Hollywood
34 Capítulo Trinta e Três
Notas iniciais
Capítulo Trinta e Três
Edward Cullen
“Ed Cullen é flagrado com nova namorada!”
A imprensa adorava inventar namoradas para mim, também adorava falar sobre meus namoros reais. Sempre que eu estava com alguém isso gerava muito assunto, algumas vezes era benéfico, outras nem tanto.
Os fãs também adoravam falar sobre minhas namoradas, eles também eram os que mais geravam teorias. Para alguns eu tinha um casamento em segredo com Sophie Hills, minha primeira namorada pública, para outros eu namorava uma fã que fiquei uma vez e tinha aqueles que juravam que eu era gay.
A questão era: desde que me tornei um famoso minha vida amorosa passou a ser domínio público, todos achavam que podiam opinar sobre.
***
Eu estava tão cansado que simplesmente ignorei a Capitã, me acomodei confortavelmente na cama e fechei os olhos, pronto para dormir de novo. Isabella e suas ideias que ficassem para lá, eu só queria descansar.
— Edward, acorda! — ela gritou comigo, cutucando minhas costas.
— Some, Isabella — ordenei.
— Não, temos que conversar, é importante — insistiu, colocando Madonna ao meu lado na cama. — Precisamos falar sobre a Leah…
— E como seria uma boa jogada de publicidade eu me envolver com ela? — cortei a fala da Capitã, sabendo muito bem o que ela diria.
— Sim, isso mesmo, que bom que sabe. Agora sai dessa cama e vamos conversar, Cullen.
— Tenho uma ideia melhor, por que você não deita aqui comigo e chupa meu pau? — indaguei, minha resposta foi um soco no meio das minhas costas. — Puta que pariu, Isabella! — gritei, sentando, aquela altura morrendo de dor. — Você está tentando me deixar paraplégico?
— Temos que conversar! — anunciou, cruzando seus braços na frente do corpo.
— Temos mesmo, acho que você precisa ir até o pessoal do recursos humanos da produtora e ouvir deles uma palestra sobre assédio a colegas de trabalho — resmunguei, ela revirou seus olhos.
— Eu estou falando sério, Edward.
— Eu também, alguém devia te processar — falei, me colocando de pé. — Mas, vou só tomar um banho e já venho para te ouvir falar sobre sua nova ideia idiota.
— Não é uma ideia idiota.
— É sim. Enfim, vou deixar a porta destrancada, se você quiser ir para o chuveiro comigo.
— Não, eu não quero — falou séria.
— Ah, Bella, nós sabemos que você quer sim.
***
Deixei o banheiro vestido em um roupão, Bella estava sentada na minha cama, com Madonna junto de si. Shrek devia ter descido, já que ele não estava por ali.
— Você é tão fofa, eu deveria te levar para casa comigo — Bella disse para Madonna.
— Pare de tentar roubar a minha cachorra, Isabella!
— Eu te dei ela, tecnicamente a Madonna só estaria voltando para sua dona original — Bella disse, colocando Madonna sobre seu colo, ela parecia deslumbrada com a filhote. — Eu realmente devia a levar para casa.
— Por que você não compra seu próprio cachorro?
Bella suspirou.
— Eu moro em um apartamento, o pobrezinho não teria onde brincar e eu tenho certeza de que a minha gata diabólica não aceitaria isso. — Olhou para mim. — Agora chega de conversa inútil, precisamos falar sobre Leah.
Claro, eu sabia que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde. No começo do mês passado, em Fevereiro, paparazzis tinham divulgado fotos minhas saindo de uma cafeteria com Leah, onde nós dois ríamos de algo — a atendente que nos atendeu e não parava de falar meu nome —. Era uma cafeteria perto da gravadora, eu tinha decidido ir até lá porque estava farto do café da gravadora e Leah me acompanhou, assim como os seguranças — que foram estrategicamente cortados das fotos — porque eu nunca ia sozinho para lugar nenhum e ela era uma das assistentes da gravadora.
Sites, então, divulgaram as fotos alegando que Leah era minha nova namorada. Alguns simplesmente fingiam que ela não era uma das assistentes da Swan Productions — o que era muito fácil de descobrir — e a chamavam de morena misteriosa, outros diziam que ela era uma assistente da produtora e que depois de meses de amizade engatamos um namoro.
