Hollywood
23 Capítulo Vinte e Dois
Notas iniciais
Capítulo Vinte e Dois
Edward Cullen
“Ed Cullen diz estar muito animado com a produção do seu novo álbum.”
Meu último CD antes de eu parar na reabilitação tinha tido vendas baixas, assim como o auge da minha fase problemática me garantiu shows cancelados e muito mais. Entretanto, por mais que o dinheiro das vendas e dos shows fosse muito importante para mim, eu no fundo sabia que aquele álbum estava uma grande merda e mereceu a baixa repercussão.
Ele estava vazio, sem uma história para contar. Eu sabia que se fosse querer emplacar meu novo álbum ele precisaria ser foda, precisaria me expor e dar ao público um motivo para ir atrás das minhas músicas, dar ao povo o que falar.
***
Bella me encarou como se eu tivesse acabado de falar a pior barbaridade do mundo, segurava suas composições como se estivesse agarrada a sua própria vida. Levantei devagar da cama, sob o olhar atento da Capitã.
— Então? — insisti.
— Nem pensar! — ela exclamou. — Eu nunca vou deixar você, ou qualquer outra pessoa, lançar minhas músicas.
— Por favor! — implorei. — Você pode cantar comigo, o que acha? Nem é a primeira vez que te peço para fazer um dueto comigo, vou precisar pedir uma terceira vez?
— Não vou aceitar, nem que você peça mil vezes. — Ela continuou a missão de guardar suas composições na pasta, eu arranquei aquilo da mão dela. — Edward, me devolva isso! — exigiu, mas ergui a caixa acima da minha cabeça e Isabella era baixa o suficiente para não alcançar.
— Não, só devolvo quando você me liberar gravar suas músicas.
— Eu vou chamar o Emmett para tirar isso de você, vou mandar ele bater se for necessário.
Eu gargalhei.
— Seria ótimo que ele entrasse aqui e nos pegasse nesse estado, não? Você só de roupão e eu apenas de cueca. Vá em frente, chame por ele!
Isabella revirou os olhos, então começou a pular na ponta dos seus pés tentando me fazer abaixar o braço.
— Me devolva essa bosta, Edward! — gritou.
— Não!
— Isso é meu e eu quero de volta. — Ela começou a bater em meu peito e barriga, o que doeu para caralho quando fui acertado em minha nova tatuagem, mas não abaixei o braço.
— Me bater só está me dando vontade de te foder, pode continuar e depois será eu te batendo — falei, fazendo com que ela parasse e ficasse mordiscando seu lábio. — Porra, você é muito fácil, putinha!
Joguei a pasta em cima da cama, mas antes que Bella pudesse ir até ela, eu agarrei a cintura da Capitã, mantendo-a junto de mim. Ela engoliu em seco, apoiando suas mãos em meu peito, seus olhos castanhos se voltando para os meus.
— Por favor — pedi mais uma vez, levando meus lábios até o pescoço de Bella, fazendo com que ela gemesse. — Por favor. — Abaixei a manga de seu roupão, depositando um beijo em seu ombro, ela arranhou um pouco meu peito. — Por favor. — Me afastei um pouco dela, seus olhos estavam fechados e ela voltou a morder seu lábio, abri seu roupão, o tirando do seu corpo, deixando com que ele caísse aos seus pés.
— Edward — ela gemeu meu nome.
— Por favor. — Coloquei seu mamilo direito em minha boca, ela segurou com força em meus cabelos. — Por favor. — Fiz o mesmo com seu mamilo esquerdo.
— N-Não — gaguejou.
— Sim — teimei, levando minha boca até sua barriga, ficando de joelhos diante dela. — Por favor. — Beijei sua barriga, ao mesmo tempo em que levei meus dedos até sua boceta. — Por favor, putinha. — Ela estremeceu.
— Quais seriam? — Eu sorri, enfiando meus dedos em sua boceta já molhada. — Edw-Edward!
— Nós podemos as escolher juntos. — Esfreguei seu clitóris com meu polegar. — O que me diz?
— Sim, eu deixo você gravar o que quiser!
— Boa menina — elogiei.
— Vá se foder! — ela xingou.
— Prefiro foder você, putinha.
Ela riu, mas não teve muito tempo para isso. Logo eu tirei meus dedos dela, me ergui e a agarrei em um beijo, enquanto a levava para a cama, ia mesmo foder ela, depois escolher quais das suas músicas iriam para meu álbum.
***
Segui um caminho de beijos pelas costas de Isabella, enquanto a ainda ouvia gemendo pelo seu recente orgasmo. Cheguei a sua nuca, afastei seus cabelos e mordisquei sua pele.
— Edward — disse meu nome.
— Você tem cinco minutos para se recuperar, putinha — sussurrei em seu ouvido antes de mordiscar sua orelha e sair de cima dela, depois de ter a fodido mais uma vez aquela noite. — Precisamos começar a escolher as suas músicas que irei gravar.
Ela bufou, mas não esperei por suas reclamações, dei uma batidinha em sua bunda, peguei minha cueca e fui para o banheiro. Assim que sai de lá, Bella vestida em seu roupão entrou. Não a esperei sair, peguei a pasta com as músicas, meu celular que ainda estava tocando e fui para a sala de estar do apartamento.
— Olá, Jean! — Afaguei a cabeça da gatinha que acordou e deu algumas batidinhas com a pata em minha mão, mas sem me arranhar.
Sentei no chão, entre o sofá e a mesinha de centro. Abri a pasta e comecei a folhear as músicas, tinham pelo menos cinquenta composições ali, mas do que eu já tinha escrito em toda minha vida, mesmo que algumas estivessem inacabadas.
