Homophobie
9 Kapitel Neun - Die Glücklichkeit.
Notas iniciais
Ah, juro que não lembro, mas acho que não foi betado pela maride o-õ
O final de semana passou e a segunda-feira chegou com seu tédio extremo. Os dois estavam de bem, nenhum comentário sobre aquele dia foi feito. É, eles não costumavam comentar posteriormente sobre seus momentos de fraqueza, justamente por acharem que os mesmos eram apenas confusões de suas mentes na hora e, citá-los novamente, os faria ver que era muito mais que isso.
Embora os dois soubessem o que se passava em seu coração em cada momento, vocalizar era algo diferente e aterrador para ambos. Preferiam passar em branco. Mesmo quando o pai de alguém os encontrava dormindo abraçados. De conchinha. Na cama.
Fea não comentou absolutamente nada sobre isso quando foi acordá-los naquela manhã. Na verdade, já desconfiava dos dois há séculos, mas, segundo o que conversara com Mikage, eles não tinham nada, então não perguntou para nenhum dos dois. Mas ele conhecia seu filho, por mais que não tivesse jeito para puxar esse tipo de conversa.
Naquele dia, Fea puxou Hakuren para uma conversa particular. O que disse foi nada mais que agradecimentos para seu “genro”, que ficou sentido com o discurso atrapalhado do escritor que não tinha o menor jeito com palavras vocalizadas.
Fea confessou que simplesmente não sabia como agir com Teito, com as pessoas, por isso se trancou por toda a sua vida em um quarto fechado, com alguma coisa para botar seus sentimentos para fora, uma folha de papel e um lápis. Contou a história de sua vida naquele dia, como conhecera a mãe de Teito, como ela o aceitou assim como ele era. Disse que ter Teito foi o melhor presente que poderia pensar em receber.
Infelizmente, seus pais tiveram que se separar por motivos que ele não quis citar, mas Kalía, a mãe de Teito, lhe deixou com a guarda da criança, pois percebeu que só depois de Teito que Fea pôde começar a se relacionar com as pessoas, por completo. Só depois dele ele passou a publicar seus livros, a ir anualmente a todos os rituais coletivos de sua religião, entrou em clubes de livros e até mesmo de culinária, fora o trabalho na universidade.
Teito salvara sua vida, era o que faltava para o pobre escritor ser feliz por completo.
E por esse motivo, sentia-se culpado e angustiado por ver seu filho se cortando. Descobriu o hábito quando já era tarde, muito tempo depois de começar, quando não havia mais volta. Tentou conversar, convencê-lo a parar, mas ainda não tinha o “feeling” necessário para falar com seu filho sobre um assunto tão delicado como aquele.
Estava pensando em desistir de sua escrita e se dedicar completamente à criação dele, mesmo que ele já fosse quase um adulto. Não sabia o que fazer, na verdade, pois assim não teriam sustento. Estava completamente perdido.
Então, surgiu Hakuren e salvou seu filho das trevas, salvou Fea também. Ele era um anjo na vida dos dois, não sabia como agradecê-lo. Mas o que bastou para Hakuren, foi o obrigado mais sincero que já recebeu em toda a sua vida, seguido por “meu filho”.
Então, não era exagero quando Fea dizia que ele era parte da família. Ele e Mikage.
Naquela fatídica tarde de dia de semana, os três haviam saído da escola e, na visão de Teito, não tinham nada para fazer. Mal imaginava o que Mikage e Hakuren estavam planejando...
O aniversário de Teito seria dali a alguns dias, então os dois fizeram questão de comprarem seu presente antecipadamente. Ambos estavam excitados para ver a reação de seu querido amigo.
- Mas meu aniversário é só no sábado! – disse, quando eles lhe desejaram feliz aniversário, sem lhe presentear ainda. Foram para um café conhecido dos três e pediram, claro, muito doce.
- É, já colocamos seu nome numa festa, agora que vai poder entrar legalmente – disse Mikage, piscando para Teito, que lhe xingou de algo muito feio.
- E também, como somos ótimos amigos – emendou Hakuren, cantarolando – Compramos seu presente.
