Hollywood
66 Capítulo Sessenta e Cinco
Notas iniciais
Capítulo Sessenta e Cinco
Isabella Swan
"Isabella Swan canta com Ed Cullen no último show da Turnê Escândalo."
Aquele dia foi único, eu nunca teria outro igual. Subir ao palco me encheu de um misto de emoções, especialmente por fazer aquilo junto de Edward.
***
Edward estava acabando a música que cantava antes de Johnny Cash, Estrelas — outra canção minha —, quando meu pai apareceu já perto da lateral do palco para entrar. Ele entraria e cantaria com Edward, Charlie deveria fazer isso, não eu.
Mas…
Eu estava com tanta vontade de entrar naquele palco e cantar minha música com meu namorado, porém a ideia de estar ali cantando diante de tanta gente me assustava. Isso especialmente pelo fato da maioria dos fãs de Edward me odiarem, entretanto, uma parte da minha cabeça queria muito fazer isso e foi essa parte que venceu.
— Nós vamos receber alguém para a próxima música — Edward anunciou e todo seu público gritou, meu pai estava prestes a colocar a alça do seu violão ao redor de si, mas peguei o instrumento de suas mãos e falei:
— Eu vou cantar hoje, pai.
Charlie me encarou incrédulo, mas não tive tempo de explicar nada, coloquei a alça do violão ao redor de mim e comecei a caminhar em direção ao palco. Foi quando Edward olhou na direção que eu estava, vi o grande sorriso em seu rosto, ele tinha conseguido o que queria e iria se gabar disso pelo resto das nossas vidas.
— Senhoras e senhores, com vocês, Isabella Swan! — falou animado.
As vaias doeram em meus ouvidos, ao mesmo tempo em que minhas mãos suavam, pensei em voltar atrás na minha decisão, entretanto me enchi de coragem e decidi que faria aquilo mesmo sob julgamento. Eu comecei a caminhar até o segundo microfone no centro do palco, mantendo um sorriso nervoso em meus lábios, enquanto estava agarrada ao violão do meu pai.
Antes mesmo de começar a cantar já sentia os arrepios atravessando meu corpo, uma mistura de prazer por estar fazendo aquilo e medo pelo mesmo motivo. Mas, Edward não poderia estar mais certo quando escreveu Endorfina, ninguém nos alcançaria ali do alto do palco, iria me preocupar com as críticas depois.
— Obrigado por subir ao palco, Isabella — Edward agradeceu falando ao microfone, olhando para mim primeiro, depois para o público. — Pela primeira vez nesta turnê, Isabella Swan cantando Johnny Cash! — exclamou, as vaias surgiram de novo, mas eu também podia ouvir gritos entusiasmados.
Apenas sorri mais, ainda muito nervosa. Edward começou a tocar em seu violão e o acompanhei, conhecia aquela canção muito bem, era parte de mim, então foi fácil o seguir tocando.
A sensação que tomou conta de mim naquele momento foi de êxtase, a última vez que de fato subi em um palco de show de verdade tinha sido há tantos anos quando cantei com meu pai. Então, estar ali diante de toda aquela gente, principalmente com Edward, era como se estivesse fora de mim.
— Vivendo em uma cidade pequena. Dono de grandes sonhos. Seu melhor amigo era seu violão. Ele queria seguir sua paixão — ele começou a cantar, eu percebia a felicidade do meu namorado por sua voz e isso mantinha o sorriso no meu rosto.
— A música era tudo em seu coração. Sua salvação. Toda sua motivação. Se enchia de obstinação — eu cantei, sentindo minha voz desafinada o que me fez ficar paranóica, mas era tarde demais para desistir. Fixei o olhar na platéia e vi as pessoas cantando junto, isso me fez continuar sorrindo, aquela sensação do público cantando ao mesmo tempo era cheia de energia.
— Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Presley. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples — cantamos juntos, me senti tão poderosa naquele instante vendo como minha voz e a de Edward combinavam perfeitamente. — Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Presley. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples.
— Seus sonhos. E seus desejos. Ele era capaz de tudo para concretizá-los — ele cantou.
— Mas ele era apenas um garoto da cidade pequena. Preso a um mundo limitado. Sem ter para onde ir — cantei, me sentindo muito mais segura com minha voz.
— Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Elvis . Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples. — Voltamos ao refrão. — Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Elvis. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples.
Edward deixou seu lugar, andou para perto de mim e percebi que ele queria que dividíssemos o microfone. Era arriscado, um de nós dois poderia ser fraco e protagonizar um beijo indevido, mas me contive e ele também conseguiu.
— Ele seguiu sua paixão. Pegou um avião. Com seu fiel violão. Cidade grande. Luzes por todo lado. Onde todos queriam ser os melhores.
Naquele parte senti o choro em mim, pensando na Isabella dos últimos anos que nunca pensaria em estar em um palco cantando em um show com casa cheia. Edward passaria o resto das nossas vidas se gabando por isso, sabia disso, mas eu também passaria o resto da minha vida o agradecendo por ter insistido para que vivesse com ele aquele momento.
— Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Elvis . Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples. — Minha voz vacilou pela vontade de chorar, mas me mantive cantando. — Ele queria ser grande como Johnny Cash. Brilhante como Elvis. Ter o mundo aos seus pés. Viver uma vida nada simples.
Antes da última estrofe da música Edward se afastou de mim, ficando longe de qualquer microfone o que me fez entender que ele queria que eu cantasse só. Meu coração batia alucinadamente, mas continuei tocando e finalizei a canção olhando diretamente para o público.
— Ele decidiu deixar de lado o sonho de ser Cash. Ou mesmo Elvis. Ele seria grande. Por seu próprio nome.
Quando acabei a canção o sentimento tomando conta de mim era alívio, por ter conseguido ir até o fim e por ver todas aquelas pessoas me aplaudindo e gritando eufóricas. As vaias ainda estavam presentes, mas me concentrei nas reações boas e elas eram melhores e maiores do que imaginei.
— Muito obrigada, gente! — agradeci sorrindo como uma boba, acenei e fiquei os olhando mais um pouco antes de me virar para Edward.
Meu namorado foi me abraçar, sentir seus braços ao redor de mim me deixou ainda mais feliz. Entretanto, foi um rápido abraço, não poderíamos ficar agarrados no palco como ambos queríamos.
— Você foi perfeita, Capitã — ele falou, suspirei, segurando a vontade de cair no choro, ainda que não conseguisse parar de sorrir, e começar a beijá-lo e me soltei de si.
Saí do palco, Edward precisava continuar seu show. Já nos bastidores encontrei meu pai chorando, ele sequer conseguia fingir que aquilo não estava acontecendo.
Entreguei o violão para um roadie e andei para perto de Charlie.
— Eu amo você, Bells — ele disse e me abraçou com força.
— Também te amo, papai — sussurrei beijando sua bochecha.
— Foi incrível, nunca esquecerei essa noite.
Eu também nunca me esqueceria.
***
Quando Edward cantou a última parte de I'm Still Standing eu já estava com os olhos marejados, o último show da turnê tinha sido concluído, nós conseguimos aquilo. Todos ali, desde Edward a cada pessoa nos bastidores.
Meu namorado continuou no palco mais um tempo, ele estava chorando e sorrindo. Eu estava tão orgulhosa dele, por tudo, não só pelo show daquela noite.
— Grande show, você mandou muito bem lá, Isabella! — Jasper gritou animado quando passou ao meu lado saindo do palco e beijou meu rosto.
— Obrigada — agradeci e afaguei seu braço. — Você também foi ótimo.
— Você cantou, você cantou, você cantou! — Olhei para trás e vi a dona dos gritos correr até mim, Rosalie praticamente pulou em meu colo o que me fez rir. Eu vi Esme, Tanya e Leah andando para perto da gente. — Isso foi tão legal, não acredito que você cantou! — ela continuou gritando.
— Pois é, nem eu — murmurei, me afastei de Rosalie e recebi o abraço de Tanya.
— O que as pessoas estão falando sobre eu cantar? — perguntei para minha amiga.
— Falamos disso depois. — Ela sorriu para mim quando nos soltamos. — Amei te ver cantar.
— Obrigada, T. Certo, vou esperar Edward no camarim dele — murmurei para ela.
— Ok.
— Parabéns, Bella! — Esme me abraçou antes de eu seguir meu caminho, ela estava rouca e isso me fez pensar que a mãe de Edward esteve cantando e gritando alto durante todo show.
— Você gostou? — indaguei, ela me afastou, mas segurou minhas mãos e acenou positivamente.
— Foi tudo excelente. — Piscou em cumplicidade. — Espero ver isso de novo outro dia.
— Nem pensar — neguei nervosa e me soltei dela rindo. — Um dia já foi o suficiente.
Esme bufou, mas me deixou ir. Andei direto até o camarim de Edward, mal via a hora de tê-lo em meus braços.
Quando a porta foi aberta por Edward, minutos depois, eu já estava com um imenso sorriso no rosto, ele foi me abraçar e chorou em meus braços. Afaguei suas costas e falei:
— Você também foi perfeito, pirralho.
— Obrigado por não desistir de mim, amor. — Eu o abracei mais forte, nunca desistiria de Edward, por nada, nem por ninguém.
***
Infelizmente não pudemos ficar muito tempo dentro da nossa bolha no camarim, ainda tinha muito a ser feito aquela noite. O último Meet & Greet da turnê seria diferente, Edward não só tiraria fotos e daria autógrafos para os fãs, como antes disso ele responderia perguntas feitas pelos mesmos e isso seria transmitido ao vivo na página dele no YouTube.
A ideia tinha sido de Tanya, substituindo uma entrevista coletiva com jornalistas. Eu concordei com o plano da minha amiga, era mesmo uma ideia muito boa, assim como Edward também aceitou.
As perguntas aconteceriam antes das fotos, os fãs — em sua maioria garotas — estavam sentados em puffs baixos e tinham montado um pequeno palco onde Edward estaria. Eu cheguei primeiro na área do Meet Greet, que estava acontecendo no mesmo local do show.
— Isabella, Isabella! — alguns fãs gritaram meu nome quando entrei na sala, o que com certeza me pegou de surpresa, pois esses chamando por mim pareciam felizes em me ver.
Acenei para eles e segui até o fundo da sala onde Irina estava, ela tinha ido para New York para os dois últimos shows da turnê e a trabalho, precisávamos de reforços com tanta coisa rolando.
— Como isso está sendo recebido pela internet? — questionei.
— Você cantando com o Ed? — perguntou animada. — Muita gente amou.
— E o pessoal que odiou?
Ela suspirou.
— É, tem mais gente que odiou do que amou, e quem odiou está pegando pesado, a maioria das críticas das pessoas que não gostaram disso acham que você estava usando muito o fato de ser empresária de Ed para autopromoção, primeiro com a boate de vocês dois, agora com sua participação no show.
Revirei meus olhos, mas não pude deixar de sentir um aperto no peito pensando em como aquilo seria pior quando meu namoro com Ed fosse revelado.
— Não liga pra essa gente, Bella — Irina disse voltando a sorrir. — Você foi ótima.
— E você vai pegar algo pra eu beber. — Estalei os dedos pra ela.
— O que você quer? Champanhe?
— Não, me arranja um milkshake de baunilha ou morango.
— É pra já! — falou e saiu de perto de mim.
Leah entrou na sala naquele instante, fazendo com que todos os fãs ali começassem a gritar o nome da Clearwater. Ela, em sua melhor forma de projeto de primeira dama foi falar com cada um dos fãs, que pareciam nos céus por estarem a vendo.
Cruzei os braços na frente do corpo e revirei os olhos, ao mesmo tempo em que me via obrigada a parabenizar a mim mesma por meu plano. Os fãs amavam Leah, a imprensa amava ela e todos amavam Ed por estar com a garota perfeita.
Tanya foi a próxima a entrar na sala, ela acenou para todo mundo e foi falar com o pessoal da produtora para terminar de preparar tudo para a chegada de Ed, já que ela estaria moderando as perguntas. Tirei o celular do meu bolso e mandei uma mensagem para Edward.
Capitã: Acho que seus fãs amam mais a Leah do que amam você.
Pirralho: ATÉ PARECE!
Capitã: Ela está sendo bem popular por aqui, como sempre.
Pirralho: E como reagiram a você?
Capitã: Até que teve gente animada em me ver…
Pirralho: Claro que teve, você foi perfeita naquele palco. Eu mal vejo a hora de cantarmos juntos de novo em mais um show, de preferência com toda a verdade do nosso namoro revelada.
Capitã: Quando descobrirem sobre seu namoro falso com a senhorita Popularidade Clearwater e nosso namoro eu vou ser muito odiada, nem cantar bem vai fazer isso mudar.
Pirralho: Não vamos conversar sobre isso agora, é a noite perfeita e a vida está tão boa agora.
Eu sorri, ele tinha razão, não era hora daquilo.
Capitã: Você foi realmente perfeito hoje, amor.
Pirralho: Obrigado, linda. Não teria conseguido estar aqui sem você. Te amo!