— Eu já tenho algumas preferidas — falei para Isabella quando ela apareceu na sala, jogando uma almofada ao meu lado no chão para sentar. — O que foi, Capitã? Eu castiguei demais sua bunda hoje? — provoquei, ela não respondeu, mas socou meu braço. — Isso vai ter volta, putinha.
— Cala a porra da boca — ordenou, pegando algumas das suas composições em mãos. — Eu vou selecionar algumas que de jeito nenhum você poderá cantar.
— Ok — concordei, se essas fossem minhas favoritas eu daria um jeito de ela as liberar, era fácil fazer com que Bella fizesse o que eu quisesse.
Deixei Bella fazendo sua triagem, para me distrair peguei o controle remoto da TV e a liguei. Estava em um Talk Show, pelo que entendi o entrevistado era um escritor.
— Deixa ver se eu entendi, você casou com sua professora? — o entrevistador perguntou.
— É, ela me dava aulas na universidade, mas...
— Tédio! — resmunguei, trocando de canal, parando em La La Land, pelo o que o guia da TV me informou, uma vez que eu ainda não tinha assistido ao filme.
Já tinha começado algum tempo, ainda assim eu o deixei passando. A história era chata, o clichê dos clichês, fora que eu não era o maior fã de jazz, mas eu tinha de dar meu braço a torcer e admitir que estava apaixonado pela fotografia do filme e por Emma Stone.
— Ela é tão gostosa!
— Ele é mais — Bella disse, ainda concentrada em suas composições.
— Você tem um tipo — observei. — Loiros de olhos claros, como o mestre cuca. Ou Demetri.
Bella riu, olhando para mim.
— Eu definitivamente não tenho um tipo, minha lista de caras é bem diversificada. Quem tem um tipo é você, a maioria das garotas que já estiveram em sua cama foram loiras.
— Eu com certeza tenho um tipo — admiti, dando de ombros. — Aliás, você bem que poderia usar uma peruca loira, não? — perguntei, antes que ela pudesse responder me aproximei dela e beijei seu pescoço, aproveitando que ela tinha prendido seus cabelos em um coque no alto da cabeça.
— Não vai acontecer — ela disse, me afastando. — E fica quieto na sua, eu agora tenho que resolver a porra desse assunto das músicas, que foi sua ideia, por mim estávamos fodendo.
— Eu posso te foder enquanto você faz isso.
— Porra, não! — Voltou seu olhar para suas músicas. — Mantenha suas mãos longe de mim, Edward!
— E amanhã? Aqui ou na minha casa? — Senti Jean brincando com meus cabelos.
— Em lugar nenhum, eu vou estar com James, temos que resolver algumas coisas, decidimos dar uma festa de noivado no fim de semana.
— Super legal! — debochei, peguei meu celular e comecei a mexer em minha lista de contatos, procurando por alguma garota que pudesse ir para minha casa no dia seguinte.
Pensei em Alison, que esteve comigo depois do meu show e naquele fim de semana. Eu tinha chamado Alec para minha casa no sábado anterior, para que pudéssemos conversar sobre o clipe de Endorfina e sugeri que ele levasse Amber e Alison, a noite acabou com Amber e Alec caindo fora, assim como Alison e eu fodendo. Mas, era melhor não ter uma terceira noite com a garota, as duas vezes tinham sido boas e ela parecia bem entendida que eu não ia querer nada sério com ela, mas era melhor não arriscar a sorte.
Uma nova canção começou no filme, o que me fez voltar a prestar atenção na TV. O casal estava cantando junto, enquanto ele tocava piano. Aquela era uma boa música, certamente muito doce, mas boa ainda assim.
— City of Stars* — Bella começou a cantar o final da música, o que me fez olhar para ela, que ainda estava concentrada em suas próprias canções. — Are you shining just for me? City of stars. You never shined so brightly.*
— Você é ótima — falei sinceramente, ela olhou para mim, séria. — Deveria estar nos palcos, Capitã. Cante uma canção comigo no meu próximo álbum.
Ela negou com um aceno de cabeça, colocando uma pequena pilha de músicas em minhas mãos.
— Não vai acontecer.
— Isabella...
— Não! — Ela guardou o resto das composições de volta para a pasta.
— Por que eu não posso cantar as da pasta? — Apontei para lá.
— Porque eu não quero que as pessoas as escutem.
Eram sobre Paul, eu sabia disso sem nem precisar perguntar.
— Ok — cedi, concentrando-me nas que estavam em minhas mãos.
— Eu vou pedir algo para comer. Hambúrguer? — ela me perguntou, ficando de pé.
— Pode ser.
Bella estava se afastando quando perguntei.
— Canta comigo, Capitã? — Tentei de novo, eu continuaria tentado até ela ceder.
— Não!
***
Coloquei mais batatas em minha boca, enquanto Bella cantarolava consigo mesma uma tentativa de criar melodia para Estrelas, a primeira canção dela que eu tinha escolhido. Era uma música que com certeza não parecia ter sido escrita pela Capitã, mas pela assinatura com data no fim da página eu pude ver que ela tinha escrito aquilo antes do Escândalo Swan, logo quando era só uma menina.
— Não, isso não está nada bom — ela disse insatisfeita, eu revirei os olhos, já estávamos a mais de uma hora presos naquela única música.
— Você é muito perfeccionista — protestei, roubando o milk-shake de morango dela, já que o meu de chocolate já tinha acabado, assim como nossos hambúrgueres.
— Essa música é ridícula, Edward!
— Não, ela não é! — teimei, ela balançou a cabeça em negação.
— É música de adolescente.
