Hollywood
85 Capítulo Oitenta e Quatro
Notas iniciais
Capítulo Oitenta e Quatro
Isabella Cullen
"Ed Cullen é flagrado passeando por Nashville, o cantor estava na companhia da esposa."
Parecia um sonho estar em Nashville com Edward, grávida e podendo andar com ele pelas ruas sem precisar temer que alguém nos visse juntos. Por muito tempo usei a cidade como um esconderijo, um refúgio, mas finalmente não precisava me esconder mais.
***
Edward voltou para a sala trazendo minha água e uma latinha de refrigerante para si, sentou ao meu lado e murmurou:
— Você está bem?
— Estou — respondi e bebi um pouco da água.
Os outros estavam debatendo sobre o que assistir na TV.
— Beleza, te amo. — Colocou sua lata de coca na minha mão livre. — Segura pra mim, vou ajudar a Carmen com a pipoca.
Ele falou rapidamente e logo estava fora da sala novamente, meu pai chamou por mim tentando me fazer votar com ele para assistirmos Django Livre, mas eu declinei, preferia alguma comédia. Quando meu marido retornou para a sala foi trazendo pipoca junto com Carmen, ela estava claramente nervosa com algo, eu vi em seus olhos cheios de temor.
— O que aconteceu? — confrontei Edward no instante que ele sentou perto de mim, minhas irmãs estavam tirando no par ou ímpar se iríamos assistir A Proposta ou Casa Comigo?
— Quê? — ele perguntou confuso e colocou pipoca doce na boca.
— Carmen, ela tá com uma cara estranha — falei olhando mais uma vez para ela, estava sentada no outro sofá encarando a televisão.
— Hum, sei lá — Edward disse de boca cheia. — Deve tá cansada, eu tô. Pipoca? — Estendeu o balde para mim.
— A Proposta! — Alice gritou em comemoração. — Você perdeu, Ness, lide com isso!
***
Minhas irmãs me arrastaram para uma caminhada noturna depois do filme, papai, Edward e Jasper ficaram jogando bilhar com Carmen. Esme já tinha ido dormir, depois de ligar para Rosalie e Emmett.
— Ele é incrível, não é? — Alice indagou interrompendo minha fala sobre querer que Holly tivesse um quarto pronto na fazenda também.
— Jasper? — Renesmee indagou afastando uma mecha de cabelo do seu rosto quando o vento passou pela gente com força, estava bem frio aquela noite, mas estávamos todas bem empacotadas.
— Sim. — Alice suspirou. — Ele é perfeito, eu nunca estive tão apaixonada.
— A gente sabe, você tá toda boba pelo Whitlock — eu falei e belisquei sua bochecha, aquilo fez ela rir e corar um pouco, não que sua cara já não estivesse vermelha pelo frio.
— Ele é de longe seu melhor namorado, Alice — Renesmee falou. — Quero dizer, eu adoro o Riley, mas vocês dois não combinavam, você era muito diferente dele. Parece essa daqui com o Ed. — Apontou para mim. — Com James não era assim tão certo.
— É, não era mesmo — concordei. — Caralho e pensar que eu comecei o ano noiva dele e tô terminando casada com o Edward.
— E grávida — minhas irmãs falaram juntas.
Eu sorri.
Renesmee esticou uma mão para mim e me ajudou a caminhar por um pedaço de terra que não parecia muito confiável, era agradável andar pela fazenda de noite, mas eu precisava estar atenta para não acabar me machucando. Nada poderia acontecer comigo, não se isso fosse colocar minha filha em risco.
— Nós brigamos ontem — Alice sussurrou. — Eu estava falando sobre Renée. — Ness apertou minha mão ao ouvir aquilo, não deixei ela desfazer nosso aperto seguro.
— Sobre o que exatamente?
— O lance do trabalho, ele acha que eu deveria parar de esperar qualquer coisa dela.
— Você deveria — Renesmee falou e parou de andar, aquilo me fez parar também, Alice caminhou mais um pouco, mas interrompeu seus passos e olhou pra gente. — E sabe disso, Alice.
Minha irmã respirou fundo e se aproximou, beijou a bochecha de Renesmee, depois meu rosto.
— Amo vocês duas, vamos esquecer esse assunto e continuar a caminhada, tá?
Renesmee estava visivelmente querendo continuar o assunto, mas acabou concordando e voltamos a andar.
— Falando em mãe — Ness começou.
— Íamos deixar esse assunto de lado, não? — resmunguei.
— Não ia falar sobre Renée, quero perguntar pra Alice sobre os pais do Jasper.
— Eles não tem muito contato — Alice respondeu dando de ombros. — Jasper saiu de casa com dezoito, logo estava trabalhando com o Ed e viajando o mundo, vindo morar nos Estados Unidos e tudo mais.
Sorri novamente ao imaginar aqueles dois quando mais novos desbravando o mundo juntos.
— Os pais dele nem moram mais em Londres, estão em alguma cidade do interior da Inglaterra, são donos de um pequeno restaurante ou cafeteria, algo assim.
— E eles sabem sobre Jasper ser bi, não? — Ness quis saber.
Alice riu.
— Não tinham como não saber, né? Jasper nunca fez questão de se esconder desde que saiu da casa deles, os pais logo ficaram sabendo, não é que eles adorem isso sobre o filho, mas por não terem muito contato eles nem tem tempo de discutir sobre.
Aquilo me fez pensar em Carlisle, então eu estava me questionando como minha família lidaria sobre eu ser bissexual. Respirei fundo, parei de andar e engoli em seco. Talvez fosse um péssimo momento para contar aquilo, interromper nossas férias de fim de ano para tratar de um assunto como aquele, mas eu sentia que tinha de falar logo, ou nunca mais teria coragem.
— O que foi, Bells? — Ness indagou quando parei de andar, o que fez com que ela parasse também.
— Tá sentindo algo? — Alice tocou na minha testa.
— Não, mas preciso contar algo para vocês duas — murmurei e tirei minha mão da de Nessie.
— Manda ver! — minha caçula exclamou.
— Diz logo, tô curiosa — Alice exigiu.
Respirei fundo mais uma vez e falei baixinho:
— Eu sou bissexual.
Alice gargalhou, me deixando muito nervosa. Renesmee revirou os olhos e bateu no braço da nossa irmã, depois falou para mim:
— Ignora essa idiota, Bells. Mas bom, a gente já suspeitava.
— Já? — indaguei surpresa.
Alice ainda rindo assentiu.
— Eu comecei a desconfiar na sua despedida de solteira — Ness falou. — Tanya não conseguiu ser tão discreta quanto imagina levando aquela stripper escondida pra festa. Eu comentei com a Alice, mas ela me mandou ficar quieta, disse que eu não devia tocar no assunto e te tirar do armário a força.
Puta merda!
— E quando você começou a desconfiar disso? — questionei Alice.
— Anos e anos atrás, você nem estava com o James ainda. Nós duas viajamos uma vez para Miami, fomos para uma festa na casa de alguém e você passou boa parte da noite sumindo ao mesmo tempo que uma modelo também desaparecia. Lembra dela? Era uma loira de olho castanho, tinha uma tatuagem de flores por todo braço esquerdo. Teve um momento que seu batom vermelho tava todo na cara dela.
— Ah, eu não lembro o nome dela ou dessa festa, mas sim, é algo que certamente deve ter acontecido — admiti.
— Pois é. — Alice riu mais. — Mas eu não quis te questionar sobre isso e quando a Ness falou sobre na sua despedida mandei ela calar a boca, sei que não é o tipo de coisa que se força a falar. Quer dizer, eu nem sabia se você realmente se entendia como bissexual.
— Foi algo que eu aceitei que era tem pouco tempo. — Suspirei. — Estava com medo de contar para vocês. — As duas reviraram os olhos.
