Holocausto Zumbi
7 Capítulo 7
A semana foi curta para todos, mas, não para Ben. Ele e seu grupo haviam acabado de chegar em casa e encontraram algo que jamais imaginariam, uma família de condenados, todos mortos. Todos livres. A casa carregava o odor fétido da morte, mas, não haviam infectados naquele local. Foi fácil limpar a casa, mesmo tendo receio, a casa era perfeita para eles viverem.
– Ben, e agora o que nós vamos fazer? — perguntou Samara, sua esposa.– Não sei, Sam... Temos que continuar fazendo o que sempre fizemos; buscar suprimentos, armas, fortificar a casa e acima de tudo, sobreviver.– É, mas, você viu essa família... Todos eles se mataram, por que nós não fazemos isso também? Poderíamos ficar livres de todo esse sofrimento, não precisaríamos passar todos os nossos dias dessa forma. Se realmente existe um paraíso, poderíamos nos matar agora mesmo e conseguir fugir para lá!– Sam, não é assim que as coisas funcionam. Eu não creio que exista paraíso, Deus, anjos ou um demônio. Não acredito em nada disso, como alguém como esse "Deus" faria algo dessa maneira? Eu já tentei ler a bíblia, mas, não foi fácil engolir tudo aquilo. Eu parei de lê-la antes de chegar até o final.– Mas nós conseguiríamos! Se fizermos agora podemos tirar a prova de que ele existe ou não. — Samara estava claramente pondo a vida naquela ideia.– Eu entendo, meu amor... Nós não podemos fazer isso, não nos tornaria melhores. Se sobrevivemos é porque temos um propósito aqui, não vamos desistir agora! Nós dois iremos sobreviver e com o tempo encontraremos mais pessoas, não precisamos fugir disso tudo; nós acabamos.Samara apenas deixou-se levar, permitindo-se chorar. Não sabia o que pensar, a ideia que tinha tido parecia perfeita, iria dá-los um longo tempo em paz, no pensamento dela seria assim, eles viveriam no paraíso até que fosse seguro e de vontade de Deus que eles voltassem para a terra, para povoá-la novamente.– Sam, não chore, por favor. Eu não queria... — ele abaixou sua cabeça e sentiu-se aflito. — Eu te amo, Sam. — andou até a frente dela, levantou seu rosto e beijou-a. Ela não rejeitou-o, apenas agradeceu por aquilo estar acontecendo.O beijo dos dois não duraria muito tempo até que eles ouvissem barulhos vindos do portão da frente da casa. Correram para a janela, abrindo uma pequena fresta da janela e observaram o que estava causando o barulho. O portão estava abrindo-se lentamente, em breve ele iria abrir-se e alguma coisa iria entrar.– Fique aqui dentro, tranque a porta e as janelas quando eu sair e não abra.– Ben, não vá. Eles vão desistir de entrar aqui, acredite.– Não, não vão. Não deixarei que a sorte nos guie, não agora.Benjamim abriu a porta de entrada, retirou sua pistola do coldre e dirijiu-se até o portão da frente. Ele não andou devagar, se havia alguém ali não iria se importar em ouvir que existia alguém ou algo morando lá dentro. Ficou de joelhos no chão, ergueu seus braços e mirou na direção do portão. Não havia tempo para brincadeiras, Ben puxou o gatilho e deixou uma de suas balas atingir em cheio um dos invasores. Ele ouviu gritos, dois homem e uma mulher. Provavelmente um quarteto que agora se tornara um trio.– Que porra foi essa?! — esbravejou o homem. — Caralho, quem é que tá aí dentro? Deixa a gente entrar!Ele apenas observou. Levantou-se e sentou numa pequena escada em frente a varanda da casa. Limpou as gotas de suor que corriam em seu rosto e coçou a cabeça, confuso. O grupo ainda tentava abrir o portão mesmo depois do aviso de Ben, eles estavam determinados a entrar.O sol estava a pino quando Ben fechou os olhos por um instante e o portão foi aberto com toda a força. Parecia que alguém havia chutado a porta que já estava aberta, ela girou em seu eixo até colidir contra o muro da casa e tremeu voltando lentamente a seu local anterior.– Ei, você aí! Qual é a tua, otário? — perguntou o homem, sacando seu revólver. A mulher o seguia atrás empunhando um facão.