Hollywood

75 Capítulo Setenta e Quatro


Notas iniciais
Olá! Primeiro capítulo do ano, vocês estão prontos? Capítulo dedicado a Ann Braga e Duda Borges que recomendou a história. Muito obrigada por isso!!! Também quero dedicar o capítulo a uma leitora que é sempre incrível comigo e hoje está fazendo aniversário. Julia Souza, meus parabéns! —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo NOVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —___ Música especial do capítulo: https://youtu.be/lFxQztPf5_I —___ Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure ajuda especializada sempre. —__ Boa leitura!

Capítulo Setenta e Quatro

Isabella Swan

"Isabella Swan acompanha Ed Cullen no jantar de aniversário da mãe do cantor."

Esme era incrível, eu sabia disso. E por mais que tivesse tido o que considerava meu confronto final com Renée, não conseguia olhar para a mãe de Edward e não pensar em como a minha tinha se desfeito de mim com tanta facilidade.

***

Eu estava na varanda da casa de Edward… Quer dizer, nossa casa, afinal eu iria casar com ele e aquele seria meu lar também, deveria começar a levar todas minhas coisas para lá de uma vez.

— Será se vai ser bom fazer umas reformas por aqui, Mads? — perguntei para a cadela que estava junto de mim no sofá da varanda.

Eu via Woody perseguir uma borboleta pelo quintal, Amy estava dormindo na cozinha e Shrek deitado perto dos meus pés.

— Precisamos decidir qual vai ser o quarto do bebê — continuei falando para Madonna.

Era cedo naquela manhã de quarta-feira, eu tinha acordado às cinco horas, após um novo pesadelo. Aquele protagonizado por Renée, minha mãe roubava meu filho dos meus braços logo depois do parto e dizia que ele deveria ficar com ela, porque eu era uma incompetente e não poderia ficar com a criança.

Você não nasceu para ser mãe, Isabella. Sabe disso, não sabe? Esse garoto merece alguém que vá realmente cuidar dele. Eu sei que é duro ouvir isso, mas você não tem uma saúde mental boa, pode colocar seu filho em risco só por estar perto dele.

Engoli em seco, lembrando das palavras dela no sonho e em como eu gritava implorando que ela me devolvesse meu bebê. Edward não estava lá, o que tornava tudo mais desesperador.

Realmente achou que ele ficaria com você por muito tempo? — Renée perguntava. — Edward está bem melhor sem você, Isabella.

— Capitã, o que está fazendo aqui fora?

Eu me assustei ao ouvir a voz de Edward.

— Ei — murmurei, com uma mão sobre meu coração.

— Está muito cedo e frio — ele se queixou e sentou do meu lado, me movi no sofá para mais perto dele, Edward envolveu meu corpo com um braço. — Por que você não está na cama?

— Tive outro pesadelo — contei.

— Com o Lahote?

— Com Renée dessa vez. — Engoli em seco.

Edward não falou nada, apenas beijou meu rosto.

— Não quero mais casar em Nashville — sussurrei.

— Isabella — ele disse meu nome em um suspiro. — Foi só um pesadelo, você estava tão animada com a ideia de casar em Nashville.

— Eu não quero mais casar lá — teimei.

Edward suspirou de novo e fez com que eu o olhasse.

— E como isso vai ser? Você nunca mais vai colocar os pés em Nashville por conta desse pesadelo?

— Eu estou com medo.

— Eu sei que você está com medo, Capitã. Mas, não pode deixar isso te proibir de fazer o que quer.

Respirei fundo e voltei a olhar para Woody perseguindo a borboleta.

— Você deveria ver sua psicóloga logo.

— Eu vou marcar uma consulta com ela hoje — falei.

— Depois disso nós podemos falar sobre o casamento acontecer em Nashville ou não — Edward disse, eu comecei a chorar e o abracei. — Linda, está tudo bem.

— Eu sou uma idiota fraca.

— Você não é nada disso, só é uma pessoa normal com medos.

— Um medo estúpido.

— Isabella, não é um medo estúpido, nós podemos trabalhar em te fazer superar ele, mas caso não dê certo não vou te fazer voar até Nashville e te obrigar a casar lá se isso te assusta.

— Ok.

— Ei. — Ele ergueu meu rosto. — Isso é mesmo sobre o pesadelo com Paul ou você está assustada sobre casar? Se for isso podemos adiar a data até você estar mais segura sobre casamento.

— Eu estou segura sobre casar com você — afirmei. — Só estou com tanto medo de tudo que pode acontecer depois. — Chorei mais. — Porra, eu não aguento chorar a cada frase que digo.

— Isabella. — Edward segurou meu rosto entre suas mãos. — O que pode acontecer depois do casamento?

— Você me deixar? Eu perder nosso bebê? Paul por algum motivo tentar foder com minha vida novamente? Minha mãe levar nosso filho?

Edward franziu o cenho.

— Você sonhou que Renée levava nosso filho?

Eu assenti.

— Capitã, ninguém vai levar nosso bebê. — Eu solucei. — Prometo, ele vai estar seguro vinte e quatro horas por dia.

— E vai estar seguro comigo?

— Linda…

— E se um dia eu perder o controle perto do bebê, Edward?

— Vai ficar tudo bem, você nunca colocaria nosso bebê em risco. Nem eu. — Foi a vez dele de engolir em seco, nós dois tínhamos péssimos passados, com bebidas, drogas e raiva, até mesmo tentativa de suicídio. — Vamos subir e tomar um banho.

Eu fiquei onde estava.

— Se eu machucar o bebê… — teimei, mas fui interrompida por Edward gritando.

— Chega, você não vai!

Meu corpo estremeceu com seu grito, não de um jeito bom. Ele respirou fundo e colocou as mãos sobre seu rosto.

— Desculpa, não deveria gritar.

— Você também precisa voltar a ver Vladmir logo.

Edward assentiu e me olhou.

— Não vamos machucar o bebê, ok? — falou nervoso. — Vamos fazer tudo dar certo.

***

Rosalie estava na cozinha, toda sorridente, quando entramos lá mais tarde naquela manhã. Depois que nos acalmamos, tomamos banho e trocamos de roupas.

— Bom dia. Vocês ainda vão até o laboratório fazer o exame de sexagem fetal hoje? — perguntou.