— Não seja estúpida, sabe que nunca te julgaria por isso — Renesmee decretou.
— Eu também nunca te julgaria por algo assim. — Alice mexeu em meus cabelos. — Edward sabe?
— Sim.
— Ele não criou problemas sobre esse assunto, criou? — Ness questionou na defensiva.
— Não, ele…
— Ele também é bissexual — Alice me interrompeu e eu a encarei em choque.
— Alice!
— O quê? Eu sei sobre vocês dois transando com o Jasper, tudo que rolou naquela noite em Vegas já foi compartilhado comigo.
— Seu namorado é um fofoqueiro — acusei, eu não sabia que ele tinha conversado de fato sobre tudo daquela noite com minha irmã.
— Tecnicamente não é meu namorado, mas sim, ele é levemente um fofoqueiro. Porém, em defesa do Jasper, ele me contou a verdade daquela noite, a parte dele e Edward também fodendo, dias atrás quando ficamos juntos. Ele queria que eu soubesse que não tinha transado só com você mais de uma vez, mas com o Cullen naquele dia também.
— Espera, todo mundo pegou o Jasper? — Renesmee perguntou, Alice e eu assentimos.
— Mas nem pensa em tocar nesse assunto com o Ed, Ness — avisei. — É mais complicado para ele do que pra mim.
— Até parece que eu ia ficar fazendo fofoca, isso é com vocês.
— Okay, agora me diz, você já ficou com a Tanya também? — Alice perguntou exalando curiosidade.
— Prefiro não responder.
— Isso claramente é um sim, obrigada por sanar minha dúvida. — Resmunguei. — Qual é? Vocês duas claramente já transaram.
— Você é muito fofoqueira, Alice.
— Eu sou, não me julgue por isso, não posso controlar.
Aquilo me fez rir.
— Vai contar pro papai? — Renesmee voltou a segurar minha mão.
— Não sei, acha que devo contar?
— Bells, o papai não vai criar caso por isso. — Alice segurou no meu braço e retomamos a caminhada. — Ele vai aceitar sem problemas, mas você não é obrigada a contar nada pra ninguém. Fica tranquila, Ness e eu com certeza não vamos falar sobre com mais ninguém.
— Acho que seria bom contar pro papai. — Pensei sobre. — Já foi muito bom contar pra vocês duas, passei tanto tempo escondendo tanta coisa, é bom finalmente poder falar, sabe?
— Então, chegou a hora de contar o que rolou pra você assumir a culpa do Escândalo Swan.
A fala de Ness me freou, eu me soltei de ambas e neguei com um aceno de cabeça.
— Eu não posso falar sobre isso — sussurrei.
— Pode sim. — Renesmee segurou em meus braços gentilmente, Alice estava próxima mas hesitante. — O que te levou a assumir a culpa disso, Bells?
As lágrimas encheram meus olhos, antes de eu realmente começar a chorar minhas irmãs me abraçaram.
— Está tudo bem. — Alice segurou meu rosto e fez com que eu a olhasse. — Você pode confiar na gente.
— Vocês vão querer que eu faça algo… Não posso, ele…
— Bells, conta pra gente. Podemos criticar sua escolha do que fazer, do que fez, mas não vamos agir por suas costas. — Ness limpou meu rosto.
— Somos sua família, Isabella — Alice frisou. — Não esquece disso, a gente vive se desentendo, mas te amamos, estamos do seu lado.
Eu as apertei em um novo abraço e contei tudo.
***
Papai e Jasper eram os únicos jogando quando voltamos para casa, meu marido já tinha ido pro quarto e meu pai disse que Carmen estava com dor de cabeça e foi dormir.
— Vou jogar com vocês! — Alice se aproximou da mesa de sinuca, deu um beijo barulhento na bochecha de Jasper e começou a provocar dizendo que ele perderia.
— Vou dormir também, foi um longo dia. — Ness afagou meu braço e me abraçou. — Te amo — sussurrou antes de me soltar.
Eu sorri e mexi delicadamente em seus cabelos, estava grata e aliviada por ela e Alice terem me ouvido e não estarem discutindo comigo. Fosse pela minha orientação sexual, ou por eu não poder lutar contra a chantagem de Paul.
Fiquei poucos minutos assistindo ao jogo depois que Renesmee saiu da sala onde meu pai mantinha sua mesa de bilhar, me questionava se eu deveria contar para ele sobre eu ser bissexual ainda aquela noite. Com certeza não iria falar nada a respeito de Paul, diferente das minhas irmãs ele não iria ficar calado, iria querer fazer algo para tentar me defender, só que não tinha nada a ser feito.
— Eu sou melhor nisso do que você, Whitlock! — Alice gritou em comemoração depois de encaçapar uma bola.
— Não posso negar, você é muito boa com um taco, Alice — Jasper falou e meu pai emitiu um som de repulsa, eu não consegui rir da piada, continuava presa em toda a confusão na minha mente.
— Se controlem — Charlie exigiu, depois me questionou. — O que você tem? Por que está tensa?
Encolhi meus ombros que estavam de fato tencionados e coloquei um sorriso no rosto.
— Foi um dia longo, só estou pensando na discussão que tive na internet. — Não era uma mentira total, eu ainda estava preocupada com isso e com os números ruins da música e clipe de Edward. — E com certeza exausta, tá na minha hora de ir dormir.
Conversaria com papai em um dia melhor, me despedi dos três e os deixei jogando. Quando entrei em meu quarto na fazenda foi impossível não rir, Edward estava com uma máscara no rosto, comendo biscoitos recheados diretamente de um pote, lendo o livro que Santiago lhe deu para pais grávidos, com Madonna, Shrek e Amy na cama, Woody deveria estar causando em outro lugar da casa.
— Tá roubando minhas máscaras coreanas de novo, Cullen?
— Temos um acordo pré nupcial que me dá direito de usá-las — murmurou sem tirar os olhos do livro e de boca cheia, ele mal acabava um biscoito e já comia o próximo.
— Por que não continuou jogando? — perguntei e sentei na poltrona para tirar minhas roupas de frio e botas, era um alívio para meus pés os livrar delas.
— Alec ligou, queria conversar sobre Amber. Depois eu estava cansado e não queria mais estar entre seu pai e Jasper, ele é o genro favorito — disse com ciúmes na voz, eu mordi o lábio inferior para não rir. — Jasper você joga muito bem, Jasper vou te levar para assistir a um jogo de basquete, Jasper talvez você deva tocar no meu próximo álbum — falou numa imitação terrível de Charlie.
— Usa a carta Holly. — Edward me olhou por fim, vi a confusão em seu olhar. — Você é o genro que vai dar uma neta pro meu pai, use isso ao seu favor. Temos que ter um retorno com ela, de certa forma. — Pisquei para ele, Edward riu o que arruinou um pouco sua máscara, ele fechou o livro, mas não soltou o pote de biscoitos.
— Eu não quero ser o genro favorito. — Mais um biscoito.
— Quer sim, você tava cheio de ciúmes.
— Não era ciúmes, era desconforto por os dois estarem agindo como melhores amigos — falou de boca cheia e sequer tinha acabado aquele biscoito quando enfiou outro na boca.
— Edward, você precisa me contar algo?
— Sobre ciúmes? Claro que não…
— Sobre você estar comendo tudo isso de biscoitos — esclareci apontando para o pote sobre a cama. — Você comeu bastante pipoca mais cedo, jantou antes disso e agora está comendo mais. Parece um sinal de estresse, me diz o que foi, amor. É sobre meu surto de mais cedo?
— Também — confessou. — Mas não é só isso — acrescentou antes que eu me desculpasse. — Tô desde ontem morrendo de vontade de beber.
— Sério?