Tanya, Isabella, nem mesmo Alistair, não se importaram em emitir nota alguma negando a relação. Eu sequer me importei com aquilo, já tinham arranjado mil outras namoradas para mim. No entanto, devia ter suspeitado que o silêncio de Isabella e o de Tanya era um presságio, obviamente elas teriam feito um caos comigo sobre aquilo, mas não fizeram, porque obviamente tinham um plano.
— Foi você quem armou aquelas fotos? — indaguei Isabella.
— Não — negou. — Mas elas foram bastante bem-vindas, esse é o plano, você entra em um namoro falso com a Leah e limpa sua imagem.
— Não mesmo. — Leah era gostosa e apesar de eu nunca ter transado com ela, suspeitava que era boa de cama, mas eu não queria estar em um relacionamento falsificado, nem mesmo com ela.
— Edward, quando você foi largado pela Lauren as pessoas sentiram pena de você, mesmo com todo o lance das drogas — Isabella começou a falar, Madonna tinha adormecido no seu colo. — E sua imagem estava ficando bem limpa, até você dar aquela porra de soco no Demetri, aquilo foi uma grande merda. Sua imagem não melhorou quando traiu a Alison, mesmo que muitos culpem ela por sua traição, o que é bastante estúpido, você só reforçou sua imagem de filho da puta, principalmente com tudo que aquela fã do Stefan falou nas redes sociais. — Bufei, mas a deixei continuar. — E as vendas de Escândalo estão indo muito bem por enquanto, mas até quando? Semana que vem podem te ver com uma garota de programa e toda a sua declaração de mudança nas letras das músicas vão ser taxadas como mentiras e esse álbum está sendo vendido como o mais sincero da sua carreira, uma volta às suas origens, o que significa você de quinze anos naquele reality show, que era considerado um príncipe, o que caiu quando você traiu a tal de Sophie Hills. Nós precisamos limpar a sua imagem, precisamos provar que você mudou de fato, nada mais de drogas, de brigas, ou de estar por aí com uma mulher diferente a cada noite.
— As fãs sempre implicam com as minhas namoradas, isso não funcionaria.
— Elas implicam até certo ponto — Bella afirmou. — Até Lauren teve sua época junto aos seus fãs que era adorada, mesmo quando vocês noivaram o que na cabeça dessa gente significaria você fora do mercado para qualquer uma delas. Eu garanto que elas iriam adorar Leah, cresci sendo vários personagens, se lembra? Sei como fazer as pessoas amarem alguém, sei como fazer o seu namoro com Leah se tornar algo de cinema.
— Não, definitivamente não.
— Leah tem vinte e dois anos — Bella começou a falar. — É daqui de Los Angeles mesmo, a mãe morreu em um assalto quando ela tinha dez anos, então Leah foi criada apenas pelo pai, tem um irmão cinco anos mais novo. Não foi para a faculdade, começou a trabalhar comigo na Swan Productions há dois anos. Eu sei que ela canta, também reconheço que ela é bonita e tem porte de modelo. Ah, ela claramente é descendente de nativos americanos. A família dela não tem grana, o irmão ainda está no ensino médio, o pai trabalha em uma oficina mecânica e nunca pisou numa faculdade, nem acabou o colegial. Leah teve dois namorados a vida toda, um no colegial, o outro que batia nela e ela terminou com ele no começo do ano passado, o cara virou pastor em uma igreja e está casado, o que significa fora do caminho.
— Como você sabe tudo isso? — perguntei chocado, ela riu.
— Nunca duvide do dom de Alistair de descobrir o que quer que seja — alegou. — Você entendeu o que essa biografia da Leah representa? — Suspirei, eu tinha entendido sim. — Ela é uma garota de origem humilde, que perdeu a mãe, teve um namorado abusivo e trabalha com você, Ed Cullen, um astro da música mundial, um príncipe. Moldando do jeitinho certo a história dela será ainda mais de conto de fadas do que a da própria Cinderela. As pessoas sentirão empatia por Leah, terão ela como um referencial, um sonho, a garota pobre que passou por tantos problemas e está namorando justamente o ídolo de todos. E você? Será o grande príncipe em um cavalo branco, o cara que fez um monte de merda, mas tratará Leah como uma princesa. Todas as meninas vão querer ser a Leah, para ter um namorado como Ed Cullen. Todos os garotos vão querer ser você, porque todas as meninas vão querer um cara como você. Bom, estamos mantendo fora disso as lésbicas e os gays, mas eles nós conquistamos de outra forma, seu público alvo é mesmo composto em sua maioria por meninas novas héteros.
