Hollywood
76 Capítulo Setenta e Cinco
Notas iniciais
Capítulo Setenta e Cinco
Edward Cullen
"Ed Cullen vai casar!"
Meu pai criticava tudo que eu fazia, todas minhas decisões. Algumas vezes ele nem precisava dizer nada, bastava um simples olhar e já sabia que estava descontente com alguma atitude minha.
Quando pedi Lauren em casamento e contei para Carlisle, ele ficou em silêncio por um longo tempo da nossa ligação. Então, depois de um suspiro disse mal conseguindo esconder seu desapontamento:
— Meus parabéns!
***
Abri a porta e o portão, o vento frio daquela noite de primeiro de dezembro passou por mim, mas eu sabia que não era esse o motivo para minhas mãos tremendo. Logo ouvi Rose, mamãe e minha noiva falando comigo, também senti Bella segurar no meu braço, mas não respondi nenhuma delas, parecia ter perdido a voz.
Quando vi o táxi entrar nos limites da minha casa fiz com que Isabella me soltasse, eu segui até o carro que parou diante da mansão. Abri a porta de trás e vi meu pai ali, ele estava sério, mas não me permiti uma análise mais minuciosa de sua expressão.
— Volte nesse mesmo carro de merda para o buraco de onde saiu, você não é bem-vindo aqui!
Bati a porta e comecei a andar de volta para casa, mesmo com lentes mal conseguia enxergar tamanha minha raiva, abria e fechava as mãos sem parar, estava louco para socar alguma coisa. Ou melhor, alguém.
Porra, queria socar meu próprio pai, eu era um grande bosta mesmo!
— Edward, vamos conversar um pouco, por favor — Carlisle falou atrás de mim, voltei meu olhar para ele e o vi fora do carro, o táxi já deixando a mansão.
— Eu não tenho nada para falar com você e já te mandei ir embora da minha casa, faça isso ou vou chamar a porra da polícia para te tirar daqui.
— Edward, pega leve — Rosalie pediu aparecendo ao meu lado, ela tentou segurar meu braço, mas eu me afastei abruptamente tropeçando e quase caindo.
Excelente!
Eu curvei meu corpo, apoiando as mãos nos joelhos e respirando pesado.
— Edward, se acalma — ela insistiu. — Entra e vai beber um pouco de água. Pai, eu não sei o que você veio fazer aqui, principalmente a essa hora, mas é melhor ir embora.
— Sei que está tarde, mas queria ver vocês logo.
Eu ri, ergui meu corpo e o encarando falei:
— Quer nos ver por que? Tá precisando de uma doação de órgão? Espero que esteja, faço questão de não doar nada pra você!
— Edward! — Rosalie gritou comigo.
— Chega! — Bella apareceu junto de mim. — Vai pro quarto agora, Edward.
— Senhor Cullen, melhor você ir embora — Emmett já estava ali, vi minha mãe por perto, ela também não estava calma com a aparição do ex marido.
— Ok, posso ir, mas, Edward, preciso conversar com você mais tarde.
— Sério? O que vai querer conversar comigo, pai? — debochei. — Deixa eu adivinhar, vai me convencer a ir até a igreja e pedir para o padre me exorcizar por eu ser bissexual?
— O quê? — minha mãe indagou, eu a olhei e senti meus ombros caírem.
Ela não sabia sobre aquilo, merda!
— Você é o que, Edward? — ela perguntou em choque.
— Mãe… — murmurei, começando a chorar.
— Você não sabia disso? — Carlisle perguntou para ela, mamãe o olhou furiosa.
— Não, Carlisle, eu não sabia!
— Edward, vamos pro quarto, amor — Bella disse junto de mim. — Por favor, você precisa se acalmar.
— Espera, Isabella — minha mãe disse. — Edward, isso que você falou é mesmo verdade?
Eu assenti, sem conseguir parar de chorar. Ela fechou os olhos e balançou a cabeça em negação, senti meu peito doer.
— Vem, vem comigo. — Bella me puxou para dentro de casa, eu deixei ela me levar, mas não conseguimos ir muito longe.
Entrei na primeira sala que vi e fiquei sentado numa poltrona, chorando e tremendo, encarando meus próprios pés. Podia sentir Bella afagando minhas costas, até que ela parou por um tempo, saiu e quando voltou anunciou:
— Rose foi para o apartamento com sua mãe, Emmett levou Carlisle embora.
Eu levantei e fui para o closet em meu quarto, Isabella me seguiu e quando me viu trocando de roupas questionou:
— O que você está fazendo?
— Preciso correr — respondi, sentando em um banco ali para calçar meus tênis.
— Edward, você está muito nervoso, não consegue nem parar de tremer, se for correr assim vai acabar passando mal.
— Tomara que eu passe mal mesmo, é o que falta para completar a porra dessa noite de merda — resmunguei.
Ela segurou meu rosto e fez com que a olhasse.
— Você vai tomar um banho e ir dormir, não vou te deixar correr assim e sei que está nervoso, mas não fica desejando passar mal.
Eu bufei e fiquei de pé, terminaria de calçar os sapatos no primeiro andar.
— Vai dormir, Isabella, eu vou correr.
— Edward, você não vai sair! — ela gritou e alcançou a porta antes de mim, bloqueando minha saída.
Eu solucei e soltei o tênis no chão.
— Minha mãe ficou sabendo disso da pior forma. E o que Carlisle veio fazer aqui?
— Não sei o que ele quer, mas sei que sua mãe te ama muito e vai entender tudo isso. Agora vamos pro banheiro, tá? Tomar um banho e ir pra cama depois.
— Eu não quero — neguei. Ela suspirou e me olhou atordoada, segurando em meus braços.
— Edward, sei que você está mal agora, mas eu não posso fazer isso sozinha — sussurrou. — Não hoje, não agora. Estou exausta e explodindo de dor de cabeça, não quero passar mal e deixar isso afetar o bebê.
Eu chorei mais, minhas merdas todas estavam afetando ela e nosso bebê. Era por isso que por anos não quis ser pai, não tinha estrutura alguma para isso, Bella estava mal, o bebê ficaria mal e era tudo minha culpa.
— Você deveria ter ele só.
Ela me soltou.
— Como?
— O bebê, você deveria ter ele só, tá óbvio que eu não tenho capacidade nenhuma de cuidar de alguém. Olha pra mim, eu tava lá fora querendo socar meu próprio pai, sou um aglomerado de vícios e raiva.
— Você só está tendo uma crise. — Voltou a segurar meus braços.
— E você não deveria lidar com isso.
— Na saúde e na doença, Edward. — Me fez deixar o closet e me guiou em direção ao banheiro. — Vamos, um passo de cada vez, ok? Você vai ao banheiro, vamos tirar suas roupas e as minhas, tomaremos banho, iremos nos vestir novamente e ir para cama dormir.
— Por que ele está aqui? — tornei a perguntar.
— Vamos descobrir, depois. Agora estamos chegando ao banheiro, tá? Qual o próximo passo?
— Tirar as roupas e tomar banho.
— Isso, você vai melhorar depois.
***
Bella estava no ensaio comigo no dia seguinte, ela disse que era para começarmos a ensaiar Johnny Cash, mas eu apostava que a empresária queria ficar de olho em mim de perto após a última noite. Eu mal tinha dormido, também mal tinha mantido uma conversa com ela desde que a Capitã acordou.
Assim como não liguei para falar com minha irmã, mãe, muito menos Carlisle. Eu não sabia nem por onde começar, por isso quando Rosalie ligou para mim, durante uma pausa entre o ensaio de Hollywood e outra música, atendi já pilhado.
— Oi, você tá podendo falar?
— Depende. Você tá com ele ou com ela? — Me afastei de todo mundo, podia sentir os olhos de Isabella sobre mim.
— Saindo do hotel que ele tá. Fiquei com mamãe até vir aqui e vou voltar para o apartamento dela agora.
— Como ela está?
— Isso não é muito fácil para ela — disse baixinho. — Mas vai ficar tudo bem, garanto. Não é nem questão de aceitar, ela só foi pega de surpresa.
Engoli em seco.
— E o que ele quer em Los Angeles?
— Nos ver. Estava com saudades, quer que vocês se acertem, especialmente agora que você vai ter um filho. Ele te ama, sei que papai errou muito, mas você pode ao menos tentar ouvi-lo?
— Você estava chateada com ele e o ignorando até ontem, já mudou de ideia? — perguntei irritado, ela respirou fundo.
— Eu ainda estou chateada com ele, por um milhão de coisas, mas Carlisle continua sendo nosso pai e se pudermos todos juntos colocar essa família no eixo seria bom.
— Vamos começar por onde? Casando ele e mamãe de volta? Ah, espera, onde ele vai colocar a madrasta que você ama já que a casa de Bath, que ele quer vender, tem só três quartos?
— Edward, ser debochado agora não adianta de nada — falou e eu desliguei na cara dela, coloquei o celular no silencioso e o guardei no bolso, não queria ser interrompido pelo drama da minha família durante o ensaio.
— Vamos ensaiar Johnny Cash agora! — exclamei ao voltar para perto da banda e peguei meu violão. Vi Isabella suspirar e levantar, Jasper entregou um violão para ela, enquanto um roadie preparava o segundo microfone para minha noiva. — Mais rápido com isso! — apressei o roadie.
Isabella me lançou um olhar de reprovação, mas não disse nada. Quando o microfone dela estava por fim pronto eu comecei a tocar, ela pegou a música atrasada e errou um pouco, não liguei para isso.
— Vivendo em uma cidade pequena. Dono de grandes sonhos. Seu melhor amigo era seu violão. Ele queria seguir sua paixão — cantei e fechei os olhos, tentando me concentrar e acalmar meu corpo.
— A música era tudo em seu coração. Sua salvação. — Foi a vez de Isabella cantar, foi quando parei de tocar, não conseguia mais, estava muito angustiado para isso. — Edward? — Ouvi ela chamar por mim, quando abri meus olhos e comecei a andar até o que era o meu camarim no estúdio onde ensaiava para o show.