— É, eu estava com insônia, lendo comentários idiotas na internet. Jasper apareceu com uma cerveja, só o cheiro já mexeu comigo. Claramente queria beber naquela hora para escapar daquele estresse, eu ainda estava com vontade quando acordei e tudo que rolou hoje só ressaltou isso. Então, sim, tô comendo por pura ansiedade.
Eu me senti terrível por aquilo, minha própria crise de ansiedade mexendo com a dele.
— Espera aqui, tá? — pediu, largou o pote na mesinha, deixou a cama e foi para o banheiro, quando voltou estava sem a máscara e de óculos.
Edward segurou minha mão e me fez andar até a cama, nos esprememos entre todos os animais ali para sentar.
— Você ainda tem vontade de beber, né? — perguntou baixinho, os olhos marejados.
— Sim, eu com certeza tenho.
— Certo, pensei que era só eu sendo um idiota de merda que não consegue lidar com os vícios malditos.
— Pirralho. — Toquei no seu rosto. — Nós sempre teremos que lidar com isso.
Ele fechou os olhos.
— Eu sei, mas tenho medo de fracassar.
— Edward, eu também tenho. — Continuei tocando no seu rosto. — Você sabe disso, não ache que é o único no mundo que tem desejos por recaídas.
— Mas… Não posso, Bella. — Abriu seus olhos, mas por poucos segundos. — Não posso deixar isso tomar conta de mim de novo, não quero colocar você e Holly no meio disso. Eu fiz tanta merda, quando estava bêbado, drogado… Bati em pessoas, provoquei acidentes, traí a maior parte das minhas namoradas, fui um escroto do caralho com minha família.
— Ei. — Coloquei seu rosto entre minhas mãos. — Você sabe que não foi o único sendo um filho da puta por bebida e drogas, mas está se cuidando agora para não repetir esses comportamentos — o lembrei disso.
— Eu não quero machucar ela — sussurrou, falando a respeito de Holly. — Fiquei aqui lendo esse livro… Ela vai ser tão frágil, é tão frágil agora. A ideia de acabar bêbado, drogado, ou preso de novo com você grávida, ou quando Holly já estiver aqui. Arg, que ódio — resmungou e balançou a cabeça em negação. — Tudo na minha cabeça é a imagem de uma garotinha de olhos castanhos como os seus, só que decepcionados.
Edward começou a chorar, não falei nada, continuei segurando seu rosto e o deixei colocar aquilo para fora. Ele estava cheio de açúcar, ansioso e querendo beber, precisava extravasar de alguma forma.
— Você será uma mãe melhor do que eu serei um pai — disse constrangido.
— Edward…
— Sabe que sim, se você não tivesse dado o primeiro passo em relação a ficar com Holly talvez nem estivéssemos aqui.
— Olha pra mim — pedi, ele relutou, mas fez isso. — Você não será um pai ruim, Edward. Nem pior do que eu. Está arrependido de algo sobre Holly?
— Claro que não, eu amo vocês duas.
— E está assustado, isso é normal, você vive me amparando quando fico assustada pelo mesmo motivo.
— Se eu fracassar não deixa ela me ver assim — implorou. — Me joga numa reabilitação, não me deixa destruir a vida dela. Promete. — Puxou minhas mãos e as manteve entre as suas. — Por favor, promete.
— Somos uma família, se algo acontecer eu cuidarei dela, irei amenizar a história se possível, mas Holly vai saber que deve te apoiar. Você é o pai dela, você a ama, ela estará lá por você.
A cabeça dele tombou para frente, seu choro doía em mim.
— Não tô conseguindo respirar direito — murmurou preocupado.
Eu toquei em seu peito, o coração dele batia muito rápido.
— Tá enjoado?
— Muito.
— Vem. — Saí da cama o puxando comigo, arrastei Edward até o banheiro e fiz com que ele entrasse na banheira vazia.
Entrei junto dele, sentando na sua frente. Eu estava proibida de tomar banhos muito quentes de banheira, mas ali não precisávamos da água.
— O que estamos fazendo aqui? — indagou ainda chorando e ofegante.
Peguei suas mãos suadas e murmurei:
— Estamos criando um lugar de acolhimento para você, está inteiramente protegido aqui. Só vamos sair quando se sentir seguro para enfrentar as coisas lá fora, tá ok?
Ele assentiu e me puxou para seu peito, era um lugar de proteção para mim também.
***
Acordei antes de Edward no dia seguinte, ele tinha ido dormir bastante tempo após começar a se sentir mal, mas dormiu direto quando foi para a cama. Afaguei seus cabelos e beijei sua testa, ele ainda estava em um sono profundo.
Fui para o banheiro, tomei um banho, vesti roupas quentes e caminhei para fora do quarto. Segui até a cozinha, algumas funcionárias da casa já estavam lá trabalhando, tinham voltado ao trabalho no dia anterior.
Dei bom dia, mas não mantive uma conversa com ninguém. Cuidei de alimentar Madonna e os outros, depois peguei geleia de morango, torradas e fui comer sentada à mesa da cozinha.
— Bom dia, Bells! — Renesmee surgiu ali, usava roupas de corrida e estava com a cara vermelha, indicando que estava se exercitando antes.
Isso me fazia pensar que eu devia seguir as orientações da minha médica e começar a me exercitar também, mas só de pensar nisso ficava com preguiça.
— Corri por toda a fazenda, tô morta! — Sentou diante de mim, pegando uma torrada para comer.
— O que vai fazer pelo resto do dia? — quis saber.
— Minha empresária me mandou roteiros de uns filmes, vou passar o dia lendo. E você?
— Não sei, sem planos por enquanto. Edward não estava se sentindo muito bem ontem — sussurrei. — Talvez a gente só fique em casa sem fazer nada mesmo.
— O que aconteceu? — perguntou preocupada.
Suspirei.
— Ele estava com muita vontade de beber — falei baixo para só ela escutar.
— E você? — Franziu o cenho.
— Tô bem, na medida do possível. — Sorri para ela. — Se quiser posso te ajudar a ler os roteiros.
Os olhos de Ness brilharam.
— Seria ótimo, quem sabe isso até não te faz querer atuar novamente.
— Hum, não mesmo. — Comi mais uma torrada.
Minha irmã revirou os olhos mas não disse nada, continuamos comendo as torradas em silêncio, apenas com os sons das empregadas trabalhando até Carmen aparecer na cozinha. Diferente de como geralmente agia a esposa do meu pai entrou em silêncio, estava preocupada com algo, assim como na noite anterior.
— Bom dia! — Renesmee saudou Carmen quando a mexicana sentou ao seu lado, com um copo de suco em mãos e uma maçã. — Tudo bem? — perguntou.
— Tudo — Carmen respondeu. — Apenas com um pouco de dor de cabeça.
— Aconteceu alguma coisa, Carmen? — questionei e seus olhos aflitos se encontraram com os meus.
— Não aconteceu nada.
Era uma mentira.
— Carmen, sou sua empresária, se alguma coisa aconteceu é melhor que eu fique sabendo logo para tentar conter os danos.
Ela respirou fundo, colocou o suco e a maçã sobre a mesa e disse olhando de canto de olho para as empregadas:
— Podemos ir conversar em um lugar mais reservado?
— Podemos — concordei, enfiei mais uma torrada na boca e saí da cadeira, Carmen também ficou de pé.
Renesmee nos olhou em expectativa.
— Posso ir junto?
— Claro — Carmen concordou, minha irmã sorriu aliviada e nós três seguimos até uma sala próxima a cozinha. — Eu acho que estou grávida.
As palavras de Carmen foram proferidas rapidamente quando entramos ali, me pegando de surpresa.
— Ai meu Deus! — minha irmã gritou e logo estava saltitando, claramente muito feliz.
