Hollywood
24 Capítulo Vinte e Três
Notas iniciais
Capítulo Vinte e Três
Isabella Swan
“Renée Swan diz em entrevista que Isabella, sua filha recém-nascida, é o grande amor de sua vida.”
O Escândalo Swan me machucou de mil formas diferentes, por tudo que Paul — o homem que eu amava fez comigo —, pelo jeito que a sociedade passou a me ver e a tratar. Entretanto, talvez o que mais me machucou foi perder Renée, minha própria mãe.
A mulher que era meu maior exemplo, uma das pessoas que eu mais amava no mundo e que por uma vida pensei que me amava igualmente de volta. Porém, não, o amor dela era uma mentira.
***
Eu estava fodida.
Infelizmente não literalmente, o que também me deixava raivosa. Continuava imprensada entre o piano e o corpo de Edward, enquanto nós dois olhávamos para sua irmã na escada.
Aquela filha da puta tinha que aparecer justamente naquele momento?
— Edward... — Rosalie falou o nome do irmão, ainda em um tom de descrença.
— Merda, porra! — Edward xingou, me colocando no chão.
Apertei minhas mãos contra meu rosto, pensando na grande confusão que aconteceria se Rosalie deixasse aquilo vazar. Puta que pariu, minha vida seria arruinada se descobrissem do meu envolvimento com Edward, eu perderia toda a credibilidade como empresária, a mídia me transformaria novamente em uma grande vagabunda e James me abandonaria.
— Edward, você não pode estar tendo um caso com essa mulher! — Rosalie exclamou, fazendo com que eu tirasse minhas mãos do rosto para a olhar.
— Não estou — Edward mentiu descaradamente, dando de ombros. — Ela estava só me ensinando como dar um beijo técnico, quero me tornar um bom ator.
— Isso não é engraçado! — Rosalie gritou, terminando de descer a escada e parando perto da gente. — Essa mulher deve estar te usando, Edward.
Eu não consegui deixar de gargalhar, mesmo estando tensa.
— Claro, eu estou abusando do seu irmãozinho indefeso — debochei, ela me encarou com raiva. — Tão inocente e tolo.
— Ei! — Edward exclamou injuriado para mim, se voltando para Rosalie. — E não tem ninguém sendo usado aqui, Rose.
— Essa mulher é mais velha e sua empresária — a loira disse furiosa. — Deve estar... Fazendo coisas com você só para roubar seu dinheiro!
Bom, tecnicamente eu estava mesmo pegando mais dinheiro com Edward do que estava no meu contrato — inclusive precisava sentar e escolher minha casa na África do Sul para ele comprar —, porém, tudo isso era um acordo entre nós, eu não estava roubando. Nem me prostituindo, eu não era uma puta dessa espécie como Carmen.
— Primeiro, não tão mais velha assim. Segundo, eu não estou roubando o seu irmão.
— Só me explorando com casas na África do Sul — ele reclamou.
— Cala a boca, Edward — ordenei. — Você conseguiu o que queria com nosso acordo.
— Isso é nojento! — Rosalie proclamou, com uma expressão de asco no rosto.
Edward bufou.
— Rosalie, você já é grandinha o suficiente para saber que sexo não é nojento, certo? — ele falou com a irmã. — Não comece a encher a porra da minha paciência com isso.
— Ela tem um noivo! — Rosalie gritou, apontando para mim. Me olhou furiosa. — Como você pode trair o seu noivo desse jeito? Eu o conheci no dia do show de Edward, ele é tão gentil, uma boa pessoa, não merece o que você está fazendo com ele.
— Por isso você vai ficar quietinha e não contará para ninguém o que viu aqui — eu ordenei.
Rosalie negou com um aceno de cabeça.
— Seu noivo não merece isso, eu vou contar para ele, não serei cúmplice de uma traição.
