Hollywood
39 Capítulo Trinta e Oito
Notas iniciais
Capítulo Trinta e Oito
Isabella Swan
"James Klein e Isabella Swan não estão mais noivos!"
Aquele era meu destino? Eu perderia todos? Terminaria só?
Perdi Paul, minha mãe e estava perdendo James. Perdi até mesmo minha gata.
***
Abri a porta do apartamento rindo da mensagem que Edward tinha acabado de enviar, eu estava tão viciada quanto ele em Brooklyn Nine-Nine. Chutei meus sapatos para longe, indo até a sala, deparando-me com James sentado em um dos sofás, com Jean em seu colo.
— Jimmy — sussurrei, assustada com o fato dele estar ali, era para ele estar em New York. — O-O qu-que es-está faz-fazendo aq-aqui? — gaguejei a pergunta.
— Consegui um voo mais cedo para Los Angeles — respondeu, olhando para mim atentamente. — Você disse que passaria a noite em casa — disse, ainda seriamente. — Falou que estava muito cansada e que iria dormir cedo, para poder ir me pegar no aeroporto pela manhã. Bom, são quase três horas da madrugada, onde você estava?
— Resolvendo problemas — respondi rapidamente, forçando uma risada. — Sabe que eu sempre estou resolvendo problemas.
— É, eu sei. — Ele assentiu. — Qual era o problema da vez? O que Ed fez?
— Ed? Não...
— Ele não conseguia colocar o pau dele dentro da calça? — James questionou, me fazendo calar a boca. — Você foi ajudar Edward com o pau dele, baby? — debochou.
— James, eu não sei do que está falando. Você bebeu algo? — Olhei ao redor, nervosa por ele estar falando aquelas coisas.
— Não, eu não bebi porra nenhuma! — gritou, colocando-se de pé, Jean pulou do seu colo. — Sei de tudo agora, Isabella — proclamou, fazendo com que eu prendesse a respiração. — Sempre desconfiei que você fode com o Cullen, provavelmente desde o começo do seu caso com aquele filho da puta.
— Não, não, não! — falei, me aproximando dele. — Eu nunca… — Me interrompi.
— Vai, Isabella — insistiu. — Diz que nunca transou com aquele merda — exigiu. — Mente, vamos! Eu posso sentir o cheiro de sexo em você, droga! — James começou a chorar. — Você pensa que sou estúpido? Nunca ficou tanto tempo com uma das suas estrelas como fica com esse moleque, toda hora está com Edward!
Olhei para meus pés, sem saber o que dizer.
— Quando começou? — questionou.
— Uma semana depois do pedido de casamento — confessei.
— Uma semana? — gritou. — Porra, você estava fodendo com outro uma semana depois de aceitar ser minha esposa?
Coloquei minhas mãos sobre meu rosto, me sentindo muito envergonhada naquele momento.
— E eu ainda achei que demorou mais, obviamente sou um idiota mesmo.
— Por que você nunca disse nada antes? — consegui perguntar.
— Porque eu te amo tanto que não tinha coragem, porque eu morria de medo de te perder se contasse que eu sabia. Por isso aceitei que você fosse para a turnê com Kate, pensei que depois que voltasse iria parar de me trair, mas não demorou nada até voltar a se enfiar na cama daquele moleque, não foi?
Eu não respondi, ele sabia muito bem a resposta.
— Você me traiu com mais alguém? — indagou.
— Sim — murmurei.
— Quem?
— Jasper, na festa de aniversário de Ed — contei, fungando, ergui meu olhar para James. — Sei que sou uma vagabunda.
Ele suspirou, passando suas mãos pelo rosto.
— Me desculpa, James — implorei. — Você não merecia nada disso, é o melhor cara do mundo, eu fui tão idiota.
— Eu te amo, Isabella — ele falou, olhando em meus olhos, segurando nos meus ombros. — Amo muito, você entende isso? Amo tanto que estou disposto a esquecer tudo isso, a passar uma borracha por cima do que aconteceu. Só preciso que deixe de ser a empresária do Cullen, precisa se afastar dele em todos os sentidos.
Ele ficaria comigo mesmo depois de tudo aquilo? Eu podia ficar com ele depois de toda aquela verdade revelada? A fala de Renesmee dias atrás me atingiu naquele momento, aquele papo todo sobre eu não poder ser egoísta com James.
E deixar de ser empresária de Ed eu podia? Não, aquilo era uma loucura, eu estava ganhando tanto dinheiro o agenciando e estava conseguindo colocar a carreira dele em um bom lugar outra vez. Não podia deixar de ser sua empresária.
