Hollywood
50 Capítulo Quarenta e Nove
Notas iniciais
Capítulo Quarenta e Nove
Edward Cullen
“Ed Cullen se casou em Las Vegas com Leah Clearwater.”
Famosos e imprensa tinham um jogo, uma dependência entre si. Um precisava do outro, muitas vezes aconteciam conflitos entre os dois lados, porém, muitas vezes eles eram aliados.
***
Eu fui o primeiro a acordar, Isabella estava dormindo sobre meu peito, Jasper estava deitado do outro lado dela, de costas para minha empresária e eu. Nós três estávamos nus, ninguém tinha se importado em se vestir depois da madrugada de sexo no quarto de Jasper.
Sexo.
Sexo com Isabella.
Sexo com Jasper.
Sexo entre nós três.
Teve de tudo, como oral, anal, masturbação e beijos. Quantas vezes eu tinha beijado Jasper mesmo? Eu não tinha contado, mas lembrava muito bem que tinham sido várias e várias vezes. Eu também deixei com que meu melhor amigo chupasse meu pau, beijasse praticamente todo meu corpo, se esfregasse em mim e ainda o masturbei, o fazendo gozar na minha mão.
Eu tinha fodido com um cara, não tinha o comido, ou o deixado me comer, mas… Era isso, eu tinha feito sexo com ele.
Com Jasper, que no passado foi apaixonado por mim. Ele não sentia mais aquele tipo de coisa por mim, né? Ele não podia, seria ainda pior para lidar com os acontecimentos da última noite. Acontecimentos que gostei, que não deveria ter gostado, eu não podia ser bissexual, não podia lidar com algo assim e se alguém descobrisse?
Tinha sido uma noite e tanto, eu estava louco de tesão e gostei de tudo — mesmo nervoso com a situação —. Bom, tirando quando Jasper chamava Isabella de puta — com a permissão dela —, eu realmente não gostei daquilo por me fazer pensar em toda minha briga com ela após o funeral de Stefan e como fui idiota ao ofendê-la, depois em suas queixas sobre todos só a verem como uma puta.
— Edward? — Bella me chamou, se remexendo em cima de mim.
Eu olhei para ela, vendo-a abrir seus olhos.
— Oi, Capitã. — Sorri para ela, que sorriu de volta.
Isabella era o diabo e conseguia tudo que queria, inclusive seu tão esperado sexo a três comigo e Jasper.
— Oi, que horas são? — Olhei para o relógio ao lado da cama, vendo que era pouco mais de meio-dia, não sabia que horas fomos dormir, mas não deveria ter sido nada cedo.
— Meio-dia — respondi, ela sorriu mais.
— Excelente, ainda temos tempo para foder.
— Ah, ótimo! — comemorei, nervoso novamente, pois eu sabia que isso iria envolver Jasper.
— Quer ir embora? — ela perguntou baixinho, eu ouvi Jasper se mexer no seu lugar, ou ele estava acordando, ou já tinha acordado e estava fingindo dormir.
— Não, ainda podemos ter uma última rodada — murmurei, Bella sorriu ainda mais. Eu acho que nunca tinha a visto sorrir tanto e se remexeu na cama até me beijar, aquilo me acalmou, bastante.
Eu ainda estava a beijando, segurando em sua cintura o que mantinha seu corpo grudado ao meu — o que significava sua boceta sobre meu pau já duro —, quando Jasper se mexeu mais na cama, daquela vez se movendo de forma que ficou voltado para Isabella e eu. O senti a abraçar por trás, sua mão roçou na minha sobre a cintura dela e pela forma como ela gemeu em minha boca presumi que ele estava a beijando no pescoço.
— Ok — Bella disse tirando sua boca da minha. — Vamos alterar agora — falou e quando se colocou de costas para mim e de frente para Jasper, nós três estávamos deitados de lado, que olhava fixamente para mim, sabia que ela queria dizer que eu deveria ser o cara fodendo seu rabo, já que na noite passada esse foi Jasper quando nós dois fodemos ela ao mesmo tempo.
— Edward, camisinhas — Jasper falou para mim, antes de Bella o puxar para um beijo, a mão dela já estava no pau duro dele.
Eu resmunguei, me voltando para a mesinha ao lado da cama e pegando de lá camisinhas e o frasco de lubrificante. Jasper e Bella pararam de se beijar por um instante e eu passei uma camisinha para ele, os dois voltaram a se agarrar e eu comecei a preparar Bella para mim, colocando lubrificante em meus dedos.
— Cuidado — ela pediu quando coloquei o primeiro dedo dentro do seu rabo.
— Eu vou ter — prometi, o movimentando devagar dentro dela, que naquele instante foi penetrada por Jasper, o que fez com que os dois gemessem.
Engoli em seco quando o olhar de Jasper se encontrou com o meu, ele estava beijando o ombro de Isabella. Eu tentei me concentrar só nela, mas queria o beijar outra vez e não resisti. Por cima do corpo de Isabella, toquei meus lábios nos de Jasper, que retribuiu o beijo rapidamente.
— Porra, vocês estão mesmo se pegando de novo? — ela indagou com a voz embargada por prazer.
— Sim — respondi ao parar de beijar Jasper, levando meus lábios ao pescoço dela, ainda movendo um dedo em seu rabo.
— Você quer que Edward coma seu rabo, puta? — Jasper perguntou para ela, segurando na bunda de Bella, enquanto metia fundo dentro dela. Eu xinguei baixinho contra a pele de Isabella, que já estava marcada com um chupão, provavelmente meu, da noite anterior, ao ouvir chamar ela de puta outra vez.
— Quero — ela respondeu, empinando sua bunda para mim, eu coloquei mais um dedo dentro dela e Isabella gemeu alto, escondendo seu rosto em Jasper.
— Você está com dor? — perguntei.
— Um pouco — ela sussurrou, mas sem parar de rebolar no pau de Jasper e em meus dedos.
— Tem certeza de quer que eu te foda? — questionei, imediatamente ela deu um jeito de olhar para mim.
— Tenho, pode me foder — disse confiante.
— Você está com dor…
— Edward, me fode! — exigiu.
— Ok, ok — concordei, tirando meus dedos dela e colocando a camisinha no meu pau.
Jasper parou de se mexer e Isabella também, eu guiei meu pau até o rabo dela, entrando aos poucos. Bella choramingou um pouco e eu quis parar, mas ela ordenou que continuasse:
— Não ouse parar, continue! — Então, ela apoiou o rosto em Jasper e eu terminei de entrar nela, que suspirou alto.
— Bella, diz pra gente quando pudermos nos mexer de novo — Jasper falou, ela assentiu, ainda apoiada nele. Eu fiquei tocando em suas costas, lentamente, sentindo-a ter pequenos tremores enquanto seu corpo se ajustava a Jasper e eu.
— Edward — ela murmurou meu nome. — Vai.
— Certeza?
— Porra, sim, se mexe! — disse entre dentes, eu bufei e comecei a me mexer. Seu rabo tão apertado esmagava meu pau e eu sabia que não demoraria muito para gozar. Voltei a segurar na cintura dela, Jasper ainda segurava na bunda dela, metendo devagar. — Jasper.
— Finalmente — ele disse em um suspiro, recomeçando a meter nela.
Ninguém disse nada durante a foda, Bella gemia sem parar e soltava gritinhos vez ou outra. O corpo dela ainda tremia um pouco, mas eu suspeitava de que ela estava adorando tudo aquilo.
Em algum momento, Jasper que estava beijando o ombro de Bella novamente parou com aquilo e voltamos a nos beijar. E durante nosso beijo eu senti a mão dele que estava na bunda de Isabella sair de lá e ir até a cintura dela, onde minha mão estava, ele entrelaçou nossos dedos, mas rapidamente eu desfiz o toque e parei de beijá-lo.
