Home
22 XXII

Cassiopeia estava segurando suas flores em sua mão com tanta força que os nós de seus dedos estavam pálidos. Seu coração estava batendo forte em seu peito e ela sentiu como se pudesse desaparecer a qualquer momento, e sua tia estava praticamente pulando de nervosismo. Era ela quem a escoltaria até o altar, o que fora uma escolha clara para a garota desde que Jorge a pedira em casamento.
Quando as duas pisaram no jardim, os olhos de Cas foram imediatamente atraídos para a bela tenda rosa pálida que os irmãos de Jorge haviam montado e as flores brancas e vermelhas que formavam um arco na frente da entrada. As luzes estavam flutuando e as mesmas flores decoravam a totalidade do espaço lá dentro.
Ela não olhou em volta. Ela não tentou ver ninguém que estava lá. No momento em que entrou na tenda, seus olhos caíram em Jorge, e foi isso. O mundo inteiro se foi, e ele estava lá esperando por ela.
Se alguém lhe perguntasse como seu caminho até o altar havia sido, ela não conseguiu responder. Talvez houvesse sido devagar e calmo, ou ela havia se apressado e corrido até o grande arco de rosas vermelhas e brancas onde Jorge estava com o maior sorriso, mas pra ela, havia sido instantâneo.
— Oi. — Ela sussurrou.
— Você está linda. — Ele afirmou num sussurro, beijando sua bochecha.
— Obrigada.
Eles se viraram para o bruxo que celebraria o casamento ao seu lado e George lhe deu uma confirmação com a cabeça para que ele começasse.
— Senhoras e senhores…
Cassiopeia não o ouviu durante a cerimônia. O tempo correu ao redor dela e de Jorge, e ela só podia vê-lo ao seu lado, segurando a mão dele com força para garantir que ele não desapareceria e ela acordaria desse sonho longo e maravilhoso. O Jorge que a salvou e a guiou por toda uma vida nova que ela nunca pensou que poderia ter ou até pensou que gostaria de ter… Ele seria seu marido agora.
— Você tem algo a dizer um ao outro? — O bruxo indagou.
Ela confirmou com a cabeça, pronta, mas foi logo interrompida.
— Posso ir primeiro? — Jorge foi rápido em perguntar, e Fred deu a ele um pedaço de papel desdobrado com algo escrito após ela confirmar silenciosamente.
O casal decidira escrever votos pessoais um para o outro; era difícil para Cassiopeia falar sobre seus sentimentos e ficar vulnerável na frente de pessoas, mas ela sabia o quanto isso significaria para ele e nem mesmo protestou quando ele sugeriu que os dois escrevesses os próprios votos.
— Uh… — Ele murmurou, e depois limpou a garganta. — Cas… Ah, para aqueles de vocês que não sabem, é como eu chamo a bela futura senhora Weasley muito séria à sua frente agora, que não tinham um apelido antes de eu escolher esse para ela. Chocante, certo?
Os convidados riram e ela sorriu para a tentativa bem-sucedida dele de pôr um pouco de humor na ocasião.
— Eu me lembro do dia em que te vi pela primeira vez. Nós éramos crianças e eu e Fred estávamos comprando nossas varinhas, e você também estava lá. Foi quando eu vi você, com sua varinha na mão. Ela era de álamo, com núcleo corda de coração de dragão, 33 centímetros e flexibilidade rígida. — Ele leu, depois se virou para olhar os convidados. — Estão vendo? Eu fiz minha pesquisa. — Então, ele se virou para ela novamente. — E acho que sei exatamente porque essa varinha te escolheu.
Ela apenas continuou olhando para ele. Cas não se lembrava de ele estar lá naquele dia, mas como ela poderia? Ela era uma garotinha, extremamente feliz por finalmente ter sua própria varinha em suas próprias mãos.
— ‘Se você busca integridade, procure primeiro entre os álamos’, foi o que eu ouvi quando eu perguntei sobre a varinha de álamo. O tipo de álamo que foi usado pra fazer a sua varinha é considerado muito confiável, muito consistente, forte e uniforme com seu poder. A varinha é mais feliz quando trabalha com uma bruxa ou mago com uma visão moral mais clara. Sabe, você daria uma ótima política.
Cassiopeia soltou um risinho, com os olhos já cheios de lágrimas, e esperou ele continuar em silêncio.
— A corda de coração de dragão produz o melhor dos feitiços, aprende rápido e são fortemente leais ao seu dono. E ela é tão rígida quanto você é resistente. — ele olhou nos seus olhos. — Você sabe o que quer e luta por isso. Você sabe quem é e não se afasta do que acha errado.
Cassiopeia abriu um pequeno sorriso e, lisonjeado, o sorriso de Jorge ficou ainda maior.