— Sim — Edward e eu respondemos juntos. — Vamos direto para lá saindo daqui. — Abri a geladeira e peguei suco para mim e Edward.

— E vou poder organizar o chá revelação? Como futura madrinha é meu dever.

— Não decidimos nada sobre madrinha, Rose — Edward falou pegando uma maçã, ela revirou os olhos. — E vamos fazer isso de chá revelação? — perguntou para mim. — Não é meio brega?

— Não vejo necessidade de fazer isso também, estou louca para saber o sexo, mas dar uma festa para descobrir isso parece exagero. Além do mais, vamos impor cores de meninos e meninas para o bebê?

— Não estou mandando vocês vestirem o bebê só de rosa ou azul dependendo do sexo — Rosalie falou. — É só uma brincadeira pra família — disse chateada.

— Sabemos disso, Rosalie. — Edward que estava mais perto da irmã afagou o braço dela. — Vamos pensar sobre o chá.

— A revelação poderia ser com uma faixa com o nome pra menino ou pra menina — ela sugeriu. — Nada de azul ou rosa.

— Como se tivéssemos decidido qualquer nome — resmunguei e peguei algumas torradas que Rosalie tinha feito.

— David.

— Não será David, Edward.

— E para menina? — Rosalie indagou.

— São tantas opções, não estamos fixos em nenhuma — Edward respondeu.

— Tudo bem, mudando de assunto rapidinho. Edward, você lembra que o aniversário da mamãe é depois de amanhã, né?

Ele arregalou seus olhos para o questionamento da irmã.

— Talvez eu tenha esquecido disso — ele confessou, Rosalie revirou os olhos. — Em minha defesa, tem muita coisa acontecendo na minha vida. Ela vai querer uma festa? Eu não faço ideia do que dar de presente.

— Bom, eu estou dando um neto de presente para ela — falei começando a comer.

— É um presente duplo de nós dois, linda — Ed declarou.

— Mamãe nunca foi a maior fã de festas no aniversário dela, Edward, você sabe disso, não sei se ela vai querer mudar isso esse ano. Porém, ela vai até sair com um diretor famoso, talvez muita coisa tenha mudado.

— Diretor famoso? — perguntei confusa, Edward riu e Rose respondeu.

— Mamãe vai ter um encontro hoje com Aro Volturi.

— Você tá brincando?

— Não! — Rosalie riu. — Se ele virar mesmo namorado dela vou ter um padrasto que já ganhou dois Oscars, isso é loucura.

— Melhor que a namorada sem prêmio algum do Carlisle — Edward reclamou, Rose bufou.

— Vocês estão mesmo bem com Esme saindo com Aro? — questionei os dois.

— É estranho ver nossos pais com outras pessoas — Rosalie confessou. — Mas a mamãe precisa seguir a vida dela. Eu quase sempre fiquei do lado do papai durante os conflitos de família, mas muita coisa mudou. Enfim, quero que ela seja feliz.

— Pelo menos sabemos que o Aro é um cara ok… Ei, olha só, eu já fodi com a filha do meu padrasto! — Edward exclamou, eu ri e Rosalie fez uma careta.

— Muito decente, Edward — a irmã dele falou.

— Eu não acredito que isso está acontecendo! — Ouvimos o grito de Esme e olhamos para a entrada da cozinha, a mulher entrou ali furiosa, enquanto mexia em seu celular.

— O que aconteceu, mãe? — Rose perguntou preocupada.

Esme ergueu o olhar e respondeu:

— Acabei de ver sobre o tal reality show da Leah.

— O quê? — eu gritei.

— Mãe, caralho! — Edward disse em um tom de reclamação. — A Bella ainda não sabia.

— E você já sabia? — o questionei, irritada por ele estar escondendo aquilo de mim.

— Fiquei sabendo ontem de noite, ia te contar depois do café — argumentou.

— Deveria ter me contado na mesma hora que ficou sabendo disso — reclamei.

— E jogar essa merda nos seus ombros de noite? Claro que não, você precisava descansar.

— Que me contasse assim que acordou…

— Chega! — Esme chamou minha atenção. — Sei que está irritada com Leah ganhando um programa e se dando bem depois de ter sido uma cretina querendo empurrar o filho dela para Edward, mas você precisa pensar no seu filho agora, Isabella e ficar se estressando com tudo não é a melhor saída.

Concordei com um aceno de cabeça, ela tinha razão. Mesmo que a situação fosse meio controversa, já que ela tinha sido a primeira ali a ficar irritada.

— Vamos mudar de assunto — Rosalie pediu, Edward me lançou um olhar de desculpas, eu apenas assenti para ele também. — Mãe, o que você vai querer fazer no seu aniversário?

— Ah, nada — Esme falou decidida. — Sabe que não gosto de festas.

— Podemos sair para jantar — sugeri.

— Não é melhor você e Edward ficarem em casa? Evitarem exposição.

— Já fomos completamente expostos — murmurei e dei de ombros. — Você merece pelo menos um jantar de aniversário, vou mandar minha assistente marcar tudo, quem serão seus convidados?

— Eu realmente não quero algo com várias pessoas, apenas vocês três e Emmett.

— Emmett precisa mesmo ir? — Edward indagou e Rosalie acertou um tapa na cabeça do irmão.

— Você não vai convidar seu novo namorado, Esme? — perguntei para minha sogra, ela revirou seus olhos.

— Aro e eu não somos namorados, só estamos nos conhecendo melhor e não vou sair já o convidando para meu aniversário.

— Isso, mãe. E sexo só depois do quinto encontro — Edward provocou, ganhando outro tapa da irmã.

***

Depois do café da manhã e de eu ligar para Tanya querendo saber mais sobre o reality que Leah teria — minha amiga não sabia mais do que tinha sido divulgado na imprensa, que o reality seria de uma emissora de TV a cabo, seguindo a vida de Leah e Enrico de perto —, Edward e eu saímos de casa para o laboratório. Eles coletariam uma amostra de sangue minha lá e a partir disso fariam o exame para saber o sexo do bebê.

— Preciso fazer xixi — falei para Edward no meio do caminho até o laboratório.

— Sério?

— Sério, não acho que a minha bexiga está pregando uma peça em mim — falei me remexendo no banco de trás do carro.

— Não consegue esperar até estarmos no laboratório? — ele indagou.