– Qual é a minha? Eu estou aqui, moro aqui, vivo aqui antes de vocês. Não vão invadir minha casa sem que eu lute para impedi-los.– Mas eu não vou te deixar ficar nessa casa sem que eu permita, agora essa bagaça é minha e você vai se retirar daqui junto com aquela vadiazinha lá atrás.– O que foi que você disse? — Ben estava de cabeça baixa, não ligava para o que eles estavam dizendo até que insultaram sua amada.– Eu disse que você e sua vadiazinha vão sair daqui.– Ah, não vou mesmo!Ben sacou sua arma rapidamente e disparou um tiro contra a cabeça do infame. O tiro atingiu o pescoço do homem, sua camisa verde escuro foi manchada pelo seu próprio sangue. Largou a arma e colocou suas mãos no pescoço, o sangue passava entre seus dedos, dando um ar grotesco a sua morte. Não passou muito tempo de pé até que caísse sem forças no chão, ainda estava vivo, mas, poucos segundos passaram-se até que ele finalmente morresse.– Quem de vocês é o próximo?! — gritou, apontando a arma para os dois com um olhar de maníaco.– Calma aí cara, nós não somos como ele. Estamos apenas juntos dele procurando um lugar para ficar. — disse, levantando suas mãos em rendição.
Os dois largaram suas armas, Benjamim chamou Samara para que ela retirasse seus pertences e verificasse se eles estavam limpos e desarmados. Não havia sinal de contaminação por parte dos dois e eles estavam completamente desarmados.– Deixa a gente ficar aqui, velho. Não te fizemos nada de mal!– Que seja... Levem os corpos dos seus amigos para longe da casa, não quero tropas de contaminados surgindo por todos os lados sem que eu perceba.– Beleza, velho. — disse correndo para pegar as pernas de seu antigo colega de sobrevivência. — Vem, Sue, me ajuda aqui.* * * * *– Então, acho que não fomos apresentados de maneira apropriada. — disse, Ben, para os dois. — Eu me chamo Benjamim, mas, pode me chamar de Ben e essa aqui é minha esposa, Samara.– Beleza, velho. Eu me chamo Juan, essa daqui é minha irmã, Suellen. Prazer em conhecer.– Certo, nós estávamos arrumando a casa para ficar mais agradável antes de vocês chegarem, encontramos essa casa a pouco tempo e ela estava enfestada por uma família que se suicidou.– Porra, que droga, hein?– É, eu sei, mas, não temos tempo para essas merdas. Temos que trabalhar para transformar esse lugar num lar. — Ben olhou para os dois e viu que carregavam mochilas. Vejo que vocês tem mochilas aí, o que estão carregando?– Suprimentos... Tínhamos quatro bolsas, uma para cada um de nós, mas, perdemos duas depois de escapar de uma multidão de zumbis.As mochilas foram postas na mesa, estavam pesadas e abarrotadas, quase não fechavam-se completamente. Abriram as bolsas e encontraram diversos enlatados, garrafas de água de um litro, salgadinhos e doces. Aquilo iria suprir por um bom tempo a necessidade de Ben e Sam de encontrarem mais mantimentos.– Juan, certo?– Sim. — respondeu.– Venha comigo aqui fora, quero falar com você.– Beleza, velho.Os dois caminharam até chegarem próximos a piscina, estava seca e suja de folhas secas. O entardecer já começara e o sol já se encontrava no meio do caminho para se por, uma brisa fraca passava agitando as folhas das árvores.– Escuta aqui, eu demorei pacas para conseguir encontrar esse lugar. Se você ou sua irmã fizerem alguma merda, pode ter certeza que eu não vou exitar em matar vocês dois. Não importa se são gente boa, se fizerem ameaças e eu perceber que estão tentando planejar algo contra mim ou contra minha esposa, vocês vão sentir dor maior do quê morrer.– Beleza, velho... Não precisa se preocupar, a gente não tem motivos para ficar matando vocês, já que não tem problema algum a gente dividir essa casa. Tá tudo de boa, se você quiser deixar a gente sem armas e sem atividades que possam ameaçar vocês, beleza cara, sem problemas. Eu só quero ganhar a confiança de vocês.– Espero que... — antes que Ben pudesse terminar essa frase um helicóptero passou voando rápido pelo céu. Parecia militar, mas, não era fácil distinguir. — Porra! Tu viu aquilo?!