— A maior parte dos meus fãs são adolescentes, lembra? Vamos fazer assim, eu cuido da melodia depois, ainda temos todo o período de gravação do álbum para isso.
— Essa música é ridícula! — repetiu.
— Por isso quem irá a cantar sou eu, não você, vai poder manter sua dignidade.
— As pessoas saberão quem compôs a letra.
— Use um pseudônimo.
— É, talvez. — Ela passou o papel com a composição para mim.
— Você não tem mesmo um violão aqui?
— Não — ela respondeu, franziu a testa e se levantou rapidamente. — Acho que tenho um teclado antigo no closet do quarto de hóspedes.
— Só agora se lembrou disso? — reclamei.
— Foda-se! — gritou para mim, antes de arrancar o milk-shake da minha mão e deixar a sala, voltou logo em seguida com o bendito teclado. — Toma. — Passou para mim, eu abri espaço na mesinha de centro, enquanto ela o ligava na tomada.
Apertei algumas teclas, mexi nas configurações e quando estava parcialmente satisfeito comecei a tocar a melodia que ela estava cantarolando antes. Nem precisei ler a letra, já tinha a decorado graças a mais de uma hora trabalhando nela, então pude começar a cantar.
— Parece um conto de fadas. Mas é real. Essa canção sobre garoto e garota se conhecendo. E se amando para todo o sempre.
— Espera! — Bella me interrompeu.
— O quê?
— E se essa parte não fosse cantada? Só declamada, enquanto só o teclado toca, depois outros instrumentos entrariam.
— Boa ideia — elogiei.
— Claro que sim, eu sempre tenho boas ideias — ela se gabou.
— Tá bom, agora fica quieta. — Ela fez uma cara feia, mas não disse mais nada.
Mexi um pouco mais no teclado, antes de voltar a tocar.
— Parece um conto de fadas. Mas é real. Essa canção sobre garoto e garota se conhecendo. E se amando para todo o sempre — falei. — A história começa. Era um sábado de verão. Ele nadava no mar. Ela tomava Sol.
— Os destinos entrelaçados — Bella começou a cantar, fazendo com que eu a olhasse. — As almas interligadas. Feitos um para o outro. Amores de uma vida.
— Você decidiu cantar comigo? — perguntei quando ela parou.
— Não mesmo, mas estou testando como funciona com uma voz feminina, talvez você devesse fazer um dueto com Kate.
— Não, ainda vou te fazer topar, sua voz é muito melhor que a da Kate.
— Eu não vou cantar, continue. — Estalou seus dedos para mim.
Aquela mulher me tirava do sério, mas voltei a cantar de onde ela tinha parado.
— Os olhares se cruzaram. Os corações se alegraram. Um castelo de areia construíram. E se beijaram. — Me preparei para o refrão, deixando a melodia mais urgente. — Naquela noite sob as estrelas. Eles se amaram. As estrelas juraram. Guardar o amor para os apaixonados. — Antes de repetir o refrão busquei pelo rosto de Bella, ela sorriu em aprovação. — Naquela noite sob as estrelas. Eles se amaram. As estrelas juraram. Guardar o amor para os apaixonados.
Antes de seguir cantando, dei um espaço entre o refrão e a próxima estrofe, apenas tocando a melodia ainda improvisada no teclado. Mas, antes que eu cantasse, Bella fez isso.
— Anos se passaram. Eles nunca mais se encontraram. Até que os caminhos se cruzaram. Os corações deliraram.
Puta merda, eu queria ouvir um álbum inteiro pela voz de Bella!
— O amor tinha sido guardado — cantei junto dela. — As estrelas cumpriram seu trato. Ele ficou muito grato. Ela deu um ultimato.
Deixei Bella seguir só pela próxima estrofe de um só verso.
— “Me ame sob as estrelas mais uma vez”.
Na próxima estrofe, que era o refrão de novo, voltei a cantar com ela.
— Naquela noite sob as estrelas. Eles se amaram. As estrelas juraram. Guardar o amor para os apaixonados. Naquela noite sob as estrelas. Eles se amaram. As estrelas juraram. Guardar o amor para os apaixonados.
Diminui o ritmo da melodia, na minha cabeça naquele momento os outros instrumentos poderiam parar.
— Apenas declame essa parte — pedi para ela, que concordou e disse a estrofe seguinte.
— Eles casaram. Parece um conto de fadas. Mas é real. Eles tem se amado por todo o para sempre.
Toquei no piano por mais alguns segundos, até acabar a melodia e encarar Isabella que estava encarando suas mãos sob seu colo.
— Capitã, você precisa gravar essa canção comigo.
— Eu não vou. — Ela pegou mais batatas para si. — Você pode chamar Kate, ou outra cantora, se quiser.
— Não quero, quero que você cante Estrelas comigo.
Bella riu.
— Não adianta, não acontecerá. — Pegou mais batatas. — Próxima música!
Peguei a pilha de músicas que ela tinha me dado, tirando de lá uma chamada Hollywood, a primeira que li quando encontrei suas composições. Eu estava muito contente que ela tinha disponibilizado aquela, podia abrir mão de todas as outras, mas não de Hollywood.
— Sério? — perguntou quando viu minha escolha.
— Nem que eu grave só essa — falei. — Mas, eu vou mudar a melodia country para pop, mas vou precisar fazer isso na gravadora, ou na minha casa.
— Country é muito mais legal — Bella teimou.
— Com certeza não.
— Você não entende nada, pirralho.
— Eu cresci cantando e tocando, Capitã!
— Eu sou mais velha.