— Se você contar a vida do seu irmão irá ser arruinada — eu avisei, Rosalie olhou para Edward, que estava com os braços cruzados na frente do corpo. — É isso que você quer, Rose? — indaguei em um tom de voz doce, afastando uma mecha de cabelo do seu rosto, ela se afastou de mim prontamente. — Não quer que seu irmão enfrente mais problemas, quer? Pois é isso que acontecerá se você contar para James, ou qualquer outra pessoa o que viu aqui hoje. Eu irei foder a vida do seu irmãozinho, ele nunca mais sairá do limbo.
— Você é um monstro! — Rosalie disse entre dentes. — Edward, como você pode se envolver com alguém assim?
— Rosalie, você sabe muito bem como sou. — Ele deu de ombros. — Agora, promete que vai ficar quieta, não é?
Rosalie balançou a cabeça em negação, encarando o chão.
— Isso é loucura, Edward! — esbravejou. — Você acabou de sair da reabilitação, devia estar mudando de vida completamente, não se afundando ainda mais em problemas.
— Ai que garota chata, puta merda! — reclamei.
— Epa, cuidado com sua boca, Capitã! — Edward ordenou.
— Foda-se! — exclamei. — Rosalie, é o seguinte, você fica quieta e esquece o que viu aqui hoje. Volta para seu namoradinho, que eu sei que fode muito bem e...
— Cala a sua boca! — Ela gritou, erguendo o olhar para mim.
— O quê? — Eu ri da cara dela. — Só estou constatando uma verdade sobre Demetri, querida.
— Você é uma vagabunda! — Rosalie esbravejou, nos deu as costas antes que eu pudesse meter a mão na sua cara e saiu correndo para fora da sala de música.
— Vai atrás dela! — mandei para Edward.
— Ela não vai contar para ninguém — garantiu. — Não depois de você ameaçar a mim, ela me ama, não deixaria isso acontecer.
— Puta que pariu, você tinha que deixar ela ter acesso livre a sua casa?
— É a minha irmã, Isabella.
— Ela é uma maldita praga, você deveria se livrar dessa coisa.
— Eu já mandei você tomar cuidado com o que fala, Isabella! — gritou.
— Que se foda, eu vou embora. — Andei até a escada, Edward me seguiu.
— Espera aí! — Ele segurou meu braço, mas me soltei fácil dele. — E o sexo no banheiro?
— Eu não vou mais foder com você, Edward Cullen — declarei. — Chega, isso já foi longe demais, não posso deixar mais ninguém descobrir. E agora, se sua irmã der com a língua nos dentes, preciso ao menos tentar convencer James a me perdoar.
— Eu já disse que ela não vai contar para ninguém, especialmente para o seu noivo.
Parei no topo da escada, me virando para o olhar.
— Não vamos mais foder, Edward — deixei bem claro. — Acabou, ok?
Ele ficou com uma careta no rosto.
— Você vai ir tomar um banho, sozinho, irá para a gravadora trabalhar e ficar livre de problemas. Convença a sua irmã a não contar o que viu para ninguém, ou eu vou mesmo destruir sua carreira e a única coisa que vai poder fazer será cantar em festinha escolar.
Acabei de falar e fui embora, sem deixar Edward dizer qualquer outra coisa.
***
James foi para meu apartamento naquela noite, para que pudéssemos resolver mais alguns detalhes da nossa festa de noivado, que aconteceria no restaurante dele. Eu deveria estar completamente focada nisso, mas estava preocupada demais com a possibilidade de Rosalie dar com a língua nos dentes.
— Você está bem, baby? — James me perguntou.
— O quê? — indaguei, erguendo o olhar do meu notebook, enquanto mastigava a ponta do meu dedão da mão direita.
— Você não para de morder seu dedo — James comentou, esticando um braço do outro lado da mesinha de centro da minha sala de estar. — Está nervosa com a festa, não?
