Hollywood
64 Capítulo Sessenta e Três
Notas iniciais
Capítulo Sessenta e Três
Isabella Swan
"Isabella Swan comemora seu aniversário com grande festa."
Eu amava meu aniversário, não tanto quanto Edward que era fascinado pelos seus, mas ainda assim gostava muito dos meus. Porém, a cada ano se tornava um pouco menos legal por estar vendo minha idade aumentar cada vez mais.
Estava ficando velha, isso era uma merda.
***
Acordei com meu despertador tocando naquele domingo, me amaldiçoando por ter esquecido de desligar o alarme na noite anterior. Enfiei a mão debaixo do travesseiro, encontrando meu celular ali e desligando o alarme por fim.
Olhei para o lado, vendo que eu tinha companhia na cama, Shrek. Sorri para o cachorro e afaguei seu pelo, naquele momento morrendo de saudades do dono do animal selvagem.
— Bom dia! — saudei o cachorro. — Você dormiu bem?
Ele se remexeu na cama até estar mais perto de mim, eu sorri mais e continuei fazendo carinho nele.
— Você está com saudades do seu dono tanto quanto eu estou? — perguntei. — Só seis dias desde que estive com ele e já estou morrendo de saudades. Vamos manter ele em casa por muito tempo com a gente quando voltar da turnê — prometi para Shrek. — Enquanto isso você tem a mim, animal selvagem, mesmo que eu só tenha dormido aqui noite passada.
Eu precisei daquela folga na última noite, amava meu pai, mas ele era um terrível doente. Charlie teve apendicite, quando Carmen me ligou dias atrás foi para informar que eles tinham acabado de descobrir isso. Então, deixei São Paulo naquela mesma noite para estar perto do meu pai, mesmo que quando cheguei em Los Angeles a cirurgia já tivesse acontecido.
Minhas irmãs e eu estávamos desde então na casa de papai, que era irritante sobre as restrições que a recente cirurgia impunha a ele. Charlie estava enlouquecendo nós três, Carmen era a que mais conseguia controlar o homem chorão que ele estava sendo e eu tinha que agradecer minha madrasta por isso.
Na noite anterior eu deixei a casa dele e fui para a de Edward, com a desculpa que precisava checar Amy, mas estava mesmo querendo uma folga do meu pai reclamando sobre tudo. Tinha sido a noite mais tranquila para mim desde minha volta para Los Angeles, mesmo sem Edward ali comigo, que estava terminando aquela fase da turnê com Jéssica que foi me substituir.
Enrolei mais alguns minutos na cama, depois dei uma passada no banheiro e em seguida chequei minhas mensagens. Uma era de Alice reclamando que papai queria descer as escadas, uma de Renesmee dizendo que papai era uma criança se recusando a tomar um café da manhã nutritivo e uma de Edward de algumas horas atrás avisando que já estava em Bogotá, na Colômbia, sua próxima parada na turnê.
Capitã: Como foi o seu vôo?
Ele logo me respondeu.
Pirralho: Eu dormi.
Pirralho: Tava exausto depois do show de ontem. Você viu que jogaram uma calcinha no palco?
Revirei os olhos.
Capitã: Eu vi isso antes de dormir.
Pirralho: Foi tão engraçado!
Pirralho: E a calcinha tinha uma estampa da capa do meu álbum!
Capitã: Podemos não falar sobre calcinhas atiradas para você?
Pirralho: Você está com ciúmes de uma calcinha? De uma fã aleatória? Uma calcinha que nem fiquei??
Capitã: Não.
Pirralho: Você está sim. Eu vou mandar fazer para você uma calcinha como aquela, linda.
Pirralho: Será seu presente de aniversário!
Capitã: Eu acabo nosso namoro se meu presente for esse, Edward Cullen!!!
Pirralho: Você me ama, não vai terminar não.
Pirralho: Como foi a noite na minha casa?
Capitã: Foi boa, sua mãe fez comida pra gente ontem e até bolo de chocolate. Eu passei um tempo brincando com Shrek e Madonna antes de dormir, Amy estava entretida sozinha com o ratinho dela e sabe-se lá o que Woody estava fazendo por aí. Sei que foi realmente bom vir para cá, meu pai estava me tirando do sério.
Pirralho: Agora você sabe como me sinto.
Pirralho: Mas o Caipira tá bem?
Eu sorri ao ler sua mensagem.
Capitã: Tá sim, a recuperação da cirurgia tá ótima, ele só é chato em querer ter a mesma rotina de antes. Anteontem tava querendo levantar e fazer churrasco, ontem beber refrigerante e comer bacon. Ele também tá muito estressado pela pausa na gravação do álbum.
Pirralho: Acho que chegou a hora de mandar ele para um asilo…
Capitã: Vá se foder, Cullen!
Capitã: E eu vou descer e ver se ainda tem bolo para comer. Nós falamos daqui a pouco por chamada de vídeo?
Pirralho: Claro, linda. Vou logo ligando meu notebook.
Capitã: Até depois, amor.
***
Esme estava na cozinha quando entrei ali, com Shrek me seguindo fielmente, sentada ao balcão tomando seu café da manhã e cantando para si mesma. Eu podia ver Woody atacando a sua ração em seu pote, assim como olhando rapidamente para o quintal ver Madonna e Amy brincando lá fora.
— Oi — falei com Esme, que olhou para mim e sorriu.
— Bom dia, você dormiu bem?
— Dormi sim. — Sentei do outro lado do balcão. — Sobrou bolo?
Esme riu e se moveu até o outro lado da cozinha para pegar uma fatia de bolo pra mim.
— Valeu! — agradeci, já começando a comer quando ela me entregou o prato e tornou a sentar. — Rosalie ainda não acordou?
— Ela saiu mais cedo, ia para a praia correr com a Kate, lembra?
— Ah sim, tinha esquecido disso. Elas devem estar falando mal do Demetri juntas.
Esme revirou os olhos.
— Rosalie me contou sobre ele deixar Kate só em um hotel, idiota. Mas minha filha realmente parece feliz com Emmett, mesmo que não tenham nada sério ainda, ou sequer estejam no mesmo fuso horário. Falando em fuso horário falei com Edward hoje, estou com tantas saudades já.
— Por que você não viaja com a gente na próxima fase da turnê? Vai ser a última, Edward ia gostar de ter lá, sei que será um momento importante para ele concluindo a turnê.
— Eu não poderia ficar tantos dias longe de Los Angeles, não agora sendo presidente lá na ONG. Mas eu estarei em New York para o último show, certamente Rosalie irá também.
Ela abaixou o olhar e suspirou.
— Carlisle deveria ir também.
— A última vez que ele e Edward se viram não foi realmente boa — murmurei, ela assentiu e voltou a olhar para mim.
— Meu ex-marido sabe ser um idiota quando quer, eu queria que ele estivesse lá apoiando Edward, mas sei que meu filho estará mais tranquilo sem o pai por perto o deixando nervoso. — Ela passou a mão pelos cabelos e disse. — Vamos mudar de assunto, sei que seu aniversário está chegando, o que devo te dar de presente?
— Um bolo de chocolate?
Esme sorriu e assentiu.
— É, acho que será um bom presente. Está planejando alguma festa?
— Não, talvez só reunir algumas pessoas para um jantar ou festa na piscina quando Edward voltar da turnê. Foram semanas difíceis depois do que rolou com a Ness agora com meu pai, sem contar o que rolou comigo.
Esme esticou uma mão sobre o balcão e afagou a minha.
— Ainda está fazendo sua terapia, certo?
— Sim — respondi olhando para a mão dela sobre a minha. — Eu consegui escapar algumas vezes nos últimos dias da casa de papai para falar com minha psicóloga pessoalmente, mas ela insiste que eu deva procurar um psiquiatra e tomar remédios.
— Considere isso. — Esme afagou minha mão e retirou a sua. — O tempo que Edward passou tomando ano passado foi bom para ele, conciliando com a terapia.
— Eu vou pensar — murmurei.
— Certo, preciso ir agora, ou chegarei muito tarde à igreja. Vai passar o resto do dia aqui? — Se colocou de pé e contornou o balcão, ficando próxima de mim.
— Combinei de falar com Edward por vídeo daqui a pouco, só farei isso, passo na minha casa para pegar algumas roupas e volto pra batalha de lidar com papai.
— Ok, se precisar de algo me avise, querida — disse gentilmente, afagou meus cabelos e saiu.
Naquele momento eu invejei Edward, o invejei por ter uma mãe como Esme. E odiei ainda mais Renée, a odiei por não se importar comigo.
***
Edward estava usando óculos quando apareceu na tela do meu notebook, o que me atingiu em cheio.
— Oi, amor! — exclamei sentindo meu coração acelerar ao vê-lo. Edward estava sentado na sua cama de hotel, eu podia ver a cabeceira atrás dele e parte do seu tronco tatuado exposto pela falta de uma camisa.
— Oi, linda. — Ele sorriu para mim. — É bom ver seu rosto, estava quase me esquecendo dele.
— Não seja exagerado. Como está aí em Bogotá?
— Dez graus lá fora, mas agora falando com você está bem quente aqui dentro.
Eu gargalhei, ele sorriu mais.
— Estou morrendo de saudades, Capitã. É uma merda dormir sozinho, ou ter que ser acordado por um segurança. Nem quero falar sobre eu ter dormido pelado ontem e Emmett ter entrado no quarto para me acordar.
— Você acabou de contar! — eu exclamei. — Devo me preocupar com vocês dois juntos? Ou sua irmã deve?
Edward revirou seus olhos.
— Pelo menos ele não me pegou batendo uma no banheiro, o que tenho que dizer, parece um retrocesso quando eu tenho uma namorada.
— Não acho ruim me masturbar sozinha mesmo tendo você — declarei. — É bom mesmo assim, talvez um pouco melhor.
— Sei bem que não é melhor, você gosta mais de foder comigo do que se masturbar.