Fiquei em silêncio, pensando sobre aquilo, mas Bella continuou a falar:
— Além dessa publicidade geral, esse namoro irá te render vários contratos, você sabe que casais vendem bem, já fez propagandas com outras namoradas suas.
— Todas eram famosas.
Bella riu.
— A moda agora é representatividade e inclusão, Cullen. Leah entra na cota de nativa americana, isso também fará você ser parar de ser taxado de só namorar loiras, o que muitos já usaram para te chamar de racista, inclusive.
Revirei meus olhos.
— Você e Leah ficariam juntos por um ano, mais ou menos, terminariam depois do Grammys do ano que vem. Um término amigável, sem escândalos e continuariam suas vidas tranquilamente, mas você ficaria triste pelo fim do namoro, que partiria dela e isso te daria muita inspiração para seu novo álbum, que eu planejo que saia em 2020.
— E ela?
— Receberia uma boa quantia para estar nesse namoro, a primeira parte no momento que o acordo começasse a valer, a segunda no final disso tudo. Se ela te traísse, ou fizesse alguma exposição, teria que pagar o triplo do valor acordado.
— Você conhece alguém que já fez algo assim?
— Várias pessoas.
— Deu certo?
— Você ficaria surpreso, tem gente que está até casado por contrato, por mais de dez anos. O que me diz, Cullen?
— Não sei, ainda não acho que seja uma boa ideia.
— Okay, eu vou deixar você pensar sobre isso até o próximo sábado — ela falou. — Até lá preciso que não se envolva com ninguém, só com alguma garota de programa de Alistair como tem feito desde o término com Alison, se você aceitar o acordo não podemos que ninguém que não tenhamos controle entregue sua farsa.
— E você acha que Leah toparia isso?
Bella riu alto.
— Estamos falando de dinheiro e fama, as pessoas fazem qualquer coisa por isso.
***
Isabella foi embora depois que contou sobre sua nova ideia, que eu não queria mesmo aceitar, parecia uma grande merda. Eu passei o resto do sábado em casa com a minha mãe e Rosalie, pensando naquela proposta de namoro falso.
— O que você tem? — Rosalie me perguntou de noite, enquanto brincávamos com Shrek e Madonna. — Está calado o dia inteiro.
— Apenas cansado — menti, eu sabia que ela reagiria muito mal aquele assunto, acharia mais louco que eu, minha mãe também.
— Podemos passear pela cidade amanhã?
— Tenho trabalho — falei. — Só não sai hoje porque ontem foi muito corrido e me deram um dia de folga.
Rose assentiu.
— Tudo bem — disse, afagando a barriga de Madonna. — Ainda não acredito que Isabella te deu ela, é muito estranho, ela tem sentimentos?
Eu ri, puxando Madonna para mim.
— Aparentemente até robôs tem sentimentos — falei, pensando em Isabella e em como ela ficou abalada depois daquele leilão no ano passado, ou dias atrás quando Paul ligou para ela. — Acho que está na hora de te apresentar para o mundo, Madonna — falei para a nova integrante da casa, peguei meu celular e coloquei no Instagram. — Rose, tira uma foto minha e da Madonna — pedi passando o aparelho para minha irmã.
Coloquei Madonna na altura do meu rosto, o que fez com que ela lambesse meu nariz e eu acabei rindo. Rosalie capturou o momento certo, a foto ficou perfeita, devolvi Madonna para minha irmã e peguei o celular, a legenda foi simples.
“Ganhei essa coisinha fofa de alguém muito importante para mim, como presente pelo meu novo álbum. Conheçam a Madonna, a nova integrante da família Cullen.”