- Vocês... É sério? – perguntou incrédulo, mas cresceu os olhos quando os viu tirar dois pacotes de dentro da mochila – Porra, velho, não quero que gastem comigo!
- Sorria a acene, Teito, sorria e acene.
- Ai, Mika, obrigado! – agradeceu, lhe dando um meio abraço por cima da mesa mesmo.
- Você ainda nem viu, tontão.
- Então me mostra!
Os dois riram e Mikage lhe deu o pacotinho embalado. Observaram-no abri-lo sem cuidado e soltar um sorriso de orelha a orelha quando viu o que era.
- Meu santo caralho! – exclamou, segurando os dois CDs, admirando-os acima de seu rosto – Os dois últimos que faltavam pra concluir minha coleção do Korpiklaani! Puta merda! Valeu, cara! – passou um tempo admirando-os novamente, ponderando se os abria ou fazia isso em algum momento sagrado de sua vida – Caraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaalho!
- Fala baixo, vão expulsar a gente – disse Mikage, lhe jogando uma bolinha de chocolate que viera em seu capuccino.
- Sério, Mika, valeu mesmo, cara!
- Que isso, espero que sangre os ouvidos ouvindo – disse, com uma expressão meiga que não condizia com sua fala anterior.
- Vai tomar no cu – mandou, ainda sorrindo admirado para o amigo.
- Tá, agora o meu!
- O seu é mó garanhão, hein! – exclamou, segurando o pacote. Era claramente algum livro, mas era alto e gordinho. Desembrulhou rasgando toda a embalagem – não era como se fosse usá-la para botar debaixo da cama –, e encontrou uma caixa bordô. Abriu-a cuidadosamente, pois essa sim usaria mais tarde, e simplesmente não acreditou no que viu.
Era ele. Lá estava. O que havia procurado por anos em todas as lojas e sites, mas nunca, nunca, achara disponível. Estava em suas mãos, reluzente. O ArtBook oficial de seu autor favorito, com todas as ilustrações de seus livros, ilustrações nunca antes vistas, seus personagens, os locais onde a trama se passava, ilustrações tão raras que datavam do século passado – já que ele não era contemporâneo.
- Hakuren... Como... Eu... – não conseguiu criar uma frase coerente, estava ainda namorando a capa com todas as informações citadas acima.
- Não é por nada não, Teito, mas acho que tem mais – disse Mikage, espiando por cima da caixa que viera o livro de ilustrações.
Ca.
Ra.
Lho.
Foi o que passou pela mente de Teito assim que ele viu as edições dos livros que estavam em suas mãos. Eram os dois primeiros do mesmo autor, ele já tinha aqueles livros, mas a capa era completamente diferente. Aquela era uma versão limitada que só fora lançada algumas semanas depois do lançamento oficial, quando o autor decidiu que queria ele próprio fazer suas capas.
Pouco mais de quinhentos exemplares de cada um foram vendidos. E isso no século passado. E ele agora tinha dois deles em suas mãos.
- Comprei esses dois de um colecionador da minha cidade – explicou Hakuren, vendo que era o que Teito queria perguntar, mas ainda não achara o fôlego. Ficou tão feliz com isso que foi difícil segurar o sorriso de orelha a orelha. E ele não segurou. – O ArtBook é segredo.
- Você ainda vai me falar onde achou! – disse, levantando-se de sua cadeira e se dirigindo à de Hakuren. Talvez fosse sua imaginação, mas viu algumas lágrimas em seus cílios – Valeu, cara! Puta merda, você não tem noção do que é essa coleção pra mim!
Hakuren ia dizer que tinha sim, pois já vira o tanto de livros desse autor ele tinha, as citações que ele fazia, já que já lera os livros também. Mas seus pensamentos foram interrompidos pelo abraço mais forte que já recebera. Sorriu.
Retribuiu o abraço na mesma intensidade, os dois em pé ao lado da mesa, não querendo voltar pra ela. Teito foi além e depositou um beijo estalado na bochecha já corada de seu querido presenteador, e por alguns segundos não quis separar-se. Nem Hakuren.
E ali, naquele momento, ele percebeu que não ligava. É, ele não ligava se estava nutrindo algo a mais por Teito, se estava gostando de um garoto. O que importava mesmo, no final das contas, era a felicidade de Teito, não era? Era a felicidade deles. E então, a conversa que tivera com Fea fez completo sentido em sua mente.