Ainda sorrindo guardei o celular no bolso, Tanya já estava subindo no pequeno palco — que tinha duas cadeiras e atrás um painel com a arte do show de New York — com um microfone em mãos, o pessoal gravando para o YouTube já estava preparado. Leah que continuava entre os fãs sentou em um dos puffs, isso tudo tornando maior a ideia de proximidade com eles e por tabela a que eles achavam ter com Edward através da falsa namorada.
— Olá, é uma honra receber todos vocês aqui. — Especialmente por isso ter custado uma boa grana de cada fã, pensei. — Ed responderá trinta perguntas, certo? Vamos sortear as pessoas que irão perguntar. — Minha amiga balançou a caixa que segurava na mão oposta do microfone. — Após isso cada um irá tirar foto com Ed e poderá receber um autógrafo. Bom, chega de enrolação, certo? Ed, pode entrar!
Ele passou pela porta da sala, sorrindo e acenando, o que fez todo mundo ficar alvoroçado. O inglês caminhou até os fãs antes de ir em direção ao palco, apertou algumas mãos, deu rápidos abraços e beijou Leah nos lábios.
Engoli em seco, odiava quando tinha de presenciar aquele tipo de cena entre os dois. Odiava, mal via a hora de nos livrarmos daquele contrato.
— É tão bom estar aqui com vocês! — Ed falou ao se sentar em uma das cadeiras em cima do palco e receber o microfone de um dos assistentes da produtora, Tanya já estava na outra cadeira. — Obrigado por terem me esperado pacientemente, estava no banheiro tirando o cheiro de suor e trocando de roupas.
— Lindo! — uma garota gritou, Edward riu e passou a mão pelo cabelo.
— Aqui, Bella. — Irina apareceu do meu lado com milkshake de baunilha.
— Você foi fabricar isso? — resmunguei pegando a bebida.
— Desculpe…
— Vá conferir se está tudo certo no hotel, não podemos ter problemas na festa — mandei.
— Pode deixar, vou cuidar disso — ela falou obedientemente e se afastou novamente.
Peguei um bom gole do milkshake voltei a prestar atenção em Ed, que ainda estava falando sobre o show. Até que Tanya o lembrou das perguntas e ele sorteou o primeiro número — de acordo com a pulseira/ingresso de cada fã —, uma fã se colocou de pé e recebeu um microfone para fazer a pergunta.
— Oi, Ed! Sou a Lucinha, a minha pergunta é como você vê o sucesso?
Ele assentiu e coçou o queixo.
— Excelente pergunta, provavelmente já a respondi no passado, mas hoje posso dizer que encaro o sucesso como estar bem consigo mesmo. É como me sinto hoje, aliás.
Sorri e bebi mais do meu milkshake. Edward fez o novo sorteio.
— Querido Ed, como é seu processo de composições de músicas? Ah, meu nome é Serena Carson e te amo!
— Também te amo, Serena. Obrigada por ter vindo aqui hoje. Quanto a sua pergunta, geralmente coloco as coisas que estou sentindo no papel e trabalho na melodia, o último álbum teve a maioria das músicas compostas por mim, o que me faz pensar que eu tinha muito a falar sobre meus sentimentos.
— Oi, Ed. Sou uma grande fã sua, então vamos lá, tem alguma fã que fez algo que te marcou? — a próxima fã sorteada perguntou.
— Qual seu nome? — perguntou a ela.
— Gabriela Vargas!
— Então, Gabriela, eu acho que todos os fãs que votaram em mim quando ganhei a votação do público no The Star UK me marcaram muito, cada voto que recebi naquele dia me colocou aqui hoje. E olha aí, agora vocês todos aqui estão deixando marcas na minha vida também.
Os fãs amaram ouvir aquilo.
— Oi, sou a Susan Fox, Ed. Quero saber se alguma vez já pensou em desistir dessa vida pública? Beijos!
Ele mandou um beijo pra ela, a garota parecia que derreteria de amores ali mesmo.
— Beijos, Susan. Amei seu sotaque é do Canadá, né?
— Sim — ela confirmou, corando. — Sou canadense, mas moro aqui por conta da faculdade.
— Eu amo o Canadá — Edward disse. — Então, sim, já pensei em deixar essa vida pública e acho que será um pensamento que ainda terei outras vezes ao longo da vida. No entanto, não é algo que pretendo realmente fazer. Enfim, estou bem com a minha vida agora, vocês podem ficar certos disso.
— Olá, Ed. Sou a Felicity Parker — a próxima fã se apresentou ao ser sorteada.
— E amei sua camiseta! — Edward exclamou, eu não conseguia ver a frente da camiseta dela, mas pelas costas percebi ser uma das da linha de Ed para divulgação do seu álbum.
— Eu também amei! — ela exclamou e fez sua pergunta em seguida. — Você está livre dos escândalos que fizeram parte de um ponto da sua carreira, terminou agora uma turnê de sucesso e está em um ótimo relacionamento. Você se sente no melhor momento da sua vida?
— Sim, como disse antes sinto que estou com sucesso em minhas mãos. Definitivamente é o melhor momento da minha vida, mas acredito que ela ainda irá melhorar!
— Você vai pedir a Leah em casamento? — a próxima fã perguntou sem rodeios.
Edward riu.
— Qual seu nome?
— Anna Stone.
Ele assentiu.
— Leah e eu vamos falar sobre casamento na hora certa, não é, querida? — falou com a Clearwater, que concordou com um aceno de cabeça e fez o sinal de positivo com a mão. — Além do mais, se eu fosse pedir ela em casamento em breve essa pergunta poderia comprometer a surpresa. Vou deixar vocês saberem quando eu pedir essa mulher perfeita casamento, irei contar isso para o mundo todo.
Me senti chateada naquele momento, sabendo que toda aquela história de casamento era só Edward fingindo pelo namoro com Leah. Triste por saber que ele acabaria nunca querendo casar, mas tudo bem, eu iria aceitar isso, não precisava mesmo de uma aliança, uma grande festa, nem do Plaza.
— Ed, sou a Cris Lira, da turnê que acabou hoje, em qual cidade gostou mais de se apresentar e em qual cidade passaria as suas férias?
— Passaria minhas férias na Cidade do Cabo. — Aquilo era uma indireta para mim. — Nunca tinha ido tocar lá e fui com essa turnê, amei a cidade, quero voltar com mais calma e conhecer tudo melhor. E não posso escolher qual cidade mais gostei de me apresentar, mas cá entre nós a energia do show de hoje foi bem intensa, né?
Sabia que New York naquele dia tinha sido a apresentação favorita dele.
— Ed, agora que a turnê acabou quais são os próximos planos tanto na vida profissional quanto na pessoal? Meu nome é Keyla Rodrigues.
— Bom, Keyla, ainda tenho compromissos de trabalho pelo resto do ano. Como a inauguração da minha boate, minha e de Isabella que está escondida ali no fundo. Olá, Swan! — Acenou para mim, senti minhas bochechas ficarem vermelhas quando todo mundo me olhou e a câmera ficou em mim, mas acenei de volta com a mão livre. — Quanto a vida pessoal, Leah e eu devemos tirar férias juntos, também queria muito conseguir viajar com minha família, mas teremos de ver em nossas agendas. Mas, quero mesmo ir para casa e dormir por um dia inteiro, foram longos meses. Enfim, vou mantê-los a par das novidades nas minhas redes sociais.
— Ed, sou Luna Fernández, queria saber como seria a sua festa de aniversário perfeita?
— Ah, Luna, vai ser minha festa de aniversário ano que vem. Eu não posso dar detalhes, mas já é minha festa favorita e ainda nem aconteceu.
Ri pensando na festa dele do ano seguinte, era mesmo bom eu preparar tudo muito bem.
— Oi, Ed, me chamo Amelie. Você passou por uma fase conturbada, teve que lidar com muito com tão pouca idade, mas ao que parece conseguiu se reestruturar. O que você diria para as pessoas, seus fãs principalmente, que se encontram em um momento difícil e não sabem como lidar com isso?
— Procure ajuda — ele disse com seriedade. — Fale com pessoas de confiança em seu grupo de amigos e família, deixe claro que precisa de ajuda. Busque por apoio profissional, cuide da sua mente. Sei que pedir ajuda não é algo fácil, mas quando você permite as pessoas a te ajudarem e passa a cuidar de si com profissionais já é um grande passo.
— Oi, sou a Felicia. Ed, qual o seu posicionamento sobre a comunidade LGBT+?
— Não faço parte da comunidade. — Me senti mal por ele não poder falar a verdade sobre si e sua sexualidade, assim como eu também não poderia. — Mas respeito cada pessoa que faz parte dela, conheci muitas pessoas preconceituosas ao longo da vida e muitas pessoas que são vítimas desses preconceitos, sinto muito por cada um que teve de sofrer por algo que não deveria. E pretendo ajudar mais grupos LGBT+ no futuro, conseguir dar apoio para que quem está sendo colocado à margem da sociedade por sua orientação sexual possa se sentir acolhido de alguma forma. Ah, um recado para os preconceituosos que estão por aí, gastem energia fazendo o bem, não o mal.
Todos aplaudiram, mesmo que estivesse segurando meu copo de milkshake também dei meu jeito de o aplaudir.
— Qual foi a parte mais difícil da turnê, além do ocorrido em Berlim, Ed? Eu sou a Alaska.
— Amei seu cabelo azul — falou para ela. — E sim, Berlim foi bem difícil, não sou capaz de pensar em algo tão difícil quanto foi aquele dia e nos seguintes. Mas, fazer uma turnê é difícil de modo geral, com todas as viagens, a rotina intensa, você precisa estar bem preparado e bem acompanhado por uma equipe excelente para lidar com tudo, felizmente eu tinha os melhores ao meu lado.
— Oi, sou a Maya. Se seu maior desejo virasse realidade, o que pediria?
— Vou ser bem sincero, no momento meu maior desejo é um balde de batatas fritas. Alguém pode fazer isso acontecer?
Eu já estava indicando que uma das pessoas da produtora ali fossem conseguir aquilo para Ed.
— Isabella, vou ganhar batatas?
Acenei indicando que sim.
— Obrigado, tô sonhando com batatas. Ok, vamos continuar aqui.
Ele seguiu com as perguntas enquanto iam buscar suas batatas.
— Ed, você pensa em ter mais algum bichinho de estimação? Qual seria o nome dele?
— Qual seu nome?
— Maria Eduarda.
— Penso em ter mais um bichinho de estimação sim, estou pensando em adotar o próximo, inclusive. Quanto ao nome, nada em mente ainda, quem sabe eu peça ajuda de vocês quando acontecer.
Resmunguei, seria ele escolhendo o nome do próximo, não eu.
Apareceram com as batatas dele naquele momento, um grande balde, Edward saiu de seu lugar oferecendo pra todo mundo, mas todos já tinham comido os lanches disponibilizados ali enquanto o esperavam antes. Assim que comeu um pouco, fazendo piada sobre sua fome monstro após o show, ele voltou a responder as perguntas.
— Olá, Ed. Eu sou a Ingrid. Qual sua posição preferida na hora do sexo com a Leah? — a garota perguntou sem se envergonhar, todo mundo riu, incluindo Edward, eu me ocupei bebendo meu milkshake.
— Ingrid, não posso responder esse tipo de coisa. Mas gostei muito da sua camiseta também!
— O que mudou pra você, como pessoa, depois dessa turnê, se sente diferente? Me chamo Isabella Silver.
— Bella, uma xará sua bem aqui — ele falou, algumas fãs riram. — Então, Isabella, eu mudei muito com essa turnê. Sinto que estou muito mais maduro agora do que quando comecei ela em maio. Além de ter ficado mais próximo da minha namorada, o que foi ótimo para nosso relacionamento.
Ele estava falando de mim, claro.
— Oi, Ed. Sou a Quinn, tenho uma amiga brasileira, a Lara, que conheci pela internet por sua causa, ela pediu pra perguntar como você se sentiu ao se apresentar no Brasil? Deu tempo de curtir alguma coisa ou foi tudo muito corrido?
— Amo o Brasil, foi perfeito estar lá mais uma vez. Infelizmente com a turnê é tudo corrido, mas fui à uma festa e pude conhecer o funk melhor, é bem legal, quem sabe um dia eu até não colabore com alguém do Brasil para uma música usando funk.
— Ed, eu me chamo Rachel, gostaria de saber qual é a principal inspiração para as suas músicas. E qual é o seu feat de sonho?
— As inspirações podem vir de qualquer lugar, falo muito sobre minha vida, mas isso não quer dizer que não possa usar algumas coisas que não aconteceram diretamente comigo. Quanto ao feat dos sonhos, eu tenho alguém em mente, mas preciso convencer a pessoa primeiro antes de dizer para todos vocês.
— Oi, Ed, sou a Luciana. Então a turnê acabou e tudo sobre esse novo CD foi um sucesso. Gostaria de saber como está sua expectativa para o próximo Grammy. Nós acreditamos que você ganhará, mas você também está confiante?
— Hoje estou bem confiante sobre, espero continuar pensando assim até a data da premiação. E sim, não há porque desconversar, eu realmente quero ganhar um. Torçam por mim!
— Oi, Ed. As canções que você compõe são geralmente as minhas favoritas. Queria saber, você já está com inspiração e/ou compondo novas músicas?
