Hollywood

51 Capítulo Cinquenta


Notas iniciais
Olá! Mil desculpas pela demora, adoeci de novo porque na minha cidade tá chovendo vinte horas por dia e meu nariz e a sinusite não aceitam isso haha Lembrando que esse é o ÚLTIMO capítulo da SEGUNDA fase, a TERCEIRA fase e ÚLTIMA começa no próximo! Capítulo dedicado a rack_chan que recomendou a história, muito obrigada por isso, linda! —-- Backstage é onde posto os bônus de Hollywood, não deixe de conferir: https://fanfiction.com.br/historia/761426/Backstage/ —-- Grupo NOVO no Facebook: https://www.facebook.com/groups/962249957316185/?ref=share —-- Música especial do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=v33JgnfS-Js Música especial do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=7K0akU-Rdv8 Música especial do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=svnF9lwbXkI —-- Aviso: o capítulo pode ser gatilho para pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, se você precisa de ajuda procure ajuda especializada sempre. —-- Boa leitura!

Capítulo Cinquenta

Edward Cullen

"Ed Cullen diz que sua série favorita é Brooklyn Nine-Nine."

Desde que fiquei famoso a sensação de solidão — que muitas vezes estava ali quando eu era um desconhecido — era algo bastante presente, eu podia estar cercado de pessoas, mas faltava algo. Eu tentava preencher isso de várias formas, incluindo meus vícios, mulheres e dinheiro.

Até que percebi que o vazio nunca seria preenchido com algo de fora, que eu deveria lidar com ele sozinho antes de qualquer outra coisa.

***

Eu devia saber que uma hora ou outra aquele filho da puta chegaria até Isabella, ele era isso, um grande filho da puta e queria… Porra, eu não conseguia nem ficar pensando no que ele queria fazer com ela, me deixava enjoado e furioso.

— Só quero conversar com Isabella, Ed — ele disse rindo após minha ordem para que caísse fora do quarto dela.

— Nós dois sabemos muito bem o que você quer com Isabella, Richard. — Eu estava usando todo meu autocontrole para não socar a cara daquele desgraçado, pois sabia que mesmo com ele merecendo, não poderia me por como o errado, de certa forma, naquela história.

Antes que eu pudesse falar algo mais, Isabella abriu a porta do closet, estava segurando um embrulho de presente em mãos — provavelmente o meu que ela tinha ido ali buscar —, o mantendo contra seu peito. O rosto dela estava pálido e eu podia ver que ela tremia, além disso, seu olhar estava amedrontado. Eu só queria a colocar em meus braços, depois de socar Richard por ele estar a perseguindo.

— Isabella… — Richard começou a falar, esticou uma mão para tocar no braço de Bella, bem na hora que ela e eu gritamos juntos:

— Não me toque!

— Não toque nela!

Richard voltou a me olhar, mas não tive tempo de prestar atenção em sua reação, eu rapidamente andei até Isabella. Fiquei de frente para minha empresária, de costas para o jornalista filho da puta ali, bloqueando a visão dela para ele.

— Você está bem? — perguntei para ela, segurando seu rosto entre minhas mãos. A pele dela, além de pálida, estava gelada.

— Sim — sussurrou, ainda assustada.

— Eu vou ligar para a polícia, certo? — falei, vendo mais temor passar no rosto dela. Atrás de mim Richard rosnou.

— Não, não! — Isabella negou prontamente.

— Bella…

— Não! — ela repetiu, sua voz era vacilante, mas eu vi súplica em seus olhos.

— Eu só quero conversar com Isabella, desde quando isso é motivo para chamar a polícia? — Richard questionou, eu me voltei para ele, vendo o sorrisinho malicioso em seu rosto. Bella agarrou meu braço direito, com certeza prevendo que eu estava muito perto de perder a cabeça.

— Eu vou chamar a polícia para você, seu filho da puta! — gritei, Isabella apertou meu braço com força.

— Edward, não — ela implorou.

Richard não parava de sorrir, seu olhar pairou sobre a mão de Isabella em meu braço e eu temi que ele estivesse desconfiado de algo. No entanto, naquele segundo, eu deixaria todo nosso caso ser exposto para protegê-la, só queria que Bella estivesse segura, longe daquele homem e que ele pagasse por ter ido atrás dela.

— Ri-Richard — Bella disse o nome dele gaguejando. — Vá embora, ok? Nós não iremos contar nada para ninguém. Você sai do meu quarto agora e tudo estará esquecido, não vamos brigar por besteira. — Eu sentia a dor em sua voz, aquilo me fez sentir mais raiva ainda, mas não dela. Sim de Richard, sim de toda a vez que Bella teve de se calar porque algum filho da puta usou ela e silenciou.

— Não, não, ele não vai sair dessa impune! — eu gritei, Bella apertou suas unhas contra minha pele, não me importei menos com isso, ela poderia me arranhar no rosto com elas que eu não ligaria, só queria destruir aquele merdinha diante de nós dois.

— Eu não fiz nada, Isabella — Richard disse. — Você sabe muito bem disso, não sabe? — Olhava diretamente para ela atrás de mim, o que me fez levar o braço livre para trás e contornar o corpo de Bella com ele. Ela grudou em mim naquele instante, eu podia sentir sua respiração acelerada. — Além do mais, sua reputação é tão ruim. Quem acreditaria em você? — Ele olhou para mim. — E quem acreditaria numa criança? — Eu dei um passo na direção dele, pronto para socá-lo de uma vez — não pelo o que ele me chamou, sim pela forma como ele estava jogando com Isabella —, mas Bella me puxou para trás.

— Você está certo, não aconteceu nada — ela falou, olhei para trás e a vi forçar um sorriso. — Está tudo perfeito, por que você não vai embora agora? Nós iremos nos falar em breve quando você lançar a excelente matéria que sei que fez com Ed hoje.

Ele assentiu, eu voltei a segurar Bella.

— Sim, foi uma excelente matéria. — Richard tocou no meu ombro, meu corpo inteiro tencionou. — Você é um bom garoto, Ed. Só lembre-se de ficar caladinho sobre o que não te diz respeito, ou eu posso ser muito crítico com você no que escreverei naquela matéria, ou em outras.

Foda-se, foda-se, foda-se!

Ele poderia inventar um monte de merda sobre mim, eu só o queria morto pelo que fez com Isabella.

— E você — ele disse para ela. — Espero que seja mais gentil na próxima vez que nos encontrarmos, foi muito insolente hoje batendo a porta na minha cara.

Bella assentiu, Richard apertou mais uma vez meu ombro. Quis tirar a mão dele de mim, mas não queria soltar Isabella.

— Até breve! — ele exclamou e se afastou, saindo do quarto, depois da suíte como ouvimos pelas portas batendo.

Isabella começou a chorar imediatamente, me soltando. Eu a soltei também, só para me colocar de frente para ela, que tinha deixado o embrulho cair no chão.

— Me deixe chamar a polícia — implorei.

— Não, pare com isso, pare! — gritou, antes que eu pudesse segurá-la, Bella estava no chão. Ela se largou contra o carpete e chorava sem parar, encolhendo seu corpo.

Rapidamente fui para o chão com ela, a puxando para meu colo. Eu a carreguei, levando-a para a cama, onde a deitei contra meu peito, deixando com que ela chorasse.

— Como…

— Eu entrei tão rápido na suíte — ela começou a contar antes que eu terminasse minha pergunta. — Que esqueci de fechar a porta, estava no closet pegando seu presente, quando sai dei de cara com Richard. Ele disse que queria conversar comigo sobre aquele vídeo — murmurou tremendo. — Você sabe, o vídeo do Escândalo Swan. Eu só tive tempo de fechar a porta, ele ficou batendo e dizendo para eu abrir, que nós poderíamos nos divertir, que eu iria gostar, que ele tinha cocaína para dividir comigo se eu quisesse. E…

— E? — Passei uma mão por seu rosto vermelho e molhado de lágrimas.

— E que ele pagaria quanto eu quisesse. — Agarrou-se a mim, escondendo seu rosto em meu pescoço, ela estava sentada em meu colo. E naquele instante eu sequer conseguia pensar em transar com Bella, só queria a abraçar e a proteger, a manter segura em meus braços. — Depois ele ficou falando sobre eu sair para conversarmos, foi quando você chegou. Que bom que você apareceu, pirralho. — Apertou ainda mais seu rosto em meu pescoço. — Eu estava sem meu celular e sem nenhum telefone do quarto lá dentro, ele poderia ter arranjado um jeito de abrir aquela porta, ele poderia ter…

— Não, não, não. — Puxei o rosto dela, fazendo com que ela me olhasse. — Ele não fez nada, Capitã.

— Ele iria fazer, ele ainda vai tentar fazer.

— Esse é um motivo para você o processar, logo, antes que ele chegue perto de novo.

— Você sabe que eu não posso.

— Claro que pode, serei sua testemunha, pago o melhor advogado do país e vou estar ao seu lado em todo o julgamento. Só… — Inspirei fundo. — Só faça isso, só não deixe aquele filho da puta ganhar.

— Eu não posso. — Ela não parava de chorar. — Eu não quero denunciar alguém tão influente como ele, eu não quero mais uma polêmica no meu nome, eu estou farta de sempre estar envolvida em escândalos. E nós sabemos muito bem como isso acabaria, ele ganharia, eu seria mais uma vez a puta culpada por tudo. Não posso passar por mais um processo desses e perder, não posso ser de novo jogada na merda.

— Isabella…

Ela segurou meu rosto.

— Não faça nada — implorou. — Não há o que fazer, Edward. Não preciso de um processo eu estou bem.

— Você não está bem!

Ela não disse mais nada, somente voltou a colocar seu rosto em meu pescoço, continuando a chorar. Mantive meus braços ao redor do seu corpo, não a soltaria por nada.

***

Eu não dormi um segundo pelo resto da noite, em algum momento Isabella pegou no sono, continuando sobre mim, mas eu tinha nos deitado para que ela ficasse mais confortável. Sequer me importei em estar exausto, perdendo algumas horas de sono, eu me recusava a dormir, temendo que ela acordasse e precisasse de mim.

Quando Bella acordou na manhã seguinte, por volta das nove da manhã, foi chorando. Um choro baixinho e sofrido, que me deixava nervoso e com mais raiva de Richard.

— O que posso fazer por você, Capitã? — Ela não respondeu, eu fiquei afagando seus cabelos. — Você quer ir para Los Angeles?

Bella se remexeu e olhou para mim, seus olhos e nariz estavam vermelhos.

— Como? — perguntou, com a ponta dos meus dedos limpei as lágrimas que rolavam por sua face.

— Ir para Los Angeles, você quer voltar? Pode ir se for se sentir melhor lá, tire férias, descanse.

Se ela não iria processar Richard, com certeza ia precisar de um tempo para recolocar a cabeça no lugar.

— Que tal ir para sua amada casa na África do Sul? — sugeri, ela deu um pequeno sorriso para mim, o que foi bom de se ver.

— Não, eu não quero ir.

— Tem certeza?

— Sim — sussurrou fungando. — Você precisa da sua empresária. — Sorriu mais. — E eu não quero fugir. — O sorriso desapareceu. — Quero continuar sem deixar isso me abalar, não vou ficar me escondendo.

— E vai processá-lo?

— Não, eu não vou. — Abri a boca para protestar, mas ela foi mais rápida. — Você vai ficar quieto sobre isso?

— Você sabe que faço tudo que manda — resmunguei, ela riu e beijou minha bochecha. Eu senti meu coração bater forte, eu ignorei isso, precisava ignorar. — Mas, você sabe o que penso e tudo que falei ainda está de pé, eu sendo testemunha, pagando o advogado e estando ao seu lado durante o julgamento.

— Obrigada, mas eu não quero isso. — Beijou meu rosto de novo. — Eu vou ficar bem.

— Você tem certeza?

— Sim, não vou deixar Richard nunca mais chegar perto de mim. — Beijou meu rosto uma terceira vez, porém, antes que eu pudesse beijá-la também, fomos interrompidos por uma batida na porta.

Ela suspirou e saiu de cima de mim, deixando a cama. Eu a segui, temendo que fosse Richard lá fora. Bella abriu a porta, no corredor além de Emmett e o outro segurança que tinham me levado até ali, estava Tanya, ela sorria, mas parou imediatamente quando percebeu que a amiga não estava bem.

— O que aconteceu? — ela questionou, entrando na suíte, fechando a porta atrás de si.

Bella não respondeu, apenas abraçou Tanya com força. A Tirana olhou para mim apavorada, eu não falei nada, deixaria Bella falar.

— Eu vou para meu quarto tomar um banho — falei tocando nas costas de Bella, ela olhou para mim e assentiu. — Venho pra cá depois, ok?