Não respondi, entrei no camarim, ainda carregando meu violão, e comecei a chorar. Tirei meu celular do bolso e liguei para mamãe, ela não me atendeu, nem respondeu a mensagem pedindo que ela me atendesse.
Foi quando me descontrolei e acertei o violão no chão, o fazendo quebrar, também foi quando Jasper entrou, logo fechando a porta para ninguém ver meu estado. Eu estava fora de mim, apenas o deixei me sentar no sofá e tirar o celular da minha mão, o ouvi falar algumas coisas, sem realmente compreender.
— Estou ligando para o Vladmir. — Ouvi a voz de Isabella, olhei em direção a entrada do camarim e a vi apoiada na porta com o celular na orelha. — Vai ficar tudo bem, amor — falou gentilmente para mim, mas seus olhos estavam cheios de lágrimas.
— Tira ela daqui — pedi para Jasper. — Ela não pode ficar aqui comigo assim, vai fazer mal…
— Ei, ei, ei! — Jasper me interrompeu. — Está tudo bem, tá? Só respira fundo agora.
— O meu pai está na cidade — sussurrei para ele.
— Eu sei. — Jasper assentiu. — Agora respira, você está ofegante.
Inspirei fundo, olhei mais uma vez para Isabella e implorei:
— Não fica perto de mim agora, Capitã.
Ela andou até mim, com sua mão livre segurou minha mão esquerda e apertou.
— Eu estou bem, se eu ficar muito nervosa vou pra casa, tá bom? — Assenti. — Agora pode apertar minha mão.
— Eu vou te machucar. — Solucei.
— Aqui, aperta a minha. — Jasper segurou na minha mão direita e eu apertei, Bella não me soltou enquanto isso, ainda ligando para meu psicólogo.
— Vladmir? Oi, é Isabella Swan, precisamos conversar sobre Ed.
***
Eu estava só em meu quarto quando acordei, graças as cortinas das janelas fechadas não consegui ter nenhum indicativo de horário através de Sol ou ausência deste, mas o relógio sobre a mesinha ao lado da cama me informou ser cinco da tarde. Levantei com dificuldade, estava com o corpo pesado depois da medicação que tive que tomar.
Apenas Vladmir me atendendo não foi o suficiente para aquela crise, meu psiquiatra precisou ser chamado para o estúdio onde eu estava e me medicou. Um calmante, não muito forte, mas preciso para que eu melhorasse, depois disso Jasper e Isabella me levaram para casa e eu apaguei.
Segui para fora do quarto, desci até a cozinha e encontrei Isabella ali, ela estava sentada à mesa mexendo em seu notebook, quando me viu sorriu e ficou de pé. Andou até mim e me abraçou, a envolvi em meus braços e beijei o topo da sua cabeça.
— Como está se sentindo, pirralho? — perguntou afagando minhas costas.
— Cansado — respondi e beijei sua cabeça de novo. — Capitã, me desculpa por tudo que tô te fazendo passar, tá bom?
Ela afastou um pouco nossos corpos, apenas o suficiente para poder olhar para mim.
— Você não precisa pedir desculpas sobre isso, Edward. Você e eu temos problemas psicológicos, não é como se tivessémos escolhido ter isso, mas estamos nos tratando, se você estivesse sendo negligente quanto a isso eu até poderia ficar chateada, mas sei bem que não está, então não peça desculpas por isso, foi um dia difícil, mas será superado.
Assenti, ela voltou a sorrir para mim, se esticou e beijou a ponta do meu queixo.
— O meu médico disse que talvez eu tenha que voltar a tomar remédios — sussurrei lembrando do que ele tinha falado.
— Ele vai avaliar você melhor depois e se for necessário será medicado, tá bom? Sei bem como tomar esses remédios não é algo fácil, mas vamos fazer o melhor para sua saúde. Agora, que tal comer algo? Pedi comida italiana para você, faz tempo, mas só esquentar.
— Ok, vou só ao banheiro me jogar uma água.
— Certo, vou ligar para Vladmir, ele queria te ver ainda hoje. Vai dizer depois da nova sessão se acha que tudo bem você ir para a inauguração da boate amanhã.
Soltei um suspiro preocupado e Isabella tocou no meu rosto.
— Não fica preocupado com a boate, ok? Se você não puder ir ficaremos em casa e tudo bem, a inauguração não é nem de longe nossa prioridade agora.
Assenti novamente e nos separamos, mas antes que eu saísse da cozinha me ajoelhei junto de Isabella e beijei sua barriga coberta pela camisa xadrez que a empresária estava usando. Senti as mãos dela em meus cabelos, um toque tão gostoso que fez minha sonolência voltar, fiquei mais um tempo naquela posição, meu rosto contra sua barriga e ganhando um cafuné.
— Amor, foi mal cortar o clima, mas quem precisa ir ao banheiro agora sou eu — murmurou e aquilo me fez rir.
Beijei sua barriga outra vez e fiquei de pé.
— Vai lá, mijona.
Ela rolou os olhos e me mostrou a língua.
— Vá se foder, Cullen.
Eu ri mais e apertei sua bochecha.
— Ei — ela disse baixinho. — Sua mãe e sua irmã vão vir para cá mais tarde.
Aquilo me deixou tenso, mas como eu ainda tinha o calmante em meu organismo a notícia não me abalou por completo.
— Quer que eu peça para elas não virem?
— Não, elas podem vir, será bom conversar com a mamãe de uma vez.
— Certo, tudo bem se eu dormir fora hoje? Queria descansar um pouco, talvez aproveitar a noite com minhas irmãs e ir encaixotando algumas coisas lá da outra casa.
— Não precisa pedir permissão.
— Não estou, mas quero saber se você vai ficar bem aqui comigo longe.
— Eu vou. — Beijei sua testa. — Vá descansar e se divertir com suas irmãs. — Afaguei seu rosto. — E agora vai pro banheiro, não pode ficar prend…
Não tive tempo de terminar de falar, ela rapidamente saiu da cozinha para ir fazer xixi.
***
Vladmir terminou de falar e eu assenti, enquanto encarava a almofada sobre meu colo.
— Vou falar com meu pai.
— Lembre-se que não precisa agradar seu pai, Edward, você é dono das suas escolhas. Mas também se lembre que não precisa fazer algo que não queira, ou que pode ser prejudicial para si, só por saber que isso o desagradaria, tentar se impor desta maneira não vai resolver nada entre vocês dois.
— Você está certo — murmurei e olhei para ele.
— A sessão está acabando, me diga como está se sentindo fisicamente depois do remédio.
— Cansado, sonolento, mal vejo a hora de voltar a dormir.
— Parece mesmo mais calmo e centrado, mas ainda não tenho certeza se você deve comparecer à inauguração da boate amanhã, vai exigir muito de si. Você que ir?
— Sim, mas vou entender se tiver de ficar em casa.
— Vamos conversar de novo amanhã de manhã, ok? Eu passo aqui e te avalio de novo, se achar que está tudo ok te libero para o evento e antes de você ir para a boate me ligue para vermos se continua tudo certo. Podemos fazer assim?
— Podemos, tudo bem — concordei. Vladmir e eu nos levantamos, joguei a almofada sobre o sofá que estava sentado antes e caminhei com o psicólogo até a porta da sala de TV onde foi a sessão daquela tarde.
Bella foi embora quando Vladmir chegou e eu apostava que Rosalie e minha mãe já estavam na mansão, isso se comprovou quando Esme e Rose apareceram no corredor. Rosalie disse que levaria Vladmir até a porta e quando eles se afastaram minha mãe perguntou:
— Podemos conversar, filho?
Concordei com um aceno de cabeça e tornei a entrar na sala de TV, ela foi atrás de mim. Eu sentei no sofá, novamente mantendo a almofada sobre meu colo.
Evitei olhar para Esme, Vladmir e eu tínhamos falado sobre ela e toda aquela situação, mas ainda me sentia bastante apavorado pelo o que ela tinha descoberto. Antes que mamãe pudesse dizer algo eu comecei a chorar, então a ouvi andar e segurar meu rosto fazendo com que a olhasse.
— Eu amo você — ela falou. — Amo você desde o instante que soube que estava grávida, amei ainda mais quando te peguei nos meus braços pela primeira vez, eu nunca vou deixar de te amar e apoiar, filho. — Eu fiquei de pé e a abracei, chorando ainda mais em seu ombro. — Está tudo bem, meu amor, está tudo bem.
— Me desculpa, mãe — implorei me afastando um pouco. — Eu sei que…
— Ei! — Ela puxou meu rosto fazendo com que a olhasse outra vez. — Sei que não reagi muito bem ontem quando fiquei sabendo sobre sua sexualidade, mas você não tem nada pra se desculpar, tá certo? Eu tenho, por ainda ter a cabeça infestada por opiniões preconceituosas, mas vou mudar isso, juro. Já passei a noite inteira lendo sobre e você pode contar comigo pro que precisar, não se sinta culpado por nada disso. — Beijou minha bochecha. — Isso é o que você é e você é meu filho, eu te amo inteiramente.
— Eu não queria ser assim — confessei. — E ainda tenho tanto medo que isso possa vazar para o público, medo do que podem dizer ou fazer.
— Você vai ficar bem — ela disse com confiança e afagou meu rosto.
— Obrigado por não agir como Carlisle agiu — sussurrei e os olhos dela se encheram de lágrimas.
— Eu falei com ele, Carlisle me disse sobre quando você contou para ele durante a turnê.
— Foi horrível. — Chorei mais.
— Ele quer acertar as coisas agora, Ed.
Olhei para o chão, sem conseguir parar de chorar.
— Que tal eu te fazer uma lasanha? — sugeriu.
— Eu quero dormir.
— Você pode comer quando acordar mais tarde. Edward, não esquece que estou do seu lado, ok? Você nunca estará sozinho enquanto eu estiver viva.