— As últimas semanas foram bem cheias, não escrevi nada. Mas tenho certeza de que vou ter muita inspiração para compor para o próximo álbum. Desculpe, qual seu nome?
— Amy.
Nós dois sorrimos ao ouvir aquilo.
— Amy, você vai ouvir mais composições minha, garanto.
— Ed, meu nome é Luana, como foi cantar com a Isabella hoje? — a fã perguntou para ele, depois olhou para mim sorridente, a câmera também se moveu me filmando. — Isabella sou muito sua fã!
Sorri para a garota, que devia ter a idade de Edward por isso conhecia meu trabalho como atriz.
— Luana, foi muito bom cantar com Isabella hoje. — Edward voltou a falar, a câmera e Luana se voltaram para ele também. — Como vocês sabem ela é a pessoa por trás de Johnny Cash e pedi que ela subisse ao palco hoje comigo para encerrar a turnê. Ela tem sido um grande apoio desde que sai da reabilitação, cuidando da minha carreira muito bem, mas também sendo uma grande amiga. E eu também sou muito fã dela!
Ok, eu não podia chorar, mas era difícil evitar isso depois de ouvir as palavras de Edward. Respirei fundo e não consegui parar de sorrir, até a próxima pergunta.
— Sou a Julia Souza, queria saber o que você mais gosta de fazer junto com a sua namorada? Tirando sexo, claro! — Ela riu.
— Leah e eu adoramos passar horas conversando.
— E horas assistindo Brooklyn Nine-Nine — Leah disse do seu lugar em um tom de voz alto, Edward sorriu e concordou.
— Sim, amamos ver Brooklyn Nine-Nine juntos.
— Ed, para você, quais foram os momentos mais marcantes da turnê? E eu sou a Izzy, te amo!
— Também te amo, Izzy. E os momentos mais marcantes com certeza se dividem entre o primeiro show, o último e o segundo show em Berlim.
— Ed, o que vc acha da Taylor Swift? Pensa em fazer feat com ela? E eu sou a sua maior fã, nem acredito que estou aqui, é o dia mais feliz da minha vida!
— Qual seu nome, lindinha?
— Natacha.
— Nat, posso te chamar assim? Hoje também é um dos dias mais felizes da minha vida, saiba disso. E eu adoro a Taylor, se um dia surgir a oportunidade de gravar algo com ela irei amar.
— Ed, você já pensou em fazer outra coisa em Hollywood? Sou a Mia e sonho encontrar um namorado tão lindo quanto você!
Edward sorriu largamente.
— Obrigado, Mia. Então, eu já atuei antes e não fui muito bom nisso. Mas acho que com o tempo vou criar mais nos bastidores também, produzindo para outros artistas e coisas assim.
— Ed, meu nome é Chloe, meu sonho é ser sua amiga, o que é preciso pra ser seu amigo?
— Gostar de Brooklyn Nine-Nine, você gosta?
— Amo!
— Já somos amigos, Chloe!
— Oi, Ed, sou a Lena. Minha pergunta é dividida em duas, ok? Se você pudesse ler a mente das pessoas por um dia, de quem você ficaria perto? E por quê?
— Acho que de ninguém, Lena. Isso me deixaria muito ansioso e me faria esquecer de que nem sempre preciso agradar os outros e ser perfeito. Ficar sabendo o que se passa na cabeça das outras pessoas me deixaria tão nervoso… Ah, já sei! Escolheria ler os pensamentos dos meus bichinhos, eles devem criar planos mirabolantes para invadir meu quarto.
— Oi, Ed. Meu nome é Penny, faço gastronomia e queria saber se você aprendeu a cozinhar algo, e qual seu prato favorito?
— Eu não sei cozinhar nada, mas sou ótimo comendo. E no momento minha comida favorita são essas batatas. — Apontou para o balde sobre sua coxa.
— Você e Jasper brigaram, mas voltaram a se falar nessa nova fase. Como está a relação de vocês? Como é fazer uma turnê com um amigo? Meu nome é Érica.
— Estou muito feliz em ter voltado a falar com Jasper, Érica. Ele e eu somos amigos há anos, passamos por desavenças, mas retornamos a amizade e está tudo bem agora. Fazer essa turnê com ele só tornou tudo melhor, é bom ter um amigo de longa data ao meu lado.
— Ok, última pergunta, pessoal! — Tanya anunciou e sortearam quem faria aquela.
— Sou a Lary Stewart, Ed. Queria saber se considera ter filhos um dia? Um bebê seu com a Leah seria tão fofo.
— Leah, nosso bebê vai ser fofo, sabe disso, não é? E sim, com certeza quero ter filhos um dia.
Ele estava mentindo para manter a boa imagem, eu sabia muito bem disso. Edward não queria ter filhos, nem eu.
***
A festa de comemoração ocorreu no hotel que Edward, eu e toda equipe estávamos hospedados. O salão estava cheio com todo mundo que participou da turnê, o pessoal da produtora que não participou efetivamente da turnê viajando, mas estava ali, amigos de Edward, sua família, assim como patrocinadores, gente da gravadora, alguns jornalistas e celebridades que trariam visibilidade para a festa.
Assim que chegou lá, após uma rápida passagem em seu quarto para trocar de roupas novamente, Edward foi recebido por todos com fortes aplausos. Ele cumprimentou a maioria das pessoas possíveis, até que o perdi de vista e quando o vi novamente Edward já estava em cima do balcão do bar do salão de festas, carregando em uma mão o megafone que usava nas apresentações de Escândalo, assim como a música tinha sido interrompida.
— Eu quero dizer algo, galera — anunciou falando no megafone. — Hoje foi um puta dia, de uma puta turnê, de um puto ano! — Todos gritaram em comemoração. — Estou feliz pra caralho e quero agradecer todo mundo aqui por ter vindo a essa humilde festa, a lei da noite é: ninguém sai até amanhecer!
Todo mundo gritou de novo e bateu palmas novamente.
— Ok, ok, ok! — ele exclamou fazendo gestos com a mão livre para todos pararem. — Quero pedir uma salva de palmas para a pessoa que fez com que eu estivesse aqui hoje, Esme Cullen!
Começaram a gritar o nome de Esme, olhei ao redor e a vi junto de Carmen e Tanya. A mãe de Edward riu e mandou um beijo pro filho.
— Agora, uma salva de palmas para minha namorada que me aturou durante esses longos meses. Leah, amo você, querida!
Mordi o interior da minha bochecha, mas me forcei a bater palmas para a namorada falsa de Edward. Também gritaram o nome dela, que estava mais perto de Ed.
— Ok, por último, mas não menos importante. Uma salva de palmas pra minha empresária foda que me colocou no topo novamente e nunca desistiu da minha carreira, Isabella Swan!
É, ele tinha feito isso. Meu nome soou por todo o salão e as palmas me fizeram sorrir, também recebi abraços das pessoas mais próximas.
— DJ, você pode soltar a música de novo e dessa vez quero que toque Hollywood, porque a festa é minha!
Tive de rir daquilo, Edward estava no auge da sua autoestima elevada aquela noite. Eu amava isso.
***
Mais tarde eu estava na pista de dança com Kate e Ness, quando senti alguém segurar minha mão. Olhei para a pessoa e vi que era Jasper, Edward estava por perto e indicou com a cabeça que eu deveria me aproximar, logo deixei minha irmã e Kate, me juntando aos dois.
Edward se inclinou na minha direção e disse perto do meu ouvido:
— Eu te amo, linda.
Sabia que ele me amava, porra, como eu sabia. Mas, não tive tempo de falar nada para Edward, já que Jasper foi o próximo falando na minha orelha:
— Vou fingir que tô te falando algo importante para disfarçar sua cara de boba apaixonada.
Aquilo me fez gargalhar, abracei Jasper e para minha felicidade ele retribui o abraço. Era bom vê-lo confortável e feliz comigo e Edward perto ao mesmo tempo, sabia que não poderia ser algo duradouro, mas já era um começo.
— Elton John! — Edward gritou quando ainda estava abraçada a Jasper, foi quando me dei conta que tinha começado a tocar Honky Cat.
Jasper me afastou, pudemos ver Edward completamente animado fingindo que estava tocando a música no piano ali mesmo na pista de dança.
— When I look back. Boy, I must have been green. Boppin' in the country. Fishin' in a stream* — Edward começou a cantar, foi quando Jasper atrás de mim segurou em minha cintura e cantou a outra parte.
— Lookin' for an answer. Trying' to find a sign. Until I saw your city lights. Honey, I was blind.*
Jasper largou minha cintura, ficando do meu lado entre Ed e eu. Meu namorado fingiu segurar um microfone entre nós três e cantamos juntos o refrão.
— They said, get back, Honky Cat. Better get back to the woods. Well, I quit those days and my redneck ways. And oh, oh, oh, oh, the change is gonna do me good.*
Nós continuamos cantando a música juntos, Jasper e Edward também me colocaram para dançar e eles eram bons naquilo mesmo sem uma coreografia. Eu dançava nos braços de um até ser girada para o outro, a situação era divertida, eles dois e eu certamente estávamos comparando aquilo ao sexo em Las Vegas.
Quando a canção acabou nos abraçamos e beijei o rosto de cada um. Eu desfiz o abraço e fui atrás de água, eles continuaram na pista de dança cantando a próxima música.
***
Eu fui para meu quarto primeiro, cerca de duas horas depois de cantar com os meninos, principalmente para não dar na cara de estar indo para o mesmo lugar que Edward, mas também por estar exausta e ele claramente ainda querer ficar mais na festa. Tomei um banho, coloquei um moletom de Edward que estava nas minhas coisas e fui para a cama.
Peguei meu celular e abri o Instagram, mais cedo, no caminho para a festa saindo do local do show tinha postado uma foto de nós dois, que tiramos após o Meet & Greet dele. Minha legenda não foi a que queria, mas era a que poderia publicar naquele momento.
"Todos os parabéns possíveis para o garoto de Bath que conquistou o mundo e hoje encerrou sua turnê de sucesso, estou muito feliz por você, Ed. E obrigada por me convidar para cantar esta noite, foi incrível! #EdCullen #TurnêEscândalo"
Edward tinha comentado na foto com um:
"Obrigado por tudo, Capitã!"
Rosalie também comentou.
"Vocês arrasaram!"
Kate disse:
"Canta comigo na minha próxima turnê, Bella?"
Meu pai, Carmen, minhas irmãs, Riley, Tanya e muitas outras pessoas que eu conhecia mais de perto tinham comentado também, todas me parabenizando por ter cantado. Entretanto, também tinha os comentários ruins de fãs de Edward, ou mesmo as fãs de Paul, que estavam destilando veneno nos comentários, eu ignorei, não queria lembrar daquela noite com ódio, sim com amor.
— Capitã? — Ergui o olhar e vi Edward na entrada do quarto, ele estava sorrindo e me mostrou uma garrafa de champanhe e duas taças em suas mãos. — Acho que agora finalmente poderemos comemorar sozinhos.
— Não, Edward, isso… — comecei a negar sobre o champanhe, mas ele me interrompeu.
— É champanhe sem álcool, linda — afirmou se aproximando da cama. — Pedi que Tanya conseguisse para a gente.
Suspirei aliviada e me movi na cama até estar perto de Edward, ele me entregou as taças e começou a abrir a garrafa. Fez todo o espetáculo de balançar e abrir fazendo a rolha voar pelo quarto e a espuma cair no chão, ele colocou o líquido em nossas taças e depois apoiou a garrafa no chão, pegando sua taça.
— Vamos brindar — ele disse. — Um brinde em homenagem a melhor turnê que o mundo já viu.
— Gosto disso, deu muito trabalho planejar todo o esquema dessa turnê.
— Mas, não vamos brindar só sobre a turnê. Vamos brindar a você e eu também — Edward falou e beijou meu rosto. — Definitivamente preciso brindar por ter a garota mais legal, mais bonita e mais inteligente ao meu lado.
— Ela com certeza é tudo isso. — Ele riu, erguemos nossas taças e batemos uma na outra, então bebemos do champanhe, que sem álcool era muito ruim e fizemos careta ao sentir o gosto.
— Vou pegar Coca-Cola no frigobar.
— Esquece a bebida, vamos pular pra parte que a gente fode.
— Garota, eu te amo!
Edward se livrou das taças e logo estava na cama comigo, seus lábios atacando os meus, enquanto suas mãos estavam em minhas coxas e as minhas nos seus cabelos. Então, ele tirou de mim o seu moletom que usava e me deixou completamente nua.
Seus lábios foram dos meus até meus seios, suas mãos voltaram as minhas coxas. Edward fez um longo trabalho em meus seios, fazendo com que eu gemesse, mas também esfregasse uma perna na outra querendo ele entre elas.
— Você está molhada, putinha? — Edward perguntou tirando o rosto dos meus seios, olhando para mim, seus olhos brilhavam.
— Muito — respondi, ele deu um sorriso sacana.
Edward se afastou e acabou deitado na cama, então ordenou:
— Senta na minha cara, Isabella.
Porra, sim!