É, ele estava certo.
— Sinto falta da sua bunda, linda.
Eu sorri.
— Minha bunda sente sua falta também.
— Eu tive uma… — Edward se interrompeu rapidamente, ficando com uma expressão culpada no rosto. — Cadê o Woody? Aprontando muito?
— O que você ia falar? — perguntei desconfiada.
— Nada, esquece. Cadê o Shrek e a Madonna? E a Amy? Me mande fotos novas deles, ok?
— Edward, o que você ia falar? — insisti.
— Nada.
— Edward, fale!
— Você vai me odiar.
— Eu vou te odiar se você não falar.
Ele respirou fundo e falou rapidamente.
— Eu iria sugerir que tivéssemos sexo virtual.
Senti meu corpo enrijecer ao ouvir aquilo, assim como toda animação que estava sentindo até aquele momento desaparecer. Eu confiava em Edward, claramente sua ideia não tinha sido algo planejado e se interrompeu antes mesmo de falar dela, mas a ideia de estar nua diante de uma câmera me enlouquecia.
Não poderia correr esse risco, não queria mais um vídeo meu espalhado por aí.
— Podemos nos falar depois? — perguntei para Edward.
— Bella, me desculpa — ele pediu.
— Não estou com raiva de você, mas preciso ir ver meu pai.
— Você está claramente chateada, sabe que eu não te forçaria a fazer isso, ou qualquer outra coisa.
— Eu sei.
— Me desculpa, a ideia veio e eu não pensei sobre.
— Realmente preciso ir agora.
— Isabella…
— Estou bem, sério. — Forcei um sorriso para ele. — Aproveite que você só toca amanhã e tente descansar um pouco hoje. Tchau, de amo!
Antes que ele pudesse dizer algo eu tinha finalizado a chamada de vídeo.
***
Eu não conseguia parar de pensar sobre aquilo, ter sexo virtual com Edward, durante o resto do dia. Claramente a ideia me assustava, muito, mas a curiosidade em mim também se tornou presente conforme as horas iam passando.
Já tinha feito muitas coisas no sexo, mas nunca tive sexo virtual. Ter sido gravada por Paul não contava, afinal eu não sabia daquilo, e quando fiquei sabendo foi tudo menos prazeroso.
Mas, como seria ter aquela experiência? Especialmente com Edward. Eu conseguiria relaxar? E se algo vazasse por eu ser uma puta que não conseguia manter controle algum quando o assunto era sexo? Talvez eu devesse esperar Edward e eu nos assumirmos publicamente para tentar ter aquilo? Se algo vazasse depois eu pelo menos estaria tendo algo com meu namorado, nem estaria drogada.
Entretanto, algo dentro de mim implorava para fazer aquilo logo.
Porra!
— Ei. — Cutuquei Alice, estávamos perto da piscina na casa de papai, que estava dormindo naquele fim de tarde, enquanto Ness e Carmen estavam vendo TV juntas.
— O que foi? — Alice perguntou sem tirar os olhos do seu celular.
— Você já fez sexo virtual?
Ela me olhou chocada, falávamos sobre sexo abertamente, mas nunca falamos sobre aquilo por motivos óbvios.
— Fiz — disse ainda surpresa. — Na verdade, eu fiz há dois dias com Jasper.
— Sério?
— Sim… Quando fui para meu apartamento pegar roupas, bom, era para conseguir um orgasmo com Jasper. — Riu baixinho. — Ele é bom nisso.
— Você não acha estranho? Ficar nua na frente do seu computador.
Ela balançou a cabeça.
— Foi estranho da primeira vez que fiz isso, mas já tem anos desde então, eu definitivamente não sinto mais estranheza alguma.
— E você faz com Randall também?
— Não pelo computador, nem mando fotos, com ele só por ligação e mensagens.
— Por quê?
— Porque ele poderia armazenar fotos e vídeos e eu estaria fodida se um dia ele quisesse usar isso contra mim.
Claro.
— Olha, eu confio no Jasper mais que confio no Randall. Sei que eu não deveria por um ser só meu parceiro de foda. — Mentira, ela estava apaixonada por ele, mas eu não discutiria isso com Alice aquele dia. — E outro meu namorado, mas sabe que Randall me trai, então não confio nele cegamente. Se você confia no Edward acho que poderia fazer sexo virtual com ele.
— Isso não está em jogo — menti.
— Está sim — afirmou. — Ou você não estaria pedindo minha opinião sobre. Olha, sei muito bem o que aconteceu com você e como a ideia de estar exposta diante uma câmera deve parecer desesperadora, mas Edward é seu namorado e claramente confiam muito um no outro, deveria experimentar um dia.
Olhei para meu celular sobre minhas coxas, eu poderia mandar uma mensagem para Edward, dizer a ele que ligasse seu notebook para que pudéssemos nos divertir, só que não fiz isso. Não tinha coragem, não depois de anos sofrendo por um vídeo de sexo vazado.
Eu tinha a curiosidade, mas não tinha a capacidade de colocar meus medos de lado para experimentar.
— Bella? — Olhei para minha irmã. — Você não precisa fazer isso.
— Eu sei.
— Você pode ter algo por ligação, já é algo.
— Isso também pode vazar.
— Mas…
— Esqueça isso — pedi. — Vamos falar sobre outra coisa.
Ela concordou, e começou a me contar sobre uma história que Jasper lhe contou sobre quando ele fez um mochilão pela América do Sul anos antes.
***
Atendi a ligação de Edward mais tarde, estava no meu quarto na casa de papai depois de brigar com o cantor sobre ele não querer ter seu jantar na hora indicada pelo nutricionista.
— Você está certo — falei para Edward.
— Sobre?
— Colocar meu pai em um asilo, ele é um velho teimoso!
Edward gargalhou.
— Posso procurar por um em Nashville, bem longe.
— Faça isso! — implorei resmungando. — Sério, eu considero Carmen muito mais agora, só essa mulher para aturar esse homem.
— O asilo será providenciado — Edward disse rindo.
— E ele nem tem sessenta anos ainda, já pensou em como ele vai ficar mais teimoso quando mais velho? — choraminguei.
— Calma, ele já estará no asilo a essa altura. A Carmen pode ir visitar ele e vão brincar de Diário de uma Paixão.
— Você viu esse filme hoje? — Suspeitei.
— É, eu vi, estava entediado no hotel.
— Foi mal por mais cedo — falei.
— Tudo bem, sei que o assunto te incomoda.
— Podemos tentar no futuro — sussurrei.
— Não vamos falar sobre isso, vamos falar sobre o asilo para qual seu pai vai.
Eu amei mais Edward naquele momento por entender minhas limitações.
***
No dia seguinte minhas irmãs foram trabalhar, Renesmee estava voltando as suas gravações, o que era bom, apenas ruim por eu ser a única filha ali tendo de aturar Charlie Swan. Quando ele dormiu no meio da manhã, após me fazer ouvi-lo reclamar sobre política — já que ele estava com tempo de sobra para assistir os jornais —, eu segui para o estúdio da mansão querendo tocar um pouco.
No entanto, fui pega de surpresa quando entrei lá e vi Carmen tocando e cantando. Ela não tocava muito bem, mas sua voz era realmente bonita.
— Ainda dói. Saber que você se foi. Ainda dói. Saber que você nunca será meu — ela cantava e eu reconheci a melodia. — Deus, Bella! — exclamou quando me viu, levando uma mão até o peito.
— Não queria te assustar — falei, ela assentiu. — É a música que você está escrevendo para o álbum do meu pai?
— Sim — disse em um tom de voz frustrado. — Eu já reescrevi a letra mil vezes, seu pai já tentou me ajudar, mas simplesmente não consigo deixar do jeito que realmente quero.
— Não é um processo fácil.
— Você fez Berlim com Ed em dias.
— É, eu fiz. — Dei de ombros e já tinha feito outras em menos tempo. — Mas nem sempre é fácil.
— Pra mim é mais difícil do que para a maioria, sempre é — se queixou encarando o piano. — Acabei de receber uma ligação, estava tentando fechar um contrato com uma marca, mas fui dispensada, claro. Não consigo fazer mais nada desde que o maldito do Kevin Ford espalhou por aí sobre eu ter sido garota de programa, minha carreira está arruinada.
Eu engoli em seco, anos atrás, naquele mesmo estúdio chorava por minha própria carreira. Tive meu pai me incentivando a virar uma empresária depois, tive Tanya ao meu lado desde o começo daquela nova carreira, minhas irmãs também sempre me apoiaram, porém Carmen precisava mais do que apoio, ela precisava de alguém que realmente a erguesse.
— Eu vou ser sua empresária.
Carmen me encarou, olhos arregalados e boca aberta.
— O que você disse? — inquiriu incrédula.
— Serei sua empresária, ano passado você disse que queria investir na sua carreira de cantora, nós faremos isso.
— Is-Isabella — gaguejou, levantando-se do banco do piano. — Você está falando sério? — Eu podia ver suas mãos tremendo.
— Estou, nós iremos cuidar de contrato e tudo mais quando a turnê de Edward acabar.
Carmen gritou e correu até mim, me apertando em um abraço. Eu retribui o abraço, mas não por muito tempo, logo a afastando.
— Não vai ser nada fácil — deixei bem claro. — E você terá de realmente entrar nessa, se eu ver que estou perdendo meu tempo não vou hesitar em te tirar da produtora.
— Vou me comprometer, prometo! — A mulher estava exalando felicidade. — Preciso contar para seu pai, ele vai ficar louco de alegria.
— Não agora. Ele está dormindo, deixe aquele homem dormir, pode contar mais tarde. Volte a compor. — Apontei para o piano. — É bom mesmo que lance uma música primeiro antes de ter seu próprio álbum.
— Eu vou ter um álbum! — gritou novamente. — Isso parece um sonho.
— É, mas calma, nem sempre vai parecer um sonho — deixei bem claro, ela concordou com um aceno de cabeça. — Agora é sério, volte a compor.