— Amo você, mãe. — Respirei fundo e a abracei de novo.
***
O celular em minha mão parecia pesar uma tonelada, eu tinha os olhos fixos na tela onde o número de Carlisle era exibido. Bastava um toque e eu ligaria para meu pai, mas aquilo era uma difícil missão.
— Quer que eu fale com ele? — Rosalie apareceu no quintal onde eu estava naquela noite, quase de madrugada, sentado no meio da grama, com Amy deitada ao meu lado.
— Não — respondi para minha irmã. — Tenho que lutar minhas próprias batalhas. — Com a mão livre acariciei Amy. — Mas você pode me distrair para eu ficar menos tenso.
— Fechado! — Rosalie exclamou e bebeu um pouco da Coca-Cola que tinha em mãos. — Você e Bella escolheram um bom lugar para o casamento. — Gesticulou para o quintal. — Vai ser muito bom aqui.
— Eu também acho — disse e olhei ao redor. — Mal vejo a hora, ela vai estar tão linda, com qualquer vestido que seja. Preciso começar a pensar nos votos, queria algo diferente.
— Escrever uma nova música para ela?
— Não sei, talvez, vou pensar em alguma coisa especial, se for uma composição será isso.
— Parece que foi ontem o flagrante que dei em vocês dois naquela sala de música.
Eu gargalhei e minha irmã riu junto.
— Obrigado por aquilo, foi bom ser interrompido — ironizei.
— Não há de que — debochou de volta. — Acho que está na hora. — Apontou para o celular, eu inspirei fundo e toquei na tela.
Levei o aparelho até a orelha, o coração agitado, a ligação foi atendida no quarto toque.
— Olá, Edward — meu pai disse. — Que bom que me ligou, como está?
— Bem — respondi e fechei os olhos. — Na verdade, não muito bem, passei mal hoje e precisei ser medicado, mas estou melhor agora.
— Sinto muito por isso, filho. Você precisa de alguma ajuda sobre?
— Não, meu médico e meu psicólogo estão me supervisionando. Também não tô só em casa, mamãe e Rose estão aqui. — Olhei para ela, que sorriu para mim. — Enfim, eu tenho um dia cheio amanhã e já está tarde agora, mas que tal nos encontramos na segunda aqui em casa? Na hora do almoço.
— Parece ótimo para mim, uma da tarde?
— Sim, sim. — Fechei os olhos novamente. — Enfim, não sei se minha mãe ou Rosalie já falaram com você sobre, mas Isabella e eu estamos noivos e vamos inaugurar nossa boate amanhã, a festa meio que será também nossa festa de noivado quando anunciaremos para todos.
— Sua mãe me falou sobre o noivado.
— Certo, não mencionei para te convidar, tá? É um dia importante para minha noiva e eu, não quero que nada dê errado e sua presença não me deixa nada tranquilo. Vou pedir que não tente me procurar amanhã, nos veremos e conversaremos na segunda. E não fala com ninguém sobre nada, especialmente o noivado.
— Pode ficar tranquilo, Edward.
— Ok, era isso. Boa noite!
Desliguei antes dele falar mais alguma coisa.
— Como se sente? — Rose perguntou e eu deitei na grama.
— Exausto.
— Melhor entrar e ir dormir.
— Vou fazer isso, mas preciso de um tempinho extra aqui fora. Pode voltar em vinte minutos se eu ainda não tiver entrado e me checar?
— Posso sim. — Bagunçou meus cabelos e a escutei se afastar.
Fiquei alguns minutos curtindo o silêncio, até decidir ligar para Isabella.
— Oi, Betty — atendeu, parecia sonolenta. — Você está bem?
— Estou e você?
— Rolando depois de comer uma montanha de pizza, agora estou deitada na cama vendo algumas coisas do casamento.
— Tá só no seu quarto?
— Tô. Alice foi pra casa dela e Ness dormir no próprio quarto, quer que eu vá aí?
— Não, eu queria falar com o bebê, pode ser?
— Pode sim! — respondeu animada. — Te coloquei no viva voz.
— Oi, Donut. Desculpa não estar com você e sua mãe hoje, mas tá tudo bem, ok? Amanhã nós três estaremos juntos. Agora, eu só queria falar com você sobre algo, vou estar na sua festa de noivado, se for se casar, claro. Quero dizer que eu quero estar lá, em todos momentos importantes da sua vida e eu sei que não vou ser o melhor pai do mundo, mas vou ser o que mais vai se esforçar para isso, Donut. Nós dois seremos uma ótima dupla, juntos por aí em tudo, mesmo se você preferir country.
Bella riu baixinho.
— Vamos ignorar sua mãe rindo. Bom, era isso, filho. Fica sabendo que eu vou na sua festa de noivado, não darei nenhum motivo para não ser convidado. E irei fazer um discurso que vai te envergonhar, mas também te fazer chorar. Só não será melhor que o discurso que farei no seu casamento, porque eu definitivamente também vou estar lá.
***
Isabella sorriu para a câmera e eu sorri também, mesmo que não estivesse naquela foto. Só de vê-la animada eu ficava animado junto, isso era bom, depois do caos do dia anterior estar sorrindo e tranquilo era uma verdadeira conquista.
Depois de eu ter mais uma sessão com Vladmir aquela manhã me encontrei com minha noiva e fomos para o Four Seasons, iríamos nos arrumar para a inauguração da boate no hotel, na suite presidencial. Porém, antes de começarmos a preparação para a festa de fato estávamos fotografando o que era pra ser nosso ensaio de noivado.
— Ok, Ed pode ir para perto da Isabella agora — o fotógrafo, Arthur Davis, disse.
Ainda para perto de Bella e beijei a bochecha dela de forma barulhenta, isso a fez rir e ouvi o clique da câmera de Arthur.
— Ed, vai pro lado esquerdo dela e segura a mão com o anel.
Prontamente eu fiz aquilo.
— Não sei como você não está com dor na mão, Isabella, esse anel é gigantesco — a maquiadora falou, eu gargalhei e Isabella me olhou confusa, sussurrei em seu ouvido:
— Grande como meu pau.
Bella bateu no meu braço, mas estava sorrindo.
— Se comporta, Cullen! — ordenou e andou para perto de Arthur. — Davis, me deixa ver essas fotos, não estou confiante sobre esse painel preto como fundo.
***
Horas depois — após toda nossa sessão de fotos, preparação para a festa e mais fotos — Isabella e eu ficamos sozinhos na suíte, ela queria um tempo para si e eu precisava ligar para Vladmir como combinado. Deixei Bella no quarto e fiquei falando com meu psicólogo na sala da suíte, minutos depois eu desliguei e chequei minhas mensagens, um pouco das redes sociais até cansar e colocar música para tocar.
Isabella saiu pouco depois do quarto, estava sorrindo e linda pra caralho. Eu fui para perto dela e beijei com delicadeza seus lábios, não queria bagunçar sua maquiagem.
— Como você tá? — perguntamos juntos um para o outro. — Bem — ela respondeu primeiro. — Consegui relaxar um pouco lá dentro, acho que vai ser uma noite tranquila, pelo menos dentro da minha cabeça. Falou com Vladmir?
— Falei, ele não vê problema que eu vá para festa mesmo, mas disse que se eu me sentir muito nervoso devo voltar para casa.
— Qualquer coisa me fala. — Bella afagou meu braço com uma mão e sorridente me mostrou seu anel de noivado. — Pronto para exibir esse diamante por aí comigo?
— Mais do que pronto, linda.
— Certo, vou pegar meu celular e bolsa para podemos ir. — Ela voltou para o quarto e fiquei na sala, começou a tocar I'm Your Man do Leonard Cohen e me vi balançando a cabeça no ritmo da música, quando Bella apareceu novamente segurei em sua mão livre e a puxei para perto de mim.
— If you want a lover. I'll do anything you ask me to. And if you want another kind of love. I'll wear a mask for you* — cantei no ouvido dela, deslizando uma mão por suas costas até alcançar sua bunda. — If you want a partner. Take my hand. Or if you want to strike me down in anger. Here I stand. I'm your man.*
— Parou, não podemos transar agora.
— Eu só estava cantando.
— Sei bem onde isso iria parar, vamos logo pra boate, Edward. — Estalou os dedos.
***
A frente da boate estava cheia, jornalistas, paparazzis e uma fila imensa de pessoas para entrar. Isabella e eu estávamos chegando de limusine, eu segurava sua mão esquerda, afagava sua palma com meu polegar e podia sentir seu anel de noivado.
Noiva, minha noiva.
— Vai dar tudo certo — falei e beijei sua mão, ela olhou para mim e afagou meu rosto.
— Vamos lá anunciar nosso noivado, senhor Cullen!
Eu sorri para ela e a porta da limusine foi aberta por Felix, o segurança ajudou Isabella descer, depois eu a segui. Já fora do carro voltamos a unir nossas mãos, mas eu segurei a direita dela para deixar seu anel amostra.
— Ed, Bella, uma palavrinha! — jornalistas e paparazzis gritavam juntos.
Nós tínhamos, além dos seguranças nos escoltando, Tanya junto da gente para cruzar o corredor humano até a entrada da boate. A Tirana indicou o primeiro jornalista com quem iríamos falar, Isabella apertou minha mão com mais força e andamos até ele.
— Isabella, isso é um anel de noivado em seu dedo? — o homem perguntou, visivelmente entusiasmado em ser o primeiro a fazer aquela pergunta.
A Capitã colocou sua mão sobre meu peito, fazendo com que seu anel ficasse ainda mais visível.
— Sim, é um anel de noivado. Ed e eu ficamos noivos alguns dias atrás.
— Como você fez o pedido, Ed? — o jornalista quis saber.
Eu ri e Isabella também, enquanto esfregava sua mão contra meu peito por cima da camisa e jaqueta pretas que usava aquela noite.
— Tecnicamente Isabella fez o pedido primeiro.
— Não! — o homem exclamou.