— Não posso fazer isso, é meu trabalho.
— Tem seu pai, Kate e Riley, não precisa empresariar aquele moleque.
Tirei as mãos de James de mim, repetindo:
— Não posso fazer isso.
— Você o ama? — perguntou transtornado.
— Não! — respondi. — Não amo Ed, ou Jasper, ou qualquer outro. — Bom, com exceção de Paul.
— Você não me ama? — O rosto de James estava tomado por lágrimas aquela altura.
— Eu nunca te amei como você me ama, James — sussurrei, começando a chorar também. — Você era um cara legal que cuidava de mim, que parecia um príncipe encantado e que me amava, mas nunca senti por você nem a metade do que sente por mim. Eu te amo, só não do jeito certo. — Funguei. — Me perdoa, por favor, me perdoa.
Ele voltou para o sofá, chorando ainda mais.
— Bella, nós podemos esquecer tudo isso — ele voltou a falar. — Pensa bem, não joga fora nossa história por uma foda com aquele moleque.
Não, eu não podia fazer aquilo com James. Maldita Renesmee! Mas, ela estava certa, eu já tinha usado James por anos para me sentir bem, me sentir um pouquinho perfeita por ter um relacionamento modelo, se eu continuasse com ele estaria o usando como Renée me usou, mantendo James como um boneco em função do meu benefício próprio.
— Não estou jogando nós dois fora para ficar com Edward, James. — Tirei o anel de noivado do meu dedo. — Estou te deixando livre, eu deveria ter feito isso há muito tempo.
Coloquei o anel em sua mão.
— Você é o homem dos sonhos, James Klein. Mas não dos meus. — Beijei sua bochecha molhada.
— Não, Bella — implorou.
— Sinto muito, eu fui uma vadia com você nos últimos meses, preciso dar um basta nessa situação e deixar você seguir sua vida.
— Você não ia casar comigo?
Suspirei.
— Provavelmente iria, só para não perder toda a segurança que tive ao seu lado. E seria a pior coisa que faria, pois ia te prender a mim muito mais. Por isso não posso deixar você continuar preso a mim, eu já te usei tanto, Jimmy. — Beijei o outro lado da sua bochecha. — Desculpa ter mentido, te traído, te usado, eu não mereci você.
— Eu não quero te perder.
— Você nunca me teve de verdade, James. — Passei uma mão por meu rosto. — Eu menti agora há pouco, sobre amor. Eu ainda amo o Paul, sempre amei, não acho que um dia vou deixar de amá-lo.
Ele pareceu enojado.
— O choro naquele dia que estávamos transando...
— Sim, era sobre Paul — confirmei.
— Agora que você não precisa mais estar presa a mim vai atrás daquele filho da puta? — perguntou irritado. — Ou melhor, vai assumir o tórrido romance que tem com o Cullen?
— Eu não pretendo assumir nada com Ed, James. O que tive com ele sempre foi apenas sexo — afirmei. — E definitivamente não irei atrás de Paul. Quero ficar sozinha, por um bom tempo antes de sequer pensar em um novo relacionamento sério.
— Sozinha de verdade ou ainda fodendo com Edward?
— Isso não te importa mais, James. Nós acabamos de acabar, não?
— Sabe que eu posso sair daqui e contar a verdade para todo mundo, não sabe? — Tornou a ficar de pé. — Contar sobre suas traições, sobre seu caso com Edward, sobre tudo, absolutamente tudo. Isso arruinaria sua vida como aquele vídeo, eu poderia fazer um estrago tão grande como o que Paul fez.
— Mas você não fará — disse certa daquilo. — Porque diferente de Paul, diferente de mim, você é uma boa pessoa, James. — Afaguei seu rosto. — Você vive em Hollywood, nesse lugar cheio de gente filho da puta, mas ela não vive em seu interior. Ainda é o garoto que gostava de ir para a cozinha com as empregadas da casa, o cara que assiste mil reprises de How I Met Your Mother sem cansar. É bom demais para esse mundo sujo.
— Por isso não sou o cara dos seus sonhos.
— Por isso você não é o cara dos meus sonhos.
James olhou ao redor, suspirando alto, guardando o anel no bolso.
— Eu posso levar Norma Jeane comigo? — perguntou quando seus olhos pararam sobre ela.
— Não! — neguei rapidamente. — Ela é minha.
— Ela te odeia — James declarou.
Fechei a cara.
— Eu também estou começando a te odiar, Isabella — acrescentou. — Então, é melhor que ela venha comigo.
Olhei para Jean, que parecia saber o que estava se passando e correu para as pernas de James.