Eu me movi até ele, deixando minha boceta sobre sua boca e aos poucos fui me abaixando, enquanto segurava na cabeceira da cama. Edward odiou minha lenta provocação, agarrou meu quadril e me fez descer de a vez, deixando com que ele colocasse sua língua em mim.
— Edward! — gritei seu nome, me agarrando com mais força a cabeceira.
Eu estava exausta até ele chegar aquele quarto, mas naquele momento tudo que queria era ser completamente fodida por aquele homem. E isso era algo que ele sempre fez muito bem.
Quando eu estava prestes a gozar mal conseguia ter controle sobre meu próprio corpo, eu era apenas prazer e amor, tudo por Edward e sobre ele. Eu gozei em sua boca, falando seu nome repetidamente e ainda agarrada a cabeceira da cama como se ela fosse meu bote salva vidas.
— Isabella? — Senti Edward sair debaixo de mim.
— Sim?
— Quero você de quatro ao lado da cama.
Eu apenas gemi novamente em resposta, com as pernas ainda enfraquecidas pelo orgasmo me movi até ficar como ele queria. Senti Edward atrás de mim, sua mão esquerda no meu quadril, enquanto a direita passeava por minhas costas.
— Você é tão linda, putinha — falou, seu toque me provocava arrepios. — Eu queria ter fodido você em tantos momentos essa noite.
Sim, eu também quis que ele me fodesse em muitos deles. Sua mão direita também chegou ao meu quadril e parou ali, em questão de segundos Edward estava todo dentro de mim.
Foi rápido, duro e forte. Edward socava seu pau na minha boceta em um ritmo gostoso, ao mesmo tempo em que deferia palmadas nas minhas nádegas e dizia para rebolar para ele, por outro lado, tudo que eu conseguia falar era seu nome e soltar gemidos.
Eu gozei pouco antes dele, ainda vulnerável por conta do meu último orgasmo. Edward veio logo em seguida, me enchendo com sua porra e batendo mais uma vez em mim, aquele tapa certamente deixaria uma marca, mas não me importava com isso.
Cai sobre a cama, me movendo até estar completamente sobre ela. Edward me virou, fazendo com que eu ficasse de barriga para cima e veio sobre mim, seus lábios se encontraram com os meus, ao mesmo tempo que deslizava uma mão até meu pescoço.
Seu aperto era firme, mas não o suficiente para eu não conseguir respirar. Amei aquilo, principalmente quando Edward, ainda me beijando, colocou uma mão sobre meu seio direito e beliscou meu mamilo.
A turnê tinha acabado, mas a noite estava apenas começando.
***
Edward estava na piscina quando cheguei a casa dele aquele dia, era por volta de cinco da tarde de segunda-feira, dois dias depois do seu último show. Nós tínhamos voltado para Los Angeles na tarde de domingo, era bom estar de volta.
— Oi, linda! — exclamou quando me viu e parou perto da borda da piscina.
— Olá! — Tirei meus sapatos e sentei no chão, sem me importar em sujar minha roupa, já que não sairia mais aquele dia. Também larguei minha bolsa perto de mim. Ele e eu tínhamos um assunto sério para conversar. — Tenho algo pra te contar.
— É problema? Se for problema não quero saber, prefiro viver na ignorância — Edward disse e beijou meu joelho exposto já que eu estava usando uma saia, eu ri e passei a mão por seus cabelos molhados.
— Não é bem um problema, mas é um assunto que te diz respeito. Você sabe que Laurent tem 51% das ações da gravadora, que Patrick Wilson tem 40% e Jeffrey Donald 9%. Enfim, Patrick está se divorciando da esposa, Laurent me contou isso ainda há pouco, ele vai vender sua parte na gravadora para pagar o que vai ser necessário a ela por acordos nupciais.
— Espero que o próximo dono desses 40% não seja um pé no saco irritante — Ed falou, franzindo o cenho.
— É sobre isso que queria falar com você, estou pensando em comprar 20% dessas ações. Não só pela grana que isso vai me render, mas para ter espaço na gravadora e poder produzir algumas coisas por lá. — Edward olhou para mim com seus olhos verdes brilhando, um sorriso imenso surgindo em seu rosto e até mesmo suas bochechas corando. — Não é o que você está pensando, não estou falando em produzir um álbum meu, mas produzir algo para você, Kate e quem sabe os outros cantores da Hollywood Records. Adoro empresariar todos vocês, mas foi muito legal estar mais ligada a criação de conteúdo desde a gravação do seu álbum e recentemente com Berlim, mas não vou fazer feat, nem algo assim, só vou estar na produção mesmo.
Ele bufou e saiu da piscina, sentando ao meu lado.
— Você deveria produzir algo seu e lançar um álbum, mas gosto de te ver mais envolvida com a gravadora, já é um começo. Mas por que não compra os 40% de uma vez?
— Porque acho que você deveria comprar os outros 20% — falei e sorri para ele. — Isso vai te dar uma garantia e uma voz muito boa dentro da gravadora, Laurent gosta de você e com certeza gosta de mim. — Edward riu certamente pensando o motivo de Laurent gostar de mim ter sido o fato de transarmos. — Mas você ter parte da gravadora vai te permitir opinar bastante no futuro da sua carreira, além do mais eu vou ter os outros 20%, juntos vamos ter a maior parcela de ações depois de Laurent.
— Ok, estou quase convencido, mas isso vai custar muito. Vou falar com meu advogado, certo?
— Você quem sabe. — Beijei seu ombro e sorri mais. — Estou animada em comprar minha parte, espero que Patrick não foda com tudo querendo vender as ações para uma só pessoa.
Antes de Edward falar algo meu celular dentro da bolsa tocou, o tirei dali e vi que quem estava me ligando era David Lawrence, um apresentador de talk show. Tinha o número dele afinal os cantores na minha produtora viviam dando entrevistas no programa do mesmo, Up All Night.
— Olá, David — atendi na minha melhor voz de trabalho.
— Isabella, olá. Você está podendo falar?
— Estou sim — respondi e fiquei de pé, me afastando um pouco de Edward que voltou para dentro da piscina, parei perto da varanda coberta. — Pode falar.
— Primeiro, vi você cantando com Ed Cullen em New York, minha filha mais nova é muito fã dele e no mesmo dia me mostrou um vídeo. Adorei mesmo a apresentação, queria saber se você aceita participar do meu programa essa semana, dando uma entrevista sobre sua carreira.
Fiquei muda ao escutar o que David queria comigo.
— Não vou te fazer cantar no programa, só se você quiser, nem irei tocar no assunto do Escândalo Swan, também não vou mencionar o que aconteceu com sua irmã recentemente. Quero que seja uma entrevista positiva, você começou a trabalhar super jovem na indústria, tem muito o que falar. O que me diz?
David Lawrence queria me entrevistar, sem ser para falar sobre os escândalos cercando minha vida, uma entrevista positiva como o mesmo disse. Isso era loucura, em todos aqueles anos tive de me manter reclusa o máximo possível porque as pessoas não me suportavam, mas ali estava sendo convidada para um programa importante.
Olhei para Edward na piscina, ele tinha parado de nadar de novo e me olhava com curiosidade. Sorri para ele, senti meu coração bater forte no peito e pensei em como aquela entrevista poderia ser bem vista pela mídia e pelos fãs dele quando fôssemos nos assumir em alguns meses. Se a entrevista fosse boa, sem focar de fato nos meus problemas, todo mundo teria não só a versão problemática de Isabella Swan em mente, mas aquela versão da empresária bem sucedida também. Talvez eu desse até mais entrevistas benéficas para minha própria imagem.
— Quando seria a gravação do programa? — questionei David.
— Amanhã de tarde, a entrevista seria exibida na quarta. Então, você topa?
— Sim, topo — respondi.
— Sério? Que bom, Isabella! — David comemorou. — O pessoal da produção do programa vai te ligar depois para acertar tudo, ok? Eu queria mesmo ser a pessoa falando com você antes do meu produtor.
— Certo, mande eles me ligarem. Tchau, David! — finalizei a chamada sem escutar mais nada do apresentador, larguei meu celular sobre o sofá da varanda e sai correndo até a piscina, onde me joguei na água.
Voltei a superfície e comecei a rir, tirando meus cabelos do rosto. Edward me encarava sem entender nada, nadei até ele e segurei em seus ombros.
— Eu vou dar uma entrevista, amor!
***
Estava no camarim do programa no dia da tarde seguinte, experimentando mil roupas para decidir qual iria usar na gravação. Tanya estava comigo, eu precisava da minha melhor amiga naquele momento, assim como ela estava agindo como minha agente e acertando tudo para a entrevista com a produção do programa.
Eu não cantaria, não falaria sobre o Escândalo Swan, sobre o caso de Ness, minha overdose, nem sobre minha mãe. Seria uma boa entrevista, estava sentindo isso, estava mais animada para lidar com essa do que estive sobre a entrevista que dei quando assumi a culpa pelo vídeo vazado do Escândalo Swan, afinal na entrevista com David não estaria mentindo sobre a pior coisa que já tinha acontecido na minha vida.
Meu celular tocou, enquanto Tanya falava os prós e contras do conjunto de saia e blusa que estava vestindo. Peguei o aparelho e vi que tinha recebido uma mensagem de Edward, que naquela tarde estava na Disney da Califórnia com Leah e o irmão adolescente irritante dela.
Pirralho: Amo você, linda. Boa entrevista, sei que vai arrasar!
***
Eu estava na minha sala da produtora no dia seguinte, trabalhando em organizar a agenda de Edward para os próximos dias, ao mesmo tempo em que respondia mensagens do arquiteto da boate — que iria inaugurar em dezembro após as reformas — e falava com Patrick Wilson por ligação.
Estava tentando o convencer a vender só 20% das ações para mim, mas ele queria vender os 40% para uma única pessoa. Edward ainda estava em processo de tomada de decisão sobre isso, eu poderia comprar os 40%, mas seria muita, muita, grana que teria de mover para isso e não era o que queria.
Acabamos a ligação sem realmente acertar nada, com Patrick apenas prometendo pensar mais sobre o assunto e entrar em contato comigo depois. Eu também acabei de falar com o arquiteto e me concentrei na agenda de Edward, a turnê tinha acabado, mas ele ainda teria trabalhos a fazer, tínhamos que manter o nome dele em alta até às outras premiações e especialmente o Grammys.
— Bella! — Tanya entrou, sem bater, na minha sala. Olhei para minha amiga e a vi super animada, ela tinha seu celular em mãos e o virou para mim quando parou perto da minha mesa. — O pessoal do Up All Night postou sobre sua entrevista de hoje.
Prestei atenção no celular dela, vendo no Twitter do programa. Eles tinham compartilhado uma foto minha com David durante a gravação, a legenda dizia:
"Não perca hoje às 23:30 entrevista exclusiva com Isabella Swan."
— Nem estava pensando na entrevista, agora estou! — me queixei com Tanya, ela riu.
— A entrevista foi ótima, você se saiu muito bem.
Ela estava certa, eu tinha ido bem, mas e se mesmo assim as pessoas me odiassem ainda mais por aquilo?
***
Minha casa estava cheia aquela noite, Renesmee decidiu chamar algumas pessoas para assistirmos todos juntos minha entrevista. Esme, Rose, Emmett, meu pai, Carmen, Alice, Jasper, Tanya, Santiago, Edward, é claro. Para completar meu namorado chamou Alec, segundo Edward só para alegrar um pouco o amigo que estava para baixo por conta do seu divórcio, mas sabia que o Cullen queria o jogar nos braços da minha irmã caçula.
— Falta muito pra começar? — Alice se queixou sentada ao meu lado, apoiando sua cabeça no meu ombro.
— Falta pouco agora — Tanya respondeu do outro sofá, ela estava sentada junto com Esme e Rosalie, meu pai em uma poltrona. No chão, perto da mesinha de centro Ness estava jogando cartas com Alec, Emmett e Santiago. Jasper, Edward e Carmen estavam na cozinha fazendo pipoca e pegando bebidas.
— E cadê esses três com a pipoca? Tô faminta! — Alice continuou se queixando.
— Meu Deus, seu humor está impossível — Ness disse do chão.
— Falou a garota que há dois minutos estava chorando porque perdeu uma partida. — Alec riu.
— Você estava roubando! — Renesmee acusou.
— Eu não estava roubando!
— Caralho, o Alec sempre rouba em todo jogo — Edward falou ao entrar na sala, sendo seguido por seu amigo e minha madrasta, sentou do meu outro lado e colocou em minhas mãos um balde de pipoca que Alice logo atacou, enquanto colocava o outro sobre a mesinha e Alec o xingava.
— Porra, Ed, você está bagunçando as cartas e eu não roubo, você que é um péssimo jogador.
— Ele sempre foi — Rosalie falou do seu lugar, Jasper já tinha distribuído o resto das pipocas e Carmen terminava de entregar latas de Coca-Cola para todo mundo, carregando as mesmas em um frigobar portátil que Ness tinha.
— Eu sou um ótimo jogador — Edward resmungou. — Alice, será que você pode sair de cima da minha namorada?
— Antes dela ser sua namorada era minha irmã — Alice falou continuando apoiada em mim.