Quando o olhei vi seus olhos brilhando, ele estava quase chorando? Porra, ele ainda estava apaixonado por mim? Porra, sim, era aquilo, não? Eu devia ter percebido antes!
Então, Bella gozou, me distraindo e o distraindo também. Jasper a beijou, segurando no rosto dela com a mão que antes estava entrelaçada a minha. Eu meti mais uma vez fundo em Isabella, que gritou contra a boca de Jasper, e gozei agarrado a sua cintura.
— Porra, putinha, você é tão gostosa — eu falei inebriado pelo meu orgasmo, ela virou seu rosto para mim e a beijei.
— Você também, senhor Cullen — ela disse quando nossos lábios se afastaram e se voltou para Jasper, que parecia meio irritado e ainda não tinha gozado. Eles voltaram a se beijar e eu com cuidado sai de dentro de Isabella, tirando a camisinha e dando um nó.
Jasper gozou em seguida, ele não demorou muito mais para sair de dentro de Isabella e tirar sua camisinha. Ainda gemendo, provavelmente mais de dor e cansaço do que por qualquer outra coisa, Isabella arrancou as camisinhas das nossas mãos e saiu da cama indo até o banheiro, ela estava andando meio torta, eu teria rido se não estivesse tenso.
Olhei para Jasper ao meu lado, que estava deitado e de olhos fechados. Eu respirei fundo e fechei meus olhos também, do banheiro podia ouvir Bella ligando o chuveiro.
— Nós vamos falar sobre isso? — Jasper perguntou em um tom de voz baixo, algum tempo depois que Bella foi para o banheiro.
Engoli em seco, mantendo meus olhos fechados.
— Não — sussurrei. — Eu prefiro não falar sobre — completei.
— Beleza — Jasper disse, sua voz estava séria.
— Eu vou pro meu quarto — anunciei, deixando a cama, caçando minhas roupas pelo chão e as vestindo. Jasper, ainda deitado, encarava o teto. Eu evitei olhar para seu corpo nu, estava fodidamente envergonhado.
— Tchau, Ed — ele se despediu quando eu fiquei pronto e andei em direção a porta do quarto, onde parei um instante.
Pensei em voltar para a cama, mas não tive coragem. Jasper estava apaixonado por mim e eu definitivamente não sentia o mesmo por ele, a última noite tinha bagunçado tudo, eu estava arrependido de ter lhe dado esperanças.
— Tchau, Jasper.
***
Eu voltei para meu quarto, sentei no sofá e fiquei ali. Nervoso, enjoado, em pânico. Não conseguia parar de pensar em tudo que tinha feito, em Jasper claramente ainda sentindo algo por mim e surtando de medo de que algo sobre o que ele e eu fizemos vazasse.
Ouvi a porta da suíte abrir, olhei para lá e vi Bella entrando. Ela tinha os cabelos molhados e usava as mesmas roupas do dia anterior, ainda andava meio torta.
— Ei, pirralho. — Bella sentou ao meu lado no sofá. — Como você está? — Passou uma mão por meus cabelos.
— Eu sou bissexual?
Ela deu um pequeno sorriso para minha pergunta.
— Você gostou?
Engoli em seco.
— Você gostou? — repetiu a pergunta.
Tapei meu rosto com as mãos, os músculos das minhas costas estavam enrijecidos, eu me sentia tão tenso.
— Edward, você não precisa responder, mas…
— Mas você sabe a resposta — completei sua fala.
— É — sussurrou, tirei minhas mãos do rosto e olhei para ela. — Eu estava lá, eu vi.
— É estranho.
— O que é estranho?
— Tudo nisso, Isabella! — exclamei.
Ela suspirou e mexeu novamente em meus cabelos.
— Vá tomar um banho, vou pedir algo pra você comer aqui no quarto mesmo e mandar seu terapeuta em seguida. Acho que você precisa conversar com ele.
— Isabella…
— Banho! — ordenou, estalando os dedos para mim, sorrindo.
— Você realizou um sonho com o que rolou, né?
— Você não faz ideia, foi muito melhor que imaginei.
Ela se levantou e gemeu de dor.
— Você exagerou — observei.
— Eu estou bem — garantiu, indo pegar o telefone do quarto. — Nada que um dia no spa não resolva.
— Eu posso massagear sua bunda se você quiser — sugeri, ela riu, andou até mim novamente e me beijou.
— Já não mandei você ir tomar banho?
— Vai comigo?
— Não, vai logo.
Bufei e me levantei, indo para o banheiro, precisaria de um longo banho para relaxar.
***
Uma hora depois abri a porta para meu terapeuta, deixando com que Vladmir entrasse na suite. Nos cumprimentamos, ele sentou em uma extremidade do sofá e eu em outra.
— Como está se sentindo hoje? — ele perguntou, com seu bloquinho de notas em mãos, em um ângulo que eu não pudesse ler o que escreveria ali.
— Eu fodi com um cara ontem — contei de uma vez, soltando o ar em um barulho alto. Eu encarava minhas mãos sobre meu colo, mãos que tinham tocado Jasper. — Foi com Jasper, meu melhor amigo. E a Isabella também estava junto.
Vladmir sabia sobre ela e eu, claro. Ele sabia sobre praticamente tudo da minha vida, e a confidencialidade dele deveria ser a maior de todas, já que mesmo se eu não fosse um famoso com termos de confidencialidade me cercando, ele deveria guardar todos meus segredos da terapia. Porém, eu só tinha começado a falar sobre Isabella e eu transando depois da viagem para Nashville.
— Jasper? Me conte mais.
Bufei.
— Nós estávamos numa festa no quarto dele ontem a noite, onde eu não bebi nada, aliás — contei aquela parte com certo orgulho. — Quando todo mundo foi embora ficamos só nós três, Bella veio com o papo de sexo a três e eu topei.
— Por que você aceitou?
Engoli em seco.
— Realmente queria isso? Ou só fez por que ela te pediu?
— Eu queria ir embora logo que ela propôs, estava nervoso, mas aí eu… Merda, eu estava realmente excitado com a situação — confessei, ainda encarando minhas mãos. — Bella disse que eu poderia ir se quisesse, mas não, quis ficar. — Suspirei. — Ela e Jasper se beijando me deixou com tesão, mas também irritado.
— Por que irritado, Edward?
Olhei para Vladmir.
— Não sei direito, não pensei muito sobre minha irritação na hora, só sei que estava irritado, provavelmente estava puto porque ela ia ficar e foder com ele aquela noite, não comigo e eu não teria ninguém pra foder. — Talvez Leah, mas seria melhor ter ficado com minha mão. — Mas aí ela fez a proposta e aceitei.
— Você gostou de se envolver com Jasper, Edward?
Lá estava a pergunta, voltei a encarar minhas mãos.
— Sim. E eu acredito que sou bissexual por isso — sussurrei. — É isso? Sou bissexual? Nunca fiquei com outro cara, nunca senti tesão por outro… Merda!
— Respire, Edward — instruiu, foi o que fiz, me acalmando um pouco. — Você disse que gostou, não?
— Sim, mas a gente não fez… Tudo. Tem um limite? Até onde eu poderia ir com ele sem ser bissexual?
— Edward, você teve envolvimento sexual com outro homem e gostou. Para ter esse envolvimento primeiramente sentiu alguma atração por ele, não? Ao ver Jasper e Isabella se beijando.
— Não foi só por ela? — perguntei tentando me agarrar em algo, tentando me convencer de que eu não era bissexual.
— Você estava sóbrio? Sem sono?
— Um pouco cansado, mas sem sono. E sim, sóbrio!
— E viu os dois se beijando e gostou do que viu? Se sentiu excitado?
— Sim — repeti pela milésima vez. — E sim, eu gostei de beijar ele, de o tocar e de ter ele me tocando. — Antecipei sua próxima pergunta. — Mas Bella estava lá, eu poderia… — Me calei, sabia que estava só arranjando desculpas para justificar ter gostado de ficar com Jasper, quando a única explicação era clara, eu tinha realmente gostado e ponto, não por Bella estar perto.