— Jean! — choraminguei, me agachando no chão, tentei tocar nela, mas a cria do demônio tentou me arranhar. — Quer saber? — Fiquei de pé. — Pode levar ela com você, James. Ela me odeia mesmo, você e ela vão ficar muito melhores sem mim.
James se abaixou para pegar Jean no colo, com certeza ela adorou aquilo. É, eu merecia ser largada por minha própria gata.
— Vou pegar a comida dela e caixa de areia, você pode passar aqui outro dia para levar o resto das suas coisas e das delas — falei, James concordou com um aceno de cabeça.
Recolhi as coisas mais importantes, entregando para Jimmy que já estava do lado de fora do meu apartamento quando o achei.
— Amo você — ele sussurrou chorando, beijando meu rosto. — Sabe onde me achar, me procure se um dia perceber que me ama de verdade, nunca vou deixar de amar você, baby.
— Sinto muito — foi a última coisa que falei para ele.
James suspirou, dando um passo para longe de mim.
— Tchau, Jean. — Acenei para ela.
James e eu nos olhamos por alguns segundos, então ele foi até o elevador. Eu o vi partir, naquele instante deixando de ser meu noivo, meu namorado, meu amigo, passando a ser um estranho.
Meu celular, que tinha guardado em meu bolso tocou quando tranquei a porta. O peguei para atender, vendo que era Ed.
— Capitã…
— A Jean foi embora! — exclamei, voltando a chorar, daquela vez de forma que realmente doeu em mim.
— O quê? Como assim? Ela fugiu?
— Não, James a levou embora.
— James? Ele só não chega de manhã?
— Ele voltou antes — contei. — James e eu terminamos.
— O quê? — Edward gritou.
— Ele sabe sobre você e eu — Nós terminamos tudo e ele foi embora e levou a Jean com ele!
— Puta que pariu!
— Eu quero minha gata de volta. — Solucei. — Mesmo que ela me odiasse. Eu queria ter uma gata desde criança, mas a cretina da minha mãe era alérgica e me proibia de ter. Demorou muito para eu finalmente ter Norma Jeane, agora a perdi.
— Bella, você já percebeu que acabou de terminar seu noivado e está chorando só por causa da sua gata?
— Ah, que se foda o James — esbravejei. — Eu já estava farta daquele cara!
Ed riu.
— Baby, baby, baby — imitei a voz do meu ex. — Que diabos era isso? Parecia que eu namorava com a porra do Justin Bieber!
— Ok, ele era mesmo um saco. Mas, pensa bem, ele sabe sobre você e eu e isso pode virar um caos.
— James não vai abrir a boca. — Bufei. — Você consegue o imaginar fazendo fofoca? Ele é um fodido príncipe honrado, se fosse qualquer outro já estaria contando para toda a internet, James por outro lado é capaz de me defender de qualquer coisa mesmo que agora não seja mais meu noivo.
Edward respirou fundo.
— Ainda assim, Capitã. Não podemos ter essa fofoca sendo espalhada, não podemos mesmo.
— Lauren te devolveu o anel de noivado? — perguntei, ignorando o que ele falava.
— O quê? Não — respondeu.
— James é um idiota, ele deveria ter deixado o anel comigo — esbravejei. — Tudo bem que dei para ele, mas o mestre cuca deveria ter devolvido. — Edward gargalhou.
— Capitã, você fica absurda depois de um rompimento.
— Eu só quero minha gata de volta — me lamentei. — Vou desligar agora — disse. — Preciso limpar o apartamento e tirar todos os pelos da Jean daqui, quanto antes eu superar melhor.
Não esperei Edward falar mais nada, finalizando a ligação e desligando o celular. Ainda chorando eu limpei o apartamento inteiro, pelo resto da madrugada, e reuni tudo que era de James em uma mala e em uma caixa, quando acabei às sete da manhã tomei um banho, me vesti em pijamas e fui para a cama.
Meu celular continuava desligado, me mantendo fora de contato com o resto do mundo. Só queria passar o dia todo dormindo, sem falar com mais ninguém.
Entretanto, apesar do cansaço, não consegui dormir. Fiquei encarando minha mão livre do anel de noivado, eu estava oficialmente solteira. Poderia fazer o que quisesse, foder com quem quisesse, podia desejar Paul sem me sentir uma idiota? Não, aquilo ainda soava errado mesmo sendo solteira.
Merda, eu precisava de uma bebida. Mas minha irmã tinha sumido com todas do meu apartamento outra vez, no meu estado não teria condições de sair para comprar.