— Ok. — Beijei o topo da sua cabeça e sai do quarto.

Não demorei nada em meu quarto — agradecendo que ficaríamos em Atlanta até de noite, quando voaríamos para Miami, pois assim eu não teria nada para fazer o resto do dia —, assim que tomei meu banho e me vesti, peguei meu celular e de Bella no mesmo lugar que deixamos antes de ela sair do meu quarto na noite anterior. Voltei para a suíte dela, ela estava no sofá com Tanya, que falou para mim.

— Eu vou acompanhar vocês por mais alguns dias, Bella vai continuar a viagem, mas vai desacelerar um pouco.

— Certo. — Sentei na mesinha de centro diante Bella, segurando em seus joelhos. Isabella mantinha seu rosto escondido por suas mãos.

— Por que você não vai tomar um banho, Bella? — Tanya sugeriu para a amiga. — Precisa relaxar um pouco, eu vou ir resolver algumas coisas para que possa seguir viajando com vocês, mas acredito que Edward ficará aqui com você…

— Sim, com certeza! — exclamei prontamente, Tanya sorriu para mim.

— Tudo bem — Bella disse, liberando seu rosto. Eu levantei primeiro, estendi minhas mãos para ela, a ajudando a levantar.

— Obrigada, pirralho — agradeceu, soltou suas mãos das minhas e seguiu para o quarto.

— Eu também tentei convencê-la a denunciar o Richard — Tanya disse para mim quando Bella estava fora. — Mas, você já sabe muito bem disso, quando ela decide algo é difícil tirar da cabeça dela. Fica com ela hoje, eu vou manter tudo funcionando e mais tarde nós vamos para Miami.

— Nós podemos o denunciar — sussurrei, Tanya negou com um aceno de cabeça.

— Você não faz ideia de como eu quero fazer isso, Edward, mas Bella nos odiaria e eu acho que ela preciso mesmo de sossego agora. A história com Paul, anos atrás e agora com ela assumindo a culpa do vídeo já foi muito para ela. Vamos só cuidar dela e manter aquele homem longe. — Tanya sorriu de novo. — Que bom que você apareceu bem na hora. — Ela me abraçou, eu retribui o abraço. — Ok, preciso ir. Fica de olho na Bella, faça com que ela coma algo!

***

Bella saiu do banheiro usando somente um roupão, eu estava sentado em sua cama, ao lado dessa um carrinho com nosso café da manhã que o segurança tinha recebido pela gente e que Tanya nos enviou. Vi Isabella parar e pegar algo do chão, o embrulho do presente que tinha ido buscar em seu quarto para mim quando tudo aconteceu, eu me senti culpado por aquilo.

— Acho que você vai gostar — ela falou, com um sorriso pequeno no rosto, quando me entregou o pacote.

— Como você está? — indaguei, vendo que seus olhos ainda estavam vermelhos.

— Melhor — respondeu. — Vai, abre seu presente! — ordenou estalando os dedos para mim.

Eu me voltei para o embrulho, começando a abri-lo. Tirei o presente lá de dentro, vendo que era um moletom preto, mas não qualquer moletom, sim um de Brooklyn Nine-Nine, que na frente tinha a estampa com o nome da série.

— Porra, Capitã! — exclamei surpreso, ela sorriu largamente para mim.

— Gostou?

— Claro que gostei, Isabella! — Ela riu. — Você sabe que é a minha série favorita. — Bom, o resto do mundo também já sabia, uma vez que eu já tinha dito aquilo em entrevistas.

— Ainda tem algo no pacote — falou, eu voltei a olhar o embrulho e tirei lá de dentro um cartão cheio de autógrafos dos atores da série.

— Puta merda! — gritei, Bella riu mais. Eu joguei tudo na cama, me levantei e comecei a encher o rosto dela de beijos, o que só fez Isabella rir sem parar. — Melhor presente, você é a melhor empresária que já tive! — Beijei seus lábios, ela segurou na lateral do meu corpo e prolongamos o beijo por um tempo. — Você quer seu colar de diamantes? Eu vou te dar dois.

— Eu não vou cobrar como um presente de troca, mas se você quiser me dar. — Piscou para mim, me soltou e se voltou para o carrinho, pegando um morango e comendo. — Vou ir vestir algo…

— Isso! — Estendi o moletom para ela.

— Mas é seu.

— Não me importo que você use. — Ela sorriu e pegou o moletom, seguindo até o closet, parou na porta por um segundo, mas voltou a andar e entrou ali.

Guardei o cartão com os autógrafos na mesinha ao lado da cama, joguei o embrulho no lixo do banheiro e quando sai Bella já tinha voltado para o quarto. Usando o meu moletom e uma calcinha, ela já estava comendo e me uni a ela, lhe entreguei seu celular que estava no meu bolso, mas ela apenas o desligou e jogou de lado.

Nós estávamos comendo em silêncio quando ela recomeçou a chorar. Eu não falei nada, apenas a puxei para perto de mim e tornei a abraçá-la.

Durante o resto daquele dia fiquei no quarto com Bella, dormimos depois do café da manhã, acordamos quando Tanya mandou entregar nosso almoço e passamos a tarde inteira assistindo Brooklyn Nine-Nine. Ela ainda chorou uma porção de vezes, eu a abracei em todas elas.

***

Como acertado, voamos para Miami aquela noite. Não seria um voo muito longo, mas eu estaria sentado com Vladmir e não gostei de estar longe de Bella. Ao menos ela estaria com Tanya.

Para meu alívio, no hotel em Miami ela já tinha conseguido um andar inteiro fechado para a equipe, com seu quarto próximo ao meu. Sendo assim, foi mais fácil ir dormir com ela, só dormir.

Sem sexo. Sem qualquer provocação. E quase sem beijos. Eu estava lá como um amigo.

***

Na manhã seguinte, quando estava no meu quarto terminando de me arrumar para ir até o estádio onde tocaria aquela noite, fui surpreendido com a pessoa aparecendo na porta do meu quarto. Rosalie.

— O que está fazendo aqui? — indaguei depois de abraçá-la apertado e a colocar dentro do quarto, fechando a porta.

— Eu tenho uns dias de folga e vim até aqui, Bella soube que estou em Los Angeles cursando uma especialização em educação para crianças autistas e como você participará daquele evento para crianças autistas no domingo ela disse que seria legal eu estar presente.

— Bella sabe o curso que você está fazendo? — perguntei mais surpreso aquela manhã.

— Sim — Rosalie respondeu rindo. — Ela até que é legal — confessou. — Inclusive me enviou um presente dia desses.

— Ok, estamos falando da mesma pessoa?

— Bom, sim, a mesma pessoa que você tem um caso.

Revirei meus olhos.

— Qual foi o presente?

— Todos os dvds dos filmes e séries que ela fez, inclusive Zoe em Malibu! — contou empolgada. — Ela sabe o quanto sou fã e bom, me encheu com todos seus trabalhos, eu tenho assistido sem parar. Aliás, está tudo na sua coleção de DVD’s, espero que não se importe.

— Nem um pouco. — Olhei a hora no meu celular. — Preciso ir ensaiar agora, Rose. Vamos logo!

— Ah, não — ela negou. — Encontrei Bella quando estava saindo do elevador, ela foi pra piscina e me chamou para ir junto, disse que está de folga.

— Puta merda, você virou amiga da Isabella! — me dei conta daquilo, Rosalie gargalhou.

— O que posso fazer? Ela é sua garota, é bom me acostumar com ela por perto!

— Ela não é minha garota — resmunguei, Rosalie revirou seus olhos. — Nós somos só amigos e colegas de trabalhos.

— Amigos e colegas de trabalho não transam.

— Sexo casual, Rosalie.

Ela fez um som de deboche.

— Já deixou de ser casual e você sabe disso. Mas, não vou discutir isso com você agora. Estou em Miami e vou para a piscina com minha futura cunhada.

— Suma, Rosalie! — esbravejei, ela riu e beijou minha bochecha.

— Você está apaixonado pela Isabella! — exclamou antes de sair.

Eu sabia que não estava, ela e Vladmir estavam errados.

***

Algumas horas depois eu estava fazendo uma rápida pausa no ensaio, enquanto a equipe resolvia um problema de som, peguei meu celular e vi a atualização das redes sociais de Isabella. Era uma foto de uma mesa cheia de sushi, onde aparecia sua mão segurando os hashis, a legenda que ela tinha colocado foi simples:

“Olá, Miami!”

No entanto, o que mais chamou minha atenção foi ela creditando a foto tirada a ninguém mais, ninguém menos que Rosalie. E para completar, minha irmã comentou:

“Tudo isso e eu ainda quero mais!”

Eu me vi comentando também:

“Algumas pessoas ainda não almoçaram, isso não é justo.”

Guardei meu celular e voltei para o ensaio.

***

Naquela noite, após o show — que Bella não foi assistir para ficar no reclusa no hotel — e todo o resto, nós voamos até a próxima parada da turnê, Orlando. Eu passei menos de dez minutos na minha suíte, rapidamente cruzando o corredor até o quarto de Isabella.

— Você não vai acreditar no que consegui! — Bella disse animada ao voltar do closet onde estava trocando de roupa, ela tinha tomado conta do moletom que me deu de presente, eu não reclamava disso.

— Eu não acredito que ainda vou tocar mais tarde — murmurei, já que era mais de meia-noite daquele dia. — Preciso de um clone.

Ela riu e subiu na cama comigo, eu estava deitado de bruços na cama. A empresária começou a massagear minhas costas nuas, eu usava apenas uma cueca, o que foi muito bom.

— Não grita, ok?

— Por que eu gritaria? — perguntei sonolento.

— Porque consegui algo — falou. — E você provavelmente vai odiar.

— Que seja, o que você conseguiu?

— Seus fãs de Nashville estavam clamando pela presença do meu pai no show que você vai fazer lá. Eu tive de implorar por horas, mas meu pai topou tocar Johnny Cash com você em Nashville, o que me diz?

— Por mim tudo bem — respondi.

Não era como se fosse a primeira vez aturando Charlie, além do mais, eu não queria brigar com Isabella depois do que aconteceu com ela.

— Ótimo, porque meu pai vai dar uma festa, porque segundo ele nunca mais deu nenhuma e sente falta, e você também terá de ir. — Ela deu tapinhas em meus ombros antes de sair de cima de mim para deitar ao meu lado, me virei para a olhar. Seu rosto estava meio embaçado para mim, o que eu sabia ser mais meu estado morrendo de sono, não a falta das minhas lentes ou a ausência dos meus óculos.

— Tanto faz — sussurrei e fechei meus olhos, senti os dedos de Bella percorrendo meu rosto. Estava quase adormecendo quando me dei conta de algo, tornei a abrir meus olhos, encontrando com os castanhos dela, e perguntei: — Richard estará na festa?

— Meu pai o colocou na lista de convidados — respondeu nervosa.

Eu suspirei e segurei a mão dela que estava no meu rosto, Bella fechou seus olhos e inspirou fundo.

— Nós podemos pedir para Jasper ficar com você a festa inteira — eu sugeri, ela tornou a abrir seus olhos. — E que Emmett fique de olho caso Richard se aproxime demais, ele pode ser seu segurança por toda a noite.

Bella assentiu.

— Sim, eu vou conversar com eles. — Ela inspirou fundo, voltando a fechar seus olhos, eu levei sua mão até meus lábios depositando um beijo.

Isabella sorriu. Eu continuei com sua mão na minha, seu toque era quente e macio. Ela dormiu primeiro, eu não consegui dormir tão cedo, minha cabeça estava cheia.

***

No dia vinte e cinco, um dia após o show em Orlando — que Bella também não foi assistir para ficar no hotel — e um dia antes de eu participar na cidade do evento que eu participaria, teria de ir para um passeio para a Disney com Rosalie e Leah. Ir aos parques com minha irmã seria divertido, mas ter de aturar Leah e as fãs que me reconhecessem gritando sem parar não.

— Pirralho! — Bella gritou por mim, enquanto eu estava no banheiro do meu quarto terminando de colocar minhas lentes de contato.

— O que é? — gritei de volta, Bella apareceu na porta do banheiro, com uma grande caixa em mãos.

— Opa, você está me dando mais um presente? — perguntei animado.

—Não, são seus patins, Tanya acabou de mandar entregarem.

— Patins?

— Sim, para você usar amanhã no evento.

— Eu vou ter que usar patins? — Senti meu corpo ficar tenso.

— Claro que sim, Edward, o evento será em uma pista de patinação. O que pensou?

— Eu sei que será em uma pista de patinação, você já disse antes, mas eu pensei que só teria que tirar umas fotos e cantar umas três músicas e só! — falei começando a ficar nervoso.

