Hollywood

65 Capítulo Sessenta e Quatro


Notas iniciais
Olá! Capítulo dedicado a Karolayne cullen, Raphaela s e Cris Garcia que recomendaram a fic. Muito obrigada por isso, meninas, vocês são uns anjos! —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo NOVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —-- Música especial do capítulo: https://youtu.be/8sp9FnMAW1c Música especial do capítulo: https://youtu.be/_qk9k0TDuIY —-- Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure ajuda especializada sempre. —-- Boa leitura!

Capítulo Sessenta e Quatro

Edward Cullen

"Acontece hoje em New York o último show da turnê Escândalo de Ed Cullen"

Minha turnê estava chegando ao fim, após meses de viagens, nervosismo, animação, medo e até um novo amor. Tinha sido a melhor turnê da minha carreira, mesmo com os problemas, eu estava feliz pelo resultado final.

***

O teatrinho aquele dia aconteceu em um restaurante chinês, Leah e eu fomos jantar com Lucy e Riley que estavam juntos desde o aniversário de Bella. Era divertido sair com Riley e Lucy, mas minha mente estava preocupada demais com Isabella para conseguir relaxar.

Era sábado e ela estava tomando o remédio desde terça, como ainda estava no período de adaptação — que seu médico disse poder durar cerca de duas semanas, talvez um pouco menos, talvez um pouco mais — os efeitos colaterais lhe deram dias difíceis. Enjôos, cansaço, perda de apetite, boca seca, variação entre muito sono e insônia, dor de cabeça, estava apática e teve algumas crises de ansiedade.

— Não sei como vocês aguentam sair em turnê — Lucy disse durante o jantar. — Eu já me sinto destruída quando estou gravando em horários irregulares.

— É questão de hábito, você acaba se acostumando — falei para ela, conferindo mais uma vez meu celular, mas não tinha mensagem alguma de Bella.

— Cullen, sua namorada tá bem do seu lado, larga um pouco seu celular — Riley chamou minha atenção, mas em um tom de voz bem humorado.

Leah riu e beijou minha bochecha, em seguida afagou meu braço. Forcei um sorriso e guardei o celular no bolso, virando para Leah e beijando seu rosto rapidamente. Era divertido estar com Riley e Lucy, mas não com minha falsa namorada, ela me irritava por ser um lembrete constante de que não podia estar saindo por aí com quem realmente queria.

— O que vocês vão fazer depois da turnê? — Lucy perguntou para Leah, que me olhou deixando com que eu respondesse.

— Descansar, não é, querida? — perguntei para Leah, que assentiu e suspirou.

— Foram longo meses, você certamente precisa de um tempo de descanso. Talvez possamos ir ao Havaí outra vez — Leah sugeriu.

— Claro, seria ótimo! — Levantei e falei. — Preciso ir ao banheiro, com licença.

Cruzei o salão do restaurante podendo sentir as pessoas de olho em mim, afinal era assim na maioria dos lugares. Segui direto para o banheiro, entrando lá peguei meu celular e liguei para minha mãe. Bella estava ficando na minha casa aquela semana, Charlie tinha insistido para ela ficar com ele, mas eu consegui ser mais teimoso e naquela noite ela estava sob cuidados da minha mãe.

— Oi, filho. — Esme atendeu seu telefone.

— Oi, como ela está? — fui logo questionando.

— Disse que cansada, então já está na cama, no entanto acabei de checar ela e ainda não está dormindo.

Suspirei, Bella mal tinha dormido na última noite. Também mal tinha se alimentado durante o dia.

— Ela conseguiu comer algo hoje? — perguntei para minha mãe.

— Um pedaço de sanduíche natural, mas logo ficou enjoada e não conseguiu comer mais nada.

— Certo, vou estar aí o mais rápido que conseguir.

— Não se preocupe, estou de olho nela.

— Sim, sim. Tchau, mãe.

Não dei tempo para ela responder, finalizando a ligação. Olhei rapidamente meu reflexo no espelho do banheiro, eu também estava cansado depois daqueles dias.

***

Assim que pisei na minha mansão segui para meu quarto, ignorei Leah, não respondi minha mãe que estava descendo as escadas, nem mesmo parei para afagar a cabeça de Shrek me seguindo. Eu precisava ver Isabella, estava com medo de como aqueles primeiros dias de remédio poderiam agir sobre sua mente, temendo que ela pudesse fazer algo contra si mesma.

Todas as luzes do meu quarto estavam apagadas, mas a porta entreaberta deixava um pouco da luz do corredor entrar e eu podia ver minha namorada deitada na cama, coberta e encolhida. Eu terminei de entrar no quarto e tornei a fechar a porta, deixando Shrek de fora, querendo manter nossa privacidade.

Caminhei até a cama e sentei ao lado de Bella, que estava acordada encarando o outro lado do quarto mesmo no escuro. Eu odiava vê-la para baixo daquele jeito, mas sabia como ela estava se sentindo por conta dos remédios e confiava que ela — assim como eu no ano anterior quando também precisei fazer tratamento medicamentoso — iria logo se livrar daquela fase de adaptação difícil e ter o remédio atuando em seu corpo de forma positiva.

— Oi, Capitã. Você quer comer algo? — perguntei para ela.

— Não — sussurrou.

— E beber? — Minha mão foi até a garrafinha de água sobre a mesinha ao lado da cama.

— Também não — continuou sussurrando.

Suspirei e soltei a garrafa.

— Você precisa se alimentar, linda.

Ela não disse mais nada, apenas fechou seus olhos. Sabia que não estava dormindo de uma hora para outra, que aquilo era um sinal para eu parar de perturbar-lá e foi o que fiz, pelo menos por hora.

Deixei Bella sozinha e fui tomar um banho, não queria deitar ao lado dela com o cheiro de Leah que — inevitavelmente — ficava em mim. Fiquei um bom tempo debaixo do chuveiro, tentando aliviar a tensão que estava sentindo, acumulada dos últimos dias.

Além de lidar com Bella, eu ainda tive trabalho a fazer, estava ensaiando para uma apresentação que iria fazer em uma premiação logo mais, para os últimos shows da turnê e acertando o contrato da compra da boate com meu advogado.

Encostei minha cabeça na parede do banheiro, sentindo a água em minhas costas. Na noite do dia anterior tive uma crise de ansiedade na sala de música, Bella estava calada e distante, então eu desci para ficar só e acabei aos prantos.

Me senti um lixo por isso, me culpando por estar fraco quando ela mais precisava de mim. Eu tinha que estar lá por Bella, ao lado dela, independente de qualquer coisa. Quando ela me contou sobre ter decidido tomar os remédios eu tinha prometido ficar junto dela, não poderia fracassar com ela e me tornar um fardo.

— Capitã? — chamei por ela quando voltei para o quarto, Bella continuava na mesma posição e seus olhos estavam abertos novamente. — Você quer assistir algo na TV?

— Não.

Odiava como ela estava monossilábica, odiava como eu não podia fazer nada para tirar aquela sensação ruim de dentro dela. Deitei ao seu lado, meus olhos fixos nos seus, mas Bella logo desviou o olhar.

— Ainda vamos tomar café da manhã na casa do seu pai amanhã? — Carmen queria que fôssemos, para ter todo mundo junto antes de voltarmos a viajar com minha turnê em breve e antes da festa de noivado de Alice que aconteceria naquele domingo de noite.

— Cancelei.

Engoli em seco ao ouvir sua resposta.

— Tem certeza de que não quer ir?

— Sim. — Virou de costas para mim na cama.

Suspirei e não falei mais nada, como logo acabei pegando no sono mesmo contra minha vontade.

***

Acordei confuso, cerca de uma hora depois como o relógio perto da cama informou. Eu estava sozinho, Bella não se encontrava ao meu lado.

Me desesperei com aquilo e rapidamente sai da cama, por sorte segui direto para o banheiro, onde a encontrei. Bella estava na banheira, cercada por espuma, cabelos presos em um coque e abriu seus olhos quando me ouviu.

— Ei, é um banho para dois? — questionei, fingindo estar animado, querendo disfarçar a preocupação sentida ao pensar no que ela poderia estar fazendo quando não a vi na cama.

— Ed…

— Você colocou aqueles sais de banho que Kate te deu de presente de aniversário? — Fiz menção de tirar minha cueca, mas ela me impediu de fazer isso com suas próximas palavras.

— Edward, quero que você me deixe sozinha! — Bella exclamou, o sorriso no meu rosto morreu ao ouvir suas palavras.

O rosto dela era inexpressivo, como se ela não sentisse nada.

— Ok — murmurei e sai do banheiro, deixando-a sozinha lá dentro como queria ficar.