Se eu topasse o namoro falso com Leah poderíamos dizer que ela tinha me dado Madonna, Bella adoraria aquilo.
***
Passei o domingo trabalhando, fui a mais duas lojas autografar exemplares do álbum, dei entrevistas, fiz uma sessão de fotos e fui a um jantar com a maior parte do pessoal da gravadora. Quando voltei para casa eu apenas deitei em minha cama e desmaiei, só acordei na segunda, já pilhado com a ideia de ir para Nashville, não só por ser Nashville, mas pela viagem de quatro horas de avião que me esperava.
— Obrigado — agradeci Leah, que também iria para Nashville, quando estávamos no aeroporto e ela me entregou uma garrafa de água.
— De nada — ela disse sorridente, se afastando em seguida, enquanto eu pegava meu remédio na mochila. Meu médico tinha me dado uma caixa para viagens, eu deveria tomar apenas um por voo e nenhum fora isso. No dia passado, trancado no meu carro entre uma entrevista e outra, falei por alguns minutos com meu terapeuta, que me ouviu reclamar sobre as perguntas que me fizeram sobre meu pai não estar por perto.
Assim que acabei de tomar o remédio olhei para cima e vi Isabella entrando na área VIP que eu estava do aeroporto, esperando pela hora do voo no jatinho que ela tinha alugado. Porém, fui pego de surpresa quando vi que ela não estava só, ao seu lado — falando ao celular — estava James, ele também carregava uma transportadora animal em uma das mãos, eu estava sem óculos e sem lentes, mas deduzi que era Norma Jeane lá dentro.
Eu me levantei da poltrona que estava sentado, andei até a Capitã que parecia puta com algo. James tinha parado no meio do caminho, ainda falando ao celular.
— O que James está fazendo aqui?
— Ele vai para Nashville com a gente — Isabella respondeu.
— Você tá de brincadeira, né? Já vou ter que aturar seu pai, ainda vou ter que aguentar o mestre cuca? — Aquilo estragava meus planos, já que eu pretendia transar com Bella naquela viagem, eu sabia que ela não resistiria por muito mais tempo.
Ela bufou.
— Ele quis vir de última hora, adora Nashville.
— E você está puta, o que quer dizer que também estava esperando que a gente fodesse nessa viagem, não?
— Claro que não! — respondeu irritada. — Eu estou puta porque terei que aturar a puta mexicana pelos próximos dias.
— Ah! — Carmen tinha ido com Charlie para Nashville no dia anterior, eu tinha visto algumas fotos que ela postou com ele lá. Coitada, não merecia aquele velho. — Mas, a gente ainda vai foder?
— Não, eu já disse isso antes. — Bateu no meu braço, o que doeu. — É bom que você se comporte.
— Sabe que sou um anjo, Capitã.
— Aham, sei bem — debochou. — E o seu remédio?
— Já tomei, em alguns minutos começa a fazer efeito, é bom que o voo não atrase
— Ok, me dê a caixa.
— Por quê?
— Você sabe muito bem o porque, Cullen.
— Eu não vou tomar os remédios todos, prometo — resmunguei. — Só errei na dose uma vez. — Ela me encarou, nada convencida. — Confia em mim, Capitã. Agora, põe um sorriso no rosto, o assassino de patos está chegando. — Bella sufocou uma risada, James se aproximou da gente, com um sorriso no rosto.
— Olá, Ed! — me cumprimentou, mas não se importou em apertar minha mão, o que agradeci, ele podia ter estrangulado um pato com elas aquela manhã.
— Oi, Jean! — Ignorei James e me agachei no chão, ficando mais perto da casinha de Norma Jeane, que estava brincando com um ratinho de brinquedo lá dentro. — Faz muito tempo que não te vejo, a última vez que te vi a filha da Tanya estava tentando pintar você de rosa, não foi? — Aconteceu algumas semanas atrás, quando Bella e James estavam na África do Sul e Jean ficou com Tanya, um dia eu tive de ir até a casa da Tirana e a filha dela estava perseguindo a gatinha pelo apartamento.
— Valentina estava tentando fazer o que? — Isabella indagou.
— Pintar a Jean de rosa — falei, tornando a me colocar de pé.