— É mesmo, logo estará toda flácida. — Assim que acabei de falar isso ganhei um tapa no rosto, que me deixou puto de raiva. — Você não deveria ter feito isso, Isabella! — Joguei a composição sobre a mesinha e puxei a mulher para meu colo, ela tinha trocado seu roupão por camiseta e shorts jeans para receber nossa comida mais cedo, o que me fez tirar a parte de cima da sua roupa para poder beijar seus seios.
— Não, não! — Ela saiu de cima de mim, recuperou sua roupa e tornou a se vestir. — Sem mais sexo para você hoje.
— Fala sério — protestei.
— Eu estou falando sério! — Ela pegou as músicas entregues a mim. — Você terá Estrelas e Hollywood, eu escolho a última.
— Só três?
— Sim, já está de bom tamanho, você completará o álbum com canções suas, de Jasper, ou outros compositores.
— Tá ok — concordei. — Qual será a última, Capitã?
Ela me lançou um sorrisinho travesso e estendeu a folha para mim, li o nome da música, era Johnny Cash. Não tinha lido a letra daquela antes, mas fiz aquilo rapidamente e percebi que tinha sido feita para duas vozes.
— Mas, tem uma condição — Bella falou, fazendo com que eu a olhasse — Só deixo você gravar minhas músicas se gravar Johnny Cash com meu pai.
Nem fodendo!
— É pegar ou largar, Cullen. Eu compus essa música para meu pai e eu cantarmos, então, você terá de cantar com ele.
— Não!
— Tudo bem. — Ela deu de ombros. — Quem sai perdendo é você.
— Que se foda, não preciso das suas músicas.
— É, eu sei bem que não. — Ela juntou as canções, se levantou e quando me dei conta estava subindo em meu colo.
— Bella...
— Grave com meu pai, Edward — ela pediu, falando em meu ouvido, antes de descer sua boca até meu pescoço e começar a chupar e mordiscar ali. — Por favor, por favor, por favor — implorou, levando uma mão até dentro da minha cueca, começando a massagear meu pau.
Ah, que se foda, era só uma música!
— Eu gravo com seu pai.
Isabella olhou para mim, sorridente.
— Você grava?
— Gravo! — Antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa levantei, mantendo-a em meu colo. — Agora vamos voltar a te prender naquelas algemas, putinha.
***
Já era de madrugada quando deixei o apartamento de Bella, quando cheguei à minha casa estava exausto e tudo que queria era dormir. No dia seguinte Bella e eu, na gravadora voltaríamos a trabalhar nas músicas dela e eu queria estar descansado para isso.
— Ei, carinha! — cumprimentei Shrek quando entrei em casa e ele foi correndo me receber. — Você já devia estar dormindo, cara! — falei, me agachando no chão junto dele, o deixando me cheirar, ele começou a latir, provavelmente sentindo o cheiro de Jean em mim. — Eu sei, estava brincando com uma gatinha, mas você ainda é meu animal favorito, coisa linda. — Agarrei a cabeça dele e sacudi, o que fez abanar o rabo em felicidade.
— Edward? — Olhei para cima, vendo minha mãe. Ela tinha dito mesmo por mensagem que estaria na minha casa aquela segunda, para manter tudo em ordem para mim enquanto eu estava no trabalho, mas eu pensava que aquele horário ela já estaria dormindo. Também foi confuso a ver com o rosto preso em uma expressão triste, assim como seus olhos vermelhos indicando que tinha chorado.
— Mãe, tudo bem? — eu perguntei preocupado, me colocando de pé imediatamente.
— Eu sinto falta do seu pai — ela sussurrou, o lábio inferior tremendo.
Aquilo me paralisou, eu não tinha ideia do que falar.
— Terminei meu relacionamento com Blake hoje, você sabe, aquele professor lá da ONG. — Lágrimas corriam por seu rosto. — Não podia continuar com ele, antes do divórcio pensei que podia ser feliz com Blake, mas estava me enganando, eu ainda amo o seu pai. Mas, Carlisle não me ama mais, acho que ele não me ama há muitos e muitos anos. — Ela soluçou, colocando o rosto entre suas mãos.
Andei até ela e a puxei para meus braços, deixando com que mamãe chorasse em meu ombro.
— Ontem falei com uma amiga de Bath, ela me contou que viu seu pai com a tal namorada nova dele. Adivinha? Ela é bons anos mais jovem que eu e os dois pareciam muito felizes juntos, você entende isso? Eu nunca mais vou ter seu pai de volta.
— Ele não te merece, mãe. Carlisle é um idiota! — exclamei, ainda estava revoltado com meu pai depois do que aconteceu entre nós dois na última vez que nos vimos.
Esme continuou chorando, o que só me deixou mais revoltado com Carlisle. Além de ter sido um péssimo pai para mim, também foi um péssimo marido para minha mãe.
***
Não dormi quase nada naquela noite, ainda tive de acordar cedo para malhar e depois segui para a gravadora. Então, meu humor não estava nem de longe o melhor.
Por isso, quando Jasper — com um sorriso malicioso no rosto — foi falar comigo, não me importei em ser simpático.
— E ai? Como foi a noite passada com Isabella? — ele perguntou em um tom de voz baixo, para que ninguém mais além de mim ouvisse, enquanto nos servíamos com café. — Você a fodeu para caralho, certo?
— Não fodi ninguém, porra! — resmunguei, arrumando os óculos escuros em meu rosto.
— Tá bom, vai pensando que me engana! — ele disse de volta. — Ela é tão foda pessoalmente como parece no vídeo?
— Jasper. — O olhei. — Ainda não fodi Isabella, mas quando acontecer pode ter certeza de que contarei os detalhes, ok?
Ele riu.
— Sério que ainda não comeu ela?