Peguei um short no meu closet, vesti e saí do quarto, precisava respirar um pouco e lá dentro me sentia sufocado. Fui para perto da piscina, sentando na borda e deixando meus pés na água gelada.

Naquele momento quis uma bebida, o que era irônico, pois eu sabia que beber só pioraria a situação.

Passei quase meia hora lá fora, mas não aguentei muito, precisava ver se ela estava bem ou precisando de algo. Retornei para o banheiro, ainda a encontrando na banheira, mas abraçando suas próprias pernas, seu olhar era vazio e tinha olheiras, como também parecia já ter perdido algum peso pela má alimentação.

— Capitã. — Sentei no chão do banheiro, ficando perto da banheira. — Você precisa comer algo.

Ela suspirou.

— Não estou com fome.

— Nem de sushi?

Ela balançou a cabeça em um aceno negativo.

— Estou enjoada.

— Talvez precisemos ligar para seu médico e pedir para ele trocar sua medicação — falei apoiando meus braços na borda da banheira e colocando meu queixo sobre um deles. — Não pode ficar sem comer.

— Eu quase liguei para ela — contou.

Franzi o cenho, sem entender, até que me dei conta de quem ela estava falando.

— Sua mãe? — Bella assentiu.

— Peguei o número do celular de Alice quando ela veio me ver ontem, quase liguei.

— Você quer ligar? Acha que vai se sentir bem com isso?

Negou novamente.

— Quer fazer alguma outra coisa?

— Só não quero sair dessa banheira.

— Tudo bem, você pode ficar aí.

Era bom ver ela falando um pouco mais, mesmo que ainda fossem palavras que deixavam claro como estava vulnerável.

— Você quer que eu deixe o banheiro de novo, linda?

— Eu vou estragar tudo, se continuar te afastando, deveria ser mais forte do que as coisas que esse remédio me faz sentir. Você vai cansar de mim, vai cansar dos meus problemas.

— Eu disse que não te deixaria, Isabella.

— Quero que me deixe, se um dia ficar comigo se tornar um sofrimento para você.

— Bella…

— Sei que quando você me deu a caixinha de música te fiz prometer não me deixar, mas eu não quero te machucar de maneira sem conserto. Então, quando ficar difícil demais você tem que me deixar pelo seu próprio bem.

— Você está se tratando justamente para ficar mais fácil.

— E por quanto tempo isso vai durar? Alguns meses, um ano, até eu surtar tudo de novo, Edward. Você não estava lá no passado, quando tentei me matar, aquilo vai acontecer de novo um dia e isso irá te destruir, Edward.

Um alerta gritou em minha mente naquele momento, eu sabia que se ela estivesse pensando em se matar naquele instante deveria pedir ajuda médica para Isabella imediatamente. Me movi até estar sobre meus joelhos, o olhar dela acompanhou meu rosto.

— Preciso que me diga se está pensando em se matar agora, Isabella. Preciso que seja sincera comigo. Tenho uma ideia de como esse remédio está te tirando da realidade, já estive aí, linda, você pode conversar comigo.

— Não estou — ela murmurou. — Mas sei que um dia vou pensar e não quero que você esteja lá, não quero te colocar nessa situação.

— Eu te amo.

— Edward…

— Eu te amo — repeti.

— Edwa…

— Amo você, Isabella Swan. Amo você quando estamos em um momento fácil ou difícil. Já tivemos conversas assim antes, certo? Eu vou continuar ao seu lado, o mundo pode desmoronar sobre nós dois e eu ficarei ao seu lado, amor.

Ela fechou os olhos e apertou mais suas pernas.

— Bella, olhe para mim, por favor.

Demorou, mas ela fez isso.

— Você me ama?

— Sim — respondeu honestamente.

— Você ficaria ao meu lado se eu estivesse tentando fazer algo contra mim mesmo?

— Sim.

Afaguei seu rosto delicadamente e ela não se afastou com meu toque.

— Não sou o Paul, Bella. — Seu olhar ficou aflito ao ouvir aquilo. — Nem James. Você não é Lauren, nem qualquer outra namorada minha. E nós dois não somos perfeitos, não saímos de um conto de fadas com animais falantes e não vamos viver felizes para sempre, porque nem haverá de fato um para sempre, vamos morrer antes disso e eu tenho certeza de que vamos ter um monte de dias de merda, mas também teremos os momentos felizes. Você terá dias tristes, eu terei os meus, alguns dias podem ser tristes para nós dois ao mesmo tempo e talvez a gente se perca um do outro no meio do caminho, talvez seja tão difícil que a gente acabe pensando que não vai achar o caminho de volta, mas eu prometo que vou achar, Capitã. Você é a minha garota, lembra?

Ela assentiu e deu um sorriso pequeno.

— Eu cresci vendo você, te detestei por um tempo, fiquei louco com o que fazia comigo depois, percebi que te amava e nós estamos aqui agora e ainda teremos muito pela frente. Nós podemos nos afastar em algum momento, mas sempre vamos voltar um para o outro, linda. Não é destino, não é Deus, não é nada disso, é o que sentimos, sempre nos colocando um no caminho do outro. Você não vai me perder, eu não vou te perder, isso é tudo.

Afaguei seu rosto novamente e me levantei, mas Bella rapidamente disse:

— Fica, só não entra na banheira, mas fica aqui, me sinto mais segura.

Eu concordei, sem falar nada voltei a sentar no chão, novamente apoiando meus braços na banheira. Bella respirou fundo e se moveu na água, ficando mais perto da borda da banheira e apoiando seus braços perto dos meus, nossos rostos ficando próximos.

Não falamos nada, até Bella pedir por ajuda para sair da água. Eu fiz isso prontamente, ela estava fraca demais para sair da banheira sozinha. Ajudei ela a se secar e a coloquei em um roupão, depois a coloquei na minha cama.

— Você quer comer algo agora? — perguntei para ela, que negou novamente. — Linda, você precisa comer.

— Amanhã eu como, prometo — disse. — Ainda estou enjoada.

— Certo, pelo menos bebe um pouco de água. — Peguei a garrafa que ainda estava perto da cama, entregando para Isabella.

Ela não discutiu, aceitou a água e bebeu um pouco até me devolver a garrafa. Logo Bella estava se deitando, eu puxei o cobertor colocando sobre seu corpo, os olhos dela se encontraram com os meus e sorri.

— Tenta dormir um pouco, Capitã.

— Vou tentar.

Eu deitei ao seu lado, mantendo distância entre nossos corpos para não a sufocar com minha aproximação. Bella manteve a distância, mas sua mão encontrou a minha sobre o colchão e foi assim que ficamos pelo resto da noite.

Ela não dormiu, eu muito menos. Já era de manhã quando por fim peguei no sono, sentindo Bella mexer em meus cabelos.

***

Quando acordei no domingo Bella estava no banho novamente, eu a convenci a descer depois disso e a levei para a cozinha. Rosalie não estava, tinha saído com Emmett para a praia aproveitando o dia de folga do segurança, mas minha mãe e Leah sim.

Por sorte Esme tirou Leah do caminho chamando ela para ver algo na sala de TV, deixando-a longe de Bella que definitivamente não precisava de Leah por perto naquele momento. Minha namorada aceitou um pedaço do bolo que mamãe tinha feito, com um pouco de suco.

— Só mais um pouco, Capitã. Olha o aviãozinho de chocolate! — insisti levando o garfo até perto da sua boca, o que fez Bella rir um pouco, era muito bom ver ela rindo.

— Idiota.

— Sou, agora abre essa boca e engole tudo.

— Já ouvi isso antes — falou antes de abrir a boca e pegar mais aquele pedaço de bolo.

Foi a minha vez de rir por sua piadinha sexual, mas no fundo choraminguei por aquilo. Não tínhamos sexo desde que Bella começou a tomar seu remédio, a líbido baixa também era um efeito colateral, claro que eu sentia falta do sexo, não precisava fingir que isso não me incomodava, mas não era babaca ao ponto de ficar reclamando com ela por isso.

— Desculpa por não estarmos fodendo — ela sussurrou, eu balancei a cabeça ao ouvir aquilo.

— Não se preocupa com isso, Capitã. Vamos transar quando seu corpo se acostumar ao remédio.

— E se ele não se acostumar? Muita gente fica com a líbido baixa mesmo depois do tempo de adaptação.

— Viramos celibatários — brinquei, ela riu mais um pouco. — Sério, tá tudo bem, não estamos mais numa relação só sobre sexo, né? Podemos aguentar, eu posso.

— Mas sexo ainda é muito importante na nossa relação.