— Eu nunca mais deixo a Norma Jeane com a Tanya, nunca mais — ela falou aborrecida para James. — Que bom que estamos a levando conosco.
— Vamos esperar que ela não seja devorada por um cavalo — falei, Bella e James me encararam com feições nada boas. Eles não tinham senso de humor? Aquela viagem seria uma bosta.
***
O voo foi anunciado logo depois do casal chegar, então eu pude ir para o jatinho e apaguei antes da decolagem. Bella me acordou quando estávamos pousando, eu estava tão grogue pelo remédio que nem tive tempo de sentir medo algum.
A equipe da produtora — incluindo Leah — seguiram em uma van, enquanto James, Bella, Norma Jeane e eu fomos em um carro que já nos esperava. Deixei o casal ir no banco de trás, preferindo ir na frente sem precisar trocar qualquer palavra com o assassino de patos, a fazenda dos Swan ficava a uma hora do centro de Nashville, então ainda teríamos um bom caminho até lá. Por sorte eu ainda estava sonolento e apaguei, acordei quando estávamos quase chegando.
Assim que entramos nos limites da fazenda senti o cheiro de merda de cavalo, de mato e de lenha. Era horrível, eu preferia mil vezes cheiro de poluição.
— Esse é meu pior pesadelo — reclamei comigo mesmo quando sai do carro na frente da casa principal da mansão, obviamente Bella achou que seria muito bom para a publicidade de Johnny Cash se eu me mostrasse tão amigo do seu pai que me hospedasse na casa dele, eu pensava nisso como uma forma mais fácil de acertar um soco no Caipira Swan sem ninguém mais ver.
— Para de reclamar, Betty — Bella ordenou deixando o carro, ela sorria de orelha a orelha.
— Se sentindo feliz na roça, Caipira? — provoquei.
— Você não imagina o quanto — respondeu, sem aparentar estar abalada com a minha provocação.
Ela agarrou meu cotovelo e me forçou a andar para dentro da casa, deixando James para trás com a Jean. Lá dentro eu não me surpreendi em nada, era o que esperava de uma casa na fazenda, decoração rústica e cheiro de madeira, pelo menos ali o cheiro de bosta de cavalo não entrava.
— A entrevista que você e meu pai vão dar juntos começa logo, o pessoal da revista já deve estar vindo, então não tem muito tempo para enrolar — ela disse. — Suas malas já estão no seu quarto, vieram na van com o pessoal da produtora, vou te levar para lá — falava rapidamente.
— Ok. — Sequer consegui prestar atenção em algo mais na casa, Bella estava correndo contra o tempo e me fazendo correr também.
— Onde é seu quarto? — perguntei para Bella quando ela abriu a porta do que eu ficaria, que era, olha só, praticamente todo marrom, com detalhes em branco, mas a cama grande era muito convidativa.
— Não é da sua conta, até porque ficarei com James. — Apontou para minhas malas. — Se arrume! — ordenou e saiu.
***
Eu estava enrolando no quarto, trocando mensagens com Rose para saber como ela, mamãe, Shrek e Madonna estavam, quando Bella impaciente entrou no quarto e me mandou ter pressa. Acabei de me arrumar calçando meus sapatos e sai com ela, a Capitã me levou para uma grande sala na casa, onde já tinha muita gente, incluindo o pessoal da produtora, Carmen, James e o pessoal da revista que entrevistaria a mim e a…
— Olá, seu imprestável! — Charlie parou ao meu lado, arrumando seu chapéu na cabeça.
— Olá, seu velho! — rebati. — Já tomou seu viagra hoje?
— Vai tomar no cu, Cullen!
— Parem com isso! — Isabella ordenou, ajustando as mangas da camisa xadrez que o pai usava. — Vocês podem brigar quando todos forem embora, agora não.
Eu fiquei calado, o Caipira Swan também. Deixamos Isabella cuidando de tudo, então fomos colocados sentados lado a lado em poltronas, com o entrevistador diante da gente, um fotógrafo registrava tudo, enquanto uma câmera gravava um vídeo nosso.
— Ed, você está animado por estar aqui em Nashville? — o cara me perguntou.