— Que seja! — Ela deu de ombros. — Você só vai ter que patinar um pouco.

— Capitã, aí é que está o problema — murmurei. — Eu não sei patinar.

— Você não sabe patinar? — perguntou desacreditada, arregalando os olhos.

— Não sei patinar.

— Você tá brincando, né? Você gravou um clipe patinando alguns anos atrás!

— Foi uma cena de um clipe de três minutos e… Eles usaram um dublê — confessei.

— Edward! — gritou comigo. — Como você não disse antes que não sabia patinar?

— Eu já esclareci que não sabia que teria de patinar, a culpa foi sua que não deixou isso especificado, péssima empresária! — provoquei, ela segurou a caixa com só uma mão e com a outra acertou um soco no meu braço, sequer doeu.

— Pensei que você era esperto o suficiente para se dar conta de algo tão óbvio! — exclamou revoltada, apoiando a caixa na bancada da pia. — Agora me diz como diabos você vai participar desse evento sem saber patinar? Você deveria patinar com as crianças.

— Eu preciso mesmo participar desse evento? Ninguém merece aturar tantas crianças juntas.

— Você não pode faltar a isso — ela deixou bem claro daquela vez. — São crianças especiais, se você não fosse a mídia e a internet iam inventar que você tem preconceito contra autistas.

Suspirei alto.

— Tá, tá bom. Mas o que vou fazer agora, Capitã?

— Agora tenho pouco mais de vinte e quatro horas para te arranjar um professor que te ensine a patinar.

— Você não sabe? — indaguei.

— Claro que eu sei, Edward Cullen — afirmou. — Diferente de certas pessoas aprendi com seis anos de idade, o que você devia ter feito como qualquer criança normal.

— Eu tentei aprender, tá legal? — resmunguei. — Mamãe começou a ensinar Rose e eu, mas caí no primeiro dia e disse que não queria mais. Ninguém insistiu, aqui estou.

— É, aqui está me dando um problema.

— Ei, você não está de folga? Deixa a Tanya cuidar disso.

Ela gargalhou.

— Tanya te faria engolir as rodinhas dos patins se tivesse de lidar com esse problema.

Isabella tocou na caixa, olhando para lá, depois para mim e falou:

— Que seja, eu mesma vou te ensinar a andar de patins.

***

Eu tinha uma casa em Orlando, que foi para onde Bella organizou que fossemos para que ela pudesse me ensinar. Já que não queria ter o trabalho de conseguir uma sala no hotel em cima da hora, como não conseguiria me ensinar nos quartos, ou no corredor do andar fechado por conta do piso com carpete. Como eu disse que tinham quartos desocupados na minha casa e mesmo salas, ela nos fez ir até lá.

Rosalie não quis ir, pois estava animada com a ida para a Disney, então ela foi com Jasper e eu mandei Emmett junto para manter a segurança da minha irmã. Leah foi comigo e Isabella, claro, afinal minha namorada tinha de ficar perto de mim.

— Eu posso ajudar, sei patinar muito bem — Leah disse, eu estava sentado no chão do quarto amplo e completamente vazio, tirando meus tênis para colocar os patins.

— Não vai ser preciso — Isabella negou com uma careta no rosto, gesticulando para que Leah deixasse o quarto.

— Claro, claro — Leah concordou. — Vou ficar na sala de estar lá embaixo — disse e saiu rapidamente.

— Garota chata — Bella resmungou e andou até mim, se agachando para me ajudar a calçar os patins, ela também tinha levado os seus para lá, eram brancos com detalhes marrons, enquanto os meus completamente pretos.

— Você vai estar no evento amanhã também? — Apontei para a caixa com os patins dela.

— Ah não, eu pedi esses de última hora para poder te ensinar melhor.

— Tem certeza de que não seria melhor chamar um professor? — Bella me lançou um sorrisinho petulante.

— Sou melhor que qualquer professor que você poderia chamar, Betty.

— O que você não sabe fazer? — questionei, ela sorriu mais e disse:

— Cozinhar.

— Isso porque você foi noiva de um mestre cuca. — Bella riu e apertou mais os cadarços do meu patins.

— Eu estava ocupada com ele de outras formas, pouco me importando para aprender a cozinhar.

— Quente — resmunguei, olhando para os patins em meus pés. — Aposta quanto que eu vou terminar com um dente quebrado?

— É bom que você não termine, ou eu vou quebrar seu nariz também por não ter se dado conta antes que precisaria andar de patins!



***

Bella podia ser uma boa professora, mas eu era um péssimo aluno. Além do mais, a última vez que tentei aprender algo do tipo foi a andar de skate e acabou com meu pé quebrado, eu estava travado temendo uma nova fatura.

— Edward, você precisa aprender — Bella praticamente choramingou quando eu voltei a segurança do chão e me sentei contra uma parede do quarto. Eu já estava conseguindo ficar em pé nos patins, mas só sabia andar segurando nas mãos dela e ainda assim não era nada tranquilo.

— Eu devia estar usando capacete — falei, ela bufou. — Joelheiras, cotoveleiras, a coisa toda.

— Edward, me diz que pelo menos de bicicleta você sabe andar — implorou.

— Claro que sei, Isabella!

— Ótimo, ou eu ia denunciar seus pais por abandono de incapaz por sua infância sem aprender essas coisas básicas. — Aquilo me fez rir. — Ok, vamos recomeçar! — exclamou estendendo suas mãos para mim, mas não as peguei.

— Preciso de uma pausa.

— Não precisa não — teimou.

— Ah, eu preciso sim! — insisti. — Anda um pouco e eu observo.

— Você não vai aprender só observando, precisa praticar, Cullen.

— Ok, só preciso de uma pausa, é tão difícil entender isso?

Isabella resmungou uma série de palavrões e se afastou de mim patinando pelo quarto, eu aproveitei para respirar fundo e descansar depois de todo o esforço tentando patinar. Encostei a cabeça na parede e fechei os olhos, foi quando escutei uma nova música começar a tocar do celular de Isabella — ela tinha colocado música para tocar quando começou a me ensinar para ver se eu conseguia seguir o ritmo de algo —, era Come On Eillen do Dexys Midnight Runners, uma canção antiga, mas com um ritmo muito bom.

Abri meus olhos e vi Bella deslizando com facilidade pelo quarto, não só patinando, como parecendo dançar sobre seus patins a música tocando. Ela sorriu para mim quando me viu a olhando, o que me fez sorrir de volta.

You in that dress, my thoughts I confess. Verge on dirty* — cantei, Bella riu, sem parar de patinar. Ela conseguia até rodopiar, o que para mim parecia algo impossível de se conseguir, mas eu me senti confiante naquele instante e fiquei em pé.

Ela parou e olhou para mim em expectativa, com o maior cuidado do mundo, temendo quebrar todos meus dentes, eu andei até Bella. Parecia que eu cairia a qualquer instante, meu estômago doía de nervosismo, mas não cai e consegui chegar até Isabella.

— Você está conseguindo! — ela comemorou e se atirou em meus braços.

Foi um erro, claro, eu não estava preparado para aquilo. Porém, mesmo se estivesse provavelmente não iria ter aguentado manter o equilíbrio por nós dois. Então, assim que Isabella se jogou em cima de mim nós caímos no chão, com ela por cima de mim, fazendo com que eu recebesse todo o impacto da queda.

— Isabella! — me queixei, sentindo minhas costas doerem pra caralho.

— Ai, desculpa, desculpa — pediu se erguendo um pouco, se sustentando por suas mãos, seus cabelos tinham se soltado do coque que estavam presos e caiam por cima dos seus ombros. Porra, ela era tão linda! — Você tá bem? Não quebrei sua coluna, né?

— Não — falei, me remexendo um pouco, estava doendo, mas parecia tudo no lugar.

— Excelente! — Bella estava me beijando antes que eu pudesse pensar direito sobre nossa queda, deixou inclusive de se sustentar por suas mãos voltando a estar completamente apoiada sobre mim, para por uma mão entre meus cabelos e outra em meu rosto.

O beijo estava muito bom, mas fomos interrompidos por uma batida na porta, seguida por Leah avisando:

— O almoço chegou. — Tirei meus lábios dos de Bella, olhando em direção a porta que tínhamos deixado aberta, Leah estava ali com um sorriso no rosto ao anunciar que a comida que Bella tinha a mandado pedir já estava em casa. Antes que eu pudesse dizer algo meus lábios voltaram a se ocupar, Bella puxou meu rosto para o seu e tornou a me beijar, apenas ouvi Leah se afastar.

— Você está com fome agora? — Bella me perguntou baixinho depois do fim de mais aquele beijo.

— Não e você?

— Não, o que me diz da gente foder aqui mesmo?

— Você vai estar usando só seus patins?

Ela riu e assentiu, antes de voltar a me beijar.

***

Mesmo com a parada para o sexo — com a porta trancada para Leah não ver mais do que já tinha visto —, Bella conseguiu me ensinar o básico de patins naquele dia, nada muito profissional, mas ela se deu por vencida por eu conseguir andar sem cair, ou precisar segurar em alguém. Acabou que o evento no dia seguinte foi muito bom por isso — muitos acharam fofo o jeito desengonçado que eu patinava, não rídiculo —, ter Rosalie ali também ajudou e muito na interação com as crianças. Eu toquei três músicas como já tinha sido acertado, tirei um milhão de fotos, gravei ao vivo para meu Instagram, para a instituição organizadora do evento e falei com vários jornalistas.

Além de Rose, Leah estava comigo o tempo todo, obviamente. Sendo assim, precisei por minha máscara de bom namorado, eu estava prestes a começar a contar os dias para o fim daquele contrato.

***

Nós iríamos viajar para Nashville ainda aquela noite, para que eu pudesse descansar um pouco para a festa na roça do Caipira Swan para a noite seguinte, sendo que na noite seguinte a isso eu faria o show na cidade onde ele tocaria Johnny Cash comigo. Rosalie também estava de partida de Orlando, mas ela voltaria para Los Angeles.

— Me manda fotos da Amy — Bella pediu para Rosalie quando minha irmã foi se despedir de mim no meu quarto, onde minha empresária estava.

Minha irmã já tinha um carro a esperando para levá-la até o aeroporto, eu iria para lá uma hora depois — queria poder a deixar para seu voo, mas o local já estava cheio de fãs esperando pela minha passagem e eu não queria gerar mais caos —.

— Pode deixar, ela tem adorado ficar lá na casa do Edward — Rosalie falou, eu a abracei mais uma vez, ia morrer de saudades dela.

— Diz pra mamãe que sinto falta dela? — pedi, Rosalie sorriu para mim.

— Digo sim, ela ficou bem chateada de não ter vindo, mas não queria deixar Madonna, Shrek e agora Amy sozinhos em um hotel por muito tempo.

— Eu vou organizar para que ela vá até Chicago ver Edward daqui alguns dias — Bella disse, fazendo com que minha irmã e eu olhassemos para ela.

— Valeu, Capitã — agradeci.

— Tanto faz. — Deu de ombros e seguiu até a porta. — Preciso ir até meu quarto acabar de arrumar minhas malas, tchau Rosalie.

— Tchau! — Rosalie respondeu, Bella saiu do quarto e minha irmã completou olhando para mim. — Cunhada.

— Rosalie, chega disso — resmunguei.

Ela riu e me apertou em um novo abraço.

— Sério que você ainda não percebeu que está apaixonado? Ou só ainda não se permitiu admitir isso para si mesmo?

— Eu não estou apaixonado por Isabella.

— Você está sim — ela disse ao me soltar. — E nós nos conhecemos desde sempre, literalmente, acho que tenho propriedade para afirmar isso. Quando eu estava na Inglaterra estudando e Isabella viajando você sempre arranjava um jeito de mencionar ela nas nossas conversas, você ficou muito feliz quando ela voltou para Los Angeles, isso são só algumas coisas que notei, mas o essencial, o jeito que olha pra ela.

— Sabe o que acho, irmã? Que você viu muitos filmes de romance e está alucinando.

— Tudo bem, quando você resolver admitir o que sente eu estarei pronta para te dizer: eu avisei. — Eu ri, ela beijou meu rosto, pegou sua bolsa de cima do sofá e seguiu até a porta. — Ei? — ela me chamou com uma mão sobre a maçaneta.

— Sim?

— Eu não conheço a Isabella direito, como te conheço, mas eu também acho que ela está apaixonada por você.

— Ela não está!

Rosalie sorriu.

— Ela está sim. Até mais, Ed!

— Você parece tão feliz — comentei, Rosalie assentiu.

— Eu estou, o tempo que passei na Inglaterra foi ótimo.