— Vai tudo se ajeitar, linda. — Beijei sua bochecha e apontei para o copo de suco sobre o balcão. — Bebe mais um pouco.

— Se eu beber vou acabar vomitando, já tô muito enjoada do que comi e bebi até agora — falou colocando uma mão na altura do estômago.

— Tá, mas vai comer mais ainda hoje e algo mais saudável que bolo de chocolate.

— Sim, senhor — resmungou.

— Vamos pra piscina?

— Quero ir pra cama.

Eu concordei, sabia que não ia adiantar forçar seus limites e que ela precisava ir no seu próprio tempo.

— Vem, vamos pro quarto. — Estendi uma mão para ela a ajudando a sair do banco que estava sentada.

— Obrigada por cuidar de mim, pirralho — agradeceu.

— Sempre.

Envolvi um braço ao redor do seu corpo, colocando ela mais perto de mim.

***

Mais tarde naquele domingo precisei sair para ensaiar mais um pouco para a apresentação que faria no dia seguinte, mas assim que acabei voltei para casa encontrando minha irmã e minha namorada assistindo TV com Emmett na sala. Minha mãe estava na cozinha, para onde Leah que dormiria ali aquela noite também foi quando chegamos.

— Oi, Capitã. — Beijei seus lábios rapidamente. — Como está se sentindo?

— Cansada, mas sua irmã me convenceu a sair do quarto.

— Isso é bom. — Sentei perto dela e Bella me colocou debaixo da manta que estava sobre si também. — O que vocês estão assistindo?

— Stranger Things — Emmett e Rosalie responderam juntos do outro sofá onde estavam. — Acabamos de começar o primeiro episódio, você já viu? — o segurança me perguntou.

— Ainda não — respondi, meu celular vibrou dentro do bolso e eu o peguei, era Ness mandando mensagem.

Ness: Como a minha irmã tá? Ela não me responde.

Ed Cullen: Parece um pouco melhor hoje, consegui fazer ela até almoçar mais cedo, não muito mas foi algo. E antes disso já tinha comido um pouco de bolo.

Ness: Ai, que bom!!!

Ed Cullen: Você vai para o noivado da Alice?

Aquela hora já deveria estar acontecendo.

Ness: Não mesmo, mas papai e Carmen já foram, eu estou com a Lucy e o Riley hoje. Se a Bella precisar de algo me avisa, tá? E talvez seja melhor ela não entrar em redes sociais hoje para não ver nada sobre a festa.

Ed Cullen: Pode deixar, vou manter ela longe das redes sociais. E se precisarmos de algo te aviso.

Ness: Certo, até mais, cunhado!

Eu sorri para sua mensagem.

Ed Cullen: Até mais, cunhada.

Larguei meu celular de lado no sofá e abracei Bella, que estava concentrada na tela vendo a série.

— Sinto falta dos anos oitenta — sussurrei para ela analisando a trilha sonora da série, Bella riu baixinho.

— Você nasceu nos anos noventa, pirralho.

— Eu sei, mas os anos oitenta tinha músicas bem legais.

— Não posso discordar disso. Com quem tava falando?

— Sua irmã — respondi honestamente.

— Ness, né? Alice agora deve estar bancando a noiva feliz.

— Sim, Renesmee. Agora tenta não ficar pensando muito no noivado de Alice.

Bella apenas resmungou, mas não disse nada. Olhei para minha irmã que estava beijando Emmett, fiz uma careta, mas estava feliz por ela estar com alguém que gostava e mais feliz por não ser o idiota do Demetri.

***

A segunda-feira seria cheia para mim, já que eu teria de estar na premiação — voltada para TV e cinema — onde tocaria e ainda ir para a after party depois disso, claro que com Leah na minha cola. Como Bella ainda estava mal por conta dos efeitos dos remédios ela não iria estar me assessorando, Jessica iria no seu lugar, ficaria em casa com minha mãe e Rosalie.

— Vai me ver na TV? — perguntei para Bella antes de sair de casa, ela estava encolhida na minha cama cercada por Shrek, Madonna e Amy, Woody estava pulando pelo meu quarto.

— Vou sim — ela respondeu soando exausta, ainda estava dormindo e comendo muito mal. — Divirta-se na festa.

Andei para perto da cama e beijei os lábios de Bella que estavam ressecados, Madonna latiu para mim naquele instante.

— Você está com ciúmes? — perguntei para Madonna deitada sobre Bella, minha namorada sorriu e afagou a cabeça da cadela.

— Eu acho que ela não quer me dividir com você — Bella anunciou, eu rolei os olhos e beijei minha namorada novamente, mas uma vez escutando o latido de Madonna.

— Ok, Madonna, eu entendi! — exclamei e ela latiu uma terceira vez.

— É melhor você ir antes dela tentar te morder — Bella declarou.

— Ingrata! — exclamei para Madonna, passei a mão nela, depois em Shrek que não latiu para mim, em Amy que era o anjo entre aqueles animais, Woody parecia estar debaixo da cama então não tive como chegar até ele.

Pedi para Bella me ligar caso algo acontecesse e fui embora, eu cumpri meu papel direitinho durante a premiação, passei pelo tapete vermelho com Leah, falei com os jornalistas, socializei dentro do teatro com as pessoas indicadas por Jessica e fiz uma boa apresentação de Hollywood. Mas, na after party toda minha calma e tranquilidade esteve por um fio.

Leah estava falando com Jane que estava na festa também, quando eu me movi até o bar para pegar uma garrafa de água. Afinal, os garçons circulando pareciam só ter álcool em suas bandejas.

— Sua apresentação foi ótima! — eu reconheci a voz, olhei para o lado e vi Roger Tucker parado perto de mim e sorrindo. — Oi, Ed!

Engoli em seco, não falava com Roger, muito menos o vi, desde o dia que transamos no Havaí. Mas ali estava ele, assim como ali estava minha ansiedade pronta para me enlouquecer com a proximidade dele. Uma vez que, ainda não estava, provavelmente nunca estaria, seguro de que ele guardaria o segredo do que ocorreu entre nós dois.

— Oi — murmurei, Roger sorriu mais, porém ficou quieto quando o barman voltou com a água que eu tinha pedido antes.

— Como você está? — perguntou quando o barman tornou a se afastar.

— Bem.

— Foi horrível aquilo que rolou no seu show em Berlim.

— É, foi mesmo — falei franzindo o cenho, abrindo a garrafinha de água e bebendo um pouco.

— Ed, você não precisa ter um colapso só porque estou falando contigo. — Roger riu. — Está tudo bem, cara. Não contei sobre o que rolou no Havaí, nem vou contar, para ninguém.

Assenti bebendo mais um pouco de água.

— Cadê sua esposa? — indaguei olhando ao redor procurando por ela.

— Em casa, ela não estava se sentindo muito bem — Roger respondeu. — Na verdade, ela está grávida.

— Ela está grávida!

Até eu me assustei com minha exclamação em tom de voz muito alto e surpreso, então limpei a garganta e bebi mais água.

— É, eu te disse que era bi, isso significa que fodo com minha esposa também — Roger disse e deu de ombros. — Não que eu quisesse esse bebê, mas vai ser bom para minha imagem ter um filho e brincar de pai de família.

— Aham, claro — falei e larguei a garrafa de água sobre o balcão do bar. — Preciso ir ao banheiro.

— Isso foi um convite, Ed?

Eu estremeci ao ouvir suas palavras, poderia ter sido um convite em outro tempo da minha vida, mas ali definitivamente não era.

— Não, eu…

Roger gargalhou, fazendo com que eu parasse de falar.

— Tô brincando, Cullen. Pode ir, não vou te seguir. Te vejo por aí, ou talvez não, você parece estar morrendo de medo de mim.

Não falei mais nada, apenas me afastei seguindo até onde ficavam os banheiros. E para adicionar mais tensão a porra daquela noite, quando entrei ali dei de cara com Paul debruçado sobre a bancada da pia do banheiro usando um dólar para cheirar a cocaína distribuída ali.

— Cullen! — ele exclamou, já chapado, quando olhou para mim. — Veio se juntar a minha festinha? — Apontou para o resto da cocaína, não era algo inédito ter alguém cheirando em uma festa como aquela, quase sempre acontecia, eu fui o cara cheirando no banheiro por incontáveis vezes.

— Não — falei entre dentes, o banheiro estava claramente vazio, apenas nós dois nos encontrávamos ali.

Naquele momento estava furioso, pensando que aquele filho da puta tinha sido a pessoa responsável por colocar Bella em contato direto com drogas no passado. Além de ser uma das pessoas responsáveis por tudo que ela ainda sofria, se ela estava tendo de ser medicada e mal com os efeitos colaterais Paul tinha certa culpa sobre isso.