— O que você pensa sobre homossexualidade e bissexualidade, Edward?
Encarei Vladmir.
— Como assim?
— O que pensa sobre? Me conte sobre isso.
— Sei lá. — Passei a mão a pela minha cabeça. — Quando eu ainda não era famoso não conhecia ninguém abertamente gay, ou bi. Se alguém próximo a mim era, nunca fiquei sabendo — contei. — Meus amigos eram basicamente todos da escola católica que estudava, eu ia sempre a igreja com meus pais e lá isso tudo era tido como algo muito errado e realmente não lembro de qualquer personagem na TV ou cinema, dos filmes que vi lá, serem. Mas, bom, meu pai sempre foi muito rígido com o que a gente via na TV e cinema, a internet era toda controlada por ele, mas eu praticamente só a usava para música mesmo. Provavelmente a coisa mais perto de homossexualidade que cheguei na época foi ver uma foto de duas garotas peladas se abraçando em uma revista pornô quando eu tinha uns catorze anos. — Dei de ombros. — Quando me tornei famoso conheci um monte de gente gay e bi, inclusive Jasper.
— E como era se relacionar com essas pessoas?
— Com as garotas? Normal, eu acho. Mas eu ficava mesmo imaginado elas fodendo comigo no meio — confessei. — Com os caras, bom, eu achava muito desconfortável. Jasper e eu nunca falamos sobre os caras que ele pegava, eu também me sentia desconfortável quando ele estava com algum e procurava me afastar.
Inspirei fundo e continuei:
— Uma vez Jasper tentou me beijar, muitos anos atrás, dizendo que tava apaixonado por mim. — Fixei o olhar na parede atrás de Vladmir. — Eu o afastei, disse que aquilo era ridículo e tal. Nós até deixamos de ser amigos depois daquilo, só voltamos a ser ano passado. E eu… Bella já tinha sugerido que eu tivesse algo com ela e Jasper ao mesmo tempo, mas sempre neguei e sempre me senti muito desconfortável com a ideia.
— Como seria para você se assumir bissexual, Edward?
Suspirei e mexi em meus cabelos.
— Seria um inferno, mesmo que eu não assumisse para o mundo, só para as pessoas mais próximas. Eu viveria com medo de que descobrissem e espalhassem para o mundo inteiro.
— Você não sente medo de descobrirem sobre seu envolvimento com Isabella?
— Sinceramente? Até algum tempo atrás sim, mas ela tomou uma decisão que a prejudicou para proteger nosso caso da exposição e eu me sinto mal por isso, preferiria que ela tivesse deixado a gente ser exposto. Se descobrissem seria uma confusão, mas ela é uma mulher
— E você teria vergonha de fosse um homem?
— Sim! — exclamei, voltando a olhar para ele. — Arruinaria minha carreira, Jacob Black foi flagrado com outro cara e as pessoas passaram a tirar sarro dele em todo lugar e sei que os fãs estão com raiva dele, porque a maioria são garotas com algum tipo de paixão platônica por ele, e ele ainda nem se pronunciou oficialmente sobre isso.
— A opinião do público importa muito para você sobre isso?
— Claro! Eu já fui chamado pelas pessoas de viado um bilhão de vezes desde que virei famoso. — Revirei os olhos. — Especialmente quando eu era mais novo, diziam que eu só podia ser um viadinho pela forma como dançava e cantava sobre amor — resmunguei. — Que minhas namoradas eram de mentira, que eu tinha caso com algum cara. Isso diminuiu com o tempo, mas eu sei que como Jacob, iria ser muito julgado se me assumisse.
— E sobre seu pai? Como acha que seria com ele se você contasse?
Eu ri.
— Ele não gosta nem das minhas músicas, com certeza acharia um grande pecado eu ser bissexual e aí que me odiaria mais. — Senti lágrimas em meus olhos. — Puta merda, eu sou bi, porra! — Soquei o estofado do sofá, chorando um pouco.
— Isso não é um erro, Edward.
— É errado pra mim, eu não quero ser.
— Você sabe que não se trata de escolha.
Bufei.
— E você esteve reprimindo isso por toda sua vida, poderia morrer sem nunca ter admitido o que realmente é. Isso é bom, finalmente ter admitido que pode sim sentir algo por outros homens além de amizade, vai te ajudar a conhecer mais a si mesmo e ajudar no seu tratamento. Você sempre guardou muito, sempre se cobrou muito, precisa aceitar a si mesmo, não se culpe por ser o que é.
Eu chorei mais, encolhendo meu corpo no sofá.
— Pensei em ignorar Jasper, só foderia Bella e pronto, mas não consegui, ele estava ali e eu queria o beijar também, queria fazer aquelas coisas com ele. — Funguei. — Não posso assumir, você não entende, as pessoas não iam gostar.
— Assumir para si mesmo já foi um grande passo. O importante aqui é fazer você se aceitar, e tem evoluído muito no seu tratamento.
Apenas funguei, limpando meu rosto.
— Como está indo com Isabella?
— Bella? O que quer dizer?
— Você disse que estavam mais próximos algumas sessões atrás.
— É, sei lá. — Senti um nó em minha garganta. — Ela é minha amiga e tem o sexo, fora o fato de ser minha empresária, não tem como não estar próximo dela.
— E você e Leah?
— Eu detesto Leah! Só estou com essa menina por conta de publicidade, mal vejo a hora desse maldito contrato acabar e me ver livre dela.
— Você tem planos para depois do fim desse contrato?
— Não sei. — Mordi o interior da minha bochecha enquanto pensava. — Eu provavelmente vou tirar férias, alugar uma ilha e encher uma casa de mulher. — Ri debochadamente. — Quem sabe homens se até lá eu souber lidar melhor com o fato de que gosto deles.
Caralho, eu ia transar com mais caras? Porra, eu sabia que transar com Jasper seria bom e talvez em uma próxima vez pudéssemos... Merda, não, ele estava apaixonado por mim!
— E você e Isabella?
— Já não falamos sobre ela?
— Vocês dois têm algum plano para o futuro?
— Claro que sim, ela é minha empresária, temos todo o futuro da minha carreira e eu quero a convencer a gravar o seu.
— E quanto a relacionamento pessoal, Edward? Não profissional.
Meu coração parou por um instante e arregalei os olhos, ele estava sugerindo Isabella e eu como um casal? Aquilo era loucura!
— Isabella e eu só transamos e somos amigos, é uma amizade colorida. Nada de futuro para nós dois desse tipo, só amigos! — Forcei um sorriso e cruzei meus braços na frente do corpo. — Ela e eu não temos nada além disso, provavelmente uma hora vamos cansar de transar e parar com isso de vez.
Eu ainda achava que demoraria para mim, ela era gostosa e fodiamos bem pra caralho juntos, por que eu pararia com aquilo? Não me via cansando tão cedo, no entanto, desde que acabou com James ela vinha ficando com mais caras e mesmo que eu soubesse que fodia bem, sabia que Isabella poderia simplesmente parar de frequentar minha cama a qualquer dia.
— Tem certeza de que só a vê como uma amiga?
— Claro que sim, ela é só minha amiga e uma foda garantida. Só isso.
— Como se sente diante dessa perspectiva, Edward? Sobre você e Isabella não terem mais relações sexuais. — Ele anotou algo em seu bloco e eu fiquei curioso para ler.
E minha mente também gritava: Isabella e eu um casal? Porra, não, ridículo!
— Triste — confessei, olhando para minhas mãos. — Eu sentiria falta do sexo, mas, sei lá, se a gente continuar amigo pelo menos seria mais fácil… Gosto de ser amigo dela, sabe? Ela é incrível, eu não quero perder a amizade dela. Só amizade.