— Faça isso comigo — ela pediu segurando minhas mãos. — Você é uma excelente compositora, pode ajudar seu pai e eu com esta canção.
— Carmen, não…
— Por favor — insistiu.
— Não tenho domínio nenhum sobre o assunto filhos, ou maternidade. — Nunca teria domínio algum sobre, não é mesmo? — Isso é com você, Carmen.
Soltei minhas mãos das dela e sai do estúdio, precisava respirar e pensar em outra coisa. Eu estava chegando à área externa da mansão quando meu celular tocou, o tirei do bolso da calça e atendi, era Alice.
— Oi.
— Eu estou noiva. — Todo o turbilhão de pensamentos em minha mente parou, tudo se concentrou em Alice naquele instante. — Randall fez o pedido hoje, ainda há pouco, em um brunch no estúdio com os pais dele e mamãe, toda a equipe.
— Você não pode casar com o Randall.
— Eu vou sim, quero isso, Isabella.
— Mas você está apaixonada pelo Jasper.
Ela respirou fundo, parecendo chorar um pouco em seguida.
— E Jasper está apaixonado por seu namorado, eu não ganharei nada sonhando com ele, mas vou ganhar tudo com Randall.
— Alice, pensa direito — implorei.
— Seja minha madrinha — pediu. — Fique ao meu lado.
— Eu não posso.
— Isabella!
— Você sabe que não posso, não irei fingir que concordo com esse casamento.
— Faça isso por mim! — ela gritou. — Eu estou sempre ao seu lado, retribuía.
— Não, não irei retribuir, sinto muito.
Ela desligou na minha cara.
***
Na véspera do meu aniversário Esme me chamou para jantar na casa de Edward, ela pediria sushi e me prometeu um bolo para o dia seguinte. Eu topei na hora, meu pai já estava mais fácil de se lidar — principalmente após saber que eu iria me tornar empresária de Carmen, ele inclusive queria fazer uma festa para comemorar, mas nós duas o proibimos —, mas sair um pouco da casa dele, que era basicamente o único lugar que eu via além do consultório da minha psicóloga e da produtora quando tinha de ir até lá, era bom.
Naquela noite do dia doze eu comi muito com Rosalie e Esme, enquanto víamos TV e depois apaguei na cama de Edward, após ouvir uma playlist com músicas do meu namorado, que naquele dia estava tocando no México. No dia treze Rosalie me acordou batucando na porta, era hora do café e Esme tinha feito seu bolo de chocolate para mim.
Nós comemos, elas me desejaram parabéns e até me deram presentes. Rosalie uma xícara que tinha mandado estampar uma foto de Amy e Esme um par de brincos. Fiquei realmente chocada em ganhar presentes delas, não esperava por isso, mas agradeci com rápidos abraços.
— Levarei a xícara para a produtora, eu adorei — falei para Rosalie. — Obrigada — agradeci e a abracei.
— Que bom que gostou — falou animada.
— Obrigada pelo presente também, Esme — eu disse para minha sogra, ela sorriu e me deu um forte abraço.
— Fico feliz que tenha gostado, querida. — Ela tocou meu rosto e me abraçou por mais um tempo antes de me soltar. — Espero que tenha um dia maravilhoso!
Não seria tão bom sem o filho dela ali comigo.
***
Depois da entrega de presentes Rosalie foi para faculdade — ela ainda estava fazendo cursos lá em sua área de educação —, e Esme para a ONG que administrava. Eu teria de ir para a produtora resolver algumas coisas, almoçaria com minhas irmãs — que não poderiam ir para o jantar que Carmen e papai dariam para mim na mansão, onde Santiago e Tanya iriam — e naquela tarde após o almoço eu teria de ir a terapia, depois ao spa com Tanya, o que era o presente dela para mim.
Por isso, antes de sair da casa de Edward liguei para ele. Logo o Cullen estaria voando da Cidade do México para a Cidade do Cabo e eu sabia que teríamos de nos falar logo e como ele ainda não tinha me ligado resolvi ligar de uma vez.
— Alô — ele atendeu com a voz entediada.
— Oi, pirralho. Você não pretendia me ligar? — perguntei o provocando, ele riu.
— O que foi? Está se sentindo como eu no meu aniversário, desprezada, sozinha, sem a pessoa que você ama te dando parabéns?
Eu tive de rir ao escutar aquilo.
— Não sou tão sensível quanto você, amor — brinquei, porque no fim das contas talvez fosse mais sensível do que ele. — O que você tem?
— Eu estava com Leah, tirando fotos, fazendo vídeos bobos para o Instagram, sabe que isso me deixa puto.
É, eu sabia muito bem.
— Enfim, parabéns, linda! — falou animado daquela vez. — Prometo que vamos comemorar seu aniversário quando eu estiver em Los Angeles em alguns dias.
— Logo mais. — suspirei.
— Preciso desligar agora, tem uns fãs na porta do hotel, Tanya falou comigo e me mandou ir tirar fotos e dar autógrafos antes de eu sair para o aeroporto.
— Certo, tudo bem — concordei. — E meu presente? — indaguei antes que ele desligasse.
— Você o terá quando eu estiver em Los Angeles — garantiu, aquilo me fez resmungar.
— Me dá pelo menos uma dica do que é — implorei.
— Não, você terá de lidar com a curiosidade. Tchau, te amo.
— Ed… — Ele desligou antes que eu acabasse de falar seu nome.
***
O almoço com minhas irmãs foi uma porcaria, não tinha como descrever com uma palavra melhor. O clima estava tenso por conta delas já estarem sabendo sobre eu empresariar Carmen no futuro — Renesmee adorou isso e Alice odiou — e pelo noivado de Alice. Renesmee e eu tivemos uma — nova — discussão com Alice sobre ela continuar com Randall quando nos disse que em alguns dias daria uma festa para celebrar o noivado e Renesmee e eu dissemos que não iríamos, ela ficou irritada o suficiente e foi embora antes mesmo da sobremesa.
— Ela deveria escutar a gente — Renesmee afirmou dirigindo seu carro do restaurante até o consultório onde eu teria minha terapia. — Nós duas temos experiência com péssimos noivados.
— Ela vai perceber antes do casamento, espero.
— Você não vai mesmo pra festa de noivado?
— E ter que ver Renée? Nem pensar!
Minha irmã assentiu.
— Eu também não quero ter que ver ela, o papai provavelmente vai querer ir mesmo odiando esse noivado tanto quanto a gente e até lá não teremos como o prender em casa mais. — Olhou para mim quando parou diante do prédio que eu iria. — Entregue, tenha uma boa sessão, Tanya vem te buscar, né?
— Vem sim — falei tirando o cinto. — Você também deveria estar indo a terapia, não?
Renesmee assentiu.
— Eu já estou vendo alguém, só não contei pra vocês ainda. Está me ajudando, toda nossa família precisa disso!
Eu dei um sorriso triste.
— Nossa família é muito problemática!
Ela riu e afagou meu braço.
— Não vai mesmo pro jantar lá na casa do papai hoje?
— Eu tenho mesmo que gravar hoje, não consegui mudar meus horários e já fiquei tempo demais afastada do set da série. Gostou do seu presente? — Apontou para a sacola que eu tinha sobre meu colo, ela tinha me dado sapatos, Alice uma jaqueta.
— Amei, obrigada, querida. — Beijei seu rosto. — Se puder escapar da gravação aparece no jantar.
— Pode deixar.
Recolhi tudo meu que estava por ali, me despedi dela com um abraço e sai do seu carro. Em poucos minutos já estava na sala da minha terapeuta, Íris. Uma mulher por volta de seus cinquenta anos, cabelos pretos com alguns fios brancos, acima do peso e com grossos óculos de grau, ela também tinha um péssimo gosto para moda.
— O que tem para me dizer hoje, Isabella? — Íris perguntou, sua voz sempre era tranquila, aquilo me irritava algumas vezes.
— Nada, está tudo bem. — Dei de ombros, enquanto balançava a perna esquerda sem parar. — Na verdade, eu estou com tanta raiva da minha irmã.
— Qual irmã?
— Alice, ela ainda não desistiu da ideia de casar com Randall, não deveria se casar com ele de jeito nenhum. Acabei de vir de um almoço com ela e Renesmee, ela vai dar uma festa para comemorar o noivado, é ridículo ela não deveria fazer isso. Também está irritada comigo por querer empresariar a Carmen, sendo que isso não é da conta dela. Minha família é tão complicada, quer saber, eles precisam mais de terapia que eu.
Passei a mão por meus cabelos e disse:
— Podemos parar por aqui hoje? Eu acho que já deu, né?
— Estamos só no começo, Isabella — falou com tanta calma que eu quis gritar com ela. — E sei que hoje é seu aniversário, que tal falarmos sobre isso?
Franzi o cenho.
— É só meu aniversário, não tem nada pra falar sobre isso.
— Tem certeza disso? Na última vez que nos falamos você estava muito triste com seu aniversário se aproximando.
— Eu tenho trinta e dois agora, isso é cada vez mais perto de quarenta, que logo será mais perto de cinquenta e logo depois serei uma idosa, isso não é legal. E meu namorado é mais novo, ele pode chutar minha bunda quando eu tiver quarenta e ele ainda for um cara de trinta novo e com mil garotinhas de vinte o querendo.
No começo da terapia com Íris eu fiquei muito receosa de compartilhar sobre minha relação com Edward, especialmente com ela que teria de ser mais sincera com tudo. Porém, com o tempo, eu fui confiando mais na mulher para poder me abrir sobre isso e outras coisas.
— E é mais um aniversário que não receberei sequer uma mensagem da minha mãe, não que eu queira… — Respirei fundo. — Ok, talvez eu quisesse que ela mandasse uma mensagem — murmurei. — Sabe no meu aniversário de doze anos ela conseguiu que fechassem parte da Disney pra mim. Foi tão legal, um dos meus melhores aniversários. Mas hoje em dia ela sequer manda um cartão, nunca mais mandará, eu arruinei tudo.