— Pois é, eu estava planejando pedir ela em casamento no Natal, já tinha o anel e tudo mais, porém Isabella adiantou as coisas.
— Ele fez um segundo pedido no mesmo dia muito lindo, bem melhor que o meu — Isabella contou e olhou para mim, seus olhos estavam brilhantes.
— Onde aconteceu o primeiro e o segundo pedido?
— O primeiro em um hotel, o segundo Ed fez em nossa casa na sala de música.
Caralho, nossa casa, sim aquilo estava tão certo!
Eu não resisti, me curvei e coloquei meus lábios sobre os de Isabella. Ouvi gritos e vaias, mas não me importei, estava beijando minha noiva e isso era o que importava no momento.
Nos afastamos e Bella me lançou um sorrisinho cúmplice, demos tchau para o jornalista e fomos para a próxima indicada por Tanya. A Tirana não parecia contente com nosso beijo, mas ela também teria que lidar com isso.
— Ed — a jornalista começou. — De quem foi a ideia de comprar uma boate?
— De Isabella, no ano passado, mas acabamos deixando a ideia de lado até esse ano, quando eu retomei o assunto.
— Isabella, você comemorou sua festa de aniversário deste ano aqui, certo?
— Sim, foi um momento muito especial.
— Como vimos nas mensagens vazadas entre vocês dois foi Ed quem preparou aquela festa para você, não?
Bella suspirou e assentiu, eu respondi:
— Foi uma festa e tanto, ela vai ter uma difícil missão em me superar ano que vem na minha festa de aniversário.
— Pressão, ótimo! — Bella exclamou e beijei sua cabeça enquanto ria.
Logo Tanya nos mandou para a próxima jornalista, que perguntou sobre a data do casamento.
— Já temos a data marcada — Bella respondeu. — Mas não é algo que iremos revelar antes, após o casamento acontecer todo mundo ficará sabendo.
— Pode ao menos dizer o mês? — a jornalista insistiu.
— Segredo de estado — eu falei.
— E vocês já sabem o sexo do bebê?
— Ainda não! — Bella se queixou. — Muito menos o nome.
— Queremos David se for menino — anunciei.
— Edward! — Isabella chamou minha atenção.
— Divergências sobre isso?
— Sim! — respondemos juntos.
Antes de irmos responder mais perguntas de outro jornalista, escutamos um grito:
— Você deveria morrer, Isabella!
Nós olhamos em direção a pessoa que gritou isso, era uma mulher, que não parecia ter mais de vinte anos e estava na fila para entrar. Rapidamente os seguranças da boate a removeram da fila e ouvi falarem sobre chamar a polícia.
Aquilo logo afetou Isabella, ela empalideceu e sua mão ficou gelada. Tanya segurou no braço livre da amiga e me ajudou a entrar com Bella na boate na mesma hora, sem mais entrevistas para nós dois.
***
Quando acabamos de tirar aquela foto me voltei para Isabella e perguntei:
— Tem certeza que está bem, linda?
— Tenho, Ed. — Afagou meu braço. — Não fica nervoso com isso, tá? O caos já foi contido.
Eu neguei.
— Não tem como ficar tranquilo quando uma pessoa estava lá fora gritando que você deveria… — Me recusei a terminar aquela frase.
A garota que disse aquilo foi levada para a delegacia pelos policiais chamados, um dos chefes de segurança da boate foi junto para lidar com tudo aquilo. Tanya, que estava sendo atualizada sobre e nos ajudando com o assunto também, já tinha alertado o advogado de Isabella e ele foi até a delegacia pedir uma medida de restrição que impediria a garota de se aproximar da minha noiva.
E assim que entramos na boate, depois da garota gritar aquilo, levamos Isabella até o camarim. Não paramos para falar com ninguém, só levamos ela até um lugar seguro e mais silencioso querendo a tranquilizar.
E ela ficou mais calma, mas eu estava agitado.
Durante todo o tempo após isso, enquanto circulavámos pela boate cumprimentando convidados e as pessoas que pagaram para estar ali, eu não conseguia parar de olhar para os lados. E qualquer pessoa que chegasse muito perto de Isabella do nada me deixava assustado, isso não era bom, eu não podia ficar assim.
— Ed, você precisa ir para casa? — ela me perguntou.
— Não, não — neguei. — Eu tô bem. — Isabella me encarou sem acreditar. — Vou ficar bem — me corrigi. — Podemos só parar com as fotos e pular o discurso?
Arthur estava nos seguindo pela boate com sua câmera, tirando fotos nossas com várias pessoas e em todos os cantos possíveis. E logo seria a hora do nosso discurso de abertura, nada muito longo, apenas iríamos agradecer a presença de todos ali e deixar o DJ principal da noite, um cara da Escócia que estava fazendo muito sucesso, tocar.
— Eu posso fazer o discurso só — Isabella falou.
— Você será um alvo fácil em cima de um palco — eu disse, o que era o motivo para querer pular o discurso.
Isabella não disse nada, apenas me abraçou apertado. Senti meu corpo relaxar um pouco com aquilo, ficamos um tempo abraçados até ela me soltar e falar.
— Estamos seguros, nada vai acontecer comigo. — Estendeu uma mão. — Vamos subir naquele palco juntos, amor.
Eu não pensei muito sobre, coloquei minha mão junto da dela e deixei Bella me conduzir até o palco. Falamos com o pessoal da organização da boate, com Tanya que foi atrás da gente e subimos no palco quando o DJ que estava tocando naquele momento nos anunciou.
— Senhoras e senhores, com vocês Isabella Swan e Ed Cullen!
Pegamos nossos microfones e eu fui o primeiro a falar:
— Boa noite! — gritos encheram o lugar e eu dei um pequeno sorriso. — Espero que estejam se divertindo, Isabella e eu estamos muito felizes que Endorfina está finalmente com suas portas abertas. É um projeto muito especial para nós dois e é uma honra dividir com todos vocês aqui.
Deixei com que ela falasse em seguida.
— Queríamos agradecer a presença de todos vocês, como agradecer quem ainda está lá fora esperando para entrar e ainda quem virá conhecer o espaço outro dia. Nosso intuito com a boate é proporcionar um lugar divertido, amigável e seguro para todos. Contando com atrações de novos artistas do ramo musical, como também estrelas já consagradas. — Ela se voltou para o DJ que estava tocando antes de subirmos no palco. — Vocês acompanharam um set do DJ Hunter, que foi incrível, queria pedir uma salva de palmas para ele.
Gritos e palmas preencheram o ambiente, Hunter acenou para todos, abraçou Isabella e eu. Então, ele saiu do palco.
— E agora vocês ficarão sob os cuidados do DJ Cam Maxwell! — anunciei e ele subiu no palco, sendo ovacionado.
Nós o cumprimentamos, nos despedimos do público e deixamos o palco todo para Cam.
— Vocês foram ótimos — Tanya disse quando nos encontramos com ela na lateral do palco, a mulher entregou uma garrafinha de água para Isabella que imediatamente começou a beber. — Vocês precisam ir falar com algumas pessoas agora, tá?
— Não quer mesmo ir para casa? — Bella me perguntou.
— Não, vamos continuar com o trabalho de anfitriões.
***
Com o passar da noite fiquei mais tranquilo, principalmente quando eu já estava livre de ter que falar com convidados especiais para fazer o bom papel de anfitrião. Eu até consegui um tempo para comer, me entupir de refrigerante, dançar com Isabella e ainda provocar Charlie.
— Can I have your daughter for the rest of my life? Say yes, say yes 'cause I need to know. You say, "I'll never get your blessing 'til the day I die. Tough luck, my friend, but the answer is no!"* — cantei Rude de Magic! para ele na área vip que estávamos. Charlie revirou os olhos e bebeu mais da sua cerveja, Isabella ao lado dele gargalhou e eu a puxei para dançarmos mais.
— Foi mal, Caipira Swan, ela e eu vamos casar. — A fiz girar e cantei mais. — Marry that girl. Marry her anyway. Marry that girl. Yeah, no matter what you say.*
— É, vocês vão — ele resmungou. — E não roda ela tanto, cuidado com o bebê.
— O bebê e eu estamos bem, pai — Bella garantiu, mas eu parei nossos movimentos e só a mantive junto de mim.
— Não sei, você não deveria estar usando esses saltos, troque eles por tênis.
— Não mesmo — a Capitã negou. — Eu já disse que tá tudo bem, relaxa.
Charlie se afastou da gente reclamando consigo mesmo, foi quando uma Jane muito animada e visivelmente bêbada apareceu. O fato de ela ter tido uma overdose por cocaína no passado não a impediu de continuar bebendo, mas ela tentava fazer aquilo com mais moderação.
— Eu vou casar vocês! — ela exclamou.
— Como? — Bella perguntou confusa.
— Vejam bem. — Jane passou a mão por seus cabelos loiros. — Tanya, Rose, Ness e Alice serão suas madrinhas, ok? Ok. O chato do meu irmão será um dos padrinhos.
— Coitado, ele nem tá aqui pra se defender — Bella disse.
Alec tinha avisado que não poderia ir para a inauguração, ele ficaria em casa com o filho. As coisas ainda estavam complicadas para ele com Amber querendo ir embora para a Inglaterra, Alec continuava sem saber o que fazer.
— Problema dele, enfim — Jane voltou a falar. — Sou sua amiga há anos, Ed. Agora nossos pais estão se pegando…
— Eles só tiveram um encontro — eu disse rapidamente.
— Meu pai parecia muito animadinho falando sobre sua mãe, certamente rolou — anunciou e fiz uma careta. — Então, com tudo isso eu acho injusto não ter um lugar especial no seu casamento e como fui ignorada como uma das possíveis madrinhas. — Lançou um olhar feio para Isabella, que sorriu sem graça de volta. — Estou me voluntariando a ser a pessoa que irá oficializar essa união.
— Você tem uma licença para isso? — Bella questionou.