— Não, eu não consigo — respondi impaciente, louca para ir ao banheiro. Me inclinei e falei com o motorista, no banco do carona estava Felix e tínhamos dois carros nos seguindo, um com os seguranças de Edward e um com os meus, já que iríamos nos dividir após a ida ao laboratório. — Pare na cafeteria mais perto.

— Sim, senhorita Swan.

— Vamos nos atrasar — Edward resmungou.

— Você quer que eu acabe fazendo xixi aqui mesmo?

— Por que estamos discutindo tanto hoje?

— Foi você quem começou.

— Que seja.

Ficamos em silêncio até chegar a cafeteria, Edward e Felix desceram comigo. Os outros dois carros também pararam ali na frente, Felix deveria ter lhes avisado por mensagem sobre a parada.

Edward e eu seguimos para dentro da cafeteria, com o segurança junto da gente. O lugar estava cheio e os olhares rapidamente se voltaram para a gente, soltei a mão do meu noivo quando avistei o banheiro e andei diretamente até lá.

Todos os reservados estavam vazios, o que foi ótimo, escolhi um e me apressei ainda mais para fazer o que tinha de fazer. Eu ainda estava lá dentro, mas terminando de recolocar minha roupa, quando ouvi outras mulheres falando no banheiro.

— É aquele cantor que a namorada fez um vídeo de sexo.

— Ah, dizem que ela que gravou e divulgou o tal vídeo, né?

— Isso mesmo, é uma vagabunda.

Elas estavam falando de mim, eu sabia. Preferi não sair logo, esperaria elas saírem, não queria enfrentar aquelas mulheres e as palavras grosseiras delas, porém abri um pouco a porta e espiei.

Eram duas senhoras, deveriam ter mais de cinquenta anos e estavam lavando as mãos.

— E ela é mais velha, o que um garoto desse tá fazendo com uma mulher mais velha? É o tipo de coisa que nunca dá certo.

— Meu filho ficou com uma mulher mais velha há alguns anos, ela era uma louca controladora que fez meu filhinho sofrer.

— Esses garotos deveriam ficar com meninas da idade deles!

— Pois é, enfim, vamos logo que estou louca por um café.

Eu ouvi elas deixarem o banheiro, continuei onde estava controlando a vontade de cair no choro ali mesmo. Queria ir atrás daquelas mulheres e afirmar que eu não tinha gravado e divulgado aquele vídeo, mas não poderia fazer isso, para sempre carregaria a fama de vagabunda por algo que Paul fez.

— Senhorita Swan, tudo bem? — Ouvi Felix falar comigo, provavelmente da porta de entrada do banheiro, não da porta do reservado.

— Sim, um minuto e já saio — respondi.

Afaguei minha barriga com uma mão sobre a blusa social que eu usava e deixei o reservado, lavei e sequei minhas mãos, então sai do banheiro. Felix e um dos meus seguranças esperavam por mim na porta, eu vi Edward no meio do salão da cafeteria tirando fotos com funcionários e alguns clientes, dois dos seus seguranças estavam perto do meu noivo.

— Felix, as mulheres que entraram no banheiro depois de mim sabiam que eu estava aí dentro?

— Elas chegaram a cafeteria depois de você, senhorita Swan — respondeu. — Precisa ir para o carro agora, logo os paparazzis chegarão aqui.

— Arg, claro. — Por sorte eles não estavam mais na porta do condomínio quando saímos.

Fui levada pelos seguranças até o carro, esperei lá dentro por uns dois minutos bem longos até Edward se juntar a mim e continuarmos caminho para o laboratório. Ele tinha um copo de café em mãos, provavelmente sequer tinha pago por aquilo, no copo estava anotado o número de uma tal de Tiffany.

— Excelente, mancharam minha roupa de maquiagem — ele se queixou vendo a mancha de base em sua camisa clara, deveria ter acontecido quando alguém o abraçou.

— Tiffany deve saber como consertar isso, liga pra ela.

Ele me olhou confuso.

— Quê? — Apontei para o copo, ele viu o número e revirou os olhos. — Você sabe que isso não significa nada.

— Eu sei. — Assenti. — Infelizmente a pobre Tiffany vai ficar o resto do dia esperando sua ligação, coitadinha.

***

No laboratório Edward e eu fomos tratados como reis, assim que pisamos ali nos colocaram em prioridade máxima de atendimento e nos direcionaram para uma sala de coleta. Eu não estava com medo da agulha, nem tinha problema com eles tirando meu sangue — tinha problemas com hospital, mas exames eram mais tranquilos para mim —, porém estava muito ansiosa com aquele exame, ou melhor, para o resultado dele.

— Vocês tem algum chute? — a técnica que coletava meu sangue, Judith, perguntou.

— Menino — Edward e eu respondemos juntos, ele sorriu e beijou minha cabeça, porém sem me agarrar muito para não atrapalhar o procedimento sendo realizado.

— Tenho um menino — a mulher disse feliz finalizando a coleta. — Se chama Chandler.

— Friends? — perguntei, ela sorriu e concordou.

— Meu marido e eu amamos a série.

— Ainda estamos debatendo sobre nomes — Edward falou e me ajudou a ficar de pé. — Mas sem ter certeza do sexo não podemos discutir muito sobre.

— Em uma semana vocês poderão buscar pelo resultado e vai ficar mais fácil. Irão fazer chá revelação?

— Ainda não sabemos. — Apertei uma mão sobre o curativo. — Precisamos ir agora, Pirralho.

— Precisamos — ele repetiu.

Nos despedimos de Judith, Edward pegou a guia para pegarmos o exame na próxima semana e deixamos o laboratório. Ele em um carro, eu em outro.

Os paparazzis ficaram muito animados quando Edward beijou meu rosto em despedida, também gritaram suas perguntas, mas nenhuma foi respondida.

***

Eu não conseguia me concentrar no trabalho, tinha muita coisa para fazer, mas estava com vinte abas abertas no Google de lojas de coisas para bebês. Analisava berços, cadeiras de amamentação, mamadeiras e roupas.

Minha obsessão só foi interrompida pelo celular tocando, tinha recebido uma mensagem de Edward, que estava ensaiando para o festival.

Pirralho: Vocês estão bem?

Eu sabia que ele estava falando sobre mim e nosso bebê.