— Isabella, sua mãe escolheu se afastar de você.
— É, mas eu me envolvi com Paul, se não tivesse feito isso ela nunca teria me deixado.
Foi quando comecei a chorar, agradeci por estar com maquiagem a prova d'água ou seria um caos. Na mesinha ao lado da poltrona onde estava tinha um caixinha de lencinhos, peguei um e limpei um pouco das lágrimas.
— Em alguns dias fará treze anos que o vídeo do Escândalo Swan vazou, deve parecer uma eternidade de fora, mas para mim é como se tivesse acontecido ontem. Tudo mudou desde lá, tudo.
— Vamos falar sobre a Isabella de antes desse escândalo — Íris pediu e eu olhei para ela. — Me conte sobre a Isabella antes de tudo aquilo, o que ela gostava de fazer, os sonhos dela.
Neguei com um aceno de cabeça.
— Como seria o dia perfeito para aquela Isabella? Pode ser antes de Paul entrar na sua vida também.
Fiquei em silêncio por um tempo, até tomar coragem de responder.
— Eu acho que seria um dia onde pudesse passar um tempo com minha família, ler um pouco, tocar e cantar, trabalhar… Não estava tão animada assim com Zoe em Malibu no começo, já que queria investir na carreira de cantora, mas eu realmente amava atuar, é tão divertido, mas ao mesmo tempo é um trabalho e você precisa se dedicar a isso. E eu com certeza acabaria esse dia comendo sushi, assistindo algo na TV que me faria rir ou suspirar, talvez algum filme de época.
Limpei meu rosto das lágrimas novamente, pensando em quantos dias como aquele tive no passado. Ficando com minha família, cantando por aí, atuando e relaxando no fim da noite.
— E como seria seu dia perfeito hoje?
Parei para pensar sobre aquilo.
— Não muito diferente de como era no passado — confessei. — Apenas algumas mudanças, como por exemplo não ter mais minha mãe perto, obviamente. Porém, eu ainda cantaria e tocaria algo no meu dia perfeito, arranjaria um tempo para ler, como amo o que trabalho agora isso faria parte do dia, mesmo sentindo um pouquinho de falta de atuar. O fim do dia seria um tanto quanto diferente, pois certamente Edward e eu iríamos brigar sobre o que pedir para comer, até concordamos em algo ou decidir em ímpar ou par e veríamos Brooklyn Nine-Nine na TV, depois transariamos.
— E quais eram seus maiores sonhos?
Engoli em seco e fechei meus olhos, ainda assim respondi para Íris.
— Ser uma cantora, você já sabe disso, eu queria muito me tornar uma. E ter uma família, me casar e ter filhos.
— Você ainda quer ser uma cantora?
— Eu não poderia ser, ninguém me aceitaria diante o público novamente, meu lugar é nos bastidores.
— E casar e ter filhos?
Mais lágrimas rolaram por meu rosto ao ouvir a pergunta dela, me encolhi na poltrona que estava, sentindo-me desprotegida.
— Eu quero casar, aceitei o pedido de casamento de James mesmo com medo e incerta sobre ser esposa dele. Porém… Estou com Edward agora, não sei se ele vai querer casar um dia, provavelmente não depois do que a noiva dele fez. E eu não o deixaria só porque ele não quer ter uma aliança, posso superar isso.
— E quanto a ter filhos?
Abri meus olhos e encarei o chão da sala de Íris, o piso era extremamente branco.
— Quis muito ser uma mãe no passado, antes de Paul entrar na minha vida já queria, isso se tornou mais forte quando ele e eu estávamos juntos. Mas não quero mais ser uma mãe, não conseguiria ser uma, depois de tudo que passei, depois de tudo que aconteceu com minha mãe… — Me interrompi para chorar, colocando o rosto entre as mãos e sentindo meu corpo tremer. Eu não poderia ser mãe, só de pensar naquela possibilidade sentia pânico.
— Você não é a mesma garota de treze anos atrás, mudou e amadureceu em alguns aspectos apesar das semelhanças sobre seu dia perfeito. É uma mulher de trinta e dois anos agora, dona da sua própria vida. Pode se tornar uma cantora se quiser, pode ter uma conversa franca com seu namorado sobre casamento. E seu passado não é a definição de como seria como mãe, assim como não quer dizer que repetiria os erros de sua própria mãe, não é assim que funciona. Você não é a Renée, Isabella.
Ela estava errada, eu era tão parecida com minha mãe. Nunca tentaria ser uma cantora, não pressionaria Edward sobre casamento e nunca teria filhos, não poderia arriscar ser tão mais parecida com Renée.
— Isabella, você pensou melhor sobre ver um psiquiatra para que possa ser medicada?
Eu tinha tanto medo daquilo, só conseguia pensar sobre minha overdose, no entanto sabia que medicação correta era necessário. Suspirei, tirei as mãos do rosto e falei:
— Ok, eu aceito ver um psiquiatra, você pode ver o nome de um para mim?
***
Ir ao spa com Tanya aquele dia foi ótimo, ela ainda me convenceu a passar no salão de beleza do lugar para que fizéssemos unha, cabelo e maquiagem, mesmo que de lá fôssemos apenas para um jantar na casa dos meus pais. Ela também me fez usar o vestido que me deu de presente, branco, de renda — mas com forro nos lugares certos para que ninguém visse demais —, com mangas longas, curto até o meio das minhas coxas e com um decote que chegava ao meio da minha barriga.
Eu aproveitei e calcei os sapatos que Ness me deu, assim como coloquei os brincos dados por Esme. Estava indo apenas para um jantar, mas poderia usar a produção toda para tirar boas fotos na mansão, além do mais estava me sentindo muito bonita e depois de todo o choro na terapia isso era bom.
No entanto, era uma merda saber que eu dormiria só aquela noite. Edward já estava viajando, para mais longe ainda de mim, e isso me deixava triste.
Tanya e eu acabamos tudo no SPA e saímos para buscar Santiago, que estava gravando ainda, do local de gravação dele iríamos direto para a casa do meu pai. Enquanto minha amiga dirigia eu aproveitava para tirar selfies e enviar para Edward, mas ele não me respondia, o que me fazia pensar que estava dormindo no seu vôo.
Capitã: Vai ser muito triste ter de tirar esse vestido sozinha.
Capitã: Sinto sua falta, amor.
Capitã: Eu vou usar essa roupa novamente quando você estiver aqui, realmente gostei desse vestido, acho que você também vai gostar.
Capitã: Manda uma mensagem quando chegar, ok?
Capitã: Amo você, pirralho.
Tanya parou o carro logo em seguida, olhei para fora e vi que estávamos diante uma boate que naquela noite se encontrava fechada, afinal se Santiago estava ali com o pessoal da sua série tudo deveria estar fechado para as gravações.
— Entra comigo? — ela perguntou já tirando seu cinto. — Acho que chegamos mais cedo do que previsto e ele ainda não deve ter acabado.
— Vamos ficar no carro e esperar ele sair — falei.
— Quero fazer xixi, não quero entrar sozinha — minha amiga reclamou, eu resmunguei mas aceitei e tirei meu cinto também. Sai do carro apenas com meu celular em mãos, seguindo com Tanya em direção a boate.
Um segurança parado na porta nos deixou entrar, o lugar estava mais silencioso do que imaginei e meio escuro demais. Seguimos pelo corredor de entrada, com Tanya reclamando sobre seus saltos estarem apertando seus pés, eu me distrai com isso e assim que entramos na área principal da boate escutei os gritos:
— Surpresa!
Olhei para a frente, vendo todas as luzes da boate se acenderem e iluminarem as pessoas gritando. Minha família, amigos, pessoas que trabalhavam comigo, outras da indústria na qual estava inserida e não eram necessariamente amigas, porém eu tinha contato e entre eles um inconfundível inglês de sorriso safado.
— Oh, porra! — exclamei realmente surpresa, ao mesmo tempo que começava a tocar parabéns para você no sistema de som da boate.
Antes que eu pudesse terminar de processar o que estava acontecendo ali, Tanya me deu um abraço apertado e sussurrou para mim:
— A festa inteira foi ideia de Edward.
Eu sorri, ao mesmo tempo em que sentia meus olhos se encherem de lágrimas. Ele não só tinha dado um jeito de estar comigo no meu aniversário como tinha organizado uma festa surpresa, ele era incrível.
Minha amiga me soltou do abraço, pegou meu celular e disse que o guardaria consigo, e logo meu pai, que estava todo sorridente — e que não deveria já estar em uma festa — foi ao meu encontro. Ele me abraçou, beijou meu rosto e desejou parabéns.
— Você deveria estar em casa descansando! — briguei com ele, vendo papai revirar seus olhos.
— Eu estou bem, Bells!
Não tive como continuar discutindo com ele, logo Renesmee era a próxima me sufocando em um abraço.
— Você não tava desconfiada de nada?
— Não! — respondi sua pergunta, olhei ao redor procurando por Edward mas não o vi em lugar nenhum.
— Olhe isso. — Ness colocou em minha mão um convite, justamente o convite para minha festa de aniversário, que descobri ali que o tema era Isabella Swan's Concert.
Eu realmente amava Edward Cullen e ele definitivamente era maravilhoso, não estava só me dando uma festa surpresa como fez dela meu próprio show.
— Ei, feliz aniversário! — Foi a vez de Alice falar comigo. — Podemos ter uma trégua hoje?
— Podemos sim.
Minha irmã sorriu e me abraçou, eu tive de continuar a receber abraços e parabéns de todo mundo. Carmen, Kate, Riley, até mesmo Leah estava ali, mas Edward tinha desaparecido, até que eu parecia ter falado com todo mundo, as pessoas já se dividiam entre beber, dançar e comer na boate fechada para meu aniversário e Tanya me arrastou pelo local.