Algum tempo depois o interfone tocou, ignorei todos os toques que consegui. Mas, eles não paravam e chegou um momento que foi impossível seguir ignorando.
Sai da cama, indo ver quem era.
— O que é? — Atendi.
— Senhorita Swan, você tem visita é Ed Cullen — o porteiro falou, fazendo com que eu segurasse com mais força o aparelho em minha mão. — Ele pode subir?
— É, pode — concordei.
Desliguei o interfone, indo para a porta do apartamento. Não demorou nada para eu ver o elevador chegar ao andar, as portas se abriram e Ed saiu de lá de dentro, segurando uma casinha de gato em mãos.
Eu arfei.
— Você recuperou Jean pra mim?
— Até parece. — Ele riu. — James pode querer quebrar minha cara e eu trabalho com a minha imagem, lembra? Não posso colocar meu rostinho bonito em perigo.
— O que tem aí dentro, então? — Apontei para a casinha, Ed sorriu.
— Vamos entrar, Capitã.
O deixei entrar, nós seguimos até a sala. Ele foi para o chão, apoiando a casinha no piso e a abrindo. Ouvi o miado baixo, então uma coisinha preta e pequena saiu de dentro.
— Oh porra! — eu exclamei deslumbrada a ver o gatinho, que andou até mim. — Edward! — gritei surpresa vendo o gato ir facilmente para meu colo.
— Ufa, pensei que ela ia te odiar também — ele disse rindo.
— Ela?
— Sim — respondeu. — Qual nome vai dar?
— Você está mesmo me dando uma gatinha? — questionei surpresa.
Ed assentiu.
— Você parecia bem deprimida quando me contou sobre a Jean — disse. — Achei que iria querer uma nova para tapar o buraco, como me deu a Madonna também acreditei que seria uma troca justa. — Ele acariciou o pelo da gata em meus braços. — Eu fiz o pet shop abrir cedo, então é bom você gostar do presente.
— Eu adorei! — respondi sinceramente, sorrindo de orelha a orelha. — Olha como ela é bonitinha e fica quietinha no meu colo — me derreti olhando para a gatinha, ela era toda preta, seus olhos esverdeados eram grandes. — Aquela traíra nunca ficou no meu colo.
— Não fala assim da Jean, ela era legal — Edward falou. — Vou sentir falta dela, tenho pena da coitadinha que terá de ficar sob custódia daquela mala do mestre cuca.
Sufoquei uma risada, Edward sorriu para mim.
— Você ainda não decidiu o nome — ele disse enfaticamente.
— Não faço ideia. — Apertei a gatinha contra mim, ela não tentou escapar. — Jean II?
— Com certeza não — Edward negou.
— Eu vou pensar em algo mais tarde.
— Ou eu posso pensar em algo — Ed disse. — Nada mais justo já que você foi quem nomeou a Madonna.
— Não quero você escolhendo o nome da minha gata. — Temi o que poderia sair daquela mente.
Ele revirou os olhos, tomando a gatinha de mim.
— Ela tem cara de Amy — falou, franzi o cenho.
— Você não desiste desse nome, né?
— Não mesmo — confirmou. — Você quer ser Amy, lindinha? — perguntou para a gata, que miou em seu colo, se acomodando nos braços dele.
— Ok, o que diabos você faz para todos os animais te adorarem?
— É um dom — brincou. — Então, Amy?
Olhei do seu rosto para a gatinha, voltando a olhar para sua face. Percebi o tom parecido dos olhos dos dois, eu poderia zoar Edward por isso, mas naquele momento não quis fazer piada alguma.
— Ok, eu aceito chamar ela de Amy. — Afaguei o pelo dela, me aproximando mais de Edward. — Obrigada, pirralho. — Beijei seus lábios.
Edward soltou Amy, que foi explorar o apartamento, nós dois continuamos no chão.
— Agora que Jimmy se foi eu deixo de ser seu amante? — ele me perguntou.
— Bom, eu não estou mais em um relacionamento. Quem está em um agora é você, com a Lean. Então, tecnicamente, eu sou a amante agora — murmurei me dando conta daquilo, o que fez Edward gargalhar.
— Isso te deixa excitada?
— Não agora — declarei. — Vai embora — pedi. — Preciso ficar sozinha.
— É, imagino que sim. Também foi uma merda para mim quando Lauren acabou o noivado. — Edward se colocou de pé, estendendo uma mão para me ajudar a levantar. Soltei sua mão quando fiquei de pé, nós dois caminhamos até a porta do apartamento. — Cuida da Amy.
— Eu vou. Sério, obrigada por ela — agradeci.