— Eu sei que você gosta — Paul disse rindo e cheirou mais um pouco. — Cadê sua namoradinha?

— Leah está lá fora e estou saindo também, tomara que você tenha a porra de uma overdose e morra — disparei.

— Não estou falando da sua namoradinha Leah, estou falando da sua namoradinha Isabella.

Ele riu mais e se aproximou de mim, deixando seu dólar sobre a bancada da pia, a cocaína já tinha ido embora por completo.

— Mande um oi para ela por mim, Eddie. — Deu uma batidinha em meu ombro e eu o empurrei, sem conseguir me conter, Paul riu de novo sem se importar.

— Cuidado com o que faz comigo, seu merdinha. Eu posso foder com sua vida e com a da sua namorada — ameaçou e eu tive de aceitar suas ameaças, tive de me convencer a não arrebentar a cara dele, pois sabia que isso não seria bom para mim, muito menos para Bella.

Paul se olhou no espelho, ajustou sua roupa e cabelos e antes de sair jogou algo para mim. Eu aparei, meu reflexo falando mais alto, vendo então o que ele tinha jogado para mim, um pacotinho de cocaína.

— Relaxe um pouco, você está muito nervoso — Paul falou e saiu do banheiro.

Antes que pudesse descartar a cocaína o representante da marca de celular que eu era o garoto propaganda entrou no banheiro, fingi um sorriso e enfiei o pacote no bolso da minha calça.

— Ed, tenho que te apresentar para algumas pessoas, garoto! — Connor exclamou, visivelmente bêbado, mas ainda temia em me livrar da cocaína na frente dele e acabar encrencado por isso.

— Vamos lá!

Deixei o banheiro com ele e fui cumprir meu papel de bom moço, como se não tivesse cocaína no bolso.

***

Já estava farto daquela festa, principalmente por ter que ficar desviando de Roger e Paul — que estava ali com sua noiva —, quando fui abordado por mais uma pessoa indesejável. Eu estava conversando com Jane, Leah estava comigo, quando Lauren apareceu.

Fazia algum tempo que não ouvia falar dela, minha ex-noiva estava relativamente afastada das notícias desde que Jacob foi exposto e eles dois acabaram. O cantor também seguia calado, em férias que eu sabia serem mais para limpar sua imagem do que qualquer outra coisa.

— Ed, olá! — Lauren chegou sorridente e acenando, senti Leah passar um braço ao redor do meu corpo e tocar em meu peito com a outra mão. — Jane, quanto tempo não nos vemos — Lauren falou para minha amiga, dando um abraço nela, Jane fez uma careta.

— Pois é, não te vejo desde que você largou meu amigo para foder com o Black — Jane ironizou, Lauren ficou visivelmente constrangida e se voltou para mim.

— Como você está, Ed?

— Muito bem, obrigado. — Beijei o topo da cabeça de Leah ao terminar de falar e minha falsa namorada falou com Lauren.

— Olá, Lauren.

Minha ex avaliou Leah da cabeça aos pés e com deboche disse:

— Leah, né? Muito bom conhecer a secretária que está com Ed.

— Assistente — Leah a corrigiu. — Você veio sozinha? Como está o Jacob? Ah, desculpe, esqueci que ele te largou.

Eu ri, não tive como controlar, assim como Jane também. Lauren ficou vermelha de ódio e se afastou pisando firme em seus saltos, me voltei para Leah e exclamei:

— Parabéns!

— Obrigada — Leah riu.

— Estou feliz que a Lauren te largou, Ed — Jane falou. — Leah é muito mais legal que ela.

Eu assenti para minha amiga, quando por dentro me sentia um merda. Queria dizer que Leah e eu éramos fruto de um contrato forjado pela minha verdadeira namorada, que naquele momento estava na minha casa.

— Acho que já ficamos tempo demais nessa festa, vamos procurar Jessica e dizer que queremos ir embora — falei para Leah, eu queria voltar para Bella.

***

Minha irmã e minha mãe já tinham ido dormir quando cheguei a mansão, Leah desejou boa noite e foi para o quarto que ocupava. Fui para o meu depois de bajular um pouco Madonna e Shrek que acordaram quando cheguei e estavam na entrada da mansão, Bella devia ter colocado eles dois, Woody e Amy para fora.

— Ok, agora vou dormir, se comportem — ordenei e segui para a escada.

Logo estava entrando no meu quarto, encontrando Bella sentada na cama tirando seus cabelos do que parecia ter sido uma trança antes.

— Capitã, você não dormiu nada? — indaguei tirando meus sapatos e meias.

— Você se encontrou com a Lauren — falou ignorando minha pergunta, seu olhar fixo no meu rosto.

— Como você já sabe disso?

— Tiraram fotos de vocês e colocaram na internet.

— Claro que fizeram isso — resmunguei. — Ela só se aproximou para encher o saco. — Tirei o blazer que usava, depois a camisa, largando tudo pelo chão. — Preciso de um banho.

— Você tem certeza? — questionou.

— Que preciso de um banho? Sim, estou louco por um. — Tirei minha calça e a deixei no chão também.

— Tem certeza de que não aconteceu nada com Lauren?

Olhei confuso para Isabella, ela tinha terminado de tirar seus cabelos da trança, mas ainda me encarava.

— Não aconteceu nada, Isabella. Ela só se aproximou, cumprimentou Jane, Leah e eu, encheu minha paciência por poucos minutos e se afastou depois que Leah debochou da cara dela sobre Jacob.

Bella assentiu.

— Ok.

Ela não parecia estar sendo sincera em aceitar o que falei, mas decidi não discutir por aquilo. Os últimos dias não tinham sido fáceis para Bella, aquilo era só ela reagindo ao remédio e tornando algo pequeno muito maior.

— Vou tomar banho — avisei indo para o banheiro.

Demorei o máximo que pude ali, saindo enrolado em uma toalha. Foi quando vi Isabella parada no meio do quarto.

— O que isso estava fazendo no seu bolso, Edward? — Bella indagou, olhei para sua mão e vi o pacotinho de cocaína ali.

Puta merda!

Eu devia ter me livrado daquilo assim que cheguei, já que não tive tempo, nem como fazer isso durante a festa sem temer ser pego por alguém.

— Isso não é meu, Bella — esclareci, ela encarou o pacote e jogou aos meus pés.

— Você estava usando essa merda com a Lauren?

— Claro que não, nem com ela nem com mais ninguém!

— Eu não estava lá, não posso ter certeza disso — sussurrou. — Não posso saber se você realmente não fez qualquer outra coisa com ela.

— Você acha que eu estava te traindo? — gritei, exausto demais para me manter sob controle. — Eu estava na porra daquela festa todo tempo pensando em você, não venha me acusar de te trair.

Bella começou a chorar e não fui a consolar.

— Essa merda de cocaína era do Paul, eu vi ele cheirando e aquele filho da puta me deu isso. Não joguei fora antes por estar com medo de alguém ver e isso me encrencar e como você viu isso? Estava vasculhando minhas roupas? Eu não acredito que fez isso!

— Não estava! Para de gritar comigo! — exigiu ainda chorando.

— Isabella, sei que você está em um momento delicado se adaptando a bosta dessa medicação e que isso está te deixando ansiosa, triste e tudo mais, só que estou do seu lado todo dia e não vou ficar calado te ouvindo me acusar de te trair. Precisa confiar em mim, como confio em você!

— Não era eu que estava na mesma festa que minha ex — ela disse irritada, mas sem conseguir parar de chorar.

— Pois é, eu estava lá com minha ex e seu ex também, foi uma excelente noite para mim, querida — debochei. — Acho que você pode dormir sozinha hoje.

Me abaixei para pegar o pacote e sai do quarto, sem parar para olhar novamente para Isabella. No corredor topei com minha mãe, que não parecia nada contente.

— O que aconteceu?

— Eu só quero dormir, não me estressa também.

Fui para um dos quartos de hóspedes vazios e me tranquei ali, no banheiro daquela suíte abri o pacotinho de cocaína e despejei tudo de uma vez dentro do vaso sanitário, antes de cair em tentação e acabar cheirando. Quando me livrei de tudo estava chorando, sentei no chão do banheiro e fiquei ali chorando e tremendo por pelo menos uma hora até me forçar a ir para cama dormir.

***

Acordei quase na hora do almoço no dia seguinte, por sorte não tinha nada para fazer aquele dia além de arrumar malas. Eu estaria voando no dia seguinte, voltando para a turnê, sua última parte que teria seu encerramento em New York no dia treze de outubro.