- Mas não preocupe-se, filho – dissera Fea, após Hakuren corar feito uma garotinha pega namorando pelo pai – Se há algo entre vocês, não diz-me respeito, contando que isso faça Teito feliz. Ele é meu filho, meu bem mais precioso, não importa qual seja a razão, se algo o fizer feliz, eu apoiarei – Hakuren abaixou a cabeça, concordando mentalmente. Ultimamente, algo que não fosse a felicidade de Teito não lhe interessava muito – No final das contas, quando vocês estiverem velhos como eu, o que importará mais do que a felicidade? Própria e dos que lhe rodeiam?
E para ele, ficar ao lado de Teito era o que lhe fazia feliz. Ficar daquele jeito, abraçados, juntos, felizes, com seus lábios em sua pele. Era o que ele queria. Demorou para notar que a felicidade sobrepunha qualquer outro sentimento.
Bem, antes tarde do que nunca, não é?
Teito se separou dele corado e ganhou um beijo na testa, sussurrando um “obrigado”. Voltaram a sentar-se e Mikage tentou, mas não conseguiu conter o riso ao ver o quão vermelho eles estavam.
- Cala a boca, Mikage – disseram juntos, Teito voltou sua atenção aos seus presentes e Hakuren cutucou sua torta, não sentindo mais fome para terminá-la.
Decidiram ir para casa algum tempo depois, Mikage indo para a sua e Teito e Hakuren indo para a de Teito. Fizeram as lições do dia para não atrasar pro resto da semana com uma ajudinha do Seu Fea em alemão, dúvidas básicas de concordância.
- Ah, agora deixa eu colocar minha coleção nova na rede – cantarolou Teito, tirando uma foto de seus novos livros e upando para seu blog – Ai, Hakuren, eles são tão lindos.
- Quem deu, não é?
- Não se acha – olhou novamente para seus livros e para seu amigo – Não, pode se achar sim. Eles são perfeitos.
- Coloca os do Mika também senão ele fica com ciúmes – disse, colocando os dois CDs ao lado dos livros.
- Pronto – disse após tirar uma foto – Vou agora arrumá-los na minha coleção...
Passou uma boa parte de sua tarde arrumando suas coleções, limpando-as e tirando foto. Dos livros e dos CDs, não só dos que ganhara, mas de tudo que tinha. Até de sua única coleção de um mangá, que impressionou Hakuren, pois não imaginara que o amigo teria mangá escondido em seu armário.
Porém, após algum tempo, o tédio bateu sobre eles.
- Hakuuuu – chamou Teito da forma mais manhosa que conseguiu. Estava com seu notebook na cama enquanto o amigo jogava vídeo game no sofá.
- Diga – disse, pausando o jogo e devotando sua total atenção ao amigo.
- Podemos ir na estreia d’O Hobbit?
- Claro que sim – sorriu e esse sorriso se alargou ainda mais ao ver o de Teito – É nessa sexta, não é?
- Sim!
- Então, vamos! – disse – Já pode ir comprando os ingressos online logo, senão esgota.
- Tá, vem logo ver o trailer! – disse, agitando-se em sua cama – Nem ouse dizer que já viu, quero que veja de novo.
- Chega pra lá, então, tampa de pinga.
- Se fode, vou dar play – disse, quando na verdade já havia dado play no vídeo.
Hakuren, porém, não conseguiu prestar atenção no trailer. Não com um garoto deslumbrado e com a expressão de excitação mais fofa que já vira em toda sua vida ao seu lado. Tão fofo, tão, tão fofo com aquele sorriso infantil, as covinhas aparecendo, os dentes à mostra. Olhava para a tela como se ele estivesse comendo um doce, rindo vez ou outra.
- O que? – perguntou inocentemente quando olhou para Hakuren e viu que este estava com um sorriso bobo no rosto.
- Nada – bagunçou seus cabelos e o trouxe para mais perto, acabando por apoiá-lo em seu ombro. Terminaram de ver o trailer daquele jeito, e viram outro e mais outro. A verdade era que não queriam sair dali, estavam muito bem, obrigada.