— De nada, Capitã. — Piscou para mim e abriu a porta. — Até depois!
— Tchau. — O deixei ir e tranquei a porta, voltei para a sala e sentei no sofá, o apartamento silencioso me deixava angustiada, até que escutei um miado, olhei para baixo e vi a pequena Amy perto do sofá. — Olá! — Eu a peguei em meus braços, a deixando sobre meu colo. — Gostou da sua casa nova, Amy?
Ela miou mais em resposta, aceitei aquilo como um sim.
— Você é tão fofinha! — exclamei olhando para seus olhos verdes.
***
Mandei uma mensagem para Tanya dizendo que precisava de mais um dia de folga do trabalho, ela concordou, ainda achando que era somente sobre o noivado de Paul com Julia. Sendo assim, eu fiquei em casa, a maior parte da manhã dormindo, mas também brincando com Amy.
Eu estava brincando com ela na minha cama, de tarde, a fazendo perseguir meus dedos pelo colchão, quando a campainha tocou. Fui ver quem era, deparando-me com Ness.
— Ei, como você está? Que bom que me deu passe livre para subir — falou entrando em meu apartamento. — Quem é essa? Você comprou outra gatinha? — perguntou gesticulando para Amy que estava em meus braços. — Eu adoro filhotes, acho que deveria adotar uma gatinha assim também, mas sou tão ocupada…
— Eu terminei com o James — contei para Renesmee, que parou de falar e me olhou surpresa.
— Você terminou?
— Sim, ele descobriu sobre a traição e eu acabei tudo.
Renesmee suspirou, se aproximou de mim e me deu um abraço, tomando cuidado para não machucar Amy.
— Como se sente?
— Não sei bem, ele levou a Norma Jeane e tenho chorado muito com isso.
— Está chorando só pela sua gata, ou por que seu noivado acabou? Depois de um namoro de anos. E como conseguiu a nova gata em tão pouco tempo mesmo?
— Não importa, o importante é que ela está aqui. — Fiz carinho na cabeça de Amy. — E sobre James, acho que estou encarando melhor do que o esperado.
— Ou está reprimindo o que sente? Como sempre faz.
— Não começa — exigi, voltando para meu quarto. Renesmee me seguiu, ela se livrou dos seus sapatos, da sua jaqueta e deitou na cama comigo, Amy ficou brincando com meus dedos outra vez.
— Diga o que está sentindo, Isabella — Renesmee pediu. — O primeiro sentimento que se passar na sua cabeça.
— Culpa — sussurrei.
— Por?
— Por não ter sido boa para James. Por ter estragado minha chance de ouro de ter alguém perfeito ao meu lado. Por ainda ser apaixonada por Paul.
— Por que você ainda ama o Paul?
Comecei a chorar, Renesmee afagou meu braço.
— Porque ele.... Ele é o amor da minha vida, sempre será. Eu pensei que ficaria com ele para sempre, Ness. — Resmunguei, segurando minhas lágrimas. — Isso é idiota, eu não devia estar falando essas coisas, muito menos para minha irmã mais nova.
— Bells, sei que desde que a Renée e o papai se divorciaram você ficou muito protetora sobre nós, Alice, papai e eu. Mas, precisa entender que somos todos adultos agora, não sou mais uma criança, Alice não é mais uma adolescente, e o papai se restabeleceu, podemos cuidar de nós mesmos, você não precisa cuidar da gente a todo instante e fingir que não precisa de um pouco de cuidado.
Eu voltei a chorar, Renesmee tirou Amy delicadamente do caminho e me abraçou.
— Você vai ficar bem, irmã — Renesmee falou enquanto eu chorava em seu colo. — Pode pensar que está sozinha, mas isso não é verdade, certo? Você tem a mim, ao papai e a Alice, a Tanya também. Somos sua família, vamos cuidar de você.
— Eu perdi o James, Ness.
— Eu sei, sinto muito por isso. — Beijou minha cabeça. — Mas era o melhor para vocês dois, acredite em mim. Ele vai encontrar alguém que o ame de verdade e você também.
— Até parece! — esbravejei. — Eu nunca vou conseguir amar alguém como amo o Paul.
— Você vai sim, vai conhecer um cara maravilhoso e se apaixonar por ele logo de cara — Renesmee falou. — Bem coisa de cinema, sabe? Porque eu sei que você é toda romântica.
— Eu não sou romântica.
— Bells, eu te conheço a minha vida toda. Sei que era criança quando você começou a ter seus namoradinhos e tal, isso antes daquele Paul filho da puta, mas eu me lembro bem como você era.
— Como?