Ela não precisava dizer nada, eu sabia que estávamos indo até Edward. Nós seguimos para uma espécie de camarim atrás do palco — que inclusive estava arrumando com instrumentos, o que me fez pensar que eu teria de subir ali em algum momento da noite —, onde Edward estava.
Eu corri em meus saltos até ele, podendo ver rapidamente seu sorriso antes de o beijar. Ele segurou em minha cintura, enquanto com uma mão eu tocava em seus cabelos e com a outra ainda segurava o convite da festa.
Ouvi a porta fechar, o que queria dizer que Tanya tinha saído. Edward se aproveitou disso para levar suas mãos até minha bunda, o que fez com que meu vestido subisse um pouco. Sorri contra seus lábios, mas não interrompi nosso beijo, tinham sido dias longe dele, eu precisava aproveitar.
Puxei um pouco seus cabelos quando ele apertou minha bunda, nossos corpos estavam colados e eu podia sentir o calor emanando de Edward, assim como minha boceta molhada por estar louca para ser fodida por aquele homem. Edward sabia disso, ele me conhecia muito bem e levou uma mão até minha boceta, me tocando por cima da calcinha minúscula que eu estava usando.
— Ed — falei em um gemido baixo, ele riu e levou seus lábios até meu pescoço.
— Feliz aniversário, Capitã.
— Obrigado, amor. Não, não pare! — protestei quando ele tirou suas mãos de mim. — Vamos foder — implorei quando ele deu um passo para trás.
— Calma, preciso te ver primeiro. — Seus olhos estavam brilhando a luz fraca daquela sala, ele estava usando sapato preto, uma calça jeans da mesma cor e uma camisa preta com estampas de flores, alguns botões estavam abertos o que me permitia ver parte do seu tronco. — Você realmente não desconfiou?
— Não! Quem sabia disso?
— Tanya, suas irmãs, Carmen e seu pai, criamos até um grupo de mensagens para isso. Minha mãe e Rose ficaram sabendo anteontem quando todo mundo recebeu os convites. Eu dei a ideia de tudo que queria e Tanya executou, então para todos os outros quem realmente está te dando a festa é ela.
— Eu te amo — afirmei e o abracei, colocando meu rosto em seu peito.
— Pronta para seu presente? — perguntou, fazendo com que o soltasse.
— Tem um presente?
— Claro, que tem um presente, Isabella! — exclamou e revirou seus olhos. — É seu aniversário.
— Eu pensei que a festa já seria seu presente para mim.
— Claro que não — negou. — Aliás, você já viu qual é o tema, não? — Apontou para o convite na minha mão.
— Sim, você está me dando um show.
— Vai cantar, né? Tem um palco pronto pra você, minha banda tá aqui, eu posso tocar também — falou animado, mas também um tanto quanto nervoso.
— Bom, aparentemente é meu show. — Balancei o convite. — Acho que posso cantar um pouquinho.
Ele sorriu e assentiu.
— Ok, Cullen, qual meu presente?
— Isso tudo. — Gesticulou ao redor, eu fiquei confusa olhando melhor para o camarim que estavamos, apenas uma penteadeira, um sofá e duas poltronas, assim como um frigobar e uma mesinha, e duas portas a de saída e uma que devia levar a um banheiro.
— Acho que você esqueceu de trazer os presentes para cá, amor.
— Não, não esqueci. — Ele riu. — O presente é a boate.
— O quê? — perguntei sem entender.
— Ano passado você queria comprar uma boate comigo, não? Bom, estou te dando essa.
— Edward! — exclamei em choque.
— Eu investi todo o dinheiro do capital, você não precisa me dar nada, mas vamos dividir os lucros em cinquenta por cento, então metade da boate é minha.
— Você realmente fez isso?
— Sim, você tá com raiva disso?
— Claro que não, eu sou dona de uma boate agora, eu tô feliz pra caralho com mais um investimento no meu nome.
— Teremos que assinar uns papéis em alguns dias, mas…
Não deixei ele acabar de falar, logo o beijando novamente. Edward nos levou até o sofá, sentando e me mantendo sobre ele.
— Vamos manter o nome? — ele perguntou enquanto eu beijava seu pescoço.
— Pensamos nisso depois.
— Também podemos fazer reformas.
— Depois, Edward! — Comecei a abrir sua calça, até que me dei conta de algo. — Você cancelou o resto da sua agenda para estar aqui? Vai tocar na Cidade do Cabo depois de amanhã, o voo até lá é longo e amanhã iria dar entrevistas para jornalistas locais.
— Relaxa, Jéssica e Tanya mudaram as entrevistas para dia dezesseis. Eu vou viajar cinco da madrugada e estarei lá no dia quinze para o show.
— Ok, que bom que você está aqui! — exclamei e voltei ao seu pescoço.
Edward me afastou novamente.
— Não posso te monopolizar por muito tempo, linda.
— Pode sim, quero que você me foda — implorei.
— É seu aniversário, você precisa ir ser a estrela da festa. E nós teremos sexo antes de eu viajar, prometo.
Beijou meu queixo e me tirou de cima de si.
— Obrigada por ter vindo me ver no meu aniversário — agradeci afagando seu braço, ele sorriu e beijou meu queixo.
— Estarei com você em todos seus aniversários, Capitã.
***
Eu saí primeiro do camarim, depois de checar minha maquiagem no banheiro e ajudar Edward a se livrar das marcas do meu batom. Estava circulando pela boate conversando com todo mundo quando ele apareceu ali, indo sentar na mesa que Leah estava com Kate e Laurent.
— Cadê seu noivo, Alice? — Helena, a agente da Swan Productions, perguntou para minha irmã, nós duas estávamos numa mesa junto com Alice, meu pai e Cameron, os dois conversavam sobre o álbum de Cameron que já estava sendo gravado.
— Ele não pode vir — minha irmã respondeu e eu sabia que a verdade era que ela tinha ido sem Randall por saber que não curtiria ver ele no meu aniversário.
Deixei a mesa e fui até o bar, as bebidas — incluindo as sem álcool — tinham sido batizadas com nomes de músicas que eu gostava. Eu pedi um Morango — sim, o nome da música de Edward — sem álcool, que já tinha bebido pouco antes e era uma delícia.
As telas de TV espalhadas pela boate, que no dia a dia do lugar deviam mostrar clipes de músicas, naquela noite estavam passando fotos e vídeos meus. Fotos minhas desde quando eu era criança, como também vídeos meus atuando no passado. O menu de comidas era uma revista, onde eu era a garota da capa. Edward tinha mesmo pensado em tudo.
— Olá, aniversariante! — Jasper apareceu e pediu uma cerveja para o barman. — Se divertindo?
— Muito — respondi. — Só Edward para em poucos dias planejar toda essa festa.
— Ele não conseguia parar de falar sobre isso — disse rindo. — Valeu — agradeceu quando o barman voltou com sua cerveja.
— Ei, você tá legal? — perguntei.
— Tô — respondeu, dando um pequeno sorriso, que não parecia tão sincero assim. E eu não sabia se isso era por Edward, por Alice estar noiva, ou pelos dois. — Feliz aniversário, Bella!
***
Estava na pista de dança com Jane e Ness quando a música parou, olhei para o palco e vi Kate lá em cima, com o pessoal da sua banda que também estava na festa a acompanhando.
— Olá! — ela falou ao microfone. — Como todos sabem a atração principal desta noite é Isabella Swan. — Kate acenou para mim. — Mas ela terá seus shows de abertura, começando comigo. Isabella, feliz aniversário!
Eu ri, aquilo com certeza tinha sido ideia de Edward também, que estava fora de vista novamente. Kate logo começou a cantar, uma de suas músicas, aquela era sobre um dia de frio e estar com o cara que se amava.
Assim que ela acabou deu lugar para meu pai e Cameron, fiquei preocupada com meu pai estar indo cantar, mas Carmen apareceu perto de mim na pista de dança e me garantiu que ele estava bem para isso. Ele cantou Johnny Cash com Cameron, o que me fez perguntar para mim mesma qual música Edward cantaria, isso se ele fosse mesmo cantar, eu não tinha como perguntar para ele já que o Cullen seguia fora de vista, provavelmente estava no camarim.
Riley foi o próximo, ele compartilhou sobre o dia que me conheceu em New York e cantou uma de suas músicas sobre recomeços. Quando ele deixou o palco Edward apareceu, estava carregando seu violão e sua banda o acompanhou.
— Feliz aniversário, Capitã! — foi tudo que falou antes de começar a tocar.
E a música que ele escolheu aquela noite foi Hollywood, o que eu adorei, não por ser uma das minhas canções, porém por ser Edward cantando.
— Não deixe as luzes se apagarem. É Hollywood. O show nunca pode parar. Continue a atuar — enquanto ele cantava no palco eu cantava da pista de dança, Edward percebeu isso e sorriu para mim.
Logo que acabou a música meu namorado me indagou pelo microfone:
— É hora do seu show, aniversariante. Você vai subir ao palco esta noite?
Eu não poderia dizer não, mesmo que aquilo me deixasse nervosa. Mesmo assim, eu queria subir lá e cantar.
Andei até o palco, com todos aplaudindo.
— O que vai cantar? — Edward me perguntou fora do microfone.
— Você verá, posso pegar seu violão emprestado?
— Claro. — Ele me entregou o instrumento. — Vai precisar da banda?
Neguei com um aceno de cabeça, então Edward saiu com todo mundo do palco me deixando sozinha.
— Oi, gente! — falei ao microfone, regulando o mesmo para minha altura. — Muito obrigada por terem vindo, queria agradecer especialmente a pessoa que idealizou toda essa festa. — Tanya ergueu a mão e acenou para todo mundo, que a aplaudiram e assobiaram. Eu ri e vi Edward perto do palco rindo também, nós dois sabíamos que estava falando dele, mas os outros deveriam pensar que era mesmo Tanya. — E já que vocês vieram ao Isabella Swan's Concert vou cantar um pouquinho.