Terminaram chegando aos vídeos engraçados, mijando-se de rir a cada novo clique. Hakuren mostrou alguns que conhecia e Teito mostrou outros, bem mais engraçados, já que ele era um típico “rato de youtube”. Hakuren gargalhava, se retorcendo e tendo que segurar o abdome.
Até que num desses, viu que Teito não mais olhava para a tela e sim para si. Corou ao ver o sorriso bobo de seu amigo ao olhá-lo rir. O mesmo sorriso que usara quando o estava admirando. Ficou feliz ao notar que Teito também, às vezes, se perdia só por um sorriso seu, assim como acontecia milhares de vezes quando ele via um sorriso dele.
Voltaram novamente sua atenção ao computador, enviando cada vídeo que viram para Mikage, que prontamente os respondeu falando que eles não tinham nada mais para fazer, já que também estava online, mas riu bastante com eles também.
A noite passou rápida, Hakuren terminou por jantar lá, mas foi para sua casa logo após. Ainda pôde assistir trash-tv com sua mãe e sua irmã, ajudar Shuri com a lição de casa e tomar um banho demorado antes de ir dormir. Teito passou sua noite ouvindo os relatos do Seu Fea sobre os novos personagens que estava criando, já que a trama ele queria manter em segredo – até o dia seguinte, já que ele terminaria um dos primeiros capítulos naquela noite.
No fim, Teito se empolgou com os personagens, desenhando-os e fazendo poemas com eles. Eram três irmãos, dois garotos e uma garotinha, Mee, que Fea mostrou particular empolgação. Coincidentemente – ou não – todos os personagens ficaram com a aparência élfica, cabelos longos e loiros, olhos de cores marcantes... Muito parecidos com certa pessoa. Fea não comentou nada, mas por dentro estava rindo pelo filho nem mesmo ter notado que todos eram a cara de Hakuren.
Pequena Princesa Mee
adorável era ela.
Como numa canção élfica foi dito:
Ela tinha pérolas nos cabelos,
E uma trança de prata.
Ela usava um casaco de tecido
e em volta de seu vestido,
estava preso um cinto
costurado com orvalho de diamante.
Ela caminhou por dia
sob o manto de cinza
e sob a capa de azul nublado;
passeou pela noite,
brilhando brilhante
sob o céu estrelado,
seus chinelos frágeis,
de escamas de peixe,
brilharam como ela brilhara.
- Hora de dormir, pequeno poeta – disse Fea, após elogiar e se emocionar ao ler o poema criado na hora por Teito para sua personagem favorita. Quis revelar que Mee tinha uma irmã, Shee, mas isso ele descobriria amanhã, quando lesse os primeiros capítulos do segundo livro de sua nova trilogia.
-x-
Estava frio, mas esse estado, aparentemente, não existia para Teito. As temperaturas ainda não estavam negativas, mas tampouco estavam apropriadas para tomarem sorvete. Mas lá estava Hakuren, pagando um pote exageradamente enfeitado de iogurte congelado só para ver o sorriso infantil de Teito.
- Dessa vez a gente come aqui – disse Hakuren, sentando-se numa mesa quando Teito fez menção de sair do quentinho do aquecedor da sorveteria.
- Mas...!
- Uhp – fez um gesto com o dedo na frente dos lábios, apontando autoritariamente para a cadeira à sua frente – Senta.
- Aff, além de colocar mirtilos no meu iogurte você ainda quer comer aqui? – perguntou, se emburrando enquanto sentava-se e tentava pegar o pote de sorvete.
- A gente vai pegar um resfriado, bobão.
- Que seja, me dá meu sorvete – disse e Hakuren o entregou, ficando com sua colher – Argh, negócio azedo do caralho.
- O que?
- O que? – repetiu, alguns decibéis mais fino que a voz de Hakuren – Esse mirtilo!
- O que você comeu foi amora, retardado – disse, revirando os olhos.
- Calúnia! – exclamou, mas ao verificar viu que ele estava certo. Entregou o pote para Hakuren, emburrado – Não gosto de mirtilo.
- Vem aqui – sentou-se na cadeira ao seu lado e ofereceu sua colher com mirtilo e uma calda doce que ele sabia que ficava bom – Calda de cereja com mirtilo é melhor coisa do mundo, Teitei.