— Você conheceu alguém e está escondendo de mim, Rosalie? — perguntei curioso, ela negou com um aceno de cabeça.

— Não, não conheci. Mas se me permite ser clichê, foi bom para conhecer a mim mesma.

— É bom que você esteja feliz. — Sorri para minha irmã.

— Espero que você seja feliz um dia também, Edward…

— Eu estou!

— Feliz de verdade! — Mordi o interior da minha bochecha, cruzei o quarto até Rosalie e a abracei outra vez. — Amo você, irmão, se cuida.

— Se cuida também. — Beijei a cabeça dela e a deixei abrir a porta. — Te amo, Rose!

Ela sorriu para mim novamente e foi embora. Apoiei meu rosto contra a porta e pensei no que ela tinha dito, eu me sentia feliz pra caralho desde o começo da turnê, tinha o problema com meu pai ausente, ainda estar lidando com o luto por Stefan e minha recém admissão ao fato de ser bissexual, que eu ainda estava tentando aceitar, mas no geral me sentia muito feliz, muito melhor do que o mesmo cara que pouco tempo atrás poderia ter se matado após tanta merda em sua vida.

***

Isabella estava querendo me matar, era isso. A mulher estava ao meu lado na cama, na manhã seguinte — já estávamos em Nashville —, cantando country junto a sua playlist no celular que tocava alto para me acordar.

— Você tá de brincadeira com a minha cara? — resmunguei, puxando um travesseiro para cima do meu rosto.

— Não, mas estou tentando te acordar tem uns vinte minutos, resolvi apelar — respondeu e voltou a cantar, puxando o travesseiro que eu usava de proteção.

— Puta merda, Isabella! — xinguei, a puxando para mim e calando sua boca com um beijo.

— Não, você está atrasado para ir malhar — ela interrompeu o beijo, mas ficou passeando uma mão por meu peito nu.

— Posso gastar calorias de outro jeito. — Pisquei para ela, que riu e beijou meu pescoço, para me empurrar em seguida.

— Sem acordo, Cullen!

Reclamando eu saí da cama, vendo que Bella estava usando a camiseta que usei para viajar noite passada. Como eu tinha dormido antes dela, ela provavelmente se apoderou das minhas roupas.

— Você está bem para a festa de hoje? — A festa de Charlie seria aquela tarde, Richard já tinha confirmado presença pelo que Bella me contou na noite anterior antes de voarmos.

— Sim, super bem. — Ela forçou um sorriso. — Mas, eu já falei com Jasper, ele será meu acompanhante e prometeu não sair do meu lado.

— Você contou para ele sobre Richard?

— Não, nem pensar, só falei que precisava de uma ajuda pra manter longe um cara chato, ele até brincou perguntando se era você. — Bufei, minha amizade com Jasper estava se sustentando, mas nós dois seguíamos fingindo que aquela noite em Las Vegas nunca existiu, eu esperava que conseguíssemos continuar fingindo por muitos anos. — Também já mandei Emmett ficar de olho em mim — completou.

— Certo, mas se aquele cara te ameaçar de algo eu vou socar a cara dele.

— Edward!

Eu a ignorei e fui para o banheiro.

***

Mais tarde naquele dia Bella, Jasper, Leah e eu seguimos do hotel até a fazenda do Caipira Swan. Eu estava sentado no banco de trás com minha falsa namorada e minha empresária, Jasper no banco da frente junto com o motorista que nos levava.

Isabella usava aquela tarde uma blusinha e saia que ia até seus joelhos, ambas da mesma estampa de listras azuis sobre o fundo branco, com desenhos de flores por cima. A blusa valorizava seus seios e deixava parte de sua barriga à mostra. Seus cabelos estavam completamente lisos e soltos, em seus pés saltos, mas não tão altos, carregava uma bolsa em mãos e seu celular.

— Podemos assistir Brooklyn Nine-Nine quando voltarmos para o hotel — ela sussurrou para mim, sua mão direita tocava na pulseira de diamantes que ela usava, a mesma que lhe dei.

— Gosto dessa ideia. — Toquei na pulseira dela também, nossos dedos se tocaram por alguns segundos antes de Bella afastar os seus.

***

Quando chegamos à festa Richard ainda não estava lá, torci para isso ser um sinal de que ele não apareceria. Bella e Tanya, que estava na fazenda desde mais cedo, logo me fizeram tirar fotos e mais fotos com o Caipira Swan. Nós fingimos muito bem para as câmeras, mas ele não estava contente com minha presença tanto quanto eu não estava em estar ali.

Eu também fui obrigado a tirar muitas fotos com Leah, inclusive fazer postagens dali da festa diretamente em minhas redes sociais. Tanya estava por perto, então eu não ousaria a desobedecer.

Isabella andava pela festa com Jasper ao lado, eles pareciam a porra de um casal circulando juntos, algumas vezes ela segurava no braço dele, em outras ele tocava nas costas dela. Eu me obrigava a não ficar seguindo os dois com o olhar, já bastava Emmett por perto de olho em Isabella.

O que eu soube que tinha sido uma boa ideia, porque Richard foi para a festa. Eu estava conversando com Alice — ela, Renesmee e o noivo dessa estavam em Nashville também — e Leah, quando ele chegou acompanhado de uma mulher bem mais nova, alta, loira e com peitos que definitivamente tinham silicones.

Ele foi logo até Charlie e Carmen, Bella estava certa sobre seu pai ser mesmo amigo daquele filho da puta jornalista, o Caipira pareceu muito feliz quando o viu. Eles passaram um tempo conversando em quatro, até que vi Bella se deslocar com Jasper até eles, eu engoli em seco apertando com força o copo com refrigerante de laranja na minha mão.

De onde estava sequer podia fazer leitura labial do que falavam, quanto menos ouvir, mas Bella sorria durante toda a conversa, porém eu sabia que ela estava nervosa porque estava a todo tempo bebendo um gole do que devia ser uísque em seu copo — ela estava bebendo desde que chegamos —. Enquanto isso Jasper estava com um braço envolvendo a cintura dela, eu não precisava pensar muito para apostar que até o dia seguinte os convidados da festa — Charlie parecia ter convidado metade de Nashville — já teriam espalhado a falsa notícia de que Isabella estava namorando meu melhor amigo.

Eles dois não demoraram muito na rodinha com Richard, seguindo até onde Renesmee e Nahuel estavam. Eu me tranquilizei um pouco com Bella longe daquele babaca, mas procurava por ela entre os convidados com certa regularidade.

Até que, por fim, Richard veio falar comigo e Leah, depois que Alice se afastou após uma longa conversa sobre sapatos com minha namorada. Eu inspirei fundo e segurei a mão de Leah, mantendo a outra ocupada com o copo com meu refrigerante, só assim seria mais seguro para não socar aquele cara.

— Ed, que bom te rever em tão pouco tempo — Richard falou. — Essa é minha namorada, Stacey Cleveland.

— Olá, sou muito sua fã — ela falou toda sorridente.

— Não sabia que você estava namorando — eu falei para Richard, ignorando Stacey, que era gostosa pra caralho, mas estava irritado demais com a presença daquele homem para ficar reparando nisso.

— É recente, só tem dois dias — Richard falou rindo e bateu seu copo no meu. — Como você está, Leah?

— Muito bem — ela respondeu educadamente. — Eu amei seu vestido, Stacey — disse para a outra.

Enquanto as duas ficaram numa conversa sobre roupas, eu tive de manter uma com Richard sobre a turnê. Odiava ter de ficar batendo papo com ele, mas ao menos isso o mantinha longe de Bella.

— Vamos circular um pouco, Stacey — ele disse para sua namorada, que devia mesmo era ser uma garota de programa, ainda que ela tenha dito ser uma modelo durante o papo. — Vejo você depois, Ed. É realmente muito bom saber que você está indo tão bem longe de escândalos. — Era um aviso para eu ficar quieto. Bateu seu copo no meu mais uma vez e eu senti vontade de vomitar nele.

Eles se despediram de Leah e se afastaram, eu automaticamente olhei ao redor procurando por Bella. A encontrei na pista de dança com Jasper, os dois dançando uma música country — claro —, que eu sequer conhecia, mas que era extremamente romântica e os dois estavam dançando bem próximos um do outro, ela tinha seu rosto sobre o ombro dele, inclusive.

— Vocês dois formam um belo casal — Leah falou, fazendo com que eu a olhasse no mesmo instante.

— O que você disse?

— Que você e Isabella ficam lindos juntos — ela disse baixinho, mas sorriu para mim. — Naquele dia lá em Orlando, quando vi vocês se beijando, vi o quão combinam.

Eu forcei uma risada.

— É sério! — Ela afagou minha mão que estava na sua. — Olha, nós não somos namorados de verdade — continuou falando para que só eu ouvisse. — Mas podemos ser amigos, Ed. Além do mais, isso será mais fácil para quando terminarmos, não? Para acabarmos o namoro na amizade e sem escândalos que te prejudiquem.

Eu fiquei a olhando por um tempo, sem saber se podia confiar em Leah. Já tinha quebrado a cara mil vezes antes.

— Ok, não precisa falar nada — ela disse tirando o copo da minha mão e pondo sobre uma mesinha próxima. — Vamos dançar?

— Eu não danço country.

— Eu posso te ensinar. — Ela sorriu mais e me puxou para a pista de dança.

Eu me deixei levar, deixando também com que Leah me ajudasse com o ritmo daquela música country. Nós estávamos perto de Isabella e Jasper, que olharam para a gente dançando. Jasper riu de algo que eu não fazia ideia do que era, enquanto Bella nos encarava com certa raiva.

***

Bella ficou bêbada, no caminho de volta para o hotel ela ria sem parar no banco de trás do carro enquanto cantava canções da década de cinquenta. Por sorte a festa foi até dez da noite, já que tinha começado mais cedo, assim ela poderia dormir por mais tempo e se recuperar para o dia seguinte.

Jasper, o par dela aquela noite, praticamente a carregou até o elevador — entramos pela garagem e pelo elevador reservado, assim ninguém a viu — e de lá até a porta do quarto dela. Que era no andar fechado onde meu quarto também ficava.

— Ed, você vai ficar comigo, né? — ela me perguntou, saindo dos braços de Jasper e se jogando em cima de mim, rapidamente a segurei, mantendo-a de pé.

— Sim. — Tirei a chave do quarto dela do meu bolso e abri a porta.

— Precisa de ajuda? — Jasper e Leah perguntaram juntos.

— Não, você não, você é chata! — Bella disse para Leah, mostrando o dedo do meio para ela.

— Isabella! — chamei sua atenção, ela revirou os olhos. — Eu dou conta — dispensei Jasper e Leah.

Bella entrou primeiro no quarto, ainda com o andar desengonçado. Eu tranquei a porta e rapidamente a segui, ela jogou sua bolsa e celular no sofá, tirou sua blusa e a largou no chão, então tropeçou em seus próprios pés e caiu no chão, rindo.

— Isabella! — exclamei, andando até ela, que ainda ria da sua queda. — Você está bem? — perguntei, afastando uma mecha de cabelo do seu rosto corado.

— Você é tão bonito, seu desgraçado — ela disse rindo. — Como você pode ser tão bonito? — perguntou confusa.

— Vai saber, Capitã — respondi, a erguendo do chão, o corpo dela estava molhe.

— Tão bonito! — ela exclamou alto, apertando meu rosto entre suas mãos enquanto eu a segurava pela cintura. — Será que um dia você vai ficar feio?

— Espero que não. — Foi a minha vez de rir.

— Espero que você fique, feio e careca — disse dando um grande sorriso. — A humanidade precisa de reparação histórica no futuro por você ser tão bonito agora.

Suas mãos foram para meu peito.

— E você é tão forte e gostoso.

— E eu acho que você precisa dormir. — Ela estava bêbada demais.

— Você é tão legal. — Seus olhos se encontraram com os meus. — Eu adoro estar com você, é tão divertido e gostoso. Gostoso como você. — Beijou meu queixo. — Adoro seu cheiro.

— Capitã, vamos pra cama. — Tentei a fazer andar, mas seu corpo bêbado parecia pesar muito mais que o normal.

— Sim! — Soltou um gritinho animado. — Vamos pra cama, eu quero que você me foda. — Piscou para mim. — Vai comer meu rabo hoje? Oh, quero que goze dentro de mim, quero te sentir gozando na minha bunda, senhor Cullen.

— Não, você precisa dormir, Bella — anunciei, ela começou a choramingar.

— Você não quer transar comigo?

— Não agora que você está caindo de bêbada. — Fiz com que ela andasse um pouco.