Sai do quarto de hóspedes onde passei a noite e fui para o meu, Bella não estava mais na cama e mesmo querendo saber onde ela estava e se estava bem, eu primeiro fui tomar um novo banho e me vestir. Peguei meu celular, que estava junto da calça que usei na noite anterior, conferi mensagens — nada de Bella —, redes sociais — vendo as fotos tiradas minhas e de Lauren, onde Jane e Leah também apareciam — e até mesmo e-mail.

Nada urgente, não tinha nada incriminador nas fotos com Lauren e meus fãs que não me queriam com ela estavam fazendo comparativos entre minha ex e Leah. Falando como a Clearwater era linda e Lauren não, coisas do tipo. Os relatos das pessoas na festa diziam a verdade, isso era até uma surpresa, sobre o encontro que tive com Lauren, rápido e impessoal.

Estava quase guardando o celular quando vi a atualização de Rosalie de algumas horas atrás. Minha irmã tinha postado uma foto com Emmett que claramente estava oficializando a relação dos dois, a legenda dizia:

"Obrigada por me fazer rir, Emmett!"

Ela tinha até colocado um coração no fim de sua frase. Antes de curtir a foto vi que Leah já tinha curtido, assim como Kate e até mesmo Bella. Suspirei e curti a foto, não comentei nada, mas vi alguns comentários.

Leah tinha escrito:

"Lindos!"

E algumas fãs minhas que seguiam Rose falaram:

"É O SEGURANÇA DO ED?"

"A Rosalie pegando o segurança gostoso do Ed, RAINHA."

"O Emmett não tem Instagram???"

Larguei o celular na cama e quando ergui o olhar vi Bella na porta do quarto, usando um moletom meu.

— Desculpa — ela pediu. — Por ter te acusado de me trair, foi ridículo, eu deveria mesmo confiar em você cem por cento. Desde que começamos a namorar não me deu qualquer motivo para duvidar da sua honestidade sobre nós dois. Me desculpa também por ter dito que a cocaína era sua, mas aquilo me pegou de guarda baixa.

Sentei na cama, Bella andou até estar próxima e se sentar também, mas ainda mantendo uma distância entre nós dois.

— Você não usou aquilo, usou? — perguntou nervosa, eu esfreguei meu rosto com as mãos.

— Estou limpo, Isabella. Estou limpo desde que bebi após a morte do Stefan, você precisa acreditar em mim.

— Eu acredito, só que ver aquilo na sua roupa me apavorou.

Olhei para ela e bufei.

— Você não deveria ter mexido na minha roupa.

— Não estava vasculhando suas coisas, fui juntar sua roupa e o pacote caiu.

— Não estava mesmo vasculhando?

— Juro que não. Você pode confiar em mim?

— Como você confiou em mim ontem, Isabella? — protestei, ela respirou fundo.

— Podemos zerar o placar?

— Não é assim que funciona, você me acusou de estar te traindo com Lauren e não acreditou em mim quando falei que a cocaína não era minha.

— Você está acabando comigo?

— Isabella, não estou acabando com você — falei ainda exausto.

— Você me deixou aqui…

— Pare! — ordenei, ela se calou. — Você disse que queria um relacionamento saudável comigo, né? Então não vá por esse caminho, nós podemos ter brigas e passar noites afastados sem isso significar que estamos deixando o outro.

— Ok, você está certo. Me desculpa de novo, Edward.

— Tudo bem, te desculpo. Perdão por ter gritado com você também e ter perdido a cabeça daquele jeito, mas não está sendo fácil pra mim também, Bella.

Ela pegou minha mão direita na sua.

— Bom, foi você quem disse que acabaríamos tendo dias tristes ao mesmo tempo, não? Aparentemente ontem foi um desses.

— E encontramos o caminho de volta um para o outro. — Beijei sua mão. — Só que ainda estou mesmo irritado pelo que me acusou, sei que te desculpei, mas vou ficar carrancudo por isso por um tempo, pode ser só mais uns minutos ou alguns dias.

— Também ficaria se estivesse no seu lugar — ela confessou. — Você quer me falar algo sobre Paul?

— Não. — Sabia que ela queria ouvir, mas não tinha muito para contar e sabia que não faria bem para Bella escutar nada sobre aquele cara.

— Certo. Eu acho que vou pra casa do meu pai hoje, Ness está lá e Alice mandou uma mensagem dizendo que vai por lá mais tarde.

— Você está me convidando ou…

— Acho melhor eu ir só. — Afagou minha mão. — Você claramente precisa descansar um pouco.

— Tudo bem. — Eu realmente precisava de pelo menos aquele resto de dia despreocupado antes de voltar a loucura da turnê em breve.

— Te vejo amanhã pra gente assinar o contrato da boate?

Eu sorri.

— Com certeza.

Bella sorriu de volta e se esticou para beijar meu rosto.

— Amo você, Pirralho.

***

Cheguei a produtora um pouco antes do previsto, para conseguir algum tempo com Bella antes de termos de lidar com as assinaturas do contrato de compra da boate. Sai do elevador no andar da sala da Bella, estava sozinho já que Leah não precisaria estar comigo e isso era ótimo.

— Oi, Ed! — Irina exclamou animada quando me viu acenando de seu lugar atrás da mesa que ocupava.

— Oi, Isabella tá na sala dela?

— Tá sim, você pode entrar, ela já está te esperando. Quer beber ou comer algo?

— Não, tô de boa.

Fui para a sala de Bella, a porta estava fechada, mas não trancada. Bati ali e ela lá dentro mandou entrar, abri a porta e vi Bella mexendo concentrada em seu computador.

— Irina, o Ed já chegou? — perguntou sem olhar para mim.

— Tô aqui — respondi fazendo Bella olhar para mim e sorrir. Ela estava maquiada aquele dia, o que disfarçava sua última semana sem quase dormir e se alimentar.

Tranquei a porta e caminhei até Bella, beijando seus lábios e depois sua cabeça.

— Senti sua falta, amor — falei.

Eu ainda estava um pouco irritado por ela ter me acusado de traição, mas tinha tido uma sessão com Vladmir na tarde do dia anterior e estava mais aliviado de toda aquela raiva.

— Também senti a sua, pirralho. — Ela ficou de pé e me beijou mais um pouco. — Pronto para comprar uma boate?

Eu sorri para ela e assenti.

— Sim, eu estava pensando no novo nome, realmente não curto o atual 30 Club, o que acha de Ed Cullen Club?

Bella fez uma careta obviamente não aprovando minha escolha.

— Algum nome melhor em mente? — a questionei.

— Não — respondeu. — Mas acho Ed Cullen Club muito ruim, amor. Estou vetando essa opção.

— Ok, ok, tenho uma segunda ideia.

— Diga.

— Endorfina. — Bella abriu um grande sorriso e assentiu.

— Gosto muito dessa ideia.

— Sabia que ia gostar.

Voltei a beijá-la e naquele dia Bella estava bem o suficiente para aceitar todos meus beijos.

***

Bella e eu passamos cerca de meia hora entre beijos e conversas, tomando as decisões finais sobre a boate. Minha opção de nome, Endorfina, foi completamente aprovada após pensarmos em outros nomes e não gostarmos tanto assim deles. Também decidimos por fim colocar a boate em reforma a partir da semana seguinte, nós dois estaríamos viajando com a minha turnê, mas Bella falaria com os arquitetos e engenheiros certos para conseguirmos ter acesso a tudo mesmo de longe.

Como eu não entendia muito de negócios, praticamente nada, Bella seria a pessoa de fato coordenando tudo da boate sobre isso. Mas não vinte e quatro horas por dia, nem mesmo todos os dias da semana, afinal ela ainda tinha a produtora para cuidar e deixaríamos a boate sob responsabilidade de um gerente e ela cuidaria dos assuntos mais sérios quando preciso.

Mais tarde naquela manhã quando meu advogado chegou, o de Isabella também, assim como os antigos donos da boate que estávamos comprando e os advogados deles fomos para a sala de reunião lidar com os contratos de compra. Tudo levou cerca de duas horas, mas quando acabou Bella e eu éramos oficialmente donos de uma boate.

Minha namorada quis sair para almoçar com todo mundo após finalizarmos com os contratos, era realmente bom vê-la querendo sair e socializar. Nós fomos com os antigos donos da boate — Jean e Milles — e Tanya para um restaurante perto da produtora.

O lugar estava cheio, então tivemos que esperar por uma mesa, mesmo que eu tivesse chorado para todas as garçonetes do lugar me conseguirem uma mesa já que estava morrendo de fome. Ao menos Jean e Milles sabiam ser divertidos e estavam fazendo todos rirem. Tanya também fez com que Bella e eu tirássemos fotos juntos pelo restaurante para anunciarmos nas nossas redes sociais sobre a compra da boate e eu só imaginava que aquelas fotos poderiam servir para anunciar nosso namoro, talvez menos a que Tanya tirou em meu celular e me fazia parecer estar com dor de barriga quando na verdade eu estava com fome, ainda assim postei aquela e fiz até uma piada.