— Toda apaixonada, parecia estar vivendo em um musical.
— Provavelmente porque eu vivia protagonizando musicais — resmunguei, ela riu.
— Não, você é romântica sim. Quando você se apaixona é intenso pra caralho. — Riu, eu ri um pouco, tendo que concordar. Provavelmente aquele foi o problema com James, quando a paixão esfriou não tinha amor suficiente para segurar o relacionamento. Diferente de Paul, eu tinha todos os sentimentos em alta por ele. — Lembra daquele Connor? Eu acho que você tinha uns quinze anos.
— O que eu fiz um álbum de fotos de nós dois? Sendo que o namoro durou só três semanas?
— Esse mesmo.
— Porra, que vergonha!
— Não é uma vergonha, é fofo e a prova de que você é sim romântica.
— Aham, tá okay — debochei. — Isso tudo ficou no passado.
— É o que veremos, até você se apaixonar de novo, dessa vez pelo cara certo.
— Não existe cara certo, Renesmee.
— Existe sim, o meu é Nahuel.
— Bom, se existe o meu provavelmente morreu antes da hora e eu não o conheci.
— Isabella, que horror!
Eu apenas ri mais um pouco, mas logo voltei a chorar.
***
No começo da noite Alice e Tanya apareceram no meu apartamento, com comida japonesa para mim. Renesmee tinha as chamado, também já tinha contado sobre o fim do meu noivado, o que agradeci, pois se tivesse que ficar repetindo o término seria muito desgastante.
— Você deveria pegar o Laurent — Alice falou, estávamos reunidas na cozinha comendo, eu tinha Amy deitada em meu colo, era impressionante como ela gostava de mim.
— Como?
— Pegar o Laurent — minha irmã repetiu. — Sexo após término é ótimo, sexo com Laurent ainda melhor.
— Por que você não continuou com ele? — Tanya perguntou, parecia estar menos interessada em comer e mais em me consolar, afagando meus cabelos gentilmente.
— Não era o cara certo.
— O que nas palavras de Alice significa que ela ainda queria foder com muitos outros — Renesmee traduziu.
— E Laurent não beneficiaria a carreira dela — completei, minha irmã revirou os olhos.
— Você deveria seguir o exemplo da Bells e acabar com o Randall — Renesmee disse para Alice. — Não vale a pena estar com aquele cara chato só porque ele é filho do seu chefão.
— Eu amo o Randall — Alice debochou.
Eu bufei, voltando minha atenção para a comida. Fui atrapalhada pelo interfone, que aquele dia estava tocando mais do que nunca. Era o porteiro informando a entrega de uma encomenda, eu deixei que o entregador subisse.
Segui para a entrada do apartamento, ainda com Amy, mas Tanya também foi comigo. O entregador logo apareceu, eu assinei os papéis de recibo da encomenda e o deixei ir, Tanya segurava a caixa para mim e pedi que ela a abrisse.
— Puta merda! — Tanya exclamou quando vimos o que era, uma pulseira de diamantes, da nova coleção da marca Harry Winston. — Quem te deu isso? — indagou chocada. — Foi a mesma pessoa que te deu a gata, né?
— Talvez. — Peguei a pulseira com a mão livre. Quando Edward me subornou para que eu o deixasse lançar Morango no álbum, eu tinha pedido por brincos daquela mesma marca, depois que eles chegaram até mim pedi por uma pulseira, mas o Cullen tinha se recusado a gastar mais me subornando.
— E essa pessoa é o Edward?
— Não.
— Isabella!
— Tá, é ele. Eu fodi com ele outras vezes depois daquela primeira, satisfeita?
— Não, isso é um erro. Não pode continuar transando com ele.
— Bom, eu vou — declarei, coloquei Amy no chão e prendi minha nova pulseira de diamantes em meu pulso.
***
Mais tarde Tanya e minhas irmãs foram embora, depois de Renesmee e Alice perguntarem um milhão de vezes quem tinha me dado aquela pulseira. Eu não contei, mesmo puta comigo Tanya também não.
— Eu acho que vou te comprar uma coleira dourada — falei para Amy, estava passando Brooklyn Nine-Nine na Tv no meu quarto, onde eu já estava deitada.
Meu celular tocou e eu o peguei para atender.
— Oi, Betty — falei ao ver quem era.
— Recebeu sua pulseira, Capitã?
— Sim — respondi balançando a joia em meu pulso.
— Ótimo, espero que isso te anime um pouco.
— Diamantes sempre me animam, você pode ser um excelente amigo e me dar um colar agora?
— Ah, agora sou seu amigo? — debochou.