— Não, não comemora — Carmen implorou com ansiedade na voz. — Eu não sei se realmente estou, além do mais posso estar e perdeu como aconteceu da última vez. — Ela começou a chorar, aquilo freou a comemoração de Ness.
— Carmen, vai ficar tudo bem — minha irmã andou para perto dela e a abraçou. — Que tal fazer um teste logo? Assim pode tirar a dúvida.
— N-Não que-quero — gaguejou. — Se for a resposta que não quero isso vai estragar o resto do nosso tempo aqui.
— Carmen, claro que não. — Renesmee afagou seus cabelos gentilmente.
— Carmen? — chamei por ela, a mulher se virou para me olhar, o rosto tomado por lágrimas. — Se você não estiver grávida pode continuar tentando. — Ela soluçou. — Meu pai te ama, vocês querem tanto um filho, vai acontecer alguma hora.
— Nem que seja por adoção — Renesmee completou, Carmen a olhou em pânico. — É uma alternativa, não é a única, mas é uma.
Carmen negou.
— Não, eu não quero adoção, barriga de aluguel ou qualquer coisa assim.
— Um passo de cada vez — me manifestei. — Primeiro o teste, posso pedir um na farmácia…
— Eu já tenho um — Carmen proclamou. — Comprei assim que voltamos a tentar… Mas não quero fazer nada agora.
— Está atrasada há quanto tempo? — Renesmee perguntou.
— Mais de uma semana.
— Carmen, faça o teste — insisti.
— Não, não agora. — Repetiu e respirou fundo controlando suas lágrimas. — Vou dar uma volta pela fazenda, não contem nada para o pai de vocês — exigiu e saiu.
Coloquei uma mão sobre minha barriga na hora.
— Espero que ela esteja — minha irmã murmurou.
Minha cabeça e meu coração estavam tomados por um misto de sentimentos. Raiva, porque não queria meu pai tendo mais filhos. Felicidade, porque aquilo era o que ele e Carmen queriam. Inveja, porque se ela estivesse nós teríamos boa parte dos próximos meses grávidas ao mesmo tempo e não queria dividir minha vez. E temor, morria de medo de ela não estar grávida e aquilo a machucar mais.
Esse era o sentimento predominante, percebi quando Renesmee olhou para mim e imaginei meu pai e Carmen tendo uma filha, ou um filho. Eu queria que eles fossem felizes com seu bebê, aquele que seria parte da minha família.
***
Minha irmã e eu estávamos lendo seus roteiros na sala onde a árvore de Natal estava montada. Decidimos distrair nossas cabeças, não poderíamos forçar Carmen a fazer o que não queria.
— Esse é realmente bom, espero passar nesse teste — falou quando acabamos de ler a cena principal de um deles, seria um filme ambientado nos anos cinquenta.
— Ei, o que estão aprontando? — Jasper perguntou entrando na sala, carregava uma xícara de café em mãos.
— Lendo roteiros, cadê minha irmã? — questionei.
— Ainda dormindo. — Ele se sentou no sofá. — Edward tava procurando você, Bella.
— Ele já acordou? — Soltei o roteiro. — Vou ver ele, continuamos depois — falei para Ness, ela concordou.
Encontrei Edward pelos corredores, ele estava brincando com Amy.
— Oi, linda. — Sorriu para mim e se ergueu do chão, nossa gata se entrelaçando entre suas pernas.
— Oi, amor. — O beijei no rosto.
— Que tal sairmos?
— Sério? — perguntei hesitante, observei sua expressão, ele parecia descansado.
— Estou bem — respondeu minha pergunta muda. — Pensei na gente ir dar uma volta pela cidade, acho que vai fazer bem pra mim ver mais gente. — Segurou em meu rosto com ambas as mãos. — A roça tá me enlouquecendo — provocou, eu bufei. — É sério, vamos dar uma volta, ir em algumas lojas e gastar centenas de dólares.
— E almoçar em algum lugar maneiro?
— E almoçar em algum lugar maneiro. — Me beijou para selar o acordo.
***
Nós tínhamos dois paparazzis nos seguindo, mas era fácil os ignorar. As coisas estavam tão tranquilas que só estávamos circulando com dois seguranças e eles nem estavam tão perto como costumava ser, quando me distraía esquecia deles e dos paparazzis.
— Loja de discos ou antiquário? — Edward indagou enquanto andávamos por uma rua no centro turístico da cidade, já tínhamos almoçado e circulado por outras lojas, mas até aquele momento nada tinha sido comprado.
— Precisa mesmo perguntar? — Ajustei os óculos de Sol que eu usava no meu rosto, estava frio, mas não muito e era uma tarde ensolarada.
— Loja de discos. — Meu marido abriu um grande sorriso para mim e me guiou até a loja de fachada amarela.
Eu sorri de volta, sentindo sua mão contra a minha, observando nossas passadas ritmadas e a forma como seu sorriso parecia tão relaxado. E todas as outras pessoas na rua também podiam ver tudo aquilo, isso porque não precisávamos mais nós esconder.
— Ei — murmurei quando entramos na loja. Edward, mais alto que eu, abaixou seu olhar. — Amo você.
— Te amo, Capitã. — Afagou meu rosto com a sua mão livre, tocando em meus lábios antes de me beijar. — Amo você também, Holly — sussurrou e me abraçou, eu sorri contra seu peito.
Era tão bom ser amada, era tão bom saber que ele amava nossa filha tanto quanto eu.
***
Jasper sentou ao meu lado, eu automaticamente me aproximei mais dele e coloquei minha cabeça apoiada em seu ombro. O músico passou um braço ao redor do meu corpo, então disse:
— Você tá mesmo me tornando um travesseiro, né?
— Você é um bom travesseiro — murmurei sem tirar meus olhos do celular em minha mão, estava checando o que estavam falando na internet sobre Ed e eu na cidade mais cedo.
"Ed Cullen é flagrado passeando por Nashville, o cantor estava na companhia da esposa."
— Credo, eu tô tão gorda — me queixei analisando as fotos que estampavam a publicação da página de fofocas.
— Me poupa, Cullen — ele resmungou. — Como seu marido passou o dia? — perguntou, eu podia ouvir meu pai e Edward discutindo do outro lado da sala, estavam jogando bilhar com Alice e Renesmee.
Esme estava na outra sala em ligação com Rosalie, Carmen em seu quarto alegando uma nova dor de cabeça. Ela ainda não tinha feito o teste, continuava se recusando, Renesmee e eu estávamos surtando com aquela duvida e por estarmos guardando aquele segredo de papai.
— Ele se divertiu, ontem de noite estava bem mal, mas hoje foi melhor.
— Ele tava mesmo mal. — Jasper mexeu em meus cabelos, aquilo me deixou sonolenta e bloqueei a tela do celular. — E como você está, cunhadinha?
Eu ri baixo ao ouvir o jeito que ele me chamou.
— Cansada, ainda puta por Garota não estar indo bem, é uma boa música, Edward não merecia ver ela com números tão baixos.
— Essas coisas acontecem, hora de continuar o jogo, Bella. — Continuou a mexer em meus cabelos, fechei os olhos e aproveitei seu carinho, ainda não estava tarde, mas eu ficava a cada segundo com mais sono.
Quando reabri os olhos, depois de Renesmee soltar um grito contra papai ganhando a partida, vi Edward olhando para Jasper e eu. Ele estava sério, seus olhos alternando entre seu melhor amigo — que também tinha fechado os olhos — e eu.
Então, meu marido sorriu e piscou em cumplicidade, levando de mim qualquer preocupação que ele pudesse estar chateado ou irritado com a proximidade que eu estava de Jasper. Edward caminhou até a gente após se livrar de seu taco, enquanto fazia isso o Whitlock abriu seus olhos, ele sentou do outro lado do guitarrista.