— Não — respondi. Tecnicamente eu estava sim um pouco nervosa com aquela festa, no entanto, naquele momento minha maior preocupação era Rosalie que podia estragar minha vida. — Só estou preocupada com coisas do trabalho, bobagens, sei que logo vou resolver.
James assentiu.
— Se precisar de ajuda, ou só desabafar, sabe que pode contar comigo para qualquer coisa — falou, afagando meu rosto delicadamente.
— Eu sei, obrigada, Jimmy — agradeci.
Puta merda!
Eu mataria Rosalie se ela estragasse meu noivado.
— Você tem falado com seu pai? — ele me perguntou, mudando de assunto, voltando a digitar em seu notebook. — Mandei uma mensagem para ele mais cedo, falando sobre a festa, mas Charlie disse que não tinha certeza de que iria, desde então não disse mais nada. — James me olhou confuso. — Ele vai estar ocupado com algo do trabalho?
— Mais ou menos. — Revirei os olhos, pensando no meu pai bravo comigo por conta daquela mulher.
— É seu pai, baby — James disse o óbvio. — Ele não pode deixar de ir ao nosso noivado.
Dei de ombros.
— Já fizemos o jantar de noivado na casa dele — falei.
— Vocês brigaram por conta da Carmen, não foi? — James me questionou.
— Está tudo bem — garanti, James suspirou.
— Ele ama a Carmen, Bella. Precisa aceitar que…
— James, não vamos falar disso agora — pedi, ele suspirou, mas assentiu.
— Você quem sabe. O que acha de os padrinhos e madrinhas discursarem na festa?
— Nada necessário — neguei. — Além do mais, não temos todos definidos.
— Bom, você sabe que do meu lado tem meu primo Kevin e Victoria.
Revirei os olhos, estava demorando muito para aquela mulher ser mencionada, já era uma sorte que James não tinha a convidado para nossa noite resolvendo tudo sobre a festa.
— Sem discursos — proclamei.
— Ok, ok — ele concordou, colocando música para tocar em seu computador, Norma Jeane apareceu naquele momento, indo para o colo de James.
Voltei minha atenção para o meu computador, escolhendo a roupa que eu usaria sábado. Foi quando meu celular tocou, fazendo com que eu ficasse imediatamente mais tensa, era Edward me ligando.
— Já volto — falei para James, me levantando e andando até a cozinha. — Oi. — Atendi a ligação de Ed.
— Tudo sob controle — ele falou. — Rosalie voltou para casa e jurou que não vai contar nada para ninguém.
— O quanto você confia nela?
— Cem por cento? É minha irmã, Capitã, confio nela plenamente.
Não acreditava naquilo, eu não confiava plenamente nas minhas irmãs, nem mesmo em Renesmee.
— Ela precisa de dinheiro para ser silenciada.
— Você está sugerindo que eu suborne minha própria irmã?
— Estou!
— Não vou subornar minha irmã, Isabella.
— Eu pago se for preciso, só não posso deixar com que ela espalhe o que descobriu.
Edward bufou.
— Já disse que ela não vai falar nada, ok? Deixa de ser surtada. Agora, ela foi passar a noite com Demetri, venha para minha casa — exigiu.
— Eu disse que acabou, Edward, não iremos mais fazer nada — sussurrei, ele riu.
— Sua teimosia me assusta, Capitã — debochou. — Então, eu posso chamar alguma garota para passar a noite comigo?
— Ligue para o Alistair, ele tem os contatos certos — orientei.
— Valeu! — Edward desligou na minha cara.
Inspirei fundo, tentando me convencer de que Rosalie não contaria nada para ninguém.
— Baby, eu acho que podemos dançar essa música no nosso casamento! — James gritou da sala.
Prestei atenção na canção que tocava, era God Only Knows do The Beach Boys. Eu estremeci, Paul sempre cantava aquela música para mim.
— I may not always love you. But long as there are stars above you* — Paul cantava em meu ouvido, enquanto dançávamos pelo meu quarto de hotel. — You never need to doubt it. I’ll make you so sure about it*.