"Então, eu sou dono de uma boate agora! Obrigado Isabella por topar entrar nessa comigo. Mas chateado pela minha ideia de nome ter sido vetada, Ed Cullen Club seria ótimo. Enfim, em breve vou deixar vocês saberem o novo nome da 30 Club, que agora está sob nova direção.

ps: minha cara triste na foto é por estar morrendo de fome, ou dor de barriga, vou deixar vocês na dúvida.

#30Club #IsabellaSwan"

Bella também postou uma foto nossa em que a legenda foi:

"Hoje Ed e eu fechamos contrato para a compra da antiga boate 30 Club, em breve traremos mais informações sobre a boate, que entrará em reforma a partir da próxima semana, assim como seu novo nome. #30Club #EdCullen"

Quando finalmente conseguimos uma mesa eu já estava quase desmaiando de fome, comecei logo a atacar as torradas que a garçonete serviu enquanto todos escolhiam o que comer. Assim que fizemos nossos pedidos Bella e Tanya pediram licença e foram até o banheiro, me deixando sozinho com Jean e Milles.

Enquanto eles conversavam eu checava o Instagram, muitas pessoas já estavam curtindo e comentando minha foto.

Bella tinha comentado:

"Dor de barriga!"

Leah tinha escrito:

"Parabéns, querido, estou muito feliz por você e pela Isabella. A boate vai ser um sucesso!"

E minha irmã escreveu:

"Fome!"

Minhas fãs também estavam comentando muito na foto, algumas estavam felizes pela compra da boate, outras preocupadas como eu ser dono de uma boate afetaria minha sobriedade e gente falando que eu estava caindo em um golpe de Bella que estava usando o fato de ser minha empresária para tirar mais dinheiro de mim com a boate. Aquilo me deixou puto, mas não briguei com ninguém e curti os comentários bons, depois fui comentar na foto de Isabella, onde a maioria dos comentários que ela estava recebendo eram os ruins.

"Infelizmente o nome não será Ed Cullen Club, apesar de ser um nome maravilhoso!"

Comentei e atualizei o feed, vendo que ela tinha recebido um comentário de Alice.

"Yay, entradas grátis!"

E um de Richard que me encheu de ódio.

"Me deixem saber quando ocorrer a festa de inauguração, quero estar lá, sucesso!"

Desliguei meu celular e evitei mandar Richard se foder.

***

No dia trinta daquele mês de setembro nós estávamos em Charlotte na Carolina do Norte, onde tocaria na noite seguinte. Estava sozinho no meu quarto de hotel, Bella tinha ido para seu quarto ficar um pouco sozinha e tentar dormir.

Nós estávamos fazendo assim desde que voltamos para a turnê, uma noite dormindo juntos e uma noite não. Era uma forma de nos darmos espaço e estava até sendo bom para aprendermos a não ficarmos sempre colados um no outro, também era bom para Bella conseguir se sentir menos sufocada durante aquele início do seu tratamento e eu não me sentir focado demais nela vinte e quatro horas por dia.

Ela estava melhor em relação aos remédios, o que nos dava a esperança de que o tempo de adaptação estava de fato se cumprindo e logo ela estaria só colhendo as coisas boas do remédio. Ainda estava enfrentando em sua maioria a falta de fome e a insônia, mas já se sentia menos angustiada e estava menos apática. Não tínhamos voltado a transar ainda, mas eu sabia que isso poderia demorar mais a voltar ao normal.

Eu coloquei a TV no mudo, onde estava vendo Stranger Things, quando meu celular tocou, era Alec me ligando.

— Oi, Volturi — atendi a ligação.

— Eu vou me divorciar — ele disse me pegando de surpresa. — Não posso continuar nesse casamento, cara. — Parecia estar quase chorando, eu o deixei continuar a desabafar. — Não só por gostar da Ness, mas por saber que não gosto da Amber o suficiente para continuar com ela pelo resto da vida. E sei que logo meu filho vai nascer, que vou ser um babaca por estar deixando a mãe dele quase na reta final da gestação e sei que não vou tentar nada com Renesmee agora, pois ela me vê como um amigo e principalmente por tudo que ela passou recentemente, mas eu não posso ficar mais com a Amber, não aguento mais fingir que estou feliz nesse relacionamento, porque não estou.

— Podemos fazer uma festa do divórcio — brinquei, Alec não riu.

— Muito cedo para brincar com isso, Cullen — resmungou.

— Bom, pelo menos vamos ser da mesma família quando você parar de ser um cuzão e ficar com a Ness.

— Mesma família? Como assim? — ele questionou confuso e eu percebi a merda que tinha falado.

— Nada — murmurei.

— Edward, fala logo — insistiu. — Como poderíamos ser da mesma família se eu ficasse com Renesmee?

Ok, que se foda, ele era um dos meus melhores amigos.

— É uma longa história, mas basicamente eu estou em um namoro falso com Leah e namorando realmente Isabella.

— O quê? — Alec gritou e me obrigou a contar tudo, eu contei.

Depois que narrei toda a história para Alec, que só sabia gritar no meu ouvido de surpresa a cada pedaço daquele enredo hollywoodiano que era minha vida, eu o fiz jurar por seu filho, por seu pai e por sua irmã que ele não contaria aquilo para ninguém. E assim que encerrei a ligação com ele mandei uma mensagem para Isabella, mesmo que ela estivesse do outro lado do corredor.

Pirralho: Contei pro Alec que meu namoro com a Leah é uma armação para as câmeras e contei que você e eu estamos namorando.

Capitã: EDWARD!

Pirralho: Eu sei, falo mais do que devia, mas foi sem querer. Alec estava falando sobre se divorciar da Amber, eu disse que ele deveria ficar com a Ness e que quando isso rolasse nós dois seríamos da mesma família e fui pressionado a contar tudo para explicar o que quis dizer.

Capitã: Caralho, Edward, não sei mesmo como você ainda não contou sobre nós dois para todo mundo.

Pirralho: Você contou para muita gente também.

Capitã: É, talvez…

Pirralho: O que importa é que Alec prometeu ficar calado.

Capitã: Vamos esperar que ele fique mesmo de boca fechada, então, o Volturi vai mesmo se divorciar?

Pirralho: Sim, ele parece decidido sobre isso.

Capitã: Quem sabe ele e minha irmã ficam mesmo juntos, com isso sabemos que Alec vai se tornar o genro favorito do meu pai.

Pirralho: Poxa, que pena!

Capitã: O que você tá fazendo?

Pirralho: Tava vendo Stranger Things antes do Alec ligar.

Capitã: Eu também tô vendo, vamos assistir juntos e depois separamos os quartos de novo?

Pirralho: Beleza, tô indo pro seu quarto.

Capitã: Amo você, pirralho.

Pirralho: Também te amo, linda.

***

No dia quatro de outubro estávamos na Filadélfia, contando com o show que faria ali no dia seguinte teria mais dois em Boston e dois em New York, então a turnê acabaria de vez.

— Só mais cinco shows! — gritei no quarto de hotel da Bella, tínhamos chegado e ido direto para lá, ela estava no banheiro tirando sua maquiagem, queria ir tomar um banho e dormir, mas eu estava com energia demais para isso e era só três da tarde.

Coloquei uma playlist do meu celular para tocar no som do quarto e fui até o banheiro dançando ao som de Get Ready do 2 Unlimited, Bella caiu na gargalhada quando parei atrás dela dançando.

— Edward — falou meu nome sem conseguir parar de rir, segurei na cintura dela e a fiz mexer seu corpo também.

— Sinta a batida, Capitã.

— Sério, para de me fazer rir — implorou ainda gargalhando.

— Não, vamos dançar e comemorar que só tenho mais cinco shows antes de acabar a turnê!

— Vou sentir falta da turnê — ela confessou, eu concordei e beijei seu pescoço, ela já estava usando somente uma toalha ao redor do corpo.

— A próxima turnê pode ser sua.

— Vai sonhando. — Revirou os olhos, mas continuava com um sorriso no rosto.

— Você sabe que vou te convencer a isso. — Beijei seu pescoço novamente, mas fui distraído quando meu celular apitou em uma mensagem.

Era minha mãe, falei com ela um pouco enquanto Bella terminava de tirar sua maquiagem e ao mesmo tempo mexia em seu próprio celular.