Os dois se olharam por um tempo, em silêncio, até Jasper rir e revirar os olhos. Edward riu também e bagunçou os cabelos do amigo, que resmungou.
— Para com isso, Cullen — ordenou. — Não é porque seu cabelo é uma bagunça que o meu também tem que ser.
— Foi mal — Edward pediu ainda com diversão na voz graças sua última risada.
Ele tocou o ombro de Jasper, antes de tirar a mão por completo dele e sussurrar para mim uma pergunta:
— Já quer ir pro quarto dormir, Capitã?
— Não, tô bem aqui. — Me aconcheguei mais contra o corpo de Jasper, que voltou a mexer em meus cabelos.
— Beleza, vou voltar a jogar. — Ele se levantou do sofá.
— Uhum, estaremos torcendo por você — Jasper disse, também sonolento.
Eu dormi sob seu braço, tranquila que ele, Edward e eu estávamos bem.
***
Despertei com Jasper se remexendo, ele pediu desculpas mas disse que precisava ir ao banheiro, logo seu corpo foi substituído pelo de Edward. Eu me movi no sofá até estar com a cabeça em sua coxa, ele colocou uma almofada para ficar mais confortável.
— Ainda não quer ir para o quarto, linda?
— Não — murmurei, podia ouvir os outros, continuavam a jogar.
Edward afagou meus cabelos, enquanto cantava baixinho Garota. Aquilo me fez sorrir, mesmo com o mundo não gostando tanto assim da canção eu a amava.
— Edward, podemos conversar? — Era Esme, aquilo me fez acordar de vez, cocei meus olhos e a vi perto da gente. — Desculpa, querida, não queria te acordar.
— Tudo bem. — Com cuidado sentei no sofá, Edward apoiou uma mão em minha coxa e sua cabeça veio para meu ombro.
— Que foi, mãe?
— Você ficaria chateado se eu não estivesse aqui no ano novo? E você, Bella? Aro acabou de me ligar, ele foi convidado para uma festa de virada do ano em New York e queria muito que eu fosse com ele — minha sogra disse ansiosa, apertava o celular em suas mãos.
Edward riu suavemente.
— Mãe, você pode ir passar o ano novo com seu namorado
— Ele não é… — Ela respirou fundo e sorriu largamente. — É, acho que estamos namorando.
Eu tive de rir junto com Edward daquilo.
— E você, não me quer aqui? — perguntou para mim.
— Querer eu quero, mas você claramente quer passar o dia com Aro, pode ir sem preocupação. Mas ano que vem faço questão de todo mundo reunido por Holly.
Eu obviamente faria todos estarem perto nas primeiras festas de fim de ano dela, já conseguia imaginar uma garotinha de olhos verdes e sardas no nariz vestida a caráter para o Natal e no Ano Novo cercada por todos enquanto o ano virava.
— Eu não perderia isso por nada. — Esme se inclinou para beijar meu rosto e afagou rapidamente minha barriga. — Vou acertar tudo para viajar amanhã, volto para Los Angeles e de lá vou com Aro para New York no dia trinta.
— Te deixo no aeroporto amanhã — Edward garantiu. — Não se esquece de levar camisinha.
Ele ganhou um olhar feio da mãe, que saiu da sala pisando firme.
— Ela tá feliz, né?
— Com certeza — respondi e beijei seus cabelos.
Olhei para o outro lado da sala, Alice estava nos braços de Jasper que já tinha retornado e ganhou um beijo na testa dele. Meu pai e Ness ainda jogavam, ele riu quando ela perdeu uma bola e minha irmã choramingou.
Era bom ter todos reunidos, mas faltava alguém ali.
— Vou ver a Carmen. — Me soltei de Edward e vi temor cruzar seu rosto. — Você sabe.
Ali tudo fez sentido, porque no dia anterior quando ela estava nervosa com algo meu marido estava mudando de assunto, se esquivando dos meus questionamentos.
— Quê? — Forçou um sorriso, mas seu olhar ainda era preocupado.
— Sabe que Carmen suspeita estar grávida — sussurrei e isso pareceu tirar um peso de toneladas de cima dele.
— Você deduziu isso sozinha? Amo como você é esperta, Carmen me contou ontem sobre achar estar grávida, mas me fez jurar que não contaria para quem quer que fosse. Eu não aguentava mais não falar sobre com ninguém, é um segredo muito grande e de novo eu não podia te contar. Quando fiquei sabendo da outra gestação dela…
Tapei a boca dele, antes que sua voz ficasse mais alta e meu pai ouvisse.
— Não deduzi sozinha, só percebi que ela estava escondendo alguma coisa e a fiz falar. Renesmee também sabe, mas meu pai não.
— E ela ainda não fez o teste?
— Não, tá com medo de fazer. Você sabe, a outra gravidez dela não acabou bem.
Ele assentiu.
— É, mas ela deveria fazer logo para tirar essa dúvida de si.
— Eu sei, concordo com você, estava indo até lá tentar a convencer. Fica aqui e não diz nada pra ninguém.
— Tudo bem, sou ótimo em guardar segredos.
Aquilo me fez gargalhar.
— Do que tá rindo? As duas vezes fiquei sabendo do segredo da Carmen e não disse nada.
— É, até que você se saiu bem. — Beijei sua sobrancelha esquerda. — Se comporta.
— Sempre, linda.
Quando parei diante da porta do quarto do meu pai… Bom, quarto dele e de Carmen, bati uma vez e chamei por ela, mas não obtive resposta.
— Carmen? — tornei a chamar por ela, eu ouvi apenas choro alto.
Testei a maçaneta e vi que a porta estava aberta, não me contive, abri e entrei. Carmen estava sentada na cama, segurando um teste em mãos.
Eu sabia a resposta, não precisava perguntar. Andei até ela e sentei na sua frente, ela encarava o teste e continuava a chorar.
Olhei para o bastão, podia ler as duas palavras ali: Não grávida.
— Sinto muito, Carmen.
Ela olhou para mim, vi seus olhos tomados por tristeza.
— Eu realmente sinto, queria que você estivesse grávida — falei sinceramente.
— Acho que nunca vou conseguir ter um filho.
— Não, não! — Toquei no seu rosto. — Não diz isso, vai conseguir sim.
— Não é o que a vida tá me dizendo.
— Pode ser um falso negativo. — Tentei me agarrar a um fio de esperança, ela balançou a cabeça em negação.
— Não acho que seja, é real, como o bebê que perdi.
— Carmen…
Ela sorriu para mim.
— Pelo menos seu pai não vai sofrer tanto quando eu contar isso para ele, né? Ele já tem você e as meninas.
— Ele ainda quer um filho com você, claro que vai ficar triste. Mas vocês podem continuar tentando.
— Não tão cedo, vou entrar na pílula — disse decidida. — Eu não aguento a ideia de lidar com outra situação assim tão cedo. — Engoliu em seco. — Talvez nunca mais, talvez esteja velha demais para isso.
— Ei, você tem minha idade, não estamos velhas para isso.
— Bom, talvez eu esteja sendo punida pelo aborto que fiz. — Seu lábio inferior tremeu. — Nunca me arrependi disso, mas talvez seja a hora.
— Não repete isso — exigi. — Você não poderia ter aquele filho, não tinha como levar aquela gestação a diante, sua vida teria sido completamente diferente, talvez nunca tivesse casado com meu pai. Eu sei que abortar foi algo difícil, mas você fez o melhor para si, Carmen. Você e eu, nós tivemos homens nos usando tanto, não? Mas essa escolha, sobre seu corpo, era sua. Sei que você concorda comigo, mesmo sendo religiosa.
Ela respirou fundo e concordou com um aceno de cabeça.
— Eu não queria aquela gravidez, aquele filho.
— Eu sei. E o bebê que você perdeu meses atrás, ou esse negativo de agora não é uma punição, tá? São situações diferentes, momentos diferentes da sua vida.