Engoli em seco, apertando o celular com força em minha mão.
— É uma excelente escolha, James! — gritei de volta.
Nem fodendo que eu dançaria aquela música em meu casamento, preferia dançar qualquer outra merda, até mesmo uma das músicas de Edward.
***
No dia seguinte tive de dar meu braço a torcer, eu precisava que meu pai fosse para minha festa de noivado. Por mim nós dois continuaríamos brigados até ele admitir que estava errado e eu certa, no entanto, a mídia ficaria muito agitada se Charlie não fosse à festa e eu não queria aquele tipo de movimentação sobre minha imagem, de James ou do meu próprio pai.
— Olá, Isabella! — A própria Carmen abriu a porta da mansão para mim.
Como eu queria bater naquela mulher de novo!
— Oi — falei entre dentes, Carmen parecia estar radiante, ela sabia que eu estar ali significava sua vitória. Bom, temporariamente.
— Posso falar com você e meu pai?
— Mas é claro que sim! — Carmen exclamou. — Entre, sabe que sempre é bem-vinda aqui em casa.
Minha casa, filha da puta!
Carmen fez questão de me conduzir até a sala de jantar da mansão, onde meu pai estava tomando seu café da manhã. Charlie ergueu o olhar do seu jornal para mim, ficando imediatamente sério.
— O que veio fazer aqui, Isabella? — questionou, largando o jornal sobre a mesa, enquanto Carmen ia até ele e ficou atrás do meu pai, colocando suas mãos sobre os ombros dele.
Eu precisava fazer aquilo, pelo bem da minha imagem. Seria muito polêmico meu pai não aparecer no meu noivado, já bastava ser uma noiva sem uma mãe… Porra!
— Vim pedir desculpas por tudo que fiz — sussurrei, com a voz embargada.
Anos atuando me garantiram um choro falso, contido, mas que Charlie poderia encarar como real arrependimento.
— Me desculpe por tudo, papai — murmurei, cruzando meus braços na frente do corpo. — Você não precisa mais se preocupar, prometo que nunca mais irei interferir em sua vida. — Até parece! — Se você está apaixonado por Carmen e quer casar com ela eu entendo, deve ser como me sinto com James. — Tirando o fato de que eu não estava noiva de um ex-garoto de programa aproveitador.
Olhei para Carmen, que tinha um sorriso provocativo em seus lábios.
— Me desculpe, Carmen — pedi a ela, mantendo minha pose de boa menina arrependida. — Eu não devia ter investigado seu passado, muito menos usado isso para tentar te separar do meu pai. — Limpei meus olhos com uma mão, aumentando a cena. — Fui tão tola, eu juro que nunca mais irei tocar no assunto, juro mesmo. Papai, eu estou tão arrependida, por favor, preciso que vocês me perdoem.
Charlie riu, me pegando de surpresa. Carmen riu também, o que me deixou puta.
— Bela tentativa, Isabella — meu pai falou, ainda rindo. — Você só se esqueceu que sou seu pai, né? Sei quando você está atuando, eu te vi crescer diante as câmeras encenando. — Revirei os olhos, terminando de limpar meu rosto das falsas lágrimas. — Sei muito bem que seu pedido de desculpas foi uma mentira, veio até aqui por que não posso faltar à sua festa no sábado, não é isso?
— É — resmunguei, ele assentiu.
— Não se preocupe, Carmen e eu estaremos lá e ninguém perceberá que nós dois nos desentendemos. Mas, eu continuo puto com você e ainda não estou pronto para te desculpar, sequer acho que mereça ser desculpada agora. — Claro, ele preferia ficar do lado da puta mexicana. — Mas, a Carmen pensa diferente, não é, querida?
Olhei para a puta mexicana, que sorria de forma presunçosa para mim.