— Você acha que isso pode acontecer, perder a amizade dela?
— Talvez? Se o sexo acabar ela pode me jogar de canto e se manter só como minha empresária. — Engoli em seco.
— Edward, você repetiu bastante que Isabella e você são só amigos, como se estivesse querendo se convencer disso…
— Nós somos só amigos, isso é um fato! — o interrompi. — Eu não sinto qualquer outra coisa sentimental por Isabella. — Eu ri, Vladmir era idiota de pensar isso. — Você nunca me viu apaixonado e amando, certo? Eu saberia muito bem se sentisse algo assim por Isabella, soube todas as outras vezes, especialmente por Lauren que foi a garota que mais amei.
— Eu não disse que você estava apaixonado por Isabella.
— Que bom, porque eu não estou! — Apertei ainda mais meus braços junto ao meu corpo.
— E sua amizade com Jasper depois da última noite?
— Você quer saber sobre alguém apaixonado? Bom, Jasper com certeza ainda sente algo por mim, especialmente depois do que fizemos. Eu não quero perder a amizade dele de novo, ele é meu melhor amigo. Então, espero que o sexo não foda com tudo entre a gente.
Não podia perder meu melhor amigo, naquele dia percebi ainda que eu não queria perder Isabella como amiga de jeito algum. Só como amiga, eu não estava apaixonado, eu nunca me apaixonaria por Isabella, ou ela por mim.
— Chega por hoje! — Levantei e indiquei a saída.
Ele se levantou e disse:
— Precisamos trabalhar mais no fato de você reprimir o que sente, Edward.
***
Eu tinha colocado música para tocar, rock, queria abafar meus pensamentos. Não era o maior fã do gênero musical, mas era barulhento o suficiente para o que eu queria, calar minha própria cabeça.
— Edward? — Ouvi o grito, que fez eu desenterrar meu rosto do travesseiro. Olhei na direção da entrada do quarto, Isabella estava ali de cara feia. Ela mexeu a boca, mas não entendi o que disse, então a vi bufar e ir até a sala da suíte, a música parou e ela voltou para o quarto. — Você está tentando ficar surdo?
— Não — resmunguei.
— Como você está?
— Tô bem, que saco! — Voltei a enfiar meu rosto no travesseiro, eu senti ela sentar ao meu lado e olhei para ela.
— E como foi a terapia? Você…
— Foi tudo perfeito, melhor impossível! — declarei a interrompendo, meu estômago estava doendo, minha cabeça também, eu só queria apagar.
— Ok. — Ela tentou tocar em meus cabelos, mas desviei da sua mão.
— Quero ficar sozinho, você não deveria estar no spa?
— Eu vou depois, vim falar com você sobre algo.
— O quê? — perguntei desconfiado, sentando na cama.
— Bom, Tanya me ligou com uma proposta.
— Vamos foder com ela junto? — Não resisti, Bella gargalhou e bateu em meu braço, eu dei um pequeno sorriso.
— Não, nada disso. Ela disse que como você está em Las Vegas deveria aproveitar o lugar e conseguir uma boa movimentação em torno do seu nome.
— E como seria isso?
— O que as pessoas adoram fazer em Las Vegas?
— Jogar, foder e beber? Eu fazia muito tudo isso.
— Não, Edward, casar, as pessoas adoram casar aqui.
— Nem fodendo que eu vou casar! — gritei, pulando para fora da cama, Isabella riu.
— Não vou te fazer casar com Leah ou qualquer outra pessoa, Betty — garantiu, eu respirei aliviado. — Vocês dois só teriam de sair para jantar juntos, você estaria em um terno, ela em um vestido branco, o plano de Tanya é que vocês dois postem fotos se beijando vestidos assim falando sobre ser a melhor noite da vida de vocês. E a equipe de marketing ficará responsável por implantar falsas informações na imprensa dizendo que vocês estão casados, o que me diz?
— Não sei…
— Você desmentiria isso amanhã mesmo, Edward — ela falou. — Antes de embarcarmos para Phoenix. — Onde seria meu próximo show. — Só algumas horas de burburinho na imprensa e na internet, isso será ótimo e é o que queremos com Leah, não? Aumentar sua popularidade.
—Tá, que seja, eu faço isso — resmunguei, odiando a ideia, mas sabendo que não adiantava debater com Bella, nem com Tanya, mesmo que essa estivesse em Los Angeles.
— Excelente! — Bella comemorou. — Vou fazer a reserva do restaurante, pensei em um super exclusivo, vocês terão um andar inteiro reservado e o melhor é que ele fica bem ao lado de uma capela.
— Tá, faz o que quiser. — Voltei a deitar.
— Ok, vou te deixar descansar um pouco. — Ela bagunçou, mais, meus cabelos. A ouvi sair da cama em seguida.
— Bella? — chamei por ela.
— Sim?
— Quero que demita o Vladmir.
— Por quê? — perguntou confusa.
— Ele não é bom no que faz, preciso de um terapeuta novo.
— Você…
— Por favor — insisti, a ouvi suspirar, mas ela concordou com algo, finalmente.
— Tudo bem, vou demitir ele ainda hoje e conseguir um novo para já estar aqui amanhã quando viajarmos — estava irritada com aquilo, eu sabia, seria muito para ela lidar em tão pouco tempo.
Ela foi embora em seguida, eu continuei na cama. Eu queria ficar lá pelo resto do século.
***
Leah e eu entramos no meu quarto, onde Bella esperava na sala, sorridente. O jantar com Leah tinha sido reservado como ela planejou, ninguém que não devia pareceu saber que eu estava ali. O jantar também tinha sido um tédio, Leah falava sem parar no começo, mas quando percebeu que eu estava só concentrado na comida, calou a boca e me deixou em paz.
— Toma. — Entreguei meu celular para Isabella, onde estavam as fotos que Leah e eu tiramos. Ela o desbloqueou, obviamente sabia a senha. — Você viu o Jasper recentemente? — perguntei para ela, que me olhou na hora.
— Não, não vi.
— Tá, vou atrás dele, resolvam isso. — Gesticulei dela para Leah, sai do meu próprio quarto e segui pelo andar fechado do hotel para mim e minha equipe, até o quarto de Jasper, bati ali e ele abriu a porta, tinha uma garrafa de cerveja na mão e sorria.
— Ed! — gritou.
— Ei, podemos conversar?
Ele riu, apoiando-se no batente da porta.
— Cara, eu tô com duas das dançarinas aqui, melhor a gente conversar outra hora.
— É importante — sussurrei, eu precisava saber se estava tudo bem entre a gente. — Sobre você sabe o que, o que aconteceu entre...
Ele riu mais e bebeu um gole da sua cerveja.
— Edward, nós combinamos de não falar sobre isso, lembra? Vamos fingir que não aconteceu — sussurrou, mas ainda tinha um sorriso fácil na cara.
— Tá, é, melhor assim. Nós ainda somos amigos, né?
— Claro que somos, só amigos! — Balançou sua cerveja e apontou com a cabeça para o interior do seu quarto. — Agora preciso ir, as meninas estão me esperando na banheira.
— Certo, tchau! — Me afastei rapidamente, voltando para meu quarto, Leah já tinha ido embora, Isabella me entregou meu celular.
— O que queria com Jasper?
— Perguntar algo sobre uma música — menti, abrindo minhas redes sociais e vendo a publicação que ela fez.
A foto de Leah e eu nos beijando, entre o prédio do restaurante e a capela, tinha recebido a seguinte legenda:
“Melhor noite das nossas vidas!
Amo você @LeahClearwater”
Leah já tinha comentando, com um:
“Eu amo tanto você, querido!” E emojis com corações no lugar dos olhos.
Ela também postou a mesma foto, a legenda foi:
“Ele é o amor da minha vida, de hoje para todo o sempre!