— Olha isso! — ela virou seu celular para mim e me deixou ver um tweet do Kevin Ford.

"Vou contar algo muito importante para vocês logo mais, fiquem atentos."

— Será que é sobre a gente?

— Não, não é sobre a gente, Capitã. Ignora esse cara e vamos dançar. — Voltei a me mexer e ela rir, até que Bella parou meus movimentos para me beijar.

— Edward, eu tô afim — ela sussurrou depois do beijo.

— Isso quer dizer sexo?

— Sim, isso quer dizer sexo.

Bella não me esperou dizer mais nada, segurou minhas mãos e me levou para sua cama. Logo eu estava nu e ela tinha se livrado da sua toalha, então estávamos nos agarrando nus e eu já estava fodidamente duro, seria rápido para mim depois de todos aqueles dias sem transar, mas Bella estava parando de reagir a mim.

— Desculpa — Bella pediu me afastando quando comecei a beijar seus seios, respirei fundo e sai de cima dela. — Eu pensei que tava pronta, aparentemente não.

— Tudo bem, linda. — Fiz carinho na sua bochecha, sua expressão era triste. — Vamos no seu tempo.

Ela não disse mais nada, apenas se moveu na cama até estar debaixo do cobertor. A deixei só ali e fui para o banheiro, precisava me livrar da minha ereção, mas optei por um banho gelado, não me masturbar.

Antes de sair do banheiro peguei meu celular que ainda estava lá e chequei o Twitter de Kevin, ele tinha dado a notícia, era sobre o divórcio de Alec. Bom, ele tinha fotos de Alec saindo da sua casa com o carro cheio de caixas.

***

Eu teria três dias sem show em New York antes das duas apresentações que faria na cidade, e Rosalie conseguiu chegar a cidade antes do dia do primeiro show. Ela dizia estar com saudades de mim, mas pareceu mais feliz por estar reencontrando Emmett.

Naquela noite eu teria de ir a um jantar na casa da editora chefe da Vogue com Leah, enquanto isso minha irmã e Emmett convenceram Bella a sair para jantar com eles. Isso me deixou chateado, preferia estar em um restaurante com minha namorada, Rose e até mesmo Emm do que no jantar chato que estava tendo de aturar.

Em algum momento antes do jantar ser servido deixei Leah conversando com o pessoal na sala e fui para o banheiro, mandei uma mensagem para Isabella reclamando como estava entediado, mas ela não me respondeu. Conferi seu Instagram e vi que Bella tinha atualizado seu story na rede social com uma foto de Emmett beijando o rosto da minha irmã e tinha escrito:

"O lado ruim de ser solteira é sair e ficar aguentando os casais se pegando bem do seu lado."

Eu ri da cara de pau dela em se dizer solteira e mandei uma mensagem para minha irmã. Pedi que Rosalie postasse alguma foto de Bella e falasse que ela era linda por mim, como eu já estava há algum tempo no banheiro sai e fui bancar o bom convidado, mas alguns minutos depois, enquanto todos conversavam sobre política, chequei meu celular discretamente e vi que Rose tinha feito o que pedi.

Ela tinha postado uma foto de Bella sorrindo e escreveu:

"@isabellaswan completamente arrependida de sair só com o Emm e eu."

E acrescentou:

"e que mulher linda!"

Sorri e guardei meu celular.

***

Bella chegou primeiro no hotel aquela noite, ela também quase me matou do coração quando entrei no meu quarto e a vi sentada no sofá.

— Desculpa, não queria te assustar — falou quando sentei ao seu lado, ela beijou meu rosto, deixando com que eu me livrasse dos sapatos que estava usando. — Seu jantar foi muito chato?

— Bastante — respondi. — E o seu?

— Apesar de Emmett e sua irmã não pararem de se agarrar foi divertido, ele é bem divertido e ótimo com imitações — contou. — Sabia que ele já tinha participado de um daqueles grupos de improviso?

— Não, não sabia. Vai dormir aqui hoje?

Ela sorriu e deu de ombros.

— Só se você quiser.

— Eu sempre quero, linda.

Ela sorriu e ficou sobre meu colo, o que fez seu curto vestido preto subir um pouco mais, deixando suas coxas praticamente descobertas por inteiro.

— Você estava por aí com esse micro vestido, Isabella? — perguntei percorrendo as mãos por sua pele quente.

— Estava e a noite inteira fiquei pensando em como seria você tirar esse vestido de mim, senhor Cullen.

Meus olhos se encontraram com os dela no mesmo instante.

— Você acha que tá pronta?

— Acho que podemos tentar — sussurrou e mordiscou seu lábio inferior. Talvez ela realmente conseguisse daquela vez, já estava livre dos efeitos ruins do remédio desde Boston e quem sabe a líbido tinha se normalizado.

Fiz ela parar de morder seu lábio para beijá-la, ainda segurando em suas coxas e lentamente subi seu vestido. Interrompemos o beijo para terminar de tirar a roupa dela, jogamos no chão e voltamos a nos beijar.

Ela não estava usando um sutiã, então levei uma mão até seu seio esquerdo e senti Bella arrepiar. Isso era bom, era realmente bom sentir ela reagindo a mim daquela forma.

— Amo você — sussurrei ao afastar nossos lábios, levando minha boca até seu pescoço.

Bella gemeu e colocou uma mão em meus cabelos, enquanto a outra estava sobre meu ombro. Fiquei um bom tempo beijando seu pescoço, sem pressa, apenas querendo que Bella tivesse tudo no seu tempo.

— Ei — ela murmurou e fez com que eu beijasse seus lábios. — Também te amo.

Nos afastamos um pouco para tirarmos a jaqueta e a camisa que eu usava, elas foram para o chão também. Bella deslizou suas mãos sobre meu peito e barriga, olhando seus dedos percorrendo em meu corpo, eu olhava para seu rosto corado, seus lábios inchados por nossos beijos e seus longos cílios.

— Capitã? — Ela ergueu o olhar para mim. — Você é tão linda.

Ela sorriu e corou mais, segurei no seu rosto e a beijei como se fosse a última vez. Felizmente não era, ainda teríamos muitos e muitos beijos.

Isabella Swan era a mulher da minha vida, eu a amava, perdidamente. E naquela noite decidi que no momento que o contrato que me mantinha preso a Leah acabasse pediria Bella em casamento, nós teríamos um grande casamento em New York no Plaza assim que ela escolhesse uma data.

— Sim — ela disse, me fazendo a olhar confuso. — Sim, eu definitivamente quero transar com você hoje, Ed Cullen, estou pronta.

Aquilo me fez rir, mas não durou muito, logo estávamos ocupados demais para risadas. Os restos das nossas roupas estavam no chão pouco depois, quase tão rápido quanto eu já estava levando Bella para a cama.

— Eu estava com saudades — Bella sussurrou depois do sexo, deitada sobre mim, enquanto mexia em seus cabelos. — De você, de nós dois juntos e de mim.

— Você está bem?

Ela assentiu contra meu peito e falou:

— Nunca estive tão bem, amor.

***

Era o último dia da turnê, o último show logo começaria. Eu estava no meu camarim, sozinho.

Minha mãe, Rosalie e Leah já tinham passado por ali. Até Emmett que estava de folga tinha ido lá desejar boa sorte, ele assistiria ao show do camarote junto da minha irmã, Leah também ficaria com eles aquela noite.

Alguns dos meus amigos também passaram por lá, nós teríamos uma grande festa de encerramento depois do show e muitos estavam na cidade. Alec apareceu com Riley e Lucy, o Volturi estava dividido entre estar triste e feliz com o seu divórcio, que não estava indo muito bem porque Amber queria ir para a Inglaterra e não voltar mais para Los Angeles, o que afastaria Alec do filho.

Ness, Carmen e Alice também foram me ver. Eu não vi Charlie, mas sabia que ele estava em seu próprio camarim, tocaria comigo aquela noite, uma surpresa para os fãs, algo orquestrado por Bella, claro.

E ela foi a próxima pessoa entrando no meu camarim, enquanto eu convencia a mim mesmo que não precisava da presença do meu pai aquela noite. Estava bem sem ele, se Carlisle não me aceitava não ficaria chorando por isso.

— Está quase na hora — ela anunciou e a olhei pelo espelho, estava parado na frente dele me encarando por um bom tempo.

— Não acredito que esse dia finalmente chegou — sussurrei, Bella parou ao meu lado e sorriu para mim.

— Lembro do primeiro dia da turnê como se fosse hoje.

— Eu também, especialmente pelo sexo com Heidi aquela noite. — Bella riu e bateu no meu braço, mas depois fez com que ficássemos de frente um para o outro e tocou no meu cordão que deu para mim, ela como quase sempre também estava usando o seu de microfone.