— Muito e estou ainda mais animado por Charlie ter me convidado a ficar na casa dele, é uma grande honra — respondi, Tanya tinha passado as últimas semanas em um treino intensivo de perguntas e respostas comigo, eu tinha aprendido direitinho.
— Pode vir sempre que quiser, Ed — Charlie disse colocando um sorriso na cara, mas sabia que como eu, por dentro, ele estava puto. — A casa é sua.
— Charlie — o jornalista se voltou para ele. — Nós todos vimos você e Ed no passado trocando farpas em entrevistas, pode nos falar sobre isso?
— Como você bem disse, isso está no passado — Charlie falou, colocando uma mão em meu ombro e apertando, para todos na sala pareceria um gesto de apoio, mas só eu sabia o quanto aquela merda estava doendo.
— Ed?
— Totalmente no passado — fiz coro a resposta do Caipira, que tirou a mão de mim. — Nós superamos nossas desavenças, o que nos rendeu uma boa parceria.
— Com uma música incrível composta por minha filha maravilhosa — Charlie teceu o elogio a Capitã, eu a olhei e vi que ela não estava muito à vontade com aquilo.
— Sim, Isabella Swan escreveu uma música incrível, eu estou tão grato por ela ter me deixado a cantar no meu álbum. — Acenei para a Capitã, que de um um pequeno sorriso.
— Ed e eu concordamos que ela deveria ter seu próprio álbum, não é, Cullen? — o Caipira me perguntou, nós tínhamos falado aquilo durante as sessões de gravações de Johnny Cash, quando não estávamos tentando nos matar.
— Com toda a certeza, eu seria o primeiro a comprar — falei animado, aquilo era mesmo uma verdade, Bella cantava muito bem e escrevia tão bem quanto, ela devia estar lançando álbuns e fazendo turnês.
— Nós teríamos que competir, Ed — Charlie disse. Olhei de novo para Isabella, que estava muito incomodada com o rumo da conversa.
— Como foram as gravações de Johnny Cash? Estar no estúdio com outro cantor é um grande desafio, Ed? — o jornalista me perguntou.
— Charlie e eu discordamos de algumas coisas durante o processo, mas é normal, algumas vezes eu discordo até mesmo de mim — brinquei. — O importante é que ambos estamos muito satisfeitos com o resultado da canção.
— E Isabella também — Charlie completou.
— E os fãs de nós dois a amaram — acrescentei.
Charlie e eu continuamos respondendo as perguntas, muitas perguntas. Mais sobre as gravações de Johnny Cash, nossas expectativas para o clipe, falando se pretendiamos gravar algo mais juntos no futuro — dissemos que sim, mas obviamente era uma mentira — e até respondendo um jogo idiota de perguntas um sobre o outro.
— Charlie, qual é a música favorita do Ed?
— Alguma do David Bowie, acho — respondeu, passando a mão por seu bigode.
— Let’s Dance do Bowie — falei para ele, que assentiu.
— É, uma boa música — elogiou, parecia estar sendo sincero.
—Ed, última pergunta, qual a música favorita do Charlie?
Franzi o cenho, pensando na resposta, mas não tinha ideia, até que pensei em uma.
— This is The Day? Do The The — falei, olhei para Charlie que tinha ficado absurdamente sério.
— Não, eu não gosto dessa música. — Eu sabia que era mentira, Bella tinha dito que ele e Renée viviam a dançando… Ah, é, ele com certeza tinha motivos para não gostar da canção. — Minha música favorita com certeza é Johnny Cash — Charlie respondeu, colocando um sorriso no rosto e piscando para a câmera.
O jornalista finalizou a entrevista com nossas despedidas, as câmeras foram desligadas e Bella os colocou para fora, então Charlie se virou para mim e indagou com cara de poucos amigos.
— Quem te contou sobre essa música?
— Isabella. — Dei de ombros, ele bufou e se levantou, deixando a sala sem dizer mais nada.
— Você tinha que falar sobre essa maldita música? — Bella apareceu do meu lado.
— Oi, Capitã!
— Você é um idiota!
— Eu não tinha uma resposta.
— E tinha que falar justamente da porra dessa música?
— Você disse que gostava.