Amo você @EdCullen, amo ser sua companheira.”
— Olha só, estou casado! — debochei, Bella sorriu um pouco.
— Vou pro meu quarto — ela disse. — Preciso dormir, foi um dia corrido. E eu já demiti Vladmir e contratei um novo, não invente mais demissões tão em cima da hora, o novo cara vai estar aqui amanhã antes da gente ir embora, se chama Aidan.
— Que seja, tanto faz.
— Por que você quis demitir… — Ela se interrompeu quando seu celular tocou, o tirou do bolso da sua calça jeans e atendeu. — Oi, Tanya. — Bella esperou a resposta da outra. — Ele o que? — gritou e a vi empalidecer um pouco. — Você tá brincando comigo, né? Porra! — gritou mais, eu esperei a bomba que ela iria soltar, com medo de que fosse algo sobre mim. — Falo com você depois. — Ela desligou e começou a mexer em seu celular, parecendo furiosa.
— Capitã, o que está acontecendo?
— Isso está acontecendo! — gritou comigo e virou seu celular para mim, estava no Instagram de James. A foto em uma questão tinha o mestre cuca sentado no sofá olhando todo sorridente para uma mulher de cabelos loiros cacheados, que tinha em seu colo Norma Jean, a mulher sorria para a antiga gata de Isabella. Eu li a legenda, confirmando minhas suspeitas:
“E assim, sem esperar por isso, eu encontrei alguém que enche meu coração de amor. Pode parecer pouco para muitos, mas essas duas semanas que nos conhecemos já foram as melhores da minha vida e quero muito mais ao seu lado. Obrigado por ter cruzado meu caminho, Mônica. Obrigado por ter aceitado se tornar minha namorada hoje, sei que seremos muito felizes juntos. Norma Jean também sabe, ela te ama, só não mais do que te amo, querida.”
— Você conhece ela? — perguntei, clicando no perfil que James tinha marcado.
— Não! — Bella praguejou
Nem precisei de muito para deduzir como eles tinham se conhecido, já que na biografia do seu perfil na rede social Mônica dizia ser uma veterinária. Voltei algumas fotos dela, até encontrar uma de duas semanas antes, ela em seu consultório, com Norma Jean e James.
— Filho da puta! — Bella xingou.
Eu ri.
— Ele tá comendo a veterinária, bem propício, né? Ela pode cuidar dos chifres de touro dele.
— Cala a boca, Edward!
— Por que você está brava? Você traiu o cara.
— Eu estou brava porque essa desgraçada tá com a minha gata como se fosse dela e porque esse filho da puta já tá com outra. — Ela saiu do Instagram e guardou seu celular no bolso, andou até o sofá e sentou.
— Capitã, você já pegou um monte de gente depois do término.
— É, mas ninguém especial — falou, escondendo seu rosto entre as mãos. Eu resmunguei, cruzando meus braços na frente do corpo e revirando os olhos. — Enquanto isso James já tá de namorada nova e me esqueceu.
— Você estava pretendendo voltar com ele? — perguntei em um tom de voz baixo.
— Claro que não! — Olhou para mim. — Mas… Esquece!
— Beleza.
Eu não queria mesmo continuar com aquele papo, estava ficando muito estranho.
— Vou embora jogar meu celular no vaso sanitário. — Ela fez menção de se levantar, mas me joguei ao lado dela no sofá e falei:
— Fica e vamos assistir Brooklyn Nine-Nine.
— Ok, parece uma boa ideia — ela sussurrou. — Você acha que essa tal Mônica é bonita? — perguntou enquanto eu ligava a TV com o controle.
— É gostosa, eu pegava.
— Claro, você pega qualquer coisa que tenha uma boceta — resmungou.
— Bom, eu sou bissexual, né? — perguntei encarando a TV. — Aparentemente pego qualquer coisa com um pau também — sussurrei, Bella riu e afagou meu braço, eu olhei para ela.
— Você pegou o Jasper que é loiro, você tem mesmo um tipo, pirralho!
— Talvez eu devesse pegar o James — brinquei, ela fez uma careta.
— Ele não fode tão bem quanto Jasper.
— Caralho, o oral do Jasper — falei ao lembrar, ela sorriu.
— Eu disse! — exclamou convencida. — Você vai transar com ele de novo?
— Não — respondi, colocando na série e dando play em um episódio aleatório. — E você?
— Provavelmente. — Ela se mexeu até estar deitada no sofá, apoiando a cabeça na minha coxa. Automaticamente comecei a mexer em seus cabelos. — Mas não será tão divertido sem você lá.
Eu sorri e continuei sorrindo por um bom tempo.
— Eu ainda prefiro seu oral — falei, ela riu.
***
Acordei com o despertador de Isabella tocando, o som irritante que vinha do seu celular. Nós tínhamos dormido no sofá, ela estava deitada contra o encosto do móvel e meu corpo, um braço me envolvendo, enquanto eu também tinha um ao redor do seu corpo. Eu tinha tirado boa parte das minhas roupas sociais do jantar, ficando apenas com minha camisa e a calça.
— Não me diz que eu já tenho que acordar — ela pediu, ainda de olhos fechados.
— Você tem — falei de volta, eu só queria continuar dormindo também. Mas voariamos para Phoenix ainda aquela manhã, de tarde eu já tinha uma entrevista e no dia seguinte tocaria na cidade. — Eu também, quero férias.
— Você não é o único, depois da turnê vou passar um mês em Nashville fazendo nada.
— Cheirando merda de cavalo, terrível! — provoquei, ela me empurrou, mas não com força suficiente para que eu caísse do sofá. No entanto, eu rapidamente me sentei e desliguei o despertador do celular dela, que estava sobre a mesinha de centro da sala. Bella continuava deitada, mantendo seus olhos fechados.
Peguei meu celular que estava ao lado do dela, automaticamente entrei no Twitter e vi meu nome nos assuntos mais comentados. Todos estavam falando sobre meu suposto casamento com Leah. Sabiamente eu já tinha avisado minha mãe e Rose sobre aquela história, na noite passada antes de sair para o jantar, então elas não estavam me atormentando sobre.
“Ed Cullen de casou mesmo?”
“Eu não acredito que Ed Cullen se casou, lá se vai minha chance!’
“Eu sabia que o Ed Cullen ia casar com a Leah, ele ama muito ela.”
“O Ed Cullen casou com a mulher mais linda e perfeita. Leah é a melhor pessoa que ele poderia ter ao seu lado.”
“Duvido que o Ed Cullen tenha casado, esse aí vai morrer sozinho e amargando a vida de merda que sempre levou. E provavelmente vai acabar se matando.”
Engoli em seco ao ler aquilo.
“Bomba: Ed Cullen casou com Leah Clearwater em Las Vegas!”
Aquele era de uma revista, o seguinte também.
“Ed Cullen se casou em Las Vegas com Leah Clearwater.”
Tinha o link para matéria e eu cliquei rapidamente.
“Fontes próximas ao cantor Ed Cullen garantem que ele casou ontem em uma capela em Las Vegas, onde fez um show no último sábado, a sortuda é Leah Clearwater namorada do lindo inglês e assistente de produção da Swan Productions que agencia a carreira do músico. Toda essa história fica ainda mais verídica se analisarmos as últimas postagens dos pombinhos em suas redes sociais…”
Fechei o link e falei para Bella:
— O plano deu certo.
— Com certeza deu — falou feliz. — Posso dormir mais agora?
— Nem pensar! — Fiquei cutucando suas costelas, o que fez com que ela abrisse os olhos.
— Ok, acordada!
***
Leah foi tomar café da manhã no meu quarto, onde nós dois tiramos fotos e gravamos um vídeo curto e engraçadinho — opinião dela — onde mostravamos nossas mãos livres de alianças. Era para desmentir o boato e mais tarde no aeroporto Bella postou por mim, enquanto Leah postava em sua própria conta.