- Tirando a parte do mirtilo, até posso concordar.
- Vai logo – Teito aceitou a colherada oferecida e só não fez uma expressão de contentamento para não dar o gostinho a Hakuren, mas realmente ficava bom – Aceitável.
- Sei – revirou os olhos e continuaram a comer, dessa vez sem precisar ficar passando o pote.
- Haku – chamou Teito algum tempo após eles terminarem, roendo as unhas – Quero mais...
- Não começa, Teitei.
- Quero sem fruta agora! Preciso provar de todos os sabores!
- Não começa, eu disse – revirou os olhos, segurando o amigo pela mão e saindo da sorveteira.
- Você é um ditador, sabia?!
- E você é uma criança birrenta – disse, mas na verdade estava rindo. Até que notou que não soltaram as mãos. Era bom. Quente, íntimo. Gostou daquele tipo de contato. Será que Teito se importaria se ficassem assim até chegarem em sua casa?
- Hakuren.
Sim, ele se importaria.
- O que está fazendo? Solta a minha mão, cara – disse, achando certa resistência da parte do loiro. Até que ele suspirou, soltando-a e levando-a até seus cabelos soltos, só para ter um lugar para segurar.
- Desculpe.
- Você queria andar de mãos dadas? Mas que merda de hétero é você!? – exclamou, jogando os braços para o ar.
- Só queria tentar – encolheu os ombros, enfiando as mãos nos bolsos dessa vez. Estava corado e pensou ter realmente extrapolado os limites daquela vez, queria sumir.
- Tentar o que? Dar uma de gay no meio da rua? – cochichou irritado. Não precisava do mundo sabendo da discussão deles. Já poderiam estar olhando torto e condenando eles no momento em que Hakuren resolveu que segurar suas mãos como uma donzela seria uma boa ideia.
- Já pedi desculpas!
- Você não entende, não é? – perguntou, dessa vez sem olhá-lo – Não quero ser gay. Não gosto de te amar. E não quero fazer coisas que casais fazem. Andar de mãos dadas é o cúmulo da bichisse, se quer saber.
Hakuren virou a cabeça como resposta, não queria responder àquilo. Teito dizendo que não gostava de amá-lo era uma facada em seu agora frágil coração. Foram andando em silêncio por todo o percurso, que por sorte era curto. Hakuren só o seguiu até sua casa, pois precisava de seus cadernos, senão não se daria ao luxo.
Entraram num silêncio anormal. Teito não queria magoar Hakuren, mas precisava de uma vez por todas esclarecer que definitivamente não queria um relacionamento gay. Não era simplesmente porque gostava dele que... Que iria querer ser gay! Pensar naquilo ainda era repulsivo para si. Oprimia a parte de seu cérebro que dizia que andar de mãos dadas com Hakuren poderia ser algo gostoso.
Alheio ao silêncio dos dois amigos, estava Fea. Havia acabado de terminar o sexto capítulo de sua obra e precisava desesperadamente da opinião sempre sincera e prestativa de seu filho, e só viu lucro com Hakuren ali.
- Venham logo, meninos! – exclamou, puxando-os para sentarem-se ao sofá, sentando-se no meio deles com o notebook em seu colo – Sexto capítulo acabou de sair!
- Pai, eu não acho que...
- É, eu sei, está cedo para receber feedback, mas estou um tanto quanto ansioso, como podem notar – disse, abrindo o documento e forçando-os a lerem.
- Quando passardes pelo Quebra-Nozes e nem mesmo o próprio quebrar vosso coração, junto a mim deverá celebrar – vocês entenderão essa frase mais adiante, eu prometo! Hakuren, talvez você fique um pouco perdido por não ter lido o primeiro, mas qualquer ajuda é bem vinda!
- Ok, a gente lê – disse Teito, sorrindo ante a empolgação sempre contagiante de seu pai.
- Isso! – exclamou e os dois riram, compenetrando-se na leitura. Nem mesmo notaram quando Fea disse que sairia para comprar o almoço, o primeiro capítulo já começara com uma ação digna de finais de livros. Talvez por ser o segundo volume?