— Primeiro, nós sabíamos que você estava vindo até sábado pedir desculpas, foi uma bela atuação. — Ela piscou para mim. — Segundo, estou pronta para te desculpar se você for a madrinha do meu casamento com seu pai.
Um casamento que eu ainda daria um jeito de não ocorrer? Claro.
— Tudo bem, sou sua madrinha.
Carmen assentiu animada.
— Agora só falta Alice aceitar.
Coitada da minha irmã.
— Tinha algo a mais, não é, Carmen? — papai falou.
— Tem sim. — Ela sorriu ainda mais para mim. — Eu quero que vire a minha empresária, estou pronta para investir mais pesado em minha carreira de cantora.
Gargalhei, alto. Era a melhor piada do ano.
— Isabella! — papai falou grosso comigo.
—Nem fodendo! — previ o que ele diria. — Não serei a empresária da sua namoradinha, papai. E nem tente me ameaçar dizendo que irá me fazer deixar de ser a sua, porque eu te fiz assinar contratos que fazem você estar na minha mão pelos próximos anos da sua vida.
Charlie ficou vermelho de raiva.
— Vá embora, Isabella!
— Eu vou. — Pisquei para ele. — Vejo vocês dois na minha festa sábado. — Me voltei para Carmen. — E você não tem talento para ser uma cantora.
Sai apressadamente da sala de jantar quando disse aquilo, antes que meu pai ficasse mais puto da vida comigo. Não podia deixar com que ele se irritasse mais, como se não fosse eu quem tinha motivos para estar revoltada.
***
Eu precisava de férias, o quanto antes. Passei a sexta-feira inteira tendo que me dividir entre cuidar dos preparativos finais para a festa da noite seguinte, resolver alguns problemas de estrutura para um dos shows da turnê de Riley, resolver assuntos da turnê de Kate que estava cada vez mais próxima, acertar tudo para a ida de Edward para New York — eu também iria — para a gravação do clipe de Endorfina, uma ação publicitária que ele faria em uma casa de Karaokê que tinha aberto recentemente lá, entrevistas que daria na cidade e tudo o mais. Além disso, também cuidei de contratos de mais quatro seguranças para ele, dessa forma ele estaria todo dia com ao menos três, a contratação de dois motoristas e de uma cozinheira — um pedido dele — para sua mansão.
Alistair, que me ajudou com as contratações, conseguiu uma cozinheira que Edward conseguiria manter suas mãos longe, porque eu definitivamente não precisava dele se envolvendo com uma empregada. Era uma mulher com mais de quarenta anos, que não fazia o tipo modelo que o Cullen tanto idolatrava.
— O quê, Edward? — atendi sua ligação, quando estava quase saindo da produtora.
— Eu amo a Zafrina.
Ah não, Edward tinha se apaixonado pela cozinheira? Era só o que me faltava.
— Ela cozinha bem pra caralho, Capitã. Eu posso casar com ela?
— Não, você não pode — falei, percebendo que ele não estava falando sério sobre amar a mulher. — Mantenha suas calças fechadas, ou chame uma garota de programa.
— Por que você não vem até aqui e abre minhas calças? Está me devendo um boquete.
— Cala a boca, porra! — exclamei irada com sua fala descuidada.
Edward riu.
— Ok, tchau, Capitã! — exclamou animado. — Vou comer mais um pedaço de lasanha que Zafrina fez para eu jantar, mal tem seis horas que ela está aqui e já é minha pessoa preferida do mundo. Quer saber, eu acho que ela ainda cozinha melhor que seu noivo.
— Tanto faz, tchau! — Desliguei na cara dele, ia jogar meu celular na bolsa, mas vi a notificação de uma marcação no Instagram, na minha conta pessoal, não a da produtora.
