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23 XXIII
Jorge beijou Cassiopeia uma segunda vez logo depois de apenas respirar após o beijo que os oficializou como um casal, sem nem se importar com os convidados.
— Senhoras e senhores. — Alguém chamou. — Se puderem por favor ficar de pé.
Os dois se separaram, e se viraram para os convidados a tempo de ver as cadeiras desaparecendo e se transformando em diversas mesas em volta da cabana, e todos se adiantaram para cumprimentá-los: Amigos, colegas de escola, os membros da armada de Dumbledore e seus parentes, a grande família Weasley, os Tonks, e até mesmo…
— Meus parabéns. — Viktor Krum desejou, parando em frente aos dois com um grande sorriso no rosto para os dois. — É muito bom ver vocês dois juntos.
— Obrigada. — Ela apertou a mão dele. — Obrigada por vir.
— E obrigado por ter aparecido em Hogwarts também. — Jorge adicionou, fazendo sua noiva e o convidado se virarem para ele. — Eu tenho quase certeza que você teve uma grande influência em nós começarmos um relacionamento. Foi indireta, é claro, mas eu sou grato de qualquer forma.
O jogador Búlgaro pareceu surpreso, mas seu sorriso apenas cresceu.
— Bom… De nada. — Ele decidiu. — Eu espero que apreciem o meu presente.
Várias e várias pessoas depois, o casal pôde finalmente se sentar, e Jorge se virou para a esposa com um sorriso travesso.
— Sabe… Eu tenho uma surpresa pra você.
Cassiopeia esperou em silêncio, confusa. Eles não haviam combinado de se presentar durante a cerimônia. Jorge, por sua vez, puxou a própria varinha, murmurando um feitiço que fez os pés dela relaxarem e não doerem mais tanto quando antes, e ofereceu uma de suas mãos para a loira com um sorriso no rosto.
— Dança comigo?
Ela ergueu uma sobrancelha para ele, Cas o seguiu com um sorriso e um lado da tenda se abriu, dando espaço a um palco onde estava sua cantora favorita, e as primeiras notas da música foram suficientes para fazê-la olhá-lo com uma expressão de surpresa. Era a música deles.
— Gui e Fleur tiveram um trabalhão para encontrar ela. — Ele contou. — Mas vale a pena.
I'm a phoenix in the water (Eu sou uma Fênix na água)
A fish that's learned to fly (Um peixe que aprendeu a voar)
And I've always been a daughter (E eu sempre fui uma filha)
But feathers are meant for the sky (Mas asas foram feitas para o céu)
Jorge segurou Cassiopeia firmemente, embora ainda gentil, em seus braços, e os olhos castanhos dele estavam grudados nos dela. Ele não era o melhor dos dançarinos, ela sabia, mas era óbvio que ele estava tentando e ela apreciava o gesto mais que tudo.
— 'Cause they say home is where your heart is set in stone . — Ele sussurrou ao pé do ouvido dela. — Is where you go when you're alone, where you go to rest your bones.
“Porque eles dizem que o lar é onde o seu coração está gravado em pedra, é onde você vai quando você está sozinho, onde você faz para descansar seus ossos.”
Cassiopeia sorriu, escondendo o rosto no pescoço dele, e o abraçou apertado.
— It's not just where you lay your head, it's not just where you make your bed. As long as we're together, does it matter where we go?
“Não é só onde você coloca a cabeça, não é só onde você tem uma cama. Enquanto estivermos juntos, importa para aonde vamos?”
Jorge se moveu por um momento e beijou a testa dela carinhosamente.
— Enquanto estivermos juntos, temos um lar. — Ele sussurrou.
Cassiopeia o encarou e se virou para os convidados e o lugar em volta dos dois. Esse não era o casamento com o qual ela sonhara quando menina e muitas pessoas importantes não estavam ali. Narcisa, Lúcio e Draco, os padrinhos dela, Eleanor… Mas ela estava feliz, e era aquilo que importava.
Então, sim, esse era o lar dela.
. . .
— Avisem se precisarem de qualquer ajuda, ouviram bem? — Molly insistiu com o casal. — Se precisarem de comida, de ajuda com roupas pra lava, com a limpeza… Qualquer coisa, entenderam?
— Molly, deixe os dois em paz. — O senhor Weasley pôs a mão no ombro da esposa. — Eles precisam encontrar o próprio ritmo sozinhos.
Cassiopeia desviou o olhar, evitando os dois, e Jorge apertou a mão dela silenciosamente.
— Nós vamos ficar bem, mãe. — Ele afirmou. — Nós nos viramos muito bem sozinhos, fazemos isso na loja há quase um ano, e o Fred vai se mudar na próximo semana.
Ela fez uma cara de desagrado, mas deu um passo para trás.
— Tudo bem, tudo bem. — Ela suspirou. — Mas vocês não querem comida? Pelo menos para os próximos dias? Você com certeza vai sentir falta da minha comida lá.
Os olhos de Cassiopeia se arregalaram, mas ela tentou não tomar nenhuma ofensa. Não era de propósito, ela só estava sendo ela mesma.
— Eu deixei algumas coisas pré-cozidas para eles, e as sobras do casamento já estão na geladeira dos dois, Molly. — Andrômeda afirmou. — Não se preocupe. Deixe os dos irem em paz, o dia foi longo e eles precisam descansar.
A ruiva não pareceu satisfeita, mas não protestou, e os quatro irmãos do noivo logo o puxaram de lado e para longe do grupo.
— Não se esqueça de carregá-la, Jorginho. — O gêmeo solteiro pôs um braço sobre os ombros dele.
— E você precisa tirar o vestido dela com as próprias mãos. — Carlinhos afirmou. Ele havia comparecido ao casamento, e embora essa houvesse sido a primeira vez que Cassiopeia o conhecia, ele não havia sido nada mais que amigável e gentil. — Nada de magia.
— É uma tradição. — Gui concordou. — E se precisar de algumas dicas, a gente pode tirar uns minutinhos, eu tenho certeza que a Cas não vai se importar.
O rosto de Jorge estava completamente vermelho, e Cassiopeia podia se sentir corar junto com ele.
— Calem a boca. Eu sei o que fazer. — Ele se desvencilhou dos irmãos, revirando os olhos e voltando para o lado dela. — Vamos pra casa.
Ela confirmou e ele puxou a própria varinha, segurando a cintura dela enquanto a loira fazia o mesmo com ele, e os dois aparataram do lado de fora da pequena casa que dividiriam. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele a pegou no colo, fazendo-a soltar um gritinho de surpresa.
Jorge empurrou a porta com um pé, claramente satisfeito consigo mesmo, e deixou a noiva no sofá antes de voltar para trancá-la. Um momento depois, ele já estava se inclinando para beijá-la.
— Jorge. — Cassiopeia sussurrou, erguendo as mãos e tocando rosto dele gentilmente.
— Sim?
— Eu nunca fui tão feliz. — Ela confessou. — Na minha vida inteira.
Ele sorriu, fazendo o coração dela se acelerar, e beijou os lábios da esposa com carinho.
— Eu também te amo, Cas.
Cassiopeia sentiu o rosto se avermelhar por um instante, retornando o beijo e fechando os olhos quando ele moveu uma das mãos até o cabelo dela.
— Quer mover isso pro nosso quarto? — Ele ofereceu.
— Sim. — Ela confirmou. — Por favor.
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