Alguns minutos se passaram, talvez totalizando horas, mas os dois estavam lendo as incríveis palavras de seu escritor favorito. Num determinado momento, mudaram de posições, pois não estavam muito confortáveis. Demoraram a achar alguma satisfatória, pois o computador era grande.
Mas veio Hakuren com a solução após Teito se remexer pela quarta vez. Encostou-se no braço do sofá, puxou Teito para junto de seu peito, entre suas pernas, e arrumou o notebook de forma aos dois conseguirem ler perfeitamente. Era uma posição confortável, os braços de Hakuren eram sempre acolhedores, mas mesmo assim...
- Hakuren...
- Dessa vez não tem ninguém vendo, tá tudo bem – sussurrou em seu ouvido, abraçando sua cintura e apoiando-se em seu ombro. Sentiu Teito corar, mas como ele não disse nada, deu por encerrado o assunto.
Era bom ficar daquele jeito, amava tanto abraçar o corpo pequeno de seu Teito, sentir o cheiro de seus cabelos, ver o quão envergonhado ele ficava toda vez. Era sempre uma sensação nova. Se ele, que mal sabia o que sentia, adorava ficar daquele jeito, perguntava-se o que Teito, que o amava, sentia.
Mal sabia ele que era o mesmo sentimento. Teito sentia-se protegido e querido, gostava tanto de ficar com ele que sentia culpa por ser tão egoísta e querê-lo tanto para si. Sabia que ele não sairia de seu lado – ele lhe prometera –, então não precisava se preocupar com o egoísmo. Hakuren era seu, e de mais ninguém.
Assim como ele era apenas de Hakuren.
-x-
- Gente – disse Mikage, segurando seu celular com uma expressão culpada – Chamei a Lala.
- Pra amanhã? – perguntou Teito, jogando uma pipoca na boca de Hakuren. Ele acenou positivamente. – E daí?
- É que, sei lá, vocês não comentaram nada sobre levá-la...
- A gente achou que você já tinha convidado, ué – disse Hakuren, pegando com a boca outra pipoca.
- Então tudo bem?
- Claro que sim, né, Mikage – disse Teito, revirando os olhos – É meu aniversário, quero comemorar com meus melhores amigos.
Estavam no quarto de Teito, tentando prestar atenção num filme de terror trash que obrigaram Teito a ver, mas não estava surtindo efeito. Era sexta a noite, no dia seguinte seria a grande festa de aniversário que Mikage planejara.
- Somos os únicos que você tem, Teito – disse Mikage, sabendo que poderia voltar a implicar com ele.
- Nada a ver! – exclamou – Eu tenho... O... Ah! O Mikhael e o Raphael! A gente se fala direto!
- Quem são esses?!
- Aqueles dois babacas?
Perguntaram Hakuren e Mikage juntos, respectivamente.
- Você disse na oitava série que parou de falar com eles porque eles brigavam demais.
- Alguém pode me dizer quem são?
- Raphael me ajudou na natação essa semana mesmo!
- Quem é esse?!
- Ah, e joguei LOL com o Mika dia desses.
- Mika?! Quem é esse garoto?
- E eu vou chamar eles dois pra amanhã, é! – decidiu, pegando seu celular, porém Hakuren o tomou de sua mão e o jogou no sofá, por pouco ele não quicou e caiu no chão.
- Dá pra me dizer quem são eles?!
- Vish, ataque de ciúmes – disse Mikage, colocando o cobertor por cima da cabeça, como se dissesse que podiam brigar que ele não estava ali.
- Não é ciúmes! – gritou Hakuren, soltando o braço de Teito que nem notara que estava segurando – É só que eu odeio ser ignorado – sentou-se no sofá, esquecendo-se momentaneamente da curiosidade anterior – que não era ciúmes!
- Eles são dois irmãos que estudam com a gente há um tempo – disse, tirando o cobertor de cima de Mikage – Eu falo com eles de vez em quando, nada muito importante.
- E como eu não os conheço?
- Eles não são da sala. Vi o Raphael no clube e o Mikhael, sei lá, a gente joga de vez em quando.
- O Mika – fez uma voz fina e revirou os olhos, ajeitando-se no sofá novamente e tentando prestar atenção no filme.