Fiz com que ela soltasse o teste e segurei em suas mãos.
— Você ainda vai ter um filho, ou mais de um. Talvez não seja por uma gravidez. — Ela soluçou. — Pode considerar as outras opções, mas vai ter um filho sim, Carmen. E eu vou ser a melhor irmã mais velha para essa criança, juro. Quanto a você, será uma mãe incrível, não tenho dúvidas sobre isso.
Carmen me abraçou com força, eu coloquei meus braços ao redor dela e a deixei chorar. Também queria chorar, também estava triste por aquele negativo, mas me controlei, precisava segurar as pontas por ela.
— Preciso falar com seu pai.
Sua frase me fez suspirar, ele ficaria triste também.
— Vou chamar ele — falei ao me afastar dela.
— Obrigada por tudo, Bella — agradeceu.
— Não por isso. — Lhe dei mais um rápido abraço antes de sair.
No instante que entrei na sala onde todos estavam, até Esme, Edward olhou para mim. Ele deve ter visto em minha expressão que as notícias não eram boas, seus ombros caíram e me lançou um sorriso triste.
— Papai? — chamei por Charlie, ele parou de conversar com Jasper e olhou para mim.
— Oi, Bells.
— Carmen está lhe chamando.
O sorriso dele desapareceu, uma expressão angustiada tomou conta do seu rosto. Ele soltou o taco que segurava sobre a mesa de bilhar, andando até mim rapidamente.
— O que aconteceu? Ela está estranha nos últimos dias, com dores de cabeças… Carmen… É alguma doença? — me questionou em voz baixa.
— Vai conversar com ela, pai. — Afaguei seu braço. — Carmen tá no quarto de vocês.
— Bells — disse meu apelido em um tom de voz perturbado.
— Vai ficar tudo bem. — Fiquei na ponta dos pés e beijei sua bochecha. — Amo você, papai.
Ele beijou meu rosto de volta e seguiu até sua esposa. Olhei para minhas irmãs, lado a lado, Alice ainda não sabia o que estava acontecendo, mas entendeu o clima de tensão e abraçou Renesmee que estava cabisbaixa.
***
Uma batida na porta fez com que eu tirasse os olhos do meu livro, ergui o olhar para a porta e soltei um:
— Entre.
Alice abriu a porta.
— Tô te atrapalhando? — perguntou.
— Não, só tava lendo, algum problema?
Ela negou com um aceno de cabeça e fechou a porta atrás de si, olhou para os cavalos de balanço, de madeira, que Edward e eu tínhamos comprado no dia anterior e riu. Ele e eu vimos aquilo numa loja durante nosso passeio, amei e quis comprar um para Holly, Edward me surpreendeu dizendo que deveríamos levar dois, um para ficar na fazenda e um em Los Angeles.
— Lembro quando eu deixei um desses cair no pé da Ness?
— Sim. — Coloquei meu livro na mesinha de cabeceira. — A coitadinha quase quebrou o dedo.
Alice riu mais e tocou em um dos cavalos.
— Tá tudo bem, Alice?
Ela voltou a olhar para mim, parando de rir.
— Sei lá, só fiquei pensando sobre essa não gravidez da Carmen e quis vir aqui.
Naquela manhã, do dia vinte e oito de dezembro, Carmen aceitou fazer outro teste. Mais um negativo, mais choro.
Papai estava sendo muito forte pelos dois, ela estava bem arrasada. Tinha passado a maior parte do dia trancada no quarto, fiquei lá por um tempo com ela, Renesmee também.
— Eu me senti terrível por ficar aliviada… Aliviada por ela não estar grávida — falou por fim.
— Vem cá, Alice.
A chamei e ela andou até minha cama e deitou ao meu lado.
— Ela e papai vão acabar tendo um filho em algum momento, nós precisamos aceitar isso.
Uma lágrima rolou pelo seu rosto.
— Você está feliz com Jasper?
— Sim, muito.
— O papai tá feliz com a Carmen, quero dizer, tirando o aborto e esse negativo, eles são felizes juntos, se amam. Você precisa aceitar isso também.
Minha irmã colocou as mãos sobre o rosto e chorou mais, eu fiquei em silêncio deixando-a organizar sua mente com o que eu tinha dito. A porta se abriu novamente, não o suficiente para chamar a atenção de Alice, Edward estava ali, de volta após levar sua mãe ao aeroporto, ele viu o que estava rolando e saiu sem dizer nada.
— Bells?
— Sim?
— Espero que eles tenham um menino — disse com o rosto ainda escondido pelas mãos.
— Pra não competir com a gente?
— Não, pra eu poder vestir ele de Batman e a Holly de Mulher Maravilha.
Eu ri e Alice olhou para mim, ainda chorando, mas dando um pequeno sorriso.
— É, pra ele não competir com a gente também, já tem muita mulher nessa família.
***
Edward não parava de reclamar para si mesmo enquanto se arrumava, eu tentava não rir da cara dele. Meu pai tinha nos acordado bem cedo, com uma missão:
— Vamos andar a cavalo! — Charlie gritou na porta, enquanto batia sem parar, assim não daria brecha ao nosso sono.
Terminei de calçar minhas botas e Edward me encarou irritado, falando por fim diretamente comigo:
— Não acredito que fui acordado tão cedo pra andar a cavalo.
— Vai ser divertido, amor. — Fiquei de pé e coloquei mais uma blusa para enfrentar o frio.
— Claro, muito divertido. Acordar cedo para ir sentir cheiro de bosta de cavalo.
— Para de reclamar, andar a cavalo é divertido, estou triste que não posso.
Pela gravidez eu não poderia montar, os riscos de cair eram altos.
— Sorte sua que seu pai não vai te amarrar em cima de um cavalo, por que ele não leva só o Jasper? É o genro favorito.
Eu gargalhei, mas não disse nada porque o olhar mortal do meu marido me impediu disso. Era fofo o ver com ciúmes.
***
Nem Carmen ganhou um passe livre da atividade em grupo, ela estava lá alimentando os cavalos e pronta para montar também. Alice, assim como Edward, não tinha gostado nada de ter sido acordada tão cedo e reclamava junto com ele.
— Meu Deus, como a Alice é chata! — Renesmee exclamou para mim. — Vontade de meter a mão na cara dela.
— Edward está pior, não parou de resmungar por um minuto.
Fiz mais um pouco de carinho no meu cavalo, realmente triste que não poderia andar com ele. Porém, Edward iria o pegar emprestado aquele dia.
— Eu liguei para o Alec ontem — Ness sussurrou, fazendo com que a olhasse, seu olhar era triste.
— Sério? Você não disse para ele no meu casamento que queria ficar afastada um tempo.
— As fofocas voam, né?
Lhe lancei um sorriso amarelo.
— E sim, eu disse, mas não me aguentei ontem e liguei. Não tinha desejado feliz natal e quis fazer isso, mesmo atrasada.
— Novidades?
— Apenas o que já sabíamos que ia acabar rolando. — Deu de ombros. — Ele se muda para a Inglaterra em Janeiro, já está planejando tudo.
— Sinto…
Renesmee balançou a mão fazendo com que eu interrompesse minha fala.
— É o melhor pra ele, Bells. Alec precisa ficar junto do filho, Samuel precisa da Amber, mas também precisa do pai perto de si.
— Um dia vocês dois podem ficar juntos.
— Provavelmente ele volta com a Amber.
— Ele não gosta dela, não como gosta de você ao menos.
***
Edward ficava tão gostoso andando a cavalo, ainda mais com aquela expressão aborrecida e calçando botas. Eu queria o arrastar para o quarto, mas não interromperia o momento em família para isso, não ainda.