A minha legenda era:
“Não casamos, não ainda.”
A legenda de Leah foi:
“Nós não casamos ainda, pessoal. Eu só gostei muito daquele vestido branco.”
— Se um dia eu pedir alguém em casamento você tem autorização de socar minha cara — falei para Bella, ela riu. — Depois de Lauren eu nunca mais cometo esse erro.
— Pode deixar — falou e piscou para mim. — Mas, talvez prolongar o contrato com Leah fosse uma boa…
— Isabella, não! — exclamei decidido. — Eu mal vejo a hora desse contrato acabar, sem prorrogações, entendido?
— Entendido.
***
Conheci o novo terapeuta e detestei, eu já confiava em contar as coisas para Vladmir e ele me ajudava muito nos voos. Então, percebi meu erro em ter feito aquela troca só porque o antigo falou sobre Isabella e eu como um casal, eu deveria ter só ignorado aquela loucura.
— Ei, vai sentar com seu terapeuta! — Bella ordenou quando mudei de lugar no jatinho indo pro lado dela.
— Eu o odiei. — Ela bufou.
— E como você vai voar agora?
— Não sei. — Apertei o cinto. — Vou fechar os olhos e fingir que estou em uma praia no Caribe, deve resolver.
— Nossa, gosto dessa ideia — ela disse, eu dei um pequeno sorriso e fechei meus olhos, fiquei pensando na praia caribenha e comecei a relaxar um pouco.
Minutos depois o avião começou a se mover e eu estava em pânico, e se aquela merda caísse no instante que saísse do chão?
— Respira fundo — Bella sussurrou ao meu lado, eu respirei. Enquanto mantinha minha respiração regulada, abria e fechava minhas mãos repetidamente, me concentrando nos movimentos para me distrair.
Foi quando senti Isabella percorrer um dedo pela palma da minha mão direita, seu toque era delicado. Eu me concentrei nele, ela parecia seguir as linhas na minha mão.
— Vou chamar o Vladmir de volta.
— Por favor — pedi.
— Respira. — Voltei a trabalhar minha respiração.
Estava tudo bem, ficaria tudo bem. Tinha que ficar!
— Edward, você não está respirando.
Eu inspirei fundo, Bella afagou minha mão com a palma da sua. Nós éramos só amigos, que fodiam, mas só amigos.
— Você quer tentar olhar pela janela? — Abri meus olhos e encarei Isabella.
— Sim — falei baixinho, ela sorriu e abriu a cortina da janela ao seu lado.
Eu olhei lá pra fora, já estávamos no ar. Era realmente bonito, assustador, mas bonito.
— O que achou?
— É lindo.
Ela afagou minha mão mais uma vez, eu entrelacei nossos dedos por uns segundos, até que separamos. Eu fechei a cortina, Bella mandou eu voltar a respirar.
Inspirei, sentindo meu coração acelerado.
***
Eu estava no closet da suíte do hotel, terminando de me vestir para ir malhar naquela manhã do dia dezenove de maio. Estávamos em Birmingham no Alabama, onde eu me apresentaria aquela noite, seria o décimo terceiro show, a turnê que tinha começado no primeiro dia de maio seguia tranquilamente e sendo um sucesso.
Chegamos a Birmingham naquela madrugada, depois do show e encontro com fãs em Bossier City em Luisiana voamos direto para a cidade no Alabama. Vladmir tinha voltado a trabalhar comigo, então voar estava sendo mais fácil, por outro lado, em todas nossas sessões ele queria falar sobre Isabella e eu estava evitando falar sobre ela com ele, porque o cara ficava mesmo me perguntando toda hora como eu me sentia sobre minha empresária, quando eu repetia mil vezes que ela só era minha amiga.
No momento que terminei de amarrar meus tênis, ouvi um barulho alto vindo do quarto, rapidamente deixei o closet, para ver Isabella jogada no chão perto da cama, enrolada no edredom e usando uma camiseta minha. Ela xingava e eu ri da sua situação, completamente descabelada e largada no chão.
— Cala a boca, babaca! — gritou comigo, ainda rindo fui ajudá-la a se levantar, já que suas pernas estavam enroladas no edredom.
— Isso que dá não parar quieta na cama — provoquei quando a sentei na cama, ela resmungou afastando seus cabelos do rosto.
— Eu estou dormindo, não fico me mexendo de propósito ou porque acho legal — esbravejou.
— Eu chamo isso de pagar seus pecados por ficar me chutando a noite inteira — rebati, ela revirou seus olhos castanhos.
Durante aquele tempo de turnê foram poucas as vezes que dormimos em quartos separados, isso porque sempre estávamos fodendo. Bella era para mim uma transa garantida e segura, sem burocracia envolvida como se eu fosse contratar garotas de programa.
Não sabia se ela estava transando com mais alguém quando eu não estava perto, mas suspeitava que não, ela tentou pegar Jasper alguns dias depois do nosso sexo a três, mas ele a dispensou por um dos dançarinos. Eu também não tive mais nada com ele, assim como nós não dizíamos uma palavra sequer sobre o que aconteceu em Las Vegas. Evitava até pensar naquela noite, ou no fato de que eu era bissexual.
— Blá, blá, blá — Bella debochou de mim e me olhou dos pés a cabeça. — Tá indo malhar?
— Tô sim. — Tirei os óculos do meu rosto colocando na mesinha perto da cama. — Quer ir comigo?
— De jeito nenhum! — Voltou a se deitar. — Não engordo, não preciso de exercício físico.
— Isso não vai durar a vida toda — observei, ela me encarou com raiva.
— Você tá falando que vou ficar gorda?
— Eu não disse nada. — Andei rapidamente até o banheiro para ir colocar minhas lentes. Estava lá dentro quando Bella apareceu com seu celular em mãos, minha camiseta parecia um vestido nela.
— Ei, Tanya conseguiu a entrevista para a Rolling Stone — falou, eu acabei de colocar as lentes e respondi:
— Beleza, quando?
— Será em Atlanta no dia vinte e um, vão cobrir um dia ao seu lado.
— Quem vai ser o jornalista? — Olhei para Isabella e vi seu olhar ansioso.
— Richard.
— O mesmo Richard que tentou te comer? — Ela fez cara feia e assentiu. — O cara que ficou te mandando o vídeo do Escândalo Swan? Isabella, isso não é uma boa ideia, por que você o escolheu?
— Não escolhi! — respondeu rapidamente. — A revista adorou a última matéria dele com você no ano passado e querem repetir, além do mais ele pode ser um escroto, mas é um bom jornalista.
— E ele vai ficar te assediando de novo? Peça que troquem o entrevistador, ou nada feito — exigi irritado.
— Eu não vou fazer isso. — Abri a boca para rebater, mas ela foi mais rápida. — E eu vou ficar longe do caminho dele — garantiu. — Pedi para Tanya ir te assessorar, ela nos encontrará em Atlanta amanhã.
Eu suspirei, minhas mãos estavam fechadas com força.
— Você não tem que ir malhar? — ela lembrou. — Não se esquece de que na hora do almoço vai fazer a live no Instagram antes de liberarem o clipe de Escândalo.
— Aham, claro — resmunguei.
***
Eu fiz a live para divulgar o clipe de Escândalo — que gravei quando Bella estava se escondendo na casa do Caipira Swan depois de assumir a culpa pelo vídeo do Escândalo Swan — no próprio estádio onde cantaria aquela noite, entre uma pausa e outra dos ensaios. O clipe tinha ficado perfeito, pelo menos eu achava isso e até mesmo Isabella e sua capacidade de criticar qualquer coisa também achou.