— Sério, já falei isso, né?
— Beleza, então se você ainda não comeu ela nossa aposta de quem vai foder aquela boceta primeiro continua de pé, certo?
— Foda-se, tanto faz. — Bebi um pouco do meu café. — Se você quer saber o que eu estava fazendo no apartamento dela, eu te digo, nós estávamos trabalhando em cima de algumas músicas dela.
Ele me encarou surpreso.
— Músicas que entrarão no meu álbum, não tinha sexo algum. Ainda. — Dei de ombros e sorri para Jasper. — Algum dia eu vou foder ela.
— Se você não estiver mentindo e já não tiver fodido. — Jasper me encarou atentamente. — Mas, vou acreditar nas suas palavras por enquanto.
***
Laurent quase gozou em suas calças quando Bella e eu — assim que a Capitã chegou aquela manhã na gravadora — mostramos para ele as músicas dela que entrariam em meu álbum, assim como contamos que eu faria uma parceria com o Caipira Swan — que Bella avisou que só saberia no momento que ela escolhesse contar e nós aceitamos —. Dessa forma, Laurent, outros dois produtores, Jasper, Bella e eu ficamos em uma sala de gravação, com todos os instrumentos e tecnologia necessária para trabalhar nas canções.
Bella não aceitou cantar Estrelas comigo novamente para os outros, me restando fazer aquilo sozinho. Como eu e o resto da equipe precisaríamos de mais tempo para trabalhar nas melodias, principalmente na de Hollywood, eu fiz uma tomada sozinho daquela, apenas para testar a letra em minha voz.
— Pode começar! — Laurent disse do outro lado da cabine, limpei minha voz e comecei a cantar.
— Eles gritam: luzes, câmera e ação. Você está pronto para a adoração? Está sob os holofotes agora. Todos os olhos em você. — Olhei para o lado de fora da cabine, Bella estava acompanhando a letra no papel do manuscrito em sua mão. — Isto é Hollywood. Champanhe, limusine e tapetes vermelhos. Você não sonhou com isso? É tudo seu agora.
Eu também tinha visto a data de composição daquela música, pós Escândalo Swan, o que queria dizer que Isabella estava cheia de raiva quando a escreveu. Isso justificava a letra cheia de deboche e mesmo a melodia country mais pesada, eu já tinha a ideia de iniciar o álbum com aquela música, talvez como a faixa-título, por mais que eu amasse Endorfina e o trabalho incrível que fiz nela.
— Coloque sua roupa mais bonita. A festa será infinita. Você não irá cansar. Isso é tudo que sempre quis. — Me interrompi quando a porta do estúdio se abriu e Bella entrou na cabine comigo, tirando seu celular do bolso.
— Continue, Tanya está ocupada com Kate, eu só vou tirar umas fotos e gravar uns vídeos sem áudio para movimentarmos as redes sociais.
— Beleza.
Limpei a garganta novamente e voltei de onde tinha parado.
— Na cidade dos anjos. E dos desejos. Você pode ser quem quiser. Hollywood te dará tudo.
Bella fazia um vídeo em 360º de mim.
— A cidade dos anjos. É a cidade dos sonhos. Isto é Hollywood. Você está no topo do mundo agora. A cidade dos anjos. É a cidade dos sonhos. Isto é Hollywood. Você está no topo do mundo agora.
— Essa música é maravilhosa! — Bella disse orgulhosa de si mesma, me atrapalhando.
— Bella, ou você fica quieta, ou cai fora! — Laurent falou para a gente, ela se virou para o produtor e mostrou o dedo do meio para ele.
— Filho da puta — xingou baixinho. — Continua, pirralho.
— Sim, Capitã!
Pousei para mais uma foto dela antes de retomar.
— Vestidos chiques. Carros velozes. Vinhos importados. Você é tão rico. Você nada em uma piscina de dinheiro. — Eu com certeza concordava com Isabella, aquela música era maravilhosa e certamente eu faria dela um single. — A cidade dos anjos. É a cidade dos sonhos. Isto é Hollywood. Você está no topo do mundo agora. A cidade dos anjos. É a cidade dos sonhos. Isto é Hollywood. Você está no topo do mundo agora.
Bella guardou seu celular, voltando a conferir a letra de sua própria música. Tirou um lápis do bolso de sua calça e começou a fazer anotações, provavelmente sua mente estava moldando a melodia, como depois eu sabia que meu pensamento estava certo.
— Não deixe as luzes se apagarem. É Hollywood. O show nunca pode parar. Continue a atuar. — Afastei uma mecha de cabelo do meu rosto, ainda olhando para Bella anotando sem parar. — A cidade dos anjos. É a cidade dos sonhos. Isto é Hollywood. Você está no topo do mundo agora. A cidade dos anjos. É a cidade dos sonhos. Isto é Hollywood. Você está no topo do mundo agora.
— Sexy — Bella olhou para mim e sussurrou, entendi o que ela quis e cantei a última estrofe com a voz sexy, a deixando enrouquecida.
— Você não sonhou isso? É tudo seu agora.
— Isso foi perfeito, eu mal posso esperar para ouvir a versão com a melodia! — Bella comemorou, naquele momento soando como uma criança em empolgada, faltava pular de alegria.
— Sou um mestre, Capitã.
Ela apenas revirou os olhos, mas ainda estava animada demais.
— Agora Johnny Cash! — Ela saiu da cabine, vi Bella dizer algo para Jasper e ele entrou.
— Ela me mandou fazer a parte do Charlie — meu amigo explicou, se posicionando junto de mim perto do microfone.