— Estou tão feliz por você, Ed — falou, seus olhos estavam marejados. — Foram longos meses de turnê, aconteceu tanta coisa, mas você lidou com tudo da melhor forma possível… — Algumas lágrimas rolaram por seu rosto e ela me abraçou apertado.

— Cante comigo — pedi, ela me afastou e negou com um aceno de cabeça. — Por favor, Capitã.

— Não, claro que não, Edward.

— Suba naquele palco, cante e toque Johnny Cash comigo — insisti.

— Meu pai veio de Los Angeles só para isso e ele nem deveria estar em um viagem assim ainda depois da cirurgia que fez, mas está aqui e vocês cantarão juntos, será ótimo.

— Eu tenho certeza de que Charlie iria amar ver você naquele palco, Bella.

— Não vai acontecer, Edward.

— Você ainda tem tempo até tomar sua decisão final, Capitã.

Toquei no cordão dela e beijei sua testa.

***

Antes de subir ao palco eu me reuni com toda a equipe, como fiz antes de quase todos os shows daquela turnê.

— É o último dia hoje, pessoal! — exclamei. — Sei que tocamos aqui em New York ontem, mas hoje é realmente o final. Estamos tocando pelo país e pelo mundo desde maio, tivemos vários problemas no caminho, mas agora só quero agradecer vocês por terem sido incríveis durante os últimos meses e espero estar com vocês em breve para uma nova turnê. Mas, antes de qualquer coisa, vamos fazer o melhor show que New York já viu.

Jasper do meu lado gritou, então todos gritaram também. Eu abracei meu amigo primeiro, depois recebendo mais abraços até me apressarem a ir para o elevador que me levaria para o palco, mas antes disso encontrei Bella no meio de todo mundo e a abracei, sussurrando em seu ouvido:

— Me encontre no palco, Capitã.

Eu me separei dela, sorri para minha garota e fui para meu lugar. Aquela noite estava ansioso, mas antes disso estava muito feliz.

***

O show estava incrível, mas ele conseguiu ficar ainda melhor quando eu anunciei a atração surpresa na hora de Johnny Cash. Olhei para a lateral do palco e não foi Charlie que vi ali, foi Isabella carregando o violão do seu pai.

— Senhoras e senhores, com vocês, Isabella Swan! — falei animado ao microfone.

Os gritos se fizeram ser ouvidos, mas as vaias também estavam presentes. Eu as ignorei, tinha de as ignorar, aquele não era só um momento especial para mim, mas para Isabella também e tinha de estar tranquilo para ela se sentir segura.

Minha namorada caminhou para o centro do palco com um sorriso nervoso no rosto, agarrada ao violão do pai e olhando em minha direção, as luzes do show a iluminavam e ela parecia estar numa pintura para mim. Isabella parou diante o outro microfone já preparado ali, inicialmente para Charlie, mas estava feliz que seria ela o usando aquela noite.

— Obrigado por subir ao palco, Isabella — agradeci falando no microfone e olhando para ela, depois para o público. — Pela primeira vez nesta turnê, Isabella Swan cantando Johnny Cash! — exclamei e mais gritos e vaias foram ouvidos.

Nós começamos a tocar juntos, então eu pude iniciar a canção.

Vivendo em uma cidade pequena. Dono de grandes sonhos. Seu melhor amigo era seu violão. Ele queria seguir sua paixão.

A música era tudo em seu coração. Sua salvação. Toda sua motivação. Se enchia de obstinação — Bella cantou e naquele momento eu quase fodi com tudo e fui beijá-la, mas me concentrei na canção.

Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Presley. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples — cantamos juntos, Bella também não conseguia parar de sorrir. — Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Presley. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples.

Seus sonhos. E seus desejos. Ele era capaz de tudo para concretizá-los — cantei.

Mas ele era apenas um garoto da cidade pequena. Preso a um mundo limitado. Sem ter para onde ir — ela cantou.

Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Elvis . Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples. — Voltamos ao refrão. — Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Elvis. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples.

Eu deixei meu lugar e andei até Bella, para dividirmos o seu microfone na próxima parte da música.

Ele seguiu sua paixão. Pegou um avião. Com seu fiel violão. Cidade grande. Luzes por todo lado. Onde todos queriam ser os melhores.

Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Elvis . Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples. — A voz de Bella vacilou no último refrão e notei que ela estava quase chorando, mas conseguiu se manter cantando e talvez ainda assim era melhor do que eu. — Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Elvis. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples.

A última estrofe da música deveríamos cantar juntos, mas eu me afastei alguns passos e a deixei finalizar a canção sozinha. Era a música dela e aquele era o seu momento.

Ele decidiu deixar de lado o sonho de ser Cash. Ou mesmo Elvis. Ele seria grande. Por seu próprio nome.

Assim que ela acabou eu bati palmas, devo ter sido o primeiro ali a fazer aquilo, mas logo o público estava a ovacionando também e se alguém vaiou eu sequer me importei em prestar atenção. Isabella agradeceu ao microfone rapidamente, assim como acenou e sorriu.

Ela se voltou para mim e fui a abraçar rapidamente.

— Você foi perfeita, Capitã — falei para ela, que suspirou em meus braços e me soltou em seguida. No entanto, ela não conseguia parar de sorrir, muito menos eu.

A deixei sair do palco e voltei a fazer meu show, ainda mais feliz do que antes.

***

Quando cantei minha última música oficial do setlist, que deveria de fato encerrar o show e a turnê, todo mundo já estava pedindo para eu cantar mais. E assim eu fiz, já era algo que tinha decidido naquele dia e minha banda começou a tocar I'm Still Standing do Elton John.

You could never know what it's like. Your blood like winter freezes just like ice. And there's a cold lonely light that shines from you. You'll wind up like the wreck you hide behind that mask you use.*

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Eu cantava aquela canção pensando no Edward que foi parar na reabilitação, aquele que estava perdido.

And did you think this fool could never win. Well, look at me, I'm coming back again. I got a taste of love in a simple way. And if you need to know while I'm still standing you just fade away.*

Mas eu também cantava aquela canção pensando em quanto minha vida tinha mudado desde a reabilitação, pensando nas pessoas que perdi e nas pessoas que ganhei.

Don't you know I'm still standing better than I ever did? Looking like a true survivor, feeling like a little kid. I'm still standing after all this time. Picking up the pieces of my life without you on my mind.*

Eu tinha vencido, apesar de tudo estava ali de pé.

— Obrigado por tudo, pessoal! — falei feliz, ao mesmo tempo que chorava, quando a música chegou ao fim minutos depois.

Estava chorando de felicidade, mas também por orgulho de mim mesmo por ter chegado até ali após tantos problemas. Deixei o palco por último, sob fortes aplausos e gritos emocionados chamando meu nome, me sentindo amado e querido.

Nos bastidores todos queriam me abraçar, minha família que tinha ido para lá — deixando seu lugar no camarote para me recepcionar —, Jasper, o resto da banda e até Leah. Porém, Bella não estava em lugar algum eu quase perguntei por ela, mas Tanya que tinha ido me ver também cochichou para mim:

— No seu camarim.

Eu me soltei da Tirana e fui atrás de Isabella, como no dia do primeiro show da turnê ela estava esperando no camarim por mim, com um grande sorriso no rosto. Fechei a porta e fui a abraçar, não a beijei de primeira, apenas chorei em seus braços, me sentindo aliviado.

— Você também foi perfeito, pirralho — ela disse para mim afagando minhas costas.

— Obrigado por não desistir de mim, amor. — Ela me abraçou mais forte em resposta.

Naquela noite, dopado por sentimentos positivos, eu achei que a vida seria perfeita, que os dias tristes não existiriam mais e tudo seria lindo. Estava enganado, nós dois ainda teríamos uma porção de dias de merda por vir, principalmente depois que Bella fizesse aquele exame de gravidez e ele desse positivo.



Notas finais
*Você nunca poderia saber como é Seu sangue é frio feito gelo E uma luz fria e solitária sai de você Você vai acabar como os destroços que se escondem atrás da máscara que você usa *E você achou que este tolo jamais poderia vencer Bem olhe para mim, estou voltando mais uma vez Eu tenho o gosto do amor duma maneira simples E se quer saber, enquanto estou de pé, você está desaparecendo *Você não sabia? Eu ainda estou de pé e melhor do que nunca! Parecendo um verdadeiro sobrevivente, me sentindo como um garotinho Depois de todo esse tempo, eu ainda estou de pé Juntando os pedaços da minha vida sem você na minha cabeça Beijos! Lola Royal. 14.08.19