— Eu não tenho, ainda — Jane respondeu. — Perguntei ali pra Lucy e ela falou que o pai dela fez o casamento de uns amigos dele e tirou a licença em um dia, tenho tempo de sobra para isso. Me deixem ser o Joey do casamento de vocês, por favor! — implorou citando o personagem de Friends.
— Se você tivesse usado referência de Brooklyn Nine-Nine teria me vencido de primeira — aleguei.
— Pois é — Bella concordou.
— Eu nunca assisti. — Jane deu de ombros.
— Que erro terrível, não acho certo uma pessoa que nunca assistiu Brooklyn Nine-Nine celebrar meu casamento — a provoquei, ela revirou os olhos e cruzou os braços.
— Vai gente, me deixa fazer isso — insistiu.
Bella olhou para mim e falou:
— Acho uma boa ideia, melhor que um juíz de paz qualquer, isso ainda vai garantir mais privacidade pra gente.
— Concordo. — Me voltei para Jane. — Certo, você vai poder… — Eu nem acabei de falar, a garota gritou e me abraçou, depois se virou para Isabella e exclamou:
— Você é a melhor namorada do Ed!
— Eu com certeza sou — Bella concordou e segurou no meu braço. — Assista Brooklyn Nine-Nine — ordenou.
— Tá, agora me conta se a Jéssica foi mesmo responsável pelo vazamento das coisas do seu celular, Bella.
— Eu não acredito que tenha sido, ela já voltou para a produtora e tudo, mas ainda está sendo investigada e…
— Ok, ok, vou ali rapidinho falar com ela, se ficar confirmado que a Stanley vazou algo finjam que não enfiei minha língua na garganta dela.
— Não nos dê tantos detalhes — pedi.
— Não vou dar detalhes, tô indo dar outra coisa. Tchauzinho! — Ela se afastou, mexendo o corpo no ritmo da música que tocava no set de Cam.
— Mal posso esperar pelo discurso dela — Bella declarou. — Tá com cara de que vai ser muito elegante.
***
Isabella estava em algum lugar da boate com Tanya, enquanto eu me encontrava sentado ao bar da área VIP tomando refrigerante de uva, totalmente concentrado na música que o terceiro DJ da noite estava tocando. Era uma de Stefan, pensar no meu amigo me deixava triste e nostálgico.
— Cullen! — Escutei chamarem meu nome, desviei o olhar da latinha de refrigerante e vi quem estava me chamando, Eric Yorkie, o mesmo cara que esteve comigo durante meu tempo de reabilitação e eu meio que tinha como um amigo lá dentro, mesmo que não tivéssemos mais nos falado desde então.
— Eric, oi — falei surpreso com a aparição dele, eu não tinha o colocado na lista de convidados e não achava que Isabella sequer o conhecia a ponto de agregá-lo a festa. — O que está fazendo aqui? — Levantei do banco e ele deu um tapinha em meu ombro.
— É uma boate, Cullen. Vim me divertir!
— Você foi convidado? — questionei, ele gargalhou.
— Cara, eu tenho mais grana que você, entro onde quero e quando quero, ninguém pode me impedir de nada.
— Claro — murmurei.
— Você, eu quero uma cerveja — pediu para o barman. — Pode ser uma Heineken, ou qualquer outra que vocês tiverem por aqui mesmo.
— Sim, senhor — o barman respondeu e se mexeu para pegar a cerveja.
— Sua vida está bem movimentada, não é? — Eric me perguntou e pegou sua cerveja tomando um longo gole quando o barman apareceu com ela.
— Está e a sua?
— É uma boa vida. — Piscou para mim. — Por que está bebendo esse negócio de viado? — Gesticulou para meu refrigerante e eu revirei os olhos.
— Cuidado com suas palavras, Eric — alertei e ele riu alto.
— Calma, Cullen, a comunidade lgbt já tem muitos direitos, podem lidar com umas piadinhas inocentes — debochou. — E cá entre nós, não acho que eles deveriam ter tanto direito assim, são… Olá, senhora Cullen! — Isabella chegou naquele momento, segurando em meu braço e mantendo um sorriso falso no rosto para Eric.
— Oi, Eric Yorkie, né?
— Isso mesmo. É bom conhecer você, só te conhecia por vídeo. — Piscou para ela e Bella apertou meu braço, sabíamos bem o que ele queria dizer com isso.
— Eric, vou pedir que você deixe a boate agora, ou terei que chamar seguranças para te tirar daqui — alertei e ele riu mais, colocando a garrafa de cerveja em minha mão. Eu senti minha garganta fechar com isso e a ansiedade cruzar meu corpo, mas não consegui largar a garrafa.
— Não seja chato, Cullen. E eu não vou embora, mas vou deixar vocês dois que claramente são chatos pra caralho e ir me divertir lá embaixo com garotas desesperadas para chupar um pau bilionário. — Ele olhou para Isabella de novo e disse. — Você era mais bonitinha na época do vídeo, né?
— Eric! — exclamei entre dentes, tentei andar para mais perto dele e o tirar de lá a socos, mas Bella me segurou.
— Melhor mesmo você descer, Yorkie — falou para ele.
— É o que estou fazendo. — Acenou para a gente e seguiu até a escada.
— Amor, se livra dessa garrafa — Bella falou e eu coloquei a cerveja sobre o balcão, queria beber, queria mesmo, mas não faria isso. Peguei meu refrigerante de uva e levei Isabella para longe do bar.
***
Eu sonhava que estava na praia, era um dia bem quente e mergulhar no mar me deixava extremamente feliz. Quando estava prestes a mergulhar novamente senti alguém balançar meu ombro e chamarem meu nome, impedindo assim que eu mergulhasse.
— Edward, acorda — a voz continuou e eu identifiquei se tratar de Isabella.
Abri apenas um olho e a vi parada perto da nossa cama, não estava com uma cara nada boa e já vestida para sair. Mas, eu estava cansado demais aquela manhã depois da inauguração da boate, tudo que queria era dormir mais um pouco.
— Me deixa dormir só mais uns minutos — implorei e voltei a fechar o olho.
— Infelizmente não posso deixar. — Ela tirou o edredom de cima de mim, eu bufei e a encarei.
— O que tá rolando?
— Alguém tirou uma foto sua na boate ontem, segurando a garrafa de cerveja do Yorkie, enviou para a imprensa e todos estão dizendo que você voltou a beber. Isso até superou a notícia do nosso noivado, quer dizer, mais ou menos, como eu tava do seu lado na foto estão falando que sou a responsável por você estar bebendo novamente.
— Caralho, nós dois não temos um dia de paz! — reclamei e esfreguei meu rosto, querendo me despertar de vez para o dia longo que sabia que teria de enfrentar.
Senti Bella sentar ao meu lado e mexer em meus cabelos. Tirei as mãos do rosto e as mantive sobre meu corpo.
— Você não precisa dizer nada sobre isso caso não queira, tá? Tanya pode soltar uma nota para a imprensa negando tudo.
Neguei com um aceno de cabeça.
— Sei que eu falando pessoalmente sobre será melhor, quanto tempo tem que essa mentira tá circulando por aí?
— Menos de uma hora.
— Cadê seu celular? Me deixa ler algo sobre.
Ela hesitou, mas tirou o celular do bolso de sua calça e entregou para mim. Eu pesquisei meu próprio nome no Google e cliquei no primeiro site falando sobre o assunto.
"Ed Cullen é flagrado bebendo."
Eles tinham sido muito capciosos, colocando uma foto antiga minha saindo bêbado de uma festa no topo da matéria. Mesmo com a data pequena no cantinho da imagem — "Ed Cullen deixando boate bêbado em 2016" —, a maioria das pessoas não ligaria para aquilo e acharia que era uma foto recente minha bêbado.
— Bando de filho da puta — reclamei e Isabella afagou minhas costas.
Eu li a matéria rapidamente, era bem curta, só falando que uma pessoa na boate tinha me flagrado bebendo — era onde a foto que eu segurava a cerveja de Eric, com ele e Isabella perto de mim, aparecia —. Eles tinham também uma falsa preocupação na matéria sobre meu estado, o que só reforçava como a mídia era uma grande bosta.
— O que tenho que fazer? — perguntei devolvendo o celular para Isabella.
— Uma live no Instagram explicando a verdade por trás dessa foto, dizendo que Eric estava deixando a área vip e fez você segurar a garrafa, mas que não bebeu nada. Tome um banho, ok? Vou descer para comer algo e quando voltar gravamos isso.
— Ok — resmunguei.
— Ed, você não fez nada de errado.
— Eu sei, mas é uma merda que as pessoas não acreditem nisso e que um qualquer na nossa própria boate saiu por aí espalhando foto minha assim. Algum sinal de quem é essa pessoa?
— Nada, vendeu direto para os sites de fofoca. Não vale a pena montar uma caçada. Vai tomar banho. — Beijou minha bochecha. — Vou te trazer algo para comer também.
***
A internet estava um verdadeiro caos, principalmente depois da live que fiz falando sobre a foto da boate. Algumas pessoas acreditaram em mim, outras não e elas estavam entre si discutindo sobre. Também tinha gente discutindo sobre meu noivado, muita gente falava que Isabella estava me forçando a casar com ela e isso me dava nos nervos.
— Ei — chamei Isabella quando acabamos de ensaiar Johnny Cash aquela manhã, ela iria se encontrar com Tanya para almoçar, eu iria para casa almoçar com meu pai, o que na verdade seria uma conversa e já estava me deixando tenso. — Vamos postar uma das fotos que Arthur tirou no hotel para falar sobre o noivado? Só Tanya postou ontem em nossas redes para a publicidade com a Harry Winston. — De resto só tínhamos postado fotos juntos falando sobre a boate nos stories do Instagram.
— É uma boa ideia. — Ela sorriu para mim. — Mas preciso ir até o seu camarim vomitar primeiro.
Eu gargalhei e fui com ela até lá, depois que Bella fez o que tinha de fazer sentamos juntos ao sofá e escolhemos uma foto.