Capitã: Donut e eu estamos ótimos vendo algumas futuras compras…

Pirralho: Isso é bom, mas você não deveria começar a ver seu vestido de noiva?

Engoli em seco, lembrando do pesadelo com Paul.

Capitã: Assim que batermos o martelo sobre o lugar eu escolho meu vestido.

Capitã: Eu vi um mobile com donuts e sorvetes!

Pirralho: Um o que?

Capitã: Aquele negócio de colocar em cima do berço.

Pirralho: Acho que sei o que é, mas isso não é perigoso??? Pode cair no bebê!

Capitã: Todo mundo usa, bem preso não tem riscos.

Pirralho: Não sei, parece perigoso!

Capitã: Ok, vamos debater sobre o mobile depois, certo?

Pirralho: Tá bom, preciso voltar a ensaiar agora.

Capitã: Te amo!

Pirralho: Também amo você e o Donut, qualquer coisa me liga.

Capitã: Pode deixar.

Soltei o celular e voltei minha atenção para o computador, mas não durou muito. Irina bateu na porta e depois de eu a liberar a assistente entrou ali, ela vinha com uma caixinha de donuts que mandei comprar e uma caixa de presente.

— Finalmente! — Peguei o primeiro donut e comecei a comer, iria estragar meu apetite para o almoço depois, mas precisava comer o doce.

— Você recebeu isso. — Irina, sorridente, colocou o presente sobre a mesa. — É de Richard Buttler.

Eu parei de mastigar ao ouvir o nome.

— Tira isso daqui — ordenei de boca cheia, rapidamente terminando de engolir o pedaço de donut.

— Mas…

— De preferência queime! — Larguei o donut pela metade na caixinha junto aos outros.

— Tem um cartão — Irina falou ainda confusa com a minha reação, ela me mostrou o pedaço de papel e tirei da mão dela.

O abri e li:

"Espero que você e Ed tenham muita felicidade nessa nova etapa de suas vidas. Carinhosamente, Richard Buttler."

Ele era um filho da puta dissimulado, como poderia me enviar presente e um cartão daqueles depois de tudo que tinha feito?

— Abre a caixa — ordenei para Irina e ela fez isso, tirou lá de dentro um pequeno urso de pelúcia branco, com uma camiseta escrito Rolling Stone, como a revista para qual Richard trabalhava.

Aquele urso me aterrorizou, depois do Escândalo Swan e do Escândalo Swan-Cullen eu só conseguia pensar que aquela pelúcia escondia algo para me gravar e que depois seria vazado na internet. E se Edward estivesse certo? Richard poderia mesmo ter desconfiado de nós dois e dado a dica para Kevin.

Eu peguei da última gaveta da minha mesa um canivete, Irina arregalou seus olhos, mas ficou calada. Tirei o urso de sua mão e comecei a abri-lo, não parei até abrir tudo e verificar que não tinha nenhuma câmera escondida ali.

— Não quero que mais nenhum presente de Richard Buttler entre na minha sala — murmurei para Irina, enquanto encarava o urso totalmente mutilado sobre minha mesa.

— Sim, não vou deixar nenhum presente dele entrar aqui — Irina murmurou de volta. — Precisa de mais alguma coisa?

Assenti, sentindo as lágrimas em meus olhos, estava pensando em quando Richard quase fez o que tanto queria comigo naquele quarto de hotel.

— Limpe essa bagunça e não conte sobre isso para ninguém.

***

Jessica chegou logo depois de Irina terminar de arrumar a bagunça em minha sala, a agente estava claramente ansiosa e eu ainda nervosa com o presente de Richard. Mandei ela se sentar e ocupei minha cadeira, em minhas mãos segurava com mais força do que necessário uma garrafinha de água.

— Bella, não fui a responsável por invadir seu celular — ela falou. — Eu juro, nunca faria isso.

Suspirei e bebi um pouco de água.

— Você estava com meu celular — falei por fim.

— Eu contei para Tanya o que rolou. — Foi a vez dela de suspirar. — Estava na minha sala ajustando seu celular novo, Helena apareceu querendo falar sobre Cameron. Então o Alistair ligou para o celular da minha assistente, eu saí da sala para atender e sim, cometi o erro de deixar Helena lá dentro com seu celular, mas ela provavelmente fez algo, não eu.

— E se vocês estiverem nessa juntas? Digamos que eu te deixe voltar e isso só sirva para você ter acesso a mais coisas aqui.

— Sabe o que venderia mais do que seu relacionamento heterossexual com Ed Cullen? O fato de que você é bissexual. — Engoli em seco. — E adivinha só, você e eu dormimos juntas. Se eu quisesse te prejudicar em algo já teria vendido essa história para Kevin Ford há meses, também poderia ter contado a ele sobre você e Edward muito antes, mas não fiz nada disso, porque não sou a pessoa filha da puta por trás desses vazamentos. Você precisa confiar em mim, nunca fiz nada de errado antes e não irei fazer. Me deixe voltar ao trabalho, Bella.

— Se você fizer alguma merda irei te matar com minhas próprias mãos — ameacei.

— Justo. — Ela sorriu. — Posso ir para minha sala agora?

— Pode, mas seu nome ainda está sob investigação.

— Eu sei, não vão encontrar nada que me incrimine.

***

No fim da tarde, depois de trabalhar muito, eu fui para minha consulta com a psicóloga. Foi um grande alívio ela conseguir me encaixar ainda aquele dia, só por isso já me sentia mais tranquila.

A sessão de uma hora pareceu pouca para falar sobre o bebê, Edward, casamento, minha mãe, Paul, meus pesadelos e o Escândalo Swan-Cullen, mas quando acabou me sentia ainda mais calma. Segui para casa quase dormindo no carro, passei na minha casa para pegar algumas roupas ali e fui para minha outra casa no condomínio, a mansão de Edward.

Ele ainda não tinha voltado, sabia que além do ensaio meu noivo também teria consulta com seupróprio psicólogo. Esme e Rose não estavam ali, minha cunhada tinha me avisado que estava no apartamento da mãe a ajudando a se arrumar para o encontro com Aro e que de lá iria passar a noite com Emmett.

Eu peguei algo para comer na geladeira — Rosalie me avisou que Esme tinha deixado jantar feito para Edward e eu —, esquentei no microondas e fui comer na varanda. Todos meus gatos e cachorros estavam se divertindo pelo quintal, eu os observava e não conseguia deixar de sorrir.