— Ela está certa — falei para Edward, que revirou seus olhos e abriu uma lata de coca para si e uma pra mim que Carmen entregou. Ela foi sentar no braço da poltrona do meu pai, enquanto Jasper já estava no chão com os outros.
— Vai começar, silêncio! — papai exigiu, ele tinha o controle em mãos e aumentou o volume da TV, para onde todos olhamos.
Logo David estava aparecendo na tela fazendo a abertura do programa, que naquela noite teria a entrevista comigo e a com uma banda de indie rock da Inglaterra. Eu seria a primeira entrevistada, então logo David estava chamando por mim.
— Com vocês, Isabella Swan!
Eu tinha optado por um vestido preto para aquela entrevista, ele ia até meio das minhas coxas, sem decote e suas mangas iam até meus pulsos em um tecido preto, mas o tecido ali era organza. Meus cabelos estavam soltos e penteados para o lado, ondulados. Minha maquiagem era leve, incluindo um batom rosa que Tanya insistiu que eu aceitasse que a maquiadora passasse. E usava saltos.
Também mantive o cordão que Edward me deu, mesmo que não combinasse com a roupa.
Na tela da TV me vi andando pelo cenário do estúdio, sorrindo e acenando para a platéia que batia palmas. David levantou da sua poltrona e me abraçou educadamente, falando que estava feliz por eu estar ali e indicando que me sentasse na poltrona diante de sua mesa.
— É realmente muito bom te ter aqui, Isabella — David disse, ele era um cara de quase cinquenta anos de idade, loiro e que no dia da gravação estava com barba.
— Agradeço pelo convite, David. Adoro seu programa.
— Que mentirosa, você nem assiste! — Ness exclamou rindo.
— Assisto quando tem alguém que me interessa nele — me defendi.
— Nunca te entrevistei antes, então estou meio nervoso aqui — David falou se abanando. — Você é uma lenda viva.
— Meu Deus, você está me chamando de velha, David? — perguntei me fingindo de ofendida, ele rapidamente começou a negar, Edward riu e beijou minha bochecha.
— Não, não, não assim! — Ele e eu rimos. — Você é uma lenda viva por ter feito de tudo, cinema, tv, propagandas, música e até teatro, estou certo?
— Sim, mas teatro foi bem pouco, apenas participei de uma noite na Broadway como convidada especial no musical de O Mágico de Oz e nem cantei, só tive uma fala.
— Quantos anos você tinha?
— Algo entre dez e onze anos — respondi. — Foi bem legal, mesmo tendo sido algo de uma única noite.
— O que você achava mais legal de fazer, os filmes, as séries ou esse único dia no teatro?
— Impossível de escolher e comparar, cada experiência era singular, sabe? Eu não sentia a mesma coisa nem mesmo de um filme para o outro, tudo sempre foi muito especial para mim e os personagens eram diferentes entre si, então tornava a experiência realmente única.
— Você tiraria algum filme ou série do seu currículo?
— Não, com certeza não, eu amo tudo que atuei.
— Algum papel preferido?
— Princesa Audrey — eu tinha respondido sem hesitação.
— Eu só quero ser uma garota normal! — Edward cantou ao meu lado junto com sua irmã que estava no outro sofá, resmunguei, mas aquilo era fofo.
— Esse foi um grande sucesso! — David exclamou. — E você lembra de quantos comerciais para a TV fez?
— Não mesmo, acho que uns 100, sei que foi bastante coisa.
— Nossa equipe buscou essa informação e catalogados 217 comerciais.
— Uau, bem mais do que eu lembrava! — exclamei realmente chocada.
— Foi em um desses comerciais que conheceu sua melhor amiga e sócia, estou certo? Tanya Denali.
— Sim — respondi entusiasmada. — Nós gravamos juntas para a campanha de um cereal, até autografei o diário dela no dia, mas só fomos nos reencontrar muitos anos depois em New York. Ela está aqui comigo hoje. — Acenei para a direção dos bastidores do estúdio que Tanya estava. — Amo você, amiga.
— Também te amo — Tanya falou do seu lugar na sala para mim.
— Como é trabalhar com sua melhor amiga? — David quis saber.
— É maravilhoso, obviamente temos nossos momentos de conflito, mas sempre conseguimos alinhar tudo e fazer o melhor no trabalho.
— E como é trabalhar com Charlie?
— É muito difícil trabalhar com meu pai.
— Até parece! — Charlie resmungou.
— Ele e eu discordamos de muita coisa, as discussões sempre acabam em casa. Mas amo demais meu pai, mesmo ele me dando muita dor de cabeça.
— A primeira vez que você cantou em um show, aos 17 anos, foi em um palco com seu pai, certo?
— Isso mesmo.
— Já entrevistei Charlie algumas vezes antes e ele é absolutamente devoto a você e suas irmãs, ele deve ter ficado tão orgulhoso de te ver cantando no fim de semana em New York. Na verdade, acho que a produção tem provas do orgulho de Charlie no sábado, estou certo?
No telão atrás de David e eu apareceu uma foto do post do meu pai no Instagram, onde ele postou uma foto beijando minha bochecha na festa após o show e tinha escrito:
"Feliz em te ver brilhando naquele palco, filha. Você é e sempre será meu primeiro amor."
— O papai nem tenta esconder como prefere a Bells — Alice acusou.
— Lide com isso — provoquei.
— Não prefiro nenhuma das três — ele alegou. — Amo todas igualmente.
— Vamos fingir que acreditamos, você prefere a Bells — Ness falou, mas eu sabia que ela e Alice não estavam realmente acreditando nisso, ao menos não muito.
— Eu o peguei totalmente de surpresa naquele dia — confessei emocionada em rever a publicação de papai. — Charlie deveria ter entrado no palco para cantar, mas pouco antes do show Ed pediu que eu subisse e cantasse com ele, por Johnny Cash ser minha composição e eu topei isso.
— Falando em Ed Cullen, a turnê e o último álbum dele foram um sucesso, isso é culpa sua?
Eu ri e respondi:
— Não, Ed teve uma equipe brilhante ao lado dele tanto da Hollywood Records quanto o pessoal da minha produtora, a Swan Productions, foi um trabalho coletivo fenomenal que garantiu a ele os números de retorno que alcançou em seus projetos. Mas, não posso deixar de parabenizar Ed por ter se dedicado 100% ao álbum e a turnê, ele foi incrível, estou orgulhosa dele.
— Além de Johnny Cash você e Ed trabalharam na canção em homenagem ao que ocorreu, ou nesse caso felizmente o que quase ocorreu, em Berlim, certo?
— Sim, todos da equipe que estavam em Berlim na data da tentativa do atentado ficaram muito sensibilizados, Ed e eu também. Ele tinha uma letra em mente, eu tinha uma melodia que combinavam e estavam em nossas cabeças desde aquele dia, sendo assim trabalhamos juntos na canção para arrecadar fundos para diversas ONGs.
— Imagino como aquele foi um dia difícil.
— Foi um dos piores dias da minha vida, o medo era paralisante. Mas fiquei feliz que Ed conseguiu fazer um novo show na cidade, foi uma retomada de confiança para todos que vivenciaram aquele dia de perto.
Olhei para Ed ao meu lado, ele estava quieto e vi seus olhos marejados, sabia que ainda era um assunto delicado ouvir sobre aquela noite. Afaguei seu rosto e ele forçou um sorriso para mim.
— Agora me conte, Isabella, você pretende lançar suas próprias músicas? Digo, gravar elas você mesma, talvez um álbum… O que me diz?
— Não tenho interesse em gravar nada, mas preciso admitir que tenho vontade de produzir algumas coisas e compor mais letras. É algo que talvez aconteça nos próximos anos, mas não entrarei em estúdio para gravar algo próprio.
— E quais outras novidades podemos esperar envolvendo sua carreira? Você está abrindo uma boate com Ed Cullen, certo?
— Sim, compramos a antiga 30 Club, ela está passando por reformas e será reinaugurada ainda esse ano.
— Vão mudar o nome?
— Vamos, mas ainda é um segredo que não posso te contar — falei rindo, David fez uma cara de sofrido. — Tenho uma novidade sobre minha carreira que posso contar, só que nada relacionado a boate.
— Vamos, vamos, nos conte!
— Vou começar a empresariar outra cantora, alguém que é muito importante para mim e parte da minha família, Carmen Swan, minha madrasta.
— Bella! — Carmen gritou ao ouvir aquilo, visivelmente surpresa por eu já estar falando dela como parte da Swan Productions por aí. Aquilo tinha sido uma manobra arriscada minha, sabia que falar sobre minha madrasta, ex garota de programa, na entrevista que queria usar para causar boa impressão, não era muito bom, porém ao mesmo tempo precisava começar a preparar o público para a carreira de Carmen.
— Vamos começar a trabalhar no contrato semana que vem — avisei para ela, que comemorou batendo palmas, meu pai estava sorrindo orgulhoso para mim.
— Pode nos contar mais sobre isso?
— Ainda não, David. — Ele fez cara de sofrido novamente.
— Ok, topa uma rodada de perguntas e respostas rápidas?
— Claro!
— Comida favorita?
— Japonesa.
— Cor favorita?
— Preto, acho.
— Estação favorita?
— Verão em Los Angeles, inverno em Nashville.
— Isso foi roubo. — Eu ri. — Filme favorito?
— Não consigo escolher!
— Qual foi o último que assistiu?
— Era algum do Jim Carey, eu esqueci o nome… Ah, era O Máscara!
— Como você esquece o nome desse filme? — David perguntou chocado, eu gargalhei na entrevista.
— Ei, eu amo seu sorriso — Ed sussurrou no meu ouvido, fazendo com que eu sorrisse.
Tirei Alice de cima de mim e apoiei minha cabeça no peito de Edward, que me envolveu com um braço. Nós ficamos naquela posição pelo resto da entrevista, onde ainda participei de dois jogos com David. Um onde tinha de adivinhar de qual filme ou série que fiz era uma fala que aparecia no telão, o outro jogo para adivinhar de quem — entre Riley, Kate, Edward e meu pai — eram trechos de canções.
A entrevista foi ótima e naquela noite sonhei com Ed e eu dando uma entrevista juntos para David.
***
Deixei meu carro e segui para o interior da farmácia, carregando minha bolsa em uma mão e meu celular na outra. Fui direto para o balcão falar com o farmacêutico, levei um bom tempo ali para ter meu remédio em mãos e quando isso estava resolvido circulei pela loja pegando algumas coisas que precisava, que basicamente consistia em chocolates e batatas fritas industrializadas.
Segui para o caixa quando tinha tudo, ergui meus óculos de Sol e a garota, que não devia ter nem mais que vinte anos, me atendendo soltou um gritinho:
— Você é Isabella Swan!
Ah merda, só o que me faltava era uma fã obcecada de Paul em meu caminho. Porém, foi só quando ela falou sua próxima frase notei seu tom de voz animado:
— Te vi no Up All Night ontem, agora você está na farmácia que trabalho, nem acredito nisso!
Forcei um sorriso para ela, que segundo o crachá que usava se chamava Nancy.
— Você gostou do programa? — indaguei.
— Sim, foi bem legal… Cara, não acredito que tô mesmo diante de uma celebridade! — Nacy me olhava como se eu fosse uma ilusão da sua mente, ou algo assim. — Tira uma foto comigo? Meus amigos não vão acreditar que vi uma celebridade se eu não tiver uma foto pra provar.
— Hum, claro — concordei, Nancy comemorou, saiu de trás do balcão do caixa e já com seu celular em mãos colocou na câmera do aparelho, tirei o óculos escuro da cabeça, arrumei meus cabelos com os dedos rapidamente e sorri para a câmera junto da garota.
Aquilo foi muito estranho, parecia como voltar no tempo antes do Escândalo Swan, quando as pessoas me amavam. No entanto, tinha de manter os dois pés no chão, Nancy era só uma pessoa animada por me ver, no meio de muitas outras que seguiam me detestando.
A entrevista não foi terrível para mim, mas foi só um pouquinho de glória. Eu ainda tinha gente babaca falando mal de mim na redes sociais, isso incluía a maioria dos fãs de Ed e certamente todos os fãs de Paul, que eram muitos e adoravam me perseguir online.
Assim que Nancy conseguiu sua foto, ela fez o grande favor de voltar ao trabalho. Paguei por tudo e voltei para meu carro, ainda no estacionamento atendi a ligação de Edward, que escolheu o momento certo para me ligar.
— Estava prestes a te ligar — falei para ele, consegui com uma mão manter o celular na minha orelha, enquanto com a outra abria a bolsa e tirava a nécessaire de remédios.
— Como foi sua consulta? — Ed perguntou preocupado, parei o que ia fazer e me concentrei na conversa com ele.
— Foi boa, no geral, mas o médico acha que devo aumentar a dose do remédio.
— Tá brincando?
— Antes fosse, ele diz que é necessário. Enfim, já comprei os comprimidos com a nova dosagem, vou começar a tomar hoje mesmo conforme orientação dele.
— E você vai ter que passar por todos aqueles efeitos de novo?
— Provavelmente, ou talvez dê sorte dessa vez e seja mais brando.
— Ok, cancela a viagem que eu ia fazer para Paris com a Leah, vou ficar em Los Angeles para cuidar de você.