— Você não vai mais me foder? Eu quero que me foda. Por favor, Edward. — Ela começou a rir de novo. — Edward, você tem um nome tão bonito. Por que tudo em você tem que ser bonito? Eu te odeio! — Tentou me beijar, mas a impedi.

— Capitã, você está muito bêbada, pare com isso. — Consegui a arrastar até a cama, mesmo sob seus protestos.

Comecei a tirar o resto de roupas e sapatos, ela estava só em sua lingerie, quando caiu de costas na cama. Eu estava prestes a ajeitar o corpo dela na vertical sobre o colchão, quando ela começou a chorar.

— Ed?

— O que foi, Capitã?

— Você é tão bonito, isso não é justo.

— Capitã, amanhã discutimos isso.

— Eu sou feia e você lindo, por que não sou bonita também?

Segurei no rosto dela e falei:

— Você é uma das mulheres mais bonitas que conheço, Isabella Swan.

— Você está mentindo — acusou.

— Garanto que não estou. — Beijei sua testa. — Eu te acho linda.

— Então me fode, se você não me foder sei que está mentindo. Todos querem me foder, por que você não?

— Eu já disse que não vou transar com você bêbada desse jeito.

Ela chorou mais.

— Você me acha feia. É tão bonito, deve me achar um monstro.

Suspirei.

— Bella… — Parei quando a vi apertar uma mão em sua boca. — Você quer vomitar?

Ela assentiu.

— Era o que faltava — resmunguei, mas a ergui da cama e a levei para o banheiro.

Coloquei Bella no chão junto do vaso, abri a tampa e segurei seus cabelos, ela não precisou de mais nada para vomitar lá dentro. Fiquei junto dela, aquela merda era nojenta, mas eu sabia que ela precisava de mim.

— Você vai ficar bem — falei, segurando seus cabelos com uma mão, enquanto com a outra afagava suas costas.

Ela vomitou um pouco mais, antes de olhar para mim, sua boca suja não era nada charmoso.

— Edward, eu já disse que você é bonito?

Eu ri e beijei sua testa suada, não me importei com aquilo.

— Sim — respondi. — Posso te contar um segredo? — perguntei.

— Pode — murmurou cansada.

— Eu acho você muito linda, Isabella. Desde que eu era uma criança e te vi pela primeira vez, hoje te acho ainda mais bonita.

Ela sorriu, mas não durou muito, logo voltou a vomitar.

***

Bella ficou passando mal por mais alguns minutos aquela noite, até que parou de vomitar e aceitou tomar um banho. Eu a deixei só embaixo do chuveiro, só deixando a água a ajudar um pouco, mas fiquei por perto para que ela não caísse. Quando ela acabou com aquilo a coloquei em um roupão, a ajudei a enrolar seu cabelo numa toalha e a levei para o quarto, sentando-a na cama.

Fiz com que ela bebesse água para se hidratar, depois um pouco de suco de laranja do frigobar e alguns chocolates para que ela tivesse algo na barriga. Ela mal tinha acabado de comer o último chocolate e apagou, eu tirei minhas roupas e deitei com ela.

Eu dormi, mas só depois de ficar observando seu rosto. E eu não estava mentindo para ela durante seu estado totalmente bêbado, com certeza não, ela era mesmo muito linda.

***

Acordei na manhã seguinte com uma porta batendo, abri meus olhos e vi Isabella deixando o banheiro. Tinha saído do roupão e estava usando uma regata e short, não estava com uma cara nada boa.

— Foi mau, não queria te acordar — ela disse andando para perto da cama e pegando seu celular que ela deveria ter colocado ali antes de eu acordar.

— Aham, ok — murmurei. — Você tá melhor?

— Sim, nunca mais tinha bebido, isso me pegou — ela se queixou. — E eu não comi nada.

— Além do fato de que você bebeu pra caralho. — Sentei na cama, sabendo que não ia poder ficar nela pelo resto do dia, já que eu tocaria em Nashville aquela noite.

— Tanto faz — ela resmungou concentrada no seu celular. — Todo mundo tá achando que eu tô namorando o Jasper, eu beijei ele?

— Não! — respondi rapidamente. — Você apagou tudo de ontem?

— Sim, eu bebi muito, né? — Pigarreou. — Eu cantei? Gritei? Tô com a garganta fodida!

— Você veio da fazenda até aqui cantando música dos anos cinquenta, mas também dormiu de roupão e toalha, ainda estava molhada. — Cocei meus olhos. — Richard não falou nenhuma merda para você ontem, ele só conversou com você quando chegou.

— É, mas eu acho que lembro dele falar que estaria no show de hoje e eu não vou poder deixar de ir ou meu pai me mataria depois de insistir tanto para ele vir tocar com você. — Tossiu um pouco. — Bom, tomara que eu fique doente até mais tarde e tenha uma desculpa para não ir e ficar longe de Richard.

— Você precisa comer algo, vomitou ontem caso não se lembre disso.

Ela suspirou e assentiu.

— Vou pedir café da manhã, come comigo?

— Claro.

***

Com Emmett de folga aquele dia e Jasper ocupado com o show, Isabella colocou Felix para a vigiar nos bastidores do show, ou melhor, vigiar Richard para que ele ficasse longe. Por sorte Charlie não gostava de ninguém em seu camarim quando estava se preparando para entrar no palco, então Richard estava longe em um dos camarotes, enquanto Bella podia circular livremente pela área dos camarins e atrás do palco.

Era bom tê-la de volta aos bastidores, eu podia afirmar isso.

Depois do show e do encontro com os fãs, todo mundo foi para um restaurante na cidade. Era de um casal de amigos de Charlie, que estavam oferecendo uma pós festa para nós dois as estrelas da noite — eu mais do que o Caipira, óbvio —, Richard estava ali.

— Fica perto da Bella de novo, tá? — pedi para Jasper quando deixamos a van que nos levou até o restaurante.

— O que tá rolando? — ele perguntou confuso. — De quem ela tá fugindo?

— Só faz isso, por favor — pedi, ele resmungou, mas assentiu.

— Só vai aumentar as fofocas de que ela e eu estamos namorando — falou andando até Bella que estava saindo da outra van com sua família, Tanya e de onde Richard saiu com sua namoradinha. — Ei, devíamos ter vindo na mesma van! — Jasper falou para ela e colocou um braço ao redor do seu ombro, ela sorriu para ele e entrou no jogo.

***

Quando consegui falar com Bella dentro do restaurante, enquanto dávamos uma pausa para Jasper ir comer algo, ela me garantiu que Richard não tinha tentado nada no caminho até ali. Aparentemente Charlie por perto o freava de tentar qualquer coisa, minha língua coçou para falar para o Caipira sobre seu amiguinho, mas sabia que Bella me mataria se eu fizesse aquilo.

— Ed! — Ness pairou ao meu lado mais tarde naquela festa, sorrindo e parecendo feliz pra caralho.

— Oi.

— Minha irmã e Jasper estão mesmo juntos como estão falando na internet? Como eles aparentam estar? — Gesticulou para eles que estavam em uma mesa jogando cartas com alguns dos meus dançarinos.

— O quê? — Me fiz de desentendido, ela riu e insistiu.

— Eu perguntei pra ela, mas ela me mandou ficar quieta. Acho que Alice sabe de algo, porque quando tentei conversar com minha outra irmã sobre isso ela riu e beliscou minha bochecha, mas preciso saber.

— Eu não sei de nada, Ness. — Ela bufou.

— Você não é o melhor amigo do Jasper, claro que deve saber de algo!

— Juro que não sei. — Sorri para ela. — Sabe de algo que sei?

— O quê? — perguntou interessada.

— Que Alec vai ser pai.

Ela arregalou os olhos.

— Eu sei, grande fofoca, né? Ele me disse que vai contar para todo mundo com Amber só no mês que vem, mas aí está a fofoca quente pra você.

— Nossa, como você é fofoqueiro — ela disse rindo. — Não acredito que Alec vai ser pai!

— Por que não? Você tava querendo ter algo com ele? — Fui direto ao ponto, ela pareceu ultrajada com aquilo e bateu no meu braço.

— Alec é só um amigo, Ed. Além do mais, sou noiva e meu noivo está aqui comigo. — Mostrou seu anel de noivado para mim.

— Ok.

— E aí? Vai me dizer a verdade sobre Bella e Jasper?

— Não.

Ela resmungou.

— Que seja, eu sei que estou vendo eles grudados desde ontem e sei bem que minha irmã está apaixonada, só pode ser por ele.

— Isabella está apaixonada? — perguntei baixinho, Renesmee sorriu largamente.

— Eu já vi ela apaixonada antes, sei reconhecer. Eu estava desconfiando de algo antes de vocês saírem para a turnê, ela já estava toda boba por alguém. Além de ganhando aquela pulseira de diamantes, que ela tá usando hoje de novo, depois de acabar com James. A gatinha. E traiu o James com alguém, que eu não sei quem é, mas agora aposto todas minhas fichas em Jasper. Eles provavelmente se aproximaram ainda mais nessa turnê e ali estão, fofos jogando cartas. Você viu eles dançando ontem? Apaixonados! — Renesmee suspirou. — Eu acho que agora ela finalmente esqueceu o Paul.

— Você acha? — questionei, ela ainda olhava para a irmã e Jasper.

— Sim e Jasper é o cara certo dela!

***

Dia primeiro de junho, um mês depois do início da turnê eu estava tendo um dia de folga em Chicago. Mamãe tinha ido me ver tocar no dia anterior — Bella arquitetou tudo como disse que faria — e nós passamos aquela sexta-feira do dia primeiro passeando pela cidade com Leah, mas minha mãe teve de ir embora no começo da noite, já que teria o sábado e o domingo ocupados com atividades da igreja que ia com Rose em Los Angeles.

Eu tinha ido para a suíte de Isabella depois de mamãe ir embora, nós jantamos e depois ficamos no sofá vendo o terceiro filme de Shrek, Bella não gostou tanto assim daquele. Após o filme ela estava mudando de canal para achar algo para ver, seus pés em minhas mãos porque ela tinha implorado por uma massagem.

Tanya tinha voltado para Los Angeles depois do show em Nashville, então Bella estava cem por cento de volta ao trabalho e sempre andando de um lado para o outro. Richard não tinha mais ido atrás dela depois da festa pós show em Nashville, onde ele nunca conseguia ir até ela por Charlie estar ali e por Bella estar com Jasper do seu lado o tempo todo.

Os rumores que ela estava namorando Jasper seguiam, nenhum dos dois se importava em desmentir.

— Bella? — chamei ela, que continuava mudando de canal.

— O quê?

— Seu pé é feio — falei, ela me encarou e eu ri. — Todo ossudo!

— É um pé, idiota! Tem que te ossos. — Tentou tirar seu pé de mim, mas eu não deixei e continuei a massagem.

As unhas dela estavam pintadas de preto, o que era um puta contraste com sua pele tão branca. Eu estava estalando seus dedos quando ouvi uma voz na TV falar:

— O que pode nos dizer sobre o Escândalo Swan depois dos últimos acontecimentos envolvendo esse assunto?

Olhei para a tela e vi que Bella tinha parado em um talk show, onde o entrevistado da noite era justamente Paul Lahote. Voltei meu olhar para a Capitã, que olhava para a TV com certa indiferença.

— Isabella disse tudo em sua carta de admissão de culpa — Paul falou de forma tranquila, eu revezava meu olhar entre ele e Isabella, que se mantinha olhando para a TV. — Ela errou quando mais nova, mas agora se desculpou e isso é tudo.

— Você a desculpou sinceramente por ter lhe acusado de algo tão grave?

— Sim, eu sou um cara muito religioso, acredito em Deus e sei que ele deve ter tocado no coração de Isabella para ela se arrepender sinceramente do que fez, sendo assim eu como um mero mortal tenho de a desculpar também.

Bella gargalhou, fazendo com que eu parasse e olhasse só para ela.

— Do que você está rindo, Capitã?

— Eu lembrei de quando aquela mulher, Laura, disse que o filho dela era seu. — Ela parou para rir mais. — E você foi na igreja pedir para isso não ser verdade, foi tão engraçado!

A encarei chocado.

— Paul está em rede nacional reforçando a ideia de que você foi a culpada pelo Escândalo Swan e você está rindo do meu momento de surto religioso?

— Sim — ela respondeu rindo mais, sentando no sofá e tirando seus pés de cima de mim, desligando a TV e jogando o controle longe. — Você quis se tornar padre por um fim de semana. — Ela respirou fundo tentando parar de rir. — E foda-se Paul, ele conseguiu o que queria e estou livre dessa praga.

— O que você ainda sente por ele?