— Beleza. — Esperei pelo aval de Laurent, que veio logo em seguida, então eu pude começar a cantar a música, mesmo que sem ter ideia exata de como deixaríamos a melodia dela, já que a versão de Bella estava inteiramente Country. — Vivendo em uma cidade pequena. Dono de grandes sonhos. Seu melhor amigo era seu violão. Ele queria seguir sua paixão.
— A música era tudo em seu coração. — Jasper começou a cantar a outra parte, que seria do Caipira. — Sua salvação. Toda sua motivação. Se enchia de obstinação.
Na parte do refrão cantamos juntos.
— Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Presley. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples. Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Presley. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples.
Cantei sozinho a próxima parte.
— Seus sonhos. E seus desejos. Ele era capaz de tudo para concretizá-los.
— Mas ele era apenas um garoto da cidade pequena. Preso a um mundo limitado. Sem ter para onde ir — Jasper cantou, antes de iniciarmos um novo refrão. — Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Presley. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples. Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Presley. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples.
— Ele seguiu sua paixão — cantamos aquela parte juntos também. — Pegou um avião. Com seu fiel violão. Cidade grande. Luzes por todo lado. Onde todos queriam ser os melhores.
Eu sabia que Bella tinha nascido em Hollywood, então aquela canção tinha sido escrita provavelmente pensando em seu próprio pai. Porém, ela se encaixava muito bem na minha própria vida.
— Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Presley. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples. Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Presley. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples — cantamos uma última vez o refrão. — Ele decidiu deixar de lado o sonho de ser Cash. Ou mesmo Elvis. Ele seria grande. Por seu próprio nome.
— Jasper? — Bella o chamou assim que acabamos a música. — Se eu não fizesse questão do meu pai nessa canção você poderia a gravar com Edward. Ah, Cullen, melhore, você não estava bem nessa.
— Claro que eu estava! — teimei.
— Não mesmo, perto do Jasper você fica apagado.
— Foda-se o que você acha! — resmunguei.
Eu era melhor que Jasper, era melhor que qualquer um.
Jasper deixou a cabine, eu fiquei lá dentro, peguei meu celular e coloquei no Instagram. Gravaria um vídeo por conta própria, uma vez que eu já podia ver as fotos e vídeos que Bella tirou antes na rede social.
— Olá! — saudei meus fãs e seguidores. — Passando por aqui só para dizer o quão animado estou com a produção do meu novo álbum, mal vejo a hora de compartilhar tudo com vocês.
***
Mais tarde naquela terça-feira Isabella e eu saímos juntos da gravadora, para um jantar de negócios com o representante de uma marca de celular que a Capitã estava tentando conseguir um contrato para mim. Ela seguiu em seu carro, enquanto eu fui com o meu, dirigido por Felix.
Na entrada do restaurante japonês já se encontrava uma grande movimentação de fãs e paparazzis, então foi bom que Bella tivesse mandado mais seguranças para lá. Eu fui escoltado do meu carro até a entrada do restaurante, mas não pude deixar de ouvir os gritos dos fãs e dos paparazzis.
— Ed, Ed, você veio se encontrar com Lauren?
— O quê? — Parei de andar, Bella que estava andando na minha frente parou também e olhou para mim com uma expressão nervosa que não conseguiu conter.
— Você e Lauren estão reatando? — mais alguém perguntou.
— Apenas entre de uma vez — Bella disse para mim, voltando a andar para dentro do restaurante, eu me forcei a segui-la.
Meus olhos procuraram por Lauren no instante que chegamos ao salão do restaurante, eu a localizei facilmente, estava sentada a uma mesa cercada por suas amigas. Meu coração acelerou e senti minha cabeça doer, assim como meu estômago se retrair, o que me deixou enjoado.
— Você não pode ir embora — Bella falou antes que eu pudesse pedir por aquilo. — Precisamos ter a reunião com esse possível patrocinador, é importante.
— Não podemos ir para outro lugar?
— Não, ele é um dos donos daqui. — Ela indicou a mesa que deveríamos ir, que por sorte era em um reservado, mas para chegar lá passaríamos perto de Lauren.
— Bella...
— Vamos logo! — Ela me deu um empurrão, eu choraminguei, andando junto da Capitã.
Quando passamos perto da mesa que Lauren estava ela me notou, arregalou seus olhos e ficou pálida. Eu quis parar e falar algo, dizer que ela tinha fodido comigo, me usado e me abandonado, mas Bella foi mais rápida e foi até a atriz, nem deixou Lauren se levantar, apenas fingiu a cumprimentar e sussurrou algo em seu ouvido, o que só deixou a outra mais branca.
Bella voltou para junto de mim, fazendo com que eu voltasse a andar até o reservado, onde não era capaz de avistar Lauren ou mais ninguém. Uma garçonete nos atendeu perguntando o que beberíamos e logo saiu quando Bella pediu Coca-Cola para nós dois, foi quando perguntei para a Capitã:
— O que você disse para Lauren?
— Apenas para ela não criar problemas, ou eu ia criar alguns também — respondeu, olhando o cardápio.
— Ela é uma...
— Vadia? Puta? Vagabunda? É, ela é tudo isso — Bella completou por mim. — Agora, esqueça-a, não podemos perder tempo com sua noivinha filha da puta, você tem que focar no trabalho.
— Não me sinto bem — protestei, colocando a cabeça apoiada em minhas mãos.
— Vai ter que esperar chegar a sua casa para passar mal, essa reunião é importante. — Bella cutucou minha cabeça, fazendo com que eu a olhasse. — Temos que decidir quem irá com você aquele leilão beneficente, lembra-se dele, né? Te falei ontem.
— Lembro.
— E ai? Sua mãe ou sua irmã.