Quando acabei de comer deixei a louça suja na cozinha e voltei para a varanda, deitei no sofá, coloquei música para tocar no celular e fiquei tocando em minha barriga. Estava quase dormindo ali mesmo quando Edward apareceu, sorri para ele e meu noivo beijou minha testa.

— Você não tá com frio aqui fora, linda?

— Não, tô bem — garanti. Eu sentei e Edward sentou junto de mim, colocando minhas pernas sobre suas coxas. Shrek e Mads logo apareceram balançando seus rabos para ele. Edward fez carinho em ambos, jogou a bolinha que Shrek tinha na boca e eles correram para pegar.

— Como foi com a Jessica?

— Ela está de volta a produtora — contei, Edward respirou fundo. — Tanya concorda comigo que Jessica não passou nada do meu celular para Kevin.

— Mas pode ter ajudado Helena a fazer isso.

— Edward, sei que isso te diz repeito, que a Swan Productions tem importância para você, mas Tanya e eu tomamos as decisões sobre a produtora.

Edward revirou seus olhos e não disse mais nada. Eu também fiquei em silêncio, nós dois apenas observando Shrek e Mads disputando a bolinha, enquanto Woody pulava por aí e Amy estava brincando com a grama.

Sorri ao imaginar que em alguns meses meu filho estaria brincando naquele quintal com meus bichinhos, eu mal poderia me aguentar para ver isso acontecer. Também me lembrei de quando demos a festa de lançamento de Johnny Cash ali e Edward e eu cantamos juntos no karaokê, pensei em quantas festas de aniversário para o bebê poderíamos fazer lá, ou mesmo o bendito chá de revelação que Rosalie tanto queria.

Olhei para Edward, Mads tinha a bolinha e correu até ele, meu noivo jogou a bola longe e a cadela junto com Shrek voltaram a disputar por ela. Eu mal podia acreditar no quanto minha vida tinha mudado em menos de dois anos, se me dissessem onde eu estaria, com quem e como antes de começar a empresariar Edward nunca iria acreditar, mas lá estávamos nós, na nossa casa, com nossos cães e gatos, esperando pela chegada do nosso filho.

E em breve estaríamos casados, faltavam apenas dezessete dias. Naquele momento, naquela noite, eu descobri o lugar perfeito para o casamento.

— Pirralho. — Edward olhou para mim. — Vamos casar aqui.

Ele franziu o cenho.

— Aqui em Los Angeles? Onde?

— Aqui na sua casa — respondi. — Ou melhor, nossa casa.

Edward abriu um grande sorriso, mas perguntou:

— E quanto a Nashville?

— Eu amo Nashville, mas essa é nossa casa, vamos casar aqui, eu disse que queria fazer isso onde tudo começou, esse é o lugar certo. Onde começamos e onde teremos muito mais.

— Perfeito, foi o que eu disse no hotel, vamos casar na sala de música!

Eu ri.

— Não onde começamos literalmente com beijo e sexo, amor. Vamos fazer aqui. — Gesticulei para o quintal. — Tem espaço suficiente para uma festa menor de casamento.

Eu me movi para beijar seu rosto, Edward ainda estava sorrindo.

— Dezessete dias para o casamento, você tem certeza? — perguntei.

— Você tem? Depois do seu pesadelo.

— Sim, sei que foram apenas sonhos ruins.

— Não quer mesmo fazer isso em Nashville?

— Quero fazer aqui e temos que começar a planejar as coisas agora mesmo, falta muito pouco.

— Vamos começar pela dança — ele falou, ficou de pé e pegou meu celular que ainda estava tocando música.

Edward mexeu nele e logo começou a tocar a Valsa das Flores do Tchaikovsky, uma das músicas muito usadas para a primeira dança em casamentos. O músico se voltou para mim e estendeu uma mão, eu a segurei e fiquei de pé.

Fui conduzida por ele até a parte de grama do quintal, onde começamos a dançar a valsa. Com certeza não era o estilo de dança que Edward se saia melhor, se enrolando um pouco, o que nos fazia rir.

— Ok, valsa é mais difícil do que imaginei! — exclamou, fazendo com que parassemos de dançar e me abraçando.

Coloquei meu rosto em seu peito, minhas mãos em suas costas e sentia o queixo dele sobre minha cabeça.

— Com certeza essa não será a música da nossa primeira dança — falei, ele riu.

— Ours?

— Sem dúvidas!

— Perfeito. — Edward beijou minha cabeça.

— Vamos entrar e começar a planejar o casamento, senhor Cullen. — Desfiz nosso abraço, mas segurei sua mão para andarmos juntos em direção ao interior da mansão.

— Vamos nessa, senhorita Swan.

— Eu quero assumir seu sobrenome — sussurrei, Edward me olhou surpreso.

— Você está falando sério? — perguntou.

— Sim. Hoje na consulta com a minha psicóloga, quando contei sobre o noivado, eu me referi a mim mesma como futura Senhora Cullen, foi espontâneo, sabe? É o que tem que ser, sei que vai ter gente falando que isso é tão antiquado, eu pegar seu sobrenome, fora quem vai dizer que só estou fazendo isso para me aproveitar da sua fama, mas quero ser a Senhora Cullen oficialmente até no papel.

Edward não falou nada, ele apenas me beijou e eu sabia que tinha decidido o certo. Em dezessete dias me tornaria Isabella Cullen.

***

O dia seguinte foi cheio, começando por reuniões com patrocinadores de Edward pela manhã na produtora. Das marcas que nos reunimos aquele dia conseguimos manter contrato com quase todas, apenas uma foi intransigente e quis romper o patrocínio.

Edward foi embora logo depois das reuniões, sem nem ter tempo para almoçarmos juntos, já que precisava ensaiar antes de voltar no fim da tarde para mais uma reunião. Eu almocei com Tanya em minha sala, resolvendo algumas coisas do casamento antes de voltarmos ao trabalho pesado.

Mal via a hora de tudo tranquilizar, a produtora estava um verdadeiro caos desde o Escândalo Swan-Cullen.

— Adorei a cor dos vestidos das madrinhas, combina comigo muito bem — Tanya falou vendo a referência de cor, um vermelho escuro.