— Edward…
— É sério!
— Vou ficar bem — garanti a ele. — Você tem que fazer essa viagem com Leah, está na sua agenda, vai ter jantar com gente da Dolce & Gabbana lá, mesmo que de forma geral seja uma viagem de férias entre o casal feliz. — Eles iriam viajar em dois dias e voltariam na véspera do Halloween, já que meu pai estaria dando uma festa com Carmen para comemorar o dia das bruxas.
— Não vou sossegar do outro lado do oceano sabendo que você vai estar aqui passando por tudo aquilo mais uma vez.
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Ele suspirou.
— Vai me manter informado de tudo?
— Vou — prometi.
— Certo, conversamos melhor de noite, vem pra minha casa?
— Sim, vou resolver algumas coisas na produtora agora, mas saio de lá direto pra sua casa. Beijos, te amo, pirralho.
— Também te amo, Capitã.
Nós desligamos, joguei meu celular no painel do carro e abri a nécessaire de remédios, retirei de lá a cartela já vazia — eu tinha tomado o 30° comprimido no dia anterior — daquele último mês do remédio receitado por meu psiquiatra e joguei no lixo do carro. Peguei a nova caixa da sacola da farmácia, tirei a cartela e coloquei no local da bolsinha que a antiga cartela estava, no compartimento ao lado estava meu anticoncepcional.
***
Alguns dias depois, na noite de trinta de outubro, estava na casa de Ed esperando o mesmo chegar de sua viagem. Shrek estava deitado comigo no sofá da sala de TV, Madonna estava no outro sofá, com Woody dormindo em cima dela e Amy deveria estar no quarto do meu namorado.
Rosalie e Esme tinham saído aquela noite, foram para o chá de revelação de uma amiga de Esme da ONG. Rose inclusive postou uma foto da festa, balões escritos garota ou garota?
Edward já tinha mandado uma mensagem informando seu pouso, mas ele ainda deixaria Leah na casa do pai dela. Então, demoraria mais um pouco.
Peguei a garrafinha de água que estava no chão perto do sofá, bebi um gole ainda sentindo enjôo. Eu estava tomando a nova dose do meu remédio há mais de uma semana, os cinco primeiros dias tinham sido os piores, mas ainda melhores do que quando comecei a tomar o remédio do zero, porém, ainda estava sentindo enjôo, cansaço e um pouco dor de cabeça, ao menos estava dormindo — bastante — e não lutando contra a insônia.
Devolvi a garrafa para o chão e me aconcheguei melhor ao sofá, Shrek estava confortavelmente junto de mim e amava tê-lo perto. A TV já tinha sido desligada há algum tempo, então pensei em tirar um cochilo antes de Edward chegar.
Foi o que aconteceu, acordei com Shrek saindo de perto de mim e Madonna latindo. Abri meus olhos pra valer e vi meu namorado na entrada da sala, com os cachorros e seu gato louco pulando nele.
— Oi, Capitã! — Edward abriu um grande sorriso para mim. — Desculpa te acordar.
— Tudo bem — falei, bocejei e sentei no sofá. — Como foi seu vôo?
— Tranquilo — respondeu, andou até mim e beijou meus lábios rapidamente, sentando ao meu lado. — Como você está?
— Bem.
— Não deveria estar aqui sozinha.
— Tem seguranças vigiando a casa — aleguei.
— Entendeu o que quis dizer, eu podia ter ido te buscar na casa do Caipira Swan.
— É Charlie, além do mais ele e Carmen estão enfurnados no estúdio trabalhando em cima da música dela.
A música sobre o bebê que eles tinham perdido, mas Carmen disse estar cheia de ideias para o seu próprio álbum. Tínhamos finalizado o contrato dela na produtora dias atrás, mas eu ainda estava decidindo para qual gravadora direcionar a mexicana.
— Ok, você tá mesmo bem?
— Sim. Na verdade, muito bem agora que você tá aqui. — Beijei sua bochecha. — Tenho uma novidade.
— Diga.
— Patrick aceitou vender só 20% das ações dele para mim.
— Sério?
— Sim, sim!
— Ótimo, porque decidi comprar os outros 20%.
— Edward! — gritei e pulei no colo dele, naquele momento morrendo de felicidade por aquilo.
— Vamos transar? — perguntou, logo beijando meu pescoço.
— Desculpa, pirralho — falei, chateada comigo mesma. — Minha líbido caiu de novo com o remédio.
Ele suspirou, mas assentiu.
— Vamos assistir Brooklyn Nine-Nine, então!
***
Eu era uma líder de torcida, assim como minhas irmãs, nossas roupas tinham os tons de vermelho, preto e branco, assim como os pompons que seguravamos e a letra no centro da nossas blusas era um S. Nós também tínhamos nossos cabelos em rabos de cavalo e usávamos tênis, por sorte não era uma noite fria e podíamos aguentar usar saia curta.
Entretanto, eu estava incomodada com a roupa que usava, a mulher que Ness contratou para fazer as roupas deveria ter errado ao anotar minhas medidas, pois minha blusa estava justa demais no busto. Nada que me deixasse sem respirar, mas já era um incômodo.
A festa já estava cheia, a casa de papai perfeitamente decorada dentro do clima de Halloween. As pessoas tinham realmente caprichado em suas fantasias, Tanya estava de alienígena — mas um sem a pele verde, apenas usava calça prateada colada e um top parecido, antenas na cabeça e maquiagem também prata —, o marido dela estava vestido de astronauta, enquanto meu pai era um marinheiro e Carmen uma sereia.
Randall, que papai tinha revirado os olhos, mas aceitado que Alice o levasse, estava fantasiado de mágico. Os dois circulavam pela festa falando com o máximo de pessoas possíveis, minha irmã sempre fazendo questão de mostrar seu anel de noivado. O outro casal ali, Rosalie e Emmett, estavam vestidos de Mickey e Minnie. Esme não tinha ido, já que estava em uma festa na ONG.
Ness, Jasper — vestido de Jon Snow de Game of Thrones — e meu pai estavam na mesma mesa que eu, nós quatro jogávamos cartas. Foi quando Richard se aproximou, estive tentando fugir das vistas dele até aquele momento, mas ali se tornou impossível.
— Richard, senta e joga com a gente! — papai exclamou e apontou para a cadeira vaga entre ele e Jasper.
— Vou jogar sim — Richard concordou, apoiou sua garrafa de cerveja na mesa e andou até mim. — Bom vê-la, Isabella.
— Oi, Richard! — Forcei um sorriso, mas senti enjôo e um arrepio ruim em meu corpo quando ele se inclinou para baixo e beijou minha bochecha.
— Você e suas irmãs estão lindas esta noite — ele disse e sorriu para Ness.
Minha irmã também forçou um sorriso para ele, Nessie não sabia sobre o que tinha rolado com Richard durante a turnê de Ed, mas eu tinha contado para ela sobre ele me atormentando quando estávamos em New York para as gravações de Endorfina. Renesmee só não tinha dito nada do que sabia para papai porque implorei muito, assim como implorei a Edward, que quando soube que Richard estaria na festa ficou muito puto.
O jornalista também cumprimentou Jasper e se sentou, esperando que acabassemos a partida em andamento. Ter ele tão perto me deixava angustiada, meu coração já estava batendo forte.
— Veio sozinha essa noite, Isabella? — ele me perguntou.
— Veio — papai respondeu por mim e revirou os olhos em um gesto exagerado. — Ela não aceita que voltar com James seria o melhor — falou aquilo olhando para mim e piscou um olho, deixando com que eu soubesse que estava brincando. Ele podia não ser o maior fã de Edward, mas ao menos não estava mais querendo que eu voltasse para James desesperadamente. — Quanto tempo vai ficar na cidade mesmo? — perguntou para o amigo.
— Só até amanhã de noite, tenho uma reunião em Chicago na sexta-feira.
— Isso é uma merda! — meu pai exclamou chateado sobre a fala de Richard. — E eu ganhei! — anunciou para Jasper, Ness e eu. — Vocês precisam envelhecer bons anos até ficarem tão bons quanto eu sou.
— Nossa, muitos e muitos anos, não é, seu velho? — Richard falou brincando, meu pai gargalhou e bateu no braço dele de brincadeira.
Eu queria contar tudo para meu pai, mas estava morrendo de medo de como a verdade poderia se tornar um pesadelo ainda pior quando dita em voz alta.
— Jasper, você embaralha — Ness disse para o Whitlock quando também jogamos nossas cartas na mesa.
Enquanto Jasper cuidava disso e falava com Ness sobre Game of Thrones, meu pai e Richard conversavam sobre o álbum que meu pai estava gravando e riam de suas próprias piadas. Peguei meu celular que estava em cima das minhas coxas e entrei no Instagram, vi algumas coisas das pessoas que estavam na festa, incluindo o story de Ed.
Ele e Leah estavam fantasiados de zumbis, a garota usava uma peruca loira que a deixava mais ridícula que a maquiagem de morta viva, que combinava muito com ela. Na foto os dois posaram lado a lado em posições tortas e Edward escreveu:
"Minha namorada e eu definitivamente temos as melhores fantasias desse Halloween."
Engoli em seco e fechei o Instagram.
— Você não acha, Isabella? — Richard me perguntou fazendo com que eu olhasse para cima.
— O quê?
— Eu disse que estou hospedado no Four Seasons e que acho o melhor hotel de Los Angeles, seu pai disse que acha o Waldorf Astoria Beverly Hills.
— O Four Seasons certamente é melhor. — Olhei para trás e vi Edward parado perto da minha cadeira. — Olá, Richard! — Estendeu uma mão para o jornalista.
— Olá, Ed! — Os dois trocaram um rápido aperto de mão.
— Capitã, pode vir comigo?
— Sim. — Topei na hora seguindo junto de Edward, deixando meus pompons sob a mesa.
Nós paramos perto do bar, meu namorado pediu garrafinhas de água para nós dois e perguntou:
— Aquele verme do Richard disse algo?
— Não, está tudo bem, mas obrigada por ter me tirado de lá, odeio ficar perto dele.
Edward suspirou e bebeu um pouco da sua água.
— Quero quebrar a cara dele.
— Você fica bem até de zumbi — desconversei, ele riu, mas sem estar realmente animado.
— Queria estar combinando fantasia com você, não com Leah — sussurrou.
— Cadê ela?
— Sei lá, acho que foi ao banheiro. Diz que ano que vem no Halloween vamos combinar fantasias?
Eu sorri e assenti.
— Vamos, você pode escolher.
Ele sorriu entusiasmado com a ideia, foi quando começou a tocar You're The One That I Want e previ o que Edward iria pedir:
— Vamos dançar? — perguntamos juntos, nós rimos e seguimos até a pista de dança.
Dançamos toda a música, o que me fez pensar quando a dançamos no meu noivado com James, eu esperava que a próxima vez que a dançassemos em uma festa já fosse quando estivessemos assumidos publicamente, mas ainda faltava muito tempo para isso.
— Danny e Sandy — Ed falou o nome dos personagens de Grease, de onde a música que dançamos era, quando acabamos de dançar. — Serão as fantasias do ano que vem, entendido? Nada de mudanças.
— Sem mudanças — prometi, tinha adorado a ideia dele.
— Excelente! — exclamou e me puxou para dançar de novo, uma outra música antiga, foi quando vi Richard, do seu lugar da mesa que eu estava antes, olhando para mim.
— Acho que vou pra casa — falei para Edward, parando de dançar.
— Ainda está cedo.
— Estou cansada, por conta do remédio, preciso dormir.
Ele suspirou, mas concordou.
— Pra onde…
— Sua — respondi sabendo que ele perguntaria para qual casa eu iria.
— Ok.
O abracei rapidamente e fui em direção ao interior da mansão, avisei somente Carmen que encontrei lá dentro na cozinha que estava indo embora. Peguei minha bolsa no meu antigo quarto e deixei a mansão, precisava mesmo descansar, mas precisava ainda mais ficar longe de Richard.
***
Acordei horas depois, já com Edward dormindo ao meu lado em sua cama, nem tinha o visto chegar da festa. Beijei suas costas, sobre sua tatuagem tribal ali e tentei voltar a dormir, mas não consegui. Me remexi mais um pouco na cama, só que nada do sono voltar.
— Amor, para de se mexer, por favor — Edward implorou grogue de sono.
— Foi mal — murmurei, ele apenas emitiu um som de concordância e voltou a ficar em silêncio.
Eu tentei me manter imóvel, mas já estava desperta demais e se ficasse na cama acordaria Edward por estar inquieta. Sendo assim, saí da cama, ele já estava dormindo de novo — completamente apagado — e não percebeu minha escapada. Alcancei meu celular na mesinha e desci para a sala de TV, onde Woody estava dormindo.
Coloquei um filme de comédia qualquer na TV, sentei junto do gatinho dormindo e desbloqueei meu celular para jogar Candy Crush. Porém, antes que fizesse isso vi que Richard tinha me mandado mensagens.
Richard Buttler: Que tal vir me visitar no hotel mais tarde, Isabella?
Richard Buttler: Você sabe onde estou hospedado.