Cliquei lá, vendo que eu tinha sido marcada em uma foto de uma conta de fofocas. A foto era uma minha com Renée, quando eu tinha meus dezesseis anos, a legenda era:
“Amanhã Isabella Swan irá comemorar seu noivado com James Klein, nós estamos nos perguntando, será que Renée Swan foi convidada para a festa? Quem sabe o noivado da filha seja uma forma das duas se aproximarem. Quem aí gostaria de rever as duas juntas? Nós seremos sinceros, queríamos ela reunidas para vermos mais barracos, risos.”
— Filhos da puta! — xinguei, jogando meu celular dentro da bolsa e deixando minha sala.
— Boa noite, Bella! — Irina desejou quando passei por ela.
— Boa noite é o caralho — reclamei, já com dor de cabeça depois daquele dia estressante.
Entrei no elevador e segui direto para a garagem, onde entrei em meu carro. Eu logo estava saindo do prédio da produtora, deveria seguir direto para meu apartamento, mas quando me dei conta estava seguindo por um caminho diferente e minutos depois me vi estacionando diante o prédio que Renée morava.
Olhei para o prédio luxuoso, eu sabia que ela tinha um tríplex, a cobertura do lugar. O comprou logo depois do Escândalo Swan, quando me abandonou.
Pensei em sair do carro, pensei em ir até o apartamento dela, pensei em falar que eu a odiava e que estava muito melhor sem ela. No entanto, eu mal conseguia respirar, estava prestes a ter um ataque de pânico ali mesmo.
— Eu amo tanto você, filha — Renée dizia para mim.
Para onde foi o amor dela quando eu mais precisei? Quando eu quase morri naquela overdose, onde Renée estava? E ela certamente já sabia sobre meu noivado e não se importava nem um pouco.
— Sua filha da puta! — eu gritei, começando a bater no volante. — Odeio você, Renée, odeio você!
Comecei a chorar, me encolhendo no banco do meu carro. Me sentia desprotegida, frágil, eu me sentia perdida. Também sentia que tudo podia ter sido diferente se Renée tivesse me apoiado, tivesse ficado ao meu lado, mas ela era a pior mãe do mundo e eu a pior filha, a pior pessoa do mundo, eu me odiava mais do que odiava minha mãe.
Peguei meu celular e liguei para James, diria a ele que não poderíamos nos casar. Eu era uma farsa, ele precisava saber disso.
— Baby, eu estava prestes a te ligar — ele falou ao atender, soando muito animado. — Sei que você vai para New York na terça, então que tal nós dois irmos para Malibu no domingo de manhã e voltarmos segunda de noite? Dois dias só nossos, uma extensão da nossa festa de noivado. O que me diz?
Porra, eu amava aquele homem!
Como eu iria tirá-lo da minha vida? Ele era tão bom, tão perfeito. Se eu perdesse James estaria mais perdida ainda, ele era o que me mantinha sã, era quem me aceitou apesar de tudo.
— Isso é perfeito, Jimmy! — eu exclamei, também animada.
Não o perderia, nada me faria perder James.
— Vou arrumar as malas assim que chegar ao meu apartamento.
***
A festa estava sendo um grande sucesso, inclusive para minha vida profissional, eu já tinha conseguido bons contatos e Edward, Kate e meu pai estavam sendo bastante comentados nas redes sociais por conta das fotos deles que estavam sendo divulgadas. Além do mais, era a minha noite, eu até podia me sentir mais feliz com o fato de ser uma noiva, principalmente ao imaginar que quando fosse meu casamento a festa seria ainda maior e eu estaria usando a porra de um vestido de grife que seria capaz de comprar um país.
— Olá, Capitã! — Edward me cumprimentou quando fui para perto dele, que estava no bar, depois que James me deixou sair da pista de dança para ir dançar com sua mãe, seus pais tinham voltado para a cidade para nossa festa.
— Você não tá bebendo álcool, né? — eu indaguei, arrancando o copo da sua mão.
— É suco de limão, Bella — reclamou, comprovei aquilo ao cheirar o líquido.