Tinha algumas músicas na cabeça, mas a canção que escolhi para começar foi Butterflies da Kacey Musgraves.
— I was just coastin'. Never really goin anywhere. Caught up in a web I was gettin kinda used to stayin' there. And out of the blue. I fell for you* — comecei a cantar e tocar, evitando olhar para Edward, mas eu sabia que ele sabia que aquela música tinha sido escolhida pensando especialmente nele.
***
Eu toquei e cantei mais quatro músicas após Butterflies, Fallin' For You da Colbie Caillat, Breakaway da Kelly Clarkson, Photograph do Ed Sheeran e Happy Together do The Turtles. Quando acabei de cantar e agradecer por todas as palmas e gritos animados do convidados, minhas irmãs subiram no palco carregando um grande bolo cheio de velas em cima, eu choraminguei um pouco a ver a quantidade de velas, mas segurei a crise dos trinta e dois e assoprei as velas quando todos pararam de cantar parabéns pra você.
Desci do palco e fui cumprimentar todo mundo, Edward usou a desculpa de pegar seu violão de volta para ser o primeiro, mas ele se permitiu beijar rapidamente minha bochecha. Tanya me abraçou logo em seguida e Santiago depois dela também beijou meu rosto para disfarçar, então eu recebi mais abraços de todo mundo.
Esme me abraçou por tanto tempo que Rosalie teve que pedir para a mãe me soltar, eu ri disso, mas tinha adorado o abraço da mãe de Edward. Como também adorei o de Rose, era bom saber que eu estava sendo bem recebida na família Cullen, ignorando o fato do pai de Edward me detestar.
— Parabéns. — Emmett me abraçou após Rosalie.
— Obrigada — agradeci a ele, me impedindo de soltar piadinhas sobre ele e minha cunhada.
— Isabella, parabéns! — Leah era a próxima me abraçando e eu coloquei meu melhor sorriso no rosto, ainda que falso, apreendido depois de anos de atuação.
— Muito obrigada! — Não demorei muito com ela, indo falar com Kate e Riley.
Mais tarde, após passar por todos em abraços e mais parabéns, eu me despedi do meu pai. Ele já podia estar bem melhor, mas não poderia ficar muito mais e Carmen o arrastou para casa.
Quando eles foram embora eu voltei para a pista de dança, indo dançar com Alice e Nessie. Tanya chegou ali em seguida, se aproximando de mim e sussurrando em meu ouvido:
— Tem alguém te esperando no camarim.
Edward!
Eu esqueci a dança e segui até o camarim, sem sequer me importar em ver pelo meio do caminho Alistair enfiando a língua na garganta de Irina, ou Jane fazendo o mesmo com Jéssica. A porta do camarim estava trancada, eu bati ali três vezes e Edward abriu, ele me puxou para dentro e fechou a porta, garantindo que ela estivesse trancada novamente.
A música ali ficou abafada, mas eu não me importava. Edward logo estava me beijando, mantendo meu corpo preso entre o dele e a porta.
Eu levei minhas mãos até os botões da sua calça, mas ele me impediu.
— Tenho mais um presente para você, putinha — falou.
— Tem? — Sorri ao perguntar. — Eu estou sendo muito mimada, gosto disso.
Ele riu e beijou meu pescoço uma vez.
— Sente-se no sofá e tira a calcinha — ordenou.
Ainda sorrindo largamente eu fiz o que ele mandou, sob o olhar atento de Edward, larguei minha calcinha ao meu lado no sofá. Meu namorado andou para perto de mim, ajoelhou-se no chão a minha frente e ergueu minhas pernas, fazendo com que eu colocasse meus pés sobre o sofá e ficasse aberta para ele.
— Senti tanto sua falta — falou dando um beijo em cada joelho meu. — Da sua voz, do seu cheiro, do seu corpo. — Deslizou suas mãos por minhas coxas, o que fez com que um arrepio cruzasse meu corpo.
— Também senti sua falta — sussurrei, Edward sorriu antes de começar a distribuir beijos pela parte interna das minhas coxas.
Eu sorri mais, de pura satisfação ao saber que estava ganhando mais um presente muito bom aquela noite. Estava ali, sendo beijada e adorada por aquele homem, sentindo sua boca e suas mãos em mim.
Edward chupava meu clitóris e me penetrava com dois de seus dedos, fazendo com que eu gemesse para ele. Estava bom, tão bom, até que ele parou do nada e se levantou, fazendo com que eu tirasse minhas mãos que já estavam nos seus cabelos.
— Onde você está indo? — perguntei confusa quando ele se levantou, Edward riu e beijou meus lábios por um segundo, então me fez chupar seus dedos, deixando com que eu sentisse meu gosto neles. — Ei, volte aqui e termine de me dar meu presente — implorei quando ele começou a andar até o banheiro.
— O oral não é seu presente, fique onde está! — andou e desapareceu dentro do banheiro.
Continuei onde estava, naquele momento irritada, mas também cheia de tesão para levantar. Edward saiu do banheiro segurando uma sacola preta sem rótulos, ele voltou a se ajoelhar diante de mim, tirou o lacre da sacola e tirou lá de dentro uma caixa branca e de dentro dela algo que parecia um vibrador.
— Você me comprou um vibrador? — questionei.
— É mais que um vibrador — Edward respondeu esfregando o mesmo sobre meu clitóris. — Ele pode ser controlado por meu celular.
Porra, eu sabia o que ele iria propor.
— O que acha de eu brincar um pouco com você, aniversariante?
— Por favor, faça isso — implorei, fazendo Edward rir.
— Isso vai ser tão divertido — ele disse, tirando outra coisa da sacola e era um lubrificante.
Edward passou o lubrificante no vibrador e antes de colocá-lo em mim voltou a me chupar, não demorou muito, mas foi o suficiente para que eu ficasse ainda mais excitada e molhada. Com isso, meu namorado teve mais facilidade em introduzir o aparelho cor de rosa em mim.
— Tudo bem? — perguntou quando terminou de colocar o vibrador em mim.
— Sim — respondi, sentindo meu corpo se acomodar aquilo. — Nós vamos fazer isso lá fora, né?
Ele riu alto.
— Claro que vamos fazer isso lá fora, estou louco para te ver tendo que se segurar em público.
— Não seja mau comigo — pedi com deboche, eu queria que ele fosse muito mau comigo sim.
— Eu serei muito bonzinho, putinha — debochou de volta e pegou minha calcinha, ajudando-me a vestir ela.
Então, eu fiquei de pé, não era muito confortável andar com o vibrador, mas também não era de todo ruim. Eu saí do camarim primeiro, encontrei Tanya em uma mesa com Santiago, Laurent e Kate e sentei junto da minha amiga, logo me inteirando do que eles falavam, a série de Santiago.
Edward apareceu alguns minutos depois, com Leah a tiracolo, eu não estava contente com isso, mas sabia que ele tinha que ser visto com sua falsa namorada. Leah sentou entre Edward e Kate, sendo que meu namorado estava diante de mim, com nós dois nas pontas do banco estofado ao redor da mesa.
— Eu estou meio viciado em Mindhunter agora — Laurent falou bebendo mais um pouco da sua cerveja, todos com exceção de Edward, Leah e eu estávamos com bebidas em mãos.
Porém, Edward ocupou sua mão com outra coisa, tirando do bolso seu celular. Eu me preparei para o que viria a seguir, ele deu um sorrisinho diabólico e senti a primeira vibração, leve, suportável.
— Já viu essa série, Bella? — Laurent me perguntou sorridente.
— Não — respondi. — Eu estou atrasada com tantas séries — afirmei, senti mais uma vibração, aquela mais intensa, mas apenas respirei mais fundo.
— Nós deveríamos ver juntos alguns episódios — Laurent falou, Santiago estava em um papo direto com Tanya, enquanto Kate falava com Leah aparentemente sobre as unhas das duas.
— É, quem sabe — falei para Laurent, percebendo que ele estava flertando comigo, abri um sorrisinho para o homem do outro lado da mesa e senti mais uma vibração, Edward riu quando eu estremeci.
— Tudo bem? — Laurent perguntou.
— Sim, só um pouco de frio, você pode me emprestar sua jaqueta? — indaguei a ele, provocando Edward, que retribuiu com mais vibrações, aquelas bem fortes e que me fizeram morder a língua para não gritar.
— Claro, linda — Laurent disse tirando sua jaqueta, Edward me puniu pelo modo como o produtor me chamou com mais vibrações e eu mais uma vez me controlei para não gritar. — Aqui. — Por cima da mesa Laurent passou a jaqueta para mim.
Enquanto eu a vestia olhei para Edward, que estava concentrado em seu celular, mas com um pequeno sorriso nos lábios. Ele estava mandando vibrações baixas, foi quando eu falei:
— Seu perfume na jaqueta é muito bom, Laurent.
Edward me encarou e vi seu dedo se mover na tela do celular, fazendo outra vibração forte se bater sobre mim. Involuntariamente meu pé foi para frente, acertando o do homem à minha frente, que riu baixinho.
— Então. — Voltei a olhar para Laurent. — Que tal almoçarmos juntos amanhã? Depois podemos ver a série que você sugeriu.
Tanya prestou atenção em mim naquele momento e me encarou confusa, no mesmo instante que Edward fodeu comigo e mandava muitas vibrações fortes. Eu agarrei com força o braço da minha amiga, enquanto tentava manter minha expressão normal.
— Isso dói, caralho — Tanya se queixou, tirando minha mão de si.
— Você está bem, Bella? — Edward me perguntou inocentemente, mas ainda mandando vibrações para mim.
— Estou, tão bem! — exclamei com a respiração já instável.
— Podemos almoçar amanhã, com certeza — Laurent disse.