Richard Buttler: Estarei te esperando.
Richard Buttler: Vamos nos divertir muito.
Desliguei meu celular e tentei me concentrar no filme, não consegui. Passei o resto da madrugada pensando nas mensagens de Richard, temendo que um dia ele conseguisse o que quisesse.
***
Entrei na cozinha e senti enjôo com o cheiro imediatamente, Ness estava fazendo algo com ovos no fogão, mas o odor era podre. Ela olhou para mim e sorriu.
— Bom dia, Bells. Quer que eu faça seu café da manhã?
Era sábado, Edward tinha viajado noite passada para São Francisco, onde ele teria compromissos pelo resto do fim de semana. Tanya tinha ido de agente dele, uma vez que eu estaria dedicada a lidar com os engenheiros e arquiteto responsáveis pela reforma da boate naquele dia.
— O cheiro disso está terrível — me queixei para Ness e abri a geladeira da cozinha da nossa casa. — Não tem morangos! — choraminguei.
— Tem maçã — minha irmã falou, bufei e peguei uma maçã, logo na primeira mordida detestei o gosto e joguei no lixo.
— Horrível!
— Você está exigente hoje — Ness falou e riu, despejando os ovos que fazia em um prato.
O celular dela vibrou sobre o balcão, Ness o pegou, mexeu neles por alguns segundos e murmurou:
— Alec me mandou uma mensagem, o filho dele acabou de nascer.
— Você está triste por isso? — questionei.
— Não, claro que não. — Ela olhou para mim ao responder, estava claramente mentindo, eu a conhecia muito bem para afirmar isso. — Estou muito feliz por ele.
— Alec já assinou o divórcio?
— Vai assinar em duas semanas… Acho, talvez ele e Amber voltem agora que o bebê nasceu.
— Você deveria dizer a Alec que gosta dele.
Renesmee riu de mim, um riso forçado.
— Ele é só meu amigo, só isso. E ainda preciso lidar com tudo que aconteceu envolvendo Nahuel antes de estar com alguém.
***
Revirava o closet de Edward atrás de uma roupa que pudesse vestir naquela manhã — era aniversário de Ness e Alice tinha chamado nós duas para tomarmos café da manhã no apartamento dela —, tinha pelo menos duas gavetas do armário dele com roupas minhas, mais pelo menos cinco pares de sapatos juntos aos seus. Porém, naquela manhã, nada parecia bom pra mim, estava me sentindo inchada, tudo parecia errado no meu corpo.
— And I know I make the same mistakes every time. Bridges burn, I never learn. At least I did one thing right. I did one thing right.* — Edward entrou no closet cantando e tocando violão, a música era Call It What You Want da Taylor Swift. Ele tentou me beijar, mas o afastei.
— Nem vem, eu tô no meio de uma crise de moda aqui — me queixei.
Ele riu e parou de tocar.
— O que tá rolando?
— Essas malditas roupas não estão servindo de nada — reclamei. — E meus seios parecem maiores, estou engordando!
Edward olhou em direção a eles, não podendo ver muito já que eu estava usando uma blusa fechada. Levando em conta que não transavamos desde antes Edward ir para Paris, no dia anterior a eu mudar a dose do meu remédio, ele não me via nua tinha algum tempo — nem mesmo em banhos que estava preferindo tomar sozinha —, já que eu estava lidando com os efeitos colaterais da medicação, como o maldito enjôo que não ia embora mesmo depois das duas primeiras semanas de adaptação.
— Se eles estão mesmo maiores é algo ruim?
— Peitos maiores com silicone? Bom. Peitos maiores por eu estar gorda? Ruim, muito ruim.
— Isso é gordofobia — ele acusou, o encarei com ódio. — Ok, digamos que você esteja gorda, o que não acho que esteja, que isso fique bem claro, pode começar a malhar com meu personal.
— Talvez — resmunguei, Amy entrou no closet de Edward, ele abriu um grande sorriso e a pegou no colo, deixando o violão no chão.
— Oi, gatinha linda — falou com ela.
— Porra! — guinchei, Edward me olhou assustado.
— O que foi?
— Em alguns dias já vai fazer um mês desde o fim da sua turnê, eu disse que levaria Amy para minha casa quando isso acontecesse e ela ainda está aqui.
Edward revirou seus olhos.
— Bella, você já passa mais tempo na minha casa do que na sua, seria muito injusto levar Amy. Ela tem Madonna, Woody e Shrek aqui, não pode os separar.
— Que seja — resmunguei.
— Você está bem estressada, gordinha — ele provocou e passou a mão sobre minha barriga, eu empurrei seu braço, Edward gargalhou e saiu do closet.
***
Quando por fim decidi que roupa usar, fui com Ness — que me buscou na casa de Ed — para o apartamento de Alice. Nessie estava fazendo 22 anos, no começo ela não estava querendo comemorar seu aniversário, mas acabou decidindo dar uma festa no próximo sábado, em um iate. E naquele dia sete de novembro, o dia oficial do seu aniversário, iríamos tomar o café da manhã com Alice e jantar na casa de papai, só nós quatro e Carmen.
— Você está bem? — Ness perguntou preocupada quando entramos no elevador do prédio de Alice e encostei minha cabeça na parede.
— Enjôo — sussurrei.
— Isso ainda é sobre seu remédio? — perguntou confusa, afagando minhas costas.
— Provavelmente, sabe que aumentei a dose, deve estar demorando mais agora para meu corpo se adaptar do que da primeira vez.
— Ok, vamos esperar que isso passe logo — ela disse ainda afagando minhas costas e beijou meus cabelos.
O elevador parou no andar do apartamento de Alice, Ness e eu saímos e tocamos a campainha. Minha outra irmã estava demorando demais para aparecer e eu estava começando a ficar com vontade de fazer xixi, quando ela finalmente abriu a porta passei direto por Alice gritando:
— Banheiro!
Quando fiz o que tinha de fazer encontrei as meninas na cozinha, Alice tinha abastecido sua mesa com muita comida e pendurado uma faixa de parabéns na parede. Ela me proibiu de comer antes de tirarmos fotos, aquilo levou pelo menos vinte minutos.
— Posso comer agora? — perguntei já irritada de fome, sentando em uma cadeira e pegando um pedaço de bacon. — Isso está bom, onde você comprou, Alice?
— Ah, o bacon eu fiz.
— Você cozinhou? — Renesmee e eu perguntamos em choque.
— Sim — Alice respondeu rindo. — Jasper me ensinou algumas coisas de cozinha, basicamente fritar bacon e fazer panquecas, nada demais. — Deu de ombros.
Renesmee e eu nos entreolhamos, mas não falamos nada. As duas sentaram também e começamos a comer, conversando sobre a festa no iate de Ness. Eu estava comendo salada de frutas quando senti muito enjôo, muito ao ponto de não conseguir mais comer, larguei a comida sobre a mesa e sai correndo para o banheiro de visitas de Alice.
O mais rápido que consegui abri a tampa do vaso e me ajoelhei no chão, comecei a vomitar tudo o que tinha comido até ali. Senti alguém segurar meus cabelos e acariciar minhas costas, mas estava ocupada demais vomitando para prestar atenção em qual das minhas irmãs estava fazendo isso.
— Está melhor? — Nessie perguntou quando parei de vomitar, ela estava em pé, Alice ajoelhada no chão junto de mim.
Apenas assenti, fechando a tampa do vaso, Alice soltou meus cabelos. Ness deu a descarga e me entregou um pedaço de papel para limpar a boca.
— Isso foi feio — Alice disse, eu assenti novamente, me sentia exausta.
— Foi bem seu bacon que fez isso comigo — reclamei.
— Você já estava enjoada antes do café — Renesmee se pronunciou. — E tem estado bem cansada.
— Sim, pelo meu remédio.
— E no caminho para cá estava reclamando sobre estar inchada, especialmente seus seios, né?
A olhei confusa, mas concordei com um aceno de cabeça.
— Puta merda! — Alice exclamou, percebendo algo antes de mim. — Você transa com o Edward de camisinha? — me questionou.
— Não… — respondi e foi quando percebi o que ela e Ness estavam querendo dizer, eu teria rido, mas estava cansada demais depois de vomitar para isso. — Eu não estou grávida, tomo anticoncepcional todo dia direitinho, sem chances disso acontecer.
— Até anticoncepcional tem taxa de falha, Isabella! — Alice exclamou, revirei meus olhos.
— Não estou grávida.
— Ok, vamos ter certeza disso — Alice se levantou e remexeu no armário debaixo de sua pia, ela tirou uma caixa de lá e passou para mim, era um teste de gravidez de farmácia.
— Por que você guarda um desses em casa? — questionei.
— Para situações de emergência, como essa, agora faça o teste e vamos ter certeza de que não está grávida.
— Eu não quero fazer xixi e isso é loucura, não estou grávida.
— Você pode estar — Ness teimou.
— Eu tomo anticoncepcional — repeti. — E sei da taxa de falha, mas é algo tão mínimo, seria um fodido azar eu ser a sorteada, não faz sentido me desesperar por isso. Tenho justificativa para estar enjoada e cansada, é meu remédio. E se estou gorda e toda inchada pode ser por isso também, ou talvez porque não faço exercício físico como deveria.
— Bella, só faz o teste — Alice pediu.
— Tá, que seja. — Fiquei de pé. — Mas não quero mesmo fazer xixi agora. — Passei o teste para as mãos de Alice e fui até a pia, consegui um enxaguante bucal no armário e usei aquilo para tirar o gosto ruim da boca.
Nós saímos do banheiro e voltamos para a cozinha, Alice me entregou uma garrafa de um litro de água e um copo limpo. As duas voltaram a comer, também voltaram a falar sobre a festa de aniversário de Ness, mas não paravam de olhar — nervosas — para mim, enquanto eu me forçava a beber água e jogava Candy Crush no meu celular.
Eu estava tranquila, sabia que não estava grávida. Teria de ser muito azar para o remédio falhar justamente comigo, mas não estava achando que passaria por essa má sorte.
— Ok, estou pronta — falei, Alice me entregou a caixinha do teste e segui para o banheiro.
Me tranquei lá dentro e li as instruções, simples e eu sabia que daria negativo. Fiz todo o procedimento, quando acabei deixei o teste sobre a bancada da pia, cronometrei o tempo necessário no meu celular e sai do banheiro.
Alice e Renesmee pararam de falar, o quer que fosse que estavam conversando quando entrei na cozinha.
— E aí? — Ness perguntou.
Mostrei o cronômetro para ela, Ness assentiu.
— Tenta comer algo — Alice falou para mim.
— Eca, não — neguei. — Como mais tarde, agora posso acabar vomitando de novo, por conta do meu remédio, não por uma gravidez.
Nessie suspirou e colocou o rosto entre as mãos, Alice começou a limpar a mesa, ambas muito tensas.
— Não estou grávida — deixei bem claro para elas.
— Ok, Bells — Alice murmurou, resmunguei e fui esperar o tempo para o resultado no banheiro mesmo.
Sentei sobre o vaso com a tampa abaixada e fiquei jogando Candy Crush novamente, até que o cronômetro parasse. Eu levantei e peguei o teste, tinha lido as instruções atentamente antes, por isso sabia que aquela segunda listra rosa indicava um positivo.
Sentindo minhas mãos tremerem peguei as instruções do teste, reli tudo, buscando onde tinha errado ao fazer aquilo. Eu não estava grávida, não poderia estar e principalmente, não queria estar.
— Não, não, não, não — eu dizia enquanto relia tudo.
— Bells? — Olhei para a entrada do banheiro e vi minhas irmãs.
— Deu positivo — sussurrei, sentindo as lágrimas já rolarem por meu rosto. — Não devia ter dado positivo.
— Você fez tudo certo? — Ness perguntou, Alice estava pálida e paralisada.
— Sim, aparentemente sim. — Entreguei as instruções e a caixa para ela, que leu tudo rapidamente, enquanto eu voltava a ver o bastão do teste que indicava o positivo.
— Está na validade — Ness falou conferindo na caixa. — Ai meu Deus, você está grávida! — Ela sorriu, mas vendo o desespero no meu rosto logo se conteve.
— O que você vai fazer? — Alice perguntou baixinho.
— Eu não estou grávida — teimei, mas naquele momento não acreditava muito em mim mesma. — Vou fazer um exame de sangue, sei lá, algo mais real que prove que não estou grávida porra nenhuma.
Juntei o teste a caixa e as instruções nas mãos de Ness e joguei tudo no lixo.
— E se você realmente estiver? — Alice indagou.
— O que você acha que vou fazer? — gritei. — Parar em uma loja de coisas de bebês e escolher um berço com Edward? Claro que não! Ele não quer ter filhos, eu também não. Se isso for mesmo real vou abortar, claro que vou abor...
Não consegui terminar de falar, comecei a chorar alto e Renesmee me abraçou.
— Vai ficar tudo bem — minha irmã garantiu. — Se você estiver mesmo grávida e decidir abortar Alice e eu iremos te apoiar em tudo.
Aquilo me pegou de surpresa, Ness não estava por aí defendendo a proibição do aborto, não mesmo, mas ela era a irmã que sempre falava em ter uma família. Eu pensava que minha vontade de abortar iria no mínimo a fazer bater o pé e protestar, mas ela estava me apoiando inteiramente.