— Paul? — Assenti. — Nada mais, aparentemente um milagre se abateu mesmo sobre mim e eu fui curada dessa doença que era gostar desse cara. — Fez sons de vômito. — Eu sei, tão idiota ter continuado a gostar dele depois de tudo, mas acabou agora.

— Você deveria ir mais a igreja — brinquei, ela voltou a rir.

— Pode deixar, Padre Edward. — Aquilo me fez gargalhar. — Você também achou que o Paul tá ficando careca?

— Eu não reparei nisso.

— Eu acho que ele vai ficar careca, vai ser tão engraçado de se ver, ele vai ficar muito feio sem cabelo. Quer saber, vamos pedir serviço de quarto para comemorar o meu milagre e a careca futura do Lahote.

— Tem certeza que quer beber? Não deu certo naquele dia em Nashville. — Ela não tinha bebido mais desde então.

— Ah não! — ela exclamou e pegou o telefone do quarto. — Eu estava pensando mesmo em algo com chocolate.

— E morangos?

Ela sorriu e pareceu tramar um plano.

— O que você acha de chantilly, senhor Cullen?

***

Bella tinha uma escova de dentes no banheiro da minha suíte, eu percebi isso em Toronto, a penúltima parada da turnê. Estava colocando minhas lentes quando vi a escova de dentes vermelha junto a minha azul, eu sabia que também tive minhas próprias escovas de dentes nos quartos dela durante a turnê, afinal nós estávamos quase todas as noites um no quarto do outro.

Eu também tinha encontrado um short e um sutiã de Bella na minha mala quando fui me vestir mais cedo aquela manhã, em Montreal — nossa parada anterior a Toronto —, meus óculos estavam em uma das malas dela. Porém, a escova de dentes vermelha pegou toda minha atenção, eu andei até o box do chuveiro e vi lá dentro o shampoo de morango de Isabella e eu tinha quase certeza de que meus fones de ouvido favoritos ficaram na bolsa dela depois que os usei do caminho do aeroporto até o hotel noite passada.

— Edward? — Bella apareceu na porta do banheiro terminando de se vestir. — Você está demorando muito, não esquece que o Vladmir daqui a pouco estará aqui para te atender.

— Ok. — Assenti.

— Eu vou ir tomar café da manhã no meu quarto, você vai ter que aguentar e comer só depois da sessão.

— Ok.

— Você está bem? — perguntou preocupada.

Ela tinha a escova de dentes no meu quarto, seu sutiã na minha mala e guardava meus fones favoritos.

— Sim. — Forcei um sorriso. — Só cansado.

— Imagino, mas logo você terá uma pausa da turnê — ela falou.

Eu suspirei, a pausa incluiria uma viagem que eu faria com Leah, porque Bella e Tanya achavam que minhas mini férias teriam de ser viajando com minha namorada, quando tudo que eu queria era ficar em Los Angeles descansando. A pior parte, Bella não viajaria junto. Eu não teria a escova de dentes dela no banheiro do meu quarto, nem encontraria um dos seus sutiãs na minha mala, muito menos acordaria ao lado dela quase todos os dias.

— Preciso ir agora, tenho que responder um longo e-mail de Carmen sobre meu vestido para o casamento dela, como se eu não fosse acabar com essa palhaçada assim que voltar para Los Angeles em alguns dias. — Ela se aproximou de mim e beijou meus lábios rapidamente.

Quando começamos a nos beijar sem estar fodendo?

— Você está mesmo bem, pirralho?

— Ótimo — murmurei, ela me encarou por um segundo antes de assentir e ir embora.

Eu respirei fundo, voltando a olhar para a escova de dentes dela junto a minha. A verdade era que aquilo não me incomodava, pelo contrário, eu gostava.

***

Vladmir chegou não muito depois que Bella saiu, eu estava sentado em um canto do sofá, enquanto ele no outro. Eu estava distraído, ainda pensando na escova de dentes de Bella junto da minha, quando ele perguntou:

— Como você está se sentindo, Edward?

— Bem — respondi, ainda olhando para minhas mãos em meus joelhos.

— Edward? — Olhei para o homem. — Como você está se sentindo? — repetiu a pergunta.

— Bem — era uma resposta sincera. — Eu estou feliz, era o que queria ouvir? Porque realmente estou. Não sei, eu me sinto tão bem desde o começo da turnê, mesmo com meu pai ausente, mesmo depois da morte do Stefan, ou de eu ter descoberto que sou bissexual. Eu só… Eu me senti tão bem quando subi naquele palco, quando cantei e percebi que estava fazendo o que gostava. E dia após dia, quando subo em um palco para cantar me sinto melhor. Minha turnê anterior a essa foi um desastre, eu estava bêbado e drogado a maior parte do tempo, só conseguia pensar nisso, em beber, cheirar cocaína e quando Lauren, não estava comigo, eu estava a todo instante querendo ficar com ela.

— Você acha que querer estar com ela a todo instante não era algo bom?

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— Não, eu sei que não. Parecia que ela era a única pessoa no mundo, não era normal. Eu me sentia fisicamente mal quando ela estava longe.

— Você quer dizer suas crises de ansiedade?

— Sim, então eu bebia e cheirava cocaína para apaziguar a distância. E quando ela estava comigo… — Inspirei fundo e pensei sobre Lauren e eu. — Só aí parecia que eu estava feliz.

— Me diga três coisas que gostava em Lauren — ele pediu.

— O corpo dela — falei, porque no fim era isso, eu não sentia falta, não mais, de coisas significativas a respeito de Lauren. Se me perguntassem eu sequer poderia responder qual era a comida favorita dela, ou a música, eu tinha esquecido tudo isso quando a superei e tudo que ficou sobre ela foram as superficialidades. — Ela gostar do meu trabalho. — continuei. — E, sei lá, acho que o fato de eu ter ela significava que ei, eu tinha alguém.

— Você se lembra que quando começou a namorar Alison foi por algo semelhante, certo? — Assenti, claro que ele também lembrava daquilo, já que era meu terapeuta desde antes disso.

— O quê? Isso quer dizer que toda garota que eu namorar é só porque sou carente e preciso de alguém comigo para me sentir melhor?

— Não, Edward, por isso você está em tratamento, para aprender a lidar com seus sentimentos. Conseguir separar o que de fato é um sentimento verdadeiro do que é só um apoio emocional, para que se sinta melhor consigo mesmo.

— E qual dos dois você vem sugerindo que eu sinto por Isabella? — questionei, meu coração acelerando.

— O que você acha que sente por ela, Edward? — Eu não respondi. — O que é amor e paixão para você?

— Não sei — sussurrei, inspirando fundo. — Eu cresci com meus pais supostamente se amando, até que tudo acabou muito feio para eles. E quando amei Lauren, terminou feio para a gente também. Sei lá, acho que não acredito em amor desse tipo, pois sei que amo minha mãe, minha irmã e até meus cachorros, mas paixão e amor sem ser assim? Sempre parece que acaba muito mal.

— Não é isso que parece que você realmente acredita, não se vermos as letras da suas últimas músicas.

Inspirei fundo novamente.

***

Eu tinha feito uma pausa no ensaio daquela tarde para circular pelo estádio, acabei indo parar bem no alto da arquibancada. Sentei em um dos lugares e observei o palco, dali ele parecia tão pequeno, de noite quem sentasse ali só poderia ver minha silhueta e só me veria bem pelos telões nas extremidades e centro do palco.

Eu não gostava da ideia de voar, mas não me sentia com medo naquela altura da arquibancada. Na verdade, voar estava sendo mais fácil a cada dia. E dali de cima eu me sentia, surpreendentemente tranquilo, era silencioso e pacífico.

Fechei os olhos, concentrando-me na minha respiração. O show daquela noite, o penúltimo, já me fazia sentir falta da turnê. Mas, eu estava muito feliz que até ali ela estava indo muito bem, que eu estava indo bem.

— Ed? — Abri meus olhos, vendo Jasper se aproximar. — Cara, precisa voltar para o ensaio.

— Só mais um minuto — pedi, ele resmungou e sentou a uma cadeira de distância de mim. — Jasper, como você sabia que estava apaixonado por mim? — Voltei a olhar para ele, o vendo empalidecer ao meu lado.

— Nós não devíamos falar sobre isso.

— Podemos fingir que essa conversa também não aconteceu quando a gente descer.

Ele negou com um aceno de cabeça e se colocou de pé.

— Não vai rolar.

— Jasper…

— Isso é sobre Isabella, né? — ele gritou, era mesmo bom que estivéssemos tão no alto, pois assim ninguém iria o ouvir. — O que foi, finalmente se deu conta que você está apaixonado por ela? — Engoli em seco.

— Não estou — neguei, ele riu e revirou seus olhos.

— Eu vejo vocês dois juntos todos os dias, Edward — ele declarou. — Eu vi vocês dois naquela noite, você com ciúmes quando eu estava com ela. E vi ela com ciúmes de você dançando com Leah naquela festa na casa do pai dela em Nashville. Vi você puto comigo quando Alice postou em meu Instagram aquela foto minha com Bella. Então, não, não tente mentir para mim que você não está apaixonado…. Quer saber? Eu estou errado, você estava apaixonado antes, já gostava dela mais do que uma foda quando ela estava na turnê com a Kate, foi irritante pra caralho te ouvir falar em Isabella sem parar quando ela não estava em Los Angeles, você fazia isso até na frente da Alison. Quando Bella voltou você caiu de amores de vez por ela, o que é muito mais forte do que uma paixão. Aceita isso de uma vez, cara!

Ele se virou para ir embora, mas parou de novo e disse:

— Sabe a festa que eu fui com ela? A que tiramos a foto e Alice postou? Bom, Bella também só sabia falar de você naquela maldita noite. Eu posso não a conhecer direito, mas eu aposto que ela gosta de você tanto quanto gosta dela, então fale com ela sobre isso de uma vez.

Ele foi embora depois disso me deixando só novamente.

***

Mais tarde naquele dia eu estava no meu camarim antes do show, quando minha mãe ligou. Engoli o chocolate que comia e atendi sua ligação:

— Oi, mãe!

— Filho, que bom falar com você, não imagina as saudades que estou sentindo de você.

— Eu também, mãe. Mas, logo vou pra Los Angeles. — Mesmo que não fosse passar muito tempo lá.

— Mal vejo a hora disso. Como estão as coisas por aí?

— Tudo bem. E por aí?

— Bom, além da sua irmã e eu, Madonna e Shrek estão com saudades suas — falou, fazendo com que eu risse. — Ah, eu posso ter me apegado a Amy, ela é tão boazinha, eu acho que devo adotar uma gatinha.

— Ou podemos roubar a da Isabella — sugeri, mamãe riu. — Tô falando sério, um sequestro sem chances de resgate.

— Edward! — Ela riu mais, eu ri também e me vi perguntando:

— Mãe, posso te fazer uma pergunta?

— Sempre, filho. O que foi?

— Quando você percebeu que estava apaixonada pelo meu pai? — Ela suspirou, mas respondeu:

— Eu te disse, a paixão foi nascendo aos poucos da amizade que tínhamos. — Isabella escolheu aquele exato momento para entrar no camarim, sorriu para mim e foi até a mesa com comidas pegar sushi para si. Eu não conseguia tirar os olhos dela, mas ouvia minha mãe com atenção. — Toda quarta nos reunindo para ver série, conversando sobre a vida, comendo besteiras, ou mesmo só ali, um ao lado do outro sem precisar dizer nada, porque só estar com ele já era muito bom.

Bella caminhou até o sofá ao meu lado e se sentou, começando a comer com uma mão, apoiando o prato em suas coxas, enquanto mexia em seu celular com a mão livre.

— Quando o beijei naquela noite, a que te contei quando ele disse que eu deveria ser advogada, eu percebi que estava apaixonada. Foi quando decidi que queria ser uma advogada em meu futuro, mas também queria que Carlisle estivesse nesse futuro ao meu lado.

— Ei, olha isso — Bella sussurrou sorrindo e me mostrou a tela do seu celular, era uma montagem minha, provavelmente obra de alguma fã, com um distintivo de policial no cenário de Brooklyn Nine-Nine. Eu sorri de volta para ela e apoiei minha testa na lateral da sua cabeça, ela continuou mexendo no celular e comendo, mas senti Bella passar um pé por entre os meus.

— Filho, você está apaixonado? — minha mãe perguntou. — É por Leah?

— Eu falo com você depois, mãe — respondi.

— Edward…

— Te amo, tchau! — Desliguei a chamada e joguei o celular sobre o sofá. — Minha mãe e eu vamos roubar sua gata — contei para Bella, ela riu e se virou para mim, então me beijou.

Porra, eu gostava tanto de beijar Isabella!