Ela, minhas irmãs e Rosalie seriam minhas madrinhas. Edward teria Alec e Jasper como seus padrinhos, assim como Santiago e Emmett, ele reclamou quando eu disse que o segurança era o melhor nome para completar o quadro de padrinhos, mas acabou aceitando que eu estava certa.

— Tina vai ser a daminha, né?

— Uhum — concordei de boca cheia. — Ela vai entrar com o Shrek, Edward quer que ele carregue as alianças.

— Faz sentido — Tanya disse. — Ele é o primogênito de vocês — falou e eu ri.

Meu celular tocou e o peguei para atender, era Esme.

— Bella, como você está? — ela perguntou assim que eu disse alô.

— Estou bem.

— Está se alimentando direitinho, né?

Eu sorri.

— Estou sim, tô almoçando um prato bem nutritivo.

— Excelente, tá bebendo bastante água também? Você precisa ficar hidratada.

— Eu tô, prometo. Agora me diz, como foi seu encontro ontem?

— Bom — respondeu e ouvi o tom de vergonha em sua voz. — Não precisamos falar sobre isso.

— Precisamos sim — insisti. — Tenho que saber se devo chamar Aro pro casamento.

— Não sei, ainda é tudo muito recente.

— Mas ele foi legal com você?

— Ele é um homem maravilhoso — sussurrou. — Agora preciso voltar ao trabalho.

— Espera, me conta mais sobre o encontro — pedi.

— Tenho que trabalhar, Bella. Tchau, se cuida!

Ela desligou, eu resmunguei e deixei o celular sobre a mesa.

— Não acredito que a Esme tá pegando o Aro Volturi — Tanya disse, eu tinha contado no dia anterior sobre o encontro dos dois. — Ele é super gostoso.

— Ele é velho.

— Falou quem tá prestes a casar com um cara mais novo, você não pode questionar o lance de idade.

— É diferente. — Tanya revirou os olhos. — Pelo menos meu marido vai ter uma vida sexual mais longa que o seu — provoquei.

— Credo, nem quero pensar quando Santiago ficar velho demais para sexo. — Ela estremeceu.

***

Estava estressada quando voltei para casa aquela noite, a última reunião do dia com uma das marcas patrocinadoras de Edward não tinha sido boa e ele tinha perdido outro patrocínio. Eu me sentia absurdamente culpada por isso, mesmo com ele tentando me convencer do contrário.

— Pensei que o Edward estava vindo para casa com você — Esme falou quando entrei na cozinha onde ela estava com Rosalie.

— Ele voltou para o ensaio depois da reunião que tivemos, duas marcas já romperam contrato com ele. — Engoli em seco.

— Bella, eu não entendo muito disso tudo — Rosalie começou a falar. — Mas a situação pós Escândalo Swan-Cullen está melhor do que vocês previam, não é?

Suspirei e assenti.

— É, pensávamos que seria bem pior. Mas ele já tinha rompido contrato com a Dolce & Gabbana, ficar perdendo outros patrocínios não é bom.

— Não está mais na hora do seu expediente, pare de pensar no trabalho, Bella — Esme orientou, eu dei um pequeno sorriso.

— Quem me dera fosse fácil assim.

— O jantar já está quase pronto, tome um banho antes de vir comer — minha sogra disse.

— Não estou com fome… — Ela abriu a boca para brigar comigo, mas fui rápida em completar minha fala. — Eu comi algo na produtora quando a reunião acabou, não se preocupa. Acho que vou descer para a sala de música e me distrair um pouco.

— Vou te chamar depois para vir jantar — Rosalie falou. — E conversarmos sobre o casamento, ok? Tô pensando num modelo pro meu vestido, quero sua opinião.

— Tudo bem, só preciso de um tempinho. — Coloquei minha bolsa sobre a mesa da cozinha, tirei meu celular de lá e fui para a sala de música.

Sentei ao piano e comecei a tocar, primeiro algumas músicas da Taylor Swift, até que acabei indo para as músicas de Edward e cheguei em Hollywood, minha própria música.

Eles gritam: luzes, câmera e ação. Você está pronto para a adoração? Está sob os holofotes agora. Todos os olhos em você. Isto é Hollywood. Champanhe, limusine e tapetes vermelhos. Você não sonhou com isso? É tudo seu agora.

Parei de cantar e tocar, mas estava animada e sorrindo. Eu amava aquela música, amava o que Edward tinha feito na melodia deixando-a pop, combinava perfeitamente com ele, com seu álbum e comigo também.

Ainda assim, eu levantei do banco do piano e peguei um dos violões de Edward, também consegui um tripé para meu celular. Sentei no chão, coloquei o celular no tripé, liguei a câmera de vídeo e comecei a cantar Hollywood, mas na versão com a melodia country que eu compus há tantos anos.

Gravei toda a canção, quando acabei assisti o vídeo e adorei. Sabia que Edward ainda estava no ensaio e demoraria a ver, mas enviei para ele mesmo assim. Também enviei para meu pai, ele me ligou na hora.

— Eu financio seu álbum! — ele exclamou quando atendi, isso me fez rir.

— Você pode bancar a faculdade do Donut.

Ele bufou.

— Eu faço os dois, pago tudo que meu neto precisar, mas quero te ver lançar um álbum também.

— Não vai rolar, o senhor sabe disso.

— Você é muito difícil, Isabella.

— Pois é, sou mesmo. Não esqueça de me mandar o dinheiro da faculdade do bebê.

Ele forçou uma risada.

— Eu preciso desligar agora — avisou. — Carmen e eu ainda estamos presos no estúdio tentando finalizar a nossa música.

— Já faz muito tempo.

— Eu sei, é uma canção complicada. Você está bem?

— Estou. Vou te deixar desligar agora.

— Ok, qualquer coisa me ligue, Bells. E pense sobre seu álbum.

— Boa noite, pai.

— Boa noite!

Desligamos e eu assisti o vídeo mais uma vez. Motivada por uma coragem louca, talvez impulsionada pelas palavras do meu pai sobre eu ter que lançar um álbum, me vi compartilhando um trecho do vídeo no Instagram.

Rosalie apareceu no porão quando acabei de postar o vídeo.

— Ei, vamos comer, falar sobre casamento e tentar arrancar informações sobre o encontro da mamãe com o Aro!