— Amanhã, Leah e eu no avião por horas, isso até pode ser divertido — Edward disse olhando para a mulher ao lado dele, fazendo com que eu ficasse brava, principalmente quando ela sorriu para ele e afagou seu rosto.
Mas, era ele no comando e eu recebi uma longa vibração em troca onde fui obrigada a disfarçar com um bocejo.
— Já com sono, Swan? — Edward provocou mais, obviamente usando seu celular para meu vibrador vibrar novamente, fazendo com que eu fingisse um novo bocejo.
Santiago gargalhou e olhei para ele, seu olhar sugestivo me fazia entender que o Denali tinha percebido o que estava acontecendo ali, ou menos suspeitando. Tanya e ele cochicharam um para o outro, ela me encarou e revirou os olhos.
— Você deveria usar — murmurei para ela, mordendo minha língua outra vez com mais uma vibração.
— Ei, Capitã — Edward falou comigo e eu o olhei. — Estou tão cansado será que pode ir até o bar pegar um refrigerante para mim? Não estou vendo nenhum garçom.
Não protestei, apenas me levantei e fui para o bar. Ao longo do caminho recebendo mais vibrações, quando cheguei lá peguei uma Coca-Cola para Edward e mais um drink sem álcool para mim, daquela vez um Bad Things.
Voltei a mesa, entreguei o refrigerante de Edward e me sentei. Santiago estava conversando com Laurent e Leah, Kate e Tanya tinham saído para pegarem comida como Edward me informou.
Meu namorado bebeu um pouco de sua coca, mas seu celular ainda era seu melhor amigo naquele momento. Eu entrei na conversa dos outros três, mas apenas respondendo com frases curtas, uma vez que Edward não estava mais parando com as vibrações e eu mal estava conseguindo pensar direito para falar.
Em algum momento eu já não conseguia mais fingir me importar com a conversa, me concentrando apenas em me impedir de gemer. Edward não conseguia tirar o sorriso do seu rosto, e quando eu já não aguentava mais implorei.
— Ed, por favor, me dá um pouco da sua Coca-Cola!
Ele assentiu, riu e me passou o refrigerante, tomei um gole e lhe lancei um olhar desesperado. Meu namorado sabia o que eu queria e decidiu ser bom comigo, aumentou as vibrações e eu mordi meu polegar para aguentar o orgasmo chegando e quando isso aconteceu eu gritei:
— Sim! — Todos na mesa olharam para mim eu escondi meu rosto entre as mãos e sentindo o prazer me dominar tive de inventar um complemento para meu grito. — Sim, essa foi a melhor festa que já tive!
Olhei para os outros e sorri, eu não conseguia parar de sorrir, talvez morreria com aquele sorriso na cara. Com cuidado me coloquei de pé, precisava de mais e não poderia ser ali na frente de todo mundo.
— Preciso fazer uma ligação, Edward pode me emprestar seu celular? O meu tá com a Tanya.
— Claro. — Ele concordou me entregando o celular já fora do aplicativo que controlava meu novo vibrador. — Acho que você vai conseguir falar melhor lá do corredor perto dos banheiros, na verdade eu tô indo lá.
— Ótimo!
Que bom que ele tinha entendido minha deixa.
— Obrigada pelo empréstimo, Laurent. — Tirei a jaqueta e devolvi para ele, me afastando com Edward.
— Foi bom?
— Foi maravilhoso. Agora quero que você me foda no banheiro.
— Do camarim?
— Não. — Lancei um sorriso vitorioso para ele.
— Isso é arriscado.
— Eu sei. — Pisquei para ele e devolvi seu celular que ele guardou no bolso novamente.
Eu tive a ideia quando entramos no corredor dos banheiros, tinham quatro portas ali. A do banheiro das mulheres a dos homens e outras duas portas, uma para o banheiro de mulheres cadeirantes e uma para homens cadeirantes, era até legal saber que a boate que eu era a mais nova dona tinha uma estrutura tão acolhedora como aquela.
Abri a porta do banheiro feminino para cadeirantes e não tinha ninguém, aproveitando que ninguém estava naquele corredor eu fiz Edward entrar e entrei logo em seguida. Antes que ele pudesse me agarrar tirei a calcinha e o vibrador, a calcinha molhada descartei no lixo e o vibrador lavei com água na pia e Edward se encarregou de guardá-lo no outro bolso de sua calça.
— Isso foi tão sexy, putinha — falou começando a beijar no espaço do meu decote. — Eu mal vejo a hora de fazer você usar esse vibrador mais vezes, talvez em reuniões, talvez em uma premiação.
— Sim — gemi pensando naquelas hipóteses.
Edward subiu seus lábios por minha garganta e depois lábios, por sorte o banheiro estava limpo e contava com folhas de papel, seria fácil tirar nossas marcas de batom depois.
— Como quer que eu te foda? — perguntou segurando em meu pescoço com sua mão esquerda.
Não falei nada, apenas me movi até a pia e virei de costas para Edward, suspendi meu vestido e me inclinei, apoiando meu corpo na pia que era mais baixa por ser um banheiro adaptado. Olhei por cima do meu ombro e falei:
— Vem me foder, senhor Cullen.
Ele sorriu e andou até mim, já abaixando sua calça e cueca, massageando seu pau duro. Eu senti o esfregar em mim, o que me fez suspirar, ouvi risadas do outro lado da porta, alguém estava no corredor, a música também podia ser escutada dali, mas abafada.
— Vamos usar camisinha — Edward falou ainda esfregando seu pau na minha boceta.
— Por quê? — perguntei olhando para frente, vendo nossos reflexos no pequeno espelho.
— Vai ser mais fácil limpar depois.
— Você trouxe uma?
— Sim, eu sabia que a aniversariante podia acabar pedindo por sexo sujo em algum lugar dessa boate.
Eu ri baixinho, ele me conhecia tão bem. Edward parou de roçar em mim para pegar o preservativo e colocá-lo, foi rápido, nós dois sabíamos que não tínhamos muito tempo.
Então, rapidamente ele estava metendo seu pau em mim. Gemi o mais baixo que consegui, agarrando com mais força na pia e torcendo para ela não quebrar.
Eu estava molhada do meu último orgasmo com o vibrador, o que tornou aquela foda rápida no banheiro realmente mais prática para Edward e eu. Ele não precisava me estimular tanto, eu já estava sensível, então ficou estocando com força na minha boceta e sussurrando palavras sujas para mim, até que eu senti que ele estava perto de gozar.
— Quero que goze comigo, linda — disse e colocou o indicador da mão direita sobre meu clitóris.
— Edward — falei seu nome em um gemido, vendo ele sorrir para mim pelo espelho.
Nós nos movemos juntos em completo silêncio naquela reta final, apenas deixando gemidos escaparem. Até que ele conseguiu que gozassemos ao mesmo tempo, Edward saiu de dentro de mim e beijou meus cabelos.
— Amo você.
— Também te amo, pirralho.
Precisamos de um tempo para nos recuperarmos, nos arrumarmos e podermos sair. Eu saí primeiro, garanti que o corredor estava livre, bati na porta e Edward saiu do banheiro também. Estávamos andando para fora do corredor quando Alice e Jasper entraram nele.
— Cadeirante masculino ou feminino? — Jasper perguntou para Edward.
— Feminino — Edward respondeu.
— Masculino para a gente, Jasper — Alice declarou.
Eu apenas ri, naquele momento pouco me importando se ela estava noiva de Randall mesmo apaixonada pelo Whitlock.
***
Depois da nossa escapada para o banheiro Edward e eu nos separamos por um tempo, eu fui dançar e ele fazer sabe-se lá o que. Eu acabei dançando com Lucy, que me disse que estava muito afim de Riley, gostei disso, eles formariam um bom par e não parecia que ela interferiria na cadeira do Biers.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Além do mais, ele também parecia gostar dela, o que era até bom, eu tive medo de que ele pudesse ainda sentir algo por Alice mas quando os dois se encontraram no jantar na casa de Edward e interagiram diretamente tudo parecia bem. Ele estava focado em Lucy e Alice em Jasper, sendo assim, eu não tinha porque não ajudar a amiga da minha irmã com Riley.
Eu a segurei pela mão e a levei até a mesa onde Riley estava com Alec, que tinha ido só para a festa, já que sua esposa estava grávida demais. Fiz com que Lucy subisse na mesa e subi logo atrás, nós começamos a dançar lá em cima.
Riley não tirava os olhos dela, enquanto Alec ria do Biers todo vidrado em Lucy. Eu estava sem calcinha, então tomei cuidado para ninguém ver o que não devia, mas aquele showzinho era todo sobre Lucy de qualquer jeito.
Eu ri como Alec quando Riley se levantou e ajudou Lucy a sair de cima da mesa, a beijando no segundo seguinte. Antes que eu mandasse Alec me ajudar a descer, Edward apareceu.
— Oi. — Sorri para ele.
— Olá.
Ele me ajudou a descer e me guiou para a pista de dança, eu não reclamei, mesmo sabendo que não poderíamos ficar dando muita bandeira. Mas, de qualquer jeito, sequer tínhamos dançado juntos aquele noite.
Quando chegamos a pista de dança a música anterior acabou e começou a tocar 24K Magic do Bruno Mars, como sempre dançar com Edward era perfeito. E eu pensei como seria se um dia estivéssemos dançando em nosso casamento, mas não, não teria uma conversa com ele sobre isso, independente do que minha terapeuta recomendava.
Nós estávamos bem, eu não estragaria tudo falando sobre casamento.
***
Edward foi embora da festa com Esme, Rosalie, Emmett e claro, Leah. A irmã gêmea do meu namorado iria para o apartamento do segurança, enquanto Edward com sua mãe e sua falsa namorada para a casa dele.