Nela Isabella usava um vestido vermelho, eu roupa social toda preta. Ela estava na minha frente, eu tinha uma mão sobre sua barriga e ela segurava na minha mão. O outro braço dela estava apoiado em meu corpo e sua mão esquerda no meu pescoço, nós dois estávamos sorrindo e de olhos fechados.
— O que vai escrever? — perguntei para ela.
— Não sei, mas não vou te dar cola, pensa sozinho, como um treino para nossos votos.
— Linda, eu vou arrasar nos nossos votos — declarei e ela bufou.
— É, você sempre se sai melhor nessas coisas que eu, vai acabar tendo os melhores votos mesmo.
— Pelo menos você é esforçada — provoquei e apertei sua bochecha.
— Para, Cullen! — Afastou minha mão. — Foca no que você tem que fazer.
— Tá, tá!
Ficamos em silêncio por algum tempo, quando acabamos trocamos de celular e lemos a publicação um do outro.
A dela dizia:
"Ele com certeza está escrevendo um texto muito melhor que o meu para falar sobre nosso noivado, mas eu ainda posso me gabar por ter feito o pedido primeiro, não? Não que o meu pedido tenha sido tão bonito quanto o dele, acreditem, o dele foi incrível mesmo que eu tenha estragado seus planos de um pedido em pleno Natal. Enfim, o que importa é que estamos noivos e grávidos.
Eu amo você, Pirralho. Obrigada por ser o melhor parceiro de vida, estou tão animada para o grande dia e isso se deve ao fato de que será você o noivo.
Por favor, seja um noivo bonzinho e leve donuts para casa mais tarde."
A minha legenda dizia:
"Ela estragou meus planos de pedido de casamento perfeito, eu estava com tudo planejado para o Natal, mas ela simplesmente me pediu em casamento no meio de uma madrugada de novembro. Obviamente eu disse sim, porém obviamente também fiquei chateado por ela ter sido apressada e jogado minha surpresa pelo ralo.
Mas o que posso dizer? Tudo para a gente nunca seguiu como planejado, né? Quando tínhamos algo em mente rolava alguma coisa e os planos mudavam. Só que isso nos ensinou a lidar com todos os obstáculos, até aqueles que não estávamos esperando no meio do caminho.
E eu amo isso, amo como o mundo pode estar uma grande confusão, mas nós dois nos unimos para passar por isso. Agora nosso próximo grande obstáculo é planejar um casamento, ela não aceitou minha ideia de arcos de balões como o feito por Holt em Brooklyn Nine-Nine, ela não acha elegante, eu acho muito legal e depois da festa poderíamos espetar todas as bexigas.
Enfim, ainda vamos debater mais sobre decoração de casamento e nomes para nosso bebê. Eu nunca estive tão feliz — mesmo com as divergências de opiniões — quanto estou agora, obrigado por dividir essa felicidade comigo, noiva. Amo você."
Isabella bufou e devolveu meu celular.
— Não dá pra superar você, Ed. Meus votos serão ridículos.
— Vou fazer um muito bom por nós dois, Capitã — provoquei mais e ela acertou um tapa no meu braço.
***
A mesa estava pronta, Rosalie tinha pedido almoço para Carlisle e eu e assim que cheguei ela caiu fora. Talvez fosse melhor ter ela ali, para caso eu surtasse, mas ainda era necessário que ele e eu tivéssemos aquela conversa sozinhos.
Mas, por via das dúvidas, Emmett que estava no comando da segurança aquele dia estaria no anexo da casa e pronto para ajudar em qualquer caso. Eu esperava que isso não fosse necessário, não pretendia acabar aquele almoço sendo o melhor amigo de Carlisle, mas só não perder o controle já seria uma vitória para mim.
Quando o interfone tocou eu respirei fundo, esfreguei uma mão atrás do pescoço tentando diminuir a tensão e fui atender. Liberei a entrada de Carlisle no condomínio e fui abrir o portão da mansão, logo o táxi que ele estava chegou e meu pai saiu do carro.
— Oi, Edward — me cumprimentou com hesitação na voz quando chegou perto da porta. — Como você está hoje?
— Bem, entra.
Ele entrou, eu fechei tudo quando o taxista saiu e mandei Carlisle me seguir até a cozinha. A casa estava bem vazia, Bella tinha mandado todos os cães e gatos para o pet shop para um dia de banho e os pegaria de noite.
— Rosalie pediu comida italiana pra gente, tem nhoque, sabemos que você gosta bastante.
Ele deu um pequeno sorriso.
— Você também gosta.
— É, tanto faz.
Ele suspirou e sentou em uma cadeira, eu fiquei em pé apoiado no encosto de outra.
— Cadê a Emma? — questionei.
— Em Bath, trabalhando.
— E como conseguiu sair do hospital?
— Eu tirei férias.
Assenti, enquanto mordia o interior da minha bochecha.
— Não fiz isso muito nos últimos vinte e três anos, eu sei.
— É, pois é, não fez.
— Eu lamento por isso, Edward.
— Tanto faz.
— Você vai entender quando seu filho nascer, vai querer sempre dar o melhor para ele e vai focar no trabalho para tornar isso possível.
— Considerando o dinheiro que já tenho posso me aposentar agora e nunca mais precisarei trabalhar, poderia ficar com meu filho vinte e quatro horas por dia. — Lancei um sorriso sarcástico para Carlisle, que suspirou alto. — Mas eu também amo muito minha carreira para simplesmente a interromper no meio, sabe? Então, eu vou ter que dar meu jeito e não deixar nenhum dos lados ser afetado, você pode me ensinar a fazer isso, não é, papai? — Debochei.
— Pensei que teríamos uma conversa mais tranquila, Edward. Sem provocações.
Meus ombros caíram, mas assenti e sentei também.
— Foi mal, mas você não pode me culpar por estar na defensiva.
— É, sei que de nós dois eu fui quem mais errou ultimamente.
— Sim, você nem quis saber como eu estava quando um maldito terrorista quase explodiu meu show. — Comecei a chorar e desviei o olhar para a travessa com nhoque.
— Isso foi um grande erro, Edward. Lamento muito por isso, mas eu estava tão… Eu estava com tanta raiva de você, também sentindo que tinha falhado na sua criação.
— Por eu ser bissexual? — Eu ainda encarava a comida e chorava.
— Sim, também por você estar fingindo namorar uma mulher e estar de caso com outra. Mas sim, especialmente pelo o que me disse sobre gostar de… — Ele se interrompeu, eu o encarei. — Outros homens — completou. — Não fui criado para ver isso com bons olhos, meus pais repudiavam isso e eu cresci sendo ensinado a repudiar também.
— Eu sou seu filho — murmurei. — Que poderia ter morrido em um atentado terrorista, mas o fato de eu ter atração por outros caras foi maior que qualquer outra coisa.
— Eu nunca vou me perdoar por não ter lhe procurado depois do que aconteceu em Berlim. Também não vou esperar que me perdoe por isso, mas me desculpe por não ter buscado por notícias suas diretamente com você.
— Você está certo, nunca vou te perdoar. — Engoli em seco.
— Edward, eu ainda não estou confortável sobre você ser bissexual…
— Quando eu te contei queria que você me aceitasse por completo, sabe? Queria que me amasse como eu realmente sou. Mas você agiu como se eu tivesse cometido um crime hediondo, quando não fiz nada de errado. Você e eu deveríamos ter estreitado nossa relação ali, não tinha falado sobre nem com mamãe e Rose, mas te contei primeiro e era para você falar que isso nem deveria ser algo que eu deveria me preocupar dentro da minha própria casa, com a minha própria família e que iria me ajudar com tudo, mas você virou as costas para mim, como sempre fez. Toda vez você me lança esses olhares de julgamento, eu já recebo isso diariamente de gente que não me conhece de verdade e dói muito, mas dói muito mais quando vem de você, Carlisle.
Calei a boca, encostei a testa na mesa e fiquei ali só chorando. Ouvi meu pai levantar e andar até mim, então sua mão tocou minhas costas e ele disse:
— Eu deveria ter sido um pai muito melhor, nunca vou poder consertar tudo que fiz de errado, mas pretendo mudar.
— Você não vai mudar, no meu próximo erro irá me dar um sermão e me julgar, vai tentar culpar a mamãe por isso também, ou minha noiva. E eu não estou dizendo que é pra você louvar meus erros, sei que faço um monte de merda, mas algumas vezes teria sido bom ter você lá me ajudando a consertar os danos.
— Edward, olhe pra mim.
— Não!
— Juro que vou mudar, filho.
— Não importa, não quero mais você na minha vida. Sempre que você aparece eu fico assim, não aguento mais ter crises por culpa do meu próprio pai. E como seria? Você odeia minha carreira, odeia minha noiva, odeia cada parte de mim, caralho é capaz de odiar meu filho que ainda nem nasceu.
— Edward, por Deus, não, eu não seria capaz de odiar seu filho. Pelo contrário, quando fiquei sabendo que você seria pai foi quando percebi que precisava consertar as coisas, pensei em quando você nasceu, pensei em todos nossos bons momentos juntos…
— Nossa, todo os três?
— Edward, olha pra mim — insistiu e eu olhei. — Eu amo você, sei que não fui bom em demonstrar isso, mas te amo, filho. E sim, não aprovo sua carreira, falei besteiras sobre sua noiva e vou precisar tirar de dentro de mim meus preconceitos, mas eu realmente te amo, nunca deixei de amar e sempre vou amar.
Ele se ajoelhou ao lado da cadeira que eu estava.
— Você é meu filho, o garotinho que amava tocar piano e assistir Shrek incontáveis vezes. — Eu solucei. — O garoto com a voz mais bonita do coral da igreja.
— Stuart Ranson tinha a voz melhor — sussurrei. — O que raspava a cabeça. — Carlisle riu e eu dei um pequeno sorriso.