***

Um dia antes do meu último show, daquela primeira parte da turnê, já estávamos em Vancouver. E naquela noite, depois de eu ter malhado, Bella e eu estávamos tendo uma grande briga, o que pedir para comer, eu queria comida italiana, ela queria japonesa.

— Por que não pedimos os dois mesmo? — questionei.

— Porque eu não vejo motivo plausível para você comer comida italiana, que é só macarrão e molho, quando poderia estar comendo comida japonesa que é muito melhor! — ela exclamou cheia de si, circulando pela minha suíte tirando seus saltos e sua jaqueta, eu estava só esperando a discussão de comida acabar para ir tomar um banho.

— Você quer um motivo plausível? Eu prefiro italiana. — Dei de ombros.

— Seu paladar precisa ser refinado.

— Bella, você gosta de peixe cru e arroz gelado.

— Você também gosta! —rebateu.

— É, eu gosto, mas não quero hoje. Pede italiana para mim e japonesa para você.

Ela bufou.

— Se eu pedir italiana para você vou ficar com vontade — confessou. — Mas também quero muito sushi e não vou misturar. — Aquilo me fez rir alto.

— Ah, então isso tudo é só sobre você querendo roubar comida do meu prato? — indaguei, ela revirou os olhos, mas assentiu.

— Basicamente.

— Ok. — Me aproximei dela e coloquei uma mão atrás das minhas costas. — Vamos tirar na sorte quem escolhe a comida da noite, se der um número par você vence, ímpar eu venço.

— Beleza. — Ela topou.

Contamos até três e mostramos nossas mãos, eu coloquei quatro dedos, ela dois.

— Merda! — resmunguei quando perdi, Bella soltou um gritinho de comemoração. — Não aguento mais comer sushi — choraminguei.

— Ok, não chore, tenho uma proposta, Cullen — disse rindo.

— Que seria?

— Hambúrguer no lugar de comida japonesa.

— Sim, por favor! — implorei e beijei sua bochecha, ela me afastou.

— Eca, você tá todo suado, vai tomar banho logo.

— Você não reclamou disso ontem, Capitã — lembrei de quando fizemos sexo assim que voltei da malhação no dia anterior.

Ela apontou para o banheiro e estalou os dedos.

— Vai tomar banho, vou pedir a comida.

— Ok, milkshake de morango para mim.

— Pode deixar.

Eu fui para o banheiro, parando junto a pia para tirar minhas lentes, ainda estava fazendo isso quando ouvi uma canção country tocando. Rapidamente a reconheci, era a mesma que dancei com Leah e Jasper com Isabella na festa do Caipira Swan, eu tinha estado com ela em minha cabeça desde então, mas não procurei saber qual era.

— Isabella? — gritei do banheiro.

— Você já conseguiu se livrar de comida japonesa, eu não vou tirar minha playlist country!

— Não, eu quero saber qual o nome dessa música!

— Sério?

— Sim.

Ela surgiu na porta do banheiro, chocada.

— Por que você quer saber o nome de uma música country?

— Sei lá, eu acho que gostei — confessei. — Ela tocou na festa do seu pai em Nashville e fiquei com ela na cabeça.

— Eu não lembro dela tocando…

—Você bebeu muito aquele dia — a lembrei daquele fato. — O nome?

Head Over Boots — respondeu. — Do Jon Pardi.

— Valeu. — Terminei de tirar minhas lentes e perguntei: — Por que você não toma banho comigo?

—Ainda não pedi a comida e você chegou dizendo que estava morrendo de fome.

— Bella, vamos logo! — insisti estendendo uma mão para ela, que suspirou e uniu sua mão a minha, deixando com que eu a puxasse para mim.

— Suor — reclamou, mas logo estávamos nos beijando.

***

Quando finalmente deixamos o banheiro após foder debaixo do chuveiro, Bella pediu por nossa comida. Eu me vesti apenas em uma bermuda, ela roubou roupas minhas, uma camiseta e uma das minhas cuecas para não ter que usar as roupas que estava antes do banho.

Nós comemos assistindo Brooklyn Nine-Nine, quando a comida acabou — sobrando só algumas batatas fritas que nem eu, nem ela aguentávamos mais comer —, Bella ocupou parte da sua atenção jogando Candy Crush. A série ainda passava ao fundo, mas eu peguei o meu violão que estava sobre o sofá — nós estávamos sentados no chão — e fiquei tentando tocar a música country que pedi para ela me dizer o nome mais cedo.

— Eu devia gravar isso e mandar para meu pai — ela falou em um tom conspiratório, eu forcei uma risada, peguei uma batata e atirei nela, ficou presa em seus cabelos ainda molhados, Bella xingou e tirou a comida de lá rapidamente.

— Idiota. — Voltou a se concentrar no jogo, eu na música, logo ela estava reclamando. — Odeio essas fases com bombas!

— Pega meu celular, eu parei em uma fase fácil sem bombas mais cedo.

— Claro que parou. — Olhou para mim e sorria. — Você está atrás de mim no jogo.

— É, eu adoro estar atrás de você — provoquei, vendo-a corar. Ela logo pegou meu celular que estava sobre a mesinha de centro e começou a jogar nele.

Nós dois calamos a boca, só podíamos ouvir na suíte o som do meu violão e da série na TV. Aquilo me fez pensar no que minha mãe tinha dito quando falei com ela dias atrás, sobre como ela e meu pai passavam suas noites de quarta enquanto estavam se apaixonando, quando eram só amigos.

Olhei para Bella, ela mordia seu lábio inferior enquanto jogava. Eu respirei fundo, pensando em como nós dois éramos amigos, como um ajudava o outro em tudo, como quando não estávamos fodendo estávamos vendo TV, comendo porcaria, ou só um ali do lado do outro. Exatamente como meus pais um dia estiveram.

Porra, por que ela? Eu podia ter me apaixonado por qualquer outra mulher no mundo! Eu não poderia ficar com Isabella, ela com certeza não sentia nada daquilo por mim também, nunca diria as três palavras para ela, não podia. Eu sequer conseguia pensar muito nelas sem surtar, sem temer um apocalipse em minha vida só por admitir para mim mesmo.

You’re the one I want, you’re the one I need. Baby, if i was a king, ah, you would be my queen* — cantei um trecho da canção que eu tocava, olhando diretamente para Bella, ela sorriu e ainda olhando para o celular disse:

— Oito de junho de 2018, um dia marco que vai entrar para a história, o dia que Edward Cullen cantou e tocou country por vontade própria.

E o dia que admiti que a amava, que eu a queria em meu futuro ao meu lado. Mas, não, eu não diria aquilo para Isabella, nunca. Não queria foder tudo e perder minha amiga, eu podia parar de foder com ela um dia, mas preservaria nossa amizade.

***

O show em Vancouver foi maravilhoso, serviu como uma ótima distração para eu tirar minha mente sobre o fato de que eu estava apaixonado justamente por minha empresária. Não tinha ninguém mais azarado no mundo do que eu, que fui acabar amando justamente a mulher que não devia.

Quer dizer, o que eu poderia esperar ao me confessar para ela? No mínimo Bella acharia graça da minha cara e me mandaria parar de ser babaca, e o pior cenário para isso, ela surtando comigo e se afastando de mim de todas as formas existentes. E eu não podia pagar para ver qual seria sua reação, além do mais e se ela retribuísse o sentimento, o que faríamos?

Eu tinha uma namorada, falsa, mas uma namorada. Não poderia acabar com Leah para ficar com Isabella, não quando eu tinha certeza de que ela não seria nada aceita pelo público como minha namorada e isso seria um caos ainda maior para nós dois. E mesmo que nós dois fizéssemos isso e ficássemos publicamente juntos, quem garantiria que daria certo virarmos um casal?

Apostaria tudo em um relacionamento entre a gente sabendo do meu histórico? Sabendo do dela? Nós éramos péssimos nessa coisa de namoros.

Não, sem chance. Eu não queria mesmo perder Isabella como minha amiga, como minha empresária, nunca confessaria.

Eu torcia para os sentimentos dentro de mim desaparecerem com a pausa da turnê, torcia para serem só eu mais uma vez usando uma garota de apoio emocional. Era isso, tinha de ser isso, não podia estar amando Bella de verdade, era só minha fodida mente sendo filha da puta comigo de novo.

Quando a pausa da turnê chegasse, quando eu fosse viajar com Leah, Bella estaria longe. Seria minha mais nova desintoxicação, sem estar com ela todos os dias eu iria perceber que todos aqueles sentimentos eram falsos, que eu só tinha os colocado em minha cabeça por culpa de Vladmir, Rosalie e Jasper, até mesmo por culpa da minha mãe.

— Você me ouviu?

Olhei para trás, eu estava no meu quarto de hotel, após voltarmos do show, com Isabella. Coloquei meu celular na mesinha ao lado da cama, me virando para ela que estava tirando seus saltos.

— Não — sussurrei. Por sorte me ocupei o dia inteiro com malhação, yoga, ensaio e entrevista, ou teria sido tão difícil quanto na noite anterior não falar demais para ela.

— Perguntei se você quer comer algo.

— Não, não quero. — Andei até Isabella e a beijei, com calma, aproveitando seus lábios contra os meus.

Talvez eu devesse ser mais forte ainda e não transar mais com ela depois que voltassemos para os Estados Unidos. Manteríamos só a amizade e o lance profissional, isso deixaria minha cabeça mais clara, já se preparando para a viagem com Leah, longe daqueles sentimentos que eu implorava que fossem realmente falsos.

Porém, naquela noite em Vancouver, a última antes de irmos para Los Angeles na manhã seguinte, eu iria tê-la em minha cama novamente. Uma última vez para eu ter seus beijos, seus toques.

— Não quer ir tomar banho? — perguntou quando tirei meus lábios dos seus, passando a beijar seu pescoço.

— Não, eu só quero você — respondi em sua pele.

O cheiro da sua pele, eu amava aquele cheiro. O cheiro dos seus cabelos, eu amava aquele cheiro. A forma como ela segurava em meus cabelos, eu amava aquilo. O som dos seus gemidos, eu amava aquilo também.

Tirei minha jaqueta e a de Isabella, meus sapatos já tinham saído quando entrei na suíte. Eu a deitei na cama, ficando sobre ela, voltei a beijar seus lábios.

Segurei em sua coxa direita, a puxando para cima, fazendo com que eu pudesse me abrigar entre suas pernas. Naquela noite Bella usava um vestido curto na cor vinho, eu mal via a hora de tirá-lo dela, mas também queria fazer aquela noite durar para sempre, pois sabia que na manhã seguinte eu faria tudo mudar.

— Edward — ela gemeu meu nome quando mordisquei seu ombro nu, sua mão direita agarrada aos meus cabelos, a esquerda ao lençol da cama.

Subi minha boca para sua orelha, eu quis tanto naquele instante sussurrar o que estava preso em minha garganta. Só três palavras, mas elas arruinariam tudo.

Então, meu celular tocou, fazendo com que eu erguesse meu corpo um pouco.

— Não, não atende — Bella protestou quando me viu estender uma mão até a mesinha.

— Vou desligar. — Eu nunca perderia um segundo daquela noite batendo papo com ninguém no celular, não quando deveria aproveitar cada instante com Bella. Era isso que eu estava pensando, até não reconhecer o número me ligando, só o código que era da Inglaterra.

Meu pai estava na Inglaterra e se fosse ele? E se fosse algo importante? Merda!

— Desculpa, preciso atender. — Com o celular em mão sai de cima de Bella, ocupando o lugar vago ao lado dela na cama.

— Como? — ela gritou irritada. — Quem é?

— Acho que é meu pai. — Atendi a ligação. — Alô.

— Ed. — Era uma voz feminina que reconheci rapidamente, Alison. — Oi.

— Alison? — perguntei sem acreditar que ela estava me ligando, fazia muito tempo desde que nos falamos a última vez.

Isabella me encarou ao ouvir o nome e sentou na cama, não parecia contente em ter sua foda atrapalhada. Eu também não estava, mas naquele momento fiquei curioso sobre Alison me ligando, do nada.

— É, desculpa te ligar, você tá em Vancouver e deve ser tarde aí agora, né?

— Sim, como sabe que estou em Vancouver? — Ela riu, Bella saiu da cama e do quarto, batendo a porta com força, mas a ouvi mexendo no som da sala da suíte e soube que ela não estava indo embora.

— Você se esqueceu quem é e que todos seus passos estão na internet? — perguntou.

— Claro, não esqueci disso — falei. — Por que você está me ligando, Alison?

Ela respirou fundo e disse:

— Eu sinto sua falta.

— Puta merda! — xinguei em voz alta, surpreso demais com aquilo para não me expressar sobre, ela riu baixinho.