- Ah, não fode, Hakuren – disse Teito, sentando-se ao seu lado – Já sabe com que roupa vai amanhã? Não quero nenhum cangaceiro na minha festa, falou?
- Vou lindo e belo de terno – disse Mikage, surgindo novamente na conversa – A Lala disse que gosta.
- Ah, eu acho que vou prender o cabelo só... – disse Hakuren, segurando os fios soltos e fazendo um rabo de cavalo alto. Ainda estava emburrado por Teito ter dois amigos, que pareciam conhecê-lo bem, e ele não saber que eram, mas forçou-se a não demonstrar a inquietação que sentira.
- Vai prender alto? – perguntou Teito, segurando sua mão para ele não soltar o pseudocoque que fizera.
- Nunca prendi assim, mas posso tentar.
- Ah, não, prende agora – disse Teito, entregando um elástico qualquer e o obrigando a prender.
- Quer dizer que você gosta de rabos de cavalo altos, Teitei? – perguntou num tom sacana, se recusando a prender o cabelo – algo que achou que nunca faria na vida.
- É foda!
- Então só vai ver amanhã – piscou e Teito o empurrou do sofá – E aí!
- Mikage tá com sono, a gente vai dormir – disse Teito, que se voluntariou a dormir no sofá. Mikage dormiria na cama e Hakuren teve que se virar para colocar o saco de dormir no chão.
- Bando de traidores – murmurou – Nem terminaram o filme – tirou o DVD e colocou na capinha da locadora. Pegou o saco de dormir que usavam toda sexta e colocou no chão, sabendo que teriam mesmo que dormir um pouco mais aquela noite para terem pique para a festa do dia seguinte.
Porém, não conseguiu pregar os olhos naquela noite.
Teito estava bem acima de si no sofá, com o rostinho redondo virado para seu lado. Parecia um anjo dormindo, tão diferente de sua real personalidade. Estaria realmente gostando daquela pessoa tão próxima a si? Estaria apaixonado? Por um garoto? O que Teito fizera para exercer tal poder em sua personalidade em tão pouco tempo?
Não tinha respostas para essas perguntas, pois seus pensamentos perdiam o foco quando admirava aquela beleza. Não conseguia se concentrar com alguém tão adorável e intrigante tão próxima a si, respirando levemente e parecendo estar tendo bons sonhos. Gostava dele. Quando olhava para aquelas feições era tudo do que tinha certeza. Tão bonito... Sim, ele era bonito.
Perfeito, na verdade. Do seu ponto de vista ele era simplesmente perfeito.
Notas finais
Tá, agora vai ser impossível não me apedrejarem: Esse capítulo estava pronto há séeeculos, eu só vi literalmente agora que não tinha postado -q Desculpem por isso, sou uma desatenta desde sempre )): E desculpem por ele estar meio paradão, curto e estranho ;~;
Hm, o autor citado não existe. O poema é do Tolkien, chama-se Princess Mee. E escrevi esse capítulo poucos dias antes da estréia de O Hobbit. Pessoal do futuro que ler isso, pois é, tô um pouco atrasada.
Como todos sabem (os que leem as notas sabem QQ), vou alongar um pouco a história. De 12 para 14 capítulos, pois os fatos estavam muito amontoados. Estava completamente sem inspiração para tal, por isso a demora ): A boa notícia é que a inspiração voltou, a má é que eu ainda não escrevi os 4 caps, ou seja, vocês precisarão esperar mais um pouquinho ;~;
Mas é para um bem posterior! Vocês esperam eu escrever todos agora, mas quando estiverem prontos, vai ser um por semana como antes ♥ Tenho dois já escritos, não é ótimo? *tentando amenizar o monte celestial de merda que fez*
Espero que me perdoem, mas agora não demorará tanto (espero), já que minha linda inspiração voltou ♥
Até... Bem, até quando der x3
Abraços,
lovemachine.
PS.: Quem sabe, se a recepção for boa, o número de reviews for daorinha, eu poste os dois que já tenho prontos? Algo que eu não costumo fazer, só pra deixar claro. Que nunca faço, na verdade u_u Então, se quiserem, já sabem o que fazer RAIRIAR
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