— Melhor assim — declarei, bebendo um pouco. Eu já tinha bebido vodca demais no começo da festa, quando estava muito tensa que algo desse errado. Mas, Alice me mandou parar, ameaçando ficar nua no meio da festa se eu não me controlasse com a bebida.
Localizei minha irmã, ela estava dançando com papai. Ele também continuava irritado com ela, mas naquela noite todos nós estávamos sendo uma família feliz para os convidados da festa e a imprensa.
— Vamos dançar, Capitã! — Edward anunciou, pulando do banco que estava, tirando o copo da minha mão e colocando sobre o balcão.
— Como? O quê? — indaguei confusa, sentindo Edward agarrar minha mão e me levar para a pista de dança.
— Está tocando You’re The One That I Want*, não posso ficar sem dançar essa música.
Eu gargalhei, deixando com que ele segurasse em minha cintura para que dançássemos.
— Você deve se achar melhor que o próprio John Travolta, não? — provoquei, quando começamos a dançar. Porra, Edward era um ótimo dançarino.
— Sou melhor do que ele sim, Capitã — se gabou. — E sei que você sabe disso, conhece meu ritmo muito bem — provocou.
Eu gargalhei mais, sabia que ele estava se referindo ao sexo. Merda, queria foder com Edward de novo, mas sabia que não podia mais.
— Agora, resta saber se você pode ser pelo menos um pouquinho boa como a Olivia Newton-John.
— Você também conhece meu ritmo muito bem, pirralho.
Edward sorriu, soltando minha cintura para que pudéssemos fazer movimentos sozinhos. Não seguimos a coreografia ao pé da letra, não tinha como, mas arrasamos ainda assim. Claro que sim, afinal eu tinha sido uma profissional com coreografias por anos e anos, da mesma forma que Edward ainda era.
— Foi um prazer dançar com você, Capitã — Edward disse próximo ao meu ouvido quando a canção acabou. — Espero que possamos nos encontrar da próxima vez na minha cama.
Quem eu estava tentando enganar mesmo?
— Em New York — garanti, Edward olhou em meus olhos e sorriu convencido.
— Até New York, putinha — sussurrou, mas mesmo com a música alta da festa rolando fui capaz de o ouvir.
Apenas assenti, ele saiu da pista de dança. Antes que eu pudesse sair, James apareceu diante de mim, beijando meus lábios.
— Oi, baby!
— Oi. — Envolvi seu pescoço entre meus braços.
— Você está se divertindo? — perguntou.
— Muito. — O beijei rapidamente. — Estou muito feliz com nosso noivado e… — Perdi James naquele instante, ele se distraiu com algo acontecendo atrás de mim. Segui seu olhar e vi Victoria andando, praticamente correndo, em direção ao escritório que James tinha no restaurante.
— Já volto, Bella — James falou, me soltando e indo atrás de sua amiga.
Aquilo era brincadeira, né? Ele não ia me largar para ir atrás da sua amiga vadia.
Ponderei por meio minuto o que deveria fazer, até que decidi ir confrontar James. Porém, antes que eu pudesse abrir a porta do escritório, ouvi a conversa deles atrás da porta.
— Vick, por favor — James implorou.
— Sinto muito, James — Victoria disse chorando. — Não posso ficar aqui vendo você com Isabella.
Como sempre suspeitei, ela gostava dele. Escancarei a porta, os dois me olharam chocados.
— Bella... — James sussurrou.
Bati a porta atrás de mim, cravando meu olhar em Victoria.
— É melhor você cair fora e ficar bem longe do meu noivo, Victoria — ordenei. — Acabei de ouvir o que disse, não vou te deixar colocar suas mãos imundas nele.
— Isabella, não é nada disso que está pensando — James afirmou, eu ri.
— Claro, não é!
— Não, não é mesmo — Victoria disse, fazendo com que eu voltasse a olhar para ela. — Não é do James que eu gosto, Isabella. Eu gosto de você.
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