Estava o gravando em meu celular, não perderia a oportunidade de postar aquilo e mostrar ao mundo Ed Cullen vivendo a vida na fazenda. Porém, o vídeo que até então já estava ótimo ficou melhor na hora que Edward ia descer do cavalo, enroscou o pé, se desequilibrou e só não caiu porque meu pai que estava perto agarrou seu braço o mantendo longe do chão.
Fiquei primeiramente preocupada, temendo que ele se machucasse. Mas quando vi que Edward estava bem e Alice começou a rir ao meu lado também ri junto.
— Você gravou isso? — Edward perguntou se voltando para mim, assenti em resposta e parei a gravação. — Nem pensa em postar essa merda, Isabella — ordenou, seu sotaque ficando mais forte conforme falava.
— Não se preocupa, não vou postar. Não com esse trecho, amor.
Ele revirou os olhos.
— Vem, vamos tirar você de perto desses animais tão perigosos. — Estendi uma mão, ele revirou os olhos novamente mas seguiu comigo.
Tinha planos para nós dois e envolvia uma cavalgada.
***
Estávamos na cama pós sexo, Edward dormindo e eu mexendo no celular. Tinha postado o vídeo dele andando a cavalo, um trecho curto, sem mostrar sua quase queda.
Na legenda eu me expressava como tinha sido difícil não andar a cavalo aquele dia.
"Morrendo de inveja do @edcullen andando a cavalo com meu pai quando eu não posso."
Jane tinha comentado na minha foto com algo que me fez rir bastante, por sorte minha risada não acordou o homem ao meu lado.
"Isabella eu amo que você levou ele pro meio do mato! Hahaha"
Alice também tinha comentado.
"Cadê a parte do vídeo que o Ed quase caiu descendo do cavalo?"
Afaguei as costas dele ao ler aquilo, mordendo o lábio inferior para não rir mais. Edward se remexeu um pouco, mas não despertou. Continuei traçando o desenho de sua tatuagem tribal enquanto lia os comentários na publicação, pediam por mais trechos do vídeo, me xingavam — o de sempre — , diziam que Ed estava com cara de bravo porque me odiava, falavam mal até do cavalo, mas tinham os comentários bons para aquecer um pouco meu coração.
Larguei o celular quando cansei de tudo aquilo, me movi na cama e beijei as costas de Edward. Foi o suficiente para ele acordar e falar:
— Sem chances de uma segunda rodada, eu tô exausto.
— Eu também, quem diria? — Beijei mais suas costas, parando quando meu celular tocou.
Eu o peguei e meu bom humor — mesmo após ler aqueles comentários ruins — sumiu, Richard estava me ligando. Desliguei o celular, não queria falar qualquer coisa com aquele homem.
— Tudo bem? — Edward perguntou.
— Tudo, era ligação da Kate, falo com ela depois. — Beijei seus cabelos.
Deveria contar sobre Richard me importunando, mas não queria o estressar.
***
Papai convenceu Carmen a sair para jantar com ele na noite do dia trinta, eu insisti que ela fosse, seria bom para se distrair. Nós ficamos em casa, Renesmee fez o jantar e foi dormir depois que comemos, Edward, Alice, Jasper e eu ficamos juntos ouvindo música.
Minha irmã estava deitada com a cabeça na coxa de Jasper em um sofá, ela e Edward debatiam sobre Britney Spears e Christina Aguilera. O Whitlock estava lendo uma biografia de um cantor country amigo do papai, enquanto eu mexia no celular.
Mais cedo tinha arrastado Edward até a área dos animais na fazenda, fiz inclusive ele me fotografar com um filhote de cabra nos braços. Meu marido detestou essa ideia, também não quis interagir com os animais.
— Eles fedem — Edward afirmou.
Postei uma foto com o bebê cabra, passei mais um tempo rodando pelo Instagram. Respondi algumas mensagens de Tanya e Rose, depois no Twitter curti uns comentários positivos sobre o clipe de Garota.
— Alguém sabe fazer brownie? Tô morrendo de vontade — Edward disse, Jasper abaixou o livro e falou:
— Agora somos dois.
— Vamos pedir — meu marido pegou seu celular.
— Vai levar uma eternidade para chegar aqui — Alice falou. — Liga pro papai e pede pra ele trazer, ainda vai ser mais rápido que entrega.
— Não atrapalhem o papai, ele tá tendo uma noite necessária com a Carmen — falei.
— Mas eu quero brownies — Jasper choramingou.
— Chama a cozinheira, manda ela fazer.
— Já acabou o horário de expediente dos empregados, Bells — Alice lembrou.
— Paga um extra. — Dei de ombros.
— Vamos ligar pro James, ele pode ensinar a gente a fazer brownies — Jasper provocou, eu forcei uma risada e Edward beijou minha bochecha.
— Alguém vai acordar a Renesmee, ela sabe fazer — Alice sugeriu.
— Deixa a garota dormir — Edward interviu. — Vou mandar uma mensagem pro meu querido sogro trazer da cidade.
Daquela vez eu ri pra valer.
— Linda, vou dizer que a Holly tá com vontade de brownies, ele não pode ficar irritado por ter o jantar atrapalhado por isso.
— Mas pede suficiente pra todo mundo! — Jasper implorou. — Alguns donuts também seriam legais.
Olhei para ele e salivei só de me imaginar comendo donuts.
— Amei sua ideia, Jasper.
— Ok, vou buscar refrigerante, quem quer? — Alice ficou em pé.
— Não quero.
— Quero um Dr. Pepper. — Jasper voltou ao seu livro.
— Quero um chá — Edward murmurou e todo mundo o encarou. — Deu vontade, não me julguem.
— Ok, rainha. Mas não vou fazer chá, se vira — Alice declarou.
— Chata! — Edward protestou e foi com ela para a cozinha.
Quando voltou tinha uma xícara de chá em mãos e torradas.
— Earl Grey com leite, pesquisei e não tem problema você tomar um pouco, quer?
— Eca, não, esse cheiro é horrível. — Deslizei no sofá para longe dele, mas roubei uma torrada, voltei ao Instagram, Edward, Jasper e minha irmã começaram a falar sobre a Inglaterra.
Atualizei o feed do Instagram mais uma vez e vi que Ness tinha postado algo, uma foto dela nos bastidores de sua série. Na foto ela estava olhando para baixo, mãos atrás do corpo e sua expressão era séria.
Sua legenda… Eram as palavras mais dolorosas e ao mesmo tempo mais fortes que já tinha lido.
"Essa foto foi tirada alguns dias atrás pela @lucysmithoficial nos bastidores de @jovemcoracao, sei que pareço estar reflexiva e tudo mais aí, talvez até triste, mas a verdade é que estava pensando na pizza que ia comer no almoço Entretanto, os últimos meses foram cheios de momentos reflexivos e tristes.
Vocês todos sabem pelo que passei, apesar de eu nunca ter falado publicamente sobre antes. Fui agredida por meu próprio noivo, dentro da minha própria casa. Foi um dos piores dias da minha vida.
As marcas psicológicas que ficaram em mim dessa agressão doem mais do que as físicas que estavam em meu corpo até dias após o que aconteceu, eu não acho que um dia irei parar de sentir dor sobre isso, parece impossível. Nahuel era o homem que amava e iria me casar, eu estava planejando nosso casamento e sonhando com nossos filhos. Então, ele tirou tudo de mim.
Ele me traiu. Ele me bateu. Ele estará sempre em minha mente, as lembranças boas ainda existem, mas são sempre bombardeadas pelas ruins.
Eu não queria que ele tivesse morrido, foi tudo muito cruel nessa história para todos os envolvidos. Nahuel deveria estar preso, pagando pelo que fez comigo, mas não morto. Talvez alguns não entendam isso, só que não posso desejar a morte de alguém, mesmo a dele.