– Vi sim, era um helicóptero! Será que é o governo?– Claro que é, tem que ser! Devem ter uma base naquela área, com certeza! Estamos salvos!– Beleza, vambora contar para as meninas.Tudo foi esclarescido, dava para ver o entusiasmo de Benjamim ao ver aquele helicóptero depois de tudo que haviam passado– Então o que você sugere que façamos? — perguntou, Suellen.– Temos que seguir aquele helicóptero, se conseguirmos chegar até ele podemos encontrar uma resistência do governo, uma zona segura.– É verdade, mas e se não encontrarmos? — perguntou, Juan.– Se não encontrarmos nada então voltamos para cá.– Então esse é seu plano? Sair daqui feito um babaca com pouco armamento e sem veículos para atravessar toda a cidade em busca de um helicóptero que pode ou não ser do governo e pode ou não estar indo para uma base segura?– Sim, não podemos perder essa oportunidade. Além do mais, há uma garagem nessa casa, talvez tenha um carro lá dentro.– Que seja... — respondeu.Ainda haviam algumas horas de luz do sol, Ben e Juan foram até a garagem buscar por algum veículo. A porta estava trancada, mas, não era difícil arrombar aquela porta. Juan pegou seu machado e quebrou o cadeado que trancava a porta.– Prontinho. — disse enquanto levantava a porta.– Merda! — a expressão no rosto dos dois mudaram quando eles encontraram um grupo de zumbis perambulando pela garagem, estavam todos aglomerados em um único ponto. — Use eu machado, temos que matá-los!Juan correu e acertou um golpe no primeiro zumbi, um deles chegava por trás e por pouco não infectou Juan, pois Ben o matou segundos antes da mordida. Eram cinco zumbis ao todo e um por um eles foram caindo, fosse por um tiro bem dado ou um golpe de machado. Manchas corriam ao redor dos braços de Juan e de seu machado. No fim das contas havia uma caminhonete grande que serviria para levá-los até o local onde o helicóptero poderia estar. As chaves estavam na ignição e a porta do motorista estava destrancada. – Beleza, já podemos ir. Vamos colocar nossas coisas aqui e partimos hoje ainda. Quero pelo menos percorrer metade do caminho antes de anoitecer.– Vou lá chamar as meninas e ver se já tá tudo pronto.Benjamim parou um momento e observou os corpos dos zumbis, um deles ainda se movimentava, era uma criança de no máximo cinco anos de idade, uma menina de corpo estraçalhado, o golpe de Juan atingiu sua cabeça, mas apenas partiu sua mandíbula. Ben olhou para ela com frieza e puxou o gatilho, era sua última bala, mas, cumpriu com seu serviço.A ignição foi ligada, Juan, Samara e Suellen correram logo atrás para entrar na caminhonete. Samara foi na frente junto com Ben, Juan e Suellen foram nos bancos traseiros. Não haviam passado mais de uma semana naquele abrigo e já estavam deixando-no, aquilo incomodava Samara, mas, ela sabia que seguiria Ben onde quer que ele fosse.O sol estava começando a se por, mas, isso não incomodava os sobreviventes, seria apenas mais um desafio que eles aceitariam. O caminho era asfaltado, mas, logo tornou-se de terra. Algumas silhuetas apareciam por entre a floresta que cercava os dois lados da trilha de terra, mas, isso não era de se alarmar.– Ei, Ben, tem um CD dentro do som. — disse, Samara.– Poe pra gente ouvir aí, velho! — respondeu entusiasmado, Juan.– Faz tempo que não ouço música, espero que seja música de qualidade. — respondeu, Ben.Samara ligou o som e colocou no modo de leitura de discos, logo o CD começou a tocar e a música que começara a tocar trouxe ironia a viagem que eles estavam fazendo: Highway to Hell. O som era contagiante, Juan fingiu ser um baterista seguindo o ritmo da música, Ben era um fã assíduo de AC/DC e logo que a música começou ele dublou o cantor. Suellen viu a movimentação dos dois e começou a rir em silêncio como se estivessem todos loucos.– Definitivamente estamos na auto estrada para o inferno.
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