— Eu, não meu pai! — Ela passou a mão pelos cabelos e suspirou. — Que seja, vamos sair para jantar em uma hora, vá logo se arrumar.
— Ah não!
— Ah sim!
***
Carmen, o Caipira Swan, James, Bella e eu fomos para um restaurante no centro de Nashville jantar com o diretor do clipe, que estava hospedado em um hotel lá — assim como o resto do pessoal da produtora —. O jantar estava sendo um saco, principalmente por James ficar dando dicas de pratos para todos.
— Você deveria pedir o pato, Baby — falou para Bella, eu fingi tossir para abafar uma risada.
— Acho que prefiro algo com porco mesmo.
— Vamos pedir esse com bacon? — sugeri a ela, que estava sentada ao meu lado esquerdo, Carmen estava do direito.
Bella assentiu, sorrindo.
— Eu sempre digo sim para bacon, Cullen.
— Ótima escolha — James debochou, Bella o encarou com a sobrancelha arqueada, eu ri, ela chutou meu pé.
— E você, Carmen?
— Só vou comer salada e um pedaço de salmão, estou em uma dieta especial — disse, bebendo um pouco da sua água. — Animado para andar a cavalo?
— Nem um pouco.
Eu tinha aprendido a andar de cavalo no passado, mas ainda preferia dirigir um carro.
— Só estou dizendo que o pato é muito melhor — ouvi James sussurrar do outro lado de Bella, eu ri um pouco mais, me forçando a beber um pouco de Coca para parar de achar graça do assassino de patos.
Naquele mesmo instante começou a tocar These Boots Are Made For Walking, o que me fez rir mais, enquanto sentia a Capitã ficar tensa. Era a canção que Bella cantou uma noite antes de calçar as botas que dei para ela e ir pedir por mais sexo, torci para aquilo ser um sinal.
***
Eu fui direto para o quarto de hóspedes que estava ocupando quando voltamos para a fazenda, mas uma hora depois e algumas fases de Candy Crush vencidas, eu peguei o violão que tinha levado para a viagem e fui para a sala maior da casa, aproveitando a lareira a gás. Estava tocando Johnny Cash, quando Bella apareceu, nada contente.
— Eu fiz alguma coisa? — perguntei quando ela se jogou no sofá.
— Não, tô fugindo do James, ele resolveu assistir How I Met Your Mother e eu odeio essa série, não sei como ele aguenta e Norma Jeane tentou me arranhar, pra completar. Eu disse que precisava vir fazer uma ligação.
Gargalhei ao escutar aquilo.
— Cara, ele é um idiota. E sua gata te despreza.
— Cala a boca, Edward!
— Qual é essa fascinação do Jimmy com patos?
Ela riu baixinho.
— E você deveria assistir Brooklyn Nine-Nine, é muito melhor que essa porcaria de How I Met Your Mother, que eu não passei do primeiro episódio.
— É muito chato mesmo — falou, sentou no sofá e estendeu a mão para mim, entendi que ela queria o violão e passei para ela.
— Você escreveu algo enquanto esteve viajando? — perguntei quando ela começou a tocar Johnny Cash.
— Não.
— Você vai escrever mais?
— Não.
Suspirei.
— Você deveria.
— Eu deveria fazer um monte de coisa — murmurou.
— Tipo transar comigo — sussurrei, ela negou com um aceno de cabeça. — James vai embora na quarta, né? — perguntei, querendo confirmar o que ele tinha dito durante o jantar, que teria que ir embora na manhã de quarta-feira, quando nós ficaríamos em Nashville até a manhã de sexta. — Você pode me deixar conhecer o seu quarto quando ele for.
— Não vai acontecer.
Eu sorri.
— Eu aposto que vai acontecer sim, Capitã.
***
Não demorou muito para Bella me mandar ir dormir, já que no dia seguinte eu teria de gravar cedo para o clipe. As gravações naquela terça-feira aconteceriam no centro de Nashville, em um apartamento onde eu estaria com a minha namorada no clipe, em um bar e pelas ruas.
No roteiro do clipe eu era um cara de Nashville, que trabalhava em uma fazenda e tinha como ídolo um cantor country, o personagem de Charlie. O clipe seria mesclando cenas minhas com as de Charlie, eu o músico iniciante, ele o astro.