No clipe eu não conseguia falar/ser ouvido, andava pelas ruas onde as pessoas liam matérias sobre mim e me olhavam com julgamento, eu não era capaz de me defender justamente por não conseguir falar. E quanto mais ia caminhando o cenário ao meu redor ia se tornando deserto e as pessoas desaparecendo, até que eu terminava só encontrando um megafone, o mesmo usado na arte da capa do álbum. Depois disso Escândalo parava de tocar e tocava um trecho de Vulnerável, que eu cantava ao megafone, enquanto as ruas iam se reconstruindo e as pessoas reaparecendo.
Tinha sido uma ideia pensada em conjunto com o pessoal da gravadora e o diretor do clipe, eu adorei tudo aquilo, tinha captado a essência perfeita da música. E, quando o clipe saiu, as críticas foram muito boas, não só dos meus fãs, mas de gente especializada.
— Você vai ganhar um Grammys de videoclipe do ano com Escândalo, Edward — Bella falou mais tarde no camarim, antes do show, eu a olhei ansioso. — Eu tenho certeza disso. — Sorriu e afagou meu rosto.
***
Nós fomos para a Atlanta no dia seguinte, pela parte da tarde. Eu não tinha nenhum compromisso marcado para aquele dia, o que era bom, então fiquei até o começo da noite malhando e na yoga, Leah vinha me acompanhando nisso, o que não era legal, mas os fãs adoravam quando postavamos fotos juntos naqueles momentos.
Depois que acabei os exercícios daquele dia eu fui para meu quarto tomar banho, assim que me arrumei segui com Felix e outro segurança até o quarto de Isabella, ela não tinha conseguido fechar um andar para toda a equipe naquele hotel e o próprio quarto dela era no andar abaixo do que eu estava. Isso queria dizer que também precisaríamos ser mais cuidadosos, mas estava indo tudo bem quanto a isso até ali e não achava que teríamos problemas sobre esse assunto.
Com a chave extra que tinha do quarto dela eu entrei no seu quarto, ela estava na sala com Tanya. Eu já tinha me esquecido que a Tirana iria para Atlanta também.
— Ed! — Tanya exclamou a me ver. — Como você está?
— Posso dizer que não estava com saudades de você — provoquei, ela revirou seus olhos, Isabella riu.
Sentei do outro lado de Bella no sofá, que se virou para mim e beijou meus lábios, sem se impedir por Tanya estar ali, já que sua amiga sabia de nós dois nos pegando. Segurei seu rosto, prolongando o beijo, até que Tanya se pronunciou:
— Ei, parem com isso! — Ela me olhava atentamente e balançou a cabeça em negação. — Eu vou pro meu quarto — falou se levantando. — Não sejam pegos.
— Não vamos — Bella garantiu, saindo do sofá e seguindo a amiga até a porta, Tanya foi embora e Isabella voltou para o sofá, subindo em meu colo e me beijando.
Segurei em sua cintura, enquanto ela tinha suas mãos em meu rosto. Eu com certeza queria a foder, mas depois da malhação e da yoga precisava comer algo, então interrompi o beijo e falei:
— Preciso jantar.
— Ah não — Bella choramingou.
— Foi mal. — Tirei ela de cima de mim.
— Ok, tudo bem — concordou e pegou o telefone da suíte para fazer o pedido. — Italiana?
— Com certeza. — Peguei o controle da TV e procurei no catálogo Shrek 2 para assistirmos, eu tinha feito Isabella assistir o primeiro, daquela vez completo, em nossa parada em Seattle e ela gostou do que viu.
— Você vai me fazer assistir desenho animado de novo? — perguntou quando acabou de fazer os pedidos para nosso jantar.
— Vou sim. — Apertei o play para o filme começar. — E nesse aparece o Gato de Botas.
— Eu gosto de gatos — ela disse, se aproximando mais de mim no sofá e passando as pernas por cima das minhas coxas.
— Eu sei bem disso, Capitã.
— Estou com saudades da Amy — se queixou em um suspiro sofrido. — Sua mãe me mandou uma foto, ela parece estar mesmo se dando bem com Shrek e Madonna. — Bella pegou seu celular do bolso de sua calça e mostrou sua novo foto de bloqueio, meus cachorros e sua gata dormindo juntos na minha cama.
Eu sorri e pedi que Bella me enviasse a foto, só não virou a minha tela de bloqueio também porque ela me obrigava a ter uma foto com Leah ali.
***
Nós jantamos sentados no chão, com nossos pratos apoiados na mesinha de centro, enquanto assistiamos ao filme. Bella gostou ainda mais do segundo — eu também preferia — do que do primeiro e quando o filme acabou eu estava com Livin’ La Vida Loca na cabeça, pois a canção do Ricky Martin tocava na animação.
— She’s into superstitions. Black cats and voodoo dolls. I feel a premonition. That girl’s gonna make me fall* — eu cantava, enquanto jogava Candy Crush em meu celular.
Ainda estava cantando o restante da canção, quando ouvi Isabella rir, me virei para ela e a vi com seu celular apontado para mim.
— Você tá me gravando?
— Talvez. — Sorriu de forma travessa para mim.
— Capitã! — gritei, conseguindo arrancar o celular de sua mão.
— Ei — ela protestou.
— Você foi uma garota muito má — proclamei, ainda segurando o celular dela me aproximei e comecei a beijá-la, a câmera estava tapada por minha mão. Eu fiz Isabella deitar sobre o chão e fiquei em cima dela, com a mão livre segurava na lateral do seu corpo, ela me beijava sem ter ideia do que eu faria, até que a peguei de surpresa quando comecei a fazer cócegas em suas costelas.
— Betty, não! — ela implorou, parando de me beijar para rir.
Eu ri também, ainda fazendo cócegas nela com uma mão, a mantendo presa debaixo de mim por estar em cima dela. Foi quando voltei o celular em sua direção, ela rapidamente escondeu seu rosto atrás de suas mãos, mas não conseguia parar de rir.
— Agora é sua vez de cantar, Capitã.
— Nem fodendo! — disse entre seu riso.
— Vamos lá, só um pouquinho.
— Não... — Ela gargalhou muito alto quando minha mão foi para dentro da sua camiseta e eu comecei a fazer cócegas diretamente em sua pele. — Eu canto, eu canto — falou, tirando suas mãos da frente do rosto, seu rosto estava corado, ela sorria e tinha os olhos brilhando. Eu parei de fazer cócegas nela, segurando seu celular com ambas as mãos. — Upside inside out. She’s living la vida loca. She’ll push and pull you down. Livin’ la vida loca. Her lips are devil red*. — Bella parou de cantar no meio da estrofe e tirou seu celular da minha mão, para voltar a câmera para mim. — Sua vez, pirralho!
— Eu quero te beijar — falei, ela estava tão bonita embaixo de mim, com aquele tom de vermelho no rosto, seus olhos brilhantes e seu sorriso despreocupado.
— Eu quero que você me beije — ela disse de volta, parando a gravação e desligando seu celular, o jogando no chão ao nosso lado.
Me inclinei em sua direção, deixando meus lábios se encontrarem com os dela. Era muito bom, era maravilhoso, eu sentia meu coração acelerado e minha cabeça a mil, mas só me permiti pensar em beijá-la e tocá-la.
***
Bella e eu continuamos no chão depois do sexo, ela estava deitada ao meu lado percorrendo uma mão por meu peito e barriga, enquanto eu estava e olhos fechados quase dormindo. Porém, isso não aconteceu, especialmente quando ela perguntou:
— Vamos tomar banho?
— Pode ser — respondi e abri meus olhos. — De banheira? — Ela deu um sorriso pequeno.
— É uma boa ideia, mas preciso de um minuto debaixo do chuveiro.
— Beleza. — Ela se levantou primeiro, pegou seu celular e foi andando para longe.
Eu ainda demorei um pouco, até que sai do chão e segui para o banheiro. Isabella tinha colocado música para tocar em seu celular que estava sobre a bancada da pia, ela já estava debaixo do chuveiro e ordenou:
— Prepara a banheira.