Torci o nariz.
— Não quero ir com nenhuma delas duas, vai me fazer sentir um idiota.
— Ou é com uma das duas, ou sozinho — falou. — Não vou te deixar ir com uma garota de programa. Eu podia te colocar para ir com Kate, mas ela vai estar se preparando para a turnê dela que começará dias depois.
— Por que você não vai comigo?
Bella gargalhou.
— Tô falando sério, Capitã. — Ela parou de rir. — Você não vai estar lá? Vamos juntos, a não ser que você vá com o mestre cuca.
— Não, ele terá um outro evento no dia, coisa de trabalho — respondeu, mas tinha uma careta no rosto. — Só que nem fodendo eu vou com você.
Ficamos em silêncio quando a garçonete voltou com as nossas bebidas, voltei a falar quando ela caiu fora.
— Não é como se as pessoas fossem adivinhar que estamos de fato fodendo. — Bella bufou. — Você é minha empresária e estaremos indo juntos a um leilão para ajudar... O que mesmo?
— Sei lá, acho que é algo relacionado a animais.
— Então, nós vamos juntos ou não? De qualquer forma não vamos acabar na mesma mesa?
— Com Tanya, Santiago, com Charlie e Carmen também — resmungou.
— E quando você pretende falar com seu pai sobre a música?
— Isso eu resolvo. — Ela bebeu um pouco do seu refrigerante. — Certo, nós podemos ir juntos ao leilão, mas sem gracinhas.
— No leilão? Nenhuma, prometo me comportar. Mas, depois? Podemos ir para seu apartamento brincar novamente com suas algemas, putinha.
— Estarei esperando por isso, senhor. — Bella sorriu maliciosamente para mim.
Não sorri de volta, não me sentia animado. A garota com que eu realmente queria ir aquele leilão, como queria que estivesse ao meu lado para sempre — independente de qualquer coisa —, era Lauren.
***
A reunião foi excelente, algumas coisas ainda precisariam ser acertadas, mas Bella garantiu que eu teria o contrato assinado em breve e que logo viraria o garoto propaganda da marca. Isso me deixou um pouco mais animado, entretanto não o suficiente para superar ter topado com Lauren, que já não estava mais no restaurante quando sai.
Assim que cheguei a minha casa, onde só Shrek estava — minha mãe estava no apartamento dela e eu não via Rose há dias, já que ela continuava grudada em Demetri —, eu deitei no chão da cozinha, enquanto ficava pensando em meu tempo de relacionamento com Lauren. Tinha sido fodidamente bom, eu a amava mais do que amei qualquer outra mulher, eu a queria de volta.
Ainda estava jogado no chão, com Shrek deitado com a cabeça em cima do meu braço, quando o interfone tocou. Não fazia ideia de quem poderia ser, já que eu não estava esperando ninguém, cogitei não levantar e deixar a pessoa ir embora, mas levantei e atendi a chamada, que vinha direto do portão da mansão, não da portaria do condomínio.
— Oi?
— Edward, oi.
Prendi a respiração ao escutar a voz, era Lauren.
— Eu sei que você provavelmente não vai querer falar comigo, mas... Por favor? — Ela suspirou. — Prometo não demorar, posso entrar?
Puta que pariu!
O que eu devia fazer?
— Entra — falei por fim, apertando o botão que abriria o portão. Sai em disparada até a porta da casa, com Shrek em meus calcanhares.
Abri a porta, vendo Lauren deixar o seu carro. Ela andou rapidamente até a entrada a porta, eu a deixei entrar e fechei a porta logo.
— O que veio fazer aqui?
— Pedir desculpas — murmurou, enquanto Shrek pulava nela exigindo carinho. — Por tudo que fiz... Por tudo que não fiz por você, na verdade.
Eu ri, dando alguns passos para longe dela.
— Você é uma filha da puta, Lauren!
— É, eu sei. Mas, eu gostei realmente de você, Ed.
— Sério? — A encarei, ela se encolheu um pouco. — Quando estava me usando só para ter fama? Me poupa, Lauren, você não passa de uma oportunista.
— Você não vai entender.
— Me explica! — exigi.
— Sempre quis ser uma atriz de sucesso, tá legal? — gritou. — Quando te conheci vi que ficar com você seria minha passagem para a fama e me agarrei a isso. Mas, com o tempo gostei de você, de verdade.
— Gostou tanto que caiu fora quando eu mais precisei de você! — gritei de volta, mas não a deixei falar mais nada, afastei Shrek e agarrei Lauren, a pressionando entre meu corpo e a porta, a beijando com urgência.
A atriz retribuiu o beijo, o que por um segundo me fez voltar ao tempo que estávamos juntos e tudo parecia bem para mim, antes do meu mundo desmoronar.
— Eu não te amava — ela sussurrou quando nos afastamos, seus lábios estavam manchados de batom. — Eu gostava de você, mas não te amava — confessou. — E eu não podia ficar ao seu lado, porque eu não podia deixar minha recém fama cair junto com seus erros. Jacob apareceu e ele foi meu bote salva-vidas, eu me agarrei a ele... Sinto muito ter te abandonado.
— Vai embora, Lauren! — ordenei.
— Edward, por favor, diz que me perdoa — implorou.
— Para quê? Para você se ver livre dessa consciência pesada? Não, Lauren! — voltei a gritar com ela, que se encolheu. — Foda-se, eu nunca vou te perdoar, entendeu? Eu fui preso, condenado e passei meses preso em uma clinica de reabilitação, enquanto isso você publicamente ficava com outro sem ter a decência de ir até mim terminar nosso noivado. Por isso, não me peça para te perdoar, porque eu nunca vou ser capaz disso.