***

Estava no quarto jogando Candy Crush quando Edward chegou, o sorriso dele era imenso e eu sabia muito bem o motivo. Ele tinha visto o vídeo, também tinha visto que eu tinha postado aquilo para o mundo inteiro ver.

— Seu pai me falou sobre financiar seu álbum, quero dizer que eu financiaria mil deles — falou ao se aproximar de mim e deu um beijo barulhento na minha bochecha, soltei meu celular sobre a cama.

— Você e meu pai estão confabulando?

— Estamos. — Ele beijou meu rosto. — Você já entrou no Twitter? Todos estão falando do seu vídeo. Isabella Swan é o assunto mais comentado, logo depois Hollywood e em terceiro meu nome.

— Eu sei, vi mais cedo as pessoas furiosas por eu estar cantando uma das suas músicas.

Edward sentou na beirada da cama e tirou seus sapatos

— Em primeiro lugar, a música é sua antes de ser minha. Em segundo lugar, nem todo mundo tá falando mal, tem muita gente dizendo o quanto amou.

— Okay, agora para de falar sobre isso, vai jantar e vem dormir.

— Já jantei. — Me lançou um sorriso culpado.

— Você comeu sushi!? — questionei indignada, ele sabia que eu não podia comer e estava por aí comendo?

— Talvez?

— Você tem que passar toda essa gravidez comendo só o que eu posso. Se eu não posso comer sushi você também não pode.

Edward riu e apertou minha bochecha.

— Eu não estou brincando.

— Você é tão lindinha brava.

— E você é um idiota.

— E mesmo assim você vai casar comigo, senhora Cullen.

Tentei não sorrir, mas foi impossível resistir.

— Posso fazer algo?

— Depende — respondi preocupada com o que aquela mente tramava.

— Me deixa contar pra todo mundo que você também é a compositora de Estrelas e Hollywood.

— O quê? Você enlouqueceu. — Ri nervosa.

— Por favor, por favor, por favor! — começou a implorar enchendo meu rosto de beijos.

— Não.

Ele fez bico, mas não insistiu mais.

— Ok, se você não quer não vou te forçar. Vou falar com meu filho agora, não escute nossa conversa.

Eu gargalhei, ele me ignorou e ergueu a minha camiseta.

— Donut, vamos conversar sobre como sua mãe é teimosa?

— Olha quem fala.

— Isabella, essa é uma conversa particular — Edward chamou minha atenção.

— Ok.

— Ouviu, Donut? Teimosa demais!

— Teimosa e sua noiva, continua falando assim que te coloco pra dormir em outro quarto — ameacei, ele riu, beijou minha barriga, depois minha boca.

— Amo você, Capitã.

***

Me olhei mais uma vez no espelho e aprovei a roupa, estava experimentando meu look para a inauguração da boate no domingo. Também o dia que iríamos anunciar para o mundo nosso noivado, sendo assim eu queria estar vestida muito bem.

Junto com Tanya, o estilista escolhido para me vestir, assim como a maquiadora que cuidaria de mim e do cabeleireiro, optei por um vestido tipo blazer. Ele era muito lindo, preto e bem brilhosos, com um comportado decote em V, assim como seu comprimento ia até o meio das minhas coxas, experimentei me mexer bastante com ele para ter certeza de que poderia dançar na boate sem impedimentos e ele foi perfeito

— Podemos colocar extensões no seu cabelo — o cabeleireiro se manifestou. — E fazer um rabo de cavalo bem grande.

— Pensei em tons de laranja para a maquiagem — a maquiadora disse.

— Esses sapatos ficarão perfeitos com o vestido — o estilista apareceu com os calçados, saltos altos também pretos. — Acha que consegue usar esses? Aliás, você pode já que está grávida?

— Posso sim — respondi e me sentei para experimentar os saltos, que o estilista me ajudou a calçar.

— Bella, algumas opções de jóias que a figurinista do Ed sugeriu. — Tanya me mostrou a tela do celular, pude ver vários anéis e brincos longos. Aprovei os brincos, mas disse que não usaria os anéis, o motivo era óbvio, o único anel que usaria seria o meu de noivado.

— A Harry Winston está mesmo embarcando nessa? — indaguei descrente.

Tanya tinha me surpreendido com aquilo aquela manhã, estava levantando um contrato de empréstimo para mim — que duraria apenas o dia da inauguração da boate — com a marca de jóias. Quando lhe dei minha aprovação de falar com eles sobre o noivado — depois de perguntar para Edward o que ele achava sobre esse tipo de publicidade e ele disse estar bem com isso, desde que o bebê não fosse mencionado em nenhuma publicação de publicidade em redes sociais minhas ou da Harry Winston —, ela contou que meu anel de noivado era deles e a marca aceitou fechar o contrato para me emprestar as jóias, também estaria emprestando um relógio para Edward.

Eu estava mesmo surpresa com isso, era uma marca de renome muito grande aceitando ter seu nome ligado aos nossos, especialmente ao meu. Mas isso era bom, principalmente depois de Edward perder contrato com mais uma marca aquela manhã e ter contrato reduzido com outra.

— Estão, vou confirmar os brincos. — Tanya se afastou digitando rapidamente.

— Ed já escolheu a roupa dele? Vocês precisam estar harmonizados — o estilista comentou me ajudando a ficar de pé, os saltos eram mesmo bem altos, mas logo consegui me firmar no chão com eles.

— A figurinista dele vai cuidar disso. Acho que vou topar a extensão de cabelo, mas nada envolvendo alisantes ou qualquer tipo de química, não quero nada que possa ser prejudicial para o bebê — falei para o cabeleireiro.

— Pode deixar!

— Ajuste as mangas, estão muito compridas — alertei o estilista. — Você. — Estalei os dedos para Irina que tinha ido comigo para o atelier. — Pegue água para mim!

***

Depois de tudo resolvido no atelier Tanya e Irina voltaram para a produtora, enquanto eu seguia até o estúdio onde Edward ensaiava para o festival. Iríamos juntos de lá para casa e então para o jantar de aniversário de Esme, tínhamos reserva em um restaurante francês e eu daria de presente para minha sogra uma bolsa da Prada, mas também um álbum de fotos, já tinha colocado algo nele e era uma imagem da ultrassom de Donut.

Edward tinha comprado vários presentes, alguns entregou durante o café da manhã e outros mandou entregar ao longo do dia. O último presente seria uma camiseta com a frase "melhor avó do mundo" escrita.