— Mais alguma ordem, Capitã? — debochei.
— Por enquanto não — respondeu, enquanto eu já começava a preparar a banheira enchendo-a de água e jogando alguns sais de banho ali. Assim que o banho ficou pronto eu entrei na água, no celular de Bella começou a tocar uma nova música e identifiquei a voz do pai dela. Também reconheci a canção, era a que ele tinha escrito para sua filha primogênita. — Ah, minha música favorita! — ela gritou e saiu do chuveiro, andou até a pia e aumentou ainda mais o volume.
— Que tortura — reclamei tapando meus ouvidos, eu ainda podia a ouvir rindo, então Bella caminhou até a banheira e com cuidado entrou ali, ficando de frente para mim.
Tirei minhas mãos dos ouvidos e segurei Isabella por baixo dos seus joelhos, suas pernas unidas estavam entre as minhas abertas. Ela ficou cantando a música, enquanto eu ignorava a voz de Charlie e começava a beijar seus joelhos.
— Porra, Edward para de me provocar e me beija logo! — Bella exclamou e em movimentos rápidos se mexeu na banheira até estar me beijando.
Quando paramos de nos beijar ela repousou o rosto contra meu pescoço, eu passeava uma mão por suas costas. Até que Bella mudou de posição de novo e se colocou de costas para mim, seu corpo grudado em meu peito.
Eu tinha meus braços apoiados nas bordas da banheira, Bella ficou percorrendo suas mãos por eles. Ela riu ao contornar a tatuagem da Betty Boop, eu só bufei.
— Ei — Bella começou a falar em um tom de voz baixo. — Você lembra que eu estava querendo fazer uma tatuagem nova?
— Lembro sim — respondi depositando um beijo em seu ombro.
— Acho que pensei em algo, um gatinho andando.
Eu sorri, isso era muito Isabella.
— Já pensou o local?
— Ainda não.
— Na sua virilha — sugeri, ela acertou um tapa com força no meu braço, o que me fez rir alto.
— Idiota!
— Desculpa — pedi ainda rindo, tornando a beijar seu ombro. — Que tal na lateral do seu pé?
— Acha que vai ficar bom?
— Vai sim. — Levei uma mão até seus cabelos, os afastando do seu pescoço para que eu pudesse beijá-lo, ela gemeu com aquilo.
Nós paramos de conversar, eu fiquei só a beijando por um tempo. Ombros, pescoço, nuca. Também percorrendo minhas mãos por seu corpo, enquanto ela mantinha as suas sobre meus joelhos.
Em determinado momento Bella repousou sua cabeça no meu ombro, fechando seus olhos. Foi quando em seu celular começou a tocar She Will Be Loved do Maroon 5, eu logo estava cantando junto, adorava aquela música.
— I don’t mind spending everyday. Out on your corner in the pouring rain. Look for the girl with the broken smile. Ask her if she wants to stay a while. And she will be loved. And she will be loved.* — Eu passeava meus dedos pelos cabelos molhados de Bella, que parecia estar quase dormindo em cima de mim.
Quando a música acabou eu perguntei:
— Capitã, você dormiu?
— Não — respondeu, abriu seus olhos e se virou de frente para mim, nós nos beijamos e em seguida ela disse. — Sua voz é maravilhosa, Edward, eu a adoro.
Sorri para Isabella, me sentindo realmente feliz ao escutar aquilo. Ela afagou meu rosto e voltou a me beijar.
***
Na manhã seguinte eu deixei o quarto de Isabella cedo, deixando-a dormindo em sua cama e voltei para minha suíte, onde me arrumei para o dia. Encontrei com Leah no corredor e descemos juntos até o restaurante do hotel, Tanya já estava lá junto com Richard Buttler, o fodido jornalista que passaria o dia inteiro me entrevistando.
— Ed, é um prazer revê-lo! —ele exclamou, ficando de pé e estendendo uma mão para mim. Eu retribui o cumprimento, mas apertando sua mão com um pouco mais de força do que o necessário, lembrando-me de Bella recebendo o vídeo do Escândalo Swan e propostas sexuais daquele velho filho da puta no ano anterior.
— Também é muito bom te ver — falei sem me importar em sorrir, soltando sua mão e passando meu braço ao redor da cintura de Leah.
— Olá! — Ele sorriu para ela, que sorriu de volta para ele. — Finalmente estou conhecendo a garota que roubou o coração do famoso Ed Cullen. — Leah riu baixinho e apertou a mão de Richard.
— É bom conhecê-lo, senhor Buttler, leio todas suas entrevistas — ela disse simpaticamente.
— Bom, muito bom. — Ele sorria e perguntou. — Isabella não se unirá a gente para o café?
— Ah, Isabella está resfriada e vai tirar o dia de folga para descansar — Tanya disse a mentira que tinha acertado com sua amiga.
— Sério? — Richard suspirou. — Uma pena!
— Pois é — Tanya concordou e se voltou para mim. — Podemos conversar rapidinho?
— Sim. — Soltei Leah que sentou a mesa, Richard também e segui para longe com Tanya, quando paramos longe de qualquer um que pudesse nos ouvir, ela falou:
— Sei que Richard é um filho da puta e o que ele fez com a Bella ano passado foi extremamente babaca, mas você precisa ser legal com ele, ok?
Engoli em seco e assenti:
— Ok, eu serei.
***
O dia foi logo e irritante com Richard no meu pé a toda hora fazendo perguntas, mas por sorte eu passei a maior parte do dia no estádio onde tocaria o que manteve ele longe de Isabella. A maioria das perguntas foram de cunho profissionais, as pessoais envolviam mais minha luta contra as drogas e álcool, assim como Leah, deixando de fora minha situação familiar, o que também era ótimo, pois eu não queria dizer uma palavra sequer sobre meu pai.
Assim que o encontro com os fãs, no pós show, acabou, a entrevista também e eu me vi livre de Richard. Voltei para o hotel — eu já tinha mandado uma mensagem para Isabella ir me encontrar no meu quarto — e assim que cheguei ao andar da suíte me separei de Leah e entrei ali.
Bella estava no sofá, mexendo em seu celular, quando me viu o jogou de lado e andou até mim. Antes que ela falasse algo eu a segurei e a beijei, estava louco para fodê-la, mas também queria beijá-la.
— Ei, como foi o show, Betty? — perguntou, eu me mantive segurando em suas costas, ela afastou uma mecha do meu cabelo do rosto.
— Foi ótimo.
— E a entrevista?
— Normal. — Beijei sua bochecha.
— Eu tenho um presente para você — ela falou se soltando de mim, olhando ao redor.
— Opa, envolve nudez?
— O quê? Não! — Bella bufou e voltou a olhar para mim. — Acabei de perceber que esqueci lá no meu quarto, vou buscar — disse já saindo da minha suíte.
— Ok — falei para o nada já que estava só. Sentei no sofá e bloquei o celular de Bella, que estava aberto em uma conversa com Alice, mas não li. Tirei meu próprio celular do bolso e o joguei no sofá, fiquei a esperando ali, resistindo ao cansaço do longo dia.
Não demorou muito para eu ficar impaciente, fora que também estava curioso com o presente que ela tinha para mim. Sendo assim, eu não aguentei esperar, levantei do sofá, peguei a chave da suíte de Bella do quarto e deixei minha suíte, com dois seguranças me seguindo, um deles era Emmett.
No instante que entrei na suíte de Isabella ouvi a voz de Richard, sequer tive tempo de pensar sobre isso, eu segui até o quarto e o vi lá, batendo na porta do closet que estava fechada. Ele dizia algo como:
— Vamos lá, eu só quero conversar com você melhor, Isabella. Abra essa porta!
— O que você está fazendo aqui? — indaguei furioso, fazendo com que Richard me olhasse.
— Ed! — exclamou surpreso.
— Afaste-se dessa maldita porta agora mesmo — ordenei.
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