— Eu não devia, sentir sua falta, sei disso. Você me traiu, eu sai dessa além de corna, como culpada. Mas, droga, sinto sua falta mesmo, Ed. Sei que você não estava apaixonado por mim, nunca pensei que estivesse, mas eu gostava de você e ainda gosto. Ontem eu estava andando por Londres, lembrando de quando estávamos aqui e não consigo parar de pensar em você desde então. E agora eu tenho um Instagram, privado, então você não sabe disso, para eu poder me comunicar melhor com a minha irmã em Los Angeles e vi suas fotos do show daí de Vancouver e um vídeo de você tocando aquela música, Estrelas, que eu adorei desde a primeira vez que ouvi.

Ficamos em silêncio, eu não fazia ideia do que falar, até que ela voltou a perguntar:

— Você gosta mesmo dessa sua nova namorada?

— Sim — menti.

— Está apaixonado por ela? — insistiu. Olhei para a porta que me separava de Isabella, respondi a pergunta de Alison pensando nela.

— Eu a amo. — Respirei fundo. — Sinto muito, Alison. Por ter traído você, por ter feito a perder tempo em um relacionamento…

— Um relacionamento em que você não gostava pra valer de mim?

— É.

—Tudo bem — ela sussurrou. — Desculpa ter te ligado, eu só estou sendo boba.

— Não, tudo bem, não estou bravo com a ligação, sequer tenho direito de ficar bravo com você por qualquer coisa.

— Certo, ok. Tchau, Ed!

— Tchau, Alison. — Eu desliguei a ligação, depois meu celular, o devolvi para a mesinha e sai da cama, indo atrás de Isabella.

Ela estava sentada no sofá, escutando mais uma vez sua playlist country, de braços e pernas cruzadas. Eu me sentei ao seu lado, ela continuou encarando a televisão desligada.

— Era a Alison.

— O que ela queria? — perguntou.

— Dizer que sentia minha falta.

— Você a dispensou, né? Não se esqueça da Leah. — Me encarou.

— Sim, eu a dispensei.

— Excelente! — exclamou e se colocou de pé. — Vou para meu quarto.

— Não. — Segurei em sua mão, me levantando e ficando de frente para ela. — Não vai, por favor — pedi.

Seria nossa última noite, eu não queria perder aquilo.

— O meu celular está desligado, não vou deixar ninguém mais atrapalhar a gente — prometi, Bella suspirou e assentiu, ainda com sua mão na minha ela me puxou de volta para o quarto.

Logo estávamos na cama novamente, na mesma posição de antes de sermos atrapalhados por meu celular tocando. Eu mal conseguia parar para respirar, ocupado demais beijando Isabella, querendo ter o máximo que pudesse dos seus beijos.

— Edward, eu preciso que você me foda — Isabella implorou interrompendo um dos nossos muitos beijos.

— Eu vou fazer isso, mas…

— É sério, agora — insistiu, tocando em meu pau por cima da calça, eu já estava duro por ela. — Preciso de você dentro de mim.

— Porra, putinha! — exclamei, irritado por ela querer apressar as coisas quando eu queria ir com calma, mas ao mesmo tempo queria tanto quanto Bella estar dentro dela de uma vez.

Eu me movi na cama, tirei a camisa que usava. Bella sentou e eu a fiz tirar seu vestido, ela não usava um sutiã, o que era muito bom, o que só me faria precisar a livrar de sua calcinha. Fiquei de pé na cama, sem desviar o olhar de Isabella, enquanto ficava completamente nu, então voltei a estar sobre ela e a beijar, deslizando uma mão por seu corpo até chegar a sua calcinha.

Coloquei minha mão por dentro do tecido, já podendo sentir Isabella molhada. Ela gemeu em meus lábios quando toquei em seu clitóris, eu não me aguentei, parando de beijar seus lábios para descer meus beijos por seu corpo.

Queixo, garganta, seios, barriga. E por fim, tirei sua calcinha preta rendada, podendo beijar sua boceta, o que fez Bella agarrar meus cabelos com força.

— Porra! — ela gritou. — Se-Senhor Cullen, eu preciso mesmo do seu pau me fodendo, nada contra sua língua, mas… Meu Deus, Edward! — ela gritou de novo quando eu chupei seu clitóris.

Retornei os beijos por seu corpo, boceta, barriga, seios, queixo, até estar beijando seus lábios outra vez. Ao mesmo tempo em que me acomodava entre suas pernas, meu pau roçando em sua entrada molhada.

— Você quer que eu te foda, putinha? — perguntei a olhando nos olhos.

— Sim, por favor, me fode, senhor Cullen — clamou por aquilo, cravando suas unhas em minhas costas.

Porra, nós éramos perfeitos até mesmo no sexo. Como eu podia não a amar?

— Bella… — Interrompi a mim mesmo de falar que a amava a beijando, no mesmo instante a penetrando.

Suas unhas apertaram minhas costas mais uma vez, eu mordi seu lábio no meio do beijo. Nós fodemos calados, embalados somente por nossos gemidos. Quando eu não estava a beijando nos lábios, estava beijando seu pescoço, enquanto Bella percorria suas mãos por minhas costas, braços, ombros e cabelos. Seus pés pressionavam minha bunda, eu tinha uma mão em seu clitóris.

Senti que ela gozaria primeiro, o que me fez parar de beijá-la apenas para a olhar. Ela tinha seus olhos fechados, a boca entreaberta, o rosto corado, os cabelos bagunçados. Era uma das visões mais bonitas para mim, mas naquela manhã quando acordei antes dela também achei a visão de Bella dormindo e sem maquiagem alguma uma das imagens mais belas que meus olhos já tinham visto.

Quando Bella gozou, dizendo meu nome, eu me senti perdido. Não sabia como iria fazer daquela a última noite com ela, não quando eu a queria em meu maldito futuro, compartilhando muitas outras noites comigo, e manhãs, e tardes.

Beijei sua testa, sentindo seu corpo ainda reagindo ao orgasmo. Meu coração a mil e meu pau duro também me diziam algo, eu era um homem fodido de amores e tesão por aquela mulher.

Eu gozei logo em seguida, Bella puxou meu rosto e fez com que a beijasse. Ela se agarrou a mim em um aperto firme, eu queria que aquilo significasse algo, que ela também gostava de mim, mas eu não queria brincar com a minha sorte.

Parei de beijá-la e sai de dentro dela, mas não de cima de Bella. Coloquei meu rosto entre seus cabelos, sentindo o cheiro de morango com mais facilidade ali. Ela continuava agarrada em mim e perguntou:

— Você está bem?

— Sim — menti. Eu estava bem, parcialmente, feliz em vários aspectos da minha vida, mas triste que não poderia ter Bella. Porra, eu precisava mesmo que fossem sentimentos falsos, tinham de ser.

— Você está pensando na Alison?

— O quê? — Eu a olhei, ela me olhava em dúvida. — Claro que não!

Puta merda, ela estava com ciúmes? Não, eu não podia alimentar falsas esperanças.

—Tá — disse baixinho. — Preciso ir ao banheiro.

Assenti e sai de cima dela, deixando Bella seguir até o banheiro do quarto. Fiquei na cama, de olhos fechados, pensando muito.

E se Renesmee, Rosalie e Jasper estivessem certos ao dizerem que Bella estava apaixonada? E se fosse por mim? Eu sabia que não daríamos certo de maneira alguma, mas eu iria esconder a verdade dela e ela de mim para sempre?

Eu a ouvi voltar para a cama um tempo depois. Não consegui me mexer, nem mesmo para tocá-la. Estava em uma luta interna comigo mesmo entre falar ou não o que sentia, os dois lados estavam empatados.

Bella começou a cantar Endorfina, o que só me fez pensar na nossa primeira vez, na minha sala de música em Los Angeles, depois de eu roubar um beijo dela. Fazia mais de um ano, parecia ter sido uma vida atrás, tanto já tinha acontecido desde então.

— Essa é sua música favorita do álbum? — perguntei, abrindo meus olhos e a olhando, ela tinha seus olhos fechados.

— Não quando existe Johnny Cash — respondeu, mantendo-se de olhos fechados.

— Tinha que ser — resmunguei.

Vi Bella dando um sorrisinho, mas a Capitã não disse nada.

— Me conte um segredo — pedi, fazendo com que ela olhasse para mim, confusa.

— Serve o fato de eu estar na cama com você? Porque isso é um segredo.

Bufei.

— Não, esse não serve. — Mexi em seus cabelos. — Quero um segredo que ninguém saiba, algo extremamente confidencial.

Ela riu.

— Pirralho, se é extremamente confidencial o intuito é não deixar ninguém saber.

— Vamos, Capitã, seja uma boa menina — pedi, levando minha mão de seus cabelos até sua barriga, sentindo Bella se arrepiar.

— Não há nada para contar, Edward.

— Há sim, fale. — Eu não sabia se estava esperando ela dizer que me amava também, mas queria ouvir algo.

Ela resmungou algo, me ignorando. Eu percorri meus dedos por seus seios e sua barriga, levando-os até sua boceta por fim, mas Bella bateu minha mão para longe de si, fazendo com que eu risse.

— Para de tentar me foder, Cullen.

— Como se você não viesse até mim regularmente para isso. — Me remexi na cama, sentando com as costas apoiadas na cabeceira, enquanto esperava Isabella e eu nos recuperarmos para mais sexo. Eu encarava a parede diante de mim, contendo a mim mesmo de alguma forma de dizer meu segredo para Bella.

— Ours — ela disse algum tempo depois. Me virei para a olhar, vendo a Capitã com suas mãos tapando seus olhos.

— O quê? — indaguei.

— Meu segredo, que ninguém mais sabe, minha música favorita é Ours da Taylor Swift.

— O quê? Você tá brincando! — gritei em choque, mas rindo em seguida.

— Não estou — murmurou, corando.

— Mas… Porra! — Gargalhei. — Você disse que era a música do seu pai, aquela que ele fez pra você quando nasceu. — Ela tinha deixado isso bem claro no dia que tomamos banho de banheira em Atlanta.

— É o que eu conto para todo mundo, porque de certa forma até Ours ser lançada a música do papai era mesmo minha favorita. Mas, quando Taylor Swift lançou Ours eu fiquei completamente viciada, sério, passei uma semana inteira ouvindo essa música sem parar. Eu nem enjoei, só parei de ouvir repetidamente para não enlouquecer. Ainda escuto ela todos os dias, quando não consigo escutar fico bem chateada.

Continuei rindo, Bella chutou minha perna, mas seus chutes naquele momento não eram nada.

— Sua música favorita é uma composição brega sobre amor, por Deus, Capitã! — debochei, mas, naquele momento me sentindo tão feliz em ouvir aquilo. Um segredo dela, algo que só eu devia saber.

So don't you worry your pretty little mind. People throw rocks at things that shine* — Bella começou a cantar, ainda cobrindo seus olhos. — And life makes love look hard. The stakes are high, the water's rough. But this love is ours.* — No último verso ela ergueu seus braços, rindo por fim.

Eu ri daquilo também, ao mesmo tempo que sentia meu coração bater forte. Me movi para cima de Isabella, logo a beijando e sendo retribuído.

Quando nossos lábios se separaram, eu segurei no rosto dela, que ainda estava corado de vergonha. Bella permanecia de olhos fechados, parecendo tão tranquila naquele momento, onde só existia nós dois.

Voltei a beijá-la, primeiro seus lábios, depois seu queixo, sua bochecha. Então, fui para seu pescoço.

Eu a amava. Cada pedacinho dela.

Amava seu vício em comida japonesa e Candy Crush. Amava sua voz e suas músicas. Amava como ela falava verdades duras na minha cara. Amava quando ela dormia em meus braços. Amava como ela brigava em um segundo com sua família, mas no outro os defendia com a mesma intensidade. Amava o fato dela ter me dado Madonna. Amava que ela sempre estava disposta a me ouvir. Amava sua escova de dentes em meu banheiro.

Ouvi Bella cantarolar a música, enquanto eu ria contra sua pele. Porra, ela ainda me mataria, de um jeito bom. E eu a queria em meu futuro, como minha garota, por isso teria de arriscar.

— Capitã, eu te amo.

Notas finais
* Você naquele vestido, meus pensamentos eu confesso. Beiram o obsceno. * Você é a única que eu quero, você é a única que eu preciso. Bebê, se eu fosse um rei, ah, você seria minha rainha. * Então não esquente a cabeça. As pessoas jogam pedras em coisas que brilham. * E a vida faz o amor parecer difícil. Os riscos são grandes, a água é agitada. Mas esse amor é nosso Vejo vocês em breve, beijos! Lola Royal. 20.02.19