— Isso, Bells. — Ouvi a voz de Alice. — O que você decidir, independente do que seja, terá nosso apoio.
Eu chorei mais, ainda nos braços de Ness. Não poderia ter aquele bebê, se ele fosse realmente real, eu não poderia ser uma mãe.
***
Eu ainda parecia fora de mim, mas consegui ser racional e decidi ir até o consultório da minha ginecologista. Minhas irmãs queriam ir comigo, mas eu insisti que queria fazer aquilo só, tomei um táxi e fui para a clínica.
Deveria ter ido à consulta com minha médica uma semana antes, mas estava ocupada e remarquei para depois do dia quinze daquele mês de novembro. Sendo assim, a assistente dela não queria me encaixar na agenda daquela manhã, mas fui muito insistente — isso envolveu ameaçar falar mal dela para a médica e dona da clínica que era uma das mais luxuosas da cidade — e acabei com uma vaga.
— Olá, Isabella! — Madeleine Berger, a médica, exclamou quando entrei no seu consultório. Ela era uma mulher loira, de cinquenta e poucos anos, pelo que sabia era filha de franceses, mas morava nos Estados Unidos desde criança.
— Estou grávida — falei de uma vez sentando em uma cadeira diante da mesa dela, tirei o óculos de Sol que Alice me emprestou e joguei minha bolsa, que tinha pego no carro de Ness antes de ir para o táxi, na cadeira ao lado.
— Isso não foi planejado, certo? — Madeleine questionou, ela sabia muito bem que eu não queria ter filhos, era minha médica desde que comecei a namorar James e optei pelo anticoncepcional que tomava desde então, um contínuo que suspendia minha menstruação.
— Não, não foi — sussurrei. — Mas acabei de fazer um teste de farmácia e deu positivo, não deveria ter dado positivo, eu tenho tomado o remédio certo, sempre tomei.
— Respira, Isabella — ela pediu e fiz aquilo. — Você fez algo errado que pode ter atrapalhado no efeito do remédio?
— Não, eu disse que não — insisti. — Comecei em setembro a tomar um remédio para depressão e ansiedade, mas tudo com indicação de um psiquiatra e ele garantiu que este não afetava em nada o efeito do anticoncepcional. Olha! — Peguei a cartela do tal remédio na nécessaire em minha bolsa e mostrei para Madeleine.
— Certo, esse remédio realmente não afeta o seu anticoncepcional. Você está tendo todas suas relações sem uso de camisinha?
— Praticamente todas elas — confirmei, ela me devolveu meu remédio. — Eu acabei com meu antigo namorado no primeiro semestre do ano, tive relações com outros caras, mas todos com preservativo, mas tem esse outro cara, é meu namorado, mas isso não é de conhecimento da mídia ainda…
— Isabella, sou sua médica há anos, você não precisa ter medo, nada que me disser aqui sai dessa sala. Eu também atendo muita gente famosa, sabe disso, sou extremamente respeitosa com o sigilo médico paciente.
Suspirei e concordei com um aceno de cabeça.
— Ok, estou com esse novo cara e nós não transamos com camisinha, como eu também não transava com James usando preservativo. Meu novo namorado e eu praticamente só usamos camisinha quando temos sexo anal, ou quando nós transamos com outras pessoas ao mesmo tempo — confessei envergonhada. — Mas eu juro, não esqueci um dia do anticoncepcional, nunca atrasei, nem nada assim.
— Você sabe que há taxas de falhas.
— Eu sei, mas não poderia ter acontecido comigo! — Recomecei a chorar
— Está com o anticoncepcional aí?
— Sim, tô sim — confirmei e tirei a cartela que estava tomando da nécessaire.
Madeleine pegou a cartela e a analisou atentamente, até que disse:
— Isabella, essa cartela você começou tem pouco tempo, mas a comprou junto de outras?
— Sim, sempre compro três caixas de uma vez, com as receitas que você me dá. Essa e as duas antes dessa comprei no Brasil quando estive lá em setembro, lembro direitinho de comprar na farmácia do lado do hotel, eu fui tomando uma, mas ela acabaria em poucos dias e eu estaria viajando por toda a América do Sul, México e África, comprei as três caixas e tomei tudo certo. Você pode ver, está tudo ok, é o mesmo remédio que sempre comprei nos Estados Unidos. — Apontei para a cartela que ela segurava.
— Infelizmente não está tudo ok, Isabella — ela falou e eu prendi a respiração. — Essa cartela tem a data de validade até maio de 2016 e bom, estamos em novembro de 2018. As outras que você comprou e já tomou deveriam ser do mesmo lote, da mesma data de validade.
Ela me entregou a cartela, eu a peguei com a mão sem parar de tremer. Procurei pela data de validade na cartela e achei, confirmando o que Madeleine tinha dito. Eu sempre tomei meu anticoncepcional direito, mas naquele momento percebi que nunca prestava atenção na data de validade.
— O teste de farmácia que você fez pode ter dado falso positivo, é um risco pequeno, mas pode ter acontecido, só que você está tomando um anticoncepcional fora da validade desde setembro e transando sem camisinha, as chances de estar grávida são mesmo altas. Você teve algum sangramento nos últimos meses?
— Nada — falei ainda olhando para a data de validade do anticoncepcional. — A última vez que menstruei foi em dezembro do ano passado, depois que pausei a pílula em outubro na época que tive a consulta com você.
Durante aquele tempo eu estava na turnê com Kate, sem foder com Ed, transando só com James quando o encontrava, ele e eu usamos camisinha todas as vezes. Madeleine sempre indicava as pausas na pílula contínua depois de um tempo, meu corpo em todas elas precisou de um tempinho para ocorrer uma menstruação após a interrupção do remédio. Então, fazia sentido eu não ter tido algo que me alertasse quando passei a tomar o remédio fora da validade, antes que algo pudesse me alertar eu tinha engravidado.
— O que mais você tem sentido?
— Cansaço, enjôo, meus peitos parecem maiores… Eu vomitei hoje, foi o que minhas irmãs viram como suspeito e me forçaram a fazer o teste. — Olhei para Madeleine. — Mas pode ser do remédio psiquiátrico, o que sinto parece com os efeitos colaterais.
— Vamos fazer um exame de sangue, certo? Tenho toda a estrutura de um laboratório aqui na clínica para isso.
— Fica pronto na hora?
— Se fizermos o qualitativo fica pronto em trinta minutos, o quantitativo, mais detalhado, só fica pronto pela parte da tarde.
Eu guardei tudo dentro da minha bolsa, ainda chorava, mas naquele momento comecei a soluçar. Fechei os olhos e fiquei chorando, pensando em toda a merda que era aquilo.
Ouvi Madeleine se mover pela sala, depois ela tocou em minhas costas.
— Beba um pouco de água, Isabella.
Abri meus olhos e vi o copo que ela tinha estendido para mim, eu aceitei, mas só consegui beber um gole.
— Podemos fazer um exame para sair em trinta minutos e um mais completo, que tal? Mas há outra alternativa, dependendo de quantas semanas você está… Se estiver mesmo grávida, podemos ver algo em uma ultrassom transvaginal.
— Ok — concordei, colocando o copo sobre a mesa.
— Você pode ter um momento no banheiro se quiser, vou falar com o pessoal do laboratório para que as amostras sejam coletadas aqui mesmo no meu consultório para você ter mais privacidade.
Ela deixou sua sala, eu lutei contra minhas pernas enfraquecidas e fui até o banheiro que tinha ali dentro. Joguei água no rosto, sem me importar que isso pudesse manchar minha maquiagem.
Limpei a bagunça que fiz na cara e me encarei no espelho. Tudo indicava que eu estava de fato grávida, algo que no passado eu sonhava, mas não mais.
Eu nunca poderia ser uma mãe, assim como sabia que meu namorado também não queria ser um pai.
— Isso vai ser resolvido — falei para mim mesma e sai do banheiro.
Logo Madeleine apareceu com uma moça, eu sentei em uma cadeira e a técnica do laboratório colheu amostras de sangue. Quando ela saiu Madeleine pegou uma sacola com bata hospitalar limpa e me entregou, dizendo que eu poderia me trocar no banheiro.
Fui fazer aquilo e depois a encontrei no espaço da sua sala onde ela tinha sua própria parafernalha para o exame, era bom que ela pudesse fazer aquilo no seu consultório mesmo. Madeleine me preparou para o exame, mas antes de começar de fato perguntou.
— Se você estiver mesmo gravida, com cinco semanas ou mais, podemos tentar ouvir o coração, quer tentar isso?
— Não — respondi, eu tinha parado de chorar, mas naquele momento era tudo que queria fazer. Toquei no cordão que Edward tinha me dado e pensei nele, ele surtaria se eu estivesse mesmo grávida, aquilo poderia foder com tudo entre nós dois.
— Você quer ver as imagens?
— Não. — Virei meu rosto, sem olhar para o monitor.
Madeleine começou o exame em seguida, eu estava tão tensa que tudo foi desconfortável. A médica ficou em silêncio por um tempo, até que disse:
— Isabella, você está realmente grávida. — Coloquei minhas mãos sobre o rosto, era real, eu estava grávida. Era desesperador, horrível! — Posso ver o saco gestacional e a vesícula vitelínica. Pelo o que a ultrassom está indicando você está com seis semanas.
Não, não, não!
Voltei a chorar, sem aguentar mais. Madeleine anunciou que já tínhamos o suficiente e encerrou o exame, me liberando em seguida a ir para o banheiro. Eu me forcei a tirar a bata e olhei para minha barriga, eu me sentia inchada, gorda, mas ali não parecia ter um bebê, não parecia mesmo, só que Madeleine tinha visto, estava lá.
Era real.
— Beba mais um pouco de água — Madeleine aconselhou quando voltei a sala, já vestida e me sentindo ainda pior.
Eu bebi um pouco e falei para ela.
— Meu namorado e eu tivemos relações entre nove e dezessete de outubro, essas contas batem? — Eu sabia os dias, voltamos a transar em New York e quando retornarmos para Los Angeles, mas não fodiamos desde então.
— As contas batem. Você pode processar o local que te vendeu os remédios fora da validade.
— Isso não está em jogo — declarei. — Eu vou abortar.
— Tem certeza disso?
— Sim — sussurrei. — Meu namorado e eu não queremos um filho, a decisão é certa.
— Ok, aqui está seu exame de sangue simples, positivo. — Ela tirou de sua máquina de impressão o resultado, eu o joguei na minha bolsa sem olhar. — E aqui uma clínica que você pode realizar o processo para interromper a gravidez. — Me entregou o folheto, guardei aquilo, também sem olhar, na bolsa. — Você ainda tem tempo até fazer isso, minha recomendação é que espere pelo menos mais uns dias para bater o martelo sobre sua decisão.
— Não vou, obrigada por me atender em cima da hora, Madeline. Eu posso continuar tomando meu remédio psiquiátrico normalmente? — perguntei e fiquei de pé.
— O que você toma pode ser ingerido durante uma gravidez, mas dose que você está tomando é alta. Se você for manter…
— Eu não vou manter.
— Bom, se você abortar só precisa comunicar tudo que está tomando ao médico que realizar o procedimento e vale comunicar seu psiquiatra, mas ele deve acabar mantendo a mesma dose que está agora. Porém, caso você mantenha a gravidez ele terá que diminuir a dose.
— Eu não vou manter — repeti.
***
Eu fui para a praia mais próxima, sem me importar sentei na areia com minhas roupas caras e fiquei encarando o mar. Sabia o que precisava fazer, começar a coordenar tudo para o aborto, mas também precisava de uns minutos fazendo nada e deglutindo aquela história.
Estava certa sobre abortar, assim como sabia que se eu falasse sobre aquela gravidez para Edward ele também estaria 100% certo disso. Não teria aquele filho de jeito nenhum, eu poderia queimar no inferno depois e ter os conservadores me perseguindo com suas palavras de repúdio, mas não me tornaria uma mãe.
Tirei o folheto da clínica de aborto da bolsa e li tudo, depois peguei o exame e consegui entender o positivo ali. Era assustador pensar que tinha algo crescendo dentro de mim, a Isabella de antes do Escândalo Swan teria amado a ideia, a garota que cresceu fazendo tranças em suas bonecas e irmãs, sonhando com o dia que teria sua família perfeita, mas eu não era mais essa Isabella.
***
Larguei minha bolsa sobre o balcão da cozinha da mansão de Edward e desci para a sala de música, ele estava só em casa, apenas com os seguranças e Felix me informou onde meu namorado estava. O músico estava tocando Garota no piano, ali no mesmo local que tudo começou, onde tivemos nosso primeiro beijo e primeira foda.
— Edward? — chamei por ele.
Tinha de contar a ele o que estava acontecendo, mesmo que no dia seguinte eu já fosse resolver aquele problema. Ele precisava saber, era justo.
Edward parou de tocar, olhou para mim e sorriu.
— Oi, linda.
— Eu estou grávida — falei de uma vez.
O sorriso dele desapareceu, nossos dias de merda estavam só começando naquele instante.
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