Também acho que pagar por isso judicialmente seria a melhor forma de lidar com essa situação, todos os agressores deveriam pagar pelo mal que fazem na cadeia. Eu sinto muito por todas as mulheres que também já foram vítimas de violência doméstica como fui, entendo a dor de vocês.
Quero dizer para essas mulheres que vocês não estão sozinhas e pode parecer impossível sorrir de novo, mas isso vai acontecer, acreditem. Eu ainda sinto a dor por tudo que passei, algumas noites tudo que quero fazer é chorar até dormir. Porém, tem dias que nem lembro do que aconteceu e são dias maravilhosos.
Estou fazendo terapia, tem sido muito bom para lidar com isso e com muitas outras coisas. Estou mais próxima de amigos e da minha família. Estou contando os dias para ver minha sobrinha nascer. Acordo todas as manhãs e tomo café com meu pai, ele diz quanto me ama e eu me sinto em paz.
Sou uma garota extremamente privilegiada, não só por possuir mais dinheiro que outras, como também por estar cercada de pessoas que cuidam de mim diariamente. Porém, sei que muitas outras mulheres vivendo com homens agressivos e abusivos estão presas nesses relacionamentos por não terem como escapar.
Eu vou ajudar vocês, irei usar a voz que tenho para arrecadar fundos para instituições que cuidam dessas mulheres, falar sobre em entrevistas e ir a eventos sobre. Por meses estive calada, evitando falar sobre tudo que passei, mas percebi que preciso usar a influência que tenho e tentar tirar outras mulheres de situações de perigo.
Meninas, vocês são preciosas, saibam disso. A vida de cada uma de vocês importa, não deixem homens como Nahuel fazerem com que se sintam inferiores. Não tolerem abusos psicológicos, físicos e sexuais, denunciem.
Garotas, cuidem uma das outras. Estendam suas mãos para irmãs, amigas, colegas de trabalho e vizinhas. Eu tenho uma sobrinha a caminho, espero que todas nós possamos fazer com que ela e toda a próxima geração cresçam em um mundo que nós mulheres possamos ser livres, felizes e que não sintamos mais dor por falsos amores.
Por favor, se lembre que amor não machuca!"
— Capitã, por que você está chorando? — Edward perguntou e só naquele instante me dei conta das minhas lágrimas.
— Bells? — Alice logo estava ao meu lado também.
Antes de explicar qualquer coisa para Edward deixei com que minha irmã entendesse primeiro, entreguei meu celular para ela e Alice leu o que Ness postou. Não chorou, mas foi o suficiente para saber porque eu estava chorando.
— Vamos lá com ela. — Me ajudou a ficar de pé e passou meu celular para Edward, ele logo começou a ler também.
Sequer batemos na porta do quarto de Renesmee, ela estava sentada em sua cama, em posição de meditação. Sorriu para nós e arfou quando eu fui para perto dela e a sufoquei em um abraço.
— Você é tão especial — Alice falou se unindo ao abraço. — Amamos você, Ness. — Então ela estava chorando também.
— Obrigada por sempre estarem ao meu lado — Renesmee agradeceu, a voz tranquila. — Estou calma, não precisam se preocupar.
Beijei seu rosto e afaguei depois, Alice continuou a abraçando.
— Alice está certa, você é muito especial.
***
Estar grávida era ótimo, isso me permitia alegar estar cansada e não fazer nada, ninguém iria ficar de cara feia por eu estar apenas apreciando o caos enquanto tomava um suco. Alice estava enlouquecendo todos com a decoração para nossa festa intimista de ano novo, papai já tinha ameaçado a deserdar duas vezes, estava chegando perto da terceira.
— Odeio sua irmã! — Edward sentou ao meu lado por um instante, estava segurando dois balões dourados.
— Essa é uma zona livre de problemas. — Gesticulei ao meu redor e bebi mais um pouco do meu suco.
— Gossip Hollywood falou sobre minha postagem ontem — Renesmee surgiu perto da gente, falando rápido e brava. — Escreveram na manchete: @NessSwan faz desabafo emocionante sobre agressão sofrida. Na matéria tem um vídeo, dois jornalistas homens idiotas debatendo sobre a violência que sofri, custava chamar uma mulher? Eu odeio os homens, não os quero discutindo o que passei.
Dito isso ela se afastou e foi reclamar da mesma coisa com Alice, que a deixou falar e não a mandou ir arrumar nada naquele instante.
— Ano agitado — Edward murmurou.
— Nem me fale, estou saindo grávida de 2018.
Ele riu suavemente e se inclinou para beijar minha barriga e falar com ela.
— Papai te ama, Holly.
***
Edward me abraçou por trás, suas mãos sobre minha barriga e seus lábios se encontraram com minha bochecha. Encostei a cabeça em seu peito e respirei fundo, ele me deu um novo beijo, daquela vez em meus cabelos.
Apreciei mais um pouco de tudo que Alice tinha preparado para a nossa festa, a decoração impecável, a encomenda de comidas e bebidas delicosas, até montou um pequeno palco para karaokê. Já tínhamos cantado um pouco, mas estávamos dando um tempo.
— You and me forevermore* — Edward cantou em meu ouvido um trecho de New Year's Day da Taylor Swift que estava tocando.
Eu me virei e o beijei, suas mãos foram de encontro ao meu quadril apertando por cima do vestido dourado que usava aquela noite.
— Te amo — sussurrei e o beijei mais uma vez.
— Quase meia-noite, vamos lá para fora! — papai gritou.
Todos convergiram para o lado de fora, depois de vestirmos casacos. Meu pai tinha contratado gente para soltar fogos de artifícios, silenciosos por conta dos animais.
— Cinco! — todos gritaram juntos durante a contagem. — Quatro. — Renesmee que estava do meu lado esquerdo sorriu para mim. — Três. — Usei a mão livre para tocar em minha barriga, a outra estava entrelaçada a de Edward. — Dois.
Ele se colocou na minha frente, seus olhos brilhavam.
— Um… Feliz ano novo!
Os fogos iluminaram o céu, azul, vermelho, rosa, verde, todas as cores possíveis. Voltei a olhar para o rosto de Edward, meu marido estava olhando para mim e chorando.
— Amo você, Capitã.
Então, ele me beijou. Era a melhor forma de começar um novo ano.
***
Acordei com Edward xingando, me remexi na cama e o vi saindo do banheiro, segurando seu pé direito.
— O que aconteceu? — perguntei baixinho.
Tinha sido uma longa noite, após o ano virar nós usamos o karaokê pra valer. A festa só acabou às quatro da manhã, mas por papai teria continuado, Renesmee praticamente teve que expulsar todo mundo para seus quartos alegando que queria dormir e com aquele barulho todo não conseguia. Charlie tentou a ameaçar com o papo de a deserdar, mas não funcionou.
— Nada, dei uma topada — resmungou. — Pode voltar a dormir, linda.
— Você tá indo correr? — Observei suas roupas.
— Tô.
Peguei meu celular na mesinha junto da cama e vi que eram só sete da manhã.
— Ainda é muito cedo, você não dormiu quase nada.
— Eu sei. — Abaixou seu pé. — Acordei tem uma hora, tô virando na cama desde então. — Ele parecia derrotado ao falar. — Estou com vontade de beber de novo, pensei em sair pra correr e extravasar.
— Edward. — Sentei na cama. — Você vai acabar desmaiando, não dormiu quase nada — murmurei preocupada. — Tive uma ideia, que tal a gente tomar café da manhã, depois saímos para caminhar, nada de corrida.
Ele abriu a boca para falar, mas foi interrompido por uma batida na porta. Andou até lá e a abriu, revelando Renesmee, ela estava aos prantos.
— Jane… Bebeu… Vazamento.
Nem eu conseguia entender o que minha irmã estava falando, entretanto era óbvio não se tratar de algo bom.
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