – desejou Fea assim que ele entrou. Sorriu para o “novo filho” quando viu que ele não estava chorando nem angustiado. Por mais que tenha sido difícil deixar sua família, o alívio por ir morar com eles era maior. Não é como se não fosse vê-los nunca mais, então estava tudo bem.
Hakuren aceitou o abraço de Fea e perguntou-se por que seu pai não podia ser daquele jeito, mas expulsou qualquer pensamento ruim naquela hora, queria apenas viver um bom momento. E ali, nos braços de seu novo pai, em sua nova casa, com seu namorado e melhor amigo ao seu lado, soube que podia ser o cara mais feliz do mundo, bastava aceitar toda a felicidade que lhe estava sendo oferecida.
E pode apostar que era muita.
Notas finais
Bem, esse é o final de Homophobie, espero que tenham gostado, do fundo do meu coração. Ainda tem mais um chap., mas não esperem muito dele hahaha
Bem, vou deixar as mensagens de despedida pro próximo, mas já deixo aqui o meu grande ////obrigada//// para todos que acompanharam e comentaram ou só ficaram na moita, vocês todos são muito importantes pra mim, okay? ;_;
Ah, a runa deles é essa aqui http://wiccaspain.es/?p=4979 :33
Quero perguntar uma coisa: O que acham do Shuri?
Bem, é isso. Até o próximo, que espero postar também no prazo de uma semana. Vai ser o último, já to com saudades de vocês ;;
Bis bald,
lovemachine~
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