Abri a porta, ela tentou me beijar de novo, mas a coloquei para fora.
— Suma da minha vida, ou eu vou foder a sua! — ameacei.
— Ed...
Bati a porta, peguei o controle e abri o portão, deixando com que ela pudesse sair de vez do meu caminho. Fiquei algum tempo recostado na porta, quando ouvi o carro de Lauren partir fechei o portão, deixei Shrek para trás e corri até a sala de música, eu precisava compor.
***
Não fui malhar na manhã seguinte, mandei uma mensagem para Chris o dispensando, dizendo estar doente. Também não tive coragem de ir para a gravadora, por isso mandei uma mensagem para Bella e pedi que ela fosse até minha casa, ela reclamou, me xingou, mas aceitou quando eu falei que tinha uma composição nova.
Cerca de uma hora depois ela chegou, usando roupas de academia e parecendo agitada demais. Enquanto eu estava uma merda, depois de uma noite em claro compondo e chorando, culpa de Lauren.
— O que aconteceu com você? — ela me perguntou, entrando na mansão e fechando a porta, Shrek estava tomando banho de Sol no quintal, então não estava ali para atacá-la.
— Lauren esteve aqui ontem — falei, começando a andar até a sala de música, com Bella indo junto de mim.
— O quê?
— É, isso mesmo que ouviu. Mas, que se foda, pelo menos escrevi uma música foda, ela é uma filha da puta, mas serviu de material. Queria que você escutasse primeiro, agora que sei que é uma boa compositora será meu parâmetro.
— Ok — Bella concordou, tomando um lugar no sofá da sala de música.
Eu me posicionei ao piano, começando a tocar. A canção inteira seria apenas no piano, ou talvez uma orquestra inteira se eu quisesse acrescentar um toque megalomaníaco a coisa.
— Ela se chama Onde você está? — falei para Isabella, começando a cantar em seguida. — Onde você está? Eu sinto falta do seu doce sorriso. Olhar para você era como estar no paraíso. Para onde você foi?
Segurei a vontade de chorar, continuando a cantar.
— Eu me lembro de nós dois dançando pela cozinha. Da covinha em sua bochecha. E da mecha rosa em seu cabelo. Para onde você foi?
Como eu ainda podia amar e querer Lauren depois de tudo aquilo?
— Querida, eu preciso te ver. Não consigo entender. Onde está você? Venha me defender.
Tudo que ela tinha que ter feito era ter estado ao meu lado.
— Está tão escuro. E você costumava ser meu porto seguro. Então, onde está você? Por que não consigo te ver? — cantei o refrão, com minha voz falhando. — Está tão escuro. E você costumava ser meu porto seguro. Então, onde está você? Por que não consigo te ver?
Aquela altura eu estava muito perto de voltar a chorar.
— Você não foi uma fantasia. Eu te toquei. Eu te amei. Você era real.
Eu podia ter todas as mulheres do mundo, mas só fui de Lauren. Quis ser o marido dela, quis ela como minha esposa. Nunca mais amaria outra mulher como a amei, ela tinha me destruído.
— Querida, sinto falta do seu sorriso. E do seu riso. Sinto sua falta. Para onde você foi?
Ela estava com Jacob, ela nunca mais seria minha. Ela não merecia mais ser minha, por mais que continuasse a amando.
— Está tão escuro. E você costumava ser meu porto seguro. Então, onde está você? Por que não consigo te ver? Está tão escuro. E você costumava ser meu porto seguro. Então, onde está você? Por que não consigo te ver?
Parei de tocar, deixando as lágrimas caírem por meu rosto, mas continuei cantando.
— Querida? Querida? Para onde você foi? Volte para mim.
Escondi meu rosto entre as mãos, chorando como um bebê a perda de Lauren. Não sei quanto tempo fiquei daquele jeito, até que o choro cessou e eu me voltei para Bella, que estava distraída com seu celular.
— O que achou?
— Quê? — Confusa ela olhou para mim.
— Da música, você não estava prestando atenção?
— Eu estava, mas ai você começou a chorar e eu te deixei ter um momento. — Deu de ombros. — E tô há dias presa em uma maldita fase em Candy Crush, você pode tentar passar por mim?
Voltou a olhar para seu celular.
— Isabella!
— Ai, o quê? — Ergueu seu olhar para mim.
— A minha música.
— Ah, meio entediante, né? Mas, parece que vai vender bem. — Jogou seu celular sobre o sofá. — Por mim você a grava, podemos fazer algo melhor agora?
— Tipo? — Limpei meu rosto com as costas da mão.
— Sexo! — Bella se levantou do sofá em um pulo. — Depois irá para a gravadora, você querendo ou não.
— Não tô com cabeça para sexo.
— Você continua com esse pensamento se eu sugerir nós dois usando seu banheiro?
Aquilo chamou minha atenção.
— Conte mais.
Ela segurou em minhas mãos, fazendo com que eu levantasse do banco do piano e segurasse em sua cintura.
— Você tem uma grande banheira, não tem?
— Tenho sim.
— E você tem um grande espaço do chuveiro onde eu posso te chupar?
— Porra, eu tenho.
— E você quem sabe pode foder meu rabo ainda hoje...
Não esperei ela dizer mais nada, a agarrei em um beijo, ergui seu corpo e a fiz entrelaçar minha cintura com suas pernas. A apoiei no piano, enquanto ainda a beijava.
— Edward? — Eu rapidamente tirei minha boca da de Isabella quando escutei a voz, olhei para trás, vendo Rosalie no meio da escada da sala de música, nos encarando chocada. — O que está acontecendo aqui?
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