Eu tive de ficar cerca de meia hora a mais na boate até todos caírem fora — depois de também me certificar que Laurent não estava mesmo esperando por um almoço no outro dia, mas ele estava bêbado e sequer se lembrava disso — para poder ir embora, em algum momento da noite — provavelmente atraídos até ali pelas fotos dos convidados em suas redes sociais — a frente da boate foi tomada por paparazzis e eles ainda estavam ali quando sai com Santiago e Tanya. O casal me deixou em casa, Ness iria passar o resto daquela madrugada no apartamento de Alice.
Assim que saí do carro de Tanya, que estava sendo dirigido por um motorista já que ela e Santiago tinham bebido, eu mandei uma mensagem para Edward avisando que já estava ali. Era por volta de duas da manhã, seu vôo sairia às cinco e ele teria de estar no aeroporto lá pelas quatro, isso significava que não teríamos muito tempo juntos.
— Oi, Capitã. — Edward beijou minha testa quando entrou na minha casa.
— Oi, pirralho.
Eu o abracei sem querer soltar, ainda não tinha matado as saudades dele. Edward tinha trocado as roupas da festa, estava com uma calça jeans, moletom, tênis e em suas costas uma mochila.
— Você não vai poder passar muito tempo, né?
— Não, linda, sinto muito. Vou sair daqui três e meia para estar no aeroporto às quatro, sabe como é toda essa burocracia de voo internacional.
— Eu sei.
O soltei e ganhei um novo beijo na testa.
— Vamos pra sua cama.
Eu concordei, deixando ele me guiar pela minha própria casa até meu quarto. Edward se livrou da mochila a colocando no canto do quarto e se deitou na minha cama, sequer tive coragem de brigar com ele por estar com os tênis por cima do lençol. O deixei ali e fui para o banheiro, precisava de um banho mesmo que rápido.
— É tão bom estar com você — ele falou quando eu deixei meu banheiro, usando um conjunto de pijamas.
— É bom te ter aqui. — Deitei ao seu lado e percorri uma mão por seu rosto. — Esse foi o melhor aniversário da minha vida. — Edward sorriu. — Quando teve a ideia?
— Na noite do primeiro show em São Paulo, quando você veio embora para Los Angeles. Era aniversário de uma fã que estava no Meet & Great, a garota estava tão feliz e eu pensei que não poderia deixar de estar com você no seu aniversário, então a ideia de uma festa surpresa veio rapidamente na minha mente. Tanya achava que você iria descobrir fácil, estou grato por ela ter errado.
— Papai estava me enlouquecendo, mais o noivado de Alice, não estava muito ligada em nada mais — confessei.
— O seu pai. — Edward começou a rir.
— O que tem meu pai?
— Ele me ligou uns dias atrás chorando, querendo agradecer por eu ter tido a ideia de te fazer essa festa, pois ele estava com medo depois da cirurgia de esse ser seu último aniversário que ele estaria presente por já estar velho.
— Credo, nem quero pensar nisso.
— Hoje ele fingiu que essa ligação não aconteceu.
— Você vai irritar ele para sempre por isso, não?
— Vou sim, é minha missão como genro.
Edward mexeu em meus cabelos gentilmente.
— Nós temos uma boate agora — falei.
— Não oficialmente — ele me corrigiu. — Teremos quando tudo estiver assinado.
— Você não quer mesmo que eu pague por uma parte?
— Não, eu não quero. Você pode falar por aí que pagou sua parte quando a compra da boate se tornar uma informação pública, mas não precisa me dar nada. Ela é nossa, estou bem com isso, falei com meu advogado e só falta terminar os contratos de compra.
— Acho que minha ficha sobre isso vai demorar a cair.
— É só a primeira coisa que dividiremos, linda — falou e fechou seus olhos, voltando a mexer em meus cabelos.
Quase falei sobre casamento ali, mas fiquei quieta.
— Tenho mais um presente para você — falou após abrir seus olhos alguns minutos depois.
— Outro vibrador?
— Não — negou.
— Outra boate?
— Também não. — Riu e saiu da cama, eu sentei e esperei ele voltar após tirar uma caixa de sua mochila. — Feliz aniversário, Capitã!
— Já é dia catorze, não é mais meu aniversário.
Ele rolou os olhos.
— Abra o presente, Isabella.
Eu abri, sem me importar em rasgar o embrulho de papel quase que por inteiro. Ele escondia uma caixa branca sem rótulos, eu a abri e tirei lá de dentro um artesanato de madeira, que logo percebi ser assemelhar a um teatro.
Tinha até uma cortina vermelha, que me impedia de ver o que deveria ser o palco, mas eu podia ler a inscrição que dizia: Isabella Swan's Concert na parte de cima do palco e a data do meu aniversário na parte de baixo. Encarei Edward, ele sorria e disse:
— É uma caixinha de música. — Apertou um botão na parte de trás e as cortinas começaram a abrir ao mesmo tempo em que começou a tocar Ours da Taylor Swift.
— Edward — murmurei, quando as cortinas estavam completamente abertas eu vi o palco, podendo ver também uma bonequinha ali que parecia comigo com um microfone diante de si e segurando um violão. Tive certeza de que era eu quando a minha voz soou pelo som da caixinha.
— Peguei a gravação do CD que você me deu — Edward contou, eu não conseguia tirar meus olhos da caixinha de música, era tão linda, tão perfeita. — Você pode mandar trocar a música se quiser, colocar qualquer outra, o cara que fez é daqui de Los Angeles mesmo. Tive a ideia ouvindo seu cd, então pedi pra Tanya cuidar disso pra mim também, você gostou?
Olhei para ele e assenti, sentindo as lágrimas nos meus olhos.
— Eu amei, muito!
— É pra você lembrar que canta e toca muito bem. Pra te lembrar que eu sempre vou insistir em te ver num palco. — Passou a mão pelo meu rosto, limpando as lágrimas que eu já derramava. — Com certeza para você pensar em como é maravilhosa, Capitã.
Meu choro se tornou barulhento, eu desviei meu olhar para a caixinha novamente.
— Edward?
— Pode falar.
— Eu vou ver um psiquiatra para começar a tomar remédios, estou com medo.
Ele segurou meu rosto com ambas as mãos, fazendo com que voltasse a lhe olhar.
— Você não está sozinha, certo? Sei que você tem medo por conta da sua overdose, mas será diferente agora, eu prometo.
— Você não vai me deixar, vai? Se um dia eu fizer alguma besteira como quando tentei me matar.
— Eu amo você, nunca irei te deixar. E pode me perguntar isso amanhã e depois, e depois, a resposta sempre será a mesma.
Edward tirou a caixinha das minhas mãos para segurar elas, seu olhar fixo no meu e disse:
— Eu te amo, linda. Você é o amor da minha vida e sei que a vida nem sempre parece fácil, mas isso quer dizer que estamos realmente a vivendo, não?
Respirei fundo e o abracei, ele estava certo.
***
Edward estava na sua cama jogando Candy Crush naquela noite de terça-feira, ele tinha voltado para Los Angeles após sua agenda na Cidade do Cabo na noite do dia anterior. Era bom ter ele de volta no mesmo fuso que eu, bem ali do meu lado e quando ele voltasse para a turnê eu voltaria também.
— Never know how much I love you. Never know how much I care. When you put your arms around me. I get a fever that's so hard to bear* — ele cantou um trecho de Fever junto com Beyoncé na versão dela para a música que estava tocando no som do seu quarto na playlist que eu tinha colocado para tocar, enquanto Edward jogava eu estava me entupindo de cremes ao seu lado. — Gosto desse com cheiro de…
— Lavanda.
— Isso, lavanda. — Ele beijou minha bochecha, bem no momento que seu celular e o meu despertaram, era a hora de tomar meu novo remédio. — Capitã, seu remédio.
— É, eu sei — falei apreensiva.
Eu tive minha consulta com o psiquiatra no dia anterior, mas como Edward estaria voltando de viagem aquele dia decidi só começar a tomar o remédio na terça. Tomaria um comprimido por noite por seis meses, para ansiedade e depressão.
— Deixei minha bolsa na cozinha, ele está lá dentro, vou descer para tomar — falei e sai da cama.
— Quer que eu pegue pra você? — perguntou.
— Não precisa e prometo que vou tomar. — Beijei seus lábios e sai do seu quarto.
A mansão estava cheia aquele dia, Esme, Rosalie estavam lá, mas além delas Leah também. Ela tinha passado a noite anterior com seu pai e irmão, mas naquela terça dormiria ali na mansão e já estava no quarto de hóspedes que usava. Odiava ter que dormir sob o mesmo teto que ela, mas Edward estava com saudades de sua casa e tinha insistido pra gente ficar lá, eu também sabia que ele queria ter Rose e Esme por perto caso eu passasse mal com o remédio, o que poderia acontecer.
— Pensei que você já tinha ido dormir — falei quando entrei na cozinha e vi Rosalie sentada ao balcão.
— Estava escrevendo um pouco, agora fiquei com um bloqueio e tô vendo Friends. — Gesticulou para a tela do seu notebook, eu podia ouvir mesmo as risadas vindo de lá. — Hora do seu remédio? — perguntou me vendo abrir minha bolsa que estava sobre a mesa, tirei lá de dentro minha necessaire onde eu mantinha meu anticoncepcional, que já tinha tomado mais cedo naquela noite, e tinha colocado o novo remédio.
— Sim — respondi para Rose. — Pelo menos é só um, tem gente que toma dois ou mais, né? Acho que posso ficar feliz pelo médico ter receitado só um.
Peguei um comprimido da cartela e cruzei a cozinha para pegar um copo de água.
— Se precisar de algo é só falar — Rosalie disse depois que eu engoli o comprimido.
— Obrigada — agradeci sinceramente. — Boa noite, Rose.
— Boa noite, Bella.
Olhei rapidamente para a tela do seu notebook antes de sair da cozinha, eu reconheci o episódio de Friends que ela assistia, era o que Rachel fazia o teste de gravidez no casamento da Monica. E ali, naquela noite de setembro não sabia que em algumas semanas eu seria a pessoa fazendo um exame de gravidez.
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