— Olha só quem é o Caipira agora! — Charlie exclamou quando me viu vestindo calça jeans justa, botas de montaria, camisa xadrez e para meu pavor, um chapéu de cowboy que não combinava nada comigo.
— Vá se foder!
— Parem com isso — Bella ordenou, ela sempre estragava a graça de xingar Charlie, estávamos em uma rua fechada da cidade e ela parecia estar morrendo de frio, suas bochechas estavam vermelhas e estava se encolhendo dentro da sua jaqueta de couro bege.
— Sentindo falta do calor de Los Angeles? Eu disse que gravar nessa roça seria horrível.
— Você veio de uma cidade chamada Bath — Charlie disse rolando os olhos.
— E eu concordo que lá também é o fim do mundo, mas pelo menos não fico voltando.
— Tenho certeza de que todos lá estão agradecidos por você não ir, os ouvidos deles agradecem.
— Charlie…
—Quieta, Isabella.
— Charlie, venha aqui! — o diretor do clipe chamou por ele, fazendo o Caipira Swan se afastar.
— Homem insuportável — esbravejei.
— Mais respeito, ele é meu pai — Bella falou, estremecendo quando uma rajada de vento passou pela gente.
— Capitã, você vai congelar — alertei.
— Você adoraria isso, né?
— Você congelada? Não mesmo, prefiro você quente, molhada e apertada, debaixo de mim — sussurrei de volta e pisquei para ela, que corou ainda mais. — E você deveria estar usando botas. — Apontei para seus pés, que estavam calçados em tênis.
— É, eu deveria, assim poderia chutar sua bunda.
Eu ri e falei baixo:
— E eu tô louco para dar um tapa na sua, putinha.
Ela estremeceu de novo, eu sabia que não era mais por conta do frio.
***
O dia de gravações foi intenso, entre o frio, aturar Charlie e controlar o puta tesão que eu sentia por Isabella. Além disso, fazia dias que eu não transava com ninguém, precisava mesmo extravasar.
Naquele dia nós todos jantamos na fazenda, um jantar preparado por Carmen e James, que eu precisava admitir ser um bom chefe, desde que não tivesse pato envolvido no menu. Depois do jantar fui para o quarto, com meu notebook em mãos fiquei assistindo séries, estava no meio de um episódio muito bom de Brooklyn Nine-Nine, quando pensei em uma melodia, que Bella poderia completar com uma letra.
Com o violão em mãos fui atrás de Bella, eles disseram que iam para a sala grande após o jantar, ainda podiam estar lá. Bom, Charlie e Carmen não estavam mais, Bella e James sim.
Os dois não me viram, já que estavam em sua própria bolha. Deitados no chão perto da lareira, com uma manta os cobrindo, riam de algo e Bella acariciava a palma da mão de James, ele brincava com uma mecha de cabelo dela.
Aquilo me enjoou, era muita melação e eu detestava romances. Sai da sala sem ser visto, ou ouvido. Fui até a cozinha, ia pegar algo doce para comer e voltar para o quarto. Estava quase entrando lá quando ouvi Carmen falando, era em voz baixa, mas eu ainda podia escutar.
— Você será o bebê mais amado do mundo, eu prometo — ela dizia, eu entrei na cozinha silenciosamente, ela estava de costas para mim, meio curvada, parecia estar falando com sua barriga, eu entendi o que significava. — Deus, já te amo tanto. — Carmen fungou, eu dei um passo para trás, ia sair da cozinha, mas o violão bateu na parede e ela me olhou, seus olhos estavam marejados e logo se encheram de pânico.
— Oi, Carmen.
— O que você ouviu, Cullen? — questionou aflita, fechando o roupão que usava, por baixo tinha uma camisola.
— Tudo? — Fiz uma careta. — Você está grávida?
Ela assentiu, ainda nervosa.
— Sim, mas só Charlie e minha médica sabem. Ninguém pode saber disso, Edward — ela disse apreensiva. — Por favor, não conte isso para ninguém, eu imploro.
Especialmente Bella, eu sabia disso. Porra, seria difícil manter aquele segredo, mas eu podia tentar!
— Ok, não vou contar para ninguém.
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