— Bom, os diamantes são meus melhores amigos agora — afirmei. — Como foi o ensaio hoje?
— Normal, só meu pé que está doendo. Meu médico mandou fazer mais algumas sessões de fisioterapia essa semana. Enfim, uma merda. Como a Amy está?
— Bem — respondi. — Ah, eu tive uma ideia, Betty!
— Por que acho que vou odiar?
— Compre uma coleira de diamantes para a Amy — provoquei.
— Adeus, Capitã! — Ele desligou na minha cara, fazendo com que eu risse.
***
Tomei a terça-feira de folga também, era minha própria chefe e podia me dar esse direito. Sai do meu apartamento naquela manhã para a casa do meu pai, ele estava em seu estúdio, tocando um pouco de piano quando cheguei lá, a empregada me disse que Carmen estava com uma amiga no shopping, o que agradeci.
— Bells, que bom te ver! — meu pai exclamou. — Mesmo que ainda esteja revoltado por você ter dado sua Ferrari para aquele Cabeludo Britânico.
— Pai, James e eu terminamos — contei de uma vez.
— O quê? — ele gritou, colocando-se de pé. — Como? Por quê?
— Não estava mais dando certo — murmurei, não podia contar para Charlie o lance da traição, mesmo que omitisse nomes. — Achei melhor acabar com ele agora, antes de nos casarmos e tudo se tornar mais difícil.
Eu comecei a chorar, Charlie andou até mim e me abraçou com força.
— Está tudo bem, Bells — falou carinhosamente. — Não precisa chorar.
— Eu quero, por favor, me deixa chorar — implorei.
Ele deixou, eu chorei em seu colo pelo resto da manhã e me senti muito melhor.
***
James me mandou uma mensagem dizendo que iria buscar pelo resto das suas coisas no meu apartamento aquela noite, então eu estava lá esperando por ele, tomando uma taça do vinho que comprei depois de deixar a casa do meu pai. Quando meu ex chegou eu não estava bêbada, mas um pouco animada.
— Olá! — Abri a porta para ele, que imediatamente me entregou a chave do meu apartamento que estava consigo.
— Oi — resmungou, entrando no apartamento, eu fechei a porta e antes que James chegasse à sala viu Amy. — Você comprou uma gata nova?
— Ganhei. — Ele olhou para mim.
— De quem?
— É um segredinho — murmurei, rindo em seguida, James revirou os olhos.
— Deixa eu adivinhar, Ed Cullen te deu a gata.
— Claro que não! — Peguei Amy do chão. — Suas coisas estão no quarto, já empacotei tudo.
— Tá — ele falou indo até lá, eu fui atrás dele.
— James?
— O quê? — questionou enquanto conferia se estava tudo ali.
— Como você desconfiou? — perguntei, ele olhou para mim. — Que eu estava te traindo, quero dizer.
— A primeira vez que percebi que algo estava errado foi quando vi uma lata de Chantilly no lixo da cozinha, porque você nunca comia senão fosse em uma sobremesa feita por mim, e do nada tinha acabado com uma. Bom, eu não soube ali que era você fazendo sexo com outra pessoa, mas desconfiei mesmo que estava algo estranho, depois pensei em todas as suas atitudes anteriores. Estava dispersa, se encontrando demais com aquele moleque... — Bufou. — O sexo também mudou. — Ele engoliu em seco. — Você nunca parecia satisfeita de verdade. — E a forma que eu via Edward te olhando, quando ele pensava que não tinha ninguém percebendo-o, ele te comia com os olhos. Acho que eu tive certeza quando vi vocês dançando na festa de noivado, vi o exato momento que ficaram sussurrando um para o outro e pareciam tramar um crime.
— Porra, James.
— E depois vocês foram para New York juntos, o engraçado era que todo mundo estava afirmando que sua irmã e aquele tal Alec estavam se pegando, mas eu sabia pelas fotos que saíram suas e de Edward que estavam fodendo — guinchou. — Com você em cima daquele palco, cantando com ele, aquilo me deixou louco de ciúmes.
— Você não faz ideia do que aconteceu em New York — sussurrei.
— O quê? Vai me dizer que não fodeu com o Cullen lá?
Respirei fundo.
— Não, você está certo, transei com Edward na viagem para New York. Ma sabe aquele jornalista amigo do meu pai, o Richard? Ele tentou me pegar, por isso eu voltei antes, estava com medo dele tentar algo.
James empalideceu.
— Isabella…
— Não precisa dizer nada. Então, depois de New York?