— Você será um excelente pai, Edward — disse. — Diferente de mim você sabe expressar o que sente muito bem.
— Acho que isso só veio com a terapia. — Funguei. — E eu não vou ser um bom pai, meu filho vai acabar tendo todos meus defeitos.
— Você será sim. — Tocou no meu rosto. — Você já é, vi sua entrevista para aquele canal no YouTube, vi suas mensagens falando sobre o bebê com a Isabella, você já é um pai maravilhoso e isso só vai se expandir.
Eu me levantei, ele se afastou e me deixou sair de perto da mesa. Fiquei andando pela cozinha, tentando arrumar meus pensamentos e acalmar meu corpo, Carlisle tinha sentado e olhava pacientemente para mim.
— Você está tomando remédios?
— Não, mas precisei tomar no sábado, talvez eu tenha que voltar a tomar. Meu psiquiatra vai decidir.
— Entendo.
— Mas estou seguindo à risca a terapia, também estou firme em me manter limpo.
— Eu sei e vi que tentaram te acusar de estar bebendo de novo.
— Com certeza não estou. Caralho, eu não posso estar bebendo de novo durante a gestação, nem estar drogado quando meu filho nascer.
— É um menino?
— Vamos descobrir na quarta. Mas isso não importa pra valer, tá? Menino, menina, tanto faz. Meu filho não vai nascer cercado por preconceitos, por isso você não deve estar perto se for encher a cabeça da criança deles.
— Eu não vou.
— E você tem que se desculpar com Isabella, foi um filho da puta com ela. E se ela não quiser olhar na sua cara, ou for querer você longe do nosso filho eu vou apoiar minha noiva por completo. Quanto ao casamento, não acho que deva estar lá, mas vou pensar sobre isso com ela. Enfim, nem sei se você estará aqui até o casamento, vai ser no dia quinze.
— Eu tenho licença do hospital até dia dezoito.
— Vai passar as festas de fim de ano com Emma?
— Sim, vamos para Londres. Mas…
— Eu não quero passar com você! — exclamei. — Isabella e eu estaremos em Nashville. Veja se Rose quer ficar com você, mas eu duvido se Emma estiver junto. — Parei de andar e falei. — Emma seria o nome do bebê se fosse menina, mas você também arruinou isso para Isabella e para mim, já que sua noiva tem esse nome.
— Sinto muito.
— É, sinta. — Voltei a andar. — Você já vendeu a casa de Bath? Quando vai casar com a Emma?
— Vamos casar em janeiro, não terá festa, só um jantar. E eu não vou mais vender a casa, irei passar ela para você e Rose. — Aquilo me fez parar.
— Sério?
— Sim, é a casa de infância de vocês. Sabia que um dia desses atendi uma mulher e a filha dela disse que a casa um dia iria virar um museu para te homenagear?
Eu ri e balancei a cabeça.
— O bebê vai nascer nos Estados Unidos?
— Sim, aqui em Los Angeles, é o lugar certo.
Ele concordou com um aceno de cabeça.
— Por que não bebe água e vem comer um pouco, Edward? Ainda vai ter mais ensaio hoje, não?
— Sim. Como sabe?
— Tenho usado muito a internet para saber sobre você. — Deu um sorriso culpado.
— Bom, da próxima vez fale comigo diretamente.
***
Isabella colocou mais um pedaço de donut na boca e deixou alguns farelos caírem sobre seu notebook, ela reclamou e limpou. Depois voltou a me mostrar cadeiras para o casamento, todas brancas que pareciam muito iguais para mim.
— Você precisa me ajudar a escolher — insistiu.
— Capitã, pra mim parece tudo a mesma coisa, vamos escolher aleatoriamente que vai dar no mesmo.
Ela me lançou um olhar feio.
— Você precisa me ajudar a decidir as coisas do casamento, Edward.
— Eu sei, eu sei. Foi mal, o dia pareceu ter cinquenta horas.
— O meu também foi muito longo e estressante, mas vamos casar em poucos dias e precisamos fazer isso acontecer direito.
— Nós vamos, vou me esforçar mais. — Beijei a lateral da sua cabeça. — Eu gosto dessa que tem formato de coração. — Apontei para a tela do notebook e Bella fez uma careta. — Não?
— Não!
Eu ri, mas parei quando ela perguntou:
— Vamos convidar seu pai ou não?
— Você vai decidir isso, tá? Depois que falar com ele amanhã. — A careta dela aumentou. — Se você não quiser falar com ele não precisa, sério.
— Não, eu falo com ele. — Suspirou. — É seu pai e ainda vou herdar o sobrenome dele, melhor tentar manter uma relação minimamente boa que seja. Pelo menos ele está se esforçando para tentar melhorar as coisas entre vocês.
— Você não precisa da Renée — eu disse sabendo bem sobre o que ela estava se referindo.
Bella assentiu e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha.
— Sei que não preciso. Vamos mudar de assunto, escolhemos as cadeiras amanhã.
— Quer falar mais sobre Renée?
— Com certeza não. É sobre a madrinha do Donut, aquelas três não param de falar sobre isso e sobre o chá de revelação também.
— E se a gente sortear o nome de quem vai ser a madrinha? Aí ninguém vai poder ficar chateado com um sorteio.
Bella gargalhou.
— Você quer é ver o circo pegar fogo, Betty.
— Vai me dizer que consegue escolher entre uma delas?
Ela negou.
— Eu não consigo, uma é minha irmã, outra minha melhor amiga e outra minha cunhada. É impossível decidir sem saber que duas delas vão ficar tristes. Quer saber? Vamos ter três filhos, cada uma vira madrinha de um, problema resolvido.
Foi minha vez de gargalhar, mas Bella não riu junto.
— Espera, você tá falando sério? Quer ter três filhos? Não era você que estava dizendo que só teria um graças aos efeitos da gravidez no seu corpo?
— Sim, mas em minha defesa, no sábado quando estava com minhas irmãs fiquei pensando como teria sido chato ser filha única e cheguei a conclusão de que Donut vai precisar ao menos de um irmão. Você é novo, vai dar conta de mais um, né? Não estou te forçando a aceitar, mas pensa bem, seria legal ter dois e já que estamos pensando em aumentar o número, um terceiro fecharia a conta bem.
— Precisamos decidir isso agora? Podemos ter o primeiro antes para decidir sobre ter mais, né? Mas, sendo franco, eu também acho que teria sido chato ser filho único e que Donut merece alguém para chamar de irmão.
Bella assentiu sorridente.
— Certo, vamos esperar o bebê Donut nascer e depois decidimos sobre ter mais ou não. E quanto a escolha de madrinha?
— Eu tô falando sério, vamos sortear. — Peguei o notebook dela e coloquei em um site de sorteio online. — Rosalie vai ser o número um, Tanya o dois, Ness o três.
Configurei tudo e disse:
— Conta até três para eu apertar o botão de sorteio.
— Um, dois, três!
Apertei o botão e o número dois apareceu na tela, Bella soltou um gritinho.
—Tanya vai ficar maluca quando souber.
— Ei, podemos fazer um sorteio online para decidir o nome.
— Nem pensar. — Ela abaixou a tela do notebook. — Vamos contar agora?
— Por que não deixamos as três organizarem o bendito chá revelação? Pode ser um almoço na quarta, aí depois de descobrirmos o sexo contamos para Tanya que ela foi sorteada.
— Fechado. — Bella concordou. — Amanhã mando mensagens sobre o almoço para elas. Espera, Santiago vai ser o padrinho?
— Vai, né? Pensando bem esse sorteio facilitou pra gente, podemos largar Donut com os padrinhos quando ele estiver enchendo nosso saco e os dois vão saber bem o que fazer por terem bastante experiência sendo pais.
— Ouviu, Donut? — Bella falou com sua barriga. — Canse nossa paciência que vamos mandar você pra casa dos Denali.
— Coitado, a Tirana de madrinha, sinto muito, Donut.
***
Acordei no dia seguinte com Woody dormindo perto de mim, isso me fez enrolar mais um pouco na cama porque fiquei mexendo com o gato até que ele acordasse e brincasse comigo. Porém, a diversão não demorou muito, Bella saiu do banheiro e mandou eu me apressar.
— Você precisa ensaiar, eu também e ainda vamos perder um tempo de ensaio falando com seu pai, então precisamos ser rápidos. Ah, hoje de noite podemos falar sobre o clipe de Garota? E já estou agendando com Laurent dias para você gravar a música, fora que o álbum da Kate começa a ser gravado na semana que vem e você iria produzir…
— Bella, respira, você tá falando muito rápido.
Ela assentiu e respirou.
— Só vai se arrumar logo. E eu tirei uma foto do Woody dormindo com você, posso postar?
— Claro, ele entrou aqui de noite?
— Não, eu acordei mais cedo, tive umas ideias de vestido para o casamento e desci para ver algumas coisas sobre na internet enquanto comia algo, ele invadiu o quarto, sabe que é uma peste… — Ela se interrompeu e voltou para o banheiro.
— Enjoo?
— Xixi!
***
Bella bebeu mais um gole de água e sentou no sofá ao meu lado, eu não conseguia parar de mexer a perna direita e ela segurou em minha coxa fazendo com que eu parasse.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Você quer mesmo falar com ele de novo tão cedo, Ed? — ela me perguntou.
— Quero, quero sim — respondi.
Carlisle e eu não tínhamos conversado muito mais no dia anterior, comemos em um grande silêncio que só era quebrado quando ele me fazia uma pergunta ou outra sobre o festival que eu iria tocar e a boate.
Uma batida na porta fez com que Isabella se sobressaltasse e tirasse a mão de mim, abriram a porta e vimos uma das assistentes da produtora que estava ficando no estúdio onde os ensaios acontecia e onde estávamos naquela manhã.
— Ed, seu pai está aqui.
Assenti e falei:
— Você pode deixar ele entrar.
Isabella e eu levantamos, então meu pai entrou no camarim.