— Você me fez uma pessoa melhor, me ensinou lições que eu nunca aprenderia sozinho. Você me ajudou mesmo quando pensei que minhas ideias eram loucas, porque você acreditou em mim e continua acreditando em mim. Quando eu te vi naquela loja, com seu cabelo tão loiro que era quase branco e seus olhos tão cinzentos que me sugavam pra dentro deles, e você era tão alta… Gente, ela era mais alta que eu, eu juro. — Ele afirmou e riu. — Eu pensei “essa menina é linda”, e passei anos e anos olhando para você e sem saber o quanto você era muito mais do que só isso, e no momento em que você realmente entrou na minha vida, você me fez querer voltar no tempo só para eu poderia olhar nos seus olhos e falar com você naquele dia e te dizer tudo o que você me faz sentir agora, então minha vida poderia ser feliz assim mais cedo. Eu te amo.
Ela fechou os olhos, tentando conter as lágrimas que se formaram neles, mas a ação só as fez escorrer por seu rosto.
Cassiopeia respirou fundo e sentiu a mão de Fleur em seu ombro, provavelmente pronta para lhe oferecer os votos que havia escrito semanas atrás.
— Eu não preciso deles. — A noiva sussurrou para a amiga. — Eu posso dizê-los sem olhar.
Ela deu um passo atrás e Cas ergueu os olhos para Jorge, ignorando os convidados.
— Essa é provavelmente a segunda coisa mais difícil que já fiz na minha vida. — Ela declarou. — Se eu gaguejar, por favor, finja que não aconteceu.
Jorge riu, apertando suas mãos nas dele, e ela arrumou sua postura.
— Eu não sei bem como expressar meus sentimentos verbalmente, a maioria das pessoas sabe disso e você principalmente, você me conhece melhor que ninguém. Quando eu te conheci, nunca pensei que você mudaria minha vida tão e tão rapidamente. Você me mostrou que eu poderia escolher o que quisesse fazer com a minha vida, que eu poderia encontrar o meu próprio caminho e não estaria sozinha nele. Você ficou do meu lado a cada momento da jornada para descobrir quem eu queria ser e me amou a cada segundo. Você é o equilíbrio que eu sempre procurei na vida. Onde eu sou fria e estoica, você é quente e sempre divertido. Onde eu sou calada e quieta, você é falador por nós dois.
Ele riu, e Cassiopeia acariciou as palmas das mãos do noivo com os polegares.
— Onde eu sou cautelosa, você é aventureiro e impulsivo. Você luta pelo seu sucesso, embora a vida esteja lutando contra você, você é inteligente e criativo de uma maneira que poucas pessoas jamais foram antes e eu te admiro profundamente por isso. Você é um bom irmão, um bom filho e um bom amigo. Você me faz querer melhorar todos os dias da minha vida só para que eu possa te fazer tão feliz quanto você me faz todos os dias. — Ela piscou, tentando disfarçar as lágrimas que deixavam sua visão embaçada. — E eu te amo como nunca pensei que fosse amar alguém na minha vida.
Ignorando completamente o protocolo, Jorge deixou cair as mãos dela e segurou o rosto de Cassiopeia, acariciando a bochecha da noiva e dando um beijo casto em seus lábios, e ela manteve os olhos fechados enquanto ele esfregava o nariz nela com delicadeza.
— Ei. — Fred protestou. — Esperem aí, pombinhos, o beijo só acontece depois.
Cassiopeia riu, e outras pessoas fizeram o mesmo, e Jorge deu um passo atrás quando o bruxo ao seu lado puxou sua varinha.
— Cassiopeia Druella. Você aceita Jorge como seu marido?
— Aceito. — Ela assentiu.
— Jorge, você aceita Cassiopeia Druella para ser sua esposa?
Quando ela voltou a olhar para o noivo, Jorge estava olhando para ela da mesma maneira que antes, ainda sorrindo, e ela ergueu as sobrancelhas. Ele não o havia escutado?
— Jorge. — Ela chamou.
O jeito que o noivo quase pulou, assustado, garantiu que ele não ouvira o homem chamando.
— Sim? — Ele se virou.
—Você, Jorge, aceita…
— Aceito, aceito. — Ele o interrompeu. — Aceito sim.
Cassiopeia balançou a cabeça, sorrindo, e estrelas de prata caíram sobre os dois.
— Eu os declaro marido e mulher. Agora vocês podem se beijar. De novo.
Jorge não esperou mais nenhum incentivo, puxando-a para perto e beijando-a completamente enquanto as pessoas aplaudiam e aplaudiam — Fred era o mais barulhento deles.
— Senhoras e senhores. — O homem chamou em voz alta. — Eu lhes apresento o senhor e a senhora Jorge Weasley.
Fale com o autor