— Alguns dias depois dele voltar de New York, nós dois íamos sair, quando cheguei aqui vi Edward. Negócios, não? — Ele riu, sem realmente achar graça, estava triste. — Ali eu soube que vocês estavam fodendo, eu senti o cheiro dele em você a noite inteira, quis morrer com aquilo, mas não queria te perder, não te confrontei por isso.
James olhou para a mala por um bom tempo antes de voltar a falar.
— Quando você voltou de Londres parecia mil vezes pior, eu podia ver no seu sorriso cada uma das suas mentiras. Então, teve aquele leilão, que até hoje não sei mesmo o que aconteceu.
— Eu fiquei com o Paul — sussurrei. — Não foi sexo, mas você entendeu.
— Ah, excelente! — ele debochou, rindo mais. — Você estava chorando porque não fodeu com sua grande paixão, não por qualquer coisa idiota que ele possa ter dito.
— James… Sinto muito.
— Não, Isabella. Eu sinto muito, por ter sido um idiota em suas mãos, um pato! — Reprimi uma risada ao ouvir aquilo. — Sabia sobre suas traições, eu ouvi você chamando o nome do Edward durante nossas férias na África do Sul, sabia? Estava trancada no banheiro uma noite, provavelmente pensando que eu ainda estava dormindo, se masturbando, chamando o nome daquele filho da puta.
Porra!
— Mas eu sou tão perdidamente apaixonado por você que pensei que conseguiriamos superar tudo isso, quando é claro que não. Você só se importa consigo mesma! — Ele andou até mim e completou. — Você está certa, é mesmo uma vagabunda.
Eu comecei a chorar, ele me ignorou. Pegou suas coisas e foi embora.
***
Na manhã seguinte acordei com todos os sites de fofoca noticiando o fim do meu noivado, logo relacionamento, com James. O chefe de cozinha tinha postado uma foto da Norma Jeane, com a seguinte legenda:
“Isabella e eu ficamos juntos por anos, foi um excelente tempo com ela e mesmo com o fim do nosso relacionamento espero que ela seja muito feliz. Eu só tenho a agradecer, principalmente por ela ter me deixado ficar com Norma Jeane. Ela não é a gatinha mais linda que vocês já viram?”
James também tinha me enviado uma mensagem.
Jimmy: Desculpe pela forma como te chamei ontem, foi rude e idiota da minha parte, sei que não justifica, mas eu estou tão confuso com tudo. Eu realmente espero que seja feliz, Bella. O amor que tenho por você continua presente. Você pode visitar Norma Jeane se quiser.
Era uma boa proposta, porém eu precisava cortar laços com James, todos eles. Por isso bloqueei seu número, deixei de segui-lo nas redes sociais e agradeci a mim mesma por nunca ter ido morar com ele.
Conferi a maioria das notícias que consegui sobre o termino. Os motivos que a imprensa dava variavam entre:
“Isabella Swan voltou a usar drogas, por isso James Klein terminou com ela.”
“James Klein está apaixonado por garota mais nova.”
“Isabella Swan traiu James Klein.”
Acertou, mas era só um chute. Não tinha nome algum de qualquer outro cara.
“James Klein descobriu que Isabella Swan não passa de uma aproveitadora.”
O sensacionalismo de sempre, mas foi o suficiente para eu me dar mais um dia de folga e fugir de todos.
— Muito fofa, você é muito fofa! — falei para Amy mais tarde aquele dia, enquanto ela brincava tentando pegar meus cabelos, meu celular tocou, era uma mensagem de Edward.
Ed Cullen: Posso ir para seu apartamento hoje à noite?
Capitã: Não.
Não, pois segundo meu porteiro tinham paparazzis lá embaixo querendo uma foto da mais nova solteira de Los Angeles, justamente a protagonista do Escândalo Swan. Estava uma loucura.
Capitã: Nem passe aqui perto, tem paparazzis!
***
Eu estava almoçando naquela tarde quando meu celular tocou, era um número que não reconhecia, o que fez minha mente ficar em alerta. Atendi a ligação, me arrependendo no mesmo instante.
— Você está solteira agora — Paul falou, eu fiquei muda. — Isso deixa as coisas menos interessantes, mas ainda quero te encontrar, querida.
Não falei nada, tremendo eu desliguei e bloqueei mais aquele número. Eu mal tinha acabado de fazer isso quando o celular tocou de novo, daquela vez era meu pai.
— Oi, pai!
— Bells — ele disse, parecia estar chorando. — Aconteceu algo.
— O que foi, papai? — indaguei preocupada.
— Carmen… Ela estava grávida…
— O quê? — gritei.
— Ela perdeu o bebê.
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