— Carlisle, olá! — ela tomou a iniciativa e o cumprimentou, estendendo uma mão para ele apertar.
— Olá, Isabella — falou com ela.
— Pode me chamar de Bella — disse desfazendo o aperto de mão, ele concordou com um aceno de cabeça.
— Oi, filho. Como você está hoje? — falou comigo.
— Bem — respondi e me permiti o abraçar. — Hum, temos alguns lanches aqui, eu não estava com vontade de pedir almoço e… Enfim, quer um sanduíche?
— Eu quero pedir desculpas pela forma como te tratei da última vez que nos encontramos, Bella — ele ignorou minha pergunta e falou com ela, minha noiva cruzou os braços na frente do corpo e o encarou com seriedade. — Fui muito grosseiro e desrespeitoso.
— É, você foi — ela falou. — E sendo sincera, não vou aceitar suas desculpas, Carlisle. Pelo menos ainda não. Mas, diferente da forma que me tratou daquela vez, sem nenhum pingo de respeito, eu tenho mais educação e vou manter uma relação respeitosa entre nós dois, em favor ao fato de você ser pai do meu futuro marido e avô do meu filho. Mas eu juro que se você fizer algo que machuque Edward, ou que trate meu bebê minimamente mal que seja, cuidarei para que nunca mais chegue perto de nenhum de nós, você me entendeu?
— Sim — respondeu. Ela olhou para mim e falou:
— Por mim ele pode estar no nosso casamento.
— Certo, você está convidado, pai.
— Eu estou falando sério, Carlisle, não precisa gostar de mim, mas Edward é extremamente importante para mim e nosso filho não vai crescer perto de um avô preconceituoso. Ou você muda mesmo, como prometeu para seu filho ontem, ou volta pra Inglaterra hoje mesmo.
Sério, ele assentiu.
— Sanduíche? — Tornei a perguntar tentando amenizar o clima pesado.
***
Mais tarde naquele dia eu estava jogado no chão do camarim, tinha sido um longo dia de ensaios. Para completar meu pé que tinha quebrado no ano anterior estava doendo pra caralho.
— Ei, Cullen! — Jasper entrou no camarim e riu quando me viu no chão. — O que você está fazendo aí?
— Estou com dor no pé — me queixei.
— Quer ir ao médico?
— Não, já falei com meu fisioterapeuta, ele vai passar aqui para dar um jeito nisso. — Balancei o celular em minha mão.
— Beleza, vamos sair pra comer depois?
— Pode ser — respondi e comecei a mexer no celular, enquanto Jasper sentava no sofá e tocava em seu violão.
Entrei no Instagram e vi de novo a foto que Isabella tinha postado minha com Woody aquela manhã, a legenda dela dizia:
"Tão tranquilos dormindo, nem parece que quando estão acordados faltam colocar a casa abaixo."
Assim como no meu Instagram, Bella também tinha desativado os comentários de suas fotos. Sendo assim, eu não vi ninguém xingando por ali.
Fiquei mais algum tempo rodando pelo Instagram, até postei um story de Jasper tocando e uma foto minha largado no chão. Depois entrei no Twitter e fiquei procurando publicações sobre o festival que eu tocaria em alguns dias, até respondi algumas fãs brasileiras, me virando com a tradução do Google.
— Fizeram uma fanfic minha com a Bella, quer dizer, não deve ser a primeira, mas é a primeira que eu vejo — falei para Jasper vendo o link que uma fã brasileira, mas que estava escrevendo a história em inglês, mandou para mim.
— Lembra a primeira fanfic sobre sua vida que você leu?
— Lembro, você tava comigo no dia que encontrei. Eu era um alienígena, caralho, inesquecível. Ainda não entendo porque as pessoas amam escrever fanfic, principalmente uma que gente normal vira alienígena.
Jasper riu e continuou tocando, eu resolvi arriscar e abri a fanfic. A sinopse não era lá muito boa.
"Dois corações perdidos se encontram para o amor."
A foto de capa era a minha com Bella que postamos na segunda para falar sobre o noivado. Comecei a ler a fanfic e já no prólogo tive uma péssima surpresa.
— Puta merda! — gritei.
— O que aconteceu? — Jasper questionou.
— Paul e Isabella se beijando, foi o que aconteceu!
— Quê? — Ele parou de tocar e me olhou confuso.
— Ele aparece no prólogo, aparentemente a fanfic tá contando a história da Bella antes de me conhecer. Não vou mais ler essa merda mesmo.
Deixei o celular de lado, mas fiquei resmungando sobre aquela história. Era ridículo, mesmo em uma ficção e ainda que só para falar sobre o passado de Isabella, que ainda colocassem ela junto de Paul.
— Oi, Ed! — Tanya surgiu no camarim, ela esteve durante os ensaios daquela para gravar alguns vídeos e tirar umas fotos. — Por que você tá no chão com cara de bunda?
— Isabella está com Paul.
— Jasper! — chamei a atenção dele, Tanya indagou confusa:
— O que está rolando?
— Li uma fanfic que falava um pouco sobre Bella e Paul juntos — respondi, Tanya bufou.
— Não temos tempo pra isso, Ed. Levanta daí, temos que falar sobre algumas coisas do festival.
***
Na volta para casa, sozinho no banco de trás. Eu entrei novamente no Twitter, rodei um pouco vendo o que os fãs estavam falando, mas acabei indo parar no perfil de Paul.
Para completar ele estava, ou alguém de sua equipe, respondendo perguntas de fãs na rede social.
"Pretende ter filhos com Julia?"
"Com certeza, queremos pelo menos dois!"
"Quais são seus próximos planos para a carreira?"
"Vários planos, mas por enquanto segredo."
Eu fui lendo mais algumas perguntas que estavam enviando para ele, até que cheguei em um assunto não respondido pelo Lahote.
"Fala sobre o Escândalo Swan-Cullen."
— Arg, não!
Voltei para a página inicial do Twitter e vi que o perfil de uma revista sensacionalista, Hollywood News, tinha acabado de postar uma notícia falsa sobre Isabella e eu.
"Isabella Swan sofre aborto espontâneo."
A primeira pessoa comentando sobre aquilo foi uma fã de Leah, que disse:
"Fico feliz que isso tenha acontecido, quem sabe agora o Ed larga essa parasita da Swan."
Eu compartilhei a notícia do Hollywood News escrevendo:
"Isso é uma mentira, Isabella e nosso bebê estão bem. Peço que as pessoas que estão desejando que coisas ruins assim aconteçam passem a ter mais empatia com outros seres humanos."
***
Eu acordei cedo na quarta-feira, deixei Bella dormindo e fui correr pelo condomínio com Chris, meu personal. Quando voltei a casa já estava extremamente barulhenta, Ness, Tanya e Rosalie junto com minha mãe organizavam tudo para o almoço onde o sexo do bebê seria revelado.
— Pegamos o resultado! — Tanya gritou quando me viu.
— E vocês já sabem? — indaguei ansioso.
— Não sabemos — ela respondeu cabisbaixa. — A única pessoa que sabe é a atendente da Dunkin' Donuts que nos atendeu.
— Espera, como?
— Tivemos a ideia de revelar através de uma caixa de donuts! — Ness exclamou.
— Mas mudamos um pouco as coisas — Rosalie se manifestou. — Se os donuts forem azuis será uma menina, se forem rosas um menino.
Eu ri.
— Inovador. Mas espero que essa atendente não vaze a informação.
— Ela não vai — Tanya garantiu. — Agora sobe, toma banho e acorda a Isabella. Nós vamos continuar arrumando tudo aqui.
— Tá bom, Tirana.
Subi para o quarto, Bella ainda estava lá dormindo e eu não resisti em tirar uma foto dela dormindo, toda bagunçada na cama. Talvez ela não gostasse disso, talvez quisesse me matar, mas eu postei a foto com a legenda:
"Ela também é um anjinho quando tá dormindo, mas acordada…"
***
Bella estava nas nuvens com a decoração do almoço, as meninas tinham feito tudo com o tema donuts e estava mesmo bonito. Além das três, Bella e eu, estariam no almoço o pai dela, Carmen, Santiago, Tina, Alice, Jasper, Emmett fugido do posto de segurança e meu pai, que parecia muito deslocado ali, principalmente pelos olhares irritados que mamãe lançava para ele.
— Edward, a foto que você postou minha! — Bella surgiu perto de mim com o celular na mão.
— Ontem você postou uma minha dormindo também.
— Diferente, naquela você tava bonito, na minha eu tô um caco.
— Tá nada, você é linda! — exclamei e tentei a beijar, mas ela se esquivou.
— Sem beijos pra você.
— Ei, sem discussão — minha mãe exigiu passando pela gente com mais comida para a mesa montada no quintal.
— Ok, só um beijo. — Bella tocou seus lábios nos meus rapidamente.
Nós seguimos para fora de casa e Tanya perguntou:
— Vocês querem almoçar primeiro ou descobrir o sexo antes?
— Eu não tô nem com fome! — exclamei.
— Descobrir! — Bella exclamou e tocou na sua barriga.
— Ok, mas vão tirar algumas fotos antes, o Arthur chegou. — Ness apareceu com o fotógrafo.
— Não aguento mais esperar — Bella choramingou.
***
Depois de um milhão de fotos, pausas para Bella vomitar e fazer xixi, ainda uma crise de choro de Tina que queria pular na piscina, finalmente paramos para descobrir o sexo. As meninas tinham montado uma mesa principal e colocaram a caixa lacrada com os donuts que revelariam o sexo do bebê ali.
— Lembrando que aqui azul será menina e rosa será menino! — Ness exclamou e Rose entregou uma faca para Bella abrir a caixa, vi meu pai fazer uma careta pela fala da minha cunhada, mas ele ficou calado.
— Pronto? — Bella perguntou baixinho para mim.
— Pronto, eu amo você! — Beijei sua cabeça e segurei a faca junto com ela para rompermos o lacre da caixa e descobrirmos o sexo do bebê.
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