Ainda no carro fiquei vendo no Instagram e Twitter a repercussão de duas fotos que postei de Edward em seu ensaio mais cedo aquele dia, ele tinha me enviado elas e não resisti em compartilhar com o mundo. A legenda tinha sido:

"Ensaios para o Pop Festival!"

Existia no Twitter até uma conta destinada em formato de portal para falar sobre Edward e eu, isso não entrava na minha cabeça, já que pensava que todo iriam nos odiar, mas aparentemente não. O Portal Beward compartilhou minha postagem do Instagram no Twitter e os comentários sobre eram diversos.

"A Isabella ama o Ed e apoia tanto a carreira dele."

"Claro que ela apoia a carreira do Ed, isso é o que sustenta essa vadia."

"Vocês já conseguem imaginar o filhinho do Ed e da Isabella indo para os ensaios do pai? Eu já consigo!!!"

"Isso, continuem bajulando essa aproveitadora."

— Senhorita Swan, chegamos — meu motorista avisou e saí do Twitter rapidamente.

Entrei no estúdio e encontrei Edward já pronto para ir embora, antes que eu pudesse falar algo o cantor me beijou na frente de todo mundo que estava ali e ouvimos gritos de comemoração por isso. Nos afastamos rindo pela reação de todos, eu podia sentir minhas bochechas coradas e Edward afagou meu rosto.

Rapidamente dissemos tchau e fomos para o carro, ele estava segurando minha mão e deixando beijos nela de tempos em tempos. Eu me distrai com o celular, trocando mensagens com Alistair, até perceber que Edward estava quieto por muito tempo e isso não era algo que fazia parte dele.

— Tá tudo bem? — perguntei, olhei para ele e o vi sorrir.

— Tá sim, só tô pensando em como te pedir algo.

Franzi o cenho.

— O que quer me pedir?

Ele beijou minha mão outra vez.

— Cante Johnny Cash comigo no festival.

— Edward…

— Você cantou na turnê e nem doeu, não foi? — Respirei fundo. — Eu não vou ficar insistindo, tá? Estamos quase em casa e não vou voltar a falar sobre o assunto, mas me dá essa resposta até o fim do dia? Porque se for um sim vamos precisar ensaiar, mesmo que você seja tão incrível que nem precise de ensaios para se sair muito bem.

***

Esme, Rosalie e eu nos arrumamos juntas para o jantar — Rose e eu tentamos de novo descobrir mais sobre o encontro da mãe dela com Aro, mas Esme ficava envergonhada e não dizia nada —, minha sogra até me maquiou e Rose registrou esse momento em uma foto. Eu aproveitei isso e compartilhei a foto no meu Instagram, com uma curta legenda de felicitações pelo aniversário, mas com todo o carinho que já sentia pela mãe de Edward.

"Obrigada por cuidar de mim como se eu fosse sua filha, Esme. Espero ser uma mãe tão boa para meu bebê quanto você é para seus filhos, ainda que eu não vá saber fazer um bolo de chocolate tão bom quanto o seu. Você é uma das pessoas com o coração mais puro que já conheci e sou grata por te ter na minha vida, feliz aniversário!"

— Não me faça chorar no meu aniversário! — Esme brigou comigo quando Rosalie mostrou para ela minha publicação, eu ri e a abracei com força.

— Mãe, Edward acabou de postar foto de vocês, acho que agora vai mesmo chorar.

Esme me soltou e pegou o celular da filha, espiei por cima de seu ombro e vi a foto que Edward postou. Ele ainda era um garotinho no colo de Esme na foto em preto e branco, sorri imaginando que logo seria eu com meu próprio filho nos braços.

***

O jantar foi ótimo, Irina tinha conseguido uma boa mesa para a gente e o fato do restaurante ser reservado nos garantiu privacidade durante o tempo todo que estivemos ali, nada de clientes pedindo fotos para Edward e nenhum paparazzi conseguindo fotos nossas lá dentro, ainda que estivessem do lado de fora. Esme recebeu seus presentes, chorou, tirou um milhão de fotos com os filhos, com Emmett e comigo — eu também tirei muitas fotos com Edward —, cantamos parabéns e fomos embora sem nem ligar para os paparazzis enchendo o saco do lado de fora.

No carro Edward — Esme estava no carro de Emmett com ele e Rose — postou uma foto de nós dois juntos que Rose tirou da gente no restaurante, ele estava beijando meu pescoço, eu estava com a cabeça jogada pra trás rindo. A legenda que ele escreveu foi:

"Você tem um gosto muito bom, @isabellaswan."

Automaticamente entrei no Twitter, o do Portal Beward para ver a repercussão da foto. Eles compartilharam rapidamente a foto na conta deles, mas antes que eu pudesse ver o que as outras pessoas estavam falando sobre Edward tirou o celular da minha mão.

— Ei! — reclamei.

— Não estrague sua noite vendo o que gente desocupada fala na internet.

— Tá, tá bom — concordei.

— Aliás, a noite está acabando, você precisa me dar aquela resposta.

Mordi meu lábio, olhei pela janela vendo Los Angeles passar por nós. Lembrei do último show da turnê, quando cantei com Edward, lembrei como eu amei fazer aquilo, então voltei a olhar para meu noivo e respondi:

— Eu aceito cantar com você.

Mal tinha acabado de falar e Edward me beijou, segurei em seus cabelos e ficamos nos beijando mais um pouco, até o afastar e falar:

— Mas se eu surtar no dia e não quiser cantar…

— Você não vai surtar, vai dar tudo certo, só que não se preocupa, se você mudar de ideia até lá eu não ficarei chateado.

Assenti e o beijei de novo.

***

Rosalie sugeriu jogarmos alguma coisa quando chegamos em casa, foi assim que acabamos na cozinha jogando banco imobiliário. Era onde estávamos, todos nós, quando por volta de meia-noite o interfone tocou.

Confuso, já que não estávamos esperando ninguém, principalmente aquele horário, Edward foi atender. Enquanto isso Rose e Emmett continuavam a discutir sobre ela estar ou não roubando o banco, eu tentei defender minha cunhada, mas parei quando vi Edward visivelmente furioso onde estava.

— Carlisle está aqui! — exclamou puto ao desligar o interfone e saiu andando